Capítulo VI ~ Lanchonete

Sam estacionou o Impala á frente de uma casinha azul. Dean olhou para a mesma e sorriu, virando o rosto para o mais novo.

- Por que você parou, mano? - Perguntou com um sorriso curioso. O mais novo sorriu de volta e lhe respondeu num tom paciente.

- Por que esta, a partir de hoje, vai ser a nossa casa, Dean!

O mais velho virou o rosto para fitar a casinha mais uma vez. Era bonita, além de ser da sua cor preferida. Colocou a mão na janela do carro e passou as pontas dos dedos no vidro, enquanto observava a casa. Era como se tocasse em um quadro. Sorriu ao ver o jardim. Tinha algumas flores amarelas e a grama do mesmo era tão verde, que brilhava à luz do sol de primavera. O terreno era contornado por cercas brancas e pequenas, o que destacava aquela casa das outras. O moreno colocou a mão na coxa do homem ao seu lado.

- Vamos entrar? - Perguntou baixinho, enquanto sorria para o outro. O loiro virou-se rapidamente e sorriu. - Vamos!

- Disse alto, logo abrindo a porta do carro e correndo na direção da porta da casa, sem nunca largar aquele cachorrinho de pelúcia. Pulou as cercas com facilidade e correu na direção da porta, logo parando pra esperar o mais novo. Sam ria alto, enquanto saía do carro e trancava as portas.

- É... Parece que você ganhou.

Disse alto, para o outro ouvir. Caminhou devagar na direção do porta malas, mantendo um sorriso, e abriu o mesmo, pegando duas bolsas grandes, contendo as roupas dele e do irmão. Fechou a porta do carro com o cotovelo e caminhou na direção da cerquinha, abrindo-a com dificuldade e entrando. Dean correu na direção dele e pegou uma das bolsas, para ajudá-lo e caminhou ao seu lado, até a porta.

O mais novo tirou a chave da casa do bolso e abriu a porta, dando de cara com os móveis novos, todos limpos e cheirosos. O tapete cheirava a perfume e ele sorriu. A faxineira que havia contratado no dia anterior, fez um trabalho perfeito. Olhou para o outro homem e sorriu para ele, de um jeito carinhoso.

- Entra, Dean! Pode entrar, pode deixar essa bolsa em cima do sofá, se quiser.

Disse baixinho, dando um risinho ao vê-lo correr para dentro da casa, soltando a bolsa que carregava em cima do sofá e comentando alguma coisa sobre um cheiro bom ao mesmo tempo que subia as escadas apressado para ver seu novo quarto. O jovem entrou e empurrou a porta com um dos pés, deixando a bolsa com suas roupas no chão. Inspirou aquele perfume na casa e sorriu, lembrando-se de Dean dizer um dia que era seu perfume favorito. Era um cheiro amadeirado de perfume masculino. Um cheiro marcante, mas ao mesmo tempo suave. Sam achava que nunca saberia descrever aquele aroma, em sua vida. Olhou em volta. A casa era de porte médio. Nem grande, nem pequena. Era aconchegante e quente no inverno. Era perfeita. Era o que precisavam.

Passadas algumas horas, os irmãos já haviam se instalado. Guardaram suas roupas em seus respectivos guarda-roupas e cômodas e tomaram seus banhos, trocando suas roupas por umas mais confortáveis. Como não tinham o que comer em casa, decidiram sair e ir na direção do restaurante mais próximo. Decidiram ir a pé mesmo, já que ficava a algumas quadras dali e queriam conhecer melhor a vizinhança. Caminhavam sem pressa. Era noite e o céu estava limpo, mostrando a lua cheia com várias estrelas em volta. Sam virou-se para sorrir para o mais velho. Demorou para convencê-lo a deixar aquele animalzinho de pelúcia em casa. Dean relutou um pouco, mas aceitou o pedido do mais novo, já que este prometeu que não sairia de perto dele. O loiro esticou o braço, desejando segurar a mão do moreno, que logo notou aquela ação e segurou carinhosamente a mão do irmão. O mais velho olhava para todos os lados, curiosamente. Teve um momento em que este virou a cabeça para trás apenas para observar a lua enquanto andavam e o outro teve de segurá-lo, ao vê-lo tropeçar em uma pedra. Riram e o mais novo beijou-lhe o rosto, deixando o irmão com um sentimento de proteção.

