N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

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Capítulo 4

A luz pálida dos candelabros brilhavam no salão de festas em que acontecia o evento preparado pela senhora Graham, Fitzgerald sentou-se em uma mesa e logo foi rodeado por outros políticos que tentavam de alguma forma garantir algo de seus próprios interesses. Bando de corvos isso que eles eram para Fitzgerald.

Cyrus tratou de fazer com que todos se dispersassem ao perceber que o amigo estava com cara de poucos amigos. Fitzgerald bebeu um gole de seu whisky e se virou para onde o evento acontecia. Riu ao reparar a feição da esposa do senador Patrick Graham, ela aparentava estar cansada e abatida. A coitada, passava por poucas e boas com o marido infiel, mas, ainda assim, continuava do seu lado.

Isso lhe trouxe memórias, trouxe Mellie para seu pensamento, mas antes que ele pudesse aprofundar-se em suas memórias amargas, um vestido rosa claro brilhou diante de seus olhos, do outro lado de salão de festas. A mulher que vira há pouco e o tratara com petulância e coragem, e isso não lhe acontecia com frequência, apenas Cyrus podia fazer isso com ele, pois era seu amigo, e mesmo assim, Fitzgerald nem sempre o ouvia.

Ela tinha os olhos tão penetrantes que por um segundo ficou extasiado diante da presença dela, e o mais estranho era que ela lhe parecia muito familiar. Passou a mão pelo queixo, pensativo, e então virou-se para o amigo.

— Cy, sabe quem é aquela mulher ali? — perguntou, apontando na direção de Olivia. Cy o olhou com expressão de surpresa, e Fitzgerald perguntou-se se tinha perguntado algo estúpido.

— Não se lembra dela? — Cyrus sorriu fracamente.

— Não. Já a conheci?

— Sim, mas antes que te fale quem ela é, posso saber o que deseja com ela?

— Ela foi bastante petulante comigo agora há pouco e eu gostaria de saber de quem se trata.

— Ela é a filha do seu antigo aliado, Eli Pope. — Cyrus respondeu com um sorriso satisfeito nos lábios e Fitzgerald olhou espantado para a mulher exuberante que estava diante de seus olhares. — Olivia Pope.

Seria possível que aquela garota simples que ele vira por uma ou duas vezes há três ou quatro anos estivesse tão mudada? Não havia passado tanto tempo assim. Mas ele teve que admitir que o tempo havia feito um bem enorme a ela, seu corpo curvilíneo que parecia ter sido traçado por anjos, a sua desenvoltura ao falar, até ao gesticular ela demonstrava uma atitude forte, imponente.

Lembrou-se de quando a conhecera, foi como se um raio o tivesse atingido com a lembrança. Estava em sua casa, ali mesmo na Califórnia, quando ainda era o governador do estado. Mellie havia preparado um jantar em agradecimento aos aliados da campanha presidencial, e a família Pope esteve presente, bem como a aquela doce, porém forte e irritantemente intrometida mulher.

Ela ainda estava estudando, ainda era uma adolescente na época, lembrou-se de ter trocado uma ou duas palavras com ela sobre isso antes que fosse puxado por Cyrus para conversar com alguém, deixando então Olivia com Mellie, sua falecida e querida esposa.

Agora ela estava ali, diante dele novamente. Como uma aparição divina, apesar de ser só a beleza dela. Aquele jeito autoritário da mulher ao falar com ele, o havia irritado profundamente. Não serviria nem se fosse apenas para sexo casual, ele não gostava de mulheres que mandavam e aquela era definitivamente uma mulher que não acataria ordens dele e, por fim, disputariam o controle.

— Ela está mudada — Fitzgerald disse, tentando não demonstrar o quanto ela havia mudado e como estava surpreso com isso.

— Continua a mesma aos meus olhos. Talvez mais esperta, e aprendeu bastante coisas nos últimos anos, tem engajado em ações humanitárias. — Cyrus bebericou um gole de seu drinque antes de prosseguir, Fitzgerald prestava a atenção nas palavras do amigo. — Ela é apaixonada pela política, mas me parece que o velho Pope, não apoia a filha.

— Essa é uma carreira perigosa. — Fitzgerald falou com a voz grave, e ainda com os olhos vidrados em Olivia, que do outro lado do salão sorria animada, ao lado de Edison. Fitzgerald o conhecia, havia contratado seus serviços uma vez ou outra, mas conhecera melhores advogados do que ele, em sua opinião.

