N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

N/A²: Simplesmente acho esse um dos melhores capitulos! ( Não esqueçam de ver o video Fanmade que eu fiz pra essa fanfic: watch?v=uGAqOZ3hef0&feature= ) E deixem seus comentários... gosto de ouvir vcs. E sim vai ter o Jake!

-x-

Pequenos pontos luminosos brilhavam no céu escuro da cidade de Grandview, uma cidadezinha próxima à cidade de Springfield, estado de Illinois. No dia seguinte, Fitzgerald faria um breve
discurso na cidade durante a manhã, logo depois teria um almoço com alguns patrocinadores de sua campanha e de tarde seguiriam para Springfield.

Olivia estava pronta, só estava terminando de colocar seus sapatos de salto altíssimos e então estaria preparada para sair de seu quarto. Sim, um quarto só seu. Assim que chegara à
cidade, decidira que queria um quarto só para si, sentia que não era só porque tinha feito sexo com Fitz, que deveria ,dormir no mesmo quarto que ele. Queria sua privacidade, e sabia que havia um limite entre uma coisa e outra.

Algo lhe dizia para não aprofundar aquela intimidade, não tornar a física entre eles em algo que envolvesse minimamente algum tipo de sentimento. E era difícil quando se tratava de
Fitz, que sempre a tratava bem, cheios de carícias e trejeitos educados.

Assim que chegaram a cidade, o presidente a convidara para um jantar, seria algo para apenas os dois e aconteceria logo após uma reunião que ele teria, e pelas contas de Olivia, a reunião
já tinha acabado. Olivia decidira que aquele jantar era algo que em nenhuma circunstância deveria ser encarado como um encontro, mas sim como pura jogada midiática. Qualquer momento
que compartilhassem, estamparia jornais no dia seguinte, alimentaria ainda mais as fofocas e isso faria bem para Fitz.

Assim que terminara de se arrumar para o jantar, sentou-se em sua cama e encarou a parede branca do enorme quarto do hotel em que estavam hospedados. O hotel havia sido completamente
fechado e os quartos inspecionados com cautela, um por um, antes que fosse autorizada a entrada do presidente, que teve um andar só para si, o mais importante, os outros foram divididos para os seus empregados. Ela pedira o qufarto, ao lado do quarto dele, caso precisassem disfarçar para alguém que trabalhasse no local. Olivia respirou fundo, pensando na merda que tinha se metido ao aceitar ir
naquela viagem. Olhou para a cama, e ali estava estendido um conjunto de peças íntimas, uma calcinha e um sutiã rendados, a cor era linda, era uma cor vinho, sensual, quente e que remetia aos momentos que passara dentro do avião com o presidente.

Duas batidas na porta e Olivia desviou o olhar das peças, encarou a porta antes de se levantar e ir até a mesma e assim que a abriu, encontrou o olhar de Fitz sobre si, um sorriso confiante e quase irritante surgiu e ela sorriu em resposta. Atrás deles estavam os agentes secretos de sempre, os chefes de todas as operações de segurança do presidente, estavam sérios como de maneira usual e Olivia nem se deu ao trabalho de tentar cumprimentá-los, até porque havia um homem à sua frente que pedia por sua atenção, vestido em um terno alinhado, a barba bem aparada e o perfume que a inebriava.

