N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.
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Capítulo 3
A viagem foi rápida, considerando que ela dormira quase que o tempo todo, acordou apenas no final da viagem, seu amigo lia várias papeladas. "Provavelmente algo do trabalho", ela pensou.
— Você conhece alguma Alícia Hayes? – Ela perguntou após beber um gole de água, se ajeitando na poltrona que ficava de frente para a de Ed, esse aliás, engasgou, mas não foi um engasgo simples, foi um daqueles que faz a pessoa ficar sem ar ou talvez, sem palavras.
— Conheço. – Ele disse depois do engasgo ter sido controlado.
— E qual o motivo dessa reação? Chegou a engasgar de susto.
— Ela era minha namorada. – Aquilo era bem comum para Liv, Edison tinha fama de cafajeste, pegador inveterado até os ossos.
— Como não pensei nisso antes – ela respondeu revirando os olhos em desaprovação. — Precisa melhorar o nível das suas namoradas, sério.
— Mas não temos mais nenhum contato – ele correu pra se explicar após a resposta. – Eu engasguei porque me meti nas piores encrencas por causa dela. Ela é louca, Liv.
— Sério? – Liv debruçou, apoiando os cotovelos nos joelhos, interessando-se pelo assunto. –—Como assim?
— Ela gostava dos holofotes, de estar nas revistas, e me usava para isso. Ela era um "Edison" só que em vez de ter uma queda pelas mulheres, tinha uma queda pela fama, uma combinação nada interessante, já que a maioria das coisas que fazia na época em que namorávamos eram quase sempre ilícitas.
— Então ela nunca gostou de você, só te usou.
— Exatamente. É isso que ela faz, até que se cansa da pessoa. No meu caso, eu me cansei e dei um pé na bunda dela, o que a fez se revoltar contra mim e preparar armadilhas pra que eu me ferrasse.
— Humm, ela é chegada em uma vingança, então. – Liv disse e bebeu o resto de água em seu copo, aquela garota parecia um problema dos grandes na sua mente.
— Digamos que Alícia é a última pessoa que você gostaria de ter como inimiga. – Ed disse, deixando Liv pensativa enquanto a comissária de bordo se aproximava.
— Senhores, o avião pousará em alguns minutos. – A comissária de bordo sorriu e Edison sorriu de volta, ele era um cafajeste e Liv riu, isso o deixava mais sexy ainda aos olhos das mulheres. Ele nunca tomaria jeito.
— É Alícia quem tem difamado o Governador Graham, eu queria tentar conversar com ela e ver se conseguia resolver a situação.
— Acho meio difícil — ele disse se virando para a amiga. — Se tivesse me dito isso tudo desde o começo, teria poupado seus esforços.
O avião pousou alguns minutos depois, assim como a comissária havia avisado. Liv já estava começando a duvidar que tinha feito a coisa certa ao ir ali tentar conversar com aquela garota. O sol estava forte, causando até mesmo um certo desconforto na pele dela quando desceu do jatinho privado em Malibu, Edison logo estava ao seu lado, com os óculos escuros enfeitando seu belo rosto.
— Ei, me desculpa se te desanimei – Edison entrelaçou seu braço no dela enquanto desciam a escada do jatinho. – Ainda podemos ir na casa dela e ver se conseguimos algum acordo. Eu só falei pelo que conheço dela, mas talvez você consiga resolver.
— Eu sei...mas não sei se já é tão certo – Liv suspirou enquanto entravam no aeroporto, as portas automáticas se abriram para eles assim que se aproximaram.
— É certo sim, minha querida – ele segurou a mão de Liv e com a outra pegou um boné que um segurança entregou pra ele – Usa isso, assim ninguém vai reconhecer a filha de Eli Pope, o ex-governador de Washington – ela agradeceu e colocou o boné sobre seus cabelos. O celular começou a vibrar em sua mão e quando olhou no viso viu que era Abigail. Ela resolveu deixar a amiga em casa, vigiando caso o pai dela resolvesse viajar para o mesmo destino, ou caso perguntassem demais sobre a viagem dela.
