N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

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Liv agradeceu milhares de vezes por Abby existir e ser uma amiga e secretária tão eficiente. Abby havia ido até a casa de Cyrus com o carro dela e havia levado uma mala com boa parte das roupas de Liv. A única coisa que Liv precisava era achar um lugar para ficar, e ela já tinha algo em mente.

Liv se preparou como se aquele fosse um dia normal, mas no fundo era óbvio que aquele não era um dia comum para ela. Até mesmo os céus de Washington D.C. pareciam saber, pois as nuvens pousaram sobre a cidade que seguia o fluxo de trabalho como outro qualquer.

Liv, Cyrus e Abby estavam dentro do carro com motorista que Fitz havia enviado para levá-la até a Casa Branca em segurança e confortavelmente. Cyrus quis ir com seu próprio motorista, mas Liv insistiu que ele fosse junto, e o mesmo acabou aceitando.

Liv começou a perceber a gravidade da situação na qual havia se metido pelo beijo que havia dado em Fitz e julgou ser inocente, quando Cyrus entregou o jornal para ela, sua feição não era das melhores. Um aviso claro de que algo nada bom viria a seguir e a voz de Cyrus era pesada, mais grave que o normal.

— Eu pedi que vocês fossem mais cautelosos. — ele disse e uniu os lábios em uma linha fina. — Eu sei. — Liv respondeu olhando a capa estampada com uma foto sua e Fitz se beijando, e logo embaixo uma foto menor dos dois sorrindo de forma carinhosa um para o outro. Liv percebeu que se sua carreira de política falhasse, poderia sempre recorrer à carreira de atriz.

As letras garrafais em amarelo, dançavam na frente dos olhos de Liv e Abby que estava ao seu lado lia atentamente. Cyrus entregou uma pilha de outros jornais no colo de Liv e ela o olhou.

— Está em todos os jornais. Eles seguem a mesma linha de pensamento. — Cyrus meneou a cabeça, pensativo. — O contrário do que esperávamos.

"Amor verdadeiro ou Jogada política?"

Era esse o título da matéria na capa do jornal e Liv respirou fundo antes de abrir o mesmo com certo receio para ler. Era como se ela esperasse uma bomba explodir depois que ela lesse tudo que estava escrito. Era óbvio que Olivia imaginava que eles acabariam fazendo aquele tipo de acusação, mas não achava que fosse ser tão rápido.

Estava na cara que alguém tinha dado um empurrão para a imprensa chegar até aquela conclusão e Liv tinha certeza de que o dedo de Sally estava ali. A candidata da opsição tinha dinheiro e poder suficiente para levar qualquer um para o lado dela.

Mas Liv confiava nas armas que Fitz usaria, afinal ele possuía o cargo de maior comando do país. Não era? Ela esperava que sim.

— Mas isso poderia acontecer de qualquer forma, senhor Beene — Abby disse para Cyrus e Liv sorriu pela lealdade da melhor amiga. — Quem poderia garantir que aceitariam o namoro dos dois de maneira fácil caso eles demorassem para se envolver? Estamos em uma corrida política para o maior cargo do país, e nessa época, tudo fica muito suspeito.

— De fato, você está correta. Mas as chances de rejeição do casal seriam menores.

— Ninguém rejeitou meu relacionamento com Fitz. — Liv comentou de forma plácida. — Eles apenas estão colocando a coisa toda à prova. Agora, cabe a mim e Fitz mostrarmos que o que temos é real.

— E há sempre uma maneira de consertar e melhorar as coisas. Aliás, você sempre foi muito boa com esse tipo de coisa, Liv. Sempre ajudou todo mundo, é a hora de usar suas ideias salvadoras com você mesma. — Cyrus falou e Liv concordou. O problema é que ela não conseguia pensar em nada naquele momento, e talvez a resposta estivesse na cara dela e só ela não estivesse enxergando.

Cyrus ia fazer um comentário, mas calou-se ao perceber que enfim estavam chegando à Casa Branca. O silêncio permeou os três, que entraram visivelmente pensativos sobre tudo aquilo, Liv sabia que Abby e Cyrus estavam tão preocupados quanto ela.

— Bom dia. — Rubi dirigiu-se aos três quando entraram na sala de reuniões. Fitz que lia os papéis em suas mãos de forma concentrada, levantou os olhos e os mesmos atingiram os de Liv que sentiu a força do seu sonho erótico pesando na região abaixo do ventre.

