Capítulo IV ~ Diferente
Sam acordou daquele cochilo. Acreditava que teria ficado mais ou menos uma hora e meia, duas horas, adormecido. Precisava muito descansar, e poder fazer isso perto do irmão havia sido até uma coisa boa. Olhou para as pernas, com os olhos embaçados, e não viu a mão do outro ali. Estranhou. Achou que seria porque estava um tanto sonolento ainda. Coçou os olhos e olhou para a cama ao seu lado. Estava vazia e com alguns pingos de sangue. O jovem se levantou rapidamente da poltrona em que estava e olhou em volta, vendo o outro sentado no chão, encolhido, ao lado do aquecedor. Seus braços estavam sujos de sangue, já que ele havia se desesperado e tirado as agulhas de suas veias. Sam apertou um botão ao lado da cama, chamando as enfermeiras. Caminhou até o mais velho, sentou-se ao seu lado e o abraçou. Estava preocupado por vê-lo daquela forma, mas acima de tudo, feliz por ele estar acordado. O outro se balançava no chão, parando devagar ao sentir aquele abraço. Deitou a cabeça no ombro do mais novo e suspirou.
- Tô com frio, mano...
Disse baixinho, retribuindo de forma hesitante o abraço de Sam. O moreno estranhou a forma que o outro o chamou, mas mesmo assim respondeu em voz baixa, acariciando-lhe os cabelos e arrumando-lhe o curativo na cabeça.
- Tudo bem, eu já chamei as enfermeiras pra cuidarem de você...
As moças entraram logo que terminou a frase. Uma delas se preocupou e colocou uma mão na cabeça.
- Ah meu Deus, não faça isso, pode te machucar...
Disse a enfermeira morena enquanto a loira ia na direção deDean. Sam o soltou sem muita vontade, ajudando-o a se levantar do chão. A moça colocou a mão na testa do mais velho e o segurou pelo braço, logo guiando-o na direção da cama.
- Astrid. Chamou pelo nome, a enfermeira morena. - Traga alguns cobertores e alguma coisa para febre. Ele está fervendo!
A jovem o levou e o ajudou a se deitar na cama enquanto a outra saiu correndo pelos corredores do hospital.
- Agora... Eu vou cuidar dos seus braços... Mas você não pode tirar essas agulhinhas de novo, ok?
Disse a moça, com um jeito gentil. Sam se aproximou e se sentou de novo na poltrona, olhando os dois. O mais velho assentiu com a cabeça e esticou os braços, permitindo que a enfermeira limpasse o sangue de seus braços com um algodão embebido em álcool. Logo ela jogou aquelas agulhas que estavam ali fora e pegou outras, que estavam em uma gaveta no criado mudo ao lado da cama. Abriu o plástico, tirando as agulhas novas e encaixando no tubinho de soro e no de remédio.
- Agora me dá esse seu braço aqui...
Disse, preparando a agulha e segurando firmemente o braço do homem, encaixando uma por uma as agulhas e prendendo-as com esparadrapos.
- Aqui, Olivia.
Chamou a outra enfermeira, logo estendendo alguns cobertores grossos sobre o corpo de Dean. Ela entregou um copinho com remédio para febre nas mãos da loira.
- Vou chamar o Doutor.
Avisou, logo saindo novamente do quarto. O mais velho segurou a mão de Sam. Parecia estranhamente assustado. O moreno acariciou a mão do outro e sorriu para ele.
- Está tudo bem... Disse em voz baixa enquanto Olivia entendia a mão com o copinho para Dean.
- Aqui, toma isso... Deve abaixar sua febre... O loiro olhou para o mais novo e meneou a cabeça, tampando a boca com uma das mãos. - Dean, é só um remédio, por favor, você já fez coisa muito pior na sua vida... O que está acontecendo?
Sam perguntou num tom irritado, sem entender toda aquela situação esquisita. Dean olhou o mais novo com os olhos marejados. Logo Olivia olhou nos olhos do moreno com um olhar reprovador. - Pode me acompanhar até o corredor, por favor? Pediu a enfermeira, saindo do quarto e sendo seguida pelo jovem.
- O que foi isso? Perguntou a moça, ao notar a aproximação do moreno. Ele deu de ombros em resposta. - Sabe que seu irmão pode ter tido sequelas, não sabe? Ele está claramente assustado e você piora a situação?
