N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

N/A²: Obrigado por lerem! Fico feliz que estejam curtindo, não deixem de comentar o que estão achando.

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Fitzgerald tentava prestar atenção no que o diretor de ações táticas do FBI falava, mas sua mente insistia em lembrar-lhe do olhar delicado e ao mesmo tempo feroz de Liv. Um absurdo que o homem que comandava exército, marinha, aeronáutica, estivesse perdendo o controle sob si mesmo e tudo isso por alguém que ele nem mesmo tivera a chance de sentir de verdade.

Mas ele queria sentir, queria tocar a pele de Liv, cada milímetro de seu corpo. Ela o seduzia sem nem mesmo se dar conta disso, agindo de maneira normal. Seria ele capaz de resistir e cumprir os requisitos do contrato?

Lembrou-se da cláusula que deixava claro que não haveria relacionamento entre as duas partes do contrato, para melhor andamento do plano. Ele concordava com isso, pois sabia que ficaria à mercê de Liv caso se deixasse levar pelos desejos físicos que sentia. Ele lembrou-se da maneira engraçada que Liv falara sobre enfiar o salto no meio de sua testa e acabou rindo.

— Senhor? — Cyrus falou, e Fitz olhou para o assessor com curiosidade, voltando a prestar atenção ao que acontecia ao seu redor.

— Sim?

— Smith te fez uma pergunta. — Cyrus falou de forma severa e Fitz pigarreou antes de responder, colocando sua feição séria novamente.

— Repita a pergunta, por favor? — Fitz pediu e os outros membros da reunião o olharam com certa surpresa por ele estar desconcentrado.

— Nosso exército foi atacado na noite passada na cidade de Orgune, senhor. Cinquenta feridos, por sorte nenhum morto.— Smith falava com calma, como se contasse o que tinha comido no café da manhã. Fitz não conseguia entender como as pessoas se acostumavam com aquilo. — Eu preciso saber sua posição quanto a isso.

— Conversou com o nosso embaixador no Afeganistão? — Fitz perguntou e Smith assentiu.

— Sim, e parece que eles estão acuados, senhor presidente. Eles estão com medo de não conseguir sair vivos de lá, as ameaças do grupo terrorista foram bem claras quanto a embaixada. Temo que não haja outra saída — Smith não precisou falar qual era a solução plausível. Mas Fitz evitava qualquer tipo de conflito, a não ser que fosse a última saída.

— Tentem tirá-los de lá, nós temos os melhores e mais treinados homens, eles precisam saber, pelo menos, tirar um grupo de pessoas de uma cidade em segurança.

— Senhor, mas há o risco de que eles não sobrevivam ao processo, se o grupo terrorista souber…

— Se o grupo terrorista souber de alguma coisa, assumirei que tenho um traidor aqui, que passou as informações, afinal como eles descobririam algo que decidi em uma reunião secreta? A primeira coisa que farei, será demitir o senhor. O motivo? Por não treinar adequadamente seus homens, esse não é um plano difícil de ser executado, principalmente quando bem planejado. Estou confiando no poder que te dei ao colocá-lo nessa posição. — Fitz levantou-se, todos os presentes mantinham os olhares fixos em Fitz. — Dou por encerrada essa reunião.

Ele deixou a sala, e logo atrás veio Cyrus sorridente.

— Nunca gostei tanto das suas grosserias até agora. — Cyrus disse parecendo um jovem que havia conquistado uma pequena fortuna no cassino.

— Como?

— A maneira que falou e colocou Smith no lugar dele. Não aguento aquela empáfia, ele se esquece que é um diretor e não o comandante dos Estados Unidos.

— Ele me dá nos nervos em alguns momentos. Já estava começando a me irritar profundamente com esse jeito dele, achando que pode passar por cima das minhas decisões. Como você disse, ele acha que comanda o país, mas gosto de lembrá-lo que ainda estou no cargo, que desejo e vou continuar no mesmo, pelos próximos quatro anos.

— Falando sobre isso, Senhor…

— O que?

— Como foi a conversa com a Liv? Já se passaram alguns dias e o senhor não comentou nada sobre o assunto.

— Talvez porque não quisesse dividir o que conversei, seu velho fofoqueiro — Fitz levantou uma sobrancelha e riu. — Ela disse que ia pensar sobre o assunto.

— Acha que ela dirá sim?

— Inicialmente, achei que ela cederia mais facilmente, mas depois da nossa conversinha...percebi que ela não confia muito em mim.

— Eu avisei sobre ela. Ela é um força da natureza, senhor.

— Exatamente. Ela não aceita ordens, ela age por conta própria e eu acho isso excitante pra cacete.

— Devo alertá-lo sobre não haver envolvimento?

— Eu sei disso, mas lembre-se que um dos termos do contrato fala exatamente sobre contatos físicos.

— Eles só existirão em função do público. Não vai ser necessário contatos sexuais, a não ser que queira fazer sexo em público e abandonar a ideia de ser presidente. — Cyrus falou de maneira irônica.

— Eu só falei que a acho excitante. Dá para parar de agir como meu pai? Primeiro, porque sou um homem de meia idade, e segundo, sou presidente de um país, acho que posso tomar minhas próprias decisões.

— Você… — Cyrus abriu a boca para falar, mas simplesmente deixou de lado aquela discussão, pois sabia que perderia. Fitz conhecia o amigo. — Eu só quero saber uma coisa, você está preparado para o debate de amanhã? Leu todas as questões que podem ser levantadas pela sua concorrente?

— Já li e reli aquilo tudo antes de dormir nos últimos dias. — Fitz respondeu com o tom ameno, enquanto lia algo em seu notebook.

— Ela provavelmente vai falar sobre a questão de relacionamentos. Ela está em definitivo tentando vender a imagem de que você é frio, e que não tem sentimentos para comandar o país. Ela é uma cadela.

— Deixe ela comigo, Cy. Ela pode ser uma cadela, mas ela só late, e mesmo que mordesse, suas mordidas não fariam nem cócegas em mim. Ela não vai me atingir, e eu vou me segurar para não dar nenhuma resposta grossa.

— Espero que toda essa segurança continue com você amanhã a noite.