— Bom só se for para você, senhorita Johnson. Meu dia já começou péssimo. — Cyrus disse com a voz ultrajada e foi até Fitz, jogando as cópias dos jornais no colo dele. Um sorriso atrevido e confiante surgiu no rosto do presidente que simplesmente pegou os jornais e os colocou sobre a enorme mesa.

— Acha que não vi isso? — Fitz disse tranquilo.

— E é isso que tem para me dizer? Sua brincadeira custou caro! — Cyrus esbravejou e Liv reparou que Abby o olhava com uma expressão quase assustada. Liv sabia que a amiga estava acostumada com aquele tipo de esbravejamentos indignados. Ela vira o Eli fazê-lo por várias vezes. — Agora precisamos descobrir o que fazer.

— Eu tenho uma ideia — Fitz disse e olhou para Liv. — Me deixem a sós com a senhorita Pope. — Fitz demandou e todos se entreolharam confusos, mas não hesitaram em obedecê-lo.

— O que você quer, Fitz? — Liv perguntou, lembrando-se das palavras dele na noite anterior.

— Quero muitas coisas, Liv. Você sabe exatamente quais são — o sorriso safado estava lá. — Mas eu queria ficar a sós com você para conversarmos sobre como vamos consertar a repercussão negativa de nosso beijo indiscreto. Acho que tenho uma salvação.

— E posso saber qual seria essa salvação?

— Está claro como água, Liv. Não é preciso ser gênio. Nós precisamos apressar as coisas. — Fitz disse como se aquilo fosse realmente a coisa mais óbvia do mundo e Liv esperou pela continuação, e ao perceber que ele não prosseguiria, tomou a fala.

— O que quer dizer com isso?

— Nosso contrato é de qual tipo de relacionamento? — Fitz passou o dedos indicador sobre o lábio inferior, e Liv se deixou desconcentrar ao lembrar dos lábios dele em partes específicas de seu corpo. — Liv? Está aqui ou estou falando comigo mesmo? — Fitz perguntou e Liv tirou as imagens da mente e forçou-se a responder.

— Casamento. — disse simplesmente.

— Exatamente. Se nós nos assumirmos como noivos, como se já estivéssemos juntos há algum tempo e demonstrarmos o interesse em casarmos em breve, eles acreditarão em nós. — Liv assustou-se, isso porque não imaginava que tivessem que realmente se casar, achava que antes disso Fitz seria eleito e poderiam enrolar as pessoas por mais algum tempo.

— E porque queria falar comigo a sós sobre isso?

— Porque eu estou pouco me fodendo para a opinião de Cyrus, Rubi ou sua secretária, Liv. Eu quero saber o que você quer, se você aceitar isso, estará decidido e se for contra, não menciono isso para ninguém.

Liv se deixou sentar em uma das cadeiras estofadas e macias dispostas à mesa. Pelo olhar de Fitz, soube que precisava pensar rápido, afinal todas as decisões de como agiriam dali em diante tinham que ser tomadas naquele único dia.

Como fora dito antes, ela sabia que aquele não seria um dia comum.

Não precisava pensar muito, se estudasse a ideia por poucos minutos já conseguiria ver que a proposta era realmente muito boa. Não seria tão difícil de vender e seria realmente um conto de fadas moderno, só faltava que Liv fosse pobre e aparecesse uma bruxa má.

— Eu acho a ideia coerente. — Liv disse por fim, chamando a atenção de Fitz que olhava pela janela, fazendo com que ele virasse para si.

— E então?

— Já estou na chuva, não é? Vamos nos molhar por completo. — disse e Fitz assentiu, o sorriso discreto no canto dos lábios fez com que Liv sorrisse de volta para ele.

— Ótimo. Prepare sua melhor feição apaixonada, Olivia. Arrasaremos na maldita entrevista que farão conosco aqui na Casa Branca.

— Entrevista? Casa Branca? — Liv perguntou confusa, enquanto isso Fitz foi até a porta e a abriu para que todos entrassem.

— Rubi explicará para você e sua secretária. Aliás, como é mesmo seu nome, senhorita? — Fitz dirigiu-se para Abby e ela estendeu a mão para o presidente.

