Capítulo X - Panquecas
O dia já havia clareado, quando Sam acordou. Não sabia que tinha dormido tanto, pelo menos até olhar o rádio relógio em um criado mudo ao lado da cama e ver que eram nove da manhã. Olhou para o lado e viu que estava só. –
- Dean?
Chamou baixinho, estranhando o fato do outro ter acordado tão cedo. Sentou-se na cama e esticou-se, espreguiçando-se. Levantou-se. Estava nu. Riu baixo e meneou a cabeça, pegando uma toalha na gaveta de seu guarda-roupas e entrando no banheiro. Ligou o chuveiro, entrou no box e fechou os olhos, apenas sentindo a água passar pelo seu corpo. Levou alguns vários minutos no banho. Queria acordar e ao mesmo tempo, relaxar um pouco. Não sabia como seria com Dean nesse novo dia. Esperava que ele não tivesse se arrependido ou mudado de. ideia Colocou a cabeça mais embaixo da água e suspirou. Ficou alguns segundos dessa forma, antes de desligar o chuveiro. Saiu do box e enrolou a toalha em sua cintura, logo saindo do banheiro e procurando algo para vestir. Pegou uma cueca, sua calça jeans preferida e uma camisa de manga curta preta. Assim que terminou de se vestir, saiu de seu quarto e resolveu procurar o loiro pela casa.
- Dean?
Chamou alto, dessa vez, enquanto caminhava por todos os cômodos, sem vê-lo em nenhum. Finalmente o encontrou na cozinha. Sorriu e encostou-se no batente da porta, cruzando os braços. O mais velho já tinha tomado um banho e estava com um jeans também. Um bem rasgado nos joelhos, era seu favorito, só usava em ocasiões especiais. Usava também uma camiseta cinza e um colete preto. Roupa nova, Sam percebeu. Estava lindo aos seus olhos. Seus cabelos estavam espetados para cima em um moicano. Aquele penteado que ele sempre gostou. Estava fazendo panquecas.
Brincava com a frigideira e sorria como uma criança ao jogar as panquecas para cima. Particularmente, sempre quis fazer aquilo, desde quando via em filmes, quando era criança. Achava o máximo. Assim que terminou e apagou o fogo, ouviu palmas. Era Sam. Batia palmas encostado no batente da porta. Sorria para ele, com os cabelos molhados, caindo sobre seu rosto. Aquilo fez com que o mais velho sentisse seu rosto esquentar de vergonha.
- Oi Sam... Eu estava com fome e... Resolvi preparar o nosso café.
Disse baixinho, esboçando um sorriso tímido, enquanto apontava para as panquecas com o polegar. O moreno caminhou até o irmão e parou á sua frente, arqueando uma das sobrancelhas.
- Não sabia que você sabia cozinhar... Principalmente panquecas! - Expressou-se baixinho, enquanto levava uma das mãos até o rosto do menor para acariciá-lo gentilmente. Dean sentiu aquela carícia e, num ato reflexo, se esquivou. O mais novo ficou com a mão suspensa no ar, apenas observando o outro sem entender, até que ele voltou a posição original para sentir a carícia destinada à ele.
- Sinto muito... Ainda... Ainda não me acostumei com isso.
Explicou-se, levando o olhar até o olhar do maior, desculpando-se com o mesmo. Ele entendeu que seu irmão ainda levaria um certo tempo para se acostumar e o acariciou gentilmente, logo beijando-lhe a testa carinhosa e lentamente.