Ele se preguntou se os dois tinham algum tipo de relacionamento, e segurou a língua para não fazer essa mesma pergunta a Edison por alguns instantes, mas quando a mão de Edison roçou nos ombros de Olivia de maneira descontraída e casual, não resistiu em guardar aquele questionamento para si.

— Ela e Edison Davis possuem algum tipo de relacionamento?

— Edison? — Cyrus sacudiu a cabeça em negação. — São amigos de longa data. Algumas revistas até falaram muito sobre isso, senhor, mas ao que parece não possuem nenhum tipo de relacionamento que não seja a amizade. — o velho tombou a cabeça e levantou uma sobrancelha, olhando para o presidente, que mostrou sua expressão de cansaço.

— O quê? Porque me olha assim? — Fitzgerald perguntou, umedecendo os lábios.

— Senhor, está interessado na senhorita Pope? — Cyrus perguntou-lhe certeiro, sem rodeios, como quem arranca um band-aid.

— Eu? — Fitzgerald deixou um sorriso escapar do canto direito dos lábios. — Existe alguma possibilidade de amansar a fera? Me parece muito arredia. Se a resposta for sim, eu a colocaria na lista.

— As "pretendentes"? — Cyrus perguntou visivelmente atônito. Haviam colocado o apelido de "pretendentes" para todas as mulheres cujo o presidente havia se interessado minimamente para assumir o cargo de futura primeira-dama.

— Sim.

— Você ficou maluco? Liv não é esse tipo de mulher, meu amigo.

— Acredita que ela me chamou de babaca? — Fitzgerald disse com um sorriso divertido nos lábios, não sabendo se ficava irritado com o atrevimento dela, ou se achava graça no comportamento dela.

— Liv é o tipo de mulher que não entra em batalhas para perder. Acho que já deu para perceber do que estou falando. — Cyrus disse e riu, antes de beber o resto do líquido em seu copo.

— Acho que sim, mas não me importaria em conhecê-la melhor. — Fitzgerald sentiu seu corpo agitar-se só com a ideia de falar novamente com aquela criatura tão contraditória. Olhar de anjo, o corpo de pura tentação e uma boca tão atrevida que lhe causava fadiga por não saber nem mesmo como lidar com a mesma.

— Acredita que possa sair ileso de uma conversa com ela, Fitzgerald?

— Não sei, mas estou pagando para ver.

Fitzgerald sorriu, diante da ideia de conversar com a fera chamada Olivia. Quem sabe conseguisse arrancar dela alguma coisa além de palavras proferidas de maneira tão irritadiça? Ele estava se sentindo completamente confuso, pois queria conhecê-la, mas ao mesmo tempo queria ensinar-lhe que não devia falar daquela maneira com um presidente.

— A família dela foi convidada para o seu baile de aniversário — Cyrus disse, olhando em seu relógio.

— Ótimo. Veremos como tudo irá se desenrolar até lá.— Fitzgerald falou, seus olhos desnudando Liv de forma descarada, focando principalmente no decote generoso de seu vestido. Ela sempre se vestia daquela maneira? Imaginava como os homens se sentiam ao seu redor, e ele tinha certeza de que Edison havia tentado algo com a garota.

— Senhor, não quero interromper o banquete que está oferecendo aos seus olhos, mas precisamos ir — Cyrus disse de maneira casual. — Amanhã às dez tem uma reunião com a presidente da França.

— Aquela velha chata? — Fitzgerald falou em um tom baixo para que apenas o amigo o escutasse e se levantou.

— Exatamente. Mas lembre-se que precisamos dela para fecharmos aquele maldito acordo que estamos tentando conseguir há meses.

— Depois me falam que sou um péssimo presidente — Fitzgerald ajeitou-se, enquanto seus seguranças se aproximavam. — Se aguentassem aquela mulher por mais de dez minutos, entenderiam o quanto sou bom no que faço.

Ele caminhou com seus seguranças e Cyrus ao seu lado, foram até o governador Graham e sua esposa, se despediram brevemente e então se retiraram dali de forma discreta, apesar de ser quase impossível quando se tratava do presidente e seus homens de preto ao seu lado.

Dentro do carro, a caminho do aeroporto, lembrou-se brevemente da maneira como Olivia falou com ele, e perguntava-se porque aquela cena impregnou-se em sua mente. E principalmente, queria entender o motivo do misto de sentimentos que apossou-lhe desde então.

