N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteudo, por favor não leia.
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Capítulo 2
Liv entrou sorridente em seu quarto e se jogou na sua cama, Abigail veio logo atrás dela. Abigail, ou Abby, era a pessoa em quem Liv mais confiava no mundo inteiro. A única para qual tinha total tranquilidade para contar tudo que acontecia em sua vida de bom ou ruim.
— Arrume as nossas malas, Abby. — Liv falou animada com sua melhor amiga e secretária.
— Posso saber a ocasião? — Abby perguntou ressabiada, e a Liv abriu a boca para responder, mas antes que ela falasse resolveu interromper. — Quer saber? Melhor ficar sem descobrir. Tenho medo da resposta.
—Ai que exagerada! Parece que só me meto em furadas. — Liv falou revirando os olhos.
— Quase sempre. — Abby falou rindo e Liv mostrou a língua para a garota.
Quando chegou para trabalhar na mansão da família Pope, Abby era encarregada de arrumar os quartos, mas devido à sua fidelidade com Liv e também com as escapadas noturnas da garota, fez com que Liv insistisse muito até que o a colocasse pra trabalhar diretamente para a filha. E acredite, ) não conseguiria dar conta das mil coisas que fazia, se não fosse Abigail, um anjo da guarda e uma amiga fiel.
— Há alguns dias Katie me pediu um favor e eu falei que resolveria, por isso nós vamos para Malibu. — Liv disse simplesmente.
— Certo. Vou colocar biquínis também na mala. — Abigail abriu o closet da garota e pegou a mala lá dentro. — Já avisou seus pais?
— Se eu tivesse, não estaria nem mesmo planejando. Sabe que eles me impediriam de ir à todo custo, e eu preciso realmente resolver algumas coisas sérias.
— Você sempre fala isso. — Abby falou e um sorriso maroto surgiu no rosto de Liv. — Olha quem está na televisão, o gostoso do presidente.
— Caramba! Você é muito safada mesmo, não perdoa nem o Fitzgerald.
— Mas é sério, olha a cara sensual desse homem! — Abby disse aumentando o volume da televisão. — Imagina as coisas que ele deve fazer com uma mulher na cama, minha amiga!
— Não acredito que realmente convivo com você! Consegue ser mais safada do que eu.
— Muito raro isso acontecer! Aliás, não era eu quem ficava falando do quanto a bundinha dele fica apertada nas calças sociais que ele usa.
— Eu o adorava, mas ultimamente ele parece ser outra pessoa.
— O físico dele continua invejável. — Abby falou e ambas prestaram atenção ao que a mulher falava na televisão.
— O atual presidente dos Estados Unidos, Fitzgerald Grant comemora nesta semana seus 38 anos, após um longo período de luto parece que seu coração está aberto... — a repórter falava animada sobre o presidente ter sido visto pela primeira vez conversando animado com uma mulher misteriosa em uma festa beneficente dois dias antes.
— Cara, tem tanta coisa acontecendo no planeta e esse jornalzinho fica falando sobre a vida pessoal do presidente. A esposa dele morreu tem 2 anos e ele até onde se tem notícia,, não quer saber de relacionamentos, então pra quê insistem no assunto? — Liv falou até meio alto, ela sempre ficava revoltada quando falavam sobre a vida pessoal do presidente e não das coisas que ele fazia.
— Esse jornal é na verdade um programa de fofoca dos famosos, só pra deixar claro. – Abby disse. – E além do mais, estamos falando do presidente mais gato que já se teve na história desse país. A gente precisa discutir a vida amorosa e sexual desse cara, por favor. — Liv riu da amiga que começou a colocar algumas roupas na mala da garota. — Quando você pega o voo?
— Vou no jatinho privado do Edison.
— Ele também entrou na furada? Coitado.