Comeram as panquecas, que estavam ótimas por sinal. Dean havia seguido à risca, aquela receita de revista de culinária e acertou em todos os ingredientes. Ele se considerou sortudo, já que eram suas primeiras panquecas. Em poucos minutos, eles dois acabaram com o tubo de cobertura de chocolate que o mais velho tinha comprado naquela manhã. Dean foi o que mais comeu e Sam riu ao ver que ele, estava com a boca suja de cobertura. Dean não se importou, já que logo que o mais novo terminou de rir, limpou sua boca com um beijo. Assim que terminaram seu café, lavaram os pratos e talheres juntos, trocando beijinhos e risos, vez e outra, quando um se molhava, por falta de jeito com a coisa. Passaram o resto da manhã assim. Rindo de coisas bobas, beijando-se esporadicamente e trocando carinhos, como dois adolescentes apaixonados. Tudo isso, no sofá da sala, sem dar a mínima para o que passava na tv.
Algumas horas depois, horas que eles nem viram passar, graças ás várias trocas de carícias, um deles sentiu fome.
- Dean, não acredito que já está com fome! A gente mal tomou café e...
Sam se assustou ao olhar o relógio de parede da sala ao notar que eram meio dia e quinze.
- Nossa!
Comentou, voltando o olhar para o menor, que estava sentado ao seu lado, com os braços cruzados e uma falsa cara de bravo. O mais novo riu.
- Ok, desculpe-me! Confesso que não vi o tempo passar.
Explicou-se, logo fazendo uma caretinha, provocando um riso no outro.
- Vamos almoçar na lanchonete, o que acha? - Dean sugeriu, provocando uma certa preocupação no outro.
- Tem certeza? Tem uns caras lá que não gostam muito de você. Nunca soube o motivo, mas...
- Que se dane! É um país livre, temos o direito de ir e vir pra onde e de onde quisermos.
O loiro o cortou. Lembrava-se daqueles homens e desejava dar-lhes uma surra. E realmente daria, caso o provocassem. Levantou-se do sofá e esticou-se. Procurou seus coturnos pela sala, e assim que os achou, caminhou até eles, calçando-os e os amarrando com agilidade. Parou no canto que estava e sorriu para o irmão.
- Vamos?
Chamou-o, com um sorriso. Sam meneou a cabeça, também com um sorriso e pegou seus tênis, os quais estavam encostados na lateral do sofá e os calçou. Pegou suas chaves em cima da mesa de centro e caminhou até a porta, abrindo-a.
- Só estou esperando você. - disse baixinho, dando um beijo rápido na nuca do mais velho assim que este passara por ele, para sair de casa.
Logo depois do moreno fechar a porta, sentiu-se abraçado pelo irmão. Riu baixinho e retribuiu o abraço carinhosamente. Assim seguiram até a lanchonete. Abraçados daquela forma carinhosa. Entraram na lanchonete e se tornaram um tipo de atração. Todos os olharam. Principalmente para Dean, que logo ficou sem jeito com aquilo. Caminharam devagar até a última mesa, uma que ficava no canto. A que sempre se sentavam. Dean sentou-se próximo a janela e Sam acomodou-se ao seu lado. O mais novo logo colocou a mão sobre a coxa do outro por baixo da mesa e notou que não demorou muito até que os funcionários da lanchonete, deixassem de se importar com eles. Menos aqueles cinco homens. Eles não. Eles o fitavam com um olhar desafiador. Um olhar que o moreno podia dizer com toda certeza de que era olhar de ódio. Não entendeu e resolveu ignorar. Virou-se para o mais velho e o fitou com um sorriso, querendo descontraí-lo. O loiro manteve-se encarando os homens, com um olhar desafiador. Claro, ele não recuaria a um desafio daqueles. Mas logo resolveu ignorá-los também, para fitar o outro. Retribuiu seu sorriso e pediu à garçonete que parou próximo a eles, o prato do dia.
Enquanto a garçonete preparava os pratos deles, o clima foi tenso. Os homens não paravam de encará-los. Houve um momento em que o mais novo teve de segurar o pulso do outro com força, para evitar que este se levantasse e começasse uma confusão. A garçonete chegou e depositou os pratos e mais duas latas de refrigerante em cima da mesa deles. Sam agradeceu com um sorriso, enquanto o mais velho não parava de trocar olhares desafiadores com os homens, até que estes todos saíram da lanchonete, deixando-os em paz. A garçonete foi embora e o moreno soltou o irmão, para abrir sua lata de refrigerante. Tomou um gole e riu, ao ver o outro fitá-lo com um sorriso convencido.