— Eu imaginei que fosse caprichar, mas você acabou com qualquer chance de te elogiar não há palavra nesse mundo que seja suficiente para descrever sua beleza esta noite, Olivia — o presidente disse, e ela assentiu.
— Não seja exagerado, não precisamos encenar aqui — Liv disse em resposta de forma ácida, mas não pareceu atingir Fitz de maneira alguma.
— Eu não estava encenando, meu doce. O elogio foi completamente verdadeiro. Vamos? — ele perguntou e Liv não respondeu ao que fora dito pelo presidente. Não demoraram muito até chegar ao restaurante escolhido, as pessoas jantavam no local ficaram alvoroçadas ao ver que o
presidente estava ali, e ainda mais que estava se misturando a eles, sorridente em meio ao povo que tratara com frieza nos anos anteriores. O comportamento dele estava causando o efeito desejado, e
Olivia tivera que concordar que aquela ideia de falso relacionamento estava de alguma maneira dando certo. As pessoas estavam mais simpáticas com Fitz e era visível que o número de pessoas favoráveis quanto a campanha do presidente crescia cada vez mais.
— Boa noite, senhor presidente — o maître do restaurante disse com um sorriso no rosto que parecia plastificado. — Reservamos a melhor mesa para vocês. Saiba que é uma honra recebê-lo
aqui.
— Eu agradeço pelo serviço esplêndido que já está nos oferecendo— Fitz respondeu. — Espero que possa dizer a mesma coisa do que vou experimentar nessa noite com minha
noiva — ele disse e meneou a cabeça para Olivia que sorriu para o homem.
— Faremos o nosso melhor. Assim que ambos estavam bem instalados no local, o maître fez sua retirada, deixando o casal sozinho.
— Gostou do meu presente? — Fitz perguntou, se referindo ao conjunto de lingerie de cor vinho. Os seus olhos vidrados em Olivia, fazendo-a sentir-se exposta e vigiada. — Depois do
que me disse sobre eu gostar de destruí-las, resolvi comprar um conjunto para te pedir desculpas.
— Não é necessário pedir desculpas — Olivia colocou a mão sobre a mesa, aproximando-a da mão grande de Fitz que estava abandonada em cima da mesma. — Na verdade, eu confesso que até gosto quando me faz perder todas elas. Penso em usar o presente no jantar de amanhã.
Ela conseguiu dele um sorriso malicioso, seus dedos enroscaram e o atrito do contato das peles de ambos foi faiscante, era óbvio que ambos queriam sair dali e escolher um dos quartos para finalizar a noite. Mas Olivia estava cheia de ressalvas, perguntas impertinentes que dançavam em sua mente sobre se aproximar tanto do homem mais poderoso do mundo. Ela retirou sua mão, rápido demais, e Fitz percebeu, porém não fizera comentário algum sobre o gesto.
— Eu quero aproveitar essa noite para descobrir mais sobre você — o presidente disse, sua voz era de curiosidade evidente. — Estamos noivos e não sei muita coisa sobre a minha futura esposa.
— Não acho que seja necessário, teremos muitos anos para isso — Liv disse, sorrindo discretamente, ao perceber que um fotografo capturava o momento íntimo.
— Me conte sobre seu lugar favorito no mundo — Fitz perguntou, ignorando as palavras de Olivia.
— Para quê quer saber isso agora? — Liv perguntou, a mão de Fitz deslizou sobre a mesa, alcançando a mão delicada de Liv que olhou o gesto com o coração disparado, xingando-se por reagir tão rapidamente ao toque do homem à sua frente.
— Vamos facilitar as coisas para mim. Você não está me ajudando muito essa noite, Olivia — Fitz disse, seu sorriso parecia começar a ficar impaciente. — Não entendo porque está tão arredia comigo. Se não queria me acompanhar, era só ter falado. Eu não gosto de companhias que não me querem por perto, não costumo ser o estorvo das pessoas.
— Não é isso... — Olivia calara por alguns segundos antes de prosseguir, se rendendo. — Annecy, na França.
Liv respondera, e logo depois bebeu um gole da água que o garçom colocara em sua taça. A questão era que Liv não queria aprofundar seu contato com Fitz, ele parecia querer conhecer melhor sobre ela, mas ela queria poder não se sentir mais próxima dele, pois aquele contato a assustava.
— Jura? Algum motivo em particular para gostar daquela cidadezinha aconchegante? — Fitz perguntou, sua voz não demonstrava falso interesse, ele estava realmente curioso. —
Seria pelo famoso "lac d'Annecy"? O segundo maior lago da França?
— Na verdade, não — Liv ponderou antes de continuar a conversa. Afinal de contas, que mal faria responder alguma perguntas pertinentes à sua vida? Aquilo não o tornava próximo dela, era o que ela acreditava. — Minha avó era uma amante da França, me levava em muitas de suas viagens pelas cidadezinhas do país e eu sempre tive uma queda por Veneza, desde pequena, então minha avó me disse que me mostraria a famosa "Veneza dos Alpes", e que depois dessa viagem eu mudaria de opinião sobre a Veneza da Itália e bom, digamos que ela não poderia estar mais certa.
— Se apaixonou pela cidade?
— Aquele lugar é mágico, e eu nunca me senti mais aconchegada em um lugar do que como me senti na casinha que minha avó possuía lá — Olivia parecia transportar-se para o local enquanto falava, e Fitz notara isso com um sorriso nos lábios. — Meus pais não possuem muitas tradições, entende? E com a minha avó eu passei a ter.
— Como assim?
— Há um grande evento na cidade que se chama "Fête du Lac", que traduzido é basicamente "Festa do lago" que acontece todo primeiro sábado de agosto na cidade, desde 1978. E minha avó sempre arrumava um jeito de me levar para lá, passávamos uma semana na cidade e então ela me trazia de volta para casa. Meu pai morria de raiva, não sei se sabe, mas eles se odiavam.
— Alguém odiando seu pai é algo raro — Fitz passou os olhos no menu, seus ouvidos atentos às palavras da mulher à sua frente.
— Mas minha avó o odiava, com todas as forças do ser dela. Ela sabia que meu pai tinha casado com minha mãe por puro interesse político, mas mesmo depois de perceber que meu pai
apaixonou-se por minha mãe, não conseguia aceitar que ela se misturasse nesse mundo, que ela fosse usada como moeda de troca, entende?
— Eu conheci sua avó, ela e seu avô eram grandes amigos dos meus pais. Acho que ela odiaria a mim também se visse no que meti a neta dela — Fitz disse, sem muita empolgação na voz, na verdade havia traços de dor ali.
— Ela sabe que eu fiz isso por vontade própria, ela saberia que você foi sincero comigo desde o começo. Não há mentiras sobre você me amar, não há fingimentos entre nós, Fitz. Temos um negócio, fechamos um contrato.
— Certo — Fitz percebeu a mudança de tom da mulher e resolveu voltar ao assunto anterior. — Sua avó tinha casa em Annyce?
— Sim — o semblante de Olivia voltou a ser saudosista. — Mas ela deixou de herança para a cidade, queria que e restaurassem a casa e a usassem como uma espécie de museu. Ela tinha
coleções enormes de coisas antigas e pinturas lindíssimas.
— É uma pena que ela tenha feito isso, acredito que ela deveria ter deixado para você. E por acaso, você voltou em Annyce depois da morte dela?
— Faz um bom tempo que não vou lá. E a última vez, foi horrível. Eu estava em uma fase ruim, sabe? Discutia muito com meu pai, porque as ideias machistas dele não batiam com as minhas ideias. Passei os 5 meses antes da viagem para Annyce sendo uma rebelde com causa, e quando a viagem finalmente chegou, foi justamente quando tinha tido uma das minhas brigas estrondosas com meu pai e como eu era uma idiota, acabei descontando nela logo nos primeiros dias em Annyce — Olivia contava e sua feição mostrava traços de arrependimento. — Eu falei umas coisas estúpidas, e voltei para os Estados Unidos sem me despedir dela. Logo depois, descobri que um amigo estava passando férias na Bélgica, ele me chamou para ir em Saint-Tropez e eu decidi aproveitar o resto das minhas férias na França, porém com uma companhia diferente. Olivia sentiu a garganta fechar-se, o seu erro estava ali, perto de ser contado para Fitz, mas ela não sabia se
teria coragem de prosseguir. Ela nunca tinha, acabava sendo tomada pelo medo da repreensão. A culpa por ter feito um mal tão grande a outra pessoa, a perseguia de maneira pesada.
— E então? — Fitz perguntou, abandonando o menu sobre a mesa, querendo o resto da história.
— Ah, você sabe. Passou, foi uma fase. Eu não fiz nada muito rebelde quando era adolescente e então precisei fazer isso com meus 18, 19 anos. Eu aproveitei o resto das férias com esse amigo, com o qual tinha um relacionamento meio enrolado, e voltei logo depois do meu aniversário para o país — ela pegar o menu, a diferença era que Olivia não estava nem mesmo lendo
as palavras do sofisticado cardápio.
— Falando em aniversário, o seu está se aproximando — Fitz comentou sorridente, seus olhos focaram nas palavras do cardápio, e Olivia deu um longo suspiro.
— Não gosto de comemorar meu aniversário — ela disse, mordendo o lábio de maneira nervosa.
— Jura? Algum motivo em particular? — Fitz perguntou, franziu o cenho enquanto tentava entender aquela escolha de Olivia.
— Não, eu só não gosto do meu aniversário.
— Eu entendo alguém da minha idade não gostar de comemorar o aniversário, mas você ainda é jovem, Liv.
— Não é pela idade. A data só... não me traz boas recordações. Era isso. Mais uma vez Olivia estava próxima do que carregava em seu passado, o peso que fizera questão de colocar sobre seus ombros, mesmo que não fosse a culpada total do que acontecera. Ela piscou duas vezes, mordeu o lábio inferior novamente e o garçom estava de volta para pegar os pedidos. Fitzgerald falava rapidamente, e Olivia esperava por sua vez, mas as coisas que se seguiram de maneira abrupta fez com que tudo
desandasse.

