N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

N/A²: Amando escrever essa estória. E mais ainda os comentários. Fico feliz que estejam gostando! ( Ansiosa pela 6 temporada de Scandal, e que tia Shonda não nos decepcione novamente.)

-x-

Liv não estava tão pronta como achava, havia um bloco de gelo dentro de si, quando ela se sentou ao lado de Fitz em um dos lindos salões da Casa Branca. O sofá em que ela se sentou com o presidente era pequeno e cabia apenas os dois, e o apresentador ficaria sentado em uma cadeira estilo imperial, de frente para eles.

— Não se esqueça que eu estou aqui, Liv — Fitz disse baixo no ouvido de Olivia e ela respirou fundo, assentindo. — Vai dar tudo certo.

— E se não der? — ela perguntou, sentindo a tensão da situação toda pesando. Pela primeira vez trataria sobre aquele assunto abertamente e sabia que uma palavra mal colocada em uma frase poderia estragar a vida dela e do presidente.

— Eu farei com que dê certo.

— Olá, senhor presidente — Connor Malarkey, o apresentador, estendeu a mão para Fitz, que segurou a mão dele de maneira firme. — É uma honra conhecê-lo pessoalmente.

— Obrigada. É uma honra ter cedido um espaço do seu programa para a entrevista.

— Acho que quem deve agradecer sou eu, vocês são o assunto mais comentado do momento — Connor olhou para Olivia que sorriu. — É um prazer conhecê-la também, senhorita Pope. Ouvi muito sobre os trabalhos que tem feito e bom, garanto que as pessoas ainda ouvirão falar de você muitas vezes por tudo que ainda vai fazer.

— Obrigada, senhor Malarkey. Agradeço imensamente pelo carinho e é um prazer conhecê-lo.

— Estão prontos? Já podemos começar a gravar! — O diretor exclamou e Connor assentiu, antes de nos olhar, procurando por confirmação e nós assentimos.

O frio na barriga de Liv se dissipara depois daquela pequena conversa com o apresentador do programa. Ela e Fitz riram e se entreolharam cúmplices, Fitz segurava a mão de Liv de forma carinhosa, de alguma maneira aquela cumplicidade era verdadeira. Um estava protegendo o futuro do outro.

O diretor deu os comandos e então eles estavam sendo gravados. A gravação era uma exigência de Rubi que queria ver a edição final da gravação e dar o aval se estava bom ou não para ir ao ar, tudo meticulosamente preparado e arquitetado.

— Esta noite, estamos com duas pessoas importantes e que aparecem na mídia com certa frequência. O presidente dos Estados Unidos, Fitzgerald Thomas Grant e Olivia Pope, filha de Eli Pope e uma ativista dos direitos humanos, e formada em direito através da Yale University — Liv detestou ter sido mencionada como "filha de fulano", aquilo parecia querer dizer que se não fosse tal cargo do pai, ela não teria chegado ao ponto que chegou, mas ela segurou a língua, enquanto o apresentador continuava a falar. — Então, vocês sabem que são o assunto do momento, certo? Não há outro tópico sendo discutido em qualquer meio de comunicação que não seja essa entrevista, e eu inclusive, quero agradecer pela confiança em me dar essa exclusiva.

— Nós que agradecemos por se dispor — Fitz falou com seu tom ameno, porém firme.

— Posso fazer a primeira pergunta?

— Claro, fique à vontade — Liv respondeu com seu melhor sorriso no rosto. Seu coração retumbando no peito.

Connor perguntou sobre o começo do relacionamento, sobre como eles se aproximaram e como foram os primeiros encontros do casal, sendo totalmente invasivo como Rubi já os alertara antes. E eles se saíram bem, a confiança foi tomando conta de Fitz e Olivia a cada pergunta feita, e a cada risada após piadas feitas pelo apresentador. Liv reparou que era a primeira vez em muito tempo que via Fitz sorrindo de verdade diante uma câmera, e se deu conta de como o desejo de se reeleger estava fazendo-o mudar. Por mais que ele garantisse que estava cansado do cargo de presidência, o queria de toda forma.