- Viu só, como eles ficaram com medo de mim? - disse Dean, cutucando o braço do irmão com o cotovelo, provocando alguns risos no jovem.
Assim que terminaram de comer, começaram a discutir, em um certo tom de brincadeira, até, quem iria pagar a conta. Levaram uns dez minutos apenas nessa pequena discussão. Terminaram a mesma, rindo juntos ao notar o que os fez se enfrentarem e resolveram por fim, pagar meio a meio. Deram as mãos um para o outro, sem se importar com as pessoas que estavam por perto e saíram. Pararam no estacionamento da lanchonete e, estavam tão entretidos um com o outro, tão felizes, que nem notaram, quando os cinco homens, aqueles velhos conhecidos e indesejados, os cercaram.
- Hei, retardado. – o maior deles, chamou, fazendo Dean virar o rosto para fitá-lo.
- Eu disse que ainda não tinha terminado com você, não disse?
O homem continuou a falar, enquanto se aproximava do loiro, que se irritou e só notou que tinha dado um soco com toda a força no rosto do grandão, quando este já estava no chão.
- Eu já me cansei de vocês! Mas que inferno, vão cuidar de suas vidas e nos deixem em paz!
Disse o mais velho num tom irritado, deixando todos aqueles homens sem ação alguma. Era uma situação que nunca tivera acontecido com eles. Então, com seu líder desacordado no chão, se afastaram. Dean puxou a mão de Sam e sorriu para ele, de uma forma convencida, ao ver que este, estava impressionado. Riu e o puxou, com força, desta vez para abraçá-lo pela cintura, caminhando novamente juntos, dessa vez, de volta para suas casas.
- Acho que eles não esperavam por isso... Nem eu esperava...
O maior disse rindo, enquanto entravam em casa, provocando um sorriso no outro, que tirou seus coturnos e os jogou em um canto, logo pulando no sofá. Abriu os braços esperando o irmão e o abraçou com força, assim que este se aproximara para se sentar ao seu lado.
- É... Nem eu. Eu me irritei tanto, que quando vi, o cara já estava no chão, e os outros, me olhando com cara de medo.
Comentou Dean, enquanto fazia uma caretinha, logo recebendo um beijinho do outro em sua testa. Passaram algumas horas ainda abraçados daquela forma. Anoiteceu e pediram uma pizza. Era seu costume, toda noite de sexta, pediam uma pizza. Era pizza de calabresa, uma das preferidas de Dean. Na verdade, Sam achava que ele preferia todas, já que comia todas com a mesma vontade. Tanto que era raro, sobrar pizza para o dia seguinte. Tomaram seus banhos e, á noite, quando foram dormir, se deitaram na mesma cama. A cama que o moreno dormia sozinho a algum tempo atrás. O aquecedor da casa estava ligado, o que os permitia que dormissem mais à vontade. Sam usava só uma cueca box branca. Gostava de dormir assim. Bocejou e esperou o mais velho, deitado, com os braços para baixo do travesseiro. O outro mexia em alguma coisa no criado mudo. Estava demorando, mas parece que logo resolveu se deitar também, ao seu lado. Usava uma cueca box também, só que preta. Cobriu metade do corpo com o edredom. Talvez estivesse ainda envergonhado. Sam não ligou. Apenas o abraçou pela cintura, encostando a testa na dele.
- É... Sam...
Sussurrou Dean, logo afastando-se um pouco do outro, para olhá-lo nos olhos, totalmente sem jeito.
- Sim...
O mais novo respondeu, sem conseguir evitar um sorriso ao olhar o irmão.