— Você atende enquanto eu resolvo algumas burocracias sobre o jatinho do meu pai, ele é meio chato com esse daí porque usa pra trabalhar. – Ed sorriu e ela assentiu antes que ele se virasse e fosse até o balcão de atendimento.
— Abby! — Liv atendeu animada, tentando não transparecer seu desespero em ver todo seu plano dar errado.
— E aí, está tudo bem?
— Você parece vidente! Acabei de chegar em Malibu.
— E já vai para a casa da tal garota? — Liv não resistira e contara em detalhes todo seu plano para Abby.
— Estou é me arrependendo de ter vindo, porque pelo que vejo não vou conseguir resolver o que quero.
— Ei, que desânimo é esse? Não existe problema grande que te desanime, então pode ir parando com esse pessimismo. Mexa essa bunda sua e vai logo na casa da Alícia mostrar quem é que manda.
— Nossa, que animação toda, é essa?
— Quando chegar te conto, mas é sério, resolva isso. E claro, se cuide. Nesse meio tudo é muito perigoso.
— Sempre me cuido, Abby. Fica tranquila. Até mais.— Liv disse antes de desligar.
Edison se aproximou da garota que guardou o celular em sua bolsa.
— Vamos pegar um táxi até a casa de Alícia.
— Não será necessário. Já aluguei um carro, ele está nos esperando — Ed disse passando a mão sobre os cabelos, tentando domá-los. — Só precisamos orientá-lo pra ir até a casa da Alícia, eu sei bem o caminho.
— Sobre isso – Liv olhou para o amigo de forma sincera. — Acho melhor se eu tentar conversar com ela sozinha.
— Eu também acho. Ela não vai gostar de me ver. – Ed disse de mandeira sarcástica, então levantou uma sobrancelha e sorriu.
— Então, você vai lá e qualquer coisa me faz uma ligação de emergência e eu dou um jeito de te ajudar. – Edison disse enquanto o carro parava em frente uma mansão. Aliás, Liv havia reparado em como as casas dali eram enormes, ela achava que sua casa era uma mansão, mas aquelas dali faziam a sua casa parecer um casebre.
— Eu vou conseguir resolver. – Liv sorriu tentando passar confiança.
Logo em seguida, saiu do carro e foi até a entrada da grande mansão, o segurança perguntou seu nome e se alguém esperava por ela.
— Não, não estão me esperando. Mas poderia avisar para Alícia que a Olivia Pope está querendo conversar com ela? Ela saberá quem eu sou.
— Claro, espere um minuto – O homem que tinha um porte de armário, conversou ao telefone e logo desligou. – Ela disse que não tem certeza de quem é. Mas ela está dando uma festa e permitiu a entrada de qualquer forma. — Liv respirou aliviada, por um instante havia achado que sua missão tinha acabado em definitivo.
O portão foi aberto e ela foi andando pelo caminho de pedras, e quando se aproximou ficou espantada por uma garota tão jovem ter uma casa tão grandiosa. Uma música alta vinha por trás de um portão branco grande, e assim que o abriu descobriu o motivo.
A festa que estava rolando parecia estar no auge e parecia também não ter hora pra acabar, Liv caminhou por entre as pessoas que se aglomeravam em volta da piscina, tentando encontrar no meio delas o rosto de Alícia.
— Oi. – Ela se aproximou de uma ruiva que dançava com um cara forte e alto, a ruiva a olhou simpática. – Você sabe onde posso encontrar Alícia?
— Claro. – ela falou alguma coisa no ouvido do fortão e depois se virou para mim. – Vem comigo. — ela começou a andar rapidamente. — Me chamo Berth. E você?
— Olivia. — Liv respondeu tentando entender de onde aquela garota tirava tanta energia.