Mas em seu aniversário, na Casa Branca, tentaria colocar ordem naqueles olhos tempestuosos que o fitaram de modo tão intenso e que o fizera ficar sem uma resposta inteligente na ponta da língua. Talvez fosse isso que o tivesse deixado tão irritado, o fato daquela mulher exuberante tê-lo deixado sem palavras o fez sentir-se desnorteado.

Mas ele sabia bem o que fazer para contornar aquela situação.

Em toda sua vida, fora muito disputado pelas mulheres, mesmo antes de entrar para a carreira política já possuía algo que atraía as mulheres para si como mariposas se atraem à luz. Nunca teve dificuldade de conseguir quem queria, e quando entrou para a universidade perdeu-se completamente no meio daquelas mulheres que se jogavam para ele de maneira quase assustadora.

Acabou inclusive deixando toda sua popularidade subir-lhe à cabeça, tinha apenas vinte e poucos anos, e deixou-se levar pelas aventuras da vida. Bebedeiras, mulheres, festas e orgias. Se tornou um aventureiro de mão cheia, até que conhecera Mellie.

Mellie havia acabado de se formar em arquitetura, mas gostava mesmo de pintar, seu sonho era abrir um ateliê e Fitzgerald se apaixonara por ela tão rapidamente quanto um piscar de olhos. Começou a fazer de tudo para conquistá-la, mas ela sabendo de sua reputação, se afastara por diversas vezes, o que acabou fazendo-o se interessar ainda mais por ela. Fitzgerald mudou completamente em poucos meses, do farreiro e boêmio, transformou-se em um cara pacato, trabalhando na campanha de seu pai, que havia candidatado à presidência naquela época. E começou a pegar gosto pela carreira que antes desprezava com afinco. Em sua cabeça passava a ideia de que poderia ser melhor do que os políticos que vira por toda sua vida, podia ser um dos que fariam diferença de verdade.

Por fim, Mellie vendo a mudança radical em Fitzgerald, cedera às investida dele, não demoraram muito até que ele a pedisse em casamento. Ele a queria do seu lado para todo o sempre, era romântico apesar de carregar "cafajeste" como sobrenome, aliás, abandonou esse sobrenome por completo em troca do amor de Mellie.

E por fim, acreditava ter encontrado a mulher de sua vida. Casaram-se, e ela esteve sempre ao seu lado de maneira fiel, até no maldito dia do acidente de carro que levara a vida daquela linda mulher, que o fizera alguém muito melhor do que jamais poderia desejar ser. Devia sua vida à Mellie para sempre.

O dia já havia amanhecido quando Liv finalmente chegou em casa. Na noite anterior, saíra do baile tentando não deixar que percebessem sua saída e a parassem novamente como estava acontecendo toda hora. Estava cansada de conversas, e das pessoas perguntando-lhe sobre seu pai.

Tratou de arrastar Edison até o aeroporto e duas horas depois estavam voando de volta para Washington.

Entrou em seu quarto, e foi retirando suas roupas até o caminho do banheiro em seu quarto, sem se importar com a bagunça que deixava para trás. Entrou debaixo da água quente do chuveiro, deixando a mesma carregar o cansaço consigo, deixando espaço apenas para um relaxamento instantâneo, fechou os olhos aproveitando do momento.

Repentinamente, os olhos Azuis de Fitzgerald vieram a sua mente como um raio, assustando-a tanto quanto o tom de voz que ele usou ao respondê-la, seus olhos abriram em um lampejo e ela perguntou-se o motivo de estar ainda pensando naquele homem grosso, sem um pingo de educação.

Antes daquela cena, de ver o olhar assustado do garçom diante das palavras azedas e cruéis que ele proferiu para o pobre rapaz, ela ainda acreditava que ele fosse uma boa pessoa, mas depois daquilo, sua opinião mudou por completo.

Não poderia deixar de admitir que ele tinha pulso firme, e trabalhava bem. Desde que ele havia tomado posse do cargo de presidência, as coisas pareciam ter melhorado. E até a crise deixada pelo presidente antecessor foi sanada.

Mas como pessoa, fora do cargo, definitivamente havia se tornado um audacioso que não media as palavras ou a maneira rude ao usá-las. Independente disso, o seu sorriso divertido quando passara por ela ao lado de Owen fora tão sensual que ela se sentia patética por se sentir minimamente atraída por ele.

Assim que terminou o banho e voltou para o quarto, Abby já a esperava, sentada em sua cama.

— Pela sua cara, já posso cancelar todos os seus compromissos para hoje.

— Ah, por favor! — Liv disse olhando para a amiga. — Estou exausta. Aconteceram tantas coisas ontem, e para fechar com chave de ouro, chamei o presidente de babaca.