Fitz fez sinal de continência para Cyrus que sacudiu a cabeça, fazendo com que Fitz risse do amigo.

— Agora me deixe trabalhar, meu caro. Ainda sou o presidente, até onde eu saiba.

Duas batidas na porta cessaram a conversa entre os dois.

Uma fresta da porta foi aberta e Rubi apareceu com seu típico sorriso brilhante, cheio de segundas intenções. Ela carregava uma pasta preta, seus cabelos presos em um rabo de cavalo discreto, usava saia preta que ao ver de Fitz deveria ser um pouco maior, pois do tamanho que estava, acabava por desconcentrá-lo.

— Boa tarde, senhor presidente. Boa tarde, Cyrus. — ela disse em tom polido e ambos a cumprimentaram com a cabeça. — Trouxe a pauta da coletiva de imprensa da Casa Branca de hoje.

A coletiva de imprensa acontecia todos os dias, a uma da tarde, sem atrasos. Katie, a porta-voz da Casa Branca, respondia as perguntas feitas por jornalistas de diversas mídias, e as perguntas eram toda repassadas para Rubi, que por fim, as entregava para Fitz, pois ele sabia que aquelas perguntas poderiam ser feitas novamente no futuro e ele gostava de estar preparado para elas.

— Deixe-me dar uma olhada. Talvez seja uma prévia do que me espera hoje a noite. — Fitz pediu e Rubi entregou para ele, que se recostou em sua cadeira de couro.

— Senhor, vou para meu gabinete. Qualquer coisa, já sabe. — Cyrus disse e então se retirou do escritório do presidente.

Fitzgerald lia atentamente a pauta, sob o olhar atento de Rubi. Até que ele levantou o olhar para ela que sorriu, daquela maneira quase diabólica, ele sabia o que ela queria.

E o pior, não era sexo.

— O que deseja? — Fitz disse com um sorriso discreto.

— Soube que encontrou a escolhida. — Rubi disse, com visível desgosto na voz. — Olivia Pope.

— Sim, se ela aceitar. Em breve você terá bastante trabalho.

— Me desculpe, senhor? Acho que não entendi.

— É você quem vai fazer os planejamentos, todas nossas saídas programadas, as palavras que usaremos nas entrevistas, as roupas da senhorita Pope.

— O senhor quer que eu me encarregue disso? Logo eu, senhor?

— Sim, te escolhi para o trabalho de relações públicas, e é para isso que te pago.

— Mas você sabe o que eu sinto, Fitzgerald. Não vou conseguir preparar outra para assumir um cargo que eu gostaria que fosse meu. — Rubi disse, cuspindo as palavras e os sentimentos sobre a mesa de Fitzgerald. Ele se levantou, apoiou-se sobre a mesa e olhou atentamente para Rubi.

— Se não estiver satisfeita, pode se demitir quando quiser. — as palavras frias de Fitzgerald atingiram o ego de Rubi, que deixou uma expressão de choque tomar conta de sua feição.

Fitzgerald estava cansado de Rubi tentando a todo custo tomá-lo para si. Ele não queria nada sério, e Rubi sabia bem disso, se quis entregar seu corpo para ele, foi uma decisão tomada por ela e de forma consciente.

— Eu te prometi sexo, Rubi. Sexo quente e forte, e eu cumpri. Te fiz contorcer das maneiras mais loucas e absurdas, mas em nenhum momento te prometi amor, muito menos um cargo de primeira-dama. Pensei que isso estivesse bem claro. — Fitz falou com uma expressão sem humor algum.

— Sim, senhor. Claro como água. — ela assentiu e se virou, sem dizer nenhuma palavra a mais, simplesmente deixou o escritório oval do presidente. Fitz por um instante pensou ter visto os olhos da loira marejados, porém não tocou seus sentimentos, nem mesmo um pouco.

Era cruel demais da parte dele não se importar com ela?

Ele nem mesmo pensou duas vezes sobre isso, sabia o tipo de mulher que Rubi era, ela só queria subir na carreira e esse seria o caminho mais rápido. Lembrou-se de Liv, que era totalmente diferente, a maneira que ela agira quando achou que ele estivesse prestes a oferecer um cargo para ela foi a prova de que ela gostava de conquistar as coisas por conta própria.

Fitz adorou aquilo e só fez com que o desejo dele aumentasse por ela.

O volume que sentira crescer em suas calças com o simples fato dela ter chamado ele de "senhor presidente" foi patético, precisou se levantar e dar a volta na mesa, para não deixar o perfume dela e o calor que emanava de seu corpo fazerem com que o volume crescesse ainda mais.

Ele nunca se sentira tão vulnerável diante de uma mulher quanto se sentia com Liv. Ela tinha alguma coisa que o fazia se sentir encurralado, prestes a ser devorado. Precisava respirar fundo para tomar as rédeas de volta, porém, não tinha certeza de que conseguia tal feito com Olivia por perto.

Liv decidira no dia seguinte ao aniversário de Fitz que precisava conversar com Edison, e marcou com rapaz para se encontrarem dois dias depois. Edison ficou de fazer um de seus jantares especiais, e falou para convidar Abigail, e ele por sua vez, convidaria seu primo, David.

Liv queria muito fazer isso pela melhor amiga, mas a própria disse que não era correto, pois a visita era só uma desculpa para perguntar se tudo o que o presidente havia dito era mesmo verdade. E Liv pediu que fosse somente os dois, durante a tarde, pois queria conversar com ele sobre algo sério e o rapaz aceitou sem pestanejar.

— Sinceramente, eu não posso acreditar que ele tenha feito isso. — Liv disse se sentindo triste.

— Eu acho normal, nesse mundo em que vivemos, todos são suspeitos.

— Você está certa. Não sei porque me deixei ser tão ingênua com Edison. — Liv suspirou. — Você acha que deveria aceitar a proposta do presidente?

Liv havia contado tudo para Abby, que não esboçou nenhuma reação e preferiu não dar sua opinião para a amiga, pois não queria que ela fizesse aquela escolha tão séria ouvindo opiniões alheias.

