N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.
-xx-
Fitz soltou um suspiro profundo e tentou canalizar todo o cansaço do dia para algum canto de sua mente. Ele estava chegando na Casa Branca, e se arrependera de ter enviado Cyrus antes dele, pois a ligação que recebera do agente secreto Warren o fizera desejar estar na Casa Branca para receber Olivia.
Ele já podia imaginar como ela se sentia após ter visto o antigo amigo ser baleado na sua frente, mas ele também se sentia um pouco irritado e se perguntava porque ela havia ido até lá, e nem mesmo havia falado com ele sobre aquela visita. Aquela visita poderia ser uma fofoca quente para os jornais colocarem o romance dos dois à prova. Mas, no fundo, sua maior preocupação era com o estado emocional de sua noiva, além do mais ela poderia estar ferida também.
Assim que adentrou na Casa Branca, foi recebido por Cyrus e pelo olhar do velho amigo já sabia que a situação era pior do que imaginava. Cyrus já ia começara falar, mas Fitz sacudiu a cabeça de forma negativa.
— Agora não, Cy. Preciso vê-la. Me diga em qual quarto ela está.
— No Quarto Oeste, senhor.
— Vou conversar com ela e insisto para que ninguém me perturbe — Fitz disse, usando da sua voz firme e Cyrus apenas assentira, acatando a ordem do superior.
Fitz sentiu sua gravata apertando em volta de seu pescoço, tentou afrouxá-la um pouco, mas por fim, desistiu ao perceber que estava próximo do quarto em que Liv estava hospedada. Ele bateu à porta duas vezes e passou a mão pelo rosto e cabelos, desalinhando-os por completo. Ele sentia o corpo pedir descanso, queria um banho quente e uma noite de sono tranquila, coisa que não acontecia há muito tempo devido todas as preocupações que tomavam conta de sua mente.
— Liv? — Fitz chamou por Liv e levou um susto quando a mulher abriu a porta com certo desespero, colocando-o para dentro do quarto antes de passar a chave e trancar a porta novamente.
— Graças a Deus você chegou — Liv falou, sua voz era de alívio completo.
— Liv, fique calma — ele segurou a mão de Olivia com carinho, e a conduziu até a cama. Os dois se sentaram na beira da mesma e Fitzgerald colocou as duas mãos sobre seu colo. — E então? Me conte como foi.
— O que? Você sabia? — Liv perguntou sem entender.
— Agente Warren me ligou.
— Ah, claro — Liv colocou uma mecha de seus cabelos atrás da orelha e respirou fundo, não que fosse chorar ou algo assim, ela já tinha até derramado algumas lágrimas, mas sabia que precisava ser forte. — Eu fui ver Edison e ele… foi atingindo um tiro na minha frente.
— Liv, eu já sei disso tudo. Se fosse para ouvir essa resposta, nem teria perguntado. Não omita os fatos de mim, eu estou aqui para te ajudar — Olivia assentiu ao ouvir as palavras saírem dos lábios de Fitz e ele prosseguiu. — Escute bem, nós formamos um time, se algo afeta a mim, afetará a você também e vice-versa. Entende? Então não podemos deixar segredos pairando sobre nossas cabeças quando elas estão a prêmio.
— Eu não sei em quem confiar, Fitz — Liv confessou.
— Certo. Eu vou te contar uma coisa e você me conta outra em troca, pode ser?
— Isso soa meio infantil, não acha? — Liv perguntou, um sorriso fraco brotando no canto dos lábios.
— Não me importa se soar assim caso seja eficaz, e a faça sentir mais segura ao guardar um segredo meu — Liv assentiu e ele sorriu. — A morte de Mellie foi culpa minha.
— Como?
— Era um atentado direcionado para mim, mas ela quis ir embora antes de mim e eu falei para que ela fosse com o carro oficial, e eu iria com os agentes no outro carro blindado — Fitz contou, omitindo a parte do filho que Mellie carregava.
— Por isso você se sente culpado e fica falando sobre o peso do seu cargo tantas vezes?
— É — Fitz admitiu.
— Mas foi uma fatalidade, se você estivesse dentro do carro, ela talvez morreria também.
— Seria minha culpa de qualquer forma, ou melhor dizendo, culpa do meu cargo — Fitz lançou um sorriso fraco e cansado para Liv. — Mas agora é a sua vez — Liv assentiu e então decidiu que deveria contar para ele.
— Já ouviu falar de Alícia Hayes?
Era óbvio que ele ouvira aquele nome, e isso o fizera se retesar. Fora Alícia que contara sobre o acidente com Mellie ser um atentado minuciosamente preparado para ele, e que dera errado, atingindo a pessoa que não tinha nada a ver, mas ele não queria falar aquilo por enquanto, e por isso não mencionou o fato ocorrido quando respondeu.
