N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

N/A²: Só porque não sou aprendiz de Shonda Rhimes (não ainda) Muito Olitz nesse Capitulo, pra alegria das Olitz Shipper Ever

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Capítulo 5

Fitzgerald acordou sentindo algo que fazia tempo não saber como era, ele estava animado.

E isso porque era enfim o dia do baile de aniversário, e ele tinha planos para aquele dia. Haviam se passado alguns dias desde o baile em Malibu, e a imagem de Olivia não lhe saíra da mente desde aquele dia, e algo em sua mente lhe dizia que ela era a escolha perfeita para o cargo que tantas desejavam com afinco despudorado, o cargo de primeira-dama.

Era Liv quem tinha as qualidades para o cargo: Doce na medida, ou pelo menos seus olhos mentiam sobre isso, e ao mesmo tempo possuía a língua afiada que demonstrava que ela não seria engolida pelos seus inimigos no mundo da política.

Ele levantou-se de sua cama, tomou um banho quente e um café rápido antes de resolver alguns assuntos pendentes em seu escritório no salão oval. Estava como sempre gostou, o terno bem alinhado, feito sob medida por alfaiates da mais alta estima no mundo da moda. Fitzgerald sempre acreditou que um cargo como o dele, exigia vestimentas adequadas, e era por isso que se vestia para impressionar. Seu cabelo sempre em um penteado sério, porém jovial.

— Parece animado, senhor. — Cyrus disse e abriu um sorriso sincero. — Posso saber o motivo?

— Encontrei a mulher perfeita para o romance de mentira.

— Jura? — Cyrus perguntou e Fitzgerald assentiu. — Posso saber o nome dela? Mal posso acreditar que encontrou alguém na lista do seu gosto.

— Não estava na sua lista. — Fitzgerald disse, despreocupado ao contrário de seu assessor que levantou uma sobrancelha com certo receio.

— Não?

— Não.

— E quem é? — Cyrus perguntou e Fitzgerald notou que o amigo estava apertando os lábios, e não pode conter o riso que surgiu e escapou de seus lábios.

— Assustado, meu caro? — Fitzgerald colocou duas cartas que recebera de felicitações pelo aniversário sobre a mesa e encarou Owen.

— Não vou mentir, as suas decisões nem sempre me agradam. Mas o que posso fazer? — Cyrus fez uma expressão engraçada e dessa vez Fitzgerald deixou a risada sair.

— Não tem nem mesmo uma ideia de quem possa ser? — Fitzgerald apoiou os cotovelos sobre a mesa e uniu as mãos.

— Não mesmo. Só espero que não seja uma das vagabundas que leva para a cama.

— Fique tranquilo, acho que vai gostar da escolha.

— Pare de me enrolar e fale logo, seu bastardo!

— O que acha de Olivia Pope? — Fitzgerald disparou e Cyrus ficou em silêncio, encarando-o por alguns segundos antes de explodir em uma gargalhada alta que reverberou pelas paredes do escritório oval.

Fitzgerald levantou uma sobrancelha e fez uma expressão de desgosto diante da graça que o amigo via em sua pergunta, e esperou que ele conseguisse se acalmar.

— Liv? Acho bem difícil, senhor — Cyrus disse, ainda rindo e Fitzgerald respirou fundo.

— Está me desafiando? — Fitzgerald perguntou, apoiando o queixo em uma das mãos.

— Oh, não. Sei que leva seus desafios a sério.

— Senti cheiro de desafio, Cy. — Fitzgerald empurrou sua cadeira de couro marrom para trás e levantou-se, dando a volta na mesa e apoiando-se com a mão na mesma antes de prosseguir. — E isso só me fez desejar ainda mais trazê-la para mim.

— Sabe que se estiver realmente falando sério, terá que se comportar.

— E quem disse que não irei? — Fitzgerald perguntou, fingindo de ofendido.

— Vi como olhava para Olivia, parecia querer devorá-la.

— Ela é uma mulher maravilhosa, de fato. — Fitzgerald ficou pensativo, relembrando-se das curvas que o fizera ter sonhos tão eróticos quanto um filme pornô nas últimas noites. — Mas o temperamento dela não combinaria com o meu, ou seja, nós nunca daríamos certo, mesmo que fosse só sexualmente.

— Ótimo. Quero deixar claro que por conhecê-la há tanto tempo, estarei do lado dela e a protegerei.

— Mas você trabalha para mim.