— Já te falei, esse assunto não me diz respeito, Liv. É algo que você precisa decidir sozinha. — Abby sentou-se à beira da cama da amiga. Vestia um terninho creme por cima de um vestido preto, Abby sempre andava bem-vestida, mas começou a se importar com isso apenas quando tornou-se secretária de Liv.

— Qual é a agenda de hoje? — Liv perguntou desanimada, mudando de assunto, pois sabia que não arrancaria nada de Abby.

— Você vai dar o discurso na inauguração do hospital para crianças com câncer em Nova York às sete da noite. — Abby disse e Liv se levantou, foi até o armário, mas foi interrompida por Abby. — Se for escolher vestidos, já fiz uma pré-seleção para você, e coloquei dentro do seu banheiro enquanto almoçava.

— Meu Deus, como você é eficiente! — Liv disse com um sorriso no rosto.

— Eu sei. — Abby esboçou uma feição engraçada e Liv sacudiu a cabeça, rindo. — Escute, você sabe que o debate entre Fitzgerald e Sally é amanhã, certo?

— Sei sim. Tenho medo de cada debate que acontece entre esses dois.

— Medo? — Abby perguntou tombando um pouco a cabeça para o lado.

— É, medo do Fitzgerald falar alguma merda e foder com mais um pouco de tudo que ele tem construído.

— Parece que agora ele só está lendo o que Cyrus passa para ele, pois não tem dito muitas merdas.

— Eu espero que continue assim. Não quero a Sally no poder.

— Você pode conseguir isso, se quiser, é claro.

— Você fala como se fosse fácil, fala como se fosse só aceitar o plano de Fitzgerald e então todos acreditariam que estamos juntos de verdade. Não acho que vão eleger o Fitz só por estarmos juntos.

— Eu achei o plano bem esperto, afinal, a única queixa contra ele é essa, não é? O fato dele não ser tão "humano" com as pessoas. Quer mais humanidade do que ter um relacionamento fofo e romântico? As pessoas vão achar isso incrível, ainda mais pela história trágica da esposa que morreu num acidente fatal de carro.

— Você é má.

— Sou esperta.

— Você acabou de dar sua opinião sobre o assunto, e nem se deu conta.

— Claro que não, só comentei que acho que Cyrus teve uma ótima ideia.

— Porque concorda com ele.

— Ah, que seja. Eu achei interessante, até porque Fitzgerald não é de se jogar fora.

— Mas há os riscos, por exemplo, já pensou se descobrem? Eu nunca seria eleita nesse país, e minha carreira política iria para o espaço.

— Já pensou se Sally entra para o poder? Você nunca conseguiria se tornar nada no meio político.

— Meu pai sendo aliado dela, poderia me ajudar. — Liv terminou de falar e colocou o dedo dentro da boca, simulando vômito. — Ai, meu Deus! Isso, NUNCA! Vou conversar com Edison, e depois dessa conversa, tomarei minha decisão, Abby.

— E vai dar a resposta para Fitzgerald amanhã?

— Essa é a ideia, afinal, tenho o discurso.

— Mas Nova York é só uma hora de distância de Washington D.C., Liv.

— Ele pode esperar até amanhã. Já está esperando há três dias.

Liv ficou pensativa, tentando deduzir se estava mesmo fazendo uma escolha sensata. Abby avisou para a amiga e chefe que tinha que resolver algo sobre o discurso e Liv apenas assentiu. Assim que ficou sozinha, foi até a gaveta que ficava trancada dentro de seu armário e retirou um envelope de lá.

Ela abriu e leu com calma o contrato, já havia perdido a conta de quantas vezes fizera aquela leitura.

"Ambos os interessados do contrato concordam que tudo sobre esse vigente contrato estarão sob sigilo absoluto, tudo descrito no seguinte contrato será confidencial, e ambos estarão em acordo aos limites e procedimentos estabelecidos no mesmo."

Liv não contaria aquilo para ninguém. Apenas Abby sabia, e isso porque caso aceitasse, sua amiga iria junto com ela. Não tinha dúvidas quanto a isso. Mas fora Abby, ninguém saberia, pois aquilo seria ruim para ela também, seria péssimo para sua reputação se aquela história toda caísse na boca do povo.

"No presente contrato, confirma-se que a parte contratada deverá se submeter a entrevistas, responder à perguntas sobre o relacionamento, participar de eventos com o senhor Fitzgerald Grant, e submeter-se a tudo que o mesmo ou seus assessores julgarem importantes para a eleição, incluindo contatos físicos.

Salvo contatos físicos que estejam fora dos limites rígidos, tais como:

- Atividades sexuais;

- Contatos físicos que não tragam de forma absoluta benefícios ao contratante;"

Liv sempre sentia seu aquela sensação estranha quando lia essa parte.

Se Fitzgerald continuasse provocando-a daquela maneira, seria algo difícil. Ela precisava dar um basta naquela situação, precisava tirar a liberdade que deixou o presidente tomar consigo, e usaria aquela cláusula do contrato como sua defesa, mesmo que não tivesse certeza de que desejava ser protegida dos avanços de Fitzgerald.

Liv abandonou o contrato sobre a cama e ficou encarando o teto, pensativa.

Aquela tarde arrastava-se diante da inquietude que afligia a alma e o coração de Olivia. O tempo estava nublado, as nuvens escuras povoavam o céu dando ao dia que já estava tristonho, um ar mais melacólico ainda. Tudo parecia colaborar para que humor de Olivia não melhorasse. E por isso que assim que a hora em que havia marcado com Edison, não pestanejou em ir rapidamente para o apartamento do amigo.

Algum tempo depois, ela chegou ao prédio imponente em que Edison vivia. Assim que tocou a campainha, ele abriu a porta de seu apartamento com um sorriso no rosto, e seu sorriso era tão brilhante, que fez Liv duvidar que as palavras de Fitzgerald fossem verdadeiras.

— Entra aí. — Edison disse. Liv já conhecia aquele apartamento com maestria, pois sempre ia para ali após festas, ficava sempre bebendo mais um pouco e jogando conversa fora com o amigo. — Me conta o que houve. — Edison perguntou com a voz preocupada.

— Edison, quero que seja sincero comigo — Liv pediu.

— Claro, sempre sou.

