N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteudo, por favor não leia.
N/A²: Jake ( Eu já odeio ele.) apareceu! Obrigado por lerem! vcs me fazem feliz quando comentam e leêm! Suas lindas e xeirosas.
-x-
Sete anos antes
Saint-Tropez, França
Jake andava de um lado para o outro dentro de seu quarto, na mansão da família Ballard. Ele entranhou os dedos pelos cabelos, bagunçando-os de maneira despudoradamente sexy, mas aquele momento não tinha nada de sensual. Pelo menos não para Liv.
Jake estava irritado de maneira descomunal, e ela sabia que a culpa daquele acesso de raiva era somente sua. Ela roía a unha do dedão nervosamente, enquanto olhava o homem sem camisa, perdido em toda sua fúria incontida, e aquilo era comum do temperamento do rapaz, ele sempre fora muito intenso. Fosse para o bem ou para o mal.
— Eu só te pedi uma coisa, Liv — a voz de Jake estava alterada, Liv não sabia se era pelo álcool que corria pelo sistema do rapaz ou se ele estava simplesmente irritado com aquela situação toda. — E você simplesmente trouxe esse idiota para meu terreno.
Ele se referia a algo que tinha ocorrido horas antes, quando Liv enfim conseguira encontrar Harold. O rapaz cheio de truques, um playboy, filho de papai que não passava de um bandido, e ele tentara de toda forma conseguir uma chance de sair com Liv, porém a garota fingira estar completamente alheia ao comportamento insinuante do rapaz.
Quando tivera a chance de citar sobre sua festa de aniversário, e de que queria uma forma mais divertida de entreter seus convidados, fora quando tudo complicou. Harold disse que passava os produtos para Liv, mas só se ela o convidasse para a festa, e que não envolvesse a sua irmã na comemoração.
— Eu não consegui dizer não, afinal de contas é meu aniversário e ele se sentiu convidado depois de eu expor a questão dos produtos — Olivia disse, no fundo nem tinha remorsos do que estava fazendo, achava que a festa ficaria mais interessante caso Harold participasse.
— Esse filho da puta só quis me confrontar, não acha óbvio? — Jake tinha os olhos injetados, como se toda a raiva dele fosse explodir através de seus lindos olhos azuis, que naquele momento eram assustadores para Liv. — Mas ele vai ter o que merece, Liv.
— O que quer dizer com isso? — Liv perguntara e Jake se aproximara da garota que estava em pé, os braços cruzados. Ele deslizou os dedos pelo pescoço da garota que o observava com atenção o sorriso cruel surgir em seu rosto.
— Eu sei o que fazer para dar o troco no desgraçado — Jake disse com a voz calma, porém tão assustadora que fizera Liv se arrepiar. — Me dê o número de Sarah, minha linda.
— Como?
— O número da sua amiguinha.
— Jake...ela não.
— Sim, Liv — Jake inflou as narinas, suas mandíbulas estavam tão cerradas que Liv temera pelos dentes do rapaz. — Me dê a porra do número de Sarah. Vou aumentar a lista de convidados.
— Jake...Você sabe que isso vai ser como mexer com uma colmeia de abelhas, não é? Harold vai querer se vingar e vai trazer todos os capangas dele atrás de você, e eles vão acabar com sua raça.
— Não, ele não vai fazer isso se achar que a irmã corre perigo — Jake disse com segurança. — Ele vai implorar para que a irmã querida dele fique bem, só isso.
— Você não está nem se importando com o fato de que eu estou envolvida nessa merda, não é? — Olivia disse, sua voz alterando um pouco. — "Foda-se a Liv!" — ela disse, em obviedade de que falava sobre o que Jake pensava sobre ela estar no meio da situação.
— Docinho, fique tranquila. Ele não é louco de encostar o dedo em um fio de cabelo seu. Ele pode ser poderoso, mas eu sou muito mais — o olhar psicótico estava ali novamente e Liv sentia seu coração disparado como um alarme, avisando que aquilo não acabaria bem. — Eu acabo com a vida dele, Liv. E faço isso antes que ele se dê conta daquela garganta maldita sendo rasgada.
Jake se aproximou de Olivia, que estava praticamente em estado catatônico e depositou um beijo rápido nos lábios da mesma antes de sair do quarto, deixando Liv com os pensamentos atordoados. Ela pensou em ligar para Sarah e tentar alertar a garota que não tinha nada a ver com aquele mundo, ela era inocente demais para ser jogada em meio aos lobos.