— Você com pena do Edison Davis? Em que mundo estamos vivendo? — Liv fez uma expressão chocada, pois Abby não era muito fã de Ed. Na verdade, o problema era David, o primo de Edison com o qual ela já teve um relacionamento e viviam brigando.
— O coitado não tem culpa do primo que tem.
— E David? Alguma novidade?
— Desde a última vez que ele me levou para sair e me apresentou como secretária dele ao invés de namorada? — Abby revirou os olhos e jogou uma pilha de roupas na mala. — Não tenho novidades e sinceramente, não sei se quero saber dele.
— Vocês deviam parar com essa cachorrada e ficarem juntos. Já faz uns dois anos que ficam nessa briga sem fim.
— Não me culpe, Liv. — A voz de Abby ficou fraca e seu semblante mudou-se para triste. — Sabe o que quanto gosto dele, mas não posso aceitá-lo se ele também não puder me aceitar como sou e respeitar nossas diferenças sociais.
— Você fala como se fosse muito pobre e ele milionário.
— Mas ele é milionário. — Abby levantou uma sobrancelha e colocou a mão na cintura.
— Isso é só um detalhe pequeno. — Liv deu de ombros fazendo com que ambas rissem.
— Posso saber a piada que motivou essas risadas deliciosas? — Maya Pope, mãe de Liv apareceu na porta do quarto com seu sorriso habitual no rosto.
— Melhor você nem saber, mãezinha. — Liv estendeu os braços para sua mãe que se aproximou e depositou um beijo na cabeça da filha.
— E essa mala? Vai viajar?
— Sim.
— Posso saber para qual lugar?
— Não?
— Acho melhor nem insistir, sinto que irei me arrepender e que deve ser mais uma das encrencas que se mete. Melhor fingir que nem reparei na existência dessa mala. — Maya disse e Liv deixou seu queixo cair.
— Vocês duas estão de complô contra mim. Parece que sou uma encrenqueira de mão cheia.
— Mas você é! — Maya e Abby falaram juntas.
— Não vou discutir sobre isso com vocês! — Liv disse e ignorou o fato de que no fundo elas tinham razão. — O que você queria, mãe? Entrou aqui no meu quarto só para jogar na minha cara que sou uma encrenqueira? — Liv disse sorrindo.
— Fomos convidados para um baile da Casa Branca.
— Como assim? Fitzgerald Grant resolveu voltar a promover bailes? — Liv perguntou espantada.
— Pois é, também fiquei espantada com a novidade, mas parece verídico. Ele quer voltar a comemorar o aniversário.
— Eu estou mais do que dentro! Quando será? — Liv perguntou.
— Próximo final de semana. Acha que já vai ter voltado da sua viagem?
— Sim, acho que depois de amanhã estarei em casa.
— Ótimo! Preparem-se pois esse baile deve dar o que falar.
— O que quer dizer com isso?
— Não sei, mas sinto cheiro de manobra política. Seu pai disse que foi convidado pessoalmente pelo próprio presidente em seu gabinete para que o apoiasse durante a campanha. — Maya disse pensativa e suspirou. — Ele deve anunciar alguma coisa, ou no mínimo será grosso com alguém, seu temperamento nunca esteve tão terrível.
— Espero que ele consiga sair desse fundo do poço que ele se jogou. — Abby falou fechando a mala de Liv.
— Eu também. Ele precisa mudar, ou dificilmente conseguirá se reeleger e seria uma pena, ele é um ótimo presidente, apesar de seu comportamento ultimamente.
Liv mordeu o lábio pensativa, se perguntava se havia alguma maneira de ajudá-lo, mas sabia que isso era querer demais. Se pudesse ajudar alguém a ser eleito, arrumaria uma maneira de eleger a si mesmo.
— Seu celular parece estar chamando. — Abby comentou com Liv que correu até a mesinha de estudos.
O nome de Jake piscava na tela e ela suspirou pesadamente. Jake era o ex-namorado de Liv, um possessivo de mão cheia que gostava de controlar até as idas da garota ao banheiro.