- Eu queria te agradecer por tudo o que fez por mim em todo esse tempo.
O mais velho sussurrou a frase, descendo o olhar. Estava sendo difícil pra ele, dizer aquelas coisas. Sentia uma certa vergonha ainda, do mais novo, que por sua vez, sorriu, levando o dedo indicador até o queixo do loiro para fazê-lo olhar em seus olhos.
- Não precisa agradecer... Você sempre deixou claro, que seu dever era cuidar de mim. Mas acho que você nunca notou que, também tenho esse dever. Desde sempre, eu acho. Eu continuaria cuidando de ti. Não importa o tempo, eu sempre iria te proteger, tratar de ti, te amar...
Respondeu-lhe baixinho, logo levando a mão até o rosto do menor para tocá-lo, iniciando uma carícia gentil, o que o fez se encolher na cama, enquanto sorria quase que, infantilmente. Aquilo provocou uma risadinha no moreno, o que o fez acordar daquele transe, logo sentindo seu rosto esquentar.
- É... Vou direto ao ponto.
Dean falou, enquanto empurrava uma caixinha aveludada na direção do outro. A tinha escondido por baixo do cobertor, e, ao empurrá-la na direção do maior, notou que o fez ficar sem jeito.
- O que é isso? - Sam perguntou, totalmente sem ação.
- Abre e vai descobrir.
O loiro respondeu com um sorriso entusiasmado, enquanto empurrava a caixinha azulada um pouco mais na direção do irmão. Este a pegou e a abriu, vendo que ali, haviam duas alianças de ouro branco. Fitou Dean com um olhar como que se perguntasse como ele comprou aquilo. O mais velho sabia. Riu baixo.
- Cartão de créditos novos.
Respondeu fazendo uma caretinha. Caretinha essa, que provocou uma risada alta no outro, que pegou uma das alianças e viu, que gravado na parte de dentro, estava seu nome.
- Ahm, essa é minha.- Dean disse com um sorriso, ao mesmo tempo que se sentava na cama, cruzando as pernas.
- Bom... Nunca fiz essa pergunta a ninguém, mas... É..
Teve dificuldades. Estava claro. Coçou a cabeça por alguns segundos e antes que pudesse falar, viu o moreno colocar a outra aliança no dedo devagar.
- Sim!
Este o respondeu baixinho, enquanto pegava a aliança que o outro disse que era sua. Pegou-lhe a mão gentilmente e colocou a aliança em seu dedo, abraçando-o depois disso. O loiro retribuiu aquele abraço de forma carinhosa e beijou-lhe a cabeça algumas vezes. Alisou os cabelos longos do irmão e sorriu para ele.
- Obrigado por não me fazer dizer.
Agradeceu num tom baixo, enquanto se deitava na cama novamente e puxava o moreno para deitar-se em seu peito.
- Tudo bem! Sabia que iríamos ficar até amanhã nos olhando, se exigisse isso de você.
Sam respondeu, com um sorriso, enquanto depositava a mão por cima do abdômen do mais velho.
- Quando você as comprou?
Não conteve a curiosidade e teve de perguntar, ao mesmo tempo que olhava a aliança brilhar em seu dedo.
- Er... Hoje de manhã. Antes de comprar as coisas pra fazer panquecas. Foi duro acordar mais cedo. Mas era por uma boa causa. Eu precisava disso. Nós precisávamos disso. - respondeu num sussurro, enquanto acariciava a cabeça do outro.
- Quero ficar junto de você pra sempre, Dean! - a frase do moreno provocou um sorriso no menor.
- Se depender de mim, será pra sempre e mais um dia.
Dean respondeu num tom baixinho. O maior levantou a cabeça para fitá-lo, recebendo um sorriso como resposta. Chegou o corpo mais para cima, deitando a cabeça no ombro do irmão. Dormiram assim. E ficaram realmente juntos. Para sempre. E mais um dia.
FIM