— Não ligo para isso. Liv é como uma sobrinha para mim, a conheço desde criança e devo isso ao Eli, que conheço desde a minha adolescência.

— Porra, não imaginava que você fosse tão velho. Entendo o motivo de não namorar ninguém. - Fitzgerald disse em tom de brincadeira.

— Filho da… — Cyrus começou o xingamento, mas foi interrompido pelo olhar de Fitzgerald.

— Termine esse xingamento e eu diminuo seu salário, seu velho decrépito. — Fitzgerald disse, rindo da expressão quase irritada de Cyrus. — Mas então, acho que já pode começar a preparar o contrato.

— Mas ela não aceitou ainda. Tem certeza?

— Você dúvida mesmo de mim, não é? — Fitzgerald deu a volta, seu sapato fazendo barulho abafado pelo carpete, e então se sentou na cadeira de couro novamente. — Prepare os papéis, aliás, traga o advogado aqui. Um de nossa confiança, é claro.

— Sim, senhor. — Cyrus assentiu. — Mais alguma coisa?

— Espero que esteja pronto antes do maldito baile, preciso que esteja ao meu lado para espantar os chatos de plantão.

— Estarei a postos, Fitzgerald. Aliás, eu se fosse o senhor, daria uma olhada nos sites de fofocas. — Cyrus sorriu esperto. — Talvez eu tenha soltado uma nota falsa para alguns jornalistas. — Dito isso, ele saiu do escritório e deixou Fitzgerald sozinho, que logo abriu alguns dos sites mais visitados no país e um sorriso torto surgiu em seu rosto assim que leu a matéria que estampava a primeira página.

ROMANCE À VISTA? Ao que tudo indica os dias de solteiro do nosso querido presidente estão contados. Fontes confiáveis assumiram que o Presidente Grant estivesse envolvido até o pescoço com uma mulher linda e que o relacionamento às escondidas está prestes a se tornar público. Isso porque Fitzgerald Thomas Grant, colocou o nome dela na sua lista de convidados para sua comemoração de aniversário que será realizada hoje na Casa Branca. Será que até amanhã saberemos quem é a mulher sortuda que conquistou o coração do presidente mais sexy que esse país já teve?

Os preparativos de Liv começaram cedo, assim que ela acordou com sua mãe gritando por ela e reclamando sobre um defeito que achara em seu vestido. Liv estava temerosa pelo baile, e quisera desistir de ir, mas sua mãe a proibiu de fazer isso.

A única saída que Liv encontrou foi munir-se da cara-de-pau e ir no bendito baile, e se ela não tinha outra escolha, preferia arrumar-se e ir tão linda que ofuscasse qualquer outra mulher presente na festa. Por isso mesmo escolheu um vestido vermelho, totalmente o oposto do que deveria usar, o vestido preto e sem-graça que sua mãe dissera ser a melhor escolha.

Na opinião de Maya, a filha deveria usar algo simples, gracioso e discreto. Mas Liv decidiu que queria estar exuberante, estontanteante e seu vestido era exatamente assim. O vestido era cheio de pedras na frente e atrás possuía um decote tão profundo que chegava ao fim de suas costas, e para os seus cabelos, ela decidira ir com um coque clássico, porém quis que alguns fios ficassem soltos para dar um ar mais despojado.

Ela não estava da maneira comportada que deveria para um evento na Casa Branca, mas não se importou quando lembrou-se que detestava aquelas etiquetas de comportamento. Será que algum dia se livraria deles? Achava difícil.

— Uau! — Abby disse, parada na porta do quarto. — Dessa vez você se superou.

— Não exagera — Liv disse sorrindo timidamente ao olhar para a amiga. — Me ajuda com a maquiagem? Acabei me borrando algumas vezes e você consegue consertar o estrago que eu fiz.

— Deixa comigo. — Abigail se aproximou de Liv e pegou a caixa de maquiagens, começando a consertar o que a amiga tinha estragado. — Parece nervosa, meio ansiosa demais para esse baile.

— Coisa da sua cabeça.

— Tem certeza?

— Não. — Liv suspirou. — Eu só consigo pensar em como agir perto do Fitzgerald, e na verdade, nem sei como terei coragem de cumprimentá-lo.

— Você só pode estar brincando comigo! Liv se sentindo perdida, sem saber como agir perto de alguém.

— O que tem de demais nisso?

— Você nunca passou por isso antes, Liv. Sempre tem uma resposta na ponta da língua, e mesmo quando comete gafes imperdoáveis, consegue achar palavras que contornem a situação.