Olivia não gostava de comentar sobre o que ocorrera no seu aniversário de 19 anos, uma tragédia que custara a liberdade de sua mente, pois a culpa que carregava era pesada demais. Se
o presidente se sentia culpado pela morte da esposa, ali estava Olivia carregando uma culpa tão grande quanto. E era como se o passado quisesse confrontá-la naquela noite, e isso porque os ventos se mostraram desfavoráveis para a mulher através dos acontecimentos que se sucederam. A porta do restaurante se abriu, e a cena pareceu se desenrolar em câmera lenta, um homem de idade mais avançada adentrou no local falando ao celular, e Olivia prendeu a respiração de imediato ao perceber de quem se tratava. Lucius Ballard, o pai de Jake, estava no local. E o pior estava por vir, pois logo
atrás dele, vinha ninguém mais, ninguém menos, que o próprio Jake Ballard. Seu ex-namorado louco e inconsequente estava ali, em carne e osso, saindo dos piores pesadelos e lembranças
que tivera nos últimos anos.

Parecia a vida rindo de sua cara, e de forma bem irônica, pois nunca estivera tão próxima de comentar sobre o caso ocorrido em seu aniversário como estivera ali, segundos antes. Fitz segurou sua mão sobre a mesa de forma tensa, fazendo com que Olivia o olhasse de soslaio, mas, ainda assim, sem o olhar por completo. Isso porque os olhos azuis de Jake encontraram com os seus, um sorriso impertinente brilhou, cheio de más intenções. Como um sorriso podia ser tão perverso quanto aquele? O brilho dos olhos de Jake não lhe transmitia nada de bom, não lhe remetia paz ou tranquilidade, nem mesmo saudade. Mais de cinco haviam se passado, e mesmo assim aquele homem não esquecera Olivia ou o que acontecera entre eles, e aquela obsessão estranha estava estampada nos olhos dele.