— Senhorita Abigail Whelan, senhor. Prazer em conhecê-lo. — Abby sorria, visivelmente admirada com a beleza de Fitz.

— Já ouvi seu nome em algum lugar, mas infelizmente não me recordo. — Fitz sorriu, simpático e Liv se perguntou por onde andava o Fitz ignorante que conhecera há algumas semanas.

— Detesto interromper a pequena conversa de vocês, mas temos muita coisa para resolver hoje. — Rubi falou, impaciente. — Liv, conversei com o presidente e Cyrus antes de você e Abigail chegarem. — ela entregou uma folha para Liv que olhou para a mesma atenta. — Marquei com Connor Malarkey, o apresentador de talk show, e ele virá até a Casa Branca para um entrevista, nem precisei fazer muita força. Todos querem saber em primeira mão sobre o relacionamento de vocês, e assim que mencionei a ideia, já foi aceita.

— E você quer saber se estou de acordo com a entrevista? — Liv perguntou e Rubi a olhou de maneira desdenhosa.

— Querida, na situação que você se encontra não há muitas opções a não ser seguir os planos propostos. — Rubi disse com o tom autoritário, e Liv se remexeu na cadeira sob os olhares dos presentes na sala.

— Querida, eu não obedeço ordens de ninguém. Achei que tivessem falado sobre isso com você, mas se não falaram, que isso fique bem claro a partir de agora. — Liv disse, deixando seus desafeto por Rubi evidente pela forma que ela falava, parecia estar sendo polida e educada, mas era bem óbvio que estava sendo bem ácida. — Quanto a entrevista, eu aceito.

Liv viu Abby sorrir, provavelmente pela maneira que havia acabado de falar com Rubi.

— Ótimo. Isso está resolvido então. — Rubi pareceu ultrajada, mas disfarçou muito bem ao falar. — Vocês leram os papéis que entreguei para vocês ontem?

— Sim. Inclusive liguei para a senhorita Pope, para esclarecermos alguns pontos que não estavam muito claros. — Fitz olhou para Liv e sorriu, ela revirou os olhos, mas um sorriso rápido brotou em seu rosto, causando uma reação nada agradável na feição de Rubi.

— Usou o celular descartável, certo? — Cyrus perguntou de maneira urgente.

— Claro, Cy. Não sou um idiota. — Fitz respondeu erguendo uma de suas sobrancelhas.

— Como eu ia dizendo. — Rubi os interrompeu, buscando a atenção para si. — Eu quero garantir que vocês tenham as respostas na ponta da língua na hora que forem bombardeados pelo Connor. Por isso, preparei essa folha com várias perguntas que provavelmente serão feitas por ele. — Rubi disse e entregou as folhas para Liv e Fitz. — Treinem perguntando um para o outro. Não quero vocês caindo em contradição, eu gostaria de ter mais tempo para garantir nenhum erro, mas estamos tratando do presidente do país que não tem muito tempo para lidar com esse tipo de coisa. — Rubi disse e olhava para Fitz, um tipo de indireta que não pareceu atingi-lo. — Cyrus e Abigail, enquanto os dois treinam, sentem-se aqui perto de mim. Preciso conversar com vocês sobre alguns pontos importantes.

Fitz caminhou até Liv e indicou uma enorme poltrona preta no canto da sala de reuniões. Liv se levantou e os dois se sentaram lado-a-lado, o espaço da poltrona era bom o suficiente para caber mais dois Fitzs e duas Livs, mas estavam grudados. Mais do que a insanidade de Liv exigia.

— Sobre nosso primeiro contato. — Liv olhou para a folha, com uma concentração exagerada nas palavras escritas ali. — Quando foi?

— Há um ano atrás, durante um coquetel que aconteceu aqui na Casa Branca. Eu não me lembro do dia, mas Cyrus garantiu que você estava na lista de convidados. — Fitz respondeu com tranquilidade, olhava para Liv com a mesma concentração que ela olhava para a folha apertada nos dedos de suas mãos. — E como nos aproximamos, Liv?

— Devemos responder que foi Cyrus que nos apresentou, dessa forma se perguntarem para ele, teremos uma testemunha que mentirá para nós. — Liv disse. — Quando começamos a nos relacionar?