— Mas é o presidente, Abigail.

— Foda-se. Você tem que estufar esse peito e agir como sempre.

— Fingir que nada aconteceu?

— Não, muito pelo contrário. Deve mostrar que sabe muito bem o que aconteceu, mas que não se deixou abalar pelo episódio. — Abigail terminou de ajeitar a sombra nos olhos de Liv, então fechou e guardou a maquiagem.

— Você está certa.

— Sempre estou. — Abby fez uma pose poderosa. — Agora vai logo, seus pais decidiram ir sem você há mais de meia hora.

— Eles foram com Lavy? — Liv perguntou, Lavy era o motorista da família desde que ela se entendia por gente.

— Não, seu pai alugou uma limousine. Sabe que ele adora ter entradas triunfantes nesses eventos da Casa Branca.

— Tão ridículo. Até parece que não ia lá com frquência, na época em que foi o vice-presidente.

— Mas sabemos que essa mania não mudará. — Abigail disse e Liv assentiu.

— Infelizmente.

Liv deu uma última checada no espelho e então se despediu da amiga e secretária, queria muito que ela fosse a todos os eventos que participava, mas nem sempre podia levá-la por conta das festas serem privadas.

Lavy não demorou muito, o trânsito estava como sempre, Liv nem se importaria de se atrasar, ela queria demorar para chegar e então não ter que ficar na presença de Fitzgerald por muito tempo. Apesar de que, com sorte, ele nem notaria sua presença.

Pelas contas dela — porque sim, ela chegara a imaginar quantos convidados iam ao baile — seriam 500 convidados. E quase metade nem iria por serem presidentes, diplomatas e pessoas influentes de outros países, esses convidados eram aqueles típicos "convidados por educação", pois eles não deixariam seus cargos públicos para um baile, mesmo que fosse em comemoração do aniversário do presidente de uma das maiores potências mundiais.

O carro preto parou em frente a uma das várias entradas, depois de adentrar pelo enorme portão e movimentar-se pelos caminhos entre os jardins da Casa Branca. Liv desceu e alguns flashes foram disparados, mas eram bem menos dos que rodeavam a casa fora dos portões. Aqueles fotógrafos eram contratados pela Casa Branca, ela sabia a diferença.

Assim que adentrou e foi guiada por uma linda mulher até o salão em que a festa estava acontecendo, sua presença foi notada de imediato. Ela tinha se enganado ao achar que passaria despercebida, pois as pessoas a olhavam e cochichavam, provavelmente sobre a roupa que usava.

Ela perguntou a uma das anfitriãs que pareciam direcionar as pessoas até suas mesas onde estava a mesa da família Pope e a mulher esguia e esbelta, a levou até a mesa.

— Obrigada. — Liv agradeceu e a mulher acenou com a cabeça antes de retirar.

Liv olhou para seus pais e ambos a olharam com certo espanto pela roupa que ela usava, coisa que Liv já imaginava ter que lidar assim que chegasse à festa. Ela se sentou e o vestido que ia até seus pés, levantou-se um pouco mostrando um pouco de seus pés.

— Querida, te pedi para vir de maneira discreta e você veio com seu vestido mais chamativo? Não poderia ter aberto uma exceção e ouvir meus conselhos pelo menos hoje? Estamos em um evento na Casa Branca, não na casa daquele seu amigo.

— Certo, mãe — Liv bufou e revirou os olhos, se sentindo como uma adolescente de quinze anos. — Essa festa definitivamente parece diferente das que ele costumava dar. — Liv disse mudando de assunto.

— Ele sempre teve costume de festas diferentes, se lembra do último aniversário da Mellie? — Elena comentou com Liv e ela assentiu, satisfeita pela mãe ter parado de reclamar sobre sua roupa.

— Claro que me lembro, foram apenas petiscos, muita dança e sobremesas. Levantou tanta polêmica, os jornais só falavam sobre isso na época.

— Mal acredito que ela morreu naquele terrível acidente de carro — Maya deixou a feição despencar. Não era melhor amiga de Mellie, mas a tinha em grande estima apesar de que era vinte e poucos anos mais nova do que ela. — Olhe, aquela sua amiga da faculdade. Como é o nome dela?