O coração de Olivia estava disparado, sua boca estava seca e ela sentia um gosto amargo na língua, até o ar lhe pareceu sumir dos pulmões. O que passava pelo seu corpo era algo assustador, era frio, um terror que subia pela espinha e causava nela um pânico que desencadeava em uma paralisia momentânea. Era como se tudo tivesse travado, inclusive sua mente, Olivia não sabia se escondia como uma criança ou fugia dali como uma louca.

— Olivia? Está tudo bem? — a voz de Fitz chamou-lhe a atenção e ela o olhou completamente aturdida.
— S-sim.
— O seu pedido, já decidiu? — Fitz perguntou, sua sobrancelha vincada. Ele olhou para o ponto fixo em que os olhos de Olivia estivera antes e não entendera nada. Olivia fez o pedido rapidamente, a voz tremulantes e a respiração sôfrega, ele notara rapidamente o quanto ela empalidecera.
— Porque está me olhando assim? — Olivia perguntou assim que seu pedido fora anotado.
— Está tão desconcertada que chega a estar pálida — a voz do presidente era séria, e logo após falar, ele se remexeu inquieto na sua cadeira.
— Eu estou ótima, é só impressão sua.
— Quer saber de uma coisa? — Fitz fez sinal para que o maître se aproximasse e ele veio prontamente. — Cancele tudo, estamos indo embora.
— Mas senhor, foi algo que eu fiz ou disse? Me perdoe.
— Não foi nada com você ou o restaurante. Apenas surgiu um contratempo — Fitz disse, enquanto os olhos de Olivia passeavam aflitos até o outro lado do restaurante. Ela temia que a qualquer momento fosse ser notada por Jake que provavelmente tinha ido até a cidade com a intenção de pegá-la de surpresa.

Ele tinha conseguido. Era verdade. Mas ela queria ter, pelo menos, a chance de se preparar melhor psicologicamente para o grande embate entre os dois e não ter que falar com ele naquele momento em que estava completamente desnorteada enquanto lembranças vinham em cascata para sua mente.

— Fitz, não é necessário fazer isso — ela disse, sua voz saindo em desespero. No fundo, ela sabia que era mais do que necessário.

Antes que desse conta, estavam saindo por uma porta lateral de emergência do restaurante, uma saída estrategicamente planejada pelos agentes secretos caso eles precisassem sair com urgência dali. A porta da limousine presidencial se abriu e ambos entraram, sem pronunciar uma palavra sentaram-se lado a lado, Olivia podia sentir os olhos de Fitzgerald queimando sobre si.

— O que foi, Fitz? — Olivia perguntou, seus olhos ainda meio assutados. Ela unia as mãos que suavam frio, esfregando-as uma na outra em uma tentativa de esquentá-las.
— Eu é que pergunto, Olivia! Quero saber o motivo de ter ficado tão aturdida após ter olhado para Lucius e Jake Ballard. Quero que me conte o que aconteceu para que essa reação ocorresse.
— Eu só...não tenho uma relação muito boa com o Jake — Olivia respondera, seu coração retumbando no peito.
— Uma relação? — Fitz passou uma das mãos pelos cabelos alinhados. — A expressão que tomou seu rosto foi o mais puro pânico, Olivia. Eu quero apenas entender o que está acontecendo
aqui. Essa relação com o Jake é do tipo que estou pensando?
— Sim.
— Merda. Temos um problema, então — Fitz passou os dedos na testa, cruzou as pernas de maneira bem masculina e olhou pela janela seriamente.
— Não, nós não temos um problema. Eu vou saber lidar com isso — Olivia falou rapidamente, tentando explicar que estava tudo resolvido. Ela não queria deixar de maneira alguma transparecer a força que Jake possuía sobre si e ela resolveria aquele problema sozinha. Olivia sabia que daria
conta.
— Liv, eu preciso do apoio financeiro de Lucius na minha campanha, esse é o problema — Fitzgerald falou de maneira calma, até um pouco ressabiada, sentindo uma espécie de temor por falar sobre dinheiro de campanha naquele momento em que Olivia parecia estar tendo um colapso nervoso. — Ele está na cidade, pois foi convidado para o jantar de amanhã. Aliás, esse jantar é exatamente para tratar de assuntos desse tipo. Olivia abrira a boca para falar algo, mas apenas assentira, digerindo aquela informação nova de que teria que conviver com Jake dali em diante. Ela respirou fundo, buscando algum autocontrole dentro de si mesma, mas tudo parecia estar desconexo, fora do contexto correto e normal.
— E você o terá ao seu lado, Fitz. Sem dúvida alguma — Olivia respondeu, quase com um fiapo de voz que fez com que Fitz soltasse uma lufada pesada de ar.
— Você tem certeza? — ele perguntou, virando-se para a mulher que continuava visivelmente assustada. Olivia apenas assentiu, e Fitz segurou sua mão frágil e gelada dentro das suas mãos grandes e quentes. Olivia não mostrou relutância diante do gesto, estava com a cabeça atolada demais com preocupações que gritavam e se debatiam para ser resolvidas com tempo hábil. Ela só não sabia por onde começar. Talvez não surtar tanto na frente de Fitz, ou melhor, não surtar na frente de Jake. Se ele estava no restaurante, provavelmente estaria no jantar dos aliados do partido no dia seguinte e ela teria que se portar bem, digna de uma primeira-dama.
— Ele estará amanhã no jantar, então se você preferir não ir, entenderei.
— Fitz... — Olivia o olhou, dessa vez um rastro de irritação estava percorrendo sua feição. — ...eu vou no jantar. Pode confiar em mim?
— Eu confio em você. Eu só não confio no que aconteceu para que apenas olhar para aquele filhinho de papai te deixasse nesse estado — Fitz disse, e Olivia sorriu. — Pode parecer mentira, mas eu estou preocupado com você, não saí a toa daquele restaurante.
— Obrigada, mas nem precisava.
— Só aceita o gesto, Olivia. Você tem mania de colocar muito "porém" em tudo que acontece.

