Capítulo VIII ~ Amor verdadeiro

Na manhã seguinte, Dean acordara mais cedo do que outro. Levantou-se com cuidado e coçou um dos olhos com o dedo indicador. Caminhou preguiçosamente até o banheiro e fechou a porta. Olhou-se no espelho e suspirou. Lavou o rosto, fez suas necessidades e ao segurar na maçaneta para abrir a porta, sentiu aquela dor em sua cabeça, dessa vez, mais forte do que nunca. Caiu no chão ajoelhado e apoiou-se na porta. Fechou os olhos e abriu a mesma, ficando de quatro, engatinhando para fora do banheiro. Tentou chamar o moreno, mas sua voz não saía e este estava dormindo. Sua cabeça latejava com força, como se algo batesse forte contra ela. Lembrou-se de algo. Lembrou-se de um homem batendo sua cabeça contra o chão.

- Não...

Sussurrou para ele mesmo, logo deitando-se ali onde estava.

- Por que você não me deixa em paz? - sussurrou com a voz fraca, logo perdendo suas forças por completo.

Meia hora depois, Sam acordou.

- Dean?

Chamou num tom sonolento, dando falta do irmão ao seu lado ao notar o lugar pertencente à ele, vazio.

- Coloquei ele pra dormir. Quer deixar recado?

Uma voz grossa, mas conhecida, vinda do canto do quarto, perguntou. O moreno olhou naquela direção e viu Dean sentado em uma poltrona. Este lhe mostrou seus olhos brancos por um breve instante, identificando-se e sorriu enquanto seus olhos se tornavam verdes de novo.

- Eu conheço você! - O moreno disse, sentando-se na cama devagar. - Era você na lanchonete. Você deixou meu irmão feito uma criança, seu desgraçado!

Disse num tom raivoso, levantando-se da cama e caminhando na direção do outro. Estacou no meio do caminho ao ver que ele nem se mexera. O demônio suspirou, sem dar muita atenção para o outro, a alguns passos de proximidade. Virou o rosto para fitar o caçador nos olhos.

- Eu sei o que fiz. E foi de propósito. Agora, podemos conversar? - Sam cerrou o punho.

- Filho da mãe! - calou-se. - Eu vou te exorcisar de novo e quantas vezes for preciso pra você deixar o meu irmão em paz!

Disse, provocando um riso no loiro. Arqueou as sobrancelhas sem entender o riso do outro e o fitou, com uma extrema confusão no olhar.

- Acha que aquele exorcismo funcionou em mim? Eu saí daquele cara porque era a hora.

Coçou a testa com o polegar e suspirou. Baixou uma das mãos e pegou uma garrafa de cerveja que encontrara na geladeira, minutos antes. Deu um gole e mostrou a cama com a mão livre.

- Podemos conversar? Ou eu vou ter que te sentar nessa merda de cama e te forçar a me ouvir? - o demônio disse, demonstrando ao outro que estava perdendo sua paciência.

- Eu não tenho medo de você, desgraçado!

- Eu sei que não Sam, mas eu posso te devolveu seu irmão; normal e forte como antes. O que acha¿ - O jovem assentiu e sentou-se na cama devagar, de frente para o outro.

- Por que?

Perguntou em voz baixa, sentindo seus olhos ficarem marejados. O loiro tomou mais um gole da cerveja e a colocou de lado. Suspirou e comentou, antes de responder à pergunta do outro:

- Tinha medo de que me perguntasse isso. - sorriu e assentiu com a cabeça. – Ok, vamos ver por onde começar. - relaxou na poltrona e suspirou novamente, logo começando a falar.

- Isso tudo foi um teste. Meu e de mais um outro ser. Nós queríamos saber se vocês se amavam mesmo. De verdade. Não de corpo, mas sim de alma, pois parece que é muito mais do que isso. Você não se aproveitou de Dean em momento algum. Não jogou absolutamente nada na cara dele, não o maltratou e não o abandonou. Nunca. Isso que vocês sentem não é luxúria, não é pecaminoso. É um sentimento muito grande, posso notar isso pelo Dean. E notei pelos seus gestos com relação a ele. Vocês se amam de verdade. Vocês nasceram na mesma família por uma falta de sorte, um acaso...