— O quê?! — a voz de Abigail subiu dois tons, e Liv apenas assentiu com a cabeça.

— Eu não sei o que me deu, simplesmente o vi sendo um idiota com um garçom e me senti no direito de defender o pobre garoto.

— E ele? Como reagiu?

— Me perguntou quem eu pensava que era, para falar com ele daquele jeito.

— Ele deve ter ficado com aquela cara séria que ele normalmente usa nos debates.

— Foi dez vezes pior — Liv relembrou-se dos olhos Azuis tão frios e afiados que por um instante a fez tremer só de lembrar. — E eu ainda respondi. Na hora foi automático, quis lembrá-lo quem ele era, mas continuou agindo como um babaca inveterado.

— E depois? — Abigail perguntou com curiosidade brilhando nos olhos.

— Saí andando como se nada tivesse acontecido. — Liv relembrou, e mais uma vez sentiu uma sensação estranha apoderando-se de seu corpo.

— Meu Deus, seria ridículo se eu achasse isso empolgante?

— Não, porque na verdade eu mesmo achei isso. Apesar de ter ficado com muito medo de me ferrar por culpa dessa minha atitude impensada.

— Me diz quando você não age por impulso? Você já cansou de se meter em várias coisas que não te diziam respeito, e foi superimpulsiva, falando coisas que não deviam, para pessoas que não deviam. — Abigail disse abraçando a agenda de couro marrom.

— Você acha que isso pode dar alguma merda? — Liv perguntou com um tom de voz preocupado.

— Não sei, ele é ocupado demais, talvez esqueça isso. Apesar de não ser muito fácil apagar da memória quando uma mulher linda e determinada diz na cara de um homem que ele é um babaca.

— E o pior é que tem aquela maldita comemoração de aniversário na Casa Branca e eu já prometi para minha mãe que iria.

— Se você der para trás, ela vai te perguntar o motivo e a não ser que tenha uma boa desculpa, ela não vai aceitar. E contar sobre esse acontecido, vai ser como jogar uma bomba nessa casa, vai tudo pelos ares e talvez sua mãe arranque os próprios cabelos em desespero.

— Imagine meu pai? — Liv falou rindo. — Aliás, falando no meu pai, acredita que o Cyrus veio me perguntar sobre meu pai? Me disse que mandou uma proposta pro assessor dele e que não houve nenhum tipo de resposta.

— Talvez ele nem tenha visto ainda, Liv. Seu pai ajudou Fitzgerald da última vez, acho meio difícil não ajudá-lo dessa vez.

— Mas o assessor do meu pai nunca deixaria de mostrar algo com tanta importância para ele — Liv passou a toalha nos cabelos molhados. — Sabe se meu pai está em casa?

— Acho que sim, já são quase 8 da manhã, ele deve estar no escritório.

— Perguntaram por mim hoje?

— Seu pai perguntou se não tomaria café, e como eu estava por perto já respondi que não tinha nem mesmo acordado ainda.

— Ótimo, não quero que ele saiba que viajei e só cheguei agora de manhã. Seria uma verdadeira luta tentar explicar o motivo da viagem. — Liv suspirou pesarosa pelo gênio tempestuoso de seu pai.

— Vai falar com ele sobre a proposta do presidente?

— Sim, vou comentar que o encontrei há alguns dias. Não vou mencionar o baile de ontem em Malibu.

— E sobre os compromissos de hoje?

— Pode cancelar tudo. Hoje eu quero só descansar, me jogar nessa cama e dormir o dia inteiro.

— Certo. — Abigail assentiu abrindo a agenda e fazendo algumas anotações.

Liv terminou de se vestir e desceu as escadas da mansão dos Pope sem muita correria, havia pensado muito se realmente queria conversar com o pai sobre a posição do mesmo quanto a apoiar ou não a candidatura de Fitzgerald.

Apesar do comportamento de Fitzgerald, ela sabia que o mesmo merecia o apoio dos políticos influentes, e seu pai que fora governador, e vice-presidente há muitos anos, ainda tinha o carinho dos cidadãos do país. Mesmo aposentado, era sempre convidado para campanhas em todo o país, todos queriam o apoio de Eli Pope. O presidente não ficaria de fora.

Liv deu duas batidas fracas na porta do escritório do pai e a voz grave do mesmo a atingiu.

— Entre.

— Pai? — Liv disse ao abrir a porta e entrar. Ele estava concentrado, lendo alguns papéis, mas largou todos e olhou para a filha.