— Infelizmente, terei que fazer uma pergunta nada agradável. Ela é um pouco chata, mas é algo que os telespectadores esperam que eu faça.

— Pode perguntar — Fitz falou.

— Não sei se vocês ouviram os comentários da candidata da oposição, Sally Langston — Connor deu uma pausa esperando alguma reação de Liv e Fitz, mas ambos o olhavam esperando pelo resto da pergunta que eles já sabiam o que era. — Ela afirma que o relacionamento de vocês é uma armação do partido, uma artimanha para ganhar a eleição e que não há nada de verdadeiro aí entre vocês. A maioria dos cidadãos nunca viram vocês juntos antes, e buscam por provas de que seja verdade, pois por mais que a as pessoas estejam encantadas, não sabem se devem ou não acreditar. — Fitz deu um riso, e Liv o olhou, uma das sobrancelhas levantadas pelo riso curto e que ela reconheceu como sarcástico, temeu um pouco pela resposta dele, lembrando-se que ele sabia ser curto e grosso quando queria.

— Não me leve a mal pelo que vou falar, mas nosso noivado não foi feito para os cidadãos. O que temos é algo nosso, entende? Se as pessoas acreditam ou deixam de acreditar, não faz diferença. O sentimento continuará o mesmo — Fitz disse, e Liv deixou o ar que puxara para dentro dos pulmões sair calmamente. Ele não havia dado uma resposta totalmente grossa, apesar de que algumas pessoas achariam aquilo uma péssima resposta, mas ela nem se abateu, afinal não dá para agradar a todos. — Além do mais, é insanidade achar que eu poderia ganhar uma eleição porque vou me casar, não acha?

Era óbvio que ele estava jogando, pois era exatamente a intenção dele ao se unir a Liv, conseguir mudar sua imagem destruída das mídias e tornar-se o presidente queridinho que era quando fora eleito.

— Me desculpe, eu ouvi a palavra noivado? — Connor perguntou curioso, visivelmente surpreso.

— Sim — Liv respondeu dessa vez, seu sorriso angelical que podia se transformar em selvagem em questão de segundos. — Nós já nos conhecemos há algum tempo e nós percebemos que não há motivo para adiar algo que já está óbvio para ambos, não é, querido? — Liv terminou a fala olhando para Fitz que assentiu sorridente.

— Posso saber o que é tão óbvio? — Connor perguntou interessado, seus olhos de raposa.

— Que o que temos é algo especial e que queremos ficar juntos pelo resto de nossas vidas — Liv respondeu, sem titubear um milésimo de segundo. E depois se arrependeu, achando que sua resposta fora melosa demais, mas já era tarde e restava torcer para que os telespectadores gostassem de suas palavras.

— Quando eu conheci Liv, descobri uma vivacidade que faltava em mim, algo que foi embora com os acontecimentos da vida — Fitz tomou a palavra, e falou em um tom calmo e relaxado. — Quando encontramos uma mulher que traz tudo isso para nossa vida, temos que garantir que ela não se afaste nunca mais. Concorda, Connor?

— Concordo, senhor presidente — Connor assentiu. — Mas essa é uma notícia incrível. E vocês já tem alguma data para o casamento? — O apresentador perguntou e Fitz olhou para Liv, que nem esperou pela resposta de Fitz.

— Em breve.

— Breve? É meio vago, não acha? — Connor deu uma risada e o casal riu junto, de uma maneira completamente falsa. Ele estava em busca de informações mais profundas. — Quantos meses?

— Eu não diria meses — Fitz passou o braço pelos ombros de Liv, fazendo com que o corpo dela colasse ainda mais no seu. — Semanas é a palavra que encaixa melhor.

— Espera! — Connor pareceu perdido diante da notícia, fazendo com que Fitz e Liv rissem um pouco do momento. — Quer dizer que em menos de um mês teremos uma nova primeira-dama?