Liv olhou para onde os olhos de sua mãe estavam e encontrou Nina Sayers, sua colega da universidade, que ao mesmo tempo a avistou e acenou, vindo em sua direção. Liv se levantou para cumprimentá-la e percebeu como ela não havia mudado nada. Continuava magra, com os ossos proeminentes, e o jeitão meio modelo de ser, apesar de não gostar nem de ouvir falar sobre isso.

O desejo de Nina era prosseguir com a carreira de advogada, e por ser filha do chefe do departamento da justiça, acabou por conseguir ser muito bem reconhecida no cargo, e Liv já esperava que ela fosse falar sobre o assunto.

— Liv, quanto tempo! — Nina falou com a voz doce, quase enjoativa.

— Pois é, da última vez que te vi mal tinha começado a trabalhar na área de advocacia e agora só escuto sobre você em todos os lugares.

— Ah, pare! Eu que escuto sobre você em todos os lugares, está em todos os jornais e revistas como a queridinha do país. Seus feitos têm ganhado a mídia. — Nina disse e Liv se sentiu surpresa ao perceber que Nina a estava elogiando em vez de perguntar sobre o que havia feito com o diploma que conquistara em Yale.

— Exagero seu. — Liv disse, rindo e sem sentindo valorizada. Mas antes que pudesse voltar a falar com a colega, seus olhos foram capturados pela figura imponente que havia acabado de entrar no local, e as palavras que saíram da boca de Nina em seguida, nem mesmo foram ouvidas pela garota.

Era engraçado como sua presença modificava o ambiente, todas as pessoas pareciam estar sentindo sua presença naquele espaço, ele tinha um poder grandioso e exalava de seu corpo e mente, ele era um líder nato. Não havia dúvidas sobre esse aspecto, ponderou Liv.

Ele parecia simples, completamente relaxado em alguns momentos, já em outros, seu corpo retesava-se completamente como se tivessem tocado em uma ferida de seu corpo. Liv pegou uma taça de champanhe oferecida por um dos garçons e bebeu um gole do champanhe com calma, saboreando o sabor da bebida solvendo-se em sua língua.

— Ele é um pedaço de mal caminho. — Liv olhou para o lado, lembrando-se de que Nina estava ali ainda. — Me espanta ainda estar solteiro, e eu entendo que as pessoas fiquem falando sobre o assunto.

— Ele é mais do que a casca bonita, lidera o país como ninguém, mas já foi mais educado. — Liv disparou e Nina sorriu sem-graça.

— É uma loucura como as pessoas parecem curvar-se quando conversam com ele.

— Eles se sentem intimidados. — Liv disse e Nina concordou com a cabeça. Mais adiante, Fitzgerald cumprimentava um grupo de homens e mulheres que pareciam importantes, mas não importava se eram homens ou mulheres, ou nem mesmo quem eles eram...todos pareciam pequenos diante daquele homem. — Sua presença é esmagadora.

E então os olhos dele subiram de forma lenta até encontrarem os de Liv. Ela respirou fundo, em busca do ar que havia sumido instantaneamente de seus pulmões, suas mãos suaram e ao seu lado Nina parecia falar algo que ela nem mesmo prestava atenção.

Porque ela reagia assim? Ela se perguntava, lembrando-se da maneira ríspida que ele vira Fitzgerald tratando um pobre garçom da festa em Malibu, aquilo não deveria mexer com seus hormônios da maneira que estava mexendo.

Ele começou a caminhar na direção de Liv, que sem saber muito bem como reagir, virou-se e deu as costas para ele antes mesmo que Fitzgerald a alcançasse. Foi em disparada de volta até a mesa em que seus pais estavam sentados, conversando animados com velhos amigos da família. Nina ficou para trás, sem entender a reação de Liv, mas a mesma nem se importou.

Liv só conseguia pensar que não deveria nem mesmo ter ido àquele baile de aniversário.

— O que houve, minha menina? — Maya perguntou à filha ao perceber a feição lívida em seu rosto.

— Nada. — Liv virou todo o conteúdo de sua taça em sua boca.

— Ora, se não é Eli Pope. — a voz dele soou quente, como se derretesse no ar. Algodão doce dissolvendo-se lentamente dentro da boca, era uma boa comparação. — Meu amigo de longa data.

Liv não ousou olhar para cima, não queria nem mesmo contato visual com ele. Seu pai se levantou e o cumprimentou, trocaram algumas palavras e então Joshua resolveu fazer o que Liv temia.