— Sim, minha filha? O que houve?

— Vim te fazer uma pergunta.

— Sobre?

— O presidente. — Liv disse e reparou que o pai se ajeitou-se de maneira desconfortável na cadeira de couro em que estava sentado.

— O que tem ele?

— Há alguns dias me encontrei com Cyrus, e ele comentou que tentou falar com você e que não obteve resposta. Acredito que seja sobre o apoio a candidatura de Fitzgerald.

— Eu recebi a proposta.

— E?

— E o que você quer saber?

— Pai, você vai apoiá-lo? Porque do outro lado tem a Sally e não sei o motivo, mas não confio naquela velha. — Liv falou e sentou-se na cadeira em frente a mesa.

— Mas não é você que defende o direito feminino na política? Inclusive tem essas ideias mirabolantes de um dia querer entrar para esse mundo?

— O fato dela ser mulher não a faz uma pessoa melhor, isso é uma questão de caráter e personalidade.

— Claro. Mas posso saber de onde tirou essa ideia de que Sally não é uma boa pessoa?

— Não sei, ela me soa falsa na maior parte do tempo.

— Os valores morais e éticos dela são imprescindíveis.

— Paizinho, é só impressão minha ou você está defendendo demais a candidata? — Liv perguntou desconfiada e então botou os seus neurônios para funcionar. Não demorou muito para chegar a uma chocante conclusão. — Você está pensando em apoiá-la?

— Liv, não quero falar sobre esses assuntos com você.

— Por qual motivo? Só porque sou uma mulher? Por favor, não me venha com seu machismo agora! — Liv levantou-se indignada.

— Pode se acalmar? — ele apontou para a cadeira e Liv se sentou novamente. — Eu não garanti nada, e caso apoiasse Sally, não estaria sendo machista, muito pelo contrário. Ao apoiá-la levantaria a bandeira de que apoio mulheres nos cargos políticos.

— Menos sua filha, é claro.

— Olivia, já tivemos essa conversa antes. — Liv assentiu, um sorriso fraco, cheio de pesar surgiu em seu rosto.

— Sim. Mas minha vontade não mudou, pai.

— Enquanto eu estiver vivo, continuarei não apoiando e fazendo o possível para que se mantenha afastada de tudo isso. — ele curvou-se sobre a mesa antes de prosseguir. — Quando eu te falo o quanto esse mundo político é horrendo, não estou mentindo...e há tantas coisas que você não imagina, minha filha. Se descobrisse tudo de podre que há por trás do que conseguem captar. Você não duraria nem mesmo um mês.

— Você me subestima demais. — Liv disse sacudindo a cabeça e resolveu mudar de assunto antes que aquilo acabasse em uma discussão como as muitas que tivera, mas naquele momento não tinha a menor vontade de brigar. — Vai mesmo apoiar Sally?

— Ainda estou pensando. Mas não vou mentir que depois de ter recebido a proposta formal dela, me interessei bastante. E além do mais, digamos que apoiar Fitzgerald agora queimaria meu filme, ele está cavando a própria cova, e temo me afundar junto com ele se fizer a escolha errada.

— Você está certo quanto a isso. — ela disse e em seguida acrescentou baixinho, de maneira que somenta ela ouvia. — Fitzgerald está cada vez mais patético.

— O que disse?

— Nada, só concordei. Fitzgerald tem cavado uma cova bem funda com esse jeito dele.

— E eu temo que me colocando ao lado dele…

— Vai afundar junto. Já entendi. — Liv se levantou. — Vou voltar para meu quarto, não estou me sentindo muito bem hoje.

— Se precisar de médico, não hesite em falar.

— Acho que é só cansaço mesmo, ultimamente não tenho dormido direito com tantos compromissos.

— Não entendo ainda pra quê todo esse empenho.

— Porque acredite ou não, meu sonho é o mesmo de quando tinha 15 anos: Me tornar presidente algum dia. E eu tenho certeza de que ainda chego lá. — Liv disse e piscou para o pai antes de sair do escritório dele, deixando-o atônito pela maneira segura que ela falou.

Mas a verdade era que por mais segura que ela parecesse, sentia que precisaria da ajuda de alguém. Ela sabia que não poderia contar com o pai, mas que precisaria encontrar algum político que pudesse guiá-la e ajudá-la a entrar para a carreira que sempre desejou. E começaria a pensar sobre isso o quanto antes, em alguém que a colocaria no caminho correto para os seus planos futuros darem certo.