— Ótimo. — Liv respirou fundo. — É verdade que você está se pensando em candidatar?

O silêncio imperou na sala de Edison, por alguns segundos os únicos sons que podiam ser ouvidos eram as respirações de ambos, e o tique-taque do relógio. Edison olhou para o tapete negro felpudo, enquanto Liv esperava a resposta, que pela reação do amigo, já imaginava qual era.

— Sim, mas Liv…

— Por favor, Ed. Não quero nem mesmo ouvir explicações. — Liv o interrompeu e se levantou.

— Mas Liv, aconteceu tudo muito rápido e quando me dei conta já estava no meio de toda uma teia. Você sabe como é, não dá para sair desse meio facilmente.

— Eu não me importo que se torne um senador, Edison! Eu só queria que você tivesse sido um pouco sincero, e contasse a verdade! Você me usou todo esse tempo! — Liv se levantou, e Edison fez o mesmo.

— Mas o que eu sinto por você, a nossa amizade, é verdadeira! — Edison disse, o desespero crescente era visível em sua voz. — Eu não te usei, Liv.

— Então me diz o que foi isso? Tem outra explicação? Duvido que tenha uma plausível.

— Não posso contar tudo Liv. — Edison passou os dedos pelos fios dourados do cabelo, despenteando-os um pouco. — Mas eu estava cansado de ver meu pai dando todo apoio do mundo para David, e quanto a mim, ele tratava como um saco de merda. Eu procurei por Sally há alguns anos, pouco antes de nos conhecermos, disse que a apoiaria financeiramente se ela me apoiasse caso me candidatasse, e ela me passou o que eu tinha que fazer.

— Essa parte eu sei — Liv sacudiu a cabeça, esperava sempre uma apunhalada pelas costas das pessoas que a rodeavam, mas aquela dali vinda de Edison era uma surpresa terrível. — Você tinha que se aproximar do meu pai e garantir que ele apoiasse Sally em sua candidatura à presidência, e claro, a maneira mais fácil de conseguir isso, era se aproximando de mim. Se fingindo de meu amigo.

— Eu achei que fosse ser só fingimento, mas eu acabei me perdendo no meio da história. Já era para eu ter me afastado de você, mas não quis. E eu quis continuar por perto porque eu percebi que amo você, Liv. — Edison segurou a mão de Liv, que o olhou de maneira confusa.

— Perdão. Acho que não entendi direito. Poderia repetir?

— Eu me apaixonei por você. — Edison falou e Liv vincou a testa, tentando captar o que ele queria com aquela nova mentira. Provavelmente algo mais do que o simples perdão.

— Você deve me achar uma idiota mesmo. — Liv deu uma risada amarga e irônica. Ela livrou sua mão da de Edison e virou-se, pegando a bolsa que havia colocado sobre a mesinha de centro. — Me faça um favor, Edison. — ela disse se encaminhando para a porta do apartamento. — Não me procure mais, não me ligue, qualquer relação ou ligação que tínhamos, acabou. Eu não posso manter contato com alguém em quem não confio.

E dito isso, ela saiu do apartamento. Ela parecia se sentir tão segura quanto as palavras ou o tom que usou, mas a verdade é que estava quebrada. Não era fácil descobrir que um amigo que ela acreditava ser tão próximo, tivesse mentido daquela forma e ainda tivesse a cara de pau de falar que estava apaixonado por ela, como se ela fosse acreditar.

Assim que Liv saiu do prédio de Edison, Lavy já a esperava em frente ao carro, e assim que ela se aproximou, abriu a porta do mesmo para que Olivia entrasse. Ela agradeceu com um sorriso fraco que já salientava que ela não estava nem um pouco feliz.

Em seguida, Liv entrou no carro e sentou-se no banco em silêncio. Abby a esperava, com a feição séria e preocupada, ela nem mesmo perguntou o que havia acontecido para Liv, já a conhecia o suficiente apenas pelo olhar.

— Vamos para o aeroporto, por favor, Lavy — Abby pediu ao motorista que apenas assentiu. — Vem aqui. — Abby puxou Liv para um abraço e aquilo foi como se Liv deixasse a água transbordar do copo e deixasse a tristeza que sentia derramar-se para fora de si.

Enquanto o carro cortava pelas ruas da movimentada Washington D.C. em direção ao aeroporto, Liv deixou que as lágrimas que lutara tanto para segurar, caíssem livres pelo seu rosto. Odiava quando se sentia daquela maneira, odiava pois sabia que quando se sentia triste era o momento em que ficava mais vulnerável. Colocou as mãos diante do rosto, afundando-se nas lágrimas que insistiam em cair.

Durante toda a viagem, Liv não dissera uma palavra. Nenhuma mesmo.

Só abriu a boca quando estavam chegando no local em que o hospital iria ser inaugurado e mesmo assim, não falou nada sobre o assunto. Apenas pediu que Abby conseguisse um remédio para dor de cabeça e então ela só voltou falar na hora do discurso.

Liv achou que não fosse dar conta inicialmente, mas, por fim, conseguiu engolir a tristeza causada por Edison e falou para todos os presentes do evento com toda sua elegância de sempre, e arrancou aplausos de todos os presentes quando terminou de falar.

Assim que saiu do hospital, os papparazzi já estavam a sua espera. Munidos de suas câmeras, celulares e gravadores, preparados para "atacá-la".

— Liv, é verdade sobre o boato de relacionamento entre você e o presidente? — uma negra a perguntou curiosa e ela não respondeu nada. Ela sabia que aquele tipo de pergunta surgiria depois da dança com o presidente no aniversário do mesmo, até um vídeo com 5 segundos do momento havia vazado na internet. Liv acreditava que talvez tivesse até o dedo da própria Casa Branca naquela história.

— Liv, você vai se candidatar? — Liv não soube de onde essa pergunta veio, mas pensou com pesar que não seria daquela vez.

Assim que entrou no carro, Abby veio logo atrás, sentou-se do seu lado e pediu para o motorista levarem elas para o aeroporto. Mais tarde, já dentro do avião, Abby resolveu falar alguma coisa e quebrar o silêncio de Liv.

— Meu Deus, segurei minha curiosidade por tempo demais — Abby revirou os olhos enquanto falava. — E então, quer me contar o que aconteceu?

