N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteudo, por favor não leia

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Alguns dias se passaram, Fitz tivera que viajar para uma cidade que havia sido atingida por um furacão, e com isso os planos para o casamento ficaram entre Liv, Ruby e Abby. Liv contava os dias para reencontrar Fitz, por mais que não quisesse admitir, estava com saudades dele. Sentia falta das provocações e de todo o charme que ele quase que exalava nos ambientes em que estava.

O jantar com os membros do partido seria dali dois dias, e ela esperava ansiosamente por ele, que tinha previsão de chegar no dia seguinte. Mas antes de pensar nisso, passaria por uma experiência de fogo, isso porque havia marcado um encontro com Edison no apartamento dele, queria enfim esclarecer as imagens que vira do dia do assassinato de Alícia. Huck havia mandando uma cópia em um pen-drive, sem Liv nem mesmo ter pedido e ela achou a atitude dele muito eficiente. Como sempre fora, aliás.

— É impressão minha ou essa Ruby te odeia? — Abby perguntou enquanto Ruby fora resolver alguma outra coisa que julgava mais importante. Liv poderia considerar aquilo como uma afronta, porém, sabia que a loira de lábios e peitos turbinados a odiava, e por isso simplesmente ignorou.

— Descobriu isso agora, Abby? — Liv disse em tom de obviedade. — Ela está bem melhor agora, mas isso porque deixei bem claro que quem vai mandar aqui sou eu e não ela, que acha que só porque já teve algum casinho secreto com Fitz já a torna uma primeira-dama.

— É, até porque isso te qualificaria primeira-dama de maneira automática também — Abby disse e Liv lançou uma feição de que mataria a amiga.

— Quantas vezes vou ter que te falar que não finalizamos o ato? — Liv sacudiu a cabeça enquanto falava.

— Para sua tristeza, é claro.

— Olha, não vou negar que Fitz tem umas mãos tão maravilhosas que me faz endeusar o resto todo, incluindo aquele pacote especial que ele esconde dentro da cueca — Liv falou e Abby riu da amiga.

— Certo, não preciso de tantos detalhes. Além do mais, ele podia tentar disfarçar mais, porque em certos momentos sinto como se ele fosse te comer com os olhos.

— É isso que precisamos mostrar para o público, não? — Liv disse, rindo.

— Bom, vocês devem mostrar que estão apaixonados e não que estão loucos para se trancar em um quarto e realizar todas as fantasias que existem dentro da mente de vocês.

Liv gargalhou ao ouvir as palavras da amiga, e principalmente pela maneira que ela falara, mas logo parou de rir, pois Ruby estava de volta e falava ao celular com um sorriso empolgado. Ela se sentou perto de Liv e Abby que a esperavam pacientemente.

— Certo, senhor presidente. Estarei esperando quando o senhor chegar — Ruby fez questão de olhar para Liv quando falara a palavra "presidente", querendo causar na mesma uma reação, porém, Liv agira de forma impecável, mostrando por fora que não se importava com aquilo. Ruby desligou a ligação e se virou paras as duas que estavam diante de si. — Então, em que parte paramos? — Os convidados — Liv respondeu sob o olhar ávido de Abby que sabia exatamente o que se passava na mente da amiga sem nem mesmo precisar perguntar, no fundo sentiu pena de Ruby, pois quando Liv decidia pisar em alguém, ela massacrava.

— Ah, claro. Como disse, e espero que concordem, o mais correto seria convidar as famílias dos noivos, chefes de governo, membros da realeza de todo o mundo, Embaixadores e alguns famosos de sua preferência e do presidente e que sejam de alguma maneira influentes e queridos pela maioria. Tudo uma jogada de marketing — Ruby falava e Liv assentia, e enquanto isso Abby anotava tudo o que ouvia.

— Minha família precisa vir? — Liv perguntou, sentindo-se alarmada. Aquele talvez fosse um pequeno problema de percurso que poderia atrapalhar um pouco o andamento das coisas.

— Claro. A presença deles é obrigatória — Ruby disse e Liv olhou para Abby que lançou-lhe um olhar piedoso, demonstrando que sentia pela amiga ter que passar por aquilo. O pior, na verdade, seria convencer Eli Pope a comparecer ao casamento. Ela sabia que seu pai não estava nem um pouco interessado naquela história toda, aliás, estava se opondo de maneira categórica.

Mas ela teria que arriscar, mais uma vez.

— Temos então que decidir sobre ornamentação, os convites e… — Ruby falava desinteressada, mas Liv a cortara.

— Ornamentação será por minha conta e Abby irá me auxiliar.