— Aquela do escândalo com o governador Graham? Sei sim — Fitzgerald assentiu e tentou soar tranquilo, e Liv não pareceu notar o desconforto que aquele nome causou ao presidente.
— Ela está morta, e antes de morrer pediu ajuda para Edison. E então, ele me procurou desesperado assim que descobriu sobre a morte dela, pedindo minha ajuda. Eu sei que não deveria ter feito isso, mas eu acabei entrando na ideia de querer investigar, ir mais a fundo nessa história e tentar descobrir quem estava por trás do assassinato, e para isso utilizei a habilidade de conhecidos.
— Liv — Fitz sacudiu a cabeça. — Sabe que isso é insanidade, certo?
— Não importa, Fitz. Eu sabia que tinha algo estranho nessa confusão e estava certa.
— Como assim?
— A história é meio longa, mas em resumo, Alícia estava chantageando Patrick Graham, e não era sobre o escândalo dos dois, havia algo a mais, sabe? Inclusive o próprio Graham me disse que o segredo que Alícia guardava poderia gerar guerras.
— O segredo era esse que acabei de te contar, Liv — Fitz disse, abrindo o jogo e contando para Liv. Sentia que podia confiar na mulher sentada ali perto dele. — Ela ligou para Cyrus, ela queria me contar que a morte de Mellie fora uma armação — Liv apertou os lábios e mordeu o inferior em seguida, logo depois, sacudiu a cabeça levemente.
— Eu acho seu segredo bem relevante, mas acredito que existe algo muito maior, Fitz. Hoje o Edison parecia tão assustado, como se estivesse encurralado, sabe? E caramba, ele estava certo quando disse que queria me proteger — Liv levou os dedos até a boca e se deu conta de que estavam trêmulos. — Edison insistia em falar sobre "eles", como se fossem um grupo ou algo assim, ele confessou ter se metido com essas pessoas. Eu acredito que eles estão tentando te derrubar de alguma forma, Fitz e ao que tudo indica, já faz mais de dois anos.
— Porque acredita que faça uns dois anos?
— Porque Ed me disse que eles começaram a perder o controle há uns dois anos, entende? — Liv se levantou e Fitz analisava como ela parecia enérgica, como se seu raciocínio estivesse trabalhando a mil por hora, e não pode deixar de perceber como gostava de vê-la em ação. — Provavelmente porque eles queriam atingir você e acabaram atingindo quem não devia, a Mellie. Claro! Agora isso se encaixa.
— Certo — Fitz fechou os olhos e respirou fundo, digerindo as informações que acabara de receber — Você acredita que então há um grupo terrorista em solo americano, rondando a Casa Branca e provavelmente infiltraram alguém aqui dentro? — Liv assentiu e ele prosseguiu. — Não sei se você lembra, mas já estava desconfiado que havia um espião aqui dentro, e exatamente por isso eu tenho vasculhado a vida de cada pessoa que trabalha para mim, mas até agora não encontrei nada.
— Acha que eles podem ter mudado de identidade ou algo assim?
— Óbvio! Eles teriam que ter contatos muito bons, mas é claro que se estamos falando de um grupo terrorista, eles teriam os melhores contatos — Fitz falou e depois de alguns segundos pensando no que tinha dito e prosseguiu. — Droga! Você está certa, Liv. Preciso pedir que façam identificação por foto, inclusive nas agências de serviço secreto de outros países.
— Fitz, você já desconfiava disso tudo? De que um grupo grande estivesse tentando te derrubar por algum motivo.
— Sim. Eu inclusive mandei um agente secreto que trabalha comigo há algum tempo, e que possui minha confiança para conversar com a senhorita Hayes. Ela tinha tentado se aproximar de mim naquela recepção na mansão do governador Graham, aliás, achei a presença dela bastante intrigante naquele dia depois do escândalo com Graham. De qualquer forma, queria conversar com ela, para conferir e ter certeza do que ela estava falando, mas quando meu agente chegou lá, já era tarde demais.
— Você tem alguma noção de quem poderia estar por trás disso tudo?
— Não tenho certeza de nenhum nome ainda, mas a primeira pessoa que pensei foi o Chad Henson.
— Seu vice? Não acha que ele seja confiável? — Liv o olhou visivelmente surpresa.
— Ele nunca demonstrou nenhum tipo de ódio, mas quando nosso nome foi indicado para concorrer à presidência me deram o cargo de presidente, sendo que ele era bem mais cotado do que eu na época e desejava concorrer ao cargo há muitos anos.
