N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.
Capítulo 6
Liv não conseguiu nem mesmo se conter mais durante a festa, seu nervosismo e ansiedade diante da ideia de ter que ficar sozinha e perto do presidente novamente, a fez ficar completamente desligada das palavras que todas as pessoas que se aproximavam dela proferiam.
Algumas pessoas a olhavam e cochichavam, e ela fingia não reparar. Em certo momento descobriu que o motivo dos cochichos era a sua dança com presidente. Ela ouvira uma senhora de quarenta e poucos anos comentar que ele provavelmente estava "traçando" a filha do ex-governador Eli Pope. Um comentário tão abusivo que ela poderia ter virado a mão na cara da dondoca sem pesatanejar, isso se ela não tivesse sido preparada a vida inteira para lidar com situações como aquelas.
Ela aprendera a engolir muitos comentários daqueles, e apenas riu da audácia da mulher, que notando o quão perto estava de Liv, fez uma expressão que beirava o desespero misturado com um pedido de desculpas. Liv apenas sacudiu a cabeça e virou-se para sua mãe que a chamava insistentemente.
— Estamos indo embora, minha linda. — Maya falou com Liv, que assentiu para a mãe.
— Vou ficar mais um pouco. — Liv disse, fingindo desinteresse, quando na verdade sua aflição era visível.
— Vocês está bem, Liv? — Maya perguntou com o tom típico de mãe preocupada.
— Sim. Porque pergunta? — Liv olhou para o outro lado do salão, tentando esconder sua feição.
— Te conheço, só isso. Mas sei que não irá me contar o motivo de tal preocupação, então vou respeitar e não insistirei.
— Obrigada, mãe. Sei que escondo algumas coisas de você, mas é porque sei que se souber teria um colapso nervoso.
— Isso me acalma muito. — Maya disse de maneira sarcástica, arrancado um riso de Liv. Maya se levantou e beijou o rosto da filha antes de segurar na mão do marido.
— Vamos? — Eli, que já estava de pé, perguntou de maneira carinhosa para a esposa que sorriu ao assentir. — Vai continuar aqui, Liv? — ele perguntou para a filha.
— Sim, quero conversar com alguns contatos e me despedir de Cyrus. — Liv respondeu em tom ameno.
Liv se despediu deles, e os viu se despedindo de alguns amigos e conhecidos, antes de partirem para a casa. Tratou de pegar um drinque servido pelo garçom da festa, e bebeu em goles rápidos, sentindo a bebida amargar e arranhar, mas ela precisava daquilo para acalmar os ânimos que estavam mais do que acelerados.
Ela só conseguia se perguntar, como Fitzgerald pôde ser tão atrevido ao perguntar algo tão íntimo.
"Há quanto tempo não é fodida, senhorita Pope?"
A perguntava ecoava em sua mente, as palavras ditas de forma tão casual causaram nela um furacão. Que merda estava acontecendo ali? Aquele misto de raiva e desejo formando no âmago, enquanto ela tentava decidir qual era a melhor postura a ser tomada.
Ela deveria ter dado um tapa na cara dele, e que se foda o fato dele ser o presidente.
Seus pensamentos foram interrompidos por Susan Ross, a governadora do estado de New Jersey, tinha conversado algumas vezes com a mulher que tinha alguns quilinhos a mais, e aparentava ter por volta dos quarenta e poucos anos, mas sentira simpatia por ela desde o primeiro contato.
— Olivia Pope. — ela falou e Liv sorriu, levantado para cumprimentá-la.
— Susan, como vai?
— Não tão bem quanto você e matando vários leões por dia. — Susan disse rindo. — E como pode ver, fazendo piadas sobre meus colegas de trabalho. Mas estou sendo até generosa ao chamá-los de leões, pois eles estão mais para cobras peçonhentas. — Susan disse e Liv riu.
— Imagino que seu trabalho não deve estar te deixando em paz.
— Acredite, não sei o que é ir na sorveteria com minha pequena filha há meses. Esse trabalho arranca cada gota de seu ser. Você ainda tem a ideia de se tornar uma de nós, Liv? Porque deixe-me alertar, ainda dá tempo de fugir. — a governadora disse para Liv que ria da maneira engraçada que Susan usava para falar, além da mania de gesticular com as mãos que as faziam mais engraçada ainda.