— Dois meses depois do coquetel. — Fitz falou enquanto seus dedos alcançavam a gravata cinza e a afrouxava um pouco. — Há uma série de eventos em que nós dois estivemos e que podemos sustentar como o momento que começamos a nos relacionar.

— Exato. Lembra da história, certo? Nós estávamos conversando nos jardins da mansão de Cyrus, durante o aniversário dele quando nos beijamos pela primeira vez. — Liv disse, respirando profundamente ao sentir a respiração de Fitz em seu pescoço. Ela olhou para Rubi que estava de costas, enquanto Cyrus e Abby pareciam concentrados no que Rubi falava. Na verdade, Cyrus parecia entendiado, já que seu trabalho consistia em muito mais do que ser um secretário do presidente. Mas como colocar a verdadeira secretária do presidente por dentro daquela grande mentira?

— Eu estou mais interessado na primeira vez em que fizemos sexo. — Fitz disse de forma sussurrada.

— Não é preciso falar sobre nossa vida sexual, Fitzgerald. Não comece com gracinhas. — Liv o olhou, se arrependendo assim que viu a névoa de desejo estampada nos olhos dele.

O celular de Liv vibrou no colo dela, ela olhou para o visor e Fitz segui os olhos também. O nome de Edisoon piscava e Liv ignorou a ligação, antes de voltar a se concentrar na folha. Ela ia para a próxima pergunta, mas então seu celular chamou novamente e ela rejeitou a ligação mais uma vez ao ver que Edison insistia em falar com ela.

— Pode atender seu namoradinho. — Fitz disse, um sorriso no canto dos lábios.

— Ele não é meu namorado, era meu amigo. Mas ando revendo os meus conceitos de amizade.

— Eu estava certo, não estava? — Fitz perguntou. — Não custa nada admitir, e se quiser pode agradecer.

— Agradecer por ter aberto meus olhos? Ou agradecer por me fazer perceber que não posso confiar em ninguém no mundo? Incluindo meu próprio pai. — Liv disse e Fitz abriu a boca para falar alguma coisa, mas Liv o impediu ao voltar a falar. — Obrigada. Agora vamos prosseguir.

— O apresentador pergunta sobre o que você viu de bom em mim. — Fitz riu e sacudiu a cabeça. — E é nessa hora que o plano vai por água abaixo.

— Essa eu já sei a resposta. — Liv limpou a garganta e olhou sorridente para um ponto desconexo da sala. — "Eu o conheci cheio de marcas, e eu sabia o que as pessoas falavam nos jornais, sobre ele ter mudado desde aquele dia fatídico." — Liv o olhou, e Fitz possuía um olhar inexpressivo. —"Mas eu sabia que ele precisava ser ouvido. Eu consegui enxergar que na verdade a fera que as pessoas viam nele, era só uma forma que ele encontrou para se proteger de si mesmo e da dor que ele escondia e que se ele resolvesse mostrá-la acabaria por engolir tudo que ele tinha construído." — Liv bateu palmas para si mesma. — Fala sério, sou genial! Deveria ser uma atriz famosa.

— É, deveria mesmo. — Fitz sorriu e sacudiu a cabeça. Liv reparou que seu sorriso era fraco.

— Sua vez agora. — Liv cruzou as pernas de maneira sutil, mas percebeu os olhos de Fitz fixados nelas e levantou a cabeça de Fitz, empurrando seu queixo para cima gentilmente. — Precisa para com essa mania de encarar meus peitos ou minhas pernas, se fizer isso ao vivo estaremos ferrados.

— Me desculpe, é mais forte do que eu. — ele respondeu sério antes de sorrir. — Mas aquela nossa conversa de ontem não me ajudou em nada no quesito "conter meus desejos".

— Pessoas dormem nuas, Fitzgerald. — Liv disse aos sussurros. — Não é nada demais.

— Pessoas não me interessam, estamos falando de você nua, Liv. Isso me interessa, carinho. — ele disse com a voz rouca, e Liv pigarreou olhando para os outros três que estavam na mesma sala, parecendo totalmente alheios ao que acontecia ali perto. — Vai me falar que não se imaginou sendo fodida por mim em algum momento desde o dia em me conheceu?

— Está sendo muito pretensioso.