— Lembra-se da minha filha? — Eli disse indicando Olivia que o olhou com certo desprezo, tentando não reparar a barba rala que o filho da mãe insistia em deixar ali. Deixando-o um idiota completo, porém um idiota completo gostoso.

— Claro. Inclusive a encontrei em um evento há alguns dias... — Liv se levantou enquanto Fitzgerald falava e estendeu a mão para ele que parou de falar imediatamente e assustou-se pelo sorriso que estava no rosto dela.

Liv queria que ele se calasse antes que contasse que haviam se encontrado em Malibu. Seu pai a encheria de perguntas e acabaria com sua noite. Ela queria evitar discussões com o pai, estava farta de todas elas.

— É um prazer revê-lo, senhor presidente! — Liv disse ainda com um sorriso falso e plastificado no rosto. Detestava ter que fingir estar bem com ele após a pequena discussão do dois.

— Acredite, o prazer é inteiramente meu. — A voz de Fitz parecia normal, ou ao menos era para soar normal, mas a parte entre as pernas de Liv não entendera isso. Ela apertou as coxas lentamente quando sentiu a pele quente da palma de sua mão roçando na sua pele suada pelo nervosismo. Uma corrente elétrica percorreu pelo seu braço quando ele apertou a mão dela de forma firme, forte e ao mesmo tempo com cuidado, como se evitasse machucá-la.

Ela se sentiu patética por estar tão atraída por ele, e tentou se lembrar de como ele havia sido rude, mas nada em sua mente conseguia ocupar o desejo que palpitava e percorria sua corrente sanguínea.

— Sua esposa continua magnífica — Fitzgerald falou sorrindo, com a mão ainda entrelaçada à mão de Liv.

— Ora, se continuar elogiando minha esposa terei que tomar medidas de precaução. — Eli falou em tom de brincadeira, arrancando uma risada de Fitzgerald, que Liv julgou como forçada e aproveitou o momento para puxar sua mão, afastando-se do perigo que era sentir o calor de Fitzgerald envolvendo-a.

— Não será necessário, meu amigo. Sabe que tenho um respeito imensurável para você e sua família — ele olhou para Liv, seu típico sorriso atrevido brilhou através dos dentes brancos e Liv respirou fundo, tentando encontrar o ar que parecia ter sumido completamente de seus pulmões. — Bom, se me dão licença, preciso cumprimentar os outros convidados.

— Claro! Aproveite sua festa — Eli falou, e Liv perguntou-se como todos os políticos conseguiam ser tão falsos. Seu pai dias antes tinha dito que não sabia se apoiaria Fitzgerald, inclusive falou mal da reputação dele, e ali estava ele sorrindo como se fosse melhor amigo do presidente.

Fitzgerald fez um cumprimento com a cabeça e pediu licença novamente, antes de se retirar, indo até outra mesa. Liv sentiu pena dele por um instante, pois sabia que aquilo era cansativo ao extremo, quando tinha apenas 5 ou 6 anos, via seu pai em eventos daquele tipo e quando chegava em casa ouvia as reclamações de seu pai e foi assim durante toda sua vida.

— Acho que esse ano, a Cúpula das Américas vai ser bem tensa… — o pai de Liv começou a falar com um dos amigos dele que havia se sentado na mesa e Liv desligou-se da conversa, tentando entender os sentimentos bagunçados dentro de si.

Um cabelo bem penteado, um terno alinhado que se adequava ao corpo, um perfume amadeirado que causava uma aflição, aquele olhar debochado que ele carregava consigo, e o sorriso matador que fazia qualquer um tremer nas bases. Aquilo era suficiente para fazê-la suar, não era? Era aceitável que ela sentisse calor diante dele, mesmo que por dentro ele fosse completamente o oposto e a fizesse querer fugir para bem longe dele. Ou não?

A festa toda a partir dali, transcorreu com tranquilidade, tirando os momentos em que Fitzgerald insistia em olhar para Liv, fazendo com que ela sentisse estranha e por vezes sem saber nem mesmo como agir. O discurso de Fitzgerald foi intenso, porém ele não falou nada pesado ou grosseiro como andava fazendo ns últimos tempos.

Liv teve certeza de que tudo que ele falou foi minuciosamente escrito por Cyrus e ele apenas leu o que estava no papel. Para ganhar a eleição, Fitzgerald teria que mudar seu comportamento e aquela seria apenas umas das várias medidas que seriam tomadas por Cyrus, para que Fitzgerald pudesse alcançar o que queria.

