N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteudo, por favor não leia
N/A²: Não deixem de comentar. Por Favorzinho...
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Capítulo 11
Fitz sentou-se na sua cama, bebeu um gole do uísque que estava em seu copo e pensou em Liv. Pensou se era certo fazer aquilo com ela, se era certo usá-la daquela maneira. Porque sim, ele em certos momentos pensava que toda aquela ideia de "casamento" seria como usar a mulher.
Ela estava certa quando disse não ver nenhuma vantagem para si, ela tiraria o peso das costas de toda aquela sujeira que sua oponente, Sally, estava planejando. Isso é claro, se ele conseguisse se reeleger.
Ele soltou um riso amargo, pesado. As imagens do sepultamento de Mellie vieram em sua cabeça. A comoção nacional, as pessoas perguntando se ele estava bem. Como alguém estaria bem após a morte da esposa? Pergunta estúpida, que ele ouvira por diversas vezes.
Fitz caminhou lentamente, vez ou outra bebia do líquido em seu copo, saboreando o gosto forte da mesma, há muito tempo que não sentia as coisas ficarem tão estranhas como sentia por aqueles últimos dias. E ele temia por Liv.
Fitz caminhou até a famosa Truman balcony, a sacada da Casa Branca, deixou seu corpo relaxar encostado no parapeito da enorme varanda que era exclusiva do presidente, só podia ir até ela através do seu quarto. O quarto do presidente.
"Grandes merdas!" Ele pensou, lembrando-se das duas pessoas mais importantes que ele não conseguira proteger, e ele sabia que seu título destruía tudo o que tinha, e chegava a ser irônico o fato dele ser considerado o chefe em comando do país, quiçá, do mundo.
Apesar de não estar tão bem nas mídias, ele sabia que os Estados Unidos ainda era a maior potência mundial, enquanto todos pensavam que o país estava de mal a pior, Fitz sabia dos segredos, as estratégias, sabia que o poder que tinha era descomunal.
Ainda assim, não serviu de nada quando precisou salvar a vida da mulher e da preciosa vida que ela carregava dentro de si. Porque era isso, Mellie estava grávida, e apesar de recente (apenas três meses), era um filho, um primogênito. O sobrenome Grant teria sua descendência, mas nada aconteceu como deveria.
Mellie morrera no dia do próprio aniversário e a culpa era toda sua, por egoísmo de sua parte dissera para a esposa ir embora sozinha no carro presidencial, enquanto ele ficaria no evento em que estavam. Cyrus dissera por várias vezes que um acidente de carro não poderia ser culpa dele, que ele deveria seguir em frente e ele até tentara, sem muito sucesso.
E talvez seu subconsciente estivesse certo, pois não havia sido um acidente, e apesar de ter achado isso ser uma piada de mal gosto, quando recebera uma ligação delatando o fato, mas acabou indo atrás de explicações para aquela revelação que surgiu do nada alguns dias antes e esperava respostas. Depois de dois anos descobrir que o acidente que matou sua mulher e seu filho, na verdade não foi um acidente causava um impacto profundo em sua vida.
Fitz achava que talvez as coisas poderiam ter sido diferentes caso ele não tivesse destratado a esposa, caso ele tivesse pedido que ela esperasse mais alguns minutos. Naquele dia Mellie estava impaciente, estava tendo com um comportamento que nunca tivera anteriormente e ele não estava conseguindo lidar com sua vida profissional e pessoal ao mesmo tempo.
Mas sabendo que a morte dela não fora um acidente, fazia com que ele definitivamente sentisse o peso da culpa sobre si, caso ele não fosse o maldito presidente dos Estados Unidos, tudo estaria bem com Mellie e a criança.
Nunca saíra nos jornais o fato da criança existir, Fitz fez disso uma questão de sigilo absoluto. Mas ele sabia e isso era suficiente para que o tal peso da culpa caísse sobre suas costas como um fardo pesado a cada dia.
Ele achava engraçado que sua posição como presidente era reverenciada dia após dias, mas em momentos como aquele, ele detestava seu título de "Comandante-chefe".
— Senhor? — o barulho de alguém batendo à porta foi ouvido.
— Entre — Fitz respondeu, sabendo que se tratava de Cyrus.