— Tem certeza? Não poderá exagerá, você sabe disso, certo?

— O casamento será meu, Ruby. Não vou ferrar com tudo. Aliás, da maneira que fala, parece subestimar minha inteligência.

— Não, senhorita Pope. Me desculpe se pareceu isso, eu só estava lembrando — Ruby dizia as palavras quase cuspindo-as tamanha era a raiva que sentia, e Liv sabia disso porque vira nos olhos da loira.

— Ótimo. Agora se me dá licença, preciso resolver algumas coisas. Depois prosseguimos com os preparativos — Liv disse, de queixo erguido, uma das sombrancelhas levantadas e seus olhos na direção de Ruby que a olhava com a mesma ousadia e determinação de sempre.

A diferença era que Liv tinha mais ousadia e determinação do que Ruby.

E ela fazia questão de mostrar isso.

— Vou com você ou vai sozinha até Edison? — Abby perguntou assim que ela e Liv saíram da sala em que estavam reunidas com Ruby, seu tom de voz mais baixo do que normal.

— Vamos voltar para a casa e mais tarde, eu arrumo um jeito de ir para o apartamento de Edison sem chamar a atenção — Liv respondeu e Abby assentiu.

Assim que a noite se aproximou, Liv pediu a um dos agentes secretos que Fitz colocara para tomar conta dela que a levasse até um local com o máximo de discrição possível e ele atendeu prontamente o pedido dela.

— Senhorita Pope, devo alertá-la que outro agente secreto virá conosco no carro e um carro nos seguira com mais dois agentes. Ordens expressas do presidente — O agente falou e Liv assentiu.

— Eu não tenho outra saída, tenho? — Liv perguntou e ele abriu um sorriso de canto. — Como é seu nome mesmo?

— Agente Warren, eu estou chefiando os outros agentes que foram enviados para sua proteção.

— Certo, agente Warren. Eu não me importo de ter uma sombra, ou na verdade, várias. Estou acostumada a ter um segurança por perto a vida inteira, não seria diferente agora que minha posição subiu na escala — Liv sorrira e o agente assentiu.

Ambos entraram no carro blindado, também enviado por Fitz. Um agente ia dirigindo, enquanto Warren estava no carona, Liv sentia-se pequena no banco de trás do carro. O trajeto fora mais rápido do que Liv pensou que seria, e assim que chegaram ao prédio em que Edison morava, adentraram na garagem e antes que saísse do carro, o agente Warren tratou de usar um aparelho que cortava toda e qualquer transmissão através das câmeras do local, somente ele e os outros agentes tinham acesso aos vídeos até a transmissão voltar. Parecia coisa de ficção científica, mas era a realidade e Liv ainda tentava acostumar com tudo aquilo.

Aquela era uma artimanha para proteger a imagem de Liv, para que ninguém tentasse vender as imagens da futura primeira-dama visitando o apartamento de outro homem que não fosse seu noivo, mesmo que Edison fosse um antigo conhecido, aquilo seria distorcido na imprensa.

— Eu preciso que apenas um me acompanhe — Liv disse e o agente Warren assentiu. Ela sabia que ele a acompanharia de qualquer maneira, pois desde que Fitz o transformara em sua sombra, ela não conseguia afastá-lo.

Liv chegou ao apartamento de Edison e tocou a campanhia, enquanto o agente secreto ficara parado em frente a mesma. Assim que Edison abriu a porta, Liv já começou a perceber que havia algo de muito errado no ar, pois ele a recebera com um olhar desconfiado, e depois que entraram e se sentaram no sofá que ficava de frente para a mesma, pôde perceber o quão aflito Edison estava e como ele olhava sempre para a porta, como se esperasse que alguém fosse invadir o local.

— Porque insistiu tanto em me ver? Não acho que seja seguro que te vejam comigo, Olivia — Edison falou e Liv tomou fôlego antes de começar a falar.

— Porque você se tornou esse tipo de pessoa, Edison? Caramba, não lembra em nada o cara que eu conheci e que mesmo sendo por interesse, carregava um olhar alegre e divertido. Agora você está horrível, me desculpe a franqueza, mas não pude deixar de notar.

— Não tomo com um insulto, eu sei disso na verdade, nem precisava me falar, está meio óbvio o quanto eu estou arrebentado por dentro e por fora. Mas se veio aqui só para falar sobre isso, acho melhor ir embora, e não porque esteja te querendo longe de mim, eu adoraria que pudesse ficar aqui, mas eu temo por sua segurança nesse momento.

— Não. Eu vim porque preciso de respostas. Porque você mentiu para mim? — Liv ignorou as palavras de Edison. — Não, na verdade essa não é a pergunta certa. Eu bem me lembro que já a fiz para você.

