-obrigada pela carona Miroku. –disse Kagome assim que saiu do carro.
-foi um prazer. –acenou Miroku do banco de motorista.
-Kagome é serio você devia ouvir o meu conselho e se mudar pra Londres, fica mais fácil pra você.
-Sango eu já te disse eu não quero sair daqui, você sabe o quanto eu amo essa casa.
-mas você não disse que o novo dono estava querendo vender?
-talvez... não temos certeza. –ela sorriu para amiga. –desde que eu vi essa casa eu...
-se apaixonou... eu sei, você já disse isso milhões de vezes. –ela deu um suspiro derrotado. –foi só um conselho, nos vemos segunda na aula.
-até. –disse antes deles irem, subiu a varanda correndo e foi direto para seu quarto e trocou de roupa, colocou um short jeans velho, uma blusa larga e suas velhas botas de jardinagem.
-já vai para o jardim? –perguntou sua avó assim que ela passou pela cozinha em direção a porta dos fundos que dava direto ao jardim. –nem almoçou ainda.
-eu quero dar uma olhada nas rosas que eu plantei, não vou demorar. –disse saindo pela porta. As rosas já estavam desabrochando e como ela tinha imaginado quando as plantou, o jardim ganhou mais brilho. Estava agachada perto das rosas quando teve a impressão de estar sendo observada, quando levantou a vista se deparou com um par de olhos âmbares a encarando fixamente, ela se sentiu presa aquele olhar, era tão familiar. Ela o ouviu sussurrar algo, mas não teve certeza se entendeu o que foi e isso a despertar de seu transe.
-posso ajuda-lo? –perguntou se levantando e se arrependeu por isso, estava mal vestida e suja de terra e o homem a sua frente vestia uma blusa social dobrada até o cotovelo e uma calça jeans.
-o que disse? –ele também parecia atordoado com algo.
-perguntei se podia ajuda-lo, esta procurando alguém? –ele há olhou uns segundos antes de responder.
-não, só estava dando uma olhada na casa. –Kagome arqueou uma das sobrancelhas.
-e posso saber qual seu interesse na casa? –ele sorriu.
-acho que isso não é de seu interesse. –disse se virando para ir embora, Kagome não acreditava nisso, quem ele pensava que era.
-pois é do meu interesse sim, eu moro aqui e o que você está fazendo é invasão de propriedade. –disse indo atrás dele, Inuyasha se virou para ela com o mesmo sorriso presunçoso de antes.
-você é a proprietária? –Kagome parou e hesitou um pouco antes de responder. –não, mas é como se fosse e se não me disser o que procura aqui chamarei alguém para tira-lo daqui a força se preciso.
Inuyasha não conseguiu conter o riso, cruzou os braços e encarou a mulher a sua frente, se bem que ela parecia uma criança, parada na sua frente com um short, blusão tão largo que escondia qualquer curva que ela podia ter e botas de jardinagem, ele até que tinha que admitir que ele a achava atraente ainda mais cheia de atitude como estava agora.
-pois tente? –disse e sorriu ainda mais com a reação que ela teve.
-como disse?
-tente, quero ver como você faz para me expulsar daqui. –Kagome não acreditava nisso, ele realmente era arrogante, mas antes que pudesse responder foram interrompidos.
-aqui está o senhor. –Myouga correu em sua direção. –o estava procurando, já avisei aos empregados sobre sua chegada, vamos? –nesse momento ele viu Kagome.
-senhorita Higurashi como vai?
-bem obrigada . –ela olhou de Myouga para o homem a sua frente. –mas e o senhor o que faz aqui?
-que cabeça a minha, deixe-me apresenta-la. –ele se virou de Kagome para Inuyasha. –Kagome esse é Inuyasha Taisho, ele é sobrinho do falecido duque e novo proprietário dessa casa. –Kagome teve que se esforça para manter uma expressão neutra. –sr. Taisho essa é Kagome Higurashi ela é neta da senhora Kaede a governanta da casa. –nesse momento ela queria que um buraco se abrisse aos seus pés.
-é um prazer conhecê-la senhorita Higurashi. –ela não precisava encara-lo para saber que estava rindo.