— Senhor, me desculpe incomodá-lo a esta hora, eu estava em casa me preparando para dormir, mas tenho péssimas notícias sobre o que pediu — Cyrus disse, entrando no quarto, Fitz saiu da sacada que estava e voltou para dentro do quarto.
— Conseguiu encontrar a Alícia? — Fitz perguntou de maneira ansiosa.
— Ela está morta, com todas as tarefas do dia, acabei deixando passar batido, mas acabo de receber a confirmação de que ela foi encontrada morta em seu apartamento aqui na cidade. Tudo indica suicídio.
— Cyrus, ela me disse com todas as letras… — a voz de Fitz era fria, porém o desespero contido ali era perceptível.
— Eu sei, senhor — Cyrus respirou fundo, e Fitz sentiu que ele tentava não desesperar — Ela pediu que a ajudássemos, ou ela morreria.
— Ela não se matou, Cy. Ela me contou esse maldito segredo e então a mataram.
Alícia Hayes tinha resolvido ligar para Cyrus, o único que ela sabia que teria acesso imediato ao presidente e então jogou um dos segredos que sabia como uma bomba no colo do assessor direto de Fitz.
— Eu também acredito que tenha sido por isso. Ela mesmo disse que havia sido ameaçada diversas vezes, e bom, agora não temos mais como averiguar as fontes da informação — Cyrus parou de falar, pensativo. — O que faremos agora, senhor?
— Devemos nos preparar, Cy. Alguém sabotou o carro daquela vez e acabou matando Mellie, mas tenho certeza de que era para eu ter morrido também. Esperavam que eu estivesse dentro do carro com ela.
— Acha que eles ainda virão em busca da sua morte?
— Eu não acho. Eu tenho certeza.
— Mesmo depois de dois anos?
— Você sabe que o carro passou por milhares de perícias e nada foi descoberto, Cyrus. Quem fez isso é um profissional altamente treinado, ou seja, não importa quem esteja do lado inimigo, eles sabem o que estão fazendo e eles provavelmente têm a paciência suficiente para não estragar o plano por conta de pressa — Fitz despejou o resto da bebida de seu copo em sua boca. — E se eles mataram Alícia, é porque estão de olho. Nosso inimigo sabe que ela nos contou.
— Então temos um infiltrado aqui?
— Já tínhamos suspeitas sobre isso, e agora eu tenho plena certeza.
— Acha que é seguro envolver Olivia nisso tudo, Fitz? — Cyrus mudou o tom, mostrando preocupação pela mulher.
— Eu não sei, Cyrus. Preciso pensar sobre isso com calma, mas já deixe Tom avisado que a partir de agora ele será o agente incumbido de proteger, Liv.
— Senhor, acho melhor mandar outro agente. Sabemos que Tom é o mais confiável, já o acompanha há muito tempo.
— Por isso mesmo. Liv não vai sair machucada disso.
— Eu vou escolher um bom agente secreto, senhor. Fique tranquilo — Cyrus disse, e Fitz meneou a cabeça, tendo a certeza de que a última coisa que sentiria naquela noite era tranquilidade.
— Obrigado pelos seus serviços, Cyrus.
— Tente não surtar por isso, Fitz — Cyrus disse, sua voz amigável. Era o amigo aconselhando e não o assessor, Fitz assentiu antes que Cyrus saísse do quarto, deixando o presidente com o olhar sombrio.
Fitz esperou apenas Cyrus sair para então se sentar na cama, sentindo o peso esmagador em seu peito. Sentiu-se impotente, sua mente mandava a palavra culpa como um sinal de semáforo diante de seus olhos e então ele usou toda sua força para jogar o copo que estava em suas mãos contra a parede de forma violenta.
Um grasnado saiu de sua garganta. Ódio. Culpa. Ressentimento. Impotência. Desespero.
Aquela seria uma noite difícil para Fitzgerald Thomas Grant.
Dois anos antes
Mellie sentou-se em um banco de madeira no jardim da casa de Chad Henson, o vice-presidente, enquanto uma enorme festa acontecia dentro da mansão imponente e deixou-se esquecer das obrigações de primeira-dama enquanto de maneira desleixada virava um gole do champagne em sua boca, não da taça como demandava os bons modos, mas ela mandara os bons modos às favas naquela noite.