— Exatamente — Fitz disse e depositou um beijo no topo da cabeça de Liv, seus dedos brincando no braço de Liv, e então a situação ficou complicada para a mesma. Pois aquela carícia, faz com que Liv se lembrasse dos momentos de intimidade que tivera com o presidente minutos antes da entrevista começar. De repente, o fato de não estar usando calcinha fez com que ela se sentisse exposta, mas não de uma maneira ruim, ela queria que aquela entrevista acabasse logo e que Fitz pudesse tomá-la novamente em seus braços.

Aquele era o problema, uma vez após experimentar o quão gostoso era estar com um homem experiente como o presidente, nada era suficiente.

— Como sente com essa ideia, senhorita Pope? — Connor perguntou.

— Extremamente feliz. Será algo incrível poder me dedicar com mais afinco aos trabalhos que já tenho feito nos últimos anos, e ter esse homem maravilhoso ao meu lado enquanto faço isso, será como um encaixe perfeito — Liv olhou para Fitz e depositou a mão no joelho dele com delicadeza, lembrando-se de algumas dicas que ouvira, para manter o contato visual de admiração para Fitz e também manter o contato físico, mesmo que fosse mínimo, pois as pessoas reparavam aquilo.

— Ouvi há alguns anos sobre você ter o desejo de entrar para a carreira política. Ainda é um desejo ou vai ficar apenas como primeira-dama?

— Por enquanto, estou focada no cargo de primeira-dama, quero dar todo o apoio a Fitz e ajudá-lo sempre que possível. Mas não sei o que o futuro me reserva, então, quem sabe? Não descarto a possibilidade — Liv respondeu de maneira vaga que aquele era um plano, esperava que as pessoas entendessem e aceitassem a ideia de uma primeira-dama se candidatando, porque ela sabia que por mais que as pessoas falassem tanto sobre as mulheres terem os mesmos direitos que os homens possuíam, não era bem assim que acontecia na prática.

— Senhor presidente, a última pergunta dessa entrevista é para o senhor — Connor falou e tombou a cabeça, antes de prosseguir. — Sobre o rapaz de 20 anos que foi morto pela polícia ao ser confundido com um assassino — o semblante de Fitz ficou completamente sério. — Tem algo a dizer? Sei que vai dar uma coletiva de imprensa, mas poderia adiantar algo para os cidadãos?

— Claro. Se a sociedade quer realmente resolver o problema, nós podemos fazer isto. Mas todas essas pessoas que estão protestando e machucando outros civis não estão agindo de forma correta, como já tinha sido mencionado pela minha porta-voz Katie, os policiais envolvidos já estão sob investigação — Fitz olhou diretamente para a câmera e não para o rosto do apresentador. — E para aqueles que estão acusando o governo, e falando que nós não prestamos atenção aos jovens inocentes que estão morrendo nas mãos dos policiais, saibam que nós estamos prestando atenção. E não apenas quando um jovem é baleado, espancado ou morto, mas sim o tempo todo e fazemos isso porque consideramos os filhos de vocês, os filhos desta pátria, como se fossem os nossos filhos. Então, fiquem tranquilos, a justiça será feita.

— Muito obrigado pelas palavras, senhor presidente. Obrigado, senhorita Pope pelo seu tempo — ambos assentiram com um sorriso no rosto e murmuraram um agradecimento rápido. E a gravação foi cortada, dada por encerrada.

Após todos se despedirem e conversarem um pouco, Fitz se aproximou de Liv e segurou sua mão, antes de puxá-la dali para uma sala que ficava ao lado de onde eles estavam. Assim que ele fechou a porta, Liv o encarou com curiosidade evidente.

— O que foi? — ela perguntou, temendo ter feito algo errado.

— Só queria saber se está tudo bem — Fitz falou e Liv piscou duas vezes, tentando ter certeza se tinha ouvido aquelas palavras preocupadas saindo dos lábios do presidente.

— Sim. Porque essa preocupação repentina?