-igualmente. –ela tinha que sair dali. –se me dão licença, vou entrar agora, foi bom vê-lo de novo . –e saiu correndo discretamente.
Inuyasha tinha um pequeno sorriso nos lábios enquanto via a jovem se afastar.
-aconteceu algo ? – perguntou Myouga confuso.
-não foi nada. –se virou para o homem baixinho que o olhava curioso. –vamos entrar, não foi pra isso que você veio atrás de mim. –Myouga concordou rapidamente e seguiram para a casa. Enquanto o falava com orgulho da casa e de sua importância histórica, Inuyasha não conseguia tirar da cabeça a jovem de olhos azuis ousados e nariz empenado que acabará de conhecer.
-essa é a senhora Kaede Higurashi. –disse Myouga o apresentando a uma senhora que os esperava na entrada.
-é um prazer conhecê-lo . –disse fazendo uma leve reverencia.
-igualmente. –ela tinha uma postura firme e decidida, agora ele sabia de onde a jovem Higurashi tinha herdado sua pose. –soube que trabalha aqui há muito tempo.
-minha vida toda e estarei a sua disposição para qualquer duvida ou pergunta que tiver sobre a casa. –sorriu satisfeito, sabia que podia contar com ela para isso, e entendia porque ficou no cargo tanto tempo, aquela mulher era do tipo fiel a suas funções e ele admirava isso.
-por agora só quero que me mostre a casa, depois iremos aos detalhes. –ela afirmou e os guiou pelos vários e enormes corredores. Se ele achara impressionante por fora, não ficará menos vendo por dentro e estava melhor cuidada que a parte de fora, mas ele percebeu que infelizmente precisaria mais que um dia para resolver tudo ali. Depois de mostrar todo primeiro andar, seguiram para o segundo, ele conseguiu contar vinte e cinco quartos, era realmente um lugar impressionante. Kaede os deixou em uma das salas de visitas e foi providenciar para que fosse servido o chá.
-então o que achou da casa? –perguntou Myouga assim que ficaram sozinhos. –impressionante não é?
-realmente e está melhor cuidada por dentro do que por fora.
-isso é graças à senhora Higurashi, é realmente uma excelente governanta é graças a ela que essa casa não caiu no abandono total.
-meu tio não se importava com a casa?
-bem... ele preferia a vida na cidade e além do mais... –ele parou hesitante em continuar.
-algum problema com a casa? –perguntou curioso com o comportamento de Myouga.
-não é bem um problema, a não ser que acredite em maldições.
-maldições? –Inuyasha teve que se esforçar para não rir. –quer dizer que essa casa é amaldiçoada?
-é o que dizem. –ele parecia desconfortável. –mas claro que eu não acredito nesse tipo de coisa. –Inuyasha duvidava muito disso.
-e qual é a história?
-bem parece que tudo começou com o segundo duque de Brandyshon, sua esposa morreu um ano depois do casamento e pelo visto ele nunca se recuperou disso. –ele deu uma pausa antes de continuar. –mas claro a varias versões do fato, uma inclusive diz que a duquesa tinha um amante e quando o duque descobriu os matou, depois arrependido se matou claro que não tem como saber o que realmente aconteceu.
-uma típica historia de amor com um fim trágico, as pessoas realmente gostam disso não é? –Myouga não disse nada, mas Inuyasha sabia que o amor era só uma desculpa para as pessoas cometerem loucuras que se transformaria em dores de cabeça mais tarde. –quanto tempo levará para que eu possa vender a casa?
-vender? –Myouga parecia surpreso com isso. –eu não sabia que o senhor tinha intenção de vender essa casa.
-e o que mais eu poderia fazer com ela, me mudar para cá?
-não claro que não, mas... o senhor não pode vender essa casa.
-o que?
Inuyasha andava de um lado para o outro tentando arrumar uma solução para o problema que Myouga revelava a sua frente.
-e não a nenhuma maneira de mudar isso? –perguntou desesperado.
-infelizmente não. –disse Myouga firma. –como eu expliquei, tanto essa casa como as terras pertencem a família Taisho, estão veiculadas ao titulo não podem ser vendidas.
-e o que esperam que eu faça me mude pra cá?
-é um ótimo lugar para se morar. –Inuyasha se virou para ele irritado.