— Ainda tenho essa pretensão, não me desanime. — Liv disse em meios aos risos.
— Eu tenho pena do coitado do Fitzgerald. — Liv sentira um estranho rebuliço em seu corpo ao ouvir aquele nome. — Ele é tão jovem para ser presidente, e ter que lidar com a morte da esposa….Argh! Não sei se conseguiria continuar, sabe? Esse mundo é muito cruel quando não se tem alguém em quem se apoiar de verdade. Sem meu marido, que suporta todos os meus ataques de fúrias, eu já teria desistido de tudo.
— Eu tenho pena dele também. Se tornou uma pessoa irreconhecível. — Liv disse, sua voz era de puro lamento.
— Ele deixou a amargura tomar conta dele, mas acredito que ele ainda tenha conserto. — Susan disse de forma relaxada e Liv se perguntou se Susan estaria certa sobre isso. — Bom, minha querida, não posso mais demorar aqui, apesar de estar amando tudo, principalmente as comidas. — ela gargalhou antes de prosseguir, arrancando o riso de forma fácil de Liv. Susan era autêntica, e isso era uma das coisas que mais admirava nela. — Minha filha me espera, aposto que está deitada em sua cama, esperando pelo meu beijo de boa noite.
— Mande um beijo, apesar de que eu duvido que ela se lembre de mim.
— Ela guardou você na memória, querida. Sempre grita quando aparece na televisão ou te vê em alguma revista, já me confidenciou que quer ser como você quando crescer e outra mãe poderia se sentir ofendida pelo fato da filha querer se espelhar em outra pessoa que não a própria, mas eu jamais me ofenderia com isso. Se minha Maddie que ainda tem 6 anos, chegar aos 24 da mesma maneira que você, serei uma mãe muito orgulhosa.
— Obrigada, Susan. Você é sempre doce comigo. — Liv agradeceu, antes de abraçá-la. Ainda abraçada a Susan, ela vira Fitzgerald olhando para ela de maneira fixa, e então sua cabeça tombou para o lado do corredor, e sua mão aberta, que ao ver de Liv indicava cinco minutos.
Por um segundo, não teve certeza se era realmente aquilo que queria. Susan tagarelava em seu ouvido e nem mesmo uma palavra foi ouvida naqueles milésimos de segundos, até que Liv tomou coragem e assentiu com a cabeça. Estava feito. Se teria como volta atrás? Ela nem mesmo se perguntou sobre isso, pois Liv era determinada e quando colocava algo em sua cabeça, ia até o fim, mesmo que as consequências pudessem ser ruins.
Susan e ela se despediram e assim que vira a mulher rechonchuda se afastando, levantou-se e foi em direção ao corredor em que tivera o breve encontro com o presidente mais cedo. Seu estômago parecia infestado por borboletas, e em sua cabeça só passava a ideia dela ter que fazer algo grandioso para realmente salvar o país. Aliás, esse era o único motivo de ter ignorado as palavras sujas de Fitz e ir ao seu encontro novamente.
Ela encostou-se na parede, tentando manter o equilíbrio, físico e mental. Já que se sentia completamente perdida diante daquela situação estranha e anormal. Abriu a bolsa carteira e olhou para o visor do celular, de maneira ansiosa. Só esperava que ele não estivesse brincando com ela.
— Você veio mesmo. — A voz grossa de Fitzgerald chegou aos seus ouvidos, e ela deu um pulo, sobressaltando de susto.
— Você fez um pedido realmente sério.
— Qual deles?
— Que me recordo só fez um.
— Ah, é claro. O de salvar o país. — ele passou a mão pelo queixo, a barba que ele sempre deixava crescer um pouquinho estava ali, deixando-o mais sedutor ainda. — Me desculpe, é que mentalmente te fiz outros pedidos, mas isso é algo que não vem ao caso agora. — Fitzgerald disse com o sorriso de canto brotando e Liv pigarreou antes de responder.
— Então, fale logo.
— Não aqui. — ele disse e então começou a caminhar, dois seguranças estavam atrás dele.
Liv não teve outra saída a não ser segui-lo por entre os intermináveis corredores da Casa Branca, enquanto caminhava, ela se perguntou como era possível memorizar todos os caminhos daquele lugar. Fitzgerald entrou por uma porta, e fez sinal com dois dedos para os seguranças que pararam diante da mesma e ficaram naquela típica posição séria.