— Liv, é complicado — Liv notou que o lábio inferior do loiro tremeu. Aliás, ela havia reparado como ele parecia cansado, uma mancha escura marcava debaixo dos olhos, a pele dele parecia mais pálida. Ele não parecia nada bem.

— Eu não terminei de falar, Ed. Eu quero saber o motivo de ter ido lá, me conte o que anda escondendo.

Edison levantou-se e foi até o pequeno bar que havia no canto da sala, pegou uma garrafa e despejou whisky dentro do copo, e então virou tudo de uma vez só e então se virou para Liv que o olhava atentamente.

— Você quer saber se eu matei Alícia? Eu juro que não fui eu, Liv! Juro com todas as forças — Edison falou com aflição intricada na voz.

— Eu não posso mais acreditar em você, Edison. Você já estragou todas as chances que teve de tentar consertar as coisas entre nós e não quer colaborar comigo, pelo contrário, continua escondendo o que sabe.

— Liv, eles estão sedentos! Estão furiosos! — Edison levantou o tom de voz um pouco e ao se dar conta disso, seus olhos perturbados dançaram de um lado par ao outro e então seu tom de voz diminuiu completamente e saiu apenas um sussurro. — Eles sabem que estão perdendo controle. Aliás, eles começaram a perder dois anos atrás.

— "Eles"? Eu preciso saber quem são, Ed — Liv estava completamente confusa com as palavras de Edison que em certos momentos destilava amargura. — Eu estou completamente confusa. O que aconteceu há dois anos?

— Eu me meti com gente pior do que Sally. Eles me garantiram que me ajudariam na minha ascensão política, mas eu não imaginava que tivesse que abdicar ou fazer tantas coisas.

— O que eles pediram para você? — Liv queria muito ajudá-lo, porém ali naquele momento o que falava mais alto era seu faro de detetive.

— Eu sei o que você está pensando e não, eu não matei Alícia porque eles mandaram. Eu deveria ter feito isso, mas não tive coragem — Edison confessou, e passou as mãos pelos rosto, a sombra da barba que começava a crescer indicava como ele estava péssimo.

— Então isso quer dizer que foram eles que mataram Alícia? — Liv perguntou, ligando os pontos após a confissão de Edison.

— Liv, não me pergunte demais sobre esse assunto. É perigoso. Se eles souberem que estou te contando isso, vão atrás de mim e depois de você. Entende? Eu estou tentando te proteger.

— Se você me contar quem são essas pessoas, eu talvez possa te ajudar e dar um jeito de proteger você e eu estarei segura também.

— Não seja inocente — Edison riu e Liv sentiu a raiva começar a borbulhar em seu interior. Odiava que a chamassem de inocente, como se ela fosse uma idiota completa. — Eles são fortes, e tão espertos que chega a doer nos ossos — Edison esfregou os olhos e soltou uma lufada pesada de ar para fora de seus pulmões. — Eu estou cansado de lutar, Liv.

— Eu percebi isso nos seus olhos — Liv respirou fundo, tomando o fôlego e tentando achar um caminho de continuar toda aquela conversa que parecia ser um labirinto, antes de prosseguir. — Você sabe quem matou, então. Por isso saiu do apartamento dela com a expressão de desespero — Edison olhou para Liv, alarmado. — Eu vi as imagens da câmera de vigilância.

— Mas elas foram queimadas — Edison passou as mãos pelas bochechas, e seu desespero parecia aumentar. — Eles me deram essa tarefa e eu cumpri com sucesso. Se eles souberem que essa gravação existe...

— Eu consigo o que eu quero, Ed. Meus métodos não são os convencionais, sabe disso— Liv disse e o homem a olhou, derrotado. Liv reparou que estava encurralando o ex-amigo. — Vai me contar agora?

— Liv, eles enganaram até o presidente — Edison falou, sua voz saindo em um fiapo de voz, carregado de culpa e ressentimento e Liv sentiu seus poros reagindo, seus pelos arrepiando. Edison se sentou no sofá novamente, completamente inquieto.

— O que você quer dizer com isso?

— Que eles são poderosos. Se eles enganaram o presidente, podem enganar quem eles quiserem. Não percebe como é óbvio?

— Exatamente por isso, você precisa me passar as informações para que possamos destruí-los — Liv tentava passar uma voz calma, não transparecendo o desespero que começava a tomar conta de seu corpo. Seu coração retumbando forte no peito, a respiração ficando fraca e as mãos geladas perante o medo do que poderia acontecer. — Quem são eles? E o que eles querem? E tudo isso é uma conspiração contra Fitz? As respostas podem levar você a um lugar seguro.