-só pode estar brincando não é, tenho uma vida em Nova York, como espera que eu largue tudo.
-bom o senhor não precisa fazer isso, mas é impossível que venda a casa. –Inuyasha se jogou no sofá bufando, não acreditava no problema que se metera. –a única coisa que precisa fazer e manter a casa.
-por que eu manteria uma casa sem utilidade, isso perda de tempo e dinheiro. –Inuyasha tentou se acalmar e pensar um pouco, tinha que ter uma maneira de resolver isso. –tem certeza de que sou o único parente vivo do meu tio, não a mais ninguém pra quem passar essa casa?
-isso só seria possível se o parente em questão fosse um homem e pelo que sei o senhor é o único. –Inuyasha já estava perdendo a paciência. –mas talvez...
-talvez?
-acho que o seu tio mencionou uma vez um filho, mas como ele nunca se casou ele não o registrou, acho que seria impossível acha-lo.
-pois tente. –essa era sua única chance de se livrar desse problema. –se ele for mesmo filho do meu tio ele poderá herdar tudo isso não é?
-se ficar provado ele pode ser considerado um herdeiro. –Myouga deu um suspiro. –mas tem certeza disso, o senhor pode perder todos os seus direitos.
-não me importo, não preciso de nada disso, a única coisa que quero e resolver tudo o mais rápido possível e voltar para os Estados Unidos.
-entendo, mas infelizmente isso pode demorar, não temos nenhuma pista sobre esse rapaz.
-faça isso o mais rápido que puder. –Myouga concordou pouco tempo depois Kaede chegou trazendo o chá.
-bom senhor Taisho acho que já esta na hora de voltarmos. –disse Myouga se levantando.
-você pode ir Myouga, gostaria de ficar aqui. –Myouga o encarou surpreso. –tem algum quarto que possa usar senhora Higurashi?
-mas é claro senhor, arrumarei nesse instante. –ela fez uma rápida reverencia e se retirou.
-tem certeza disso essa casa é...
-esta se referindo a maldição? –Inuyasha sorriu desdenhoso. –pensei que não acreditasse nisso.
-e não acredito...
-pois eu também não, acho que será mais agradável ficar aqui do que em um hotel. –ele se levantou e andou pela casa. –talvez possa encontrar alguma pista sobre esse suposto filho do meu tio, com certeza será mais vantajoso que eu fique aqui. –e dizia a si mesmo que isso não tinha a ver com a jovem Higurashi.
-se o senhor acha assim. –ele também se levantou. –eu o manterei informado sobre minhas descobertas.
-obrigado e poderia pedir que mandassem minhas coisas que ficaram no hotel?
-claro senhor e até logo. –dizendo isso ele saiu deixando Inuyasha sozinho com seus pensamentos.
-quanto tempo você pretende ficar se escondendo aqui na cozinha? –perguntou Kaede ao entrar na cozinha e encontrar Kagome devorando outro pedaço de torta.
-não estou me escondendo. –disse colocando mais um pedaço de torta na boca, mas era verdade que não tinha saído dali desde a chegada inesperada do . –eles já foram?
-Myouga já, mas parece que teremos a presença do por mais algum tempo.
-o quê? –ela se exaltou fazendo com que engasgasse com a tora.
-Kagome se acalme. –disse Kaede dando tapas na sua costa.
-o que a senhora quis dizer com isso? –perguntou depois de se recuperar.
-que ele vai ficar morando aqui enquanto estiver em Londres.
-e quanto tempo vai ser isso?
-não faço a mínima idéia.
-isso não pode estar acontecendo. –disse caindo na cadeira.
-não entendo por que o espanto, essa casa é dele é normal que ele queira ficar aqui e ele me pareceu uma boa pessoa.
-boa pessoa? –Kagome tinha uma idéia diferente dele.
-você já o conheceu? –perguntou Kaede curiosa, Kagome se calou não queria falar sobre o seu encontro e muito menos o modo como tratou o novo patrão de sua avó.
-claro que não, afinal estive na cozinha o tempo todo. –Kaede não pareceu convencida, mas decidiu não insistir. –vai precisar de alguma ajuda?