Logo depois, foi que tudo pareceu desmoronar dentro de Liv. As coisas que aconteceram a seguir foram tudo, menos o que Liv esperava que pudesse acontecer.

Havia uma tradição, a primeira dança depois do discurso formal, era de Fitzgerald com a esposa, mas como a esposa havia falecido a primeira escolha seria sua mãe, se ela estivesse viva. Então, Liv se perguntava como seria aquela dança, já que era o primeiro que Fitz fazia depois da morte de Mellie.

— Nosso presidente escolherá uma dama essa noite para a primeira dança. — Liv encostou-se despojada em uma das pilastras ao ouvir a voz da mulher que estava no palo daquele enorme salão. As mulheres perto dela pareciam terem acendido um fusível no corpo, uma ignição que fazia com que todas se remexessem, e era óbvio o motivo do alvoroço. Elas queriam dançar com Fitzgerald.

Imagine só que 80% daquelas mulheres ali não viam o instrumento sexual de seus maridos trabalharem há bastante tempo, aquela dança era o que tinha mais próximo de movimento sexual para elas. Algumas jovens pareciam interessadas, outras com uma atitude meio blasé quando na verdade queriam e muito ser escolhidas. A única que estava indiferente, era Liv.

(Dê play na música Feeling Good - Michael Bublé: watch?v=Edwsf-8F3sI)

Era claro a força, a tensão quente que existia e emanava de Fitz, mas ela sabia que seria encrenca pura se ela deixasse que seu corpo ficasse próximo dele. Aquele olhar estranho dele que a tomava por completo como labaredas de fogo subindo. Ela era mais forte do que aquilo. Ou não.

Ele caminhava firme, sua mandíbula travada de uma maneira que ficava sensual, seu balançado enquanto andava de quem dominava o mundo. E ele fazia isso com maestria.

"Droga!", Liv pensou enquanto ele caminhava para a direção onde estava, e ela olhou para os lados, tentando ver quem ele poderia escolher ali por perto. Algumas senhoras de idade mais avançada seria uma escolha sensata, para evitar o falatório e as fofocas que explodiriam mundialmente.

Mas sua boca se abriu ligeiramente em espanto quando ele parou diante dela, ela retesou seu corpo e ele estendeu sua mão para ela. Ah, aquela mão quente que causava formigamentos. Ela não tinha nem mesmo se recuperado do primeiro contato.

— Me daria a honra desta dança, Senhorita Pope? — ele perguntou e as mulheres ao redor a olhavam com inveja palpável. Seria demais responder um sonoro "não"? Era isso que Liv queria fazer, evitar o contato. Mas por outro lado, seu corpo a traía de maneira implacável, desejando aproximar-se e sentir o calor daquele corpo másculo envolvendo-a por completo.

— Sim, Senhor Presidente. — ele pareceu fazer uma expressão de tortura, como quem tivesse odiado ouvi-la chamando daquele jeito. Ela estendeu a mão, colocando-a sobre a dele que segurou firme. Liv sentia suas bochechas ardendo, os flashes foram disparados instantaneamente sobre os dois, rápidos como pipoca estourando.

Eles estavam no meio da pista, Fitzgerald segurou a cintura dela e Liv fez força para não se remexer ali. Segurava na mão dele com uma das mãos, e a outa foi para o ombro de Fitzgerald. A música começou lentamente e eles se movimentavam de acordo com os acordes.

— Não me chame mais de "senhor presidente" daquela maneira. — Fitzgerald disparou com seu habitual sorriso enviesado, Liv olhava sobre o ombro dele, tentava sorrir e disfarçar a tensão contida ali, mas sabia que estava forçado.

— Me desculpe, mas acredito que devo tratá-lo com toda formalidade que se pede, Senhor Presidente. — Liv respondeu atrevida, rebatendo e achando que estava saindo por cima da situação.

— Quer mesmo me deixar duro no meio do meu baile de aniversário? — Fitz falou com a voz grossa e a expressão de espanto que tomou o rosto de Liv o divertiu, ela reparou pelo canto do olho antes de engolir seco. — Diante de tantos conhecidos, tantos fotógrafos...seria uma vergonha para ambos.

— Como ousa?

— O quê? Não venha com essa, querida. Não sou eu quem está usando esse vestido que se adéqua milimetricamente a cada curva de seu corpo e me deixa salivando.

— Continue falando assim comigo e eu te dou um tapa aqui na frente de todos. Não tenho medo de você, Fitz.