Muitos chamariam de insegurança, mas como um homem loiro dos olhos azuis, com um porte atlético invejável, de deixar qualquer um desses atores por aí babando de inveja, poderia ser inseguro?
Liv saiu de fininho do quarto enquanto sua mãe e Abby conversavam entretidas sobre o baile, apertou para atender e levou o celular até a orelha que já se preparava para ouvir merdas. Desde que havia terminado com ele, dois meses antes, ele não parava de ligar para Liv que começava achar que aquilo era um exagero. Jake estava passando dos limites.
— Jake.
— Olivia Pope. Se eu não ligo para você, não tenho mais notícias suas.
— Eu te pedi para não me ligar mais. Fui clara sobre isso. — a garota comprimiu os lábios irritando-se. — Aliás, eu terminei com você e te pedi para que sumisse da minha vida, mas você parece gostar de sofrer.
— Eu gosto de você, Liv. Esse é o meu problema.
— Eu só lamento por você, Jake. Agora, quanto a continuar me ligando, eu irei bloquear seu número para não receber mais nada vindo de você.
— Você sabe que isso não me para, docinho. Arrumo um jeito de falar com você, nem que para isso eu tenha que revirar o mundo inteiro.
— Você está começando a soar como um doente, sabia? — Liv sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Uma sensação estranha de que aquele comportamento de Jake já havia passado dos limites há algum tempo.
— Talvez esteja e a culpa seja sua. — A risada de Jake era quase maléfica, e bem assustadora, complementou Liv mentalmente. — Eu fico revivendo nossas viagens pela Europa, e fico pensando naquelas coisas que fizemos juntos. Como eu daria tudo para...
Liv não aguentou nem mesmo terminar de ouvir as palavras do rapaz e desligou a ligação na cara dele. Ela colocou o celular contra o peito apreensiva, e passou uma mão pelos cabelos emaranhados sobre sua cabeça. Uma preocupação esmagadora crescia dentro dela, pois Liv acreditava que Jake estava ultrapassando realmente os limites.
Isso porque várias vezes sentia estar sendo seguida, e mesmo com seu segurança particular Zedd por perto, conseguia se sentir desprotegida. Era como se o perigo estivesse batendo à porta e ela não tivesse como impedi-lo de tomá-la para si.
— Liv? — A voz de Abby fez com que ela desse um pulo assustado.
— O-oi?! — Liv voltou para o quarto.
— Você está bem? Parece assustada. — Maya perguntou, preocupada com a expressão lívida da filha.
— Sim, estou bem. O que houve? — Liv mentiu, se perguntando se deveria contar para sua mãe e sua melhor amiga sobre seus medos acerca de Jared.
— Sua mala está pronta. Você precisa vir olhar para ter certeza de que não quer mais alguma roupa que não coloquei aí. Sabe que quase sempre esqueço alguma coisa.
— Claro. Vou olhar agora mesmo.
Liv sentiu celular vibrando em sua mão, e a notificação de que uma nova mensagem de Jake brilhou na tela. Ela deslizou o dedo trêmulo sobre a tela, e a mensagem que apareceu na tela, fez com que ela se sentisse mortificada.
"Lembranças de Saint-Tropez. Sua família adoraria ver isso, não acha? Imagine então as revistas do país que adoram te intitular como a mais queridinha? Voltarei a te procurar."
Anexada estava um foto que ela gostaria que estivesse apagada, aliás, Jake jurou tê-la apagado, mas pelo visto havia mentido sobre isso quando julgou ter resolvido os problemas causados por ela há quase 4 anos.
Liv estava ferrada, ela sabia disso e não tinha a menor ideia de como se livrar daquela enrascada que pensava estar livre. Consertar erros dos outros, parecia mais fácil do que lidar com o seus próprios fantasmas e erros do passado.