— Mas porque ele então? Já que ele nunca demonstrara nenhum tipo de raiva ou ressentimento?
— Quem é a pessoa que tomaria conta de tudo se eu não pudesse exercer a minha função ou se eu morresse, Liv?
— Chad Henson.
— Exatamente.
— Nossa, me senti uma completa idiota agora — Liv disse e Fitz sorriu.
— Não se sinta. Sua mente está cheia de coisas, depois dos últimos acontecimentos — Fitz segurou a mão de Liv e a puxou sentando-a em seu colo. — Agora, escute meu pedido. Se mantenha longe de toda esse redemoinho, Liv. Não fará bem a você, por mais que ache o contrário. Temos um acordo?
— Certo, eu vou tentar — Liv disse olhando para suas próprias coxas expostas pela saia curta que usava, não tinha tomado banho ainda, desde que trancara a porta não quis abrir a mesma para ninguém que não fosse o próprio presidente.
— Não, Liv. Não quero que tente, quero que faça. Sei que odeia receber ordens, mas não é uma ordem é um pedido, um desejo do meu mais profundo. Preocupe-se com o nosso casamento e somente isso — Fitz segurou Liv pelo queixo e levantou sua cabeça. — Deixe que eu tomo conta dessa investigação, certo? Tenho pessoas treinadas para fazer isto por mim.
— Mas não pode confiar em ninguém, Fitz. Não sabemos quem pode estar por trás disso…
— Liv? Já está descumprindo a promessa? — ele perguntou olhando os lábios dela, e se deixando desconcentrar um pouco.
— Tudo bem. Não vou insistir nesse assunto — Olivia respondeu, enroscando o braço em volta do pescoço de Fitz.
— E a partir de hoje, gostando ou não, virá morar aqui dentro. Me sinto mais tranquilo sabendo que está perto de mim, acho que aqui ficará mais segura. Quem atentou contra a vida de Edison, poderá atentar contra a sua.
— Mas o que as pessoas falarão sobre estarmos noivos e morando debaixo do mesmo teto?
— Deixe que falem o que quiser, eu não vou mudar minha ideia, Liv. Estamos falando da sua vida correndo perigo, não vou deixar que outra pessoa morra pelos ideais que eu plantei nesse país — Fitz passou a mão pela testa. — Além do mais nosso casamento está próximo. E então, temos um acordo ou não?
— Sim — Olivia respondeu simplesmente.
— Agora me conte o que resolveu sobre o casamento — Fitz disse tentando mudar de assunto.
— Pela lista de convidados que a Ruby preparou, serão uns três mil convidados — Liv falou revirando os olhos e Fitz abriu a boca em evidente surpresa.
— Uau. Eu esperava que fossem muitos, mas será que vamos conseguir colocar todos eles no jardim da Casa Branca?
— Jardim da Casa Branca? — Olivia vincou a testa em visível confusão.
— Foi o que Ruby me disse.
— Mas não estava na lista de locais que ela estava decidindo — Fitz a olhou, estranhando aquilo e Liv prosseguiu. — Sabe, Fitz, eu tenho uma leve impressão de que sua assistente de relações-públicas está preparando um casamento que seria para ela, porque até agora não estou conseguindo decidir o que quero no meu próprio casamento, mesmo que ele seja falso.
— Não será falso, sabe que há uma parte muito verdadeira no nosso relacionamento — Fitz piscou e Liv revirou os olhos. Fitz sorriu e antes que Olivia pudesse perceber, ele plantou um beijo nos lábios dela.
Quando se deu conta, já estava colocando Olivia deitada sobre a cama, e estava com seu corpo em cima do dela. A beijava com intensidade, e já sentia desejo de fodê-la como um animal, ele era assim fácil quando estava com Liv, e não possuía muito o controle sobre si mesmo.
Mas ele sabia que aquela não era uma noite muito boa para aquele tipo de tentativa, sabia que a Liv ainda estava em um estado de choque e mesmo que ela tentasse parecer forte, estava em cacos por dentro e por isso, separou seus lábios dos dela.
— Eu vou antes que eu avance algum tipo de sinal que te incomode. Sei que hoje não é um dia bom para você — Fitz disse e Olivia assentiu.
— Eu não vou mentir que talvez em outro momento eu adoraria te sentir me tocando por inteira, Fitz. Mas hoje não estou nem um pouco bem. — Eu sei e respeitarei seu espaço — Fitz disse e depois sorriu. — Sabe que ficou mais difícil agora, depois de você admitir que adoraria me sentir te tocando — ele respirou profundamente e se levantou da cama, saindo de cima de Liv. — Vou logo para meu quarto, antes que eu jogue essa porcaria de sensibilidade pela janela e faça tudo o que está na minha cabeça.