O trajeto do restaurante até o hotel era rápido e logo eles estavam de volta ao local. Assim que saíram do carro, alguns fotógrafos ali presentes pediram para que Fitz acenasse e os repórteres pediam que ele desse alguma palavrinha. Ele sorriu rapidamente, e fez menção de entrar, mas Olivia o puxou para perto e passou o braço em volta de sua cintura. Fitzgerald a olhou, os olhos dos dois fixaram-se por alguns segundos antes de ambos abrirem um sorriso, e logo o gesto fora captado por câmeras que disparavam flashes em desespero, ele depositou um beijo rápido nos lábios dela.
— Precisa ser mais simpático, lembra? — Olivia disse baixo e entredentes, ele assentiu, aproximando o ouvido dos lábios de Olivia, o gesto não era porque não conseguia ouvi-la, mas sim porque demonstrava uma intimidade real e palpável. — Mesmo que não os responda, precisa sorrir e acenar.
— Achei melhor não te expor nesse momento — ele respondeu e então se virou para os fotógrafos ali presentes e acenou, Olivia fez o mesmo.
— Eu disse que estou bem — ela mentiu, forçando o sorriso no rosto.

Logo depois, eles entraram no hotel e o silêncio permaneceu enquanto subiam o elevador, acompanhados dos agentes secretos. Assim que chegaram no andar em que estavam, Olivia fez a menção de ir para seu quarto, mas Fitz a puxou pela mão, fazendo com que ela o seguisse até seu quarto. Assim que a porta do quarto dele fora fechada, Olivia sentiu as costas coladas na parede, os lábios de Fitz possuíram os seus com fervor e a sua única reação fora corresponder ao
beijo. A doce sensação, o sabor pelo qual ela já estava se sentindo acostumada, mas que não se tornava rotina, aquele era um costume diferente, causava-lhe alvoroço internamente. Quando os lábios dele se separaram dos seus, Fitz sorriu de forma indecente antes de dar uma mordida no queixo de Olivia que o olhava perdida diante daquela atitude, apesar de ser algo bem próprio do homem agir como bem entendia e quando queria.
— Posso saber o que foi isso? — Olivia perguntou levantando uma das sobrancelhas.
— Não me faça uma pergunta difícil — Fitz limpou o batom de seus lábios usando um lenço que estava em seu bolso e foi até a mesa em que o seu bom e velho uísque estava, depositando o líquido dentro do copo antes de se virar para Olivia, que deu alguns passos até um sofá preto que estava instalado na sala que tinha no apartamento. — O problema é que você mexe comigo,
mesmo em momentos de crise consegue ser descaradamente sedutora, toda segura de si. Me excita sem se dar conta de que o faz, Olivia.
— Eu aprendi a lidar com situações extremas, ficou quase natural — Olivia disse, e sorriu fracamente. — Não sabia que era sedutora ao fazer isso.
— Mas é, e muito — o presidente disse e bebeu um gole do líquido. — Agora vem aqui — ele apontou para o sofá. — Quero que me conte o que houve, Olivia.
— Fitz, eu... — Olivia começou a responder, seu tom denotando que não estava muito afim de falar sobre aquilo e Fitz pareceu notar, pois interrompera a mulher rapidamente.
— Por favor, Olivia. Sei que sou idiota na maior parte do tempo, mas estou sinceramente intrigado com o que aconteceu. Olivia sentou-se e o presidente sentou-se ao seu lado em seguida, cruzando as pernas e tombando o corpo para o lado em que Olivia estava, parecia atento e Olivia tomou o fôlego, sentindo as palpitações só pela possibilidade de contar sobre o que acontecera há mais de cinco anos.
— Fitz, você pode ficar chateado com o que vou te dizer, mas há segredos que não estou preparada para dividir com você. Fizemos sexo, foi delicioso, temos uma sintonia maravilhosa, mas isso não significa que quero dividir pedaços do meu passado com você, da mesma forma que sei que faz comigo — Olivia disse e Fitz terminou de beber todo o conteúdo de seu copo.
— Não precisa agir assim. Você sabe que acabará me contando, Liv. Você precisa fazer isto, até porque parece ser algo bem sério, algo do tipo que pode colocar você e a mim em apuros no
futuro. A última coisa que preciso é de mais problemas durante minha campanha que parece começar a entrar nos eixos.
— Talvez, senhor presidente — ela respondeu, sabendo que ele tinha razão e que acabara contando. Mas ali, naquele exato momento, não era o que queria fazer. — Entenderia se eu te dissesse que eu preciso ficar sozinha? — Fitz ponderou por alguns milésimos de segundos antes de assentir.
— Claro. Eu estarei acordado o resto da noite, Liv — Fitzgerald passou os dedos da mão livre nos cabelos de Olivia que gostou do gesto. — Se você se sentir sozinha, ou quiser conversar sobre isso, estarei aqui.
— Obrigada, Fitz — Olivia disse de maneira suave, lançou ao presidente um sorriso sem muito vigor. A feição de Fitzgerald era intensa quando ela então levantou-se, e saiu do apartamento sem nem olhar para trás.