Ela sentia-se ultrajada, abandonada. Não que ela esperasse diferente, afinal, ela havia se casado com um homem que havia se casado com a política antes dela, e Mellie sabia no que estava se metendo quando aceitou de bom grado aquele maldito pedido de casamento. Se não fosse aquele jeito de Fitz com ela, não teria se deixado levar pelo desejo de mudança.
Talvez se tivesse voltado para sua cidade no interior do Texas após a universidade, talvez se tivesse aberto um escritorio de advocacia e tivesse se casado com algum advogado famoso de sua pacata cidade, não passaria tanta raiva, não engoliria tanta coisa.
Sempre mantinha aquele sorriso agradável no rosto, aguentava os olhares promíscuos de velhos decrépitos que não importavam em nada com o fato de seu marido ser o homem mais poderoso do país. Talvez não devia ter aceitado nada daquilo.
Talvez. Talvez.
Tarde demais para repensar no que já estava feito, sonhar com uma mudança de planos em que só era possível ser feita no passado, tornando a tarefa na verdade impossível. Mellie chorou, jogou a garrafa no chão cheio de pedrinhas que iluminados pela luz do poste no meio do jardim, pareciam pedrinhas preciosas. O vidro espatifou-se e o líquido borbulhante espalhou-se por entre elas.
Os olhos de Mellie estavam molhados, a visão dela embaçada, enquanto ela tentava conter inutilmente as lágrimas que vinham com uma facilidade absurda através dos canais lacrimais, jorrando em sem rosto bem maquiado. Vez ou outra ela passava a mão pelo rosto, tentando livrar-se do estrago, e fazia apenas piorar sua situação.
— Mellie? — Mellie enxugou outra lágrima e olhou para cima vacilante, e então um sorriso trêmulo abriu em seu rosto. Seu "cavaleiro da meia-noite" estava ali. Aquele apelido poderia ser ridículo, mas era o que mais combinava com o homem loiro, alto e forte que se dispunha em sua frente.
— Não quero que me veja assim. Por favor, me deixe sozinha — ela disse antes de começar a soluçar, tentando refrear o choro que amargava em seu peito e escorria pelos olhos.
— O que houve dessa vez?
— Eu estou preocupada com você, preocupada comigo. Tenho medo de que tudo dê errado. E agora para piorar meu medo, descobri que estou grávida — respondeu de uma vez só, arrancando aquela notícia do pensamento. Estava cansada de guardar só para si, o homem diante dela tinha cinquenta por cento naquela merda toda. — Eu não quero contar para o Fitz, ele não liga a mínima para minha existência ou minha opinião, mas pelo visto é a única opção.
— Você sabe que sempre tem a segunda opção, Mellie — o homem alto falou, sentando-se ao lado de Mellie, não havia um pingo de remorso em sua voz pesada.
— Não vou abortar uma vida dessa maneira, por puro capricho. Sabe que minha ganância, minha ambição não me leva ao limite. Não sou dessas mulheres que perdem a razão por um simples erro — Mellie disse, sua voz cortante em direção do homem.
— Vai deixá-lo descobrir sobre o nosso relacionamento? Porque bem sabemos que esse filho não é dele — o homem falou, sua voz sarcástica, se fosse líquida poderia ser considerada causticante. Mellie o olhou com raiva, seus olhos vermelhos, assim como a ponta de seu nariz, delatando o choro recente.
— Eu direi que o filho é dele, não é óbvio? Acha que não fiz sexo com meu marido nos últimos meses? Acredita mesmo que fui só sua? Eu me casei com aquele homem, eu fui apenas dele...pelo menos até te conhecer.
— Você me irrita quando joga isso na minha cara.
— Você acha que não sentia o mesmo quando jogava na minha cara que estava comendo algumas menininhas por aí? Eu sei de todas elas, todas as vadias que atravessaram seu caminho. Sabe que cuido do que é meu.
— Por essas e outras é que considero o fato de que nunca amou o Fitz.
— Porque essa ideia?
— Porque nunca cuidou dele da mesma maneira que cuida de mim.
— Lógico que cuido! Não vê tudo que faço por ele? Eu me apaixonei perdidamente por aquele homem.
— Você não suporta mais ter que ficar perto dele, tem sido uma ótima atriz. E não estou negando nada disso que está me dizendo, só estou dizendo que a chama entre vocês apagou no meio do caminho. Pelo menos da sua parte.