-bom, se você já terminou de se empanturrar de torta, poderia levar alguns lençóis para o quarto de hospedes o que fica perto do corredor. –ela levantou rapidamente, aquilo era melhor que ficar lá sujeita as perguntas de Kaede. Além disso gostava de ajudar com o trabalho da casa, devido ao corte de custo que o duque foi obrigado a fazer, vários dos empregados tiveram que ser dispensados e isso acarretou no aumento de serviço de sua avó, então ela fazia o que podia para ajudar.
-então é aqui que ele vai dormir. –disse assim que entrou no quarto, depois do quarto do Duque aquele era o melhor quarto da casa, se lembrava de quando era criança e entra ali fingindo que era seu quarto e que era uma princesa esperando seu príncipe encantado. –príncipes encantados não existem. –disse com um pequeno sorriso divertido com as lembranças de sua infância.
-nisso eu concordo com você. –Kagome se virou rapidamente e se assustou ao ver Inuyasha Taisho recostado a porta com os braços cruzados e um sorriso nos lábios.
-o que esta fazendo aqui?
-não esta pensando em me expulsar não é? –Kagome engoliu em seco, ele estava tentando irrita-la, o melhor seria ignora-lo, por isso lhe deus as costas e voltou aos seus afazeres, abriu as cortinas e janelas para deixar o ar entrar, depois trocou os lençóis da cama, ela percebeu que Inuyasha a observava em tudo que ela fazia. –você trabalha aqui também? –ela pensou em não responder, mas talvez aquilo não fosse o melhor a fazer.
-não, só ajudo minha avó as vezes, pode não ter percebido, mas não contamos com muitos empregados no momento.
-com certeza devido à falta de talento do meu tio para administrar suas financias.
-ele não foi o primeiro. –disse ainda sem se virar para ele. –mas não tenho do que reclamar, desde que vim morar com aqui ele sempre me tratou muito bem, não é do meu interesse a forma como ele cuida dos seus bens.
-não foi isso que pareceu ainda pouco quando você quase me expulsou daqui. –nesse momento ela parou e respirou fundo, se virou para ele.
–sobre aquilo acho que tenho que pedir desculpas, não sabia quem o senhor era. –Inuyasha sorriu sem vontade.
-e agora que sabe quem eu sou esta disposta a fazer o que for necessário para me agradar não é? –Kagome o encarou sem reação nenhuma, sabia sobre o que ele estava falando, empregadas que fazia de tudo para agradar ao patrão para ganhar benefícios, no final ela acabou sorrindo.
-a cama já esta arrumada e o quarto arejado, Jenny vira daqui a pouco para ajeitar o que falta, se me der licença tenho outra coisas a fazer. –ela passou por ele o deixando sem palavras. –e a propósito, mas cedo no jardim você me chamou de Rin, não foi? –disse sem se virar. –foi ela que te deixou com essa má impressão das mulheres? –ele se virou para ela confuso. –posso me parecer com ela, mas não sou ela, então eu sugiro que não pense que pode tentar alguma coisa comigo. –se virou para ele e fez uma pequena reverencia. –fique a vontade . –e saiu com um largo sorriso nos lábios.
Depois que Kagome o deixou sozinho Inuyasha não pode deixar de pensar no que ela havia dito.
-Rin? –ele realmente falara esse nome, mas o estranho era que ele não conhecia nenhuma Rin, o nome simplesmente viera a sua mente no momento isso e a sensação de que a conhecia, aqueles olhos lhe eram tão familiar e acolhedores. Estava tão absorvido em seus pensamentos que não ouviu as batidas na porta.
-Senhor... senhor... –Inuyasha levantou a vista e se deparou com uma jovem parada a porta, ela vestia um uniforme de empregada, tinhas os cabelos presos em um coque e parecia hesitante se devia entrar ou não.
-o que quer?
-a senhora Kaede me mandou para terminar de arrumar o quarto senhor. –não aparentava ter mais de dezessete anos e além disso não parava de tremer só de estar a sua frente era uma criança. –se o senhor quiser posso voltar mais tarde.
-não é preciso, faça o que tiver que fazer. –disse saindo do quarto, precisava ligar para Kouga e avisar que demoraria mais alguns dias a voltar e pela primeira vez essa idéia não parecia tão ruim e ele sabia que a causa disso era uma jovem petulante de olhos azuis.