Assim que ela chegou em seu apartamento e fechou a porta, correu até sua cama e enrolou-se nos lençóis macios que envolveram seu corpo. Abriu a pequena bolsa-carteira que usara naquela noite e seu celular apitou informando que havia nova mensagem. Ela já sabia de quem era sem nem ao menos abrir.

"Continua linda, aliás, eu ouso dizer que está mais gostosa do que nunca. O presidente é um homem de sorte, quero dizer, ele sabe com quem está casando, certo? Seria algo triste se ele descobrisse sobre a verdadeira pessoa que a noiva dele é."

"Espero que possamos conversar melhor amanhã no jantar. Não precisa fugir de mim, Olivia. Não vou arrancar pedaço."

Após ler as duas mensagens várias vezes, fechou os olhos sentindo o peito apertar. Ela precisava contar tudo para Fitz antes do jantar, mas quando teria a chance de fazer aquilo? O dia seguinte do presidente estava lotado e apesar dela estar presente em alguns dos compromissos, duvidava que tivesse a chance de falar com ele a sós novamente como tivera há poucos minutos.

~*~

Sete anos antes
Saint-Tropez, França

Olivia sentia-se livre como não se sentia há muito tempo. Nem mesmo na tão sonhada universidade, se sentia daquele jeito, os homens de preto de seu pai a vigiavam dia e noite, sem dar tempo para que a garota se divertisse de verdade. Mas o pior nem era isso, a parte mais terrível de toda aquela história, era que seu pai não aceitava seus planos futuros. Ouvi-lo gritar para os sete ventos que ela não conseguiria se eleger por ser mulher, a fizera tremer de raiva, uma fúria tão incontrolável que a fizera brigar inclusive com sua querida avó Elizabeth, a senhora que fazia questão de tratá-la como uma princesa. Olivia sabia que a primeira coisa que faria ao voltar para casa, ela pediria perdão de joelhos para a avó.