Ela a seguiu, não que estivesse confiando em Berth ou algo assim, apenas porque aquela garota fora a única pessoa que a olhou de forma simpática. Berth entrou pela casa e Liv apenas a seguiu.
O que Liv não esperava era que assim que chegassem à sala requintada, tivesse uma visão que não esperava ter.
— Alícia, você tem visita. – A simpática e enérgica Berth olhou para Liv e falou baixinho. – Boa sorte. – E dito isso, ela saiu.
— Liv! – sentado no sofá branco estava ninguém mais, ninguém menos do que Governador Graham, quem a mesma tinha ido defender. – O que faz aqui?
"Poderia te perguntar a mesma coisa.", Liv pensou.
— Eu vim tentar limpar seu nome, mas me parece que não está muito afim disso, né? – ela disse colocando as mãos na cintura, carregava um olhar acusador.
— Eu estou aqui exatamente pra isso. – ele disse se explicando.
— Ei, ei! – Alícia que estava o tempo todo calada e com uma expressão de extrema confusão, se levantou do sofá em que estava sentada e cruzou os braços – Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?
— Eu vim aqui pra tentar entrar em um acordo com você sobre os rumores com o Sr. Graham. — Liv falou sem muitos rodeios para a loira platinada de cabelos curtos. Ela era tão bonita que por um instante, Liv entendeu o motivo dos homens caírem aos pés de Alícia.
— O senhor Patrick Graham e eu estávamos justamente falando sobre isso. – Alícia se virou para ele.
— Eu já resolvi a situação – ele se sentou novamente e respirou fundo, parecia querer explodir de tanto nervosismo.
— Então, acho que não tenho mais nada que fazer aqui. Aliás, perdi meu tempo. – Liv riu de si mesma e Alícia sorria triunfante diante de algo ainda não explicado.
— Liv, está tudo bem por aqui? – Edison entrou na sala e o sorriso triunfante de Alícia se desfez.
— O que você está fazendo aqui? – Alícia perguntou entre os dentes com visível irritação.
— Eu...estou acompanhando a Liv.
— Ela é a sua nova vítima? – Alícia apontou para Olivia, o que fez Anthony rir.
— E ele, é a sua vítima? – Edison disse revidando, ele se aproximou de Liv e colocou as mãos sobre os ombros dela. – Liv é uma amiga, muito querida por mim. Estou apenas fazendo um favor para ela.
— Mas acho que já resolvemos, não é? – Alícia se virou para Patrick, que assentiu, seus olhos dançavam de um lado para o outro. Liv sabia que ele estava mentindo, não estava nada resolvido.
— Precisa apenas assinar aqui. – o Governador ergueu o papel que, com certeza, era um termo de confidencialidade. Alícia se aproximou dele e pegou o papel, leu rapidamente antes de assinar.
— Espero meu dinheiro até o fim do dia de hoje, ou as pessoas verão aquele vídeo. – Ela piscou para ele e sorriu para Liv, acenando um "tchau" com a mão, antes de sair andando para o lado de onde a festa acontecia.
— Senhor Patrick, não acho que fez a coisa certa. — Liv disse se virando para o Governador.
— Você não entenderia, Liv. Ela sabe de coisas demais, não salvei apenas a mim neste momento. – ele respondeu, pegou um lenço no bolso e enxugou gotículas de suor que brotaram em sua testa provindo de seu nervosismo. Logo depois, ele guardou os papéis em uma pasta preta. – Alícia, sabe de coisas que fariam o mundo entrar em guerra, e nenhum de nós aqui deseja isso, certo?
Ele não esperou pela resposta, fechou um botão do terno e saiu da sala, deixando Liv e Edison sozinhos. O coração da garota estava disparado, porque de alguma maneira ela soube que aqueles rumores todos que Alícia estava espalhando era uma forma de chamar a atenção do Governador, era uma ameaça muito maior do que parecia ser.
Então ela entendeu que Alícia era mais esperta e perigosa do que julgava, e Edison só tinha tido uma pequena prova do veneno daquela garota.