— Se te perguntassem como foi nossa primeira vez na cama, Olivia. Como teria sido? — Fitz perguntou e Liv sentiu as palmas de suas mãos suarem. Ele estava jogando pesado, e apesar dela adorar aquele jogo, estava em um estado de profunda sensibilidade após o sonho que tivera com ele. Se ele insistisse demais, acabaria cedendo naquele sofá sem nem importar com a presença dos outros na sala.

— Já terminaram? — A voz melodiosa e sensual de Rubi arrastou-se pela sala, chamando a atenção de Liv e Fitz.

— Sim. — Liv respondeu com certa urgência, algo visível em sua voz.

Rubi ia falar algo, porém duas batidas foram ouvidas na porta e Cyrus foi até a mesma, e então um dos homens do serviço secreto falou algo com Cyrus que logo depois voltou-se para Fitz.

— Senhor, o advogado Ramon Contreras acabou de chegar.

— Mande trazê-lo até aqui, o que estão esperando? — Fitz disse, gesticulando com uma das mãos.

Alguns minutos depois, o advogado entrou na sala de reuniões e Cyrus pediu que Rubi se retirasse, a loira não pareceu gostar muito, mas o trabalho dela não incluía nada sobre aquela parte contratual.

— Ambos estão cientes do conteúdo do contrato, correto? — o advogado perguntou e Liv assentiu, sendo seguida por Fitz. Ramon Contreras era um famoso advogado, todos da cidade o conheciam por ele saber exatamente como livrar todos os seus clientes das sentenças que os aguardavam e por entender tão bem da lei que regia no país.

— Certo. — Ramon disse, entregando cópias para eles. O que fez Liv se lembrar da cópia que esquecera em casa, dentro da gaveta com senha em seu armário. — Devo lembrá-los de que o contrato não vale apenas para esse ano de eleição, mas também pelos próximos 4 anos de mandato.

— Isso não estava especificado no contrato. — Liv reclamou, seu tom de voz não parecia apreciar aquela informação, e todos a olharam.

— Liv, isso é para seu próprio bem. — Fitz disse com cautela para Liv.

— Como assim? Não vejo nada disso sendo feito para meu bem. — Liv falou com o olhar severo na direção de Fitzgerald.

— Se você se separar de mim logo após a eleição, caso eu seja eleito ou não, perderá a credibilidade. Todo nosso teatro irá por água abaixo, e não conseguirá se eleger em nenhum lugar nos Estados Unidos.

— Você não pensou nisso, Liv? — Cyrus a olhou visivelmente preocupado com a reação de Liv. — Espero que essa feição não seja de quem está desistindo.

— Eu… — Liv olhou para Abby, que sorriu dando força para ela. — Não vejo outra saída a não ser aceitar.

Cyrus pareceu relaxar logo após a resposta de Liv, que pegou o contrato original, Ramon indicou exatamente em quais lugares ela deveria assinar e ela o fez lembrando-se de que aquilo era a decisão mais correta de sua vida, mesmo que não parece naquele exato momento.

Fitz assinou logo depois, e ambos, Liv e se olharam. Estava feito.

— Senhoritas e senhores. — Ramon se levantou. — Todos nesta sala devem assinar o termo de confidencialidade, tanto do conteúdo do documento, quanto de qualquer conversa ou contato sobre esse assunto.

Todos assentiram, e o único barulho ouvido ali dentro foi o de canetas sendo arrastada pelo papel. Assim que todos acabaram, Ramon juntou todos os documentos colocando-os em pastas confidenciais. — Como esse assunto é bastante delicado, o senhor presidente escolheu um advogado que não fosse da Casa Branca, e eu aliás, devo mencionar que me senti muito honrado e prometo agir conforme o plano pré-estabelecido. Esses documentos ficarão em um lugar bem protegido, só os conseguirão por cima do meu cadáver. — Ramon disse sorridente, porém Liv sentira um arrepio na espinha ao ouvir as palavras do advogado. — Espero ser convidado para o casamento. — Liv forçou um sorriso amigável para ele e Fitz meneou a cabeça antes de falar.

— Claro, meu amigo. Terá um lugar preferencial junto aos chefes de estado. — Fitz disse e Ramon rira daquela que parecia uma piada interna que Liv nem tentou entender.

— Abby, vem comigo, por favor? — Liv pediu e Abby assentiu. Elas pediram licença e se afastaram dos homens que conversavam e bebiam um líquido âmbar que Cyrus despejou para eles.