Sam arqueou as sobrancelhas, interrompendo o loiro. - Teste? Por que um demônio estaria fazendo isso? - o outro suspirou, logo respondendo:

- Porque eu posso entrar em corpos humanos sem permissão e quem me mandou fazer isso, não pode. Mas, o que importa, Samuel, é que o amor de vocês... O sentimento... Não é pecado. E o mais importante é que vocês podem e vão ficar juntos, em paz, a partir do momento em que eu for embora.

O moreno sorriu tristemente. – Bom, eu agradeço, mas o Dean é uma criança, não tem como... - Disse, derrotado.

- Eu fiz isso com ele, porque era parte do plano. Mas eu vou curá-lo, garoto! - o demônio disse com um sorriso.

- Em troca de que? Com quem você trabalha? - Sam perguntava, deixando o demônio desconfortável. - Olha, garoto. não é em troca de nada. Não sou um mercenário como os outros demônios. Eu sou diferente. - Sam riu sarcasticamente.

- Ah é? E aquelas pessoas mortas na lanchonete? E Dean? Ora me poupe! - o loiro cerrou os olhos.

- Dean foi um teste, eu já te disse. Era necessário para que os céus e infernos entendessem que vocês se pertencem, se completam, independentemente de parentesco, de família ou até mesmo de sexo. E as pessoas naquela lanchonete eram todos demônios. Não estavam mortos, estavam apenas desacordadas, devido ao exorcismo. O demônio deu de ombros.

- Céus e infernos? Sam perguntou, sem entender.

- É cedo para você entender, garoto, mas você deve saber que estão abençoados e protegidos por possuírem um pelo outro o amor mais puro e significativo deste planeta. Graças a vocês, nós percebemos que o mundo não está perdido de tudo. Percebemos que os humanos não são animais, da forma que consideramos. Percebemos que há amor. E o de vocês é o mais especial. - o demônio acomodou-se na poltrona. - Meu tempo aqui acabou. Vou deixá-los em paz para sempre. Ah, e seu irmão está desacordado, mas quando ele acordar, será adulto novamente.

Sam levantou-se. - Espera! - chamou, mas quando percebeu, era apenas seu irmão que estava ali.

- Dean sorriu para ele antes de desmaiar. Sam Caminhou até a poltrona e o pegou no colo, sem muita dificuldade, carregando-o para a cama, o deitou gentilmente e o cobriu. Caminhou até a poltrona e pegou a garrafa de cerveja que estava ali, levando-a até a cozinha e jogando-a fora, pegando um copo com água para o irmão. Correu de volta para o quarto e viu seu irmão acordado. Ele coçava a cabeça e passava a mão pelo rosto, vez e outra.

- Sammy? - chamou ao ver o outro próximo dele. Sam sorriu e caminhou até a cama, sentando-se ali e abraçando o irmão carinhosamente. - Sim, Dean... - sussurrou em resposta, enquanto o irmão retribuía seu abraço com força.

Passaram um bom tempo abraçados daquele jeito e Dean foi o primeiro a soltar o abraço, visivelmente sem jeito. O moreno riu.

- Vou deixá-lo descansar um pouco. Acho que você está precisando, não é? - perguntou em voz baixa. O loiro sorriu e assentiu com a cabeça. - Se importaria de ficar comigo? Quer dizer, pelo menos até eu dormir? - sentiu seu rosto esquentar, logo depois de fazer aquele pedido ao irmão. O jovem assentiu com a cabeça, rindo baixinho ao notar a vergonha do outro, logo deitando-se ao lado dele.

- Mas é claro, Dean... É tudo o que eu quero, agora! - sussurrou, deitando a cabeça por cima do braço do mais velho, suspirando e fechando os olhos, deixando-o mais sem graça do que já estava, porém, feliz. O loiro sorriu timidamente e beijou a cabeça do irmão, logo caindo no sono.

Continua...