Liv lançou-lhe um sorriso divertido e se levantou, tentando se ajeitar. Foi até Fitz e o puxou, beijando-o de forma lenta e sensual, no final do beijo mordeu o lábio dele.
— Em breve vamos fazer tudo o que está dentro da sua cabeça — Liv disse e ele passou a língua sobre os lábios de Liv. — Eu preciso pedir Abby para que a governanta da minha casa traga algumas roupas, Fitz.
— Claro, minha querida — Fitz respondeu, acariciando os cabelos de Olivia e colocando-os atrás da orelha dela. — Se precisar de qualquer coisa, temos empregados sempre a postos, peça que um deles busque, acho melhor.
— Obrigada — ela agradeceu e Fitz assentiu.
— Não precisa agradecer, sou eu que agradeço por não ter se colocado contra a ideia de morar aqui — ele depositou um beijo rápido nos lábios dela antes de se virar e ir em direção a porta. — Seria outro problema para lidar e a última coisa que preciso no momento.
Fitz ia saindo do quarto, mas Liv o chamou novamente e ele se virou, sua sobrancelha levantada e testa vincada, expressando evidente curiosidade pelo que a mulher diria a seguir. Ele passou o dedo polegar e indicador sobre os lábios, limpando as manchas do batom vermelho-escuro de Liv.
— Edison me disse uma coisa que me pareceu um pouco sem sentido depois que levou o tiro, mas só você pode me afirmar se estou certa ou errada — Liv disse, e Fitz notou que a mulher parecia confusa e ao mesmo tempo temerosa pelo que diria, como se temesse pela reação dele.
— Que tipo de coisas? — Fitz perguntou e reparou Liv meio hesitante.
— Falou algo como "o filho não era do presidente", mas provavelmente era delírio, não era? — Liv se levantou da cama e aproximou de Fitz, e ele sentiu surpreso pelas palavras dela, mas estava acostumado a mascarar suas reações e manteve sua feição de forma estável. — Mellie nunca esteve grávida. Ou esteve?
Fitz sentira um gelo percorrer seu corpo e pediu aos céus que Liv não notasse a feição dele que provavelmente mudara por completo. Ele respirou fundo e sacudiu a cabeça em negativa, tentando parecer tranquilo antes de responder.
— Não. Ela nunca esteve grávida, Liv. Ele provavelmente teve apenas um delírio, eu ouvi que ele perdeu bastante sangue, ou pode ter sido a dor — ele disse antes de abrir a porta, seu coração retumbando no peito pela mentira que saíra dos lábios. — Boa noite, Liv. Durma bem.
O fardo da mentira veio em seguida, logo após fechar a porta.
E ele estava acostumado a ter que soltar pequenas mentiras, ou às vezes grandes também, mas com Liv ele se sentira estranhamente culpado e isso se deu ao fato de que ele notou como a garota se abrira com ele e contara tudo o que sabia. E aliás, ele ponderou o quanto ela sabia e se deu conta de que era bastante, talvez mais do que ela deveria, e isso era para o próprio bem da mulher.
Ele chegou ao seu quarto e abriu a porta, assim que a fechou sentiu os ombros relaxarem, deixou um suspiro pesado sair pelas narinas e afrouxou a gravata, sentia-se zonzo pelas palavras de Liv. Afinal, porque Edison diria aquilo? E aliás, como ele sabia da gravidez secreta de Mellie? Não era algo que ele teria acesso facilmente e era isso que preocupava Fitz de forma desesperadora.
Mellie nunca dera motivos para desconfiança, e me mesmo tendo se enganado diversas vezes na vida, Fitz não conseguia nem cogitar a ideia de sua falecida esposa traindo-o e engravidando de outro homem. Ela quase nunca saía sem sua companhia e quando o fazia era sempre acompanhada, além de que não podia imaginar a mulher sempre tão companheira e leal fazendo algo como aquele tipo de coisa.
Mesmo que ela estivesse estranha na última semana de vida, tratando-o de maneira fria, distante e às vezes arredia, porém, antes daquilo não havia vestígios de que ela pudesse fazer algo como aquele tipo de coisa.
Mas a palavra "se" ficou rondando sua noite, após tomar um banho quente e relaxante, ele se deitou esperando que pudesse descansar e assim como nas suas noites anteriores, não conseguira pregar os olhos.
E se Mellie escondera a gravidez dele por algum motivo? E se o motivo fosse o que Edison disse? E se?
Ele soltou um grunhido, seu rosto virado contra o travesseiro. Sentia-se impotente, como se todos estivessem armados à sua volta, e ele não soubesse de onde viria o tiro que o pegaria. Não sabia nem mesmo por onde começar, mas acreditava que em breve ele conseguiria encontrar uma saída.