— Ele não se importa mais comigo, já disse. A tal chama, apagou do lado dele também.
— Você se engana. Ele apenas aceitou sua atitude condescendente, mas o sentimento continua ali. Eu sei disso, Mellie. Vejo isso o tempo todo.
— Se tem tanta certeza disso, porque ele não está aqui?
— Ele me perguntou por você. Isso foi o suficiente para que eu decidisse procurar, e eu imaginei que tivesse se afastado de tudo e de todos. Tem se mostrado muito fechada ultimamente.
— Eu estou cansada — Mellie falou, um desabafo denso escapando dos lábios manchados de batom rosa. — Precisa me ajudar. Você é o único que pode me ajudar a me livrar disso tudo e sabe disso.
— Eu sei.
— Promete que vai ajudar a mim e a esse filho?
— Eu prometo — o homem respondeu, Mellie pesou a cabeça sobre o peitoral do homem que circundou os braços em volta do corpo dela em resposta. — Mas você sabe que precisamos ir até o fim com o plano, Mellie. Não dá para cancelar tudo agora que estamos tão perto de conseguir o que queríamos, tem muita gente envolvida e se dermos para trás, será pior. Eles virão atrás de nós e destruirá qualquer vislumbre de um futuro para nós.
— Acha que até o dia do meu aniversário já teremos resolvido isso?
— Você está me pedindo para resolver tudo em uma semana?
— Sim, dessa maneira não preciso contar para Fitz sobre a gravidez e poderemos sumir das vistas de todos.
— Não consigo negar o que me pede, minha preciosa. Eu resolverei tudo em uma semana… até lá, seremos livres e vocês serão só meus — o homem disse, sua mão deslizou discretamente pelo ventre da mulher, mostrando que apesar de tudo, a novidade o agradava. Antes dele então se afastar, e se levantar do banco, ao perceber passos pelas pedrinhas espalhadas no jardim.
— Espetáculo digno de um teatro — uma voz grossa pôde ser ouvida, e então uma terceira pessoa entrou no enorme jardim — Seus babacas! Vão ficar de agarramento no meio de uma festa dessas? Onde enfiaram a porra do cérebro de vocês? Se alguém visse vocês assim, seria um prato cheio.
— Eu tomei a precaução de checar e não há ninguém por aqui, senhor Graham — o amante de Mellie disse com firmeza na voz. — Eu não sou tão babaca quanto você que expõe todas as suas aventuras por aí. Calou a vagabunda que estava te chantageando?
— Você se acha inteligente, não é? Eu dei dinheiro para Alícia e a mandei para a Europa, não volta para cá enquanto estiver enfiando dinheiro no rabo gordo dela — Graham riu, tragou seu charuto e soltou uma baforada pesada no ar. — O que estão esperando? Entrem logo para a festa, ou alguém além de mim, vai acabar vendo vocês dois juntos e as coisas vão ficar complicadas para nós. Ande logo, seu babaca! — ele apontou para o homem que olhava para Mellie, preocupado em deixá-la sozinha com aquele corvo. — Primeiro você e depois ela — Mellie assentiu e o amante saiu dali pisando firme.
— Gordo idiota! — Mellie vociferou entredentes e Graham se aproximou de Mellie, segurou a mulher pelo queixo de forma violenta.
— Sua putinha! Melhor ficar calada, não acha? Eu acabo com sua raça, e com a raça de quem mais tentar atrapalhar esse plano todo, vocês me convidaram para participar e quando eu entro em alguma coisa não é para perder. Então, vamos colaborar, certo?
Mellie usou toda sua força e então cuspiu na cara do governador, ele enxugou a saliva que foi disparada logo na direção dos olhos, sua sorte é que no reflexo de movimentos, fechou os olhos.
— Eu sou a primeira-dama ainda, senhor Graham. Contenha suas atitudes e palavras, se eu quiser você morto, se eu quiser sua cabeça em uma bandeja, eu terei — Mellie disse e se levantou do banco. Ajeitou o vestido cinza, tentando livrar de alguns amassos sobre o tecido, o governador a olhava com ódio nos olhos, suas mãos fechadas em punho do lado do corpo demonstravam a vontade em avançar em Mellie, mas ele sabia que precisava dela, então estava se contendo.