— Pelo visto, o assunto é sério mesmo. — falou baixinho e ele sorriu, abrindo passagem para Liv.
— Você não imagina o quanto. — ele disse e Liv pôde repara que a voz dele aparentava cansaço.
Liv entrou na sala, e lá dentro estava Cyrus, sentado a uma enorme mesa, parecia uma sala de reuniões qualquer, se não tivesse sentindo um zunido estranho no ouvido quando a porta foi fechada. A sala tinha proteção acústica, e não parecia possuir nenhum aparelho eletrônico ali. As paredes eram de um tom cinza-gelo, completamente lisas, sem nenhum quadro ou enfeite.
— Essa sala é uma das poucas em que podemos conversar sem sermos filmados pelas câmeras de vigilância. Sente-se, Liv. Fique à vontade. — Cyrus disse e apontou para uma das várias cadeiras dispostas em volta de enorme mesa branca e arredondada. — Como pode perceber, a situação é realmente importante. Se o que falarmos aqui, cair em mãos, ou ouvidos errados, corremos um risco enorme.
— Certo, agora eu estou começando a ficar assustada. — Liv disse com a voz meio trêmula.
— Não se preocupe, querida. Vai ser rápido e indolor. — Fitzgerald disse, se sentou em um das cadeiras de maneira ereta, porém despojado. Liv não riu da piadinha dele e revirou os olhos diante do sorriso cheio de sarcasmo dele.
— Então, fale. — Liv ordenou, ficando impaciente com todo aquele cenário criado pelos dois homens.
Liv não queria admitir, mas no momento em que vira Cyrus, tivera certeza de que o presidente não estava brincando. A primeira coisa que passou na cabeça dela, era algo relacionado com seu pai apoiando a candidatura de Fitzgerald, e depois pensou que eles tivessem descoberto sobre a possibilidade de seu pai querer apoiar Sally Langston, a candidata da oposição. Mas o que ouviu em seguida foi um choque.
— Quero que se case comigo. — Fitzgerald disse, simples como se tivesse pedindo por um copo de água, como se comentasse como o tempo estava chuvoso.
Liv abriu a boca várias vezes, tentando achar palavras para responder e então Cyrus bateu a mão na mesa impaciente, assustando Liv.
— Porra, Fitzgerald. Era assim que queria conversar com ela?
— Ora, sabe que não gosto de ficar dando voltas no assunto. Gosto de ir direto ao ponto. — Fitzgerald disse fazendo um gesto de quem não importava usando uma das mãos. Os dois foram interrompidos pela gargalhada alta de Liv.
— Vocês só podem estar brincando comigo. — ela disse em meio a gargalhada, levando a mão à boca, como se aquele gesto fosse conter o riso que escapava de si.
— Receio não ser uma brincadeira, Liv. — Cyrus disse e olhou de forma severa para Fitzgerald, que revirou os olhos.
— Ah, ok. Velho rabugento, está sempre certo. — Fitzgerald se levantou de onde estava, foi até Cyrus e pegou duas pastas que estavam nas mãos dele. — Deixe-me sozinho com a senhorita Pope, Cy.
— Mas, senhor…
— Saia agora, Cyrus. Não foi um pedido. — Fitzgerald mudou sua expressão antes indiferente para uma carregada de empáfia. Cyrus se levantou contrariado, e acenou com a cabeça para Liv que tinha a expressão completamente confusa, para não dizer, assustada.
Se aquilo não era brincadeira, que merda era aquela? Um pedido de casamento mesmo? Estava nova demais para pensar em casamentos, na verdade, colocara isso em sua cabeça desde a adolescência. Para Liv, precisava construir uma carreira minimamente sólida antes de se envolver seriamente com alguém a ponto de se casar.
— Agora que estamos sozinhos, deixe eu te explicar. — Fitzgerald disse e se sentou ao lado de Liv, que retesou o corpo.
— Você pode repetir o que me pediu? — Liv pediu, incrédula.
— Eu pedi que se casasse comigo, senhorita Pope. — Fitzgerald disse e antes que Liv abrisse a boca, ele continuou. — Mas não seria real.