— Foi só eu que fiquei completamente confuso? Que porra foi essa que aconteceu aqui? — Edison perguntou com uma expressão explícita de confusão.
— Eu só sei que o Alícia sabe alguma coisa grande, e que ela vai voltar por mais dinheiro. Conheço esse tipo de chantagem.
— Conhecendo Alícia, ela não vai desistir enquanto não arrancar todo o dinheiro do Governador Graham.
— Ou até que calem a boca dela. — Liv disse com certo receio, pois "calar a boca" seria no sentido literal.
— Eu preciso de um café forte, sem açúcar ou meu cérebro vai entrar em curto-circuito. Vamos? — Edison disse e a garota assentiu.
Liv fez todo o trajeto até uma cafeteria em silêncio, Edison conversava ao celular com um de seus empregados com certa impaciência e Liv arriscou sorrir por um instante ao ver a expressão do amigo, mas logo esse sorriso desapareceu quando começou a relembrar o que tinha acontecido na mansão de Alícia.
— Não fique impressionada com o que viu, Liv. Até parece que não está acostumada com esses acordos políticos.
— O que me preocupa é que o medo presente nos olhos do governador era verdadeiro. O segredo que Alícia esconde é algo que o faria borrar as calças.
— Escute, tenho uma proposta para você.
— O que?
— Acontecerá um evento de caridade, a esposa do governador é quem está organizando e seria muito bom para meus investimentos e contatos com os clientes, e você poderia tentar arrancar alguma coisa do governador.
— Sério? Um evento? Logo depois desse escândalo?
— Me parece que a personalidade dela é bem forte, parecida com a sua.
— Não sei se quero isso, acho que prefiro minha casa e minha cama.
— Ah, por favor. Vai ser ótimo para ambos.
— Aposto que tem alguma mulher na parada.
— Não. — Edison disse e depois suspirou. — Você e essa mania de descobrir o que se passa na minha cabeça, em ambas, aliás.
— Que nojento! Não sou obrigada a pensar nessas coisas. — Liv disse e sorriu.
— Consegui pelo menos te fazer sorrir. Mas e aí? Vamos?
— Não trouxe roupa alguma, você sabe que minha ideia era ir embora logo depois de conversar com Alícia.
— Já providenciei isso, e se aceitar estará no hotel em que fiz uma reserva.
— Você já tomou conta de tudo, se bobear essa ideia já estava em sua cabeça antes mesmo de chegar aqui.
— Talvez.
— Certo. Eu vou, até porque depois de hoje, estou te devendo uma e ir com você nesse baile vai pagar minha dívida com você.
— Não tinha dívida nenhuma comigo. Sabe que faço o que for possível pela nossa amizade. — Ele piscou e abraçou a garota.
Assim que Liv e Edison pisaram na casa de praia da família Graham, os flashes pipocaram no rosto de ambos. Liv sorria de forma forçada, ao contrário de seu amigo que sorria tranquilo diante daquele assédio.
— Não sei como você consegue se manter tranquilo com essas pessoas nos desnudando com os olhos ou com as lentes de suas câmeras.
— Você deveria ter se acostumado, cresceu nesse meio.
— Se tem uma coisa que me irrita profundamente é esse assédio, algo que nunca me acostumarei, essa é a verdade.
— Quer algo para beber?
— Por favor!
— Espere um minuto. — Edison disse e ela assentiu, caminhando até uma mesa vazia. Assim que se sentou houve uma pequena confusão na entrada, as pessoas pareciam quase aglomerando-se ali.
Liv então entendeu o que estava acontecendo quando viu o presidente Fitzgerald ao longe, sua entrada causando o impacto de sempre, Liv sentira um tremor estranho, talvez fosse pela imponência dele ou simplesmente porque depois que os olhos dele pousaram sobre os dela, se fixaram nos mesmos.