— Jade Simpson, 26 anos, filha de um banqueiro respeitável, e tem o comportamento impecável. — Cyrus mostrou a ficha para Fitz. Ambos estavam no Salão Oval, o escritório oficial do presidente na casa branca.
Os sapatos de couro lustrados de Fitzgerald, deslizavam sobre o tapete azul marinho com o brasão presidencial moldurado no mesmo. Ele analisava a ficha da quinta garota em apenas três dias, havia conhecido duas delas, as outras duas não valiam nem mesmo o esforço em sua opinião.
— Pare! Essa tem cara de virgem, de freira e ninguém vai comprar um relacionamento meu com essa aprendiz de santa. — Fitzgerald jogou a ficha em cima da mesinha de centro. — Você só pode estar querendo foder com minha reeleição desse jeito, Cyrus.
Fitz estava exausto das especulações, e também bastante apreensivo com as notícias que chegavam ali em seu gabinete. As pesquisas indicavam que ele perderia de lavada de sua concorrente, e aquilo o assustava severamente, pois nunca em sua vida se preocupou com esse tipo de situação.
Antes havia sido um excelente governador por dois mandatos seguidos na Califórnia, e sempre foi muito querido pelas pessoas, mas ele sabia que não era mais aquele jovem alegre e descontraído. A amargura de seu coração havia tomado sua alma por completo e agora ele estava naquela enrascada.
Cyrus estava sentado em um dos sofás de couro creme, que ficavam no meio do escritório, ajustados de frente para a mesa do presidente, a famosa "Mesa do Resolute", uma mesa modelada em madeira maciça e com fragmentos da fragata britânica "HMS Resolute" , feita muitos anos antes de Fitzgerald pensar em pisar ali dentro, um presente da Rainha Vitória para Rutherford B. Hayes.
— Me desculpe, senhor. — Cyrus falou e então pigarreou ante de prosseguir. — Ainda tenho essa ficha aqui e estou em busca de outras.
— Você me trouxe duas garotas que nem mereceram minha atenção, uma que parecia modelo da Victoria's Secrets e outra que mais parecia atriz de filme pornô, e isso porque na ficha dela alegava que sempre foi muito discreta. — Fitz riu como se só de contar aquilo fosse uma piada. — Discreta com aquele vestido vermelho justo e decotado até o umbigo.
— Você se aproveitou disso.
— Lógico! Quando menos esperava, sua mão já estava por cima do meu pau. Não sou mais um adolescente, mas ainda tenho hormônios aqui dentro, meu caro.
— Já usou desculpas melhores. — Cyrus disse erguendo as sobrancelhas. — Você pelo menos não transou com ela.
— Não foi por falta de vontade. — Um sorriso safado brincou nos lábios de Fitz e ele coçou o queixo. — Se não tivesse chegado a tempo, nem sei...
— Então, tome aqui essa ficha. — Cyrus o interrompeu e ergueu a mão, estendendo a ficha, Fitzgerald se aproximou do assessor e pegou a ficha da mão dele, voltando para perto de sua mesa novamente.
— Às vezes não acredito que cheguei a esse limite. — Fitz se recostou na grande mesa, suas mãos firmes na borda da mesma.
— Acredite que isso é só o começo, caso queira se reerguer a tempo da eleição.
— Como assim? — Fitz perguntou levantando uma sobrancelha ao mesmo tempo que franzia um pouco a testa.
— Lembra-se dos bailes que preparava?
— Não era bem eu que os preparava. — Lembrou-se com amargura de Mellie e de como ela tinha o cuidado de organizar aqueles bailes nos mínimos detalhes, e de como ele conseguia a ajuda financeira de grandes potências apenas com o sorriso de sua falecida esposa.
— Certo. Mas precisamos voltar a fazer aquele tipo de eventos, me lembro que ganhamos muitos aliados por conta deles.
— Não quero me envolver nessas coisas. São patéticas.