— Não preciso comentar muito, Abby. Só que o Fitzgerald estava certo.

— Jura? — Abby levou a mão à boca surpresa. — Será que o David sabe disso?

— Parece que não. Tudo que o Edison fez foi por puro despeito e inveja do que o primo tem.

— Caramba. Ele te disse isso? — Abby perguntou e Liv assentiu com a cabeça. — E você já sabe o que fazer a seguir?

— Vou conversar com meu pai.

— Contar sobre Sally?

— Vou contar sobre Edison, e sobre como Sally o fez me usar para conquistar espaço com ele.

— Acho bom, pelo menos seu pai vai saber do que a cobra é capaz e talvez desista de apoiá-la.

— E quanto ao presidente?

— Ele vai ter a resposta dele amanhã. Sem falta. — Liv disse olhando pela janelinha do avião, pensativa.

Assim que chegou em casa, Liv tomou um banho caprichado e em sua cama deixou que toda sua tristeza fosse embora, era óbvio que ela não esqueceria que aquilo tinha acontecido. As cicatrizes ficariam, porém ela queria acordar preparada para o que ainda tinha pela frente.

Seu dia seguinte seria cheio. Conversaria com o pai e contaria para Fitzgerald o que decidira. Ela olhou curiosa para o visor do celular que brilhou na mesinha de cabeceira, desbloqueou a tela e então se surpreendeu.

"Estou pensando em voltar para os Estados Unidos. O que acha? Te deixarei saber das novidades."

Era Jake, o maldito Jake.

Quantas vezes ela teria que falar com ele que não o queria mais por perto? Caramba, aquilo já havia passado dos limites. Mas ela tinha tantas coisas para preocupar que a única coisa que fez foi ignorar a mensagem e encolher-se na cama para dormir.

Na tarde do dia seguinte, Liv vestiu-se de um conjuntinho de blusa e saia cinza discreto, porém exuberante e elegante. Estava se preparando para o debate que aconteceria em uma rede de televisão, Abby conseguira que Liv tivesse um lugar de honra na plateia do lugar.

Liv decidira o que faria e ela tinha planejado contar para Fitzgerald depois do debate. Mas antes de sair de sua casa, resolveu conversar com o pai que estava na sala, lendo o jornal distraído.

— Pai, preciso que me escute. — Liv disse, sentando-se do lado do pai no sofá vinho.

— Claro. O que houve? — Eli perguntou curioso e com um tom alarmante.

— É sobre Edison. — ele assentiu e Liv prosseguiu. — Descobri que ele me usou apenas para se aproximar de você, era tudo um plano da Sally para conseguir conquistar terreno e levar você para o lado dela. — Eli assentiu, sua expressão não modificou nem por um instante sequer.

— Eu sabia disso.

— Como?

— Apesar do pedido formal para apoiar Sally só tenha chegado em minhas mãos no último mês, eu já sabia do pequeno plano que ela fizera para conseguir me conquistar para o lado dela.

— E você não fez nada? — Liv sentia como se tivesse perdido o ar, um zunido estranho no ouvido. — Porque não me contou?

— Porque eu sabia que teria essa reação.

— Mas qualquer pessoa teria a mesma reação, pai! — Liv aumentou o tom de sua voz, perdendo a paciência.

— Você quer tanto se infiltrar na maldita política e olhe só, acreditou no primeiro que apareceu e disse ser um amigo sincero. Você precisa perceber que as pessoas não são confiáveis nesse meio, Liv. — Eli deu um suspiro. — Quando vai se tocar disso? Você precisava disso para aprender.

— Quando você se tornar um pai de verdade e me apoiar, independente do meu sonho de carreira ser diferente do que você planejou para mim? Eu não quero trabalhar em um escritório fechado, eu quero fazer a diferença na vida das pessoas e se você acha que o fato de Edison ter me apunhalado pelas costas vai me fazer recuar, está muito enganado. — Liv falava com uma raiva que a fez se agigantar.

— Liv…

— Ah, aliás, sobre confiar nas pessoas. — Liv não queria, mas acabou seguindo sua raiva e tudo o que estava guardando debaixo de sete chaves escapou. — Saiba que Sally não é confiável, você vai meter os pés pelas mãos.

— Posso saber o motivo disso? Alguém te falou alguma coisa? — Eli perguntou, mas seu tom não era de curiosidade, era uma preocupação estranha, como se aquilo pudesse vazar e atrapalhar a campanha de Sally. — Me diga, Olivia! Preciso ligar para o assessor de Sally, ele precisa abafar isso.

Liv riu de maneira irônica, quase azeda e sacudiu a cabeça, completamente em choque diante do que via acontecer na sua frente.

— Meu Deus, eu estou te contando algo sério e você só se preocupa com ela. Eu sou sua filha, preciso te lembrar disso? — Liv se levantou, completamente irritada. — Quando todos se forem, quando estiver arruinado e não prestar para mais nada na política, as únicas pessoas que te rodearão, serão eu e a minha mãe. Acho que você tem medo de que eu entre para a política por isso, tem medo de que eu esqueça da minha família e trate as outras pessoas do mundo como prioridade. Mas acredite, não serei nem mesmo um pouquinho como você, e faço disso um voto para a vida inteira.

— Como ousa falar comigo dessa maneira?

— A partir de hoje, serei eu lutando sozinha. Não faço questão da sua ajuda, porque pelo que percebi, ajudar um babaca a fazer sua filha de idiota é melhor do que alertar a filha do que está realmente acontecendo. — Liv saía da sala quando ouviu a voz do pai.

— Volte aqui, não terminamos a conversa — a voz dele era firme e o tom assustaria outra pessoa desavisada que passasse por ali.

— Tarde demais para querer conversar — Liv disse se humor algum na voz, e uma única lágrima solitária escapou de um olho.

Liv não esperou que seu pai lhe dissesse algo a mais e simplesmente saiu o mais rápido que pôde dali, foi direto para a entrada de sua casa, Lavy já a esperava perto do carro mas percebeu que não queria mais aquilo. Ela estava cansada de depender do pai, e ser tão "filhinha do papai".

