Sexto Ano

Eu estava voltando com passos lentos da cozinha, mastigando uma pasta de abóbora. Foi um dia longo. Eu tinha um excesso de tarefas, muitas aulas chatas e uma detenção (eu tinha dormido demais no dia anterior e cheguei vinte minutos atrasada na aula de Aritmancia).

E acima de tudo isso, minhas investigações mostraram que não havia comida no dormitório, então tive que fazer um pequeno passeio para a cozinha. Eu tinha saído depois do toque de recolher, mas eu acidentalmente fique conversando com um elfo-doméstico que parecia querer conhecer minha história de vida inteira, e antes que eu percebesse, eram onze e meia e eu estava andando na ponta dos pés no segundo andar da Torre da Grifinória.

Eu andei lentamente, tentando não fazer muito barulho e congelei meus passos ao ouvir uma voz.

Não tem ninguém aqui em baixo, Madame Nor-r-r-a? Não importa, vamos tentar esse corredor…"

A voz estava ficando mais alta e eu percebi horrorizada que era Filch. Amaldiçoando em silêncio, eu olhei ao meu redor rapidamente e me enfiei em um armário de vassouras do corredor. Eu tentei não correr quando eu entrei nele, fechando a porta atrás de mim.

Eu caí no chão, o coação disparando, e respirei fundo. Sabe essa coisa de andar por aí a noite? É, isso não era para mim. Minha respiração diminuiu e eu mordisquei minha pasta, esticando meus ouvidos para ouvir Filch.

Então, eu ouvi passos, rápidos e pesados. Eu gemi e mordi meu lábio inferior - eu estava tão ferrada.

A porta se abriu e uma silhueta entrou, fechando-a cuidadosamente atrás de mim e soltando uma exclamação.

A pessoa claramente não tinha me notado, e obviamente não era Filch se ele ou ela estava falando desse jeito. Eu soltei a respiração que percebi que estava segurando e disse baixinho, "Olá?"

Grande erro. O corpo pulou violentamente, batendo em um balde e tropeçando, caindo em cima de mim e fazendo com que eu fosse derrubada no chão. Eu guinchei com o barulho que fizemos. Não havia como sairmos disso vivos - não com esse barulho e Filch andando por aí.

Então meus olhos se arregalaram ao perceber quem estava praticamente deitado em cima de mim.

"Potter?" eu perguntei, e ele se assustou.

"Evans, que diabos você está fazendo aqui?" seus olhos estavam espantados por trás de seus óculos retangulares e eu me remexi desconfortavelmente em baixo dele.

"Me escondendo do Filch. O que você está fazendo aqui?" eu ergui minhas sobrancelhas.

"O mesmo, é claro." Ele se levantou e esticou uma mão para me ajudar a levantar. Eu aceitei, e olhei com pesar para os restos de minha pasta destruída no chão. James Potter a deixou em pedaços.

"Por que você está fora…" Comecei, apenas para ter sua mão pressionada em minha boca. Eu estava prestes a empurrá-la quando ouvi: Filch estava vindo para esta direção.

"Faça-me um favor e cale a boca, Evans," ele sussurrou, e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele se abaixou, apanhou uma capa que eu não tinha notado antes, e se aproximou de mim.

"O que você…" Ele me cortou novamente com um olhar de súplica e um dedo em seus lábios. Eu parei de falar e ele atirou em capa sob nós.

"Potter," sibilei. "Eu não sei que diabos você está fazendo, mas…"

"Essa é minha Capa de Invisibilidade, Evans," ele sussurrou. "Perguntas depois, e por favor, fique de boca fechada."

Capa de Invisibilidade? Como ele conseguiu uma dessas?

Ele tinha acabado de falar quando a porta do armário se abriu, e Filch entrou acompanhado de sua gata. Ele começou murmurar para sua gata, perguntando se alguém estava aqui (que homem maluco), e James e eu seguramos nossas respirações, não querendo fazer nenhum barulho que nos entregasse.

E então percebi o quão próximos estávamos. Seu peito estava na altura de minha cabeça e seus braços estavam em volta de meu pescoço, puxando sua Capa da Invisibilidade para cobrir nós dois. Seus olhos estavam também em mim, eu percebi olhando para ele enquanto ele me encarava, sem movimentos.

A gata do Filch estava se aproximando cada vez mais agora, e eu resisti a vontade de chutá-la ou azará-la. Eu mordi meu lábio quando ela veio em nossa direção.

"Alguém aqui, minha querida?" Filch se dirigiu a sua gata.

Madame Nor-r-ra cheirou o ar um, duas vezes, e então voltou. Filch guiou sua gata para fora do armário e fechou a porta com uma batida leve.

Nós dois ficamos em silêncio por uns segundos, ouvindo cuidadosamente os passos de Filch se distanciarem. Então, quando tivemos certeza que ele e sua gata estúpida não iriam voltar, nós nos separamos. James tirou sua capa de cima de nós e correu sua mão pelo cabelo. Eu limpei nervosamente as gotas de suor que tinham se formado em minha testa.

Ele capturou meus olhos. "Você tem que prometer que não vai contar a ninguém sobre a capa, Evans." Sua voz estava baixa e séria.

Eu franzi os olhos. "Como você a conseguiu, afinal? Eu ouvi dizer que são bem raras."

"Herança de família," disse ele. "Meu pai me deu em meu primeiro ano."

Eu assenti em compreensão. Isso era bem legal. A única "herança de família" que eu tinha eram as blusas velhas de Petúnia.

"Então," disse depois de uma pausa constrangedora em que ele remexeu seus pés e eu mordi meu lábio. "Não deveríamos voltar para os dormitórios?"

James riu. "É, suponho que sim. Vamos, Evans."

Ele me guiou para fora do armário, e nós já estávamos na metade do caminho de volta para a Torre da Grifinória quando percebi que estávamos de mãos dadas.


N/T: Curtiram? O próximo capítulo é o último. Façam suas apostas sobre como será!