— Não sei — Fitz tomou uma quantidade de ar para dentro dos pulmões com força. — Eu só quero garantir que você esteja bem — ele se aproximou e segurou Liv pelos braços de forma carinhosa.

— Algum bicho parece ter te mordido — Olivia falou e soltou um risinho, fazendo com que um sorriso de canto aparecesse no rosto de Fitz.

— Nenhum bicho me mordeu, mas se você quiser fazer esse serviço — o presidente falou de um jeito sacana.

— E aí está o verdadeiro Fitz. Parece que voltou ao normal — Liv disse, revirando os olhos.

— Vai ficar essa noite aqui? — Fitz perguntou ignorando a reclamação.

— Não dá, Fitz — Olivia disse, querendo falar o contrário.

— Posso saber o motivo? Sei que me quer — ele aproximou os lábios do ouvido de Liv e falou com a voz baixa e sedutora — Você quer continuar o que começamos mais cedo.

— Eu quero mesmo — Liv respondeu sincera, seus lábios encostando no pescoço de Fitz, ele apertou as mãos com mais força no braço dela. — Mas não agora.

Liv deu uma mordida de leve no pescoço de Fitz, chamando a atenção dele para si, os olhos fumegantes do presidente se prenderam aos da mulher que entreabriu os lábios e os passou sobre os lábios convidativos do presidente. Olivia prendeu o lábio inferior dele entre os dentes, seus olhos ainda presos ao do homem que agora a segurava com firmeza pela cintura, prensando seu corpo másculo e forte contra o dela.

— Você sabe que quando resiste, perde a chance de gozar gostoso, então o problema é todo seu — Fitz falou quando Liv soltou seu lábio.

— Ah, Fitz. Eu não quero resistir — Liv falou com a voz aveludada, rasgando sensualidade através das cordas vocais. — O tanto que me deixa molhada, é a prova disso. Mas hoje eu preciso resolver um probleminha, então ser fodida por você, vai ficar para depois.

— Não que eu esteja querendo cortar suas ideias deliciosamente atrativas, Olivia — Fitz disse, levantando uma sobrancelha. — Mas vou te foder de muitas maneiras antes que me sinta dentro de você.

Liv sentiu a proeminência na calça de Fitz e se perguntou se poderia deixar para depois a conversa que precisava ter, mas sabia que não. A conversa era com uma pessoa que poderia dar bastante trabalho para ela, caso a adiasse o ato.

— Mal posso esperar por isso, senhor — Liv falou e mordeu o lábio inferior com cara de safada, Fitz vincou a testa antes de bater com força na bunda de Liv e apertar a mesma sobre o tecido do vestido que ela usava. — Vai logo, Liv. Antes que eu te jogue naquela parede e te coma até você gritar meu nome enquanto sente o mundo girando ao seu redor.

Liv assentiu, empurrando-o para longe dela, quando na verdade sentia vontade de pular no colo dele e esfregar-se por completo naquele homem, arrancando todas as doses de prazer que poderia possuir enquanto estivessem juntos.

Ela saiu da sala, sentindo a intimidade latejar e percebeu que precisaria se virar sozinha naquela noite enquanto imaginava que era o presidente que a acariciava, mesmo sabendo que nunca seria a mesma coisa.

O carro disponibilizado por Fitz levou Liv até a antiga casa em que vivia, isso porque Abby tivera que ficar na Casa Branca resolvendo algumas coisas com Cyrus e depois a amiga ia sair com David. Liv não aprovava a ideia, achava que no fundo David era um grande machista,. Mas como julgaria a amiga? Estava se metendo em uma merda pior do que a dela.

Entrou na casa e olhou ao redor, ao perceber que a casa estava silenciosa, resolveu pegar algumas coisas em seu quarto que sabia ser muito perigosa. Subiu para o segundo andar e foi direto para seu quarto, fechou a porta e foi até o pequeno quadro na parede, puxando-o como se fosse uma tampa e revelou ali um pequeno cofre.