Mellie saiu de perto dele, indo de volta para a maldita festa, mas antes de sair do jardim, pôde ouvir as palavras que lhe atingiram os ouvidos, causando um frio na espinha, um arrepio percorreu em seu corpo inteiro devido a força do que foi dito.
— Eu também tenho esse poder. Te esmago se você se virar contra mim, piso em você antes que se dê conta da morte te levando embora, vadia.
Liv caminhava pela Casa Branca em silêncio, Abby ao seu lado, conversava ao celular e anotava várias coisas na sua agenda. Liv sabia como a amiga estava ficando cada vez mais perdida nos últimos dias.
Só não perdida quanto a própria Liv, que lidava com tanta confusão dentro de si. Seu coração palpitava cada vez que lembrava da morte de Alícia, e explodia em frenesi quando imaginava que ficaria perto do Presidente novamente. A tensão que crescia em seu âmago e espalhava-se por todo canto de seu corpo.
Ela não devia sentir-se tão atraída por ele, e ela sabia disso. Mas como resistir aos olhares profundos que a desnudavam? Como resistir aos toques íntimos, de quem tinha a experiência ínfima e sabia exatamente o dano que causaria?
Liv passara boa parte daquele dia se preparando para a temida entrevista na Casa Branca, mas era necessário dar alguma explicação para os cidadãos americanos, antes que eles levassem aquele segredo todo em volta do relacionamento entre ela e Fitz como uma afronta.
Naquele dia, vestira algo justo, porém discreto assim como Rubi tinha mencionado, mas não porque a loira tivesse pedido tal coisa, e sim porque temia o que podia esperar da maldita entrevista. Havia se passado dois dias desde a última vez que vira Fitz. O silêncio prevaleceu entre eles, e Liv não sabia se achava aquilo bom ou ruim.
Por um lado seria bom, pois ela precisava de um tempo, espaço extra, precisava respirar aliviada longe daquele tumulto todo, ela precisava analisar a situação toda por fora. E depois que recebera uma ligação de Huck avisando que o laudo da perícia não condizia com as fotos e que precisaria invadir o laboratório para examinar ele mesmo o corpo de Alícia, Liv sentira que as coisas estavam prestes a ficarem estranhas.
Aqueles dois dias foram como um descanso, um preparo físico e mental.
Mas por outro lado, Liv sentia falta das investidas do lindo e delicioso presidente rabugento, aquilo a ajudava a relaxar, fazia com que ela esquecesse dos malditos problemas que rondavam sua cabeça. Mesmo que ele fosse a fonte de uma de suas preocupações.
Era contraditório. Como o próprio presidente havia dito para ela, e Liv não negava.
— Boa tarde — Liv disse assim que entrou em uma das salas da Casa Branca. Encontrou apenas Fitz, sua feição cansada, parecia não ter dormido nos últimos dias. — Parece que não está tão boa assim.
— Nem para você — Fitz respondeu. — Parece que não dormiu bem nos últimos dias, tem uma feição abatida.
— Já se olhou no espelho hoje? Estamos iguais — Liv disse e Fitz assentiu.
— Muitas preocupações.
— É, eu soube do homem que foi morto por policiais e agora estão querendo vingança.
— E tem muitas outras coisas além dessa. Não sei porque ainda quero vencer essa eleição, ser presidente não me trouxe nada de verdadeiramente bom — Fitz falou e Liv notou o tom amargo de suas palavras. — Mas então? Preparada para a entrevista?
— Mentiria se eu dissesse que sim, e olha que sou bem difícil de ficar ansiosa ou com nervosismo antes de entrevistas. Sempre fui muito tranquila com isso. E você, Fitz?
— Eu estou só cansado, mas tenho certeza de que darei conta do que espera por nós. — Fitz que estava sentado em uma poltrona de couro marrom, levantou-se e aproximou de Liv. — Liv, preciso te fazer uma pergunta.
— Faça — Liv falou, olhando nos olhos azuis fortes de Fitz.
— Tem certeza?
— Como? Acho que não entendi.
— Você tem certeza de que quer prosseguir com o plano? Porque se você desistir, eu vou entender. Sei que é uma tarefa pesada, eu rasgo aquele maldito contrato e damos um jeito para contornar a mídia.
— Meio tarde para me perguntar isso, não acha?
— Eu só estou preocupado com você.
— Como assim?
— As pessoas pagam um preço caro quando se envolvem comigo, Liv.