— É valente e gosta de dominar? Acho que agora não conseguirei te tirar da minha cabeça.— Fitzgerald fez um movimento de dança que pegou Liv de surpresa e fez todos aplaudirem. Quando girou o corpo de Liv voltou para junto do dele, os corpos dos dois ficaram completamente colados. A respiração de Liv estava completamente desregular enquanto a mão dele deslizava sutilmente pelas costas nuas da garota.

A pista foi enchendo aos poucos, Liv pedindo mentalmente aos céus que aquela dança acabasse, mas a música parecia uma sinfonia eterna, uma tortura lenta e ela sabia que no fundo, era deliciosa.

— Com tantas mulheres aqui, porque me tirou para dançar? Tem prazer em me torturar? Sabe que não gosto de sua presença, deixei isso bem claro na última vez que nos vimos.

— Querida, eu tenho prazer em outras coisas. Eu adoraria mostrar todas elas para você, pois acredito que o prazer seria mútuo. Mas você teria que mudar esse comportamento tempestuoso.

— Não consegue responder nem mesmo uma pergunta sem soar um safado pervertido? — Liv rolou os olhos e Fitz riu de sua atitude, ela teve vontade de arrancar seu sorriso e guardá-lo em um pote especial para olhá-lo sempre que possível. Ela se odiou por não encontrar defeitos no físico dele.

— Eu te chamei para dançar porque você me atrai de uma maneira incomum, completamente insana. Há muito tempo não sinto assim, tão atraído por alguém e é como se meu corpo decidisse que te quer por perto. — ele respondeu e Liv acreditou que parecia sincero e o ouvia atentamente. — Eu só estou obedecendo aos meus instintos.

— Se eu obedecesse os meus instintos agora, você estaria sozinho nessa pista.

— Você está mentindo. — Fitzgerald disse seguro de suas palavras. — A maneira como você se remexeu em meus braços comprova o que já imaginava, senhorita Pope.

— Jura? E o que foi comprovado? — Liv perguntou, arrependendo-se pois estava entrando em um beco sem saída. A música acabou justamente na hora e uma nova do Tony Bennet começou logo em seguida.

— Que você vai acabar cedendo. — Fitz respondeu e inicialmente ela ficou sem entender, e quando abriu a boca para falar, ele continuou. — Não adianta abrir essa boca deliciosa para rebater. Não há escapatória, quando eu quero algo...eu normalmente consigo. — ele prendeu um botão de seu terno e fez um gesto com a cabeça, cumprimentando-a de maneira polida e educada, como não tivesse falado nenhuma safadeza ao pé de seu ouvido alguns segundos antes. — Obrigada pelo pequeno prazer que foi essa dança, Senhorita Pope. — Ele piscou e então a deixou atônita, com os olhos petrificados.

"Pequeno prazer? Pequeno?", ela pensou imaginando o tanto de prazer que seria o gigante.

Ela sentiu a força das palavras dele em seu corpo, sentia a mão dele deslizando no decote das costas de seu vestido, como se ela ainda estivesse ali. A sensação de formigamento, tomava conta dela por completo.

Sua presença era definitiva esmagadora. Ela lembrou-se do que havia dito para Nina, e apenas confirmou o que disse, aliás, uma confirmação daquelas era bem mais do que jamais esperaria.

Seu corpo estava em brasas, quando olhou ao redor e percebeu que algumas pessoas dançavam ali, outra a olhavam com inveja e ela seguiu até a direção de onde julgou ser o banheiro, mas como sempre se enfiou onde não devia, mas dessa vez a situação ficou estranha.

De repente, surgiram dois homens altos, usavam ternos e aqueles fones de ouvido que os seguranças normalmente usam, ela estava acostumada com eles. Zedd era o seu segurança, estava sempre por perto, mesmo que ela nem mesmo se lembrasse disso em alguns momentos, ela pedira para que ele estivesse sempre por perto, mas que não andasse grudado nela como normalmente os seguranças faziam.

Os dois seguranças que surgiram em sua frente, se posicionaram no meio do corredor, impedindo a passagem dela, Liv sorriu amarelo.

— Eu acho que me confundi com o caminho. — Liv disse e deu meia volta, voltando para a festa, mas deu de cara com mais dois seguranças bloqueando seu caminho e se assustou, tentou desvencilhar-se deles, mas eles não saíram dali. — Podem me dar licença? — Liv pediu, deixando a impaciência transparecer em suas palavras.