Mas a primeira coisa que faria era tirar aquela ideia de que Mellie o traíra. Respeitaria a morte da primeira esposa, pois ela morrera por sua culpa e era quase um ultraje cogitar que ela tivesse a capacidade de tal coisa. Mas faria algo sobre o assunto, ligaria para a mãe de Mellie, sabia que ela vivia sozinha em Nova York após a morte do marido, ela talvez pudesse responder algumas questões que pesavam em sua cabeça acerca do comportamento da esposa.
Mas pensaria sobre isso depois que voltasse de Springfield, onde teria o jantar de confraternização com alguns aliados após alguns compromisso de sua campanha. Por enquanto focaria naquela parte da sua vida, depois focaria nos problemas que o rondavam, que iam muito além dos seus inimigos.
Talvez encontrasse alguma resposta que clareasse as suas ideias.
Talvez encontrasse algo que aliviasse seu coração, que torcia para que tudo fosse um delírio da cabeça de Edison, talvez encontrasse algo que tirasse a pontinha de dúvida que surgira em sua mente e que o fazia questionar tudo o que vivera ao lado de alguém que amava e admirava.
Liv teve vários pesadelos durante a noite e acordou cedo. Dormira com uma camisa e um short de Fitz, algo que ela nunca esperaria ser do presidente por ser simples e despojado, algo que ele provavelmente usava apenas na parte residencial da Casa Branca, e quando ninguém o via.
Ela seguiu para o banheiro e tomou um banho calmo, sua mente fervilhando diante de todos os acontecimentos da noite anterior, lembrando-se de toda a cena de Edison ferido, e notou que precisava saber urgentemente sobre o estado de saúde dele.
Liv emitiu um som de desaprovação ao se lembrar da conversa que tivera com Fitz, pois de alguma forma ela sabia que ele não contara toda a verdade, havia algo faltando naquele quebra-cabeça. Mas Olivia sabia que precisava ter paciência com Fitz, pois da mesma forma que ele não contara tudo, ela também não tinha contado tudo de sua vida pessoal. Liv acreditava que estando ali dentro da Casa Branca pudesse enfim se aproximar do homem que estava conhecendo aos poucos.
Assim que vestiu as suas roupas, que um empregado da Casa Branca buscara, pegou seu celular dentro de sua bolsa e já se preparada para ligar para Abby, a amiga ligara diversas vezes, mas ela não queria falar com ninguém. Assim que desbloqueou a tela do celular, ouviu batidas na porta e quando a abriu se deparou o agente Warren, ele a esperava ali e estava sério como sempre.
— Bom dia, senhorita Pope — ele a cumprimentou com o tom sóbrio. — O senhor presidente está requisitando sua presença no quarto dele. Poderia me acompanhar, por favor?
— Bom dia, agente Warren. Claro que acompanho, só um minuto — ela respondeu e voltou dentro do quarto para guardar sua bolsa dentro do enorme guarda-roupa ali dentro e saiu do quarto logo em seguida. — Sabe do que se trata?
— Ele não me disse nada, senhorita. Creio que seja algo privado — ele respondeu enquanto caminhava com segurança, ele parecia conhecer cada cantinho da Casa Branca. Assim que ele chegou na porta do quarto, se posicionou em frente a mesma, ali já estavam dois agentes do serviço secreto, os homens de confiança do presidente. — Ele disse que não precisava bater à porta, e que poderia entrar direto.
Olivia assentiu e segurou na maçaneta fria, girando-a até abrir a porta e então entrou no quarto. Assim que estava dentro do cômodo, fechou a porta antes de visualizar o quarto que e sempre imaginou como seria. Ela caminhou até a famosa sacada, a Truman balcony e ficou admirando a vista que tinha dali, o National Mall e o Washington Monument.
— Gostou do quarto? Espero que sim. É aqui que dormirá depois que nos casarmos — Liv se assustou com a voz de Fitz, ela voltou para dentro do quarto e se deparou com Fitz seminu, uma toalha branca estava enrolada em sua cintura e então ela teve pela primeira vez um vislumbre do que ele escondia por debaixo daquelas roupas sociais e não poderia pensar em algo melhor.
Seu corpo era másculo, os músculos de seu abdômen eram bem definidos e delineados, as gotas de água que escorriam por ali, eram um espetáculo a parte. Ela estaria mentindo se dissesse que não estava gostando do que via, seu corpo respondeu à imagem rapidamente.
— Quem disse que vou dormir aqui? — Liv indagou com atrevimento.