Mas ela nada fizera naquela tarde ensolarada, negligenciara a ajuda que salvaria uma vida e infelizmente não fora a única vez.
Dias atuais
Grandview, illinois, Estados Unidos da América
"SERIA A REVIRAVOLTA DO ANO?
A subida vertiginosa da popularidade de Fitzgerald Thomas Grant levou todos ao espanto, isso porque o candidato que vinha perdendo para a candidata Sally Langston desde o começo das campanhas pelo cargo de presidência. Algumas pessoas chegaram a afirmar que era o fim do presidente, mas parece que estavam errados. Há o rumor de que parte dessa mudança se deva aos recentes acontecimentos de sua vida, e claro, o nome de Olivia Pope fora citado diversas vezes como principal razão para que o temperamento do nosso presidente se tornasse menos ranzinza.
Parece que o nosso presidente está se encontrando nos braços dessa beldade conhecida por Olivia, que serve de exemplo para milhares de mulheres no país, não apenas por ser filha de quem é, mas também por lutar por causas que muitas pessoas julgam estar perdidas..."
Liv nem terminara de ler o artigo que encontrara na internet, em um site de fofocas mundialmente conhecido. A parte em que dizia que ela era um "exemplo", fez com que seu estômago se revirasse.
O peso caíra um pouco após ter dividido a história com Fitz na noite anterior, mas não fizera a mesma dissipar e o fato de que em questão de minutos estaria no mesmo ambiente que Jake novamente, fazia com que a situação se agravasse.
Ela estava segura quando falara com Fitz na noite anterior, despejando toda dor e culpa que sentira, mas ali em seu quarto, se sentia miseravelmente assustada. Porém, ela sabia que teria que encará-lo uma hora ou outra, aquilo era algo necessário para que ela pudesse seguir em frente. A última vez que o vira, se despediram de maneira torta, apenas com um olhar de canto, ela estava cheia de ressentimento com o rapaz.
Liv se lembrou da ocasião, sua avó a buscara sem titubear quando a neta telefonara aos prantos contando o que acontecera, ela nem mesmo questionara sobre o jeito que Liv a tratara em Annyce. Olivia sabia que tinha tomado a decisão mais correta do mundo no momento em que vira sua avó chegando na cidade, acompanhada de um amigo, que resolvera tudo a mando de Huck. Huck fora o homem que apagara os vestígios da visita de Liv ao país, e que calara Jake da primeira vez. Aquela, fora a primeira vez que Liv conseguiu mensurar o poder de sua avó, que fizera todo e qualquer rastro de seu envolvimento na história desaparecer como em um toque de mágica.
Elizabeth Macmillan, herdara muito mais do que a fortuna de sua família ou de seu marido, ela herdara a soberania forte. Era como se a mais velha fosse a dona absoluta de todo um império, e para ela esse império era o mundo todo, apenas uma ligação ou um olhar fazia com que as pessoas ao redor assentissem, concordarem silenciosos, concordando com o que fosse dito ou pedido.
A velha senhora sabia que Olivia sonhava em entrar para a política, na verdade, fora a própria que apresentara boa parte daquilo para a neta, sem se dar conta de que ao fazer isto, indicava o caminho para a neta trilhar. As heranças deixadas por Lizzie foram muito mais do que dinheiro e bens materiais.
A porta do quarto em que Liv estava se abriu, fazendo com que ela acordasse das lembranças com sua avó. Fitz se revelou diante dela trajando um smoking feito sob medida, que o deixava simplesmente perfeito, talvez mais do que isso.
— Pronta? — ele perguntou, e Olivia ponderou por alguns minutos se estava realmente pronta para aquele embate.
Ela estava se sentindo segura, mesmo que não fosse por completo. A conversa com Fitz, a fizera se sentir daquela maneira, e as armas que ela estava prestes a usar contra Jake, teriam o efeito que ela queria. Liv seguiu o homem imponente, que rodeou os braços em volta do corpo dela de forma delicada, porém com uma certa dose de firmeza.
O contato da pele, e o encontro do calor dos corpos de ambos, era o suficiente para que faíscas surgissem. Olivia sorriu para o presidente, que sorrira de volta, o toque de Fitz, era de alguma maneira reconfortante. Olivia se sentia segura ali.
