Capítulo II ~ Hospital Pt. II

Ficou olhando o irmão por tanto tempo que já nem sabia mais que horas eram. Logo viu duas enfermeiras se aproximarem. Uma loira alta e uma morena baixinha. Passaram apressadas por ele e se esterilizaram em uma grande pia, logo entrando na UTI. Caminharam até o leito de Dean e checaram sua respiração, que por sinal, estava tão boa que nem precisou de respirador. Checaram também sua pressão arterial e batimentos cardíacos antes de tirarem a bolsa quase vazia de sangue que estava sendo transferido para o caçador, para então trocarem por soro. Deram a volta em seu leito e lhe espetaram uma agulha no outro braço, logo ligando-o a mais um pequeno tubo, este outro igual ao do soro, porém, para um remédio anti-inflamatório, visando a melhora de seus machucados na cabeça. Sam observava tudo quieto em seu canto, do outro lado do vidro. Sorriu ao ver uma enfermeira loira aproximando uma cama com lençóis limpos e esterilizados com um travesseiro também limpo e aparentemente bem macio. Não podia ouvir direito, mas soube que as enfermeiras contaram até três até empurrar o corpo do irmão para a cama. Elas o acomodaram ali, de um jeito caprichoso, como se ele estivesse acordado e colocaram a bolsa de soro e remédio em cima de seu tórax. Logo elas o levaram para fora daquele quarto estéril e o colocaram no elevador, empurrando sua cama. Sam correu atrás das enfermeiras:

- Hey! Espera! Pra onde vão levar ele? Ele é meu irmão!

Sam falou um pouco alto e as enfermeiras pararam ao ouví-lo, com a cama de Dean já pela metade dentro do elevador. A loira, a mesma que aproximou a cama de seu irmão, sorriu.

- Oh, não se preocupe. Estamos levando seu irmão para o quarto 701. Se quiser, pode vir com a gente.

A moça o convidou gentilmente, com um sorriso simpático no rosto.

- Ah, muito obrigado...

Sam sorriu, realmente feliz por finalmente poder ficar próximo de seu irmão. As enfermeiras empurraram a cama para dentro do elevador até entrar por completo. O elevador era grande e comprido especialmente para poder comportar camas e macas. Logo Sam entrou e segurou uma das mãos do irmão, ainda sorrindo, desejando mais que tudo que ele abrisse seus olhos. Mas ainda era cedo e teria que esperar. Os ferimentos ainda estavam muito recentes e era incerto que ele acordasse, pelo menos por agora. Acariciou a mão do mais velho e a beijou carinhosamente, sem se importar com as duas enfermeiras ali dentro. A enfermeira morena apertou o botão com o número 7. Sétimo andar. Alguns minutos depois, Sam largou a mão do outro para que as moças o levassem até seu quarto. O jovem Winchester quase tinha que correr atrás delas. Nunca havia visto enfermeiras tão apressadas, quando não estavam tentando ressuscitar alguém. Logo chegaram até o quarto 701. Uma das enfermeiras tirou uma chave do bolso e abriu o quarto, logo entregando a mesma para o moreno.

- Aqui. Como este quarto será de seu irmão por tempo indeterminado, é melhor que essa chave fique com você. Normas do hospital.

Disse a enfermeira, gentilmente. Elas arrumaram o paciente no quarto, ligaram o aquecedor numa temperatura agradável e abriram as janelas, clareando o quarto. Uma delas, a morena, explicou a Sam como era pra usar o banheiro, as horas de refeições e visitas. O ensinou também, como chamá-las caso precisasse. O jovem ouviu tudo atenciosamente, sem tirar os olhos do irmão um minuto sequer. Logo as moças se despediram e os deixaram a sós. O mais novo puxou uma poltrona grande, de couro negro e se acomodou ao lado da cama do irmão. A cama era alta e a poltrona e a mesma ficaram no mesmo nível, quase como se o jovem estivesse sentado na cama do outro. Segurou uma das mãos dele e a acariciou de uma forma cuidadosa. Olhou as bolsas de soro e remédio, já acomodadas em dois pequenos ganchos de ferro presos à parede branca do quarto.

- Dean... Eu ouvi na televisão que conversar com pacientes em coma pode ajudá-los... Sam riu baixinho. - Aposto que você ia rir de mim agora, mas eu vou tentar conversar com você... Quem sabe isso não te ajude, não é?

O jovem sorriu. Um sorriso triste, desamparado, quase puxando para um choro reprimido.

- Ora vamos... Você é forte... Já passou por isso antes... E ficou bem... Eu sei que você pode, amor...

O jovem disse aquela última palavra com um sorriso tímido. Logo se calou e beijou a mão do mais velho, apoiando-a em sua coxa e acariciando-a. Apoiou sua cabeça no encosto da poltrona e sem que percebesse, caiu no sono.

Continua...