— Impressão minha ou o presidente está te encarando? — Edison perguntou curioso, sentando-se na cadeira ao lado da de Liv e entregou a bebida para ela. Liv quase assentiu, revelando que pensava da mesma maneira que o amigo, porém Fitzgerald desviou os olhos dela para dar atenção a alguém que o cumprimentou.
— Total impressão sua. Ele nem deve se lembrar de mim ou saber quem sou eu — ela disse voltando a olhar atentamente para o local em que o presidente estava. Sua atenção foi chamada para o outro lado do salão de festas, ela mal podia acreditar em quem tinha acabado de entrar ali. — Me diz que aquela ali não é a Alícia?
— Ops! É ela mesmo, e pela cara dela, cabeças rolarão. — Edison disse rindo, mas parou quando notou a expressão carregada de Liv.
— Mas depois daquela cena extremamente estranha que presenciamos na casa dela, achei que ela fosse se afastar. Aliás, porque a esposa do Governador a convidaria, depois do escândalo sobre um suposto relacionamento entre Alícia e o marido dela?
— Vai ver o cheque voltou. — Edison falou rindo, Liv sacudiu a cabeça desaprovando a piada do amigo, porém acabara rindo também.
— Essa história parece ficar cada vez mais interessante. — Liv disse, pensativa.
— Ela parece estar indo em direção…
— Ao presidente! — Liv completou a frase de Edison, em total confusão com a cena que se desenrolava diante de seus olhos.
— Acha que o presidente estava fodendo ela também? — Ed comentou e então fez uma cara de desgosto. — Acho que estou com nojo dela.
— Até parece que não teve muitas mulheres na sua vida também.
— Mas Fitzgerald Grant? Por favor, não sou obrigado a tolerar isso.
— Fitzgerald é um homem lindo, não entendo toda essa repulsa.
— Você teria coragem de se envolver com ele?
— Meu Deus! Claro! Ele é o cara mais sexy que eu já vi na minha vida, querido. Até mais do que você.
— Certo, agora eu acho que ultrapassou os limites.
— Por favor, Ed. Me poupe! — Liv disse sorridente, bebendo o resto do líquido em sua taça. — Vou dar uma volta por aí. Fica de olho na miss oferecida, e me avisa qualquer movimento estranho.
O que Liv não imaginava é que sua ida ao banheiro lhe causaria tanto estresse, parecia que aquele dia não tinha fim, e que todas as coisas estranhas estavam destinadas a acontecer naquela pequena viagem à Malibu.
— Olivia Pope, como pude não me lembrar da garota mais descolada e divertida da fraternidade Kappa Omega? — A voz arranhada de maneira quase sensual de Alícia atingiu os ouvidos de Liv. — Não tivemos nem mesmo a chance de conversar hoje em minha casa.
— Pois é, diante daquele pequeno teatro oferecido por você e pelo Governador. — Liv disse guardando seu batom na bolsa. — Veio aqui para me contar qual é o bendito segredo entre vocês dois? Você sabe, pelos velhos tempos de irmandade.
— Você sabe, eu e o governador tivemos um rápido relacionamento. — Alícia retirou o rímel de sua bolsa e passou rapidamente uma camada em cada cílios. — Acredite, que apesar de ter passado dos 45, continua gostoso. Imagine só o presidente? Com aquele jeito todo rude...ai, meu papai! Morreria se ele me levasse para a cama.
— Coisa que não aconteceria, afinal você adora mídia e a última coisa que Fitzgerald precisa é uma garota espalhando aos quatro ventos como foi delicioso tê-lo dentro de si.
— Você me julga mal. Aliás, julga mal as pessoas que conhece.
— O que quer dizer com isso?
— Edison parece um cara maravilhoso, e sexualmente falando é mestre — ela suspirou, meio nostálgica. — Mas não vale de nada quando ele simplesmente vira as costas para você. E acredite, é exatamente isso que ele vai fazer.
— Não ouse falar mal de Edison, ele é meu amigo de longa data.