Liv digitou rapidamente a combinação do mesmo, abrindo-o rapidamente e então sorriu alividada ao perceber que ainda estava tudo ali, abriu sua enorme bolsa que separara justamente para aquele momento e jogou dentro da mesma todas as joias, dinheiro e documentos importantes, incluindo ali os documentos que comprovavam o quanto Sally era uma bandida, e também o pré-contrato que Fitz entregara para ela quando havia proposto de se unirem.

Logo depois, desceu as escadas e já ia em direção ao jardim iluminado em que a mãe gostava de ficar para ler mesmo durante a noite, mas foi forçada a parar quando uma voz alta e profunda atingiu seus ouvidos.

— O que veio fazer aqui? Rir da nossa cara após esse espetáculo criado por você? — era seu pai, a voz cheia de ressentimento. Liv esperou que a culpa apossasse de si, mas ela nunca chegou ao seu corpo.

— Não entendo o que quer dizer com espetáculo — respondeu, o tom ameno, longe de desejar brigas.

— Essa história de estar comprometida com o presidente é uma insanidade, Olivia — Eli falou, o seu gesto com os braços indicavam que ele estava em total desacordo com a situação.

— Nós nos gostamos, é isso que acontece quando gostamos de alguém, não é?

— Mas vocês não se gostam — Seu pai disse e soltou um riso sarcástico. — Acha que sou um idiota? Que nunca fiz ou planejei uma jogada política? E não sou só eu, há várias pessoas que sabem que é tudo armação, você pode ser derrubada desse cavalo de maneira muito fácil, Olivia.

— Talvez. Mas se alguém perguntar sobre meu relacionamento com Fitz, você não dirá nada que possa nos colocar em maus lençóis — Liv falou com a voz firme, sem pestanejar.

— E porque eu faria isso? — o mais velho sentou-se no sofá, e Liv resolveu aproximar-se, entrando na sala, desviando completamente do caminho que tinha tomado anteriormente.

— Porque eu sei de segredos seus, pai. Eu sei vários erros que você cometeu e que te fariam afundar rapidamente, antes que pudesse ter a chance de respirar. E sabe o melhor? Tenho muitas provas também, não seria nada infundado.

— Resolveu se virar contra mim? — Eli colocou a mão sobre o peitoral e fez uma expressão de compreensão, antes de soltar uma risada.

— Eu juro que não queria fazer isso, mas sei que infelizmente essa é a única chance de fazer com que você não estrague minha vida.

— Eu não preciso fazer isso, Liv. Não percebe que já está fazendo isso por conta própria? Eu tentei te ajudar, juro que tentei e você sabe disso. Mas se você não quer ser ajudada e se afastar disso tudo enquanto é tempo, não há muita coisa que eu possa fazer além de assistir você afundar sozinha.

— Diz isso porque te ameaço de alguma maneira e então quer me atingir psicologicamente — Liv sorriu, cruzando os braços. — Já vi você fazer isso zilhões de vezes, acha que não aprenderia? Sabe o que acho mais incrível? — Liv perguntou de maneira retórica. — Você sabe que ela não presta, então porque continua do lado dela?

— Isso é política, Olivia. Nenhum lado presta. Seja o de Sally ou de Fitzgerald.

— Mas, pelo menos, sei que o lado que eu escolhi não me apunhalaria pelas costas.

— Como pode ter tanta certeza disso? Não confie tanto nas pessoas, Liv — Eli se levantou e se aproximou da filha. — O mais engraçado é que por mais que me julgue, sabe que há muito de mim em você. Basta olhar para si mesma agora — Eli passou pela filha e seguiu em direção ao seu escritório. — Obrigado pela visita.

Liv revirou os olhos, irritada com a atitude do pai que não mudava de ideia. Mas por um lado, sentiu-se aliviada, pois sabia que o pai temeria que ela abrisse a boca e contasse algum segredo dele. Liv certamente possuía muitos trunfos na manga, mas esperava não ter que usá-los contra o próprio pai.