— Com todo perdão, senhor presidente. Mas patético é o que o senhor vai se tornar, se não tomar medidas desesperadas agora.
— E o que sugere?
— Acontecerá um evento amanhã à noite. Confirmei sua presença.
— Ótimo. Agora confirma minha presença em eventos sem nem mesmo me consultar? Quem você acha que é? Só porque é meu amigo, não pode decidir por mim.
— Eu sou a porra do seu assessor! Se você não quer ser reeleito, tudo bem. Mas me avise com antecedência, porque não quero fazer parte do seu fracasso. — Cyrus disse e se levantou com os olhos vermelhos de raiva. Ele era o único que levantava a voz para Fitz sem ser demitido na mesma hora. — Eu só quero te ajudar a acordar enquanto há tempo. Aliás, já confirmei o baile na Casa Branca em comemoração do seu aniversário e os convites já começaram a ser enviados.
— Cyrus.— Fitz disse com a voz severa. — O que combinamos? Quem manda sou eu, você é meu empregado. Eu aceito as ideias que me ofereceu, mas espero não tomar decisões por mim daqui em diante. Sabe que se não fosse meu amigo, estaria demitido, certo?
— Sorte a minha que sou. Ou melhor seria dizer que a sorte é sua? Se eu tivesse desistido de você, já estaria conhecido como o maior fracasso de todas as eleições já realizadas nos Estados Unidos.
— Não irei discutir sobre isso. Não fracassei ainda, então deixemos as suposições de lado. — Fitz foi até o sofá e sentou, abriu a pasta e leu o nome da garota: Jasmine Johnson. — De qualquer forma, onde será o evento que confirmou minha presença?
— A esposa do Governador Graham está preparando, será na Califórnia, Senhor. Mais especificamente em Malibu.
— Está certo. — Fitz analisou bem a ficha da garota antes de fechá-la e se virar para Cyrus. — Faça um favor? Localize aquela garota que parecia uma atriz pornô?
— Não acredito que...
— Não discuta comigo. Vai querer regrar minha vida sexual também? — Fitz despejou whisky no copo, levou o mesmo até a boca e bebeu um gole do líquido âmbar. — Leve-a até aquela sala secreta, a que uso para essas finalidades, por volta das 9 da noite e não me incomode. Vou continuar o que estávamos fazendo na sala de reuniões antes que nos interrompesse.
— Sim, senhor. — Cyrus respondeu visivelmente desgostoso daquele comportamento do amigo e chefe. Ele sabia que Fitzgerald estava mal, mas temia que aquilo pudesse corroer sua alma até o fim, e Cyrus sabia bem como era perder alguém que se amava.
Ele havia perdido seu esposo para o câncer e desde então fechou seu coração para qualquer relacionamento. Costumava dizer que casou-se com o trabalho, o que de fato não era mentira.
Mas ele continuou, seguiu em frente após a perda, já Fitz parecia ter tomado gosto pela dor que a perda lhe causou. Acreditava que Deus cuidasse de Fitzgerald apesar do mesmo nem acreditar em mais nada e ter perdido completamente a fé após o falecimento de Mellie, pois qualquer um teria jogado a toalha e caído em profunda depressão.
Cyrus sempre soube que aquele jeito amargo que Fitz apresentava era apenas uma forma dele se proteger de qualquer dor que pudesse ser infringida sobre seu coração no futuro.
A única coisa que ele queria era que Fitzgerald pudesse perceber que a vida não tinha acabado e que ele poderia sim ser feliz, mas temia que o amigo se desse conta disso tarde demais.
Alguns minutos depois, a porta do Salão Oval se abriu um pouco, Fitzgerald estava sentado no sofá creme e lia atentamente um documento com possíveis medidas sobre o transporte público, ele levantou a cabeça ao sinal de duas batidas na porta.
— Com licença, Senhor. — Era Rubi. Fitzgerald fez um sinal e a loira adentrou no local.