— Acho que continuo confusa. — Liv disse, vincando a testa. — Não acha que isso tudo parece muito surreal?
— Parece. Eu disse isso para Cyrus, mas ele insiste que se eu mostrar uma imagem regenerada para os cidadãos do país, eles vão voltar a ter credibilidade em mim.
— E por isso essa ideia de casamento?
— Exatamente. — Fitzgerald tomou fôlego antes de prosseguir, na verdade parecia tomar um tempo para pensar em como explicar. — Eu não quero um relacionamento de verdade, Olivia. Mas o assunto mais comentado do momento é a minha vida sentimental, aliás, a falta dela. E Cyrus tem certeza de que se me verem na mídia em um romance, vão perceber que não sou tão frio ou arrogante como eles têm me pintado por aí.
— Mas você é frio e arrogante. — Liv disse, seu tom era de desafio.
— Garota, não me provoque.
— Por acaso disse alguma coisa errada? — Liv disse, cruzando os braços sobre os peitos, apertando-os de forma que subiam, e ficavam estufados.
— Essa porra desse vestido não podia ser menos decotado? Estou perdendo a concentração aqui. — Fitzgerald disse com os olhos vidrados no decote de Liv.
— Caramba! — Liv segurou o queixo de Fitzgerald, entre seus dedo indicador e o dedão, de forma que seu dedão ficou sobre os lábios dele e então ergueu a cabeça dele. — Deixe de ser pervertido, me olhe nos olhos ou eu enfio meu salto no meio da sua testa. — Liv disse com um tom ameno e Fitzgerald sorriu de canto.
— Como quiser, senhorita Pope. — Fitzgerald disse, e Liv se arrependeu quando os olhos dele se fixaram nos dela, os lábios entreabertos de Fitzgerald se abriram um pouco mais e ele mordeu o dedão dela levemente, fazendo com que Liv puxasse a mão com pressa, assustada com a eletricidade que percorreu em seu corpo quando sentiu a ponta da língua dele tocando sua pele.
— Desse jeito não quer nem mesmo que eu ouça o que você tem para me dizer — Liv se levantou da cadeira, e ia saindo, mas a mão firme de Fitz prendeu-se em seu braço, obrigando que ela o olhasse.
— Sente-se novamente. — Fitzgerald usou o tom quase autoritário.
— Peça com jeito. — Liv demandou, aproveitando da situação.
— Ah, me poupe desses joguinhos, Olivia. — ele disse impaciente, mas ao perceber a feição de Liv que esperava que ele pedisse de forma mais educada. — Ah, inferno! — ele sacudiu a cabeça antes de prosseguir de forma solícita. — Por favor, Olivia. Sente-se novamente.
—Bem melhor. — Liv sorria vitoriosa e sentou-se na cadeira que estava antes.
— Então, nessa pasta amarela, estão todos as cláusulas do contrato.
— O que te leva a crer que eu me relacionaria, e pior ainda, me casaria com você? Acho que você esqueceu que eu não gosto muito de você, não é?
— Vai ser tudo fingimento, Pope. É só usar suas habilidades de atriz desenvolvidas após todos esses anos sendo filha de um político.
Liv não podia negar que ele estava certo nesse aspecto, aprendera a disfarçar seu mau humor como ninguém, e tratava os inimigos de seu pai como se fossem velhos amigos, escutou muito desde pequena que os inimigos devem ser mantidos sempre por perto.
— Nem darei o trabalho de responder. — Liv abriu a pasta com o contrato. — O que eu ganharia com isso, senhor presidente?
— Eu soube que você quer entrar para a política. — ele disse e se levantou, dando a volta na mesa, e apoiou-se no encosto de uma cadeira.
— Não, por favor, não me ofereça um cargo ou eu saio por aquela porta e nem me dou o trabalho de olhar para sua cara de novo.
— Eu pensei que você fosse dizer isso. — Fitzgerald disse com um sorriso presunçoso estampado na cara e Liv levantou a sobrancelha surpresa. — O que? Eu andei pesquisando sobre sua vida, ou acha que pensaria me comprometer com uma mulher sem olhar seu passado?
— O que você descobriu sobre mim? — Liv olhou nervosa para as unhas pintadas de azul-marinho. Seu medo era que ele tivesse descoberto algo relacionado a Jake, as malditas fotos de uma fase negra de sua adolescência, incluindo o segredo que ela guardava a sete chaves. Algo que nem mesmo seus pais sabiam.