Assim que todo o esquema do comboio chegou ao local que aconteceria o jantar, Fitz olhou de canto para Liv que olhava pela janela, seus olhos estavam perdidos em outra dimensão e ele parecia saber, pois segurou a mão da mulher que o olhara na mesma hora.
— Sabe que podemos inventar que você não está se sentindo bem, e então se livra do compromisso.
— Eu não sou esse tipo de pessoa que esconde do problema, Fitz. De fato, seria muito mais fácil se eu simplesmente pedisse para voltar para o hotel, mas eu daria uma vitória antecipada para Jake, sem nem mesmo ter tentado — Liv disse, um sorriso fraco surgiu em seus lábios. — Eu preciso fazer isso.
— Aliás, eu quero te agradecer por ter me contado, Liv — Fitz disse, seu tom de voz caloroso. — Demonstrou que confia em mim, e que realmente temos um time poderoso aqui. Eu sei que me pediu para não me intrometer muito na história, mas preciso confessar uma coisa… — as palavras de Fitz ficaram presas, pois batidas leves foram dadas na porta e então a mesma fora aberta em seguida.
Os agentes secretos já povoavam a saída do carro, assim como já se estendiam pela entrada principal do majestoso hotel onde aconteceria o jantar. Alguns fotógrafos ávidos capturaram o momento em que Fitz saíra do carro, sendo seguido pela futura primeira-dama. Ambos acenaram, e Liv não conseguia tirar da cabeça o que a aguardava naquela noite.
Assim que Olivia contara para o presidente tudo o que realmente aconteceu naquele fatídico dia de seu aniversário, ele apenas a abraçara, pois a mulher caíra em prantos. E logo depois dissera que tudo ficaria bem, aquilo era só mais um pequeno problema, e ele aprendera com a vida pública a lidar com eles, aliás, ele sabia lidar com vários deles ao mesmo tempo.
Liv cumprimentara vários membros do partido, e seu braço ficara envolvido no braço de Fitz firmemente o tempo inteiro, de vez em quando o homem a olhava, lançado-lhe um sorriso que quase parecia um pedido de desculpas por fazê-la passar por aquela sabatina de cumprimentos e perguntas de como ela estava, ou de como estavam os preparativos para o casamento.
No fim das contas, Fitz e ela se sentaram em uma mesa privilegiada, onde apenas os políticos mais influentes estavam, incluindo suas acompanhantes que iam desde esposas até algumas que a lembraram de Alícia. No mesmo momento, a sua mente viajou até Washington D.C.., lembrou-se de Edison e que nem mesmo ligara para saber notícias dele durante todo o domingo, esperava que ele estivesse bem logo, pois precisava de respostas vindas dele.
— Mal acredito que estou sentada perto de você, Olivia — uma mulher baixinha e curvilínea que estava sentada ao seu lado se dirigiu a Liv.
— Como? — Liv a olhou interessada.
— Me desculpe, nem me apresentei. Sou Alexandra, noiva do governador do Texas — a mulher estendeu a mão e Liv a cumprimentou. — Pode me chamar de Alex.
— Ah, é um prazer te conhecer, Alex.
— Você é um ícone, Olivia. Claro que deve saber disso, mas a maneira que defende os direitos das mulheres de fazerem o que querem, principalmente na questão de trabalhista, isso me fez virar sua fã. Nunca pensei que teria a chance, mas obrigada por usar sua imagem para dar voz a tantas mulheres que se calaram diante do que essa sociedade podre nos impõe.
— Obrigada — Liv mal sabia como reagir. — Como agradecimento, pode me chamar de Liv — ela disse bem-humorada, esquecendo-se por um instante de que o perigo a rondava naquele jantar.
— O fato de ser latina faz com que algumas pessoas virem a cara para mim, mesmo sendo noiva de uma pessoa influente como o George — disse a mulher, se referindo ao marido. — Aliás, acho que a maneira como você demonstra que os imigrantes fazem a diferença na economia do país, é um ponto forte seu também. Você deveria possuir um cargo na Casa Branca, um dos mais altos.
— Quem sabe um dia? Ainda tenho o desejo de entrar para a política — Olivia respondeu a mulher que sorria, parecendo verdadeiramente interessada na conversa. — Mas por enquanto, meu foco vai ser ajudar Fitz, estando ao lado dele como uma primeira-dama.
— Você sabe que fará mais do que isso, minha querida — a voz grossa de Fitz soou na direção das duas mulheres, fazendo Liv se assustar um pouco e se virar para olhá-lo por alguns instantes. — Essa mulher é um achado, tenho certeza de que estarei a salvo se a mantiver sempre por perto.