Sam empurrou a porta de vidro da lanchonete, permitindo que o outro entrasse antes. Este logo se direcionou para uma mesa no canto, sentando-se ao lado da janela. O mais novo entrou logo atrás, caminhando na direção daquela mesa em especial e sentando-se à frente do mais velho. Sorriu.

- Hey... O que foi?

Perguntou baixinho, notando o loiro um tanto nervoso. O mesmo meneou a cabeça e mentiu.

- Nada!

O jovem suspirou e decidiu ignorar aquilo, deixando-o com seu espaço. Sorriu para o irmão e lhe perguntou o que desejaria comer, obtendo uma resposta quase que automática:

- Torta!

Dean disse infantilmente, fazendo o mais novo rir e sentir seus olhos se encherem de água ao se lembrar do mais velho lhe pedindo tortas quando ainda era ''ele mesmo''. O moreno levantou-se.

- Ok, vou pedir sua torta e ir ao banheiro. Você promete me esperar aqui? Bem quietinho?

Perguntou, ao mesmo tempo que prendia suas lágrimas, querendo logo se enfiar naquele banheiro e despejar toda sua tristeza. O mais velho assentiu devagar, um pouco amedrontado por ficar só.

- Promete não demorar? Perguntou receoso, enquanto notava os estranhos olhares de três homens sentados no balcão da lachonete. Sam assentiu enquanto beijava o topo da cabeça do loiro e afastou-se, pedindo à garçonete, uma torta para o mais velho. A moça assentiu com um sorriso e o moreno o retribuiu, logo entrando rapidamente no banheiro.

Dean mexia as mãos e cantava baixinho uma música que ouviu na rádio enquanto iam pra casa. Olhava pela janela e sorria sozinho ao ver a lua. O homem que fitava o mais velho do balcão, levantou-se e caminhou até ele, aproveitando que agora estava sozinho.

- Hey! - Chamou o homem, assustando o loiro, chamando sua atenção.

- Aqui não é lugar para retardados feito você. Some daqui, cara!

O mais velho sentiu seus olhos marejarem, mas tentou ser forte.

- Eu estou esperando meu mano, ele não deve demorar. Eu...

Sentiu sua cabeça começar a doer e se distraiu, assustando-se ao sentir algo bater com força contra seu rosto. O homem havia lhe dado um soco e agora os outros dois que estavam junto dele, se aproximavam.

O moreno estava à frente da pia. Segurava na mesma com as duas mãos enquanto se olhava nos olhos através do espelho.

Por que isso teve que acontecer comigo? Eu não tenho direito de ser feliz? O Dean também não tem esse direito?

Sussurrou, perguntando-se tudo aquilo. Ainda estava confuso por todos aqueles acontecimentos. Não foi fácil ter que acordar um dia e ver seu irmão, que era quase uma muralha, de tão forte, agora não passar de uma criança indefesa, mentalmente. O mais novo já havia chorado tudo o que podia e agora apenas estava preso em seus pensamentos. Meneou a cabeça, retornando a realidade e suspirou, logo lavando os olhos e o rosto. Ouviu um barulho alto na lanchonete enquanto secava o rosto e concentrou-se. Ouviu outro barulho alto e correu na direção da porta, abrindo-a.

Sam assustou-se ao ver três homens caídos no chão, desacordados e Dean sentado naquele cantinho onde estava antes, com o rosto machucado e o nariz sangrando. Ele estava encolhido e com as duas mãos na cabeça. Gemia um pouco alto, graças à dor insuportável que sentia na cabeça enquanto as garçonetes o olhavam assustadas. O jovem voltou a olhar os homens. Eram grandes e fortes, não sabia o que tinha acontecido ali, mas iria descobrir. Saiu do banheiro e aproximou-se do irmão, sentando-se ao lado dele.