— Eu não tenho medo, Fitz. Sei me cuidar — Liv falou, lembrando-se de ter usado palavras parecidas com Edison. — Posso saber porque essa preocupação repentina?
— Nada demais — Fitz disse e Liv sentira que ele mentia. Ela estava prestes a perguntar novamente, na tentativa de arrancar alguma coisa dele, mas calou-se ao perceber a movimentação dele.
Ele caminhou até a porta da sala de reuniões, trancando a mesma, o que fez Liv engolir seco só de pensar no que ele pretendia. Ele chegou por trás de Liv e inspirou longamente, perto dos cabelos de Liv.
Ele deslizou as mãos pelos ombros dela lentamente, fazendo uma massagem, que se tinha o intuito de relaxar, estava funcionando perfeitamente.
— O que está fazendo? — Liv perguntou, os dedos de Fitz tamborilando calmamente na curva entre seu pescoço e clavícula. Ela soltou um suspiro pesado, fechando os olhos.
— Você me deu um beijo de boa sorte. Lembra-se? — Liv assentiu, confusa. — Agora vou te dar algo em troca. Quero que tenha a mesma sorte que tive naquele dia.
Fitz sentou-se na poltrona da couro, puxou Liv com delicadeza pela cintura, despejando o corpo dela sobre o seu e então a sentou em seu colo de costas para ele. Liv inspirou fundo, preenchendo todo o seu pulmão com o ar que ele demandava naquele momento, e fechou os olhos quando as mãos de Fitz alcançou suas coxas.
O peitoral maciço de Fitz encostando nas costas de Liv de forma possessiva, as mãos grandes de Fitz subindo e descendo pelas coxas de Liv por cima do vestido creme justo, ele alcançou a borda do mesmo e usou a ponta dos dedos para subir o tecido lentamente.
Fitz parou pela metade, esperando que Liv reclamasse, mas ela queria aquilo. O corpo dela parecia ter relaxado de forma profunda, apenas com aquele toque, que parecia ser só o começo do que viria pela frente. Fitz terminou de puxar o vestido até a cintura com a ajuda da própria Liv, logo depois ele levantou os cabelos que cobriam a nuca da garota e passou a língua ali, antes de morder o local de maneira suave e tentadora, fazendo Liv remexer sobre seu colo. O corpo dela se arrepiara por inteiro com o mínimo toque da língua quente do presidente em sua pele fina e delicada.
A outra mão de Fitz estava em volta da cintura de Liv, ele subiu um pouco a mesma e a passou entre os seios cobertos pelo sutiã. Liv tinha os lábios entreabertos e respirava com dificuldade, diante das reações da mulher, ele desceu a mão novamente, voltando a acariciar a coxa de Liv com maestria.
Com a outra mão, puxou a mulher pelo cabelo, tombando a cabeça dela para o lado, e beijou-lhe o pescoço, indo até a orelha, sua mão indo até os joelhos e voltando até a beira do precipício, até o lugar em que tanto queria alcançar. Liv sentia seu corpo remexendo-se de forma involuntária em resposta as carícias de Fitz, ela queria ser tocada lá.
Então, ele atendeu os pensamentos de Liv.
Com um movimento calmo e preciso empurrou as bordas da calcinha de Liv para baixo, e ela ergueu-se um pouco para facilitar, logo após livrar-se da peça intrusa, relaxou o corpo novamente e Fitz abriu suas pernas, colocando-as por cima das suas. Liv sentiu-se exposta como nunca estivera antes, mesmo que Fitz não estivesse vendo sua intimidade de frente.
Fitz encostou a palma de sua mão sobre a intimidade de Liv e deslizou para baixo, e quando subiu novamente fez a carícia com o dedo médio, fazendo Liv arquear as costas contra o peitoral dele, que a puxou pelos cabelos e arfou quente perto de sua orelha.
— Fitz! — Liv gemeu, descontrolando-se.
Ele respondeu com um gemido profundo, sua respiração arfada batendo sobre a pele fina de Liv. Ele deslizou o dedo médio novamente, encaixou na entrada, brincando ali e com o dedão roçava de maneira firme e ao mesmo delicada sobre o pequeno botão cheio de pontos nervosos.