— O que foi? — Abby perguntou. — Você está bem?

— Acho que sim, só estou...sei lá, um pouco assustada. Parece que assinar aquele papel me jogou um peso nas costas e fez a ficha cair de que eu estou presa a aquele homem por uns cinco anos. — Liv disse, olhando para Fitz de canto.

— Mas depois disso você poderá seguir sua vida. — Abby passou a mão no braço da amiga, fazendo-a sorrir. — O que você queria? Melhor mudarmos de assunto.

— Claro, também acho. — ela passou a mão nos cabelos. — Então, se lembra da casa da minha avó?

— Como não? Ela foi a causa de tantas brigas na sua casa. — Abby disse, parecendo lembrar-se das discussões.

— Exatamente. Eu sei que posso estar prestes a causar mais uma confusão, mas acabei de mandar uma mensagem para a governanta da casa, e pedi para os empregados que foram contratados pela minha mãe para cuidar do local, prepararem nossos quartos. — Liv disse, já esperando pela expressão de espanto da amiga.

— Caramba! Você está mesmo determinada a se virar contra seu pai.

— Ele odeia tudo que tem a ver com minha avó, algo que nunca entendi já que a única coisa que ela fez foi proteger a filha dela, e a mim. Talvez ele se sentisse culpado pelas verdades que ela jogava na cara dele. — Liv se lembrou das vezes que a avó visitava sua casa e como sempre acabava em alguma discussão estrondosa. — De qualquer forma, pretendo ficar lá apenas até o casamento. E pelo que entendi, não vai demorar a acontecer.

— Espera. Como assim "não vai demorar a acontecer"?

— Eu e Fitz conversamos e percebemos que se apressarmos o casamento, vamos conseguir fazer com que nosso relacionamento fique mais real. Ninguém vai achar que estamos nos casando só para beneficiá-lo, vão achar que se estamos indo tão longe e levando o relacionamento para esse nível, pois nos gostamos de verdade.

— Uau. — Abby disse com a expressão surpresa.

— O quê?

— Você falou com tanta convicção agora que acreditei. Acho que você realmente tem uma veia artística. — Abby disse rindo, e arrancando uma risada de Liv.

— Ainda bem que você sempre tem umas piadinhas pra me animar. — Liv disse e então prosseguiu antes que se esquecesse. — O que eu gostaria que você fizesse, era que levasse as minhas coisas até a mansão da minha avó e depois buscasse suas coisas também, se quiser ficar lá comigo, é claro.

— Você acha mesmo que ficaria na mesma casa que seus pais? — Abby revirou os olhos. — Eles me olham como se eu fosse uma criminosa só por ser sua amiga.

— Como se eu estivesse cometendo algum crime também, né?

— Eles são um pouco exagerados às vezes.

— Vocês quis dizer "sempre", né? — Liv indagou e nesse exato momento o celular de Abby começou a tocar, ela olhou rapidamente e o guardou na bolsa.

— Sério, mais uma ligação desses malditos jornais em busca de você e informações sobre o relacionamento entre vocês dois, vou entrar em colapso. — Abby disse com certa impaciência. — Vou até a casa de Cyrus, busco as suas coisas e depois busco as minhas, até a noite estaremos instaladas na mansão da sua avó e espero que seu pai não nos mate quando descobrir.

Abby disse antes de sair e Liv lembrou-se de como foi uma guerra assim que sua avó Lizzie morrera, toda a confusão que se instalou quando descobriram que ela havia deixado praticamente tudo no nome uma empregada que trabalhava para ela.

Liv lembrava-se exatamente como estava no dia da morte dela, em sua casa, sentada no sofá, chorando pelas lembranças que a avó deixara em sua vida, enquanto seu pai esbravejava que ela tinha sido uma velha insana, por não deixar nada para a filha.

Mas a coisa ficou pior ainda quando o advogado de Lizzie explicara que ela havia deixado uma carta explicando a divisão da herança. Quando Liv leu a carta, que falava que nada era deixado para Maya, pois Lizzie acreditava que Eli gastaria tudo na política, a coisa toda explodiu por completo e seu pai considerou aquilo como uma afronta e por isso fez com que Maya jurasse nunca colocar os pés nas propriedades ou as mãos no dinheiro que Lizzie deixara.