— Ah, Liv. Eu faço questão — ele utilizou outra toalha para enxugar os cabelos molhados. — Acha mesmo que vou querer deixar você dormir debaixo do mesmo teto que eu, mas não na mesma cama? Seria uma ofensa a mim e a você — Fitz disse e Liv sorriu.
— Diante da visão que estou tendo, acho que posso conviver com a ideia de dormir no mesmo quarto que você — Olivia falou sem nenhum pudor, e o olhar que recebera a fez sentir o corpo esquentar. Ela encostou as duas portas de madeira que davam acesso à sacada que estava.
— Liv, Liv. Você brinca com meus instintos — ele jogou a toalha que usara para secar os cabelos sobre sua cama e se virou para Liv que tentava se concentrar, mas se sentia impossibilitada diante da visão da toalha branca enrolada de maneira firme e justa na cintura do presidente. — Antes que você continue me desconcentrando, preciso te dar dois avisos.
— Pode falar — Liv disse, sentindo que quem estava desconcentrada era ela ali.
— O primeiro é que recebi notícias de Edison, e fique tranquila que não vou mentir — Liv engolira a seco com medo do que ouviria. — O caso dele está estável, ele perdeu bastante sangue, mas vai sobreviver. Por enquanto ele está dormindo porque foi sedado, mas em breve estará melhor e darei um jeito de que ele fale tudo o que sabe — Liv relaxou assim que terminou de ouvir Fitz.
— Fico bem mais tranquila ao saber disso, mal pude dormir durante essa noite — Liv disse, sentindo o alívio inundando seu peito. — E o segundo aviso?
— Eu sei que cheguei de viagem ontem à noite, mas preciso estar dentro do avião agora de tarde pois tenho um compromisso de campanha em algumas cidades do estado de Illinois antes de irmos para a cidade de Springfield. Na verdade, iria agora de manhã, mas preciso resolver algumas pendências e tenho algumas reuniões importantes.
— Por mim, tudo bem. Estou com tudo para te ajudar, Fitz. Mas te peço que não se esqueça que você é a pessoa que mais precisa estar com tudo nessa história toda.
— O que quer dizer com isso? — Fitz perguntou.
— Não seja um grosso idiota com seus eleitores, tenha paciência quando te fizerem perguntas impertinentes — Liv disse com um sorriso nos lábios.
— Eu estou tentando melhorar — Fitz tombou a cabeça para o lado e um sorriso sacana cresceu.
— Lembra que disse para mim ontem? — Fitz espero e ela prosseguiu. — Não quero que tente, eu quero que faça. Daqui alguns dias sairá o resultado das pesquisas eleitorais, a primeira depois que eu resolvi te ajudar, a primeira depois de você tentar mudar seu comportamento, porque sim, eu sei que você tem tentado, mas nós dois sabemos que não será suficiente. Você precisa se jogar nessa campanha de cabeça, Fitz. Não depende só do que estamos vendendo para as pessoas, depende de quem você vai ser, da imagem que vai vender de si mesmo enquanto está sozinho.
— Você está me saindo melhor do que Cyrus e Ruby juntos — Fitz disse e se aproximou de Liv e segurou o rosto dela, acariciando a bochecha dela com o dedão. — Vou fazer o meu melhor, Liv. Prometo para você.
— Assim ficou melhor, mas não precisa prometer. Você é um político, se lembra?— Olivia disse de forma debochada, antes de colocar uma de suas mãos no pescoço de Fitz e puxá-lo para si. Ele deu um riso baixo enquanto ela passou o outro braço ao redor do pescoço dele e então em um impulso, pulou e enroscou suas pernas ao redor da cintura do presidente.
Fitz a carregou até a parede mais próxima e a encostou ali, Liv soltou um gemido baixo quando sentiu as mãos do presidente entrando por dentro da blusa de lã verde-água que ela usava, os lábios de ambos estavam colados, ávidos e sedentos em busca do sabor do outro.
Quando Liv sentiu a mão de Fitz alcançando o bojo de seu sutiã, a porta se abriu e os dois olharam assustados para a mesma, encontrando Cyrus parados e olhando para ambos antes de olhar para o outro lado.
— Me desculpe, senhor presidente e Senhorita, Pope — ele pigarreou, visivelmente desconcertado. — Eu não imaginava que os encontraria assim. Volto depois — ele já ia saindo, e então Liv desceu as pernas que estavam envolta da cintura do presidente e ficou de pé, ajeitando a saia branca soltinha que usava e a blusa de lã.
— Não precisa, Cyrus. Eu já estava de saída — ela sorria para Fitz enquanto falava, quando ia saindo de perto dele, sentiu ele puxando-a e depositando um beijo rápido em seu pescoço, antes de falar de forma sussurrada em seu ouvido.