— Podem se afastar. — Aquela voz novamente. Liv arregalou os olhos ao ver Fitzgerald se aproximando, os seguranças abriram espaço para ela, que tentou seguir em frente, e voltar para a festa.

Mas a mão áspera de Fitz segurou seu pulso, ela olhou para o local onde a mão dele estava e subiu o olhar, alcançando os olhos Azuis dele, as duas órbitas Azuis brilhavam em desafio, assim como o sorriso debochado que ele abriu.

— Senhor presidente, poderia soltar o meu braço? — Liv pediu, a raiva impregnada nas suas palavras não atingiram o presidente, que a olhava indiferente a isso.

— Preciso que me acompanhe, senhorita Pope. Preciso conversar com você sobre algo de grande importância — Fitzgerald disse e Liv sentiu-se assustada com o que ele poderia querer falar com ela.

— Posso saber sobre o assunto? — Liv perguntou sentindo os dedos de Fitz se remexendo ali lentamente, seu coração estava disparado e Fitzgerald pareceu sentir através da pulsação dela.

— Fique tranquila. Não é sobre o que aconteceu em Malibu, o assunto é outro. — Fitzgerald disse e ela relaxou um pouco, mas foi por milésimos de segundos, antes que ele se aproximasse dela. Ela olhou para trás, para garantir que não tinha ninguém por ali além dos quatro seguranças que estavam de costas para a pequena cena que acontecia entre os dois.

— Nós acabamos de dançar, acho que já falou tudo o que tinha de ser falado. — Liv disse e Fitzgerald deu um passo em sua direção.

— Eu preciso falar a sós com você. — Fitz disse enquanto Liv tentava em vão se livrar da mão de Fitzgerald que a segurava firme. Ele deu um segundo passo em sua direção e Liv deu outro para trás em reflexo. — Eu não vou transar com você. — Liv disse e quis morder a língua por ter dito aquilo, Fitzgerald sorriu malicioso.

— Você diz que tudo que falo soa pervertido, mas a mente suja não é a minha. — Fitzgerald disse e deu outro passo na direção de Liv, que ia dar mais um passo para trás, se afastando. Mas ela foi surpreendida pelo braço do presidente envolvendo sua cintura. Sentiu a região pélvica se contrair quando ele aproximou os lábios de seus ouvidos e disse em tom confidencial. — Adoraria te comer de todas as maneiras, mas decidi que preciso de você para outro assunto, algo mais importante. — Liv assustou-se com a calma que ele teve ao falar tão sujo com ela e desequilibrou-se um pouco, então segurou-se no braço musculoso do presidente, e mesmo por cima do smoking pôde notar como era musculoso.

— E que assunto seria esse? — Liv olhou de canto para Fitzgerald que tinha um sorriso malicioso nos lábios. Sua voz saiu baixa e rouca, ela poderia tentar negar o quanto quisesse, mas estava completamente excitada com aquela maneira que Fitzgerald a estava tratando. — Não sei se estou afim de ouvir algo que venha de você.

— Não posso falar aqui, mas só posso adiantar que seria a minha salvação e a do país. Se você se interessar, espere até o final da comemoração, e venha até nesse mesmo corredor. — Fitzgerald disse roçando os lábios na orelha de Liv, fazendo-a arrepiar por completo. — Seu perfume é delicioso. Principalmente o perfume de sexo, exalado de seus poros. Posso senti-lo daqui, imagino como não está o estado de sua calcinha. Há quanto tempo não é fodida, senhorita Pope? — Fitzgerald disse baixo em seu ouvido, fazendo com que Liv sentisse a boca seca e a respiração se desregulando ainda mais.

Fitzgerald a olhou sorridente, seu típico sorriso maroto e atrevido, segurou delicadamente uma de suas mãos, e depositou um beijo demorado ali e logo depois afastou-se com seus seguranças em seu encalço, deixando Liv ali completamente atordoada.

Completamente excitada.

Completamente encharcada.

Raiva e desejo misturavam-se em sua corrente sanguínea, ela queria xingá-lo por dizer tais coisas em seu ouvido, mas, ao mesmo tempo, queria insultá-lo por ter dito tudo aquilo e depois tê-la deixado da maneira que fez.

Ela teve certeza de que perto do presidente estava em uma situação difícil, quase sem-saída, ela via algo incerto e perigoso brilhar nos olhos dele, mas o maior problema, era que a garota sempre tivera uma queda pelo perigo.