— Sim. O que deseja, Rubi? — Vim para nossa reunião sobre o evento confirmado para amanhã.
— Certo. Espere apenas um minuto, preciso terminar de ler esse documento.
A loira se sentou no sofá instalado à frente do que o presidente estava, cruzou as pernas e a saia verde esmeralda que usava deslizou pelas pernas torneadas. A atenção do presidente foi capturada e um sorriso brincou nos lábios vermelhos da mulher.
— Fale logo o que quer. — Fitz disse com seu tom autoritário.
— Você sabe bem o que quero.
— Aqui e agora? — Um sorriso cheio de interesse surgiu nos lábios dele, enviesando-se mais à direita.
— Onde o senhor preferir. — ela passou a língua sobre os lábios modelados.
— Você não tem modos, Senhorita Johnson?
— Não quando estou perto de você. — ela respondeu com as palavras derramando-se em ardente interesse, seus olhos estavam sobre o corpo de Fitz como se ele fosse um pedaço de carne exposto aos olhos de uma leoa faminta.
— Eu não estou afim de te foder hoje. Arrumei outra para que satisfaça meus desejos. — ele respondeu unindo os lábios em uma linha fina. Ele pensava em como estava enjoando da loira que tentava a todo custo fisgá-lo, pois sim, Fitzgerald sabia que Rubi não queria apenas sexo.
Seu sonho era se tornar a primeira dama. Como várias outras mulheres no mundo queriam, mas ele não queria nenhuma. A única coisa que ele queria de Rubi Johnson era o que ela possuía entre as pernas, nada mais.
— Mais uma candidata? Sabe que discordei desse plano absurdo de Cyrus quando ele veio até a mim pedindo por ajuda. — Rubi estalou a língua em desgosto. — Elas não vão dar conta da pressão que é esse mundo político, Fitz. É preciso estar por dentro disso aqui para suportar.
— E o que você me sugere? Alguém do meio político? — Fitz sorriu, ele estava jogando, pois sabia que ela acabaria se entregando e falando sua vontade de ser a primeira dama.
— Exato.
— Como quem, por exemplo? Você? — Fitzgerald levantou uma sobrancelha, um sorriso divertido nos lábios ao perceber a euforia contida nos olhos da mulher à sua frente.
— Não sou eu quem está dizendo. Mas talvez seja uma ótima ideia. — ela se levantou e rodeou a mesinha que separava um sofá do outro. — Nós temos química, nos damos bem e poderíamos contar que acabamos nos apaixonando.
— E seria uma puta de uma mentira deslavada. Não vou me apaixonar novamente, Rubi.
— Ai, bobinho. Nós venderíamos essa ideia, eu também não estou apaixonada por você. — Rubi sentou-se em uma das pernas de Fitz que olhou automaticamente para cima, onde havia várias câmeras instaladas.
— Deve me achar um otário, não é? Mas acredite, eu não sou. — Fitz disse e a empurrou do seu colo, deixando-a desabar no sofá. Se levantou e caminhou até a sua mesa, colocou os documentos que lia sobre ela e virou-se para Rubi que já havia se levantando, um rastro de fúria brilhava nos olhos esverdeados dela. — Se quiser ser fodida por mim, me procure e de preferência em outro local. Caso contrário, guarde suas opiniões para você, a não ser que eu as peça em função do seu trabalho, Senhorita Johnson. Estamos entendidos?
— Sim, senhor. Aliás, sobre o trabalho, acabei de lhe enviar a agenda da semana que vem por e-mail. — ela respondeu antes de se virar e sair do salão oval batendo seus saltos altíssimos sobre o carpete. A raiva de Rubi era crescente, mas ela sabia ser paciente e acreditava que em breve seus planos dariam certo, mesmo que para isso ela tivesse que derrubar todas as pessoas que entrassem em seu caminho.
Incluindo a candidata que fosse escolhida por Fitzgerald.