— E tinha algo para eu descobrir? — Fitzgerald perguntou com interesse evidente em sua voz e Liv preferiu ficar calada por alguns segundos a respondê-lo de supetão. Talvez fosse apenas um blefe.
— Nada excitante. — Liv mentiu, tentando soar casual.
— E existe isso? — Fitzgerald perguntou.
— Me desculpe, não entendi o que quis dizer, senhor presidente. — ela perguntou, levantando a cabeça na direção de Fitz.
— Existe algo que não seja excitante sobre você, Olivia? Porque se existir, por favor, me mostre. — Fitzgerald disse sorrindo, Liv o encarou com um olhar quase assassino e ele pareceu se divertir mais ainda, lançando um sorriso despudorado na direção dela. — Você é muito fácil de ser irritada, sabia?
— Me trouxe aqui para se divertir com meu temperamento?
— Não. — Fitzgerald deixou o sorriso desaparecer lentamente. — Liv, sei que o seu desejo de entrar para a política se assemelha ao meu, quando quis entrar para essa carreira, meu desejo era fazer a diferença e consertar os erros graves que via as pessoas ao meu redor fazendo. Um bom exemplo disso é meu pai, eu o via errar e sabia o que ele devia fazer para mudar, mas ele nunca me ouvia. — Liv reparou que Fitzgerald parecia se lembrar enquanto falava. — Pesquisando sobre sua vida, percebi que vejo muito de mim em você. Não que isso seja algo bom, mas…
— Eu me sinto honrada nesse quesito, você é um ótimo presidente, mas isso não tem nada a ver com a sua personalidade horrível. — Liv disse lançando um sorriso maroto para ele.
— Um elogio seguido de uma depreciação, não esperaria menos do que isso vindo de você. — Fitzgerald disse sorrindo, meneou a cabeça e então prosseguiu. — Obrigado, de qualquer forma. Acho que você vai entender o motivo de estar preocupado e fazendo de tudo, inclusive me submetendo a essa ideia de Cyrus quando terminar de me ouvir.
— Então, termine.
— Eu andei averiguando o passado de Sally, aquela cara de madre Teresa não me engana, e ela é mais venenosa do que se pode imaginar. E o que eu descobri me deixou completamente em choque, Olivia. — A feição de Fitzgerald tornou-se completamente agoniada.
— O que foi, senhor Grant? — Liv perguntou, sentindo-se aflita.
— Prefiro que veja com seus próprios olhos. — Fitzgerald disse e entregou a outra pasta para Liv, dessa vez o envelope estava lacrada e a palavra "Confidencial" estava carimbada com tinta vermelha.
Liv deslizou os dedos pelo envelope antes de abri-lo, de dentro do envelope ela retirou um papel, e seus olhos se arregalaram enquanto ela lia atentamente as palavras. Ela mal podia acredita no que via, uma carta escrita e assinada por Sally. E as coisas escritas pela mulher a fizeram ter nojo.
— Oh… eu nem sei...nem sei o que dizer.
— Eu fiquei assim de primeiro momento. Essa carta foi endereçada ao vice dela.
— Fitzgerald, ela propôs que proibissem a entrada de qualquer pessoa que não tenha nascido no país e pior ainda, ela parecer querer fazer uma caçada atrás de imigrantes que estejam vivendo no país. — Liv soltou um riso nervoso, suas mãos tremiam diante do que tinha em suas mãos. — Você tem certeza de que isso daqui é verídico? Isso pode ter sido forjado.
— FBI me entregou isso, Liv. Eu confio nos homens que escolhi para essa investigação. — Fitzgerald respondeu simplesmente. — Agora se vai acreditar em mim, isso cabe somente a você. — Liv assentiu, ainda olhando para o papel em suas mãos.
— Ela ainda fala sobre os direitos femininos, sobre como acha que as mulheres estão se portando como machos que pensando com os órgãos genitais em vez de usarem o cérebro. Meu Deus, essa mulher é uma mentirosa! Uma fingida! — Liv falava com evidente revolta.