Edison levantou-se de forma repentina, e Liv levantou em reflexo ao movimento dele. Parecia ter tocado na ferida, Olivia uniu os lábios em uma linha fina, a angústia dos olhos de Edison a haviam atingindo, mais do que ela gostaria.

— Você precisa ir embora — Edison disse, indo em direção a porta. Liv pegou sua bolsa e ia em direção da mesma. Mas parou perto dele e segurou a mão dele de forma carinhosa.

— Edison, eles vão acabar com você, meu amigo — Edison a olhou, surpreso pela palavra carinhosa que ela usara. — Eles estão te destruindo aos poucos, e se continuar guardando o que sabe para você, não vai dar conta, parece ser um fardo pesado demais para carregar.

O homem abaixou a cabeça, um resmungo seguido de um soluço pesado, cheio de dor e desespero. Liv não pensou duas vezes antes de abraçá-lo com toda força que possuía e sentiu os braços dele em volta de sua cintura.

Eles se afastaram em seguida, Liv abriu sua bolsa e procurou caneta e então anotou em um pedaço de papel o número de um celular descartável que não seria rastreado estendeu a mão para ele, entregando o papel entre os dedos trêmulos erguidos de Edison. Ele enxugou as lágrimas pesadas e depois de olhar brevemente para o papel, voltou seus olhos para Liv.

— Se precisar me ligar, e quiser ajuda, pode me procurar nesse número. É seguro — Liv disse, e passou a mão pelo rosto do homem que acreditara ser seu amigo, e pelo qual não sabia exatamente o que sentir. Desconfiança ou amizade? Ele ainda parecia querer proteger Liv de toda forma, mas, ao mesmo tempo, ficava sempre a dúvida se ele mentiria novamente.

A brisa fria entrava por enormes portas de vidro do apartamento que estavam abertas, as portas mais pareciam uma vitrine e davam acesso a uma sacada. O vento sacudia as cortinas brancas que combinavam com o resto da decoração requintada, a única parte que destoava na sala era o sofá cinza chumbo.

Liv se preparava para sair, mas foi como se tudo acontecesse em câmera lenta. Um disparo foi ouvido de maneira alta, Liv abaixou por puro reflexo tampando os ouvidos, seu corpo chocou-se contra o chão de mármore gelado, sua respiração desregulada e os olhos fechados. Por alguns segundos, ela se manteve assim, as mãos sobre a cabeça como se aquilo a protegesse de alguma maneira, mesmo sendo inútil.

Quando ela abriu os olhos, foi que o pânico tomou conta de todo seu corpo.

O líquido escarlate já estava abrindo caminho pelo chão, criando uma pequena poça que ligava até o corpo inerte de Edison. Liv tremia, seus dedos sacudindo conforme o desespero crescia em seu interior. Aquele fora o trabalho de um atirador profissional. A porta da frente do apartamento foi arrombada em um rompante e o agente secreto a olhou por alguns segundos e ela assentiu, como se dissesse com o gesto que ela estava bem, e depois olhou para Edison no chão, mas agente Warren ignorou.

— Tempest está segura — ele falou na escuta que utilizava e então foi até a sacada com a sua arma em punho, em busca de onde viera o tiro.

Liv olhara através das portas abertas que o agente passara, e pensou que deveria se afastar dali, mas seu instinto era de procurar por reação de Edison. Ela se aproximou dele, ele estava de olhos arregalados e seus lábios tremiam, enquanto procurava forças para falar alguma coisa.

— Ed… — sua voz falhara, a mão trêmula foi até os lábios.

— Liv — Edison falou, sua voz baixa fez com que Liv sentisse alívio, apesar da situação que se encontravam. — Foram eles...você precisa ir.

— Não, eu vou te ajudar primeiro — Liv disse determinada.

— Você não pode — Edison falou, e era visível que fazia isso com bastante dificuldade. — Escute bem… ela mentiu...o filho não era do presidente — Edison disse, sua voz falha e baixa. Liv vincou a testa, sem entender e quando ia tentar descobrir o que aquilo significava, ouviu a voz grossa de Warren.

— Senhorita, preciso que venha comigo imediatamente — o agente secreto falou, aliás estavam todos reunidos ali, e ela nem mesmo os notara entrando no local.

— Não! Precisamos chamar uma ambulância — Liv falou vendo a mancha de sangue crescer em um ponto do abdômen de Edison. Esperava que nada de ruim acontecesse e que conseguissem salvá-lo.