Liv rebolava, jogando os braços para trás da cabeça de Fitz, procurando um jeito de apoiar-se e não desmontar-se diante do tesão que sentia correndo e fervendo em suas veias. O dedo de Fitz mergulhou dentro de Liv por completo e ela agarrou as coxas dele que estavam embaixo de suas nádegas.
A mão livre de Fitz desceu até a carne exposta de Liv, encontrando o clitóris abandonado pelo dedão da outra mão que agora era usado para mover dentro e fora da mulher que gemia e rebolava. Liv sentia a ereção de Fitz no fim das suas costas, o que causava mais ainda o desejo dela.
Ele introduziu o dedo indicador para fazer companhia para o dedo médio, isso sem parar a carícia e os movimentos dentro e fora de Liv. Ele curvou seus dedos dentro dela, como se estivessem enrolando algo nos mesmos, trazendo desespero incontido de Liv que mordeu seu lábio inferior com força, deixando branco em volta de onde estava os dentes. Mais um pouco e cortaria a própria pele, devido a força que exercia sobre a fina pele do lábio.
Fitz usou o dedo médio da outra mão que acariciava gentilmente o clitóris de Liv, acelerando os movimentos ali gradativamente, até ver Liv descontrolar-se por completo.
— Todos os meus seguranças estão te ouvindo, todos eles estão sabendo o quanto você está gostando de ser fodida pelos meus dedos, Olivia — Fitz falou, sua voz cortada e arfante. — Quer que eu pare? — ele perguntou, parando todos os movimentos na intimidade de Liv que resmungou, rebolando e pedindo por mais através de gemidos incompreensíveis. — Ou quer que eles escutem o orgasmo que você vai ter?
Liv segurou a mão de Fitz obrigando-o a acariciá-la novamente, e ele riu, mordendo a orelha dela antes de voltar a usar suas mãos para fazê-la contorcer por completo.
— Mas é uma safada mesmo. Assim como eu imaginava — Fitz disse e Liv sorriu. — Confessa que é safada, vai?
— Safada é pouco, Fitzgerald — Olivia falou com a voz baixa, quase falha devido ao desejo que estava concentrado em seu corpo. — Você não viu nem o começo do que sou capaz.
Os dedos de Fitz iam o mais fundo que podiam e os movimentos sobre o monte entumescido de pele que cobria o clitóris de Olivia ficavam cada vez mais desesperados, principalmente depois que ele ouvira aquelas palavras saírem de forma tão erótica da boca de Liv.
Olivia sentiu todo seu corpo aquecer-se de forma que ela não sabia nem mesmo como lidar, um formigamento apossou-se dela e então ela curvou-se violentamente sobre o peitoral e abdômen de Fitz, antes de soltar um gemido gutural.
Um orgasmo deliciosamente profundo tomou conta de seu corpo de forma explosiva, cegando-a e fazendo seu corpo tremer, enquanto Fitz continuava a acariciar, prolongando o orgasmo de Liv. Até que seus nervos começaram a relaxar-se, e seu corpo repousou, ainda formigando das sensações que tivera alguns segundos antes.
— Você é a coisa mais linda enquanto goza, sabia? — Fitz falou em seu ouvido. — Agora me viciou, Olivia. Virou obsessão. O que vai ser do meu corpo agora? — ele falou, enquanto isso Liv recuperava-se lentamente.
Ela uniu as pernas que estavam abertas, e virou-se para Fitz, mantendo-se sentada em seu colo. Seus cabelos ainda desgrenhados de forma selvagem, atiçando a imaginação do presidente.
— Foi você quem quis me pagar pelo beijo, senhor presidente — ela sorriu, sem entender o motivo não estar nem mesmo um pouco tímida depois de ter feito tudo aquilo com o presidente. — Agora lide com isso.
Ela mordeu o lábio inferior dele, que enfiou os dedos indicador e médio por dentro do vestido de Liv novamente, alcançando a fenda molhada dela, deslizou o dentro dela novamente e retirou com um sorriso presunçoso enquanto a via fechando os olhos e entregando-se às sensações.
— Quem vai lidar com tudo isso é você, que já está louca para uma segunda rodada, Olivia — ele chupou os dedos de forma erótica antes de segurar Liv pelas nádegas e levantar da poltrona, segurando-a firme. — Uma pena que temos essa maldita entrevista, porque se não tivéssemos, faria questão de esgotar você. Só sairia daqui quando estivesse completamente satisfeita.