— Depois continuamos — Fitz disse e Liv assentiu antes de passar por Cyrus que olhava para o outro lado do quarto, tentando dar algum tipo de privacidade para os dois.
Liv saiu dali e foi direto para seu quarto, assim que chegou lá pegou o celular dentro de sua bolsa e então fez o que estava intencionada antes de ir até o quarto de Fitz. Digitou a discagem rápida e ligou para Abby que atendeu na primeira chamada.
— Você está bem? Porque não me atendeu?
— Calma, Abby. Eu estou bem.
— Você não me liga, manda um funcionário da Casa Branca buscar suas coisas e então David me liga e me fala que Edison foi baleado no apartamento dele e eu sabia que você ia para lá, então imagina como eu fiquei.
— Eu sei, Abby. Me perdoe, eu deveria ter te ligado, mas ontem eu estava em estado de choque, acho que ainda estou um pouco, porque toda hora os flashes de ontem vem em minha cabeça — Liv disse de forma sincera. — Mas estou mais tranquila porque sei que Ed está bem.
— David me ligou desesperado, Liv. Não entendi todo aquele desespero, porque ele nem importa se muito com Edison, você sabe.
— É, estranho é pouco — Liv disse, achando que aquilo estava realmente estranho.
— Mas e o que houve?
— A história é longa, queria poder te explicar tudo hoje, mas não volto aí em casa — Liv disse, se jogando na cama e se enroscando. — Eu vi Ed ser atingindo, Abby. Foi horrível, por isso não quis ligar, não quis contar. Contei para o Fitz porque sabia que ele não me daria sossego se não o fizesse, e porque as coisas que Ed me contou foram assustadoras. Mas queria apenas tomar um banho e relaxar, tentar não pensar naquilo, e no final foi tudo que pensei, aliás tive pesadelos com isso durante toda a noite.
— Caramba, Liv! Você é louca de querer guardar isso, em vez de contar e desabafar. Isso deve ter sido horrível.
— Horrível é pouco, Abby — Liv disse e então mudou de assunto, tentando afastar a mente do ocorrido novamente. — E sabe aquele jantar em Springfield?
— Com alguns aliados?
— Exatamente. Ele terá alguns compromissos de campanha, e precisará ir hoje à tarde.
— Precisa de mim na viagem?
— Não é por isso mesmo estou te dando uma folga de mim até segunda-feira à tarde, que provavelmente será quando chegarei da viagem.
— Certo, então. E sinceramente, espero que aproveite da viagem. Você sabe o que quero dizer, não é?
— Acho que sim — Liv disse e riu. — Tenho a amiga mais pervertida desse mundo.
— Não sou pervertida, sou uma pessoa sensata. Afinal de contas, quem em sã consciência viaja com o presidente, e não aproveita daquele corpo? Por favor, Liv. Só uma pessoa sem cérebro faria isso e você tem um cérebro bem esperto por sinal.
— Eu vou aproveitar. Tenha a certeza disso — Liv disse com convicção.
— Espero que sim. Segunda-feira quero ouvir novidades eróticas da viagem. Obrigada — Abby disse e arrancou uma gargalhada de Liv antes de se despediram e desligaram.
Liv terminou de preparar as coisas para a viagem, e não vira o presidente durante todo o dia. Almoçara em seu quarto, sentindo-se mais sozinha do que desejava em certos momentos, mas não achou aquilo ruim, pois em breve teria a agenda lotada, assim que se torna-se a primeira-dama.
Quando Fitz apareceu em seu quarto carregava o seu sorriso confiante de sempre, e ela sorriu de volta da mesma maneira.
— Pronta? — ele perguntou e ela assentiu sorridente. O braço do presidente estava estendido e Liv enroscara o braço no dele enquanto caminhavam juntos pela Casa Branca até a limousine presidencial. Mas o que impressionou mesmo foi quando Liv vira de perto o Air Force One, o avião oficial do presidente dos Estados Unidos.
O avião imponente que media 70 metros, era lindo, ele carregava a imagem da bandeira do país, selo presidencial e o nome do país. Tinha 19 metros, a mesma altura de um prédio de seis andares, por aí já dava para imaginar como ele era enorme.
Aquele era o avião mais luxuoso do mundo para alguns, e Fitz fez questão de mostrar cada parte dele para Liv.
— Então quer dizer que possui uma suíte, uma enfermaria, uma sala de trabalho, uma sala de conferência, uma sala de estar, uma cozinha hiper equipada e até mesmo um ginásio? Uau. Nunca imaginei que fosse isso tudo.