Havia um desespero no corpo de Liv que a fazia se sentir perdida, a palavra perplexa seria uma expressão mais correta, era como se não soubesse o que fazer a seguir. Sua cabeça entupida de perguntas sobre quem teria feito aquilo e se Edison sobreviveria. De uma coisa ela tinha certeza, ele não estava mentindo. Pelo menos sobre a existência de alguém que estava de olhos abertos para destruir tudo que aparecesse no caminho.

Duas mãos fortes a levantaram do chão, e ela reclamou inicialmente, porém sabia que o correto era aquilo. Sua posição a forçava se afastar daquele lugar o mais rápido possível, sua imagem não poderia ser associada com aquele atentado.

— Já chamamos uma ambulância, senhorita Pope — o agente secreto Warren falou e a puxou para fora do apartamento. Liv saiu do local, mas olhando de soslaio para ver o corpo de Edison. — Um dos agentes ficará aqui de olho, até chegarem.

Liv assentiu, e desceu pelas escadas, isso era para evitar que ela encontrasse com alguém que pudesse dizer que a vira no local, não precisava de mais aquilo no momento. E se sentiu uma pessoa horrível por pensar naquele tipo de coisa enquanto Ed morria no chão de seu apartamento.

Quando chegou na garagem, a porta do carro já estava aberta e ela entrou se acomodando no banco de trás. Ela abraçou a si mesma e fechou os olhos, todo aquele sangue de Edison, a enorme mancha em sua camisa social, a faz se lembrar de algo que não queria. Toda dor e sofrimento causado pelo seu erro, voltara com tudo naquele momento.

— Tempest está a caminho do Castelo — o agente secreto disse e Liv olhou para a janela antes de enterrar o rosto nas mãos novamente.

Liv nem protestara ao ouvir o comando do agente secreto. Castelo era um codinome, significava que estava a caminho da Casa Branca, e pela primeira vez desejou ir para lá, pois acreditava que de alguma maneira aquelas paredes a protegeriam do que estava do lado de fora. Será mesmo? Ela se perguntava isso enquanto lembrava das palavras amargas de Edison.

Eles haviam enganado o presidente, e a partir daquele momento, fosse lá quem estivesse fazendo tudo aquilo, sabia que ela tinha conversado com Edison. Eles iriam atrás dela.

— Senhorita, acabei de receber a informação na escuta de que os paramédicos chegaram no apartamento do senhor Davis e ele está sendo atendido — Liv assentira após ouvir, soltara um agradecimento fraco e se encolheu no banco, abraçando sua bolsa como se fosse a coisa mais importante do mundo.

Não demoraram muito até chegar na Casa Branca, Liv fora levada até um dos quartos do local, e sentou-se na cama, tentando de alguma forma assimilar tudo o que tinha acontecido. Era coisa demais para sua cabeça que já começava a doer, um de seus ouvidos sofrera com o barulho do disparo, mas aquela era a menor de suas preocupações naquele momento.

— Liv? — a voz de Cyrus chamara a atenção de Olivia, que se levantou e fora até a porta antes de abrir a mesma. Cyrus entrou no local e Liv voltou a se sentar na cama.

— Cyrus, eu preciso falar com Fitz — Liv falara, seu tom de desespero.

— Liv, minha querida. Você precisa acalmar, o que aconteceu foi um choque e tanto, o agente Warren me contou tudo.

— Ele levou um tiro na minha frente, Cyrus! — Liv deixara suas emoções saírem junto com as palavras.

— Eu sei, Liv e é exatamente por isso que você precisa descansar.

— Onde está Fitz? Você estava com ele, não é? Ele chegou também?

— Liv, ele está resolvendo assuntos importantes. Deve chegar mais tarde.

— Me deixe sozinha, Cy. Eu não quero conversar com ninguém além de Fitz — Liv disse, ela temia comentar o que conversara com Anthony com qualquer pessoa que não fosse o próprio presidente. Segundo Edison, ele fora enganado, então não estava envolvido com os autores do atentado a Edison.

Assim que Cyrus saiu do quarto, ele correu até a porta e trancou a mesma. Ela soltou um riso nervoso, não porque achasse graça daquilo, mas porque o terror em seu corpo atingira um nível extremo.

Ela não confiava em mais ninguém.

Quem garantiria que as pessoas dentro da Casa Branca eram confiáveis? E se alguém ali estivesse intimamente ligado às pessoas que estavam causando todos aqueles crimes? Porque para se aproximar e enganar o presidente somente sendo alguém bem próximo.

Liv não dormiria naquela noite, pois sabia que precisava manter os dois olhos bem abertos.

Pois o perigo poderia estar ali, bem perto.