— E está te usando. Para quê? Isso eu não sei, mas em breve acabará por descobrir, porque esse é o Edison, e é isso que ele faz.
— Não vou perder meu tempo com você. — Liv segurou sua bolsinha e ia saindo, quando Alícia segurou o braço da garota.
— Cuidado onde você pisa, Liv. Você deve saber melhor do que ninguém que eles são todos um bando de corvos, loucos para devorar.
— Eu digo exatamente a mesma coisa para você. — Liv disse antes de livrar seu braço da mão de Alícia. Ela saiu do banheiro, ajeitando seu vestido e tentando se recompor, mas não deu nem mesmo tempo, pois depois de se perder, acabou em um corredor enorme.
O pior nem foi o fato de se perder, mas sim o que viu diante de seus olhos.
— Eu pedi que encontrasse essa droga desse arquivo há mais de trinta minutos, Jace! — o presidente estava vociferando ao telefone com alguém, o que fez Liv congelar onde estava. Ela deveria ter ido embora dali. — Quando te contratei falei que deveria mudar, deveria ser diferente do que tem se apresentado para mim. Você tem tornado minha vida, que não é fácil, em algo pior. Não preciso de gente assim no meu time.
Ela sabia que ele provavelmente estava falando sobre algo importante e que aquele arquivo que ele havia citado, era algo importante. Mas os seus pés pareciam ter criado raízes, sua sorte era que ele estava encostado no batente da porta de uma sala e estava de costas para a garota que sentia suas mãos suando frio. Em sua cabeça gritava "Saia imediatamente daí, sua estúpida!", mas suas pernas não a obedeciam mais.
— Você está pedindo para que eu me acalme? — Fitz deu uma risada irônica. — Quer saber de uma coisa? Chega! Não precisa procurar porra nenhuma! Seu trabalho é simples, me entregar esse maldito arquivo que, aliás, devo acrescentar o nível de importância dele é altíssimo. Pelo visto você não entendeu essa parte ainda. Antes que você foda com a minha vida, resolvo isso. Você está demitido! Pedirei para alguém com mais competência para fazer o que você não deu conta.— Fitzgerald falou com tom tão áspero quanto uma lixa antes de desligar. Ele deu um suspiro moderado, cerrando os dentes e delineando suas mandíbulas.
Um dos garçons que serviam bebidas no evento se aproximou com uma bandeja na mão. Liv deu dois passos para trás, conseguindo enfim fazer com que suas pernas se movimentassem.
— Senhor Presidente, aqui está seu whisky. — o garçom que aparentava medo estendeu a bandeja e Fitz pegou o copo, levou-o até os lábios e bebeu um pouco.
— Sem gelo? Eu pedi expressamente duas pedras de gelo. — Fitz coçou a sobrancelha. — Que tipo de pessoa você deseja ser na vida? Quer ser um garçom de merda pelo resto da vida? Porque trabalhando desse jeito é o que vai ter, rapaz! Você precisa aprender a atender o que lhe for solicitado.
Liv sentiu um embrulho no estômago porque a expressão no rosto do rapaz era de tamanho medo que já começava a refletir nos olhos do mesmo, estavam marejados. Ele provavelmente tinha uns 18 anos e não sabia nem mesmo o que responder, parecia que cairia ali na frente do presidente a qualquer momento.
— Pare! — Liv falou antes mesmo que pudesse refrear sua língua e se amaldiçoou por isso, principalmente quando os olhos assustados do garçom, e os irritados de Fitz pousaram sobre ela.
— Quem você pensa que é para falar comigo desse jeito?
— Não interessa quem eu sou e sim quem você é. — Liv sentia seu coração acelerado enquanto as palavras saíam de sua boca com uma dose irrefreável de raiva. — O presidente dos Estados Unidos falando dessa maneira rude e grosseira com um dos cidadãos? Sabe que acabou de perder o voto de um eleitor em potencial, certo?
