Capítulo III ~ Sexta-Feira 13
Estavam, como sempre, em um pequeno hotel de beira de estrada. O estado da vez era Rhode Island. Estavam na cidade de Providence. Era noite e aquela sexta-feira estava um pouco gelada. Sam arrumou o próprio casaco, procurando se proteger do frio, que conseguia até vencer o velho aquecedor daquele quarto. Sentou-se na cama, olhando a janela e suspirou.
- Preciso contar... Nem que seja para ir embora depois.
Pensou.Logo meneou a cabeça, sufocando, como sempre, seus sentimentos e viu seu irmão mais velho entrar pela porta do quarto com um sorriso, usando aquela velha jaqueta de couro.
- Hey. Já sei onde ele está.
Disse Dean, se referindo ao demônio o qual foram caçar. Este era mais forte, mas já haviam se preparado para isso, conseguindo um outro exorcismo, específico para aquela raça. Nunca pensaram que aquilo iria existir. Um exorcismo específico para raças de demônio. Mas nesse ''trabalho'', quase sempre, você se surpreende com as novidades. O jovem Winchester se levantou da cama.
- Onde?
Pergutou, quase aliviado por poderem acabar logo com aquilo. Queria que tudo acabasse logo, para que pudesse contar o que sentia pelo outro desde os dezessete anos. Era muito tempo para se esconder algo, principalmente um sentimento daqueles, já que estava em seus vinte e três anos. Sempre que se aproximava do outro, queria tocá-lo, acariciá-lo e admirá-lo até se enjoar daquilo tudo, o que duvidava muito, mas nunca teve coragem e o máximo que conseguia fazer era observá-lo de longe, ou quando estava dormindo. Se sentia doentio, mas não tinha culpa daquilo. Não estava fazendo mal a ninguém, somente a ele mesmo por nunca ter coragem e ser fraco quando Dean lhe dava atenção.
- Um bar, aqui perto.
Respondeu o mais velho, logo chamando a atenção do outro para si, enquanto pegava uma mochila com algumas armas e um papel com o exorcismo.
- Vamos logo, antes que ele vá embora, Sammy.
O mais novo sorriu. Assentiu com a cabeça e pegou sua arma, que se encontrava em cima do criado mudo, ao lado de sua cama e logo a colocou em sua cintura. Logo saíram do hotel e entraram no Impala negro, rumando para o principal bar da cidade.
Entraram no bar correndo. Abriram as portas e viram que todas as pessoas que estavam ali dentro estavam mortas e que o demônio bebia calmamente uma dose de whisky. Dean deus uns passos á frente e o chamou:
- Hey! Seu filho da puta!
O homem apenas virou o rosto para olhá-lo. Sorriu e então seus olhos ficaram brancos, logo atirando o corpo o caçador contra uma das paredes do bar.
- Dean!
Gritou Sam, correndo até ele, mas logo sendo preso á parede ao lado do irmão. O demônio caminhou até os dois, desviando de alguns corpos que estavam no caminho e sorriu de um jeito malicioso ao observá-los mais de perto.
- Ora, ora... Se não são os filhos de John Winchester... Comentou, logo colocando uma das mãos na cabeça do caçador mais velho.
- Vou esmagar vocês, como se fossem baratas...
Sorriu, com aquela mesma malícia e bateu a cabeça dele na parede com uma força sobre-humana, logo soltando-o do poder de sua telecinese e permitindo-o cair no chão. Sorriu para Sam, que estava com uma expressão assustada e se abaixou, segurando o outro novamente, desta vez, pelos cabelos. Segurou com firmeza e começou a bater a cabeça de Dean no chão. Batendo uma vez, outra, outra, de novo e de novo...
A cabeça de Dean estava sangrando muito quando Sam acordou de seu choque e começou a falar alto o exorcismo que havia decorado com muita facilidade, já que não era muito grande. O jovem chorava ao mesmo tempo que gritava aquelas palavras em latim e quando o demônio saiu daquele corpo, foi solto da parede, logo empurrando o corpo vazio para longe do irmão. O puxou para cima, fazendo-o se sentar, recostando o corpo no seu e notou que este ainda estava acordado.
- Dean, Dean, hey, hey... Fica comigo, tá?
O moreno sorriu um pouco triste e limpou com a mão o sangue que insistia em escorrer para o olho do caçador. O mais velho segurou na jaqueta do outro, sem muita força e disse baixinho, engasgando-se com sangue, algumas vezes.
- Nunca ganhei nada em guardar isso só pra mim... Pausou a frase. Sorriu de um jeito sarcástico e engoliu sua saliva, tentando organizar seus pensamentos, sem muito sucesso, já que sua cabeça doía demais:
- Eu te amo.
Disse, simplesmente, logo se rendendo a falta de forças para se manter acordado e desmaiou. Sam não conseguia conter o choro. O pegou no colo, e correu para fora daquele bar nojento, onde nunca mais desejaria pisar. Abriu o carro com certo desespero e deitou o corpo do irmão no banco de trás. Deu a volta no carro, sem parar de chorar e entrou, começando a dirigir, sem se importar com mais nada. Dirigiu o mais rápido que pôde até Boston, onde sabia que tinha um hospital bom, e que ao mesmo tempo, iria aceitar seu falso plano de saúde.
Assim que chegou, tirou o irmão do carro e o levou no colo até a recepção do hospital, onde várias enfermeiras e um médico o receberam, colocando Dean em uma maca e levando-o para algum lugar que Sam não pôde ver. Limpou as lágrimas de seu rosto e tirou o casaco sujo de sangue, jogando-o em uma grande lata de lixo que havia ali perto. Uma moça o recebeu e checou sua saúde. Vendo que estava bem, o deixou em paz e perguntou o que havia acontecido. O jovem respondeu que o outro havia recebido uma surra de uma gangue. Inventou algo para que ela fosse embora. Logo depois entregou o cartão do seguro médico na recepção e se sentou em uma poltrona escura que havia ali. Esperou e esperou, até receber a notícia de uma das enfermeiras que seu irmão estava em coma. Aquele choro compulsivo havia voltado e o moreno estava com medo. Muito medo de perder o outro, principalmente porque ele havia dito o que sentia antes de desmaiar. Sam nunca desconfiou. O outro sempre teve um dom em esconder sentimentos.
- Que droga!
Socou o sofá em que estava.
- E se ele morrer? E se ele morrer pensando que eu nunca gostei dele assim? E se ele morrer pensando que é uma aberração? Não! Os pensamentos passavam por sua cabeça como em um turbilhão e o jovem colocou as mãos na própria cabeça, enquanto meneava a mesma.
Ficou ali, sentado naquele sofá por dezesseis horas seguidas, tomando apenas um café e comendo alguns biscoitos de água e sal, vez ou outra. Mesmo assim, por insistência das enfermeiras. No fim dessas várias horas, uma das enfermeiras o obrigou a ir embora, dizendo que precisava descansar e que seu irmão estava em coma. Não podiam fazer nada. A moça explicou todo o quadro do mais velho á Sam e este finalmente concordou, indo embora e voltando apenas no dia seguinte, com roupas trocadas e banho tomado. Por mais que faltasse vontade, comia algumas vezes, qualquer coisa na cantina. E ia ver seu irmão através do vidro da UTI. Vez ou outra falava com o Doutor Josh. E foi assim até o domingo, dia seguinte, quando Dean fora transferido para o quarto.
Continua...