Ele a colocou no chão, abaixou o vestido dela, ajeitando-o para Liv que o olhava de forma tão presunçosa quanto ele fazia. Ela se abaixou para alcançar a sua calcinha, mas Fitz foi mais rápido, e pegou antes dela.
— O que pretende com minha calcinha? — Liv perguntou.
— Pretendo mantê-la para mim, assim quando estiver longe, poderei sentir o cheiro delicioso que sai de você, Liv — ele falou e circundando o braço em volta de Liv, apertou uma parte de sua bunda.
— Mas eu preciso dar a entrevista.
— Você vai sem calcinha. Vai ser um lembrete do que fizemos aqui, e de como tudo aqui entre nós dois foi muito real, minha querida — Fitz falou no ouvido de Olivia e guardou a calcinha no bolso de sua calça social. Sua ereção ainda lá, toda majestosa. — Espere um minuto.
Liv o viu fechando um botão do terno que cobriu a ereção e ficou brevemente desapontada, estava gostando da visão. Fitz foi até a porta, destrancou a mesma antes de dar alguns comandos e alguns segundos depois, uma mulher entrou com uma maleta na mão, acompanhada de Abby.
— Caramba! — a mulher pequenina entrou na sala. — Precisamos ajeitar esse cabelo e essa maquiagem borrada se quiser parecer bem na entrevista. Você está uma bagunça.
Abby olhou para Liv e sacudiu a cabeça, rindo. Parecia saber que algo tinha rolado ali dentro só pelo olhar da amiga.
"Eu estou fodida.", foi isso que Liv disse apenas movimentando os lábios para Abby enquanto a maquiadora estava de costas para ela e Abby apenas assentiu, sorrindo com os olhos.
O celular de Liv começou a chamar dentro da bolsa da mesma e Abby pegou, entregando-a para Liv que assim que leu o nome no visor, parecer retesar na poltrona.
— Fala — ela atendeu sem dar muitas informações. Era Huck com novidades, ele tinha pedido mais tempo para investigar porque segundo ele, havia algo de muito errado com o relatório da autópsia e as fotos contidas no mesmo. Os dois simplesmente não batiam.
— Era como suspeitava. Forjaram a autópsia, e estamos falando de alguém muito influente, que possui poder e dinheiro suficiente para subornar algum perito, e que provavelmente se ferraria caso isso vazasse.
— E então?
— Estrangularam a garota, Fleur. Depois forjaram como se ela tivesse se enforcado, mas é óbvio que os machucados no pescoço dela foram causadas por alguém mãos fortes, e não por uma simples corda como está no relatório.
— E quanto ao vídeo? Alguma novidade?
— Terminei a criptografia, e consegui o vídeo através de um dispositivo da própria câmera de segurança, já que o dos arquivos da polícia sumiram de forma misteriosa, que nós sabemos que não foi nada misterioso e alguém mandou dar um sumiço no mesmo — Huck falou e deu um riso irônico. — Eu vou começar a fazer uma varredura nas imagens capturadas agora mesmo, e até meia-noite te passo uma lista com nomes.
— Certo. Obrigada.
Desligaram a ligação e enquanto a mulher ajeitava os cabelos e a maquiagem de Olivia, ela tentava não demonstrar a preocupação que voltara para sua mente, e nem era tão difícil assim, bastava que ela lembrasse dos dedos hábeis de Fitz em seu corpo e tudo ficava mais fácil do que realmente era.
Talvez, ela pensou, se entregar ao desejo que sentia pelo presidente poderia trazer benefícios.
— Com licença — a porta da sala se abriu e Rubi entrou na mesma. — Vocês tem quinze minutos, certo?
— Termino em menos de dez minutos — a maquiadora disse.
— Ótimo. Preparada, senhorita Pope? — Rubi perguntou com aquele ar de superior que possuía, apesar de obedecer a ordem de Olivia para que a chamasse com o respeito que merecia.
Liv respirou profundamente, lembrou-se de que precisava ajudar Fitz e de que sempre se dera bem em frente às câmeras, e daquela vez não seria diferente. Além do mais, sentia que de alguma maneira estaria bem com Fitz ao seu lado, não estaria sozinha naquela empreitada. Com um sorriso seguro no rosto, Liv assentiu antes de responder:
— Mais do que nunca.
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