— E ela quer cortar a participação delas no meio político, não completamente, porque ela precisa de algumas aliadas. Mas boa parte das mulheres, as que não significam nada para ela e para o governo dela, seriam escorraçadas sem piedade. — Fitzgerald falou pesaroso e Liv assentiu, pensando em Susan, e em como ela se empenhava para governar o estado. Lembrou-se dos próprios sonhos e seu coração foi diminuindo, tomando-se de uma preocupação gigantesca, em um medo de que tudo que foi conquistado como um direito das mulheres, fosse destruído.
— Senhor Grant, esse documento acaba com a candidatura dela. Você nem precisa de mim — Liv disse, apontando para o papel. — Denuncie essa mulher e acabe logo com isso.
— Eu não posso mostrar isso, Olivia.
— Como não?
— Levariam isso como rumor. Qualquer um pode forjar a assinatura da Sally e fazer isso. Lembra-se de quando forjaram a minha naquele falso documento em que me incriminava de corrupção?
— Claro, mas foi facilmente desmascarado depois que compararam as assinaturas.
— Não acha que ela conseguiria tal coisa? — Fitzgerald passou a mão na nuca, demonstrando o quão tenso estava. A aliança dourada de casamento brilhava no dedo dele, Liv não deixou de reparar. — Estamos lidando com uma mulher muito poderosa, Liv. Eu não sei em quem posso confiar aqui dentro, eu não sei quem trabalha para mim ou quem está aqui a mando de outra pessoa.
— Você acha que possa ter espiões da oposição no meio das pessoas que trabalham para você?
— Eu não acho, eu tenho certeza. Ela conseguiu algumas informações minhas que só quem trabalha comigo, saberia. Tentou inclusive espalhar nos jornais, mas eu tenho conhecidos nos jornais, e consegui impedir que ela contasse qualquer segredo meu. — Fitzgerald falou e Liv tentou imaginar quais segredos seriam esses, mas percebeu que era melhor nem saber. De qualquer maneira, ela entendeu o motivo de tanto sigilo naquela reunião entre os dois.
— Por isso que me trouxe aqui, para garantir que ninguém saberia da sua proposta.
— Exatamente. — Fitzgerald assentiu. — E então? O que acha?
— Não sei. É só que, caramba, eu estou tão confusa agora. — Liv disse abandonando o papel sobre a mesa. — Preciso de um tempo. Me desculpe, mas preciso pensar, analisar tudo o que me disse.
— Tem todo o direito de fazer isso.
— Eu preciso de provas concretas de que isso é verdade, senhor. — Liv disse, sentindo-se quase envergonhada por demonstrar que duvidava do que ele havia lhe contado.
— Eu tenho uma prova para te dar — Fitzgerald disse, e parecia culpado por fazer aquilo. — Seu amigo, Edison.
— O que tem ele? — Liv perguntou impaciente. — Por favor, não seja cretino a ponto de difamar meu amigo.
— Me desculpe, Olivia. Mas não posso esconder isso de você, é necessário te contar a verdade. Ele é um espião, trabalha para Sally e se infiltrou na sua família para conseguir o apoio do seu pai, e parece que ele conseguiu o que queria, afinal seu pai decidiu não me dar apoio na campanha.
Liv sentiu o estômago pesando e toda a bebida que havia ingerido se remexeu, sua boca amargou quando ouviu as palavras saindo da boca de Fitzgerald. Uma expressão incrédula se formou em seu rosto e ela sacudiu a cabeça em negação.
— Você passou dos limites agora! — a voz de Liv estava mais alta e seus olhos injetados. — Eu não vou acreditar no que está me dizendo. Você é um grande mentiroso!
— Me diga, como conheceu Edison? — Fitzgerald mantinha a voz no mesmo tom, mas seu olhar era severo. — Seu pai o levou para jantar na sua casa, não foi? Com a desculpa de apresentá-lo a você, mas isso já tinha sido arquitetado muito antes, Sally o apresentou para seu pai com esse intuito de fazê-lo se aproximar de você.
— Você investigou direitinho. Mas não tem nada aí que eu não saiba ainda.
— Ah, tem sim — Fitzgerald deu a volta na mesa e se aproximou de Liv. — Nos próximos dias, você terá uma surpresa com ele, e se lembrará do que eu te falei aqui.