Liv o fitava com curiosidade, e uma ponta de alegria por ver que o presidente a admirava de alguma maneira, mesmo depois de contar o que tanto a afligia, algo que manchava seu passado e que poderia facilmente se tornar um escândalo na campanha presidencial do homem.
Alex que antes tagarelava, simplesmente pareceu perceber o clima que surgira entre o casal, o olhar intenso e quase perturbador que era trocado por eles, e então a mulher se virou sorridente para o lado do noivo, ao perceber que não teria sucesso ao tentar conversar com os dois que pareciam ter entrado e um mundinho particular.
— Não sabia que me admirava tanto assim — Liv falou, sorrindo genuinamente.
— Qualquer pessoa que conversa com a secretária de estado e sai ilesa, tem minha admiração eterna e aquela mulher já te ama depois de conversarem por apenas dez minutos, Liv. Existe algo em você que atrai, um magnetismo que envolve de maneira estrondosa.
— Sabe que não vou ficar sem-graça diante de todos esses elogios, não é? É preciso muito mais do que isso — Liv disse, deixando um sorriso se formar em seus lábios.
— Eu sei — Fitz se aproximou da mulher e falou bem próximo ao ouvido dela, como se não tivesse ninguém na mesa, quando na verdade, havia oito pessoas além deles. — Não fica constrangida nem quando falo sobre como meu pau fica duro só de eu te imaginar molhada para mim. Aliás, está usando o conjunto que te dei? — Fitz sussurrava e de vez em quando os lábios dele esbarravam na orelha dela, causando correntes elétricas pelo corpo da mulher que terminavam em um ponto específico que pulsava e desejava ser tocada entre as pernas dela. Liv sorriu ao ouvir as palavras deliciosamente cheias de malícia depositadas em seu ouvido e encarou o presidente antes de respondê-lo, sussurrando no ouvido dele.
— Não, senhor presidente. Eu resolvi vir sem calcinha hoje — ela respondeu, dando um xeque-mate na questão, e então depositara um beijo no rosto dele — Se me der licença, preciso ir retocar a maquiagem.
Seu sorriso naquele momento se tornara de triunfo ao ver a expressão boquiaberta do homem enquanto ela pedia licença e se retirava da mesa, a admiradora recém-descoberta perguntara se podia ir junto e Liv assentiu com a cabeça, ainda sentindo os olhos do presidente queimando sobre ela.
Alexandra caminhava ao seu lado, e enquanto ela fazia o caminho até o banheiro das mulheres, podia sentir que várias pessoas as olhavam com curiosidade. Talvez porque aquele fosse o primeiro evento oficial em que Liv acompanhava o presidente sendo sua noiva, foi isso que ela imaginou.
Assim que chegaram ao banheiro, ambas seguiram até o espelho, abrindo suas pequenas bolsas e pegando os itens de maquiagem.
— Caramba! Você o presidente tem uma química inegável — Alex disse enquanto passava o rímel. — Não entendo como alguns jornais puderam cogitar que vocês eram um casal de mentira, porque o jeito que ele te olhou foi a coisa mais intensa que já vi em minha vida inteira.
Olivia se mantinha calada, usando o batom que passava nos lábios como desculpa para tal. Ela espalhava o batom vermelho-escuro pelos lábios de forma uniforme, enquanto pensava no que responderia e assim que terminou o retoque, se virou para a mulher, que ela percebeu ter uns dez centímetros a menos, mas que tinha uma presença marcante do mesmo jeito. Definitivamente, tamanho não era documento para Alex.
— Eu e Fitz temos um relacionamento incomum, sabe? Vai muito além do que qualquer outro que já tive, temos uma conexão estranha, ele sabe quando preciso de ajuda dele e consigo enxergar nos olhos dele quando esconde algo de mim — Liv disse, percebendo que não dissera uma mentira sequer naquela sentença. No fim das contas, não precisava mentir para a mulher.
— Eu senti isso, vocês formam um time e tanto — Alex disse, um sorriso apaixonado no rosto. Liv teve certeza de que era mais uma vítima do conto de fadas dela com o presidente. Era estranho ter acesso ao resultado das mentiras que vinha soltando para o público.
— Ele costuma dizer isso com frequência, sabia? — Liv riu pela coincidência. — Mas me fale, você e George estão junto há muito tempo?