— Pensando no que, docinho? — Jake perguntou ao se aproximar e sentar-se na espreguiçadeira ao lado da de Olivia. A garota olhou mais adiante, no límpido azul do mar, estavam sentados
em um dos vários iates da família Ballard. O sol estava a pino, queimava a pele da garota que insistia em se bronzear, mesmo sabendo que ficaria com ardência por todo o corpo após o ato
— Na minha avó — ela respondeu sem titubear. O seu namorado, se é que ela podia realmente chamá-lo assim, passou os lábios na orelha dela que sentiu o corpo reagir de imediato ao contato.
— Fique tranquila. Tenho certeza de que ela entenderá que você não estava em uma fase muito boa.
— Eu espero que sim. Não sei o que faria se minha avó não me perdoasse.
— Não te trouxe aqui para se sentir culpada, eu quero que se sinta livre. Quero que se sinta completamente despreocupada.
— Me obrigando a participar de festas e mais festas? — Olivia o acusou, mas seu tom era de brincadeira. Sabia que ao aceitar o convite de ir até Saint-Tropez para encontrá-lo era o mesmo de assinar um contrato de exclusividade com ele, e isso incluía as festas que ele adorava ir.
— Ah, vai me dizer que não está adorando as nossas férias?
— Eu estou gostando, confesso — Olivia disse, abrindo um sorriso maroto e ele beijou-lhe o rosto.
— Eu percebo — Jake falou, dando uma mordida de leve no pescoço de Olivia que sentiu os pelos arrepiando. — Aliás, reparei como Harold ficou te olhando ontem.
— Ciúmes agora? Por favor, essa é a última coisa que preciso no momento — Olivia disse, fechando os olhos e colocando os óculos de sol.
— Não estou com ciúmes, muito pelo contrário — Jake falou, sua voz denotava uma espécie de excitação, e Olivia notara que não era apenas sexual.
— O que quer dizer com isso? — Olivia perguntou, virando-se para encarar os olhos de safira do homem.
— Acho que podemos usar isso a nosso favor — ele tombou um pouco a cabeça, seus olhos estavam no colo da garota. Jake passou uma de suas mãos sobre a barriga lisa da garota.
— Continuo sem entender — Olivia perguntou.
— Sabe que ele vende aquelas mercadorias — Jake disse e Olivia revirou os olhos. Aquele papo estava começando a irritá-la de verdade. Ela sabia que Harold revendia produtos ilícitos e queJake não se dava muito bem com ele.
— Você quer que eu arrume aquelas merdas para você? — Olivia perguntou, sentindo a mão dele acariciando um de seus seios, os dedos gelados dele enfiando-se por dentro do tecido do biquíni.
— Não são para mim, são para as festas, meu amor — Jake disse, mordendo o ombro da garota de forma carinhosa — Sabe que o público da festa aumenta quando distribuo esses doces —
Olivia respirou fundo, tentando se concentrar no que Jake falava, mas era difícil ouvi-lo falar dos doces, que na verdade eram drogas, enquanto sentia a mão dele acariciando seu mamilo.
— Você deve me achar com cara de idiota. Se essa merda explodir, vai foder para o meu lado — Olivia falou, tirando os óculos de sol e encarando Jake.
— Não vai explodir nada, Olivia. Esse babaca do Harold pode ser tudo, menos ruim no que faz. Não é a toa que ele é o melhor da área, ninguém nunca pegou ele e não sei como, mas sempre consegue os melhores produtos — ele argumentou, tirando a mão de dentro do biquíni de Olivia.
— Não sei se devo fazer isso — Olivia disse, enquanto pensava se deveria ou não se arriscar naquela empreitada.
— Eu acho que sua festa de aniversário precisa de algo do tipo. Imagina só como vai ser maravilhoso! — Jake falava empolgado e Olivia sorriu ao ver o jeito do namorado, parecia
uma criança.
— Ok, Jake! Você venceu — Olivia disse e ele a puxou, beijando os lábios da garota rapidamente, logo depois, ela pegou seu celular e digitou rapidamente sob o olhar atento do loiro. — Pronto.
— O que você fez? — Jake perguntou, sua expressão era confusa.
— Mandei uma mensagem para Sarah.
— Quem é essa?
— Irmã do Harold, se esqueceu?
— Ah, sei quem é. Aquela esquisita que gosta de usar roupas estranhas — Jake falou, bebendo um gole de sua cerveja que estava em cima da mesinha ao lado das espreguiçadeiras.
— Ela é um doce, e tenho certeza de que vai me responder pedindo para ir até a acasa dela assim que visualizar minha mensagem falando que estou em Saint-Tropez.
— Hummm, certo. Entendi a jogada, vai se infiltrar na casa dele e conseguir o contato — Jake virou o rosto da namorada e plantou um beijo demorado nos lábios dela. — Tenho uma namorada que além de gostosa pra caralho, é a mais esperta de todas. Olivia sorriu, sacudindo a cabeça e logo depois, sentiu o celular vibrando em sua mão e empurrou Jake para olhar a tela do mesmo, que alertava uma mensagem nova de Sarah.

"Nem acredito! Enfim, alguém que eu conheço pra me divertir. Pode vir aqui em casa? Se puder mando meu motorista te buscar no hotel em que estiver."

Olivia mordeu o lábio inferior, se perguntando se deveria envolver a garota adolescente nos planos de Jake, e hesitou um pouco. Mas sentiu-se cheia de coragem de novo quando lembrou-se de que quase nunca fazia coisas que remetiam ao perigo. Além do mais, não a envolveria em nada. Só usaria a garota um pouco para conseguir chamar a atenção do irmão dela, e depois que conseguisse se aproximar de Harold, não teria erro, era só inventar uma boa desculpa e se afastar da garota.

— E aí? — Jake perguntou e Olivia digitou rapidamente uma resposta para Sarah.
— Confirmei com ela. Pedi para o motorista dela me buscar no hotel daqui três horas.
— Ah é? — Olivia soltou um gemido assim que sentiu os dedos de Jake escorregando sobre a malha do biquíni que usava bem no meio das pernas, ele afastou o tecido para o lado e massageou entre as dobras da intimidade de Olivia com calma, fazendo Olivia arfar. — Posso te agradecer do meu jeito? — Jake perguntou com seus lábios colados no da garota e ela assentiu.
— Ótimo. Vou fazer daquele jeito que te faz tremer, e prometo tentar não te atrasar para o encontro com a esquisita.
— Não me importo com atrasos — Olivia disse, puxando o rosto do garoto para perto e mordeu o lábio dele. — Dependendo do que estiver pensando em fazer.
— Ah, Olivia Pope... — Jake deslizou um dedo para dentro da intimidade de Olivia e ela franziu a testa sentindo seu corpo inteiro se remexendo em resposta à carícia. — Seu verão será inesquecível comigo.

Olivia fechou os olhos, alheia às últimas palavras que haviam sido proferidas pelo namorado. Nunca alguém lhe dissera algo tão verdadeiro. Aquele verão fora algo memorável, quase impossível de ser esquecido. Ela só não sabia disso ainda naquele momento, mas não demoraria muito para descobrir.