Liv não entendia o motivo daquela reação naquele dia, mas ali, alguns anos depois, ela conseguia entender que a ganância de seu pai era o que tinha falado mais alto na ocasião.

— Liv? — a voz de Fitz chamou-lhe a atenção, ele vinha em sua direção e ela percebeu que eram apenas os dois ali na sala.

— Sim?

— Sua expressão parecia preocupada e ao mesmo tempo decepcionada. — ele pareceu preocupado ao falar. — Aconteceu alguma coisa? Posso tentar te ajudar?

— Não, eu só estava lembrando de algumas coisas do meu passado.

— Desagradáveis, pelo visto.

— Um pouco. — Liv respondeu e então resolveu mudar o assunto. — Então, somos oficialmente um casal, hein?

— Acho que agora selamos o contrato. Acho que um beijo daqueles cairia muito bem. — Fitz disse aproximando-se de Liv e ela apenas espalmou sua mão no peitoral rígido dele.

— Não acho que seja necessário.

— Você quer realmente me deixar maluco, não é? — Fitz questionou, e passou a língua sobre o lábio inferior.

Liv sentiu o celular vibrar em sua mão e olhou para o visor. Seu celular começou a tocar pela milionésima vez de maneira estridente e irritante, era Edison mais uma vez.

— Edison novamente? — Fitz perguntou com a voz grave.

— Sim.

— Atenda-o.

— Não estou afim de conversar com ele tão cedo. — Liv disse, e rejeitou a ligação logo em seguida, sentindo-se uma criança pela atitude, mas depois repensou e percebeu que o homem que um dia chamou de amigo, não merecia seu tempo. Talvez sua atitude não fosse tão infantil no fim das contas.

— Ótimo, então deixe-o esperando. — Fitz segurou-lhe uma das mãos e a puxou um pouco, Liv apenas o seguiu. Ele se sentou no sofá em que estavam antes e Liv sentou-se ao seu lado novamente.

Hora perfeita para seu celular chamar mais uma vez. E mais uma vez, rejeitou.

Liv olhou para Fitzgerald, que coçou a sobrancelha, visivelmente impaciente e então a olhou curioso. Liv que até então o olhava de soslaio, virou-se e o encarou. Algo que certamente não fez muito bem, pois assim que seus olhos mergulharam nas esferas azuis de Fitz, todo o sonho que tivera veio em flashes dançando em sua memória.

"Quando se livraria daquelas imagens que pareciam ser tão reais?", era isso que ela se perguntava.

— O que foi? — Liv resolveu falar, tentando tirar as imagens do sonho da cabeça.

— Sério? Se você não atender, eu pego essa porra e jogo na parede. — ele diz com a expressão densa. —Está bem claro que ele não vai desistir de falar com você. — Fitz disse, sua voz denotando o incomodo que sentia.

— Por acaso está com ciúmes, senhor presidente?

— Não seja presunçosa, Olivia. — Fitz disse sombrio. — Já disse que não me apaixono mais. Não confunda todo o desejo que sinto em tocá-la, beijá-la por inteira e te foder até julgar suficiente, com paixão ou qualquer coisa do tipo.

— Desse jeito fica parecendo um ser preparado apenas para o sexo, mas sabemos que amou profundamente Mellie, e isso prova que em algum lugar dentro de você há um lado sentimental.

— Exatamente por isso não misturo as coisas. Eu tenho a tendência a destruir tudo de bom que está a minha volta e a culpa parece ser minha e da carreira que eu escolhi — ele terminou de falar e deu uma pequena pausa, e Liv pensou em perguntar-lhe sobre aquilo, mas ele mudou o assunto de maneira repentina. — Rubi avisou que precisamos ensaiar com ela toda a entrevista, ela está determinada a nos fazer parecer como um casal de verdade.

— Ela parece estar determinada a conseguir muitas coisas. — Liv não conteve o comentário sarcástico.

— O que quer dizer com isso?

— Ah, por favor. Como se não percebesse o olhar de predadora que ela lança para seu lado toda vez que está perto de você, e como ela deseja me matar cada vez que fala comigo.

— Está com ciúmes, senhorita Pope? — Fitz perguntou, usando as mesma palavras escolhidas por Liv anteriormente.

— Veja pela minha expressão. — Liv lhe lançou uma expressão fechada e ele sorriu. — Só quero que ela não cause problemas ou não atrapalhe, lembre-se que meu futuro está em jogo também.