Ela tinha comprado um carro com o dinheiro que herdara da avó, aliás, ela usava apenas o dinheiro que sua avó materna lhe deixara, se recusava a trabalhar com algo que não gostava. E pela primeira vez na vida teve certeza de que não se importaria mais com o que a mídia falaria sobre a filha de Eli Pope morar sozinha. Que tudo aquilo se fodesse, na sua opinião.

Sua vida inteira foi ser uma marionete nas mãos de seu pai, que usava não somente ela, mas também sua mãe, para aparentar ser uma boa pessoa e angariar votos e seguidores por onde quer que fosse. Ele tinha conquistado status no meio político, mas cada vez mais afastou-se do que um dia foi sua família, e Liv podia confirmar isso pelo olhar cansado de sua mãe, que apesar de não dizer nada, sofria com a ausência latente do marido. Ele esteve sempre perto, porém sempre muito distante.

E era pra isso que ela tinha se decidido, ela não moraria mais ali nem mais um dia sequer.

— Liv? — Abby acenou para Liv do carro e ela a chamou com a mão.

— Vem, Abby. — Liv virou-se para a garagem. — Hoje eu vou dirigindo.

— Como? — Abby veio andando até Liv e essa lhe lançou um sorriso fraco.

— Eu espero que se prepare, pois vamos procurar um apartamento para mim e amanhã eu estarei fora daqui.

— Liv, eu não estou entendendo nada. — Abby vincou a testa em expressão de confusão.

— Vem que eu te conto. — Liv disse, e Abby acenou para Lavy, cancelando a ida com ele.

Dentro do carro, Liv sentiu-se poderosa, e mais importante ainda, sentia-se livre. E ela nem mesmo tinha saído de casa, imaginava que quando fizesse talvez pudesse até mesmo flutuar diante tamanha alegria.

Liv contou toda a conversa para a amiga que a ouvia com atenção, e quando chegaram ao local do debate, Abby ainda comentava sobre o assunto. Estupefata pelo que o pai de Liv fizera, por ele ter deixado Edison enganar a filha por tanto tempo e não ter feito nada sobre isso.

Elas entraram juntas e se sentaram nos lugares destinados a elas. Liv sentiu-se aflita, olhou ao redor e percebeu que o local receberia poucos convidados, sentiu-se ansiosa pelo que estava prestes a fazer. Sim, porque ela tinha se decido em definitivo depois da conversa que tivera com o pai.

Se ela não tinha certeza do "sim" que daria para a proposta de Fitz, ela teve após perceber que não sabia nem em quem podia confiar mais. Então, porque não arriscar? Porque não se jogar em algo que ela sabia que podia ser perigoso, mas que por algum motivo a atraía de maneira surpreendente?

E não, não era apenas Fitzgerald que a atraía. Sua atração estava no fato de ficar perto do olho do furacão, se assumisse um relacionamento com o presidente teria contato com tudo que acontecesse no mundo, poderia aprender muito com Fitzgerald, apesar dele não ter muita paciência e o melhor, seria uma decisão tomada por ela. Sem interferências de ninguém.

— Olivia Pope, posso tirar uma foto sua? — uma mulher se aproximou com uma câmera na mão. — Fique tranquila, sou fotógrafa oficial da Casa Branca. Cyrus, pediu que eu viesse até aqui falar com você.

— Ah, claro. — Liv respondeu com simpatia para a mulher que tirou uma foto de Olivia e Abigail juntas.

Liv olhou em volta e avistou Cyrus conversando com uma mulher loira, aliás, a mulher era linda, tinha aquele porte de mulher fatal. Liv lembrou-se dela, era ela quem tomava conta das relações-públicas do presidente. Já tinha visto a mesma na televisão por diversas vezes. Era ela quem tentava fazer Fitz não pecar pela ignorância em suas respostas, e então, Liv sentiu pena da mulher.

— Ora, veja só quem eu encontro. — A voz de David chegou ao ouvido de Liv e Abby.

Liv reparou que a amiga se contorceu na cadeira, tomada pelo nervosismo.

— David! — Abby respondeu e Liv pensou que a amiga precisava aprender a disfarçar a empolgação.

— Senador David Rosen. — Liv o cumprimentou e na mesma hora lembrou-se do primo dele, mas tratou de tirar a imagem do ex-amigo da cabeça. Edison não merecia nem mesmo os seus pensamentos.

— Olivia. — Ele estendeu a mão e ela o cumprimentou formalmente antes de se sentar ao lado de Abby.

— Como estão os preparativos da campanha? — Liv perguntou.

— Ótimas. Decidi apoiar o presidente Fitzgerald. — David respondeu, Liv logo percebeu que ele olhava para Abby enquanto falava, e que era melhor deixá-los conversando.

— Vou até Cyrus, preciso perguntar algumas coisas para ele. — Liv disse, porém, era mentira. Ela só quis deixar David e Abby conversando um pouco sozinhos.

E logo percebeu que estava em uma enrascada das grandes, pois Cyrus havia sumido de suas vistas. Mas a loira que antes estava conversando com ele, continuava no mesmo lugar e conversava com um segurança, provavelmente dando alguma instrução.

— Qualquer pessoa estranha… — A loira falava enquanto Liv se aproximava. Ela esperou por alguns segundos e então a loira se virou, seu olhar era cortante, mas Liv sentiu que ela tremeu um pouco assim que focou seu rosto.

— Olivia Pope, estou certa? — ela perguntou e Liv assentira com a cabeça.

— Sim. De onde nos conhecemos?

— Sou Rubi Johnson. Trabalho para o presidente. — ela sorriu estendendo a mão para Liv, e ela percebeu que o sorriso não era muito amigável enquanto estendia a mão, cumprimentando Rubi. — Eu sei de tudo. Tudo mesmo, inclusive dos acontecimentos recentes.

— Ah, sim. — Liv entendeu tudo. A Rubi sabia do falso relacionamento.

— Acho corajoso da sua parte pensar sobre isso. Sabe que a decisão é sem volta, certo? Não vai ser fácil segurar o peso de se tornar uma primeira-dama.