A enfermeira disse em um tom de absoluta reprovação. Sabia que aquele tom não poderia ser usado e que talvez fosse suspensa de seu trabalho, mas os olhos marejados e todo o medo que aquele paciente em especial transmitia, havia lhe partido o coração. Sam abaixou a cabeça.
- Tem razão... Disse baixinho, se arrependendo quase que instantaneamente de seus atos. Estendeu a mão. - Deixa que... Eu dou o remédio a ele... Pediu. Então a moça lhe entregou o copinho com um remédio amarelado dentro.
- Logo o médico deve chegar... Eu tenho umas coisas para fazer... Se precisar de mim, pode me chamar.
Olivia sorriu, dando as costas e caminhando pelo corredor. O moreno entrou no quarto devagar e se sentou na cama do irmão.
- Ei... Tentou chamar atenção do outro que estava coberto até o pescoço e deitado de lado, olhando para a janela. - Me desculpe... Olhou o outro e acariciou-lhe o braço. O mais velho logo se virou devagar. - Ei, esse remédio faz o frio passar... O jovem disse baixinho, sorrindo para Dean. Este assentiu com a cabeça e se sentou na cama. - Mas é ruim? Perguntou em um tom receoso. O moreno fez uma careta. - É um pouco. Mas se você for corajoso e tomar ele todinho, eu prometo que te trago chocolate depois. Temos um acordo?
Sorriu para o mais velho. Este sorriu de volta e pegou o copinho da mão do outro. Cheirou o remédio e fez uma careta de nojo. Tampou a respiração e tomou tudo de uma vez. Fez menção de vomitar e Sam se aproximou, segurando-lhe a testa. O loiro sorriu e lhe devolveu o copinho. Sam sorriu de volta e pegou o copinho, jogando-o no lixo. - Daqui a pouco eu trago sua recompensa.
Piscou, provocando um risinho no mais velho, que se agarrou nas cobertas ao ver o médico que entrara na sala.
- Doutor Josh... Cumprimentou o jovem Winchester enquanto se levantava da cama. O médico assentiu com a cabeça e sorriu para o jovem.
- Não esperava que ele acordasse tão cedo... Mas estou feliz por isso... É quase um milagre!
Caminhou na direção da cama de Dean e se sentou ao seu lado. Sorriu para o homem e tirou uma caneta/lanterna do bolso de seu jaleco branco.
- Olhe pra mim, por favor.
Colocou o indicador no queixo do outro e o fez olhar em sua direção. Ligou a lanterninha em sua caneta e chegou se as pupilas do loiro estavam reagentes. Ao notar um bom resultado, guardou sua caneta no bolso novamente e lhe perguntou:
- Pode me dizer seu nome completo? O Winchester mais velho olhou para os lados e pensou um pouco.
- Dean... Winchester.
Josh olhou para o mais novo e este assentiu. Fez outra pergunta:
- Qual a sua data de nascimento?
O outro pensou mais um pouco até responder: - Vinte e quatro... De Janeiro... De mil novecentos e setenta e nove.
Novamente Sam assentiu para o doutor.
- Sabe onde está, Dean? Este pensou por alguns momentos e meneou a cabeça.
- Tudo bem. Astrid, prepare a sala de ressonância. Vamos ver se ele sofreu alguma sequela.
A jovem enfermeira saiu pelos corredores apressada. O médico se levantou da cama e caminhou na direção do outro jovem ali presente.
- Você precisa assinar uma permissão. Burocracia do hospital. Logo Astrid trará pra você. Sam assentiu. - Ele tem agido estranho, doutor. Há algo de errado... Com o cérebro dele? Perguntou em voz baixa. Josh suspirou.
- Só vamos saber depois da ressonância.
O moreno assentiu e caminhou na direção da cama do mais velho enquanto o médico saía do quarto. Sentou-se ali e acariciou-lhe a cabeça, beijando hesitantemente a testa dele. O mais velho o abraçou carinhosamente.
- Você vai comigo?
Perguntou baixinho. Sam se afastou um pouquinho e assentiu com a cabeça.
- Vou estar sempre contigo. Prometo! - Dean sorriu.