Respirando fundo, e tentando esquecer toda aquela confusão, seguiu até o jardim para os braços da única pessoa que estava completamente fora daquela sujeira toda.

— Mãe? — Liv perguntou e assim que Maya viu a filha, levantou-se, abandonado o livro que lia sobre a espreguiçadeira e abriu os braços, enquanto Liv corria até ela e sentia-se protegida como nunca. Ali era como se toda a tristeza, medo e dúvidas sumissem por completo. O abraço de sua mãe era tudo que precisava.

— Então, posso saber o motivo de ter escondido de mim esse relacionamento com Fitzgerald? — Liv sabia que deveria mentir para a mãe, pois ela podia ser manipulada facilmente pelo próprio pai. Ela sabia que sua mãe, infelizmente, acreditava que seu papel era de esposa fiel até o fim.

— Ele é o presidente, né? Acho que é motivo suficiente.

— É, você está certa. E eu imagino que por conta disso, esteja passando por maus bocados — Maya sentou-se na espreguiçadeira e Liv sentou-se perto dela. — Aliás, está tudo bem, minha querida? Desde aquela vez que me ligou, no dia em que todos souberam do relacionamento, não me ligou mais.

— Me desculpe, mãe. Mas tem acontecido tanta coisa, e eu me sinto completamente perdida em certos momentos — Maya assentiu e Liv prosseguiu. — Aliás, acho que seu querido marido não sabe ainda, ou teríamos discutido porque ele simplesmente odeia esse assunto, mas estou morando na casa que era da vovó.

— Realmente, teria sido uma discussão e tanto — Maya disse e abriu um sorriso compreensivo. — Acho isso perfeito, odeio que aquela casa fique vazia, e você morando lá vai ser uma boa desculpa para visitá-la e matar as saudades dos bons momentos que passei ali com sua avó.

— Eu espero que me visite em breve — Liv disse segurando a mão da mãe. — Vamos passar um dia inteiro mexendo naquele jardim lindo de lá.

— E eu preciso ir antes do casamento, porque depois só poderei te ver na Casa Branca.

— Verdade — Liv se deu conta de que como Fitz havia dito, o casamento seria em breve e ela se mudaria para a Casa Branca. A casa da avó era uma moradia temporária. — É estranho, saber que dentro em breve estarei morando dentro da Casa Branca.

— Liv, eu sei que há algo a mais acontecendo. Você teria me contado sobre um relacionamento com o presidente se ele fosse de verdade, mas eu respeito, seja lá qual for o plano que esteja por trás desse relacionamento. Eu só espero que se cuide. Seu pai vive dizendo que a política não é lugar para uma mulher, mas eu sei que é sim. O lugar de uma mulher é onde ela quiser — Liv sorriu, os olhos marejando de lágrimas diante do conhecimento da mãe, que mais uma vez provava saber exatamente o que se passava em sua mente e coração. — Mas a política é realmente um lugar sujo, e você terá que jogar sujo também, para conseguir o que quer, porque as pessoas normalmente passam por cima uma das outras quando o assunto é poder. Então, eu quero que se prepare, porque não será nada fácil.

— Eu sei — Liv meneou a cabeça e deixou uma lágrima escapar. — Você é definitivamente a melhor mãe do mundo.

— Faço o melhor que eu posso — Maya falou, dando de ombros. — Agora vem aqui que eu estava morrendo de saudade da minha filha, quero aproveitar enquanto tem tempo para mim e não é engolida pelas funções de primeira-dama.

Liv não hesitou em encolher-se no abraço da mãe, sentindo-se mais leve depois de saber que sua mãe a apoiava. Aquilo fazia com que toda aquela história de contrato não fosse tão complicada ou assustadora quanto pensava que fosse.

Liv se despediu da mãe e entrou no carro quando já era de madrugada. Pegou o celular dentro de sua bolsa, e deu uma olhada rápida. Havia duas mensagens do número do celular que Fitz estava usando naquela semana, a cada semana era um número diferente. Questão de segurança. E havia também uma ligação perdida de um número estranho, e ela soube sem pestanejar que era Huck.