O avião era colossal, maior do que ela imaginava. Liv entrara em um avião da força aérea quando criança, o seu pai a levara para conhecer um dos aviões oficiais do governo americano. Não era o do presidente, mas ela se sentira satisfeita, era como se fosse.
— Exatamente. Esse nome "Air Force One" não é o nome do avião, ele tem outro nome técnico, Boeing 747. Mas o título "Air force One" é utilizado nas comunicações de rádio para identificar qualquer avião que seja usado por mim.
— Então qualquer avião pode ser considerado "Air Force One"?
— Se eu estiver utilizando-o, sim. Mas este em que estamos é o oficial, ele foi preparado para se transformar em uma versão aérea da Casa Branca, possui escudos antimísseis, blindagem contra radiação nuclear.
— Mas nós estamos viajando para perto, não acho que correria tanto perigo.
— Meus inimigos estão em todos os lugares, Liv. Você sabe bem disso.
Ela se sentou na poltrona de couro que ficava de frente para uma mesinha e do outro lado havia outra cadeira de couro, ali dentro da sala de estar sentia-se aconchegada, parecia até ser um jato particular simples, a diferença era que aquele era o avião oficial do presidente dos Estados Unidos.
— Cada viagem é considerada uma operação militar, cada detalhe do funcionamento da aeronave é planejado minuciosamente. Por isso que a ideia de me ver andando em outro avião que não esse oficial, é quase nula. — Fitz abriu a garrafa de champanhe e colocou o líquido dentro de uma das taças de cristal.— Champanhe? — ele perguntou, apontando para a outra taça vazia.
— Achei que gostasse de algo mais forte, senhor presidente — Liv disse.
— Prefiro um rum envelhecido, um bom uísque, mas acompanharei você, pois sei que gosta de champanhe.
— Obrigada por ser tão atencioso — Liv respondera, pegando a taça em que ele servira seu champanhe. Assim que as taças estavam preenchidas com o líquido borbulhante, ele pediu que a aeromoça se retirasse e que ninguém entrasse ali sem autorização, sendo atendido logo em seguida.
— Você merece toda essa atenção, Liv. Seria um canalha se destratasse a mulher que tem me ajudado tanto, não acha?
— Mas não fiz nada demais, Fitz.
— Você assinou um contrato para tentar salvar minha pele, Liv.
— Fiz isso porque quis, Fitz. Não preciso receber nada em troca por isso, aliás, se puder continuar correndo atrás de melhorias para o país, já ficarei grata. Só não quero Sally no poder, ainda acho que ela possa estar envolvida com toda essa merda que aconteceu com Edison.
— Ei, sem preocupações. Lembra?
— Certo. Me desculpe, mas é inevitável. Aquela cena do Edison sendo atingindo vem em minha mente, sem autorização.
— Vem aqui — Fitz pediu, colocando a taça em cima da pequena mesinha que estava no caminho dos dois. Olivia colocou a sua sobre a mesa logo após despejar o resto do líquido para dentro de sua boca.
Ela se levantou e foi até a poltrona dele e ele segurou em sua cintura, puxando-a para baixo, fazendo com que ela se sentasse em seu colo. Ela esparramou uma perna em cada lado do corpo dele, Fitz por sua vez embrenhou os dedos nos cabelos sedosos dela, sua outra mão espalmada na bunda dela sem pudor algum.
— Eu sei exatamente o que fazer para te acalmar, Liv — Fitz disse, sua voz grave e rouca no ouvido de Liv que se arrepiou por inteira.
— Então me mostre — Liv disse antes de ver um sorriso perversamente malicioso brotar de maneira selvagem no rosto de Fitz.
— Com todo prazer — ele respondeu antes de segurar na barra da saia e puxar para cima com violência, arrancando um suspiro de Olivia que saiu quase como um gemido. Ela sentiu o ar esvair enquanto sua respiração ficava pesada e então foi como se tudo ficasse melhor, isso porque os lábios deliciosos de Fitz encontraram os seus e os sugou de forma ávida. — Já teve um orgasmo dentro de um avião? Porque é isso que vou te dar agora.
— Espero que esteja preparado, presidente. Pois faço questão de igualar e te proporcionar a mesma coisa — Liv disse e esfregou sua intimidade na dura ereção que crescia na calça social do presidente, arrancando um suspiro pesado, o ar escapou de seus lábios como um silvo.
Ele olhava vidrado para o movimento de fricção provocado por Liv e quando ela notou o olhar de desejo extremamente profundo, ela procurou os lábios dele que já estavam entreabertos e iniciaram um beijo cheio de vontade. E enquanto Liv sugava a língua do presidente, sentindo o delicioso gosto do champanhe, ela se deu conta do quanto aquela viagem seria diferente de tudo o que já tinha experimentado na vida.