— Em público há um ano, e escondidos por 4 anos.
— Escondidos?
— Eu era uma acompanhante de luxo, Liv — Alexandra disse com simplicidade, e Liv nem mesmo achou aquilo ser novidade, acontecia com mais frequência do que se podia imaginar no mundo político e além disso, Olivia nunca julgaria uma pessoa por qualquer coisa que fosse, ela simplesmente não se sentia no direito de se meter na vida alheia e adoraria que o resto do mundo pudesse pensar da mesma maneira. — Eu tive que mudar completamente quem eu era no começo, mas pelo que pode ver não deu muito certo, gosto de ser eu mesma e me vestir do jeito que quero — Alex disse, apontando para o vestido longo vermelho que usava.
— Nisso eu te entendo completamente! Eu não abandono meus decotes pelo cargo que terei — Olivia dissera e a mulher rira da feição engraçada que Liv fez ao falar.
— Exato. Mas no meu caso, foi quase motivo de término, porque George tinha um pensamento muito fechado e machista, sabe? Mas acho que consegui dobrá-lo, ele sabe que se bater o pé contra o meu jeito de ser, eu o deixo sem pensar duas vezes. Não me deixo prender em relacionamentos abusivos, já fiz isso demais e sei que é total perda de tempo.
— Eu entendo bem de relacionamentos abusivos — Liv disse, se lembrando de algumas coisas que passara com Jake.
— Mas nesse mundo da política aprendi como lidar sem sair machucada — Alexandra disse e Liv levantou as sobrancelhas, sentindo-se curiosa ao extremo. — É tudo um jogo, sabe? A única coisa que precisei fazer foi calcular o que queria dizer, e falar alguma coisa que soasse inteligente. Em sua maioria, tanto os homens quanto as mulheres são egocêntricos nesse meio, gostam de exibir que são espertos, então se você souber o que falar, conquista quem quiser. Só há um erro que não pode ser cometido, que é o que as pessoas mais fazem — Alexandra falava de maneira eloquente, e Liv percebia que a mulher havia aprendido a se virar da maneira que podia. — Nunca diga algo muito inteligente e que possa ameaçar algo que eles digam, porque aí eles arrumam um jeito de te comer viva e não do jeito bom, minha amiga.
Liv riu da última colocação de palavras da mulher, que acabou rindo junto. Mas Liv sabia que Alexandra estava correta, se ela dissesse algo que ameaçasse, era o mesmo que pedir para ser atingida. Ela se perguntou o que Edison teria dito para que quisessem destruí-lo. Se perguntava se o amigo teria dito algo que perturbasse o grupo que queria detonar Fitz, e se fosse isso, precisava descobrir o segredo que ele carregava e que era tão precioso. Mas para isso, precisava de Edison vivo.
Ambas as mulheres, saíram do banheiro conversando sorridentes, e Olivia sentia-se verdadeiramente contente por ter encontrado alguém que se parecesse com ela no meio daquelas pessoas que eram tão antiquadas e a enojavam tanto no mundo da política. Por exemplo, era óbvio que as outras mulheres da mesa em que ela estava, não gostaram dela. Ela podia sentir isso no olhar de cada uma, ela podia vislumbrar cobiça, inveja, e algumas talvez a achassem uma vadia por usar roupas que não remetiam a uma puritana, não que ela tivesse algo contra, mas gostava bastante de seus vestidos justos e com decotes generosos nas costas, algo que se tornara até padrão, pois adorava exibir suas costas delineadas.
— Liv? — uma voz conhecida interrompera seu caminho e de Alexandra, ela sabia de quem era a voz, mas olhou para ter certeza e encontrou com o habitual sorriso de David.
— David! — Liv se aproximou do homem que ia cumprimentar a mulher com um aperto de mão, que fora ignorado por ela, pois ela abriu os braços e os circundou em volta do corpo do primo do antigo amigo, que não pestanejou em retribuir. — Bom ver você. Como está? Essa situação do Ed deve ter mexido muito com você e sua família.
— Ah, nem fale. Minha tia não sai do hospital, quase me fez desistir de vir até aqui, mas meu tio conseguiu convencê-la do contrário. Mas a situação do Edison é boa, Liv. Não se preocupe, ele sofreu um assalto pelo que parece — Liv sabia que aquilo era uma mentira, mas não rebateu, pois imaginou que fosse obra dos agentes secretos, forjar um assalto para não levantar suspeitas sobre o atentado. Não queria pensar sobre aquilo, tinha que agir como se nunca tivesse ido até o local, mesmo sabendo que a imagem do amigo sendo atingindo nunca sairia de sua mente.