~*~

Dias atuais
Grandview, Illinois, Estados Unidos

Olivia acordou assustada, seu corpo estava suado e sua cabeça doía fortemente. Ela olhou o relógio e cochilara por exatos 30 minutos, fora o que todas aquelas preocupações lhe causaram, uma forte e insuportável insônia. A mulher sabia que teria muitas outras noites daquele tipo se não resolvesse logo o problema com Jake, pois o homem era imprevisível, não dava para ter certeza dos próximos passos que ele daria, a única certeza era de que se ele abrisse a boca, e soltasse o que sabia sobre o maldito aniversário que passaram juntos, seria sua derrota em todas as áreas de sua vida.

Ela se levantou da cama, e abraçou a si mesma sentindo o vento frio bater sobre sua pele sensível, a única peça que tampava seu corpo era uma camisola de seda que na verdade mal lhe cobria. Passou a mão pelo rosto, e esfregou os olhos antes de se levantar e ir em busca de um comprimido para sua dor de cabeça, que ela sabia ser causada pelo extremo estresse pelo qual estava sendo exposta. Após tomar o remédio, deu um longo e perturbado suspiro, entregando os pontos e dando por encerrado a luta interna que estava travando sobre ir ou não ao quarto do presidente e contar o que tinha acontecido. Ela estava decidida, finalmente abriria a boca e contaria tudo.

Não gostava da ideia de recorrer ao presidente para resolver aquilo, mas não encontrava outra saida, pelo menos não tão rápido, nem mesmo Sep poderia resolver aquilo até o dia seguinte e além disso, não conseguira falar com ele quando tentou achá-lo através do celular. Olivia enrolou-se em um robe de seda que fazia conjunto com sua camisola, e deixou que seus pés a levassem até o corredor, que naquele horário estava silencioso. Vários agentes estavam espalhados pelo caminho, todos atentos mesmo que o local parecesse em total calmaria. Assim que chegou em frente a porta do quarto de Fitzgerald, não hesitou em entrar sem bater, a sala que ficava antes do quarto estava vazia e havia alguns papéis espalhados sobre a mesa de vidro que estavas disposta em frente ao sofá de couro negro. Olivia não olhou o que tinha nos mesmos, sabendo que era algo privado do presidente.

— Fitz? — Olivia chamara o presidente e então ouvira o barulho de água vindo do quarto dele, abriu a porta com cautela e percebeu que o barulho vinha na verdade do banheiro. Ele estava tomando banho e Olivia não pode deixar de pensar em como se divertira com ele no banho que tomaram juntos no avião presidencial. Mas ela não estava ali para alimentar seu desejo sexual, e por
isso se sentou no espaçoso sofá que se encontrava em um canto do quarto, cruzou as pernas e esperou alguns minutos até que a visão dos deuses materializasse à sua frente. Fitzgerald
estava enrolado em uma toalha, e sem notar a presença da mulher no quarto de primeiro momento, tirou a toalha da cintura, e Olivia sorrira antes de pigarrear, chamando a atenção do homem.
— Liv?! — Fitzgerald franziu a testa, um sorriso presunçoso surgiu em seu rosto quando notou para onde os olhos da mulher estavam.
— Desista, Fitz. Não vim aqui para isso e você sabe bem disso
— Olivia disse, seu sorriso tornando-se fraco e Fitz assentiu.
— Eu não acho que teria mal algum da gente fazer uma rapidinha antes de qualquer papo, acho que seria até relaxante. Mas tudo bem, estou bem curioso para saber o que a trouxe aqui, porque sendo bem sincero, não esperava que fosse realmente aparecer.
— Nem eu esperava por isso, acredite — Olivia disse, enquanto Fitz enxugava os cabelos. — Poderia se cobrir? Fica meio difícil falar com você estando nu, senhor presidente.
— Está se sentindo desconcertada?
— Longe disso — Olivia respondeu com um sorriso malicioso nos lábios. — Só quero focar no que eu tenho para falar, antes que eu desista.
— Certo — Fitz notou o tom da mulher e enrolou a toalha em sua cintura novamente, antes de se sentar do lado de Olivia.
— Me conte, então.
— Por onde começar? — Olivia se perguntou, olhando para o tapete persa que cobria o chão e dando um suspiro longo e profundo.
— Me conte o que te traumatizou em relação ao Jake. Algo muito sério aconteceu para que ficasse tão assustada em somente vê-lo. Ele fez algo com você? Te machucou ou ameaçou?
— Não a mim. Na verdade, foi outra pessoa que saiu muito machucada, e eu tenho uma parcela de culpa nisso — Olivia deu uma pausa antes de voltar a falar, como se pensasse e escolhesse as palavras que usaria. — Eu peço que não julgue, Fitz.
— Liv, todos escondem algum segredo, seja no passado ou enterrado bem fundo dentro de si mesmo. Fique tranquila, eu nunca a julgaria, já vi e vivi coisas demais para julgar alguém.
— Então, prepare-se. Pois a história que vou te contar, se trata de mais uma que não acaba de um jeito bonito.