— Acho que sou forte o suficiente. — Liv disse, e tentara soar agradável, mas a maneira como Rubi tinha falado, parecia querer menosprezar ou diminuir a força de Liv.

— Espero mesmo que seja, senhorita Pope, ou vai se meter na pior encrenca da sua vida.

— Parece que a senhorita está me ameaçando. — Liv riu, tentando amenizar o clima pesado.

— Eu não estou, me desculpe pelo jeito que possa ter falado. Mas é que ninguém presta nesse meio. — Rubi disse com sua voz de veludo. Liv se perguntava porque a Casa Branca contratara aquela mulher com cara de piranha e lembrou-se de como o presidente era safado, e que ele provavelmente a teria devorado várias vezes e Liv sentiu uma pontada de raiva crescer ainda mais.

— Eu tenho percebido isso a cada dia que passa. — Liv não teve a intenção daquela sentença soar como uma indireta, mas acabou saindo daquele jeito. E que se fodesse também, não devia satisfação das suas decisões para uma empregada da Casa Branca.

— Juro que me surpreendi quando soube que Fitz a queria.

— Posso saber o motivo da surpresa?

— Ele sempre preferiu mulher com mais sensualidade no olhar, sabe? Me desculpe, não quero soar indelicada. — Rubi soltou uma risada contida, mais falsa do que a bolsa que a vadia segurava.

— Eu não julgaria a mim pelo olhar, Rubi. — Liv sorriu, falsamente educada. — As pessoas na política podem não aparentar o que realmente são, e exatamente por isso que não sou o que as pessoas enxergam por fora. Quase ninguém sabe o que escondo por dentro, mas acho que o presidente sabe aprofundar. Acho que você sabe bem do que eu estou falando. — Liv disse, sem tom implicava que ela poderia ter se envolvido intimamente com Fitz. Um blefe clássico e Rubi caíra facilmente a julgar pela expressão de fúria contida que surgiu e tomou conta de seu rosto.

— Liv? — a voz de Cyrus chamou a atenção de Liv que se virou para encontrar o simpático homem de cabelos grisalhos.

Enquanto conversava com Cyrus, ela pôde reparar pelo canto dos olhos que Rubi não parava de encará-la, e então percebeu que talvez tivesse que mostrar para ela que não brincava em serviço. Enquanto a voz de Cyrus entrava por um ouvido e saía pelo outro, ela teve a ideia que talvez fosse ousada demais, mas não para ela que sempre foi tempestuosa e impulsiva.

Liv decidiu que depois do debate, Fitz teria uma surpresa das grandes. Algo que mostraria para todos que quando Olivia Pope decidia causar, ela assim fazia e que as opiniões alheias não a incomodavam nem mesmo um pouco.

O debate fora quase um fracasso, por pouco Fitz não respondeu de forma grossa e fez com que mais pessoas o odiassem. Ele manteve a calma e lembrou-se de tudo que estava em jogo. Mas o que o ajudou manter o foco foi o fato de seus olhos terem encontrado com os de outra pessoa na plateia do debate.

— Então acha que é correto se opor ao casamento? Porque quando diz que quer facilitar o divórcio é nisso que me faz pensar.

— Acho apenas, senhora Langston, que a burocracia da atual lei atrapalha e complica a vida dos cidadãos.

Ele quis elaborar uma resposta melhor, mas seus olhos bateram em Liv e em como ela estava estonteante. Concentrou-se nas respostas que deveria dar, ignorando a imagem das pernas de Liv cruzadas na plateia.

— Acha mesmo que criando falsos rumores na mídia sobre o senhor é uma campanha limpa? Mentira nunca é uma coisa limpa, senhor presidente.

— Está me chamando de mentiroso em rede nacional, Sally? — Fitzgerald lançou-lhe um sorriso divertido, atiçando a ira da candidata oponente.

Ele teria dado uma resposta grosseira, ele teria falado algo que chocaria não apenas Sally, mas todo o mundo. Ele queria mesmo ter feito isso, mas olhou para Liv e lembrou-se que deveria focar no que tanto queria, a sua reeleição.

Quando o debate acabou, e chegou em seu camarim, a primeira coisa que fez foi perguntar por Liv.

— Você viu a Olivia?

— Sim, senhor. Troquei algumas palavras com ela antes do debate. — Cyrus disse com um sorriso presunçoso nos lábios. — Ela disse que deseja conversar com o senhor.

— Então chame ela aqui. — Fitz disse impaciente, temendo perder a chance de vê-la. Sentiu-se idiota, como um adolescente que não conseguia se controlar diante da hipótese de ver a garota mais bonita da escola.

— Tarde demais. — Rubi disse com a feição fechada. — Ela acabou de ir embora com a fiel escudeira.

— Fiel escudeira? — Fitz perguntou curioso.

— Sim, Abigail Whelan. A secretária e melhor amiga de Liv, affair do seu aliado, David Rosen.

— Não acho que David esteja com aquela garota sem sal. — Rubi disse com cara de desprezo.

— Eu não acho, Rubi. Eu tenho certeza, sei de mais coisas do que você. — Cyrus disse com um sorriso forçado para a loira. Fitz afrouxou a gravata, demonstrando impaciência e cansaço diante da discussão dos seus empregados.

— Não me interessa nada disso. Quero o rastro de Liv, apenas isso. — Fitzgerald disse e Owen assentiu antes de sair dali, indo atrás de Liv.

— Imagino o quanto esteja cansando. — Rubi fechou a porta do camarim, e o olhou de forma maliciosa. — Podemos aproveitar o resto da noite e relaxar em uma banheira. O que acha?

Ela se aproximou e ajeitou a gravata dele, aproximou os lábios carnudos da orelha dele e mordeu ali levemente, fazendo Fitzgerald respirar de forma desregulada. Ele se amaldiçoou por não resistir ao toque dela, seu corpo andava traindo-o muito recentemente, ele pensou.

Naquele momento, ele segurou gentilmente os braços de Rubi a afastou de si. Ela o olhava com a expressão confusa, e Fitz perguntava-se quando ela entenderia o que ele falava. Já havia dado foras o suficiente que um ser humano podia aguentar.

— Você gosta de se arrastar pelo que quer, não é? — Fitz disse. — Eu não quero você, Rubi.