— Já ouvi demais por uma noite. Vou embora. — Fitzgerald alcançou a mão de Liv e ela o olhou, pronta para xingá-lo, mas o que ela viu a desarmou por completo.
— Liv, leve os documentos. — Fitzgerald disse, entregando os envelopes para ela. Liv viu nos olhos de Fitzgerald uma súplica escondida, um pedido através das íris Azuis que a imploravam por uma chance. — Sei que posso ser tudo que você me disse, mas não sou mentiroso. Eu estou te contando tudo isso e confiando que vai acreditar em mim, aliás, esse foi um dos motivos que me fez acreditar que era a pessoa certa para o cargo, eu poderia ter escolhido qualquer outra, mas acredito que faremos um bom time juntos. Espero que perceba isso o quanto antes, e eu esperarei, caso a resposta seja sim.
Liv não respondeu, apenas segurou os envelopes com força, antes de piscar os olhos acordando do transe que aqueles olhos causavam nela. Ela se virou e saiu da sala, sem se despedir ou olhar para trás. Sua cabeça estava cheia de pensamentos confusos.
Durante todo o caminho até em casa, sentia um peso no coração.
Ela se perguntava se o que Fitzgerald tinha dito, era realmente verdade. Havia um conflito dentro de si, que ela nunca pensou que teria que lidar, por um lado ela pensava que Fitzgerald como todo bom político estava usando das suas artimanhas para conseguir enganá-la e conseguir que ela aceitasse a proposta. Por outro lado, Liv temia que aquilo fosse verdade e Sally estivesse se preparando para tornar-se uma ditadora criminosa quando assumisse a presidência. Mas se ela acreditasse nele, se ela acreditasse que Sally era realmente uma vilã, ela teria que se render e iria ajudar Fitzgerald.
Isso significaria que ela se casaria com ele.
Ela sentiu a respiração ficar difícil ao imaginar-se como primeira-dama. Nunca, em toda sua vida, imaginou que pudesse estar naquela situação. Olhou para os envelopes em suas mãos, ela os apertava com tanta força, com medo de que pudesse perdê-los, que os nós dos dedos estavam quase doloridos.
— Tudo bem, senhorita Pope? — Lavy perguntou e Liv despertou do transe em que se encontrava.
— Como?
— Eu avisei que chegamos e a senhorita não esboçou nenhuma reação. Está tudo bem? Sua expressão não me parece das melhores.
— Eu estou bem sim, Lavy. Fique tranquilo, estou apenas cansada. — Liv respondeu com um sorriso fraco, antes de sair do carro e entrar em casa. Pensou em ir na parte da casa destinada aos empregados, onde Abby dormia, precisava desabafar com alguém, mas não sabia se deveria contar aquilo para alguém.
Ela subiu as escadas no automático e foi até seu quarto, retirou os sapatos, sentindo um alívio por isso. E então sentou-se na sua cama, pegou o envelope que continha a suposta carta de Sally e a releu por várias vezes, até que desistisse de tentar encontrar algo ali que decidisse por ela o que fazer.
Ela tomou um banho e decidiu então tentar dormir, mas o sono escapava dela como areia entre os dedos. E toda vez que fechava os olhos lembrava-se da feição de súplica que Fitzgerald fizera quando se despediu dela. Se era tudo encenação, o maldito merecia um oscar, pois fora perfeito, tão real que sentia algo estranho em seu peito toda vez que lembrava.
Por fim, cansada de tentar dormir, ela se levantou, enrolou-se no robe de seda e desceu até a área da piscina, sentou-se na borda da mesma e assistiu ao sol nascendo aos poucos.
— Acordada a essa hora? — Liv se sobressaltou ao ouvir a voz de sua mãe atrás de si.
—Mãe! Que susto! — Liv disse, levando uma de suas mãos até o peito. — Te pergunto a mesma coisa.
— Eu tive uns pesadelos horrorosos e resolvi me levantar. — Maya respondeu, pensativa. — Posso saber o motivo da sua preocupação?
— E quem disse que estou preocupada? — Liv rebateu, sentiu um pouco de raiva, pois sua mãe sempre sabia quando a filha estava ou não se sentindo bem.
— Filha, você estava estranha durante a festa toda ontem e agora sua expressão defronta o desespero. — Maya sentou-se ao lado da filha à beira da piscina.