— Eu sei disso.

— Então assegure-se de que ela mude o comportamento, por favor. Não preciso de uma mulher desse tipo me irritando.

— Podemos falar de algo relevante? — Fitz perguntou e Liv o olhou, curiosa.

— Fale.

— No contrato está bem especificado sobre contatos físicos. — Fitz começou e Liv se remexeu. — Eu não sei se conseguirei cumprir esse termo se continuarmos da mesma maneira que estamos agindo.

— E o que você sugere para resolvermos isso? Para mim está bem óbvio que deve parar de tentar transar comigo a todo custo. — Liv disse tais palavras, mas sua mente lhe pedia o contrário.

— Porque se eu continuar, você não resiste, não é? — Fitz e seu maldito sorriso presunçoso estavam na sala, dificultando as coisas ainda mais. — O que ia sugerir, era que simplesmente entreguemos ao desejo o que ele tanto quer consumir.

— Você quer dizer…

— Que nós façamos sexo fodidamente quente. — ele passou a mão pelo braço de Liv, subindo-a até alcançar o pescoço e o queixo de Liv. — Quero me enterrar fundo em você, para que possamos nos livrar da tensão sexual que se instalou entre nós.

— Eu não consigo entender toda essa sede por sexo, senhor presidente. — Liv sorriu, fingindo que sua intimidade estava molhada e pronta para recebê-lo naquele exato momento.

— Nem eu, Liv. Só sei que tenho pensado muito em você desde aquele maldito dia em que brigou comigo, e principalmente depois que senti seu corpo colado ao meu quando dançamos — ele parecia lembrar enquanto Liv o olhava atentamente. — Depois daquele dia toronou-se quase uma obsessão.

— Sabe, Fitzgerald, toda minha vida eu ouvia as pessoas me tratando como uma princesa e isso é horrível. — Liv riu antes de prosseguir. — E isso pode parecer contraditório, mas é uma merda quando todos esperam que você aja como uma garota perfeita, quando na verdade você só aparenta ser uma.

— Você nunca me enganou. — Fitz lançou-lhe um sorriso esperto.

— O que quero dizer, é que eu não sou tão boazinha quanto aparento. Talvez preocupada demais, e eu sei que isso pode ser sinal de sucesso, mas, ao mesmo tempo, se não puder controlar, me leva ao fracasso. Eu faço coisas erradas como qualquer outra pessoa, apesar de que ninguém espera isso de mim.

— Eu temo não estar entendendo o que quer dizer com tudo isso, Liv. — Fitzgerald comentou, aparentando estar curioso e confuso.

— O que estou dizendo, é que por mais que não aparente… — Liv aproximou seu rosto de Fitz, ele a olhava, curioso. — ...eu não sou boa em seguir regras. — Liv roçou seus lábios nos de Fitz antes de se levantar. — Imagina então se eu conseguiria seguir um contrato daquele tamanho por completo. Acha mesmo que não vou desobedecê-lo em algum momento? — Liv piscou para Fitz, que parecia atônito e enfeitiçado. — Até mais, preciso resolver algumas coisas e volto daqui uma hora.

E então Liv saiu dali o mais rápido que pôde, fugindo de si mesma e das coisas que falava. Pensou que se arrependeria de ter dito para Fitz, mas surpreendeu-se ao se dar conta de que não sentia-se culpada, mas sim excitada.

E talvez, só talvez, ele tivesse razão.

Uma vez resolveria aquela situação entre eles e ficaria apenas entre eles.

Seu celular chamou mais uma vez enquanto ela andava pelos corredores da Casa Branca, dois agentes a acompanhavam e ela se sentou em um banco estofado de veludo que encontrou em uma ampla sala aberta. Olhou para o celular tocando em sua mão e então decidiu ceder.

Não perdoaria Edison, mas o escutaria.

— Fala, Edison.

— Até que enfim me atendeu. — a voz de Edison era desesperada.

— Que voz é essa?

— Ela está morta, Liv.

— "Ela" quem?

— Alícia Hayes. Foi encontrada essa manhã, já deve estar em todos os jornais agora. — Liv sentiu um peso no estômago. — A perícia aponta ser um suicídio, mas eu sei que não foi e tenho provas disso.