Abriu as mensagens de Fitz:

"Primeira tarefa como minha noiva, ir a um jantar do partido comigo. Próximo fim de semana. Abby provavelmente vai te avisar, mas eu já quis me antecipar e pedir que use uma lingerie para que eu possa arrancar com meus dentes depois do jantar entediante."

"Aliás, eu mesmo providenciarei as peças íntimas. Faço questão."

Liv riu das mensagens e sentiu um frio na barriga ao perceber que queria e muito usar uma peça íntima bem sensual para ele, porque sabia que depois receberia em troca algo deliciosamente prazeroso. Resolveu respondê-lo antes de ligar para Huck.

"Achei que o Presidente tivesse coisas mais importantes a fazer do que escolher calcinhas. Mas tudo bem, eu concordo com esse plano. Dessa vez é você quem manda, Senhor."

Apertou para enviar com um sorriso malicioso nos lábios, e imaginou a feição do presidente ao ler a mensagem, principalmente a parte em que ela o insiste em chamá-lo de "senhor". Ela fazia propositalmente, pois sabia que aquilo o levava a um profundo desejo.

Seu celular começou a chamar novamente e Liv soube que era Huck, já atendeu com o coração palpitando, já imaginava que ele tivesse alguma novidade e por algum motivo desconhecido, temia pelo que ouviria. Parecia prever o futuro.

— Huck. Me desculpe não ter atendido antes, estava ocupada — Liv se desculpou, pois sabia que Huck trabalhava para outras pessoas além dela. — E então? Quem visitou Alícia?

— Sem problemas. Então, dando um relatório detalhado: O governador Patrick Graham apareceu por lá e parecia ter a chave do apartamento. Algum tempinho depois, no mesmo dia, seu amigo Edison Davis apareceu por lá, e tinha a chave do local também. Devo acrescentar que ele saiu de lá de maneira desesperada, não ficou lá por mais do que alguns minutos e por fim, a porta foi arrombada por um homem completamente de preto, e ele usava uma máscara também preta que não dava nem para ver os olhos do mesmo.

— Então foi esse último homem, obviamente — Liv concluiu.

— Não tenho certeza. Qualquer um dos três poderia ter feito o serviço e todos apareceram por lá durante a tarde e pelo que vi no corpo dela, ela morreu durante esse horário.

— O que mostra depois? A gravação.

— Um homem de confiança do governo, Fleur. Agente secreto Thomas, segurança direto do presidente. Parece que foi ele quem notificou a morte da garota, apareceu por lá na manhã seguinte, parou diante da câmera e falou no telefone rapidamente, e pela leitura labial que eu fiz, ele estava relatando que Alícia estava morta em seu apartamento.

— Certo, então podemos descartá-lo?

— É melhor não descartar ninguém. Todos são suspeitos, e lembre-se que pode existir alguém por trás deles, se quiser posso te ajudar com isso.

— Não, obrigada. Não quero levar isso mais adiante, só queria saber de Edison e agora que sei que ele mentiu, preciso perguntar o motivo de sua mentira. Obrigada, Huck

— Sempre que precisar, Fleur.

Liv mentira para Huck, ela só não queria comentar com ninguém que não pararia por ali. Agora que ela tinha nomes, iria atrás de evidências que apontassem para o verdadeiro culpado, e quem sabe conseguisse respostas sobre o grande segredo que levara a vida de Alícia embora.

Primeiro falaria com Edison, e então tiraria satisfação com o presidente, depois se preocuparia com o Governador Graham e com a identidade do mascarado de preto. Liv chegou em casa e se jogou no sofá, lembrando-se do dia da festa em Malibu em que Alícia se aproximara do presidente, aquilo fez o estômago de Liv se revirar.

Era definitivo, da próxima vez em que eles se vissem, ela perguntaria para ele o motivo de um de seus agentes secretos terem ido até o apartamento de Alícia, e então ela temeu de maneira absurda pela resposta que obteria.