— Você sempre consegue me ler, mesmo que eu tente fingir que está tudo bem. — Liv disse e sua mãe assentiu.
— Eu sempre deixo você se safar, querida. Mas dessa vez, seu desespero está bem evidente.
— Você acha que o Edison é confiável, mãe? — Liv perguntou, lembrando-se do que Fitzgerald dissera.
— Ele vem de uma família muito nobre, e sempre se comportou como um cavalheiro comigo e tem se mostrado um amigo muito leal a você.
— É, eu sei. Mas ontem...eu ouvi que ele talvez não seja assim tão confiável. Na verdade, não foi a primeira vez.
— Se fosse apenas uma vez, te diria para dar um crédito a Edison, mas já que não foi a primeira, comecei a me preocupar.
— Acha que deveria investigar isso mais a fundo?
— Sabe o que acho? — Maya perguntou e Liv prestava atenção nas palavras da mãe. — Que a verdade aparece, mesmo quando tentamos escondê-la de todas as formas. Ela estará sempre à espreita, estudando um momento oportuno para aparecer e explodir como uma bomba. Mas se você acha que seu coração não pode suportar a dúvida, pergunte a ele mesmo.
— Se ele for sincero comigo, vai se provar um amigo de verdade.
— Exatamente. — Maya bateu no joelho da filha de forma carinhosa. — Foi isso que te acordou cedo?
— Eu nem dormi. Mas não foi só isso...aconteceram algumas coisas além disso. — Liv não contaria para a mãe, apesar de tudo, temia que ela pudesse comentar com outra pessoa e aquilo deveria ser mantido em total sigilo. — O que você acha do Fitzgerald, mãe?
— Fitzgerald Grant? O Presidente? — Maya perguntou, surpresa pela pergunta. — Tirando seu comportamento recente de grosserias e certa frieza, ele é um ótimo homem, decente, sempre foi muito educado comigo e com seu pai. Nunca vi um presidente tão bom, além de ser lindo, que seu pai não me ouça. — ela disse arrancando uma risada de Liv. — Mas porque pergunta isso? Não me diga que ele se interessou por você. — a mãe da garota riu.
— Por favor, mãe. Menos nessa expressão de espanto, não sou tão feia assim.
— Não é isso, só estou surpresa por ele estar interessado em alguém. Só te digo que adoraria te ver de primeira-dama, sei que não é nem de longe o que você quer, pois sei que não quer ficar escondida na sombra de ninguém. Você tem luz própria, nasceu para brilhar e só falta uma boa oportunidade aparecer para que consiga.
— Obrigada por ser sempre tão amiga para mim. — Liv sorriu para sua mãe que depositou um beijo no rosto dela.
— Sempre serei. — Maya abraçou a filha que aninhou-se no calor do corpo de sua mãe e achou engraçado como aquela conversa que parecia simples tinha feito um efeito rápido nela.
Ela não havia tomado uma decisão, mas ela já sabia qual seria seu próximo passo. Ela sabia quem deveria procurar antes de mais nada, antes de qualquer resposta que fosse dar.
Liv só queria ter certeza de que não se arrependeria depois de dar a resposta para Fitzgerald, pois ela sabia que não poderia dar para trás depois que dissesse um "sim", por exemplo. Seria mais um escândalo para a candidatura dele, e não ajudaria em nada.
Se não fosse para ajudar, que dissesse logo um sonoro "não". Aliás, seria a melhor saída para aquela situação toda, ficaria livre para viver sua vida em paz, seguindo todos os planos que tinha para entrar na política e pronto.
Mas ela realmente conseguiria seguir em frente e viver sua vida em paz depois de virar as costas para aquilo? O impacto de sua decisão poderia causar um estrago de proporções imensuráveis no país, isso porque se o que Fitzgerald disse para ela fosse realmente verdade, as atitudes tomadas por Sally afetariam o país em todos os setores imagináveis, segurança, economia e todo o resto.
Liv fechou os olhos, sentindo o calor da água na piscina aquecida, e a brisa fresca sobre sua pele, fazendo com que se encolhesse ainda mais aos braços de sua mãe. Não se deu conta quando, mas o sono chegou dando uma rasteira nela e enfim conseguiu deixar que seu corpo se relaxasse por completo e caísse em profundo sono.