- Hey, Dean, o que aconteceu, hein?

Disse num tom carinhoso, chamando a atenção do outro.

- Sammy..,

Dean disse baixinho, enquanto tirava as mãos da cabeça, devagar.

- Minha cabeça dói, muito. Eu... Parou de falar, distraindo-se com algo.

- Está tudo bem agora, tá? Não se preocupe! O moreno sussurrou, estranhando o jeito com que ele o chamara alguns segundos antes. Logo deixou o assunto para depois e pegou um guardanapo disponível em cima da mesa e começou a limpar o sangue do rosto do irmão.

Pegaram a torta que haviam pedido alguns minutos antes para viagem e Sam decidiu que pediria uma pizza para ele, quando chegassem em casa. O nariz de Dean já havia parado de sangrar, mas ele ainda reclamava de dores na cabeça. Chegaram em casa depois de alguns minutos de caminhada rápida e o moreno conduziu o mais velho até o sofá, ajudando-o a se deitar. Afastou-se e trancou a porta, logo correndo para o andar de cima e pegando o cachorro de pelúcia de Dean. Voltou correndo e entregou-lhe o animalzinho, voltando a correr na direção da cozinha para pegar um remédio e um copo com água para o irmão. Dean tomou o remédio com um pouco de dificuldade e agarrou-se naquele bichinho, enquanto suspirava. Encolheu-se e, antes que o moreno se afastasse para levar o copo vazio de volta para a cozinha, o segurou pelo pulso.

- Mano...

Sam ouviu e colocou o copo em cima da mesa de centro. Abaixou-se e ajoelhou no chão, sorrindo para o loiro.

- Sim...

Acariciou-lhe os cabelos curtos e beijou-lhe a testa.

- Eu... Sou retardado?

Perguntou baixinho, enquanto abraçava seu cãozinho. O moreno parou com as carícias na cabeça do outro por uns segundos e meneou a cabeça, logo voltando a acariciar o mais velho.

- Não, não é! Você só sofreu um acidente e ficou desse jeitinho, mas não é retardado. Quem te disse isso, querido? - Perguntou ao outro, num sussurro.

- Aqueles caras lá da lanchonete me chamaram de retardado e disseram que eu não podia ficar lá. Um deles me chamou de bicha, também. - Olhou para o chão, encolhendo-se mais no sofá. - Eu era normal antes de sofrer esse acidente?

Perguntou, quase num sussurro, mas que o mais novo pode escutar e ao mesmo tempo sentir seu coração se partir em vários pedaços, graças ao tom inocente do loiro.

- Bicha? E o que você fez?

Disse, ignorando a pergunta feita pelo outro, já que não sabia como lhe responder.

- Eu não sei! Minha cabeça começou a doer muito. Eu não me lembro o que eu fiz. Quando eu dei por mim, aqueles caras estavam no chão e você estava do meu lado.

Fungou, abraçando o bicho de pelúcia. O moreno estranhou. Algo deve ter acontecido. Ele perguntaria às garçonetes no dia seguinte.

- E porque, te chamaram de bicha? - Perguntou curioso. Dean levantou o olhar para encarar o moreno. Tirou um guardanapo de dentro do bolso da calça jeans e o entregou. - Por isso.

Sam pegou o guardanapo e leu um ''Eu te amo'' escrito à caneta no mesmo. Levantou o olhar para o mais velho, com um sorriso.

- Eu não sei porque, mas precisava que soubesse disso. - O mais velho sussurrou, sorrindo tímidamente e escondendo o rosto com o cãozinho de pelúcia. O moreno riu e acariciou-lhe a cabeça, sussurrando próximo à orelha do homem:

- Eu também te amo, Dean!

Continua...