O garçom nem mesmo se deu ao luxo de olhar para o rosto de Liv e saiu dali o mais rápido que podia, tropeçando nos próprios pés. Enquanto isso, Liv aproximou-se da figura imponente de Fitz, mas ela não deixava por menos, caminhava sobre seus saltos finos com toda elegância que possuía.
— Não me interessa o voto dele. Tenho outros eleitores para me preocupar.
— Continue agindo como um babaca, um completo idiota e não terá eleitor para se preocupar, senhor presidente. — Liv falou sarcástica e Fitz deixou um sorriso de canto brotar em seus lábios.
— Insisto em perguntar-lhe, qual é o seu nome? — Fitz olhou-a de cima abaixo, deixando Liv constrangida.
— Eu insisto em não dizer. Só quero deixar bem claro que todo apoio que dei na sua última campanha ficou lá, desta vez não farei nada para sua reeleição. Um país grande como esse merece um presidente à altura e você... — Liv deu um riso debochado. — ...está longe disso.
Liv virou as costas sentindo como se um peso tivesse sido arrancado por ter dito tudo que pensava, mas logo em seguida se arrependeu e o peso da culpa se apossou dela. Ela voltou para festa pensando nas merdas que tinha acabado de dizer para o presidente. Desta vez não se perdera, pois seguira o fluxo de pessoas que seguiam conversando animadas.
— Até que enfim, estava começando a achar que tinha sido sequestrada pela Alícia. — Edison falou assim que ela pisou no salão.
— Eu acabei de fazer a pior merda da minha vida, Edison! Eu acabei com minha reputação.
— O que você fez?
— Acabei com toda a minha carreira política que nem mesmo existe direito.
— O que quer dizer com isso? — Edison perguntou começando a demonstrar aflição diante do olhar de Liv.
— Olivia Pope! — a voz de Cyrus soou através dos dois e Liv fechou a boca antes que pudesse responder Ant.
— Cyrus! — Liv forçou um sorriso gentil. Tinha grande apreço pelo braço direito do presidente, lembrava-se da época em que ele vivia em sua casa, pois ajudara seu pai durante as eleições. O pai de Liv vivia contando histórias de quando ambos eram jovens, pois foi nessa época que se conheceram. Liv tinha Cyrus como um membro da família.
Cyrus abraçou a garota, que tentava ainda se recuperar pelo que tinha dito ao presidente alguns minutos antes. Assim que se afastarem, Cyrus estendeu a mão para Edison.
— Olá, rapaz! Como está?
— Bem, tentando sobreviver, meu caro — Edison respondeu, cumprimentando-o ao apertar a mão estendida de Cyrus.
— Todos estamos. — Cyrus disse e depois se dirigiu à Liv. — Minha querida, sabe o que aconteceu com seu pai? Ele não retornou minha ligação.
— Ele deve estar meio atarefado por esses dias, Cy. Ele nunca ignoraria você. — Liv disse e perguntou-se o que o pai estava querendo fazer ao ignorar seu antigo amigo.
— Avise que preciso muito falar com ele. — Cyrus pediu, meneando a cabeça um pouco para o lado.
— Claro! — Liv respondeu e continuaram conversando, Liv tentava parecer menos nervosa, em vão e assim que o mais velho se afastou, ela virou-se para Edison.
— Preciso de algo mais forte do que champagne — disse soltando uma lufada de ar.
— O que você fez? Pelo visto é sério.
— Nada demais. — Liv pegou o copo de Edison e virou de uma vez só, arrependendo-se ao sentir o gosto forte e amargo em sua língua, após uma careta, prosseguiu. — Eu só xinguei Fitzgerald de babaca e idiota.
Nessa mesma hora, Fitz passou ao seu lado acompanhado de Cyrus, quando estava mais adiante, olhou para onde Liv estava e ela pôde jurar que vira um sorriso atrevido, quase divertido, surgindo no canto de seus lábios.
Ela não sabia exatamente o motivo, mas seu sexto sentido sabia que estava mais do que fodida.