Ele não deu tempo da loira responder e se levantou, antes de deixá-la sozinha ali no cômodo.

Fitz saiu do prédio da rede televisiva em que o debate tinha acontecido, acenou para algumas pessoas que estavam ali perto. Alguns com cartazes que o apoiavam e outros nem tanto, mas ele já estava acostumado em dividir opiniões.

Seus seguranças o rodeavam como sempre enquanto ele saía do local, ele se encaminhava para o carro presidencial quando teve a visão mais perfeita do seu dia.

Olivia o esperava perto do carro presidencial, seu sorriso era enorme e brilhava quando os olhos de Fitz a encontrou, ele estava hesitante, não sabia o que aquilo significava e ficou por alguns minutos conversando com um eleitor, fazendo a campanha de bom moço paciente que Cyrus tanto lhe pedira, até que se despediram.

Ele caminhou até Liv e ela sorria de forma tão aberta e sincera que ele mal pôde acreditar ser Olivia Pope ali, afinal, ela não sorria para ele daquela maneira. Em seu interior algo dizia que ela tinha uma resposta, e que diante de sua aparição ali, em frente aos vários fotógrafos prontos para registrarem qualquer contato, sua resposta seria positiva.

— O que aconteceu? — Fitz perguntou assim que estava perto o suficiente e para sua surpresa, Liv o abraçou de forma deliberada.

— Eu estou aceitando o acordo, Fitz. — Liv disse perto de seu ouvido, de forma baixa e calorosa. Fitz sentiu um arrepio, o doce sabor da vitória se misturava ao cheiro do perfume delicioso dela, e os seus braços em volta da cintura dela só deixava tudo melhor ainda. — Isso daqui já é parte do plano.

Era demais para seu autocontrole. Sentir Liv em seus braços, aberta e receptiva daquele jeito só fez com que seu sangue corresse mais rápido nas veias. Ele queria beijá-la, mas não apenas nos lábios, ele queria beijá-la por completo, cada pedaço daquele corpo delicioso que encaixava tão bem em seus braços.

— Eu acho que precisamos selar esse acordo, Liv. — Fitzgerald disse com a voz sedutora, usando seus jogos de provocação que normalmente eram bastante prazerosos, mas que quando usados com Liv, pareciam atingir um novo nível de desejo, algo fora do comum.

— Concordo plenamente, senhor presidente. — Liv respondeu, surpreendendo Fitzgerald que afastou-se do abraço e a olhou confuso por alguns segundos, antes que ela aproximasse o rosto do dele.

Ele a olhava quando ela fechou os olhos e encostou seus lábios nos dele, de forma lenta, quase torturante. Ele cerrou as pálpebras, sentindo toda a eletricidade daquele contato que tanto desejava ter, as mãos de Liv circundaram seu pescoço e subiram até seus cabelos.

Ele mal podia acreditar no que estava acontecendo. Mas tudo acabou antes que realmente pudesse começar a se divertir. Liv se afastou de maneira gentil, e sorria com cautela para o flashes que pipocaram perto deles.

Fitzgerald se virou e Liv passou a mão sobre o terno dele, subindo pelo peitoral firme dele.

— Haja naturalmente. — Liv disse e Fitz estava atônito demais para conseguir reagir, mas ela era esperta pelos dois e então entrou no carro, puxando-o pela mão. Ele apenas acenou para os cidadãos mais uma vez, antes de entrar no carro e sentar-se do lado de Liv.

A parte de trás do carro presidencial era fechado e blindado, então o motorista não podia ver ou falar com Fitz. O que deu mais liberdade para que ele pudesse questioná-la pelo o que ela tinha acabado de fazer.

— Que porra foi essa? — Fitz perguntou, parecia ofegar enquanto falava.

— Um beijo discreto para alimentar a grande fofoca que vai estampar os jornais de amanhã. — Liv dissera com um sorriso triunfante nos lábios.

— Foi uma boa jogada, de fato. Mas… — Fitzgerald deixou o resto da frase no ar, e Liv o olhou curiosa.

— "Mas"? Prossiga, quero saber do que tem a reclamar. — ela disse revirando os olhos, Fitz se divertiu com a reação.

— Cyrus pode ficar muito irritado, foi uma jogada arriscada, senhorita. Me beijar naquele rompante, logo após um debate pesado, como foi esse. — Fitzgerald afrouxou a gravata novamente, dessa vez não precisaria ajeitá-la novamente. Quando ele saísse do carro, estaria dentro da Casa Branca e ninguém o veria desalinhado. — Pode ser bom ou ruim. Não sabemos se as pessoas vão comprar nossa história. Já prevejo Cyrus esbravejando com nós dois, falando que esse beijo não estava no cronograma do nosso falso relacionamento, pelo menos não por agora. Aliás, esse foi o beijo mais ridículo que já experimentei em toda minha vida. — Fitz disse em tom desafiador. Uma mentira das grossas, porque ele não tinha nem mesmo experimentado o sabor da língua de Liv, mas sentira um calor só com o leve contato de suas bocas.

— Eu tinha que ser discreta. — Liv caíra em seu jogo e tinha o tom ultrajado, parecia se sentir insultada. — Queria que eu enfiasse minha língua em sua boca, senhor presidente? Não acho que os eleitores mais conservadores gostariam dessa cena.

— Mas eu teria gostado. — Fitz disse, sua voz áspera e profunda. Fitz se aproximou de Liv no banco e ela se afastou, encostando na porta ao seu lado.

— Acho que isso não me importa. — Liv respondeu em tom debochado, mas seus olhos demonstravam que ele a havia acuado. — O que vai fazer, senhor? — Liv perguntou, mas ela sabia o que ele pretendia, podia-se perceber sentir pela respiração acelerada.

— Agora? — Fitz perguntou, seu tom era provocante. Ele acariciou o rosto de Liv que tinha os lábios entreabertos, passou o dedos por cima dos lábios dela e ele já sentia seu corpo se agitar em antecipação. — Eu vou te beijar, senhorita Pope. Vou provar verdadeiramente dos seus lábios, vou sentir a textura e o sabor da sua língua, e te mostrar como deveria ter beijado o seu presidente.