Alexandra avisou Liv que voltaria para a mesa, pois seu noivo a havia chamado e Liv assentiu, até preferindo poder ficar sozinha com David. Ela indicou com a cabeça para um canto extremo do enorme salão do hotel e ele a seguiu, ali era seguro conversar sem que os vissem ou pudessem ouvi-los.
— Não me espanta que seu tio a tenha convencido. Seu tio sempre foi a pessoa que consegue amenizar a situação, porque sua tia tem a mania de exagerar. Aliás, essa é uma mania sua também — Liv disse, e David tombava a cabeça pensativo, um sorriso brincalhão surgiu em seus lábios. — Não me olhe assim, você sabe que é verdade.
— Me diz quando exagerei porque não consigo me lembrar — David disse, cruzando os braços em expectativa da resposta.
— Ao deixar minha amiga de canto, quando na verdade sabe que está sendo um babaca ao fazer isso e o exagero é o motivo disso tudo. Principalmente, por deixar que regras impostas pela sociedade influenciem você. Isso dela pertencer a um mundo diferente do seu, é ridículo — Liv disse segura, ela se sentia feliz por enfim conseguir dizer aquelas palavras ao homem que a olhava com surpresa, por aquele tópico surgir tão aleatoriamente no meio daquele jantar. Era para ser apenas um cumprimento formal, não?
— Liv, não acho que você ou Abby me entendem — a voz de David diminuiu dois tons, ele falava baixo e a música ambiente conseguia ser mais alta do que as ondas sonoras que saíam da boca do loiro. — Eu só não quero meter a Abby nesse mundo da política. Olha, eu tenho quase certeza de que esse assalto com Ed foi algo político, algo armado, afinal ele anda se envolvendo com aquela Sally e sinceramente, nada do que vem daquela velha me convence — David meneou a cabeça antes de prosseguir. — Eu temo pelo bem-estar da mulher que eu amo. Porque pode parecer que não, mas eu a amo e sei que ao meu lado ela corre grandes riscos, e não quero nada disso para ela.
— Você já falou isso com ela, David? — Olivia rebateu o homem. — Porque acho que cabe a ela decidir se quer ou não se arriscar. Veja eu e Fitz, estamos juntos e eu não vou dizer que estou tranquila, porque sei que ser primeira-dama não será um cargo fácil, sou o ponto fraco do presidente na cabeça de terroristas ou de qualquer pessoa que queira destruí-lo, mas não desisti do meu relacionamento por isso — Liv não contaria que seus motivos de estarem com o presidente eram outros, de qualquer forma, era um relacionamento o que tinha com Fitz.
— Sua personalidade é completamente diferente da de Abby, Liv. Você sabe bem disso — David disse de maneira tranquila.
— Ainda assim, acho que devia expor isso para ela, e não procurá-la quando bem entende só porque sentiu a falta dela. Isso a magoa ainda mais, David. Pense nisso — Liv respondeu. — Se me permite, preciso voltar para meu noivo. Foi bom te ver.
— Digo o mesmo, Liv. Espero que possamos nos ver em breve novamente — David respondera, e Liv pôde ver que ele estava pensativo.
Liv caminhava pelos cantos do salão, voltando para a onde estava Fitz, porém ao se aproximar do local, percebeu que ele não estava ali e além disso, esquecera sua bolsa dentro do banheiro, enquanto conversava com Alex.
Voltou até o banheiro, em passos rápidos e ritmados, não temia pelo que tinha dentro da bolsa, até porque decidira deixar o celular no hotel naquela noite e não havia nada dentro da bolsa de muito valioso, somente maquiagem, preservativos e a calcinha que deveria estar usando naquele momento, mas que resolvera deixar abandonada dentro da bolsa para surpreender Fitz.
Assim que alcançara o banheiro, sentiu um alívio imediato ao ver que sua pequena bolsa estava sobre o granito gelado. Ela pegou a bolsa saiu do banheiro rapidamente quando sentiu a sensação estranha de ser observada, e ao olhar para trás, foi como se fosse engolida por um buraco negro e depois devolvida. Seu estômago revirou, e a ânsia de jogar tudo para fora, era tremenda.
Ela tentou se afastar do homem que estava logo atrás, e sentiu-se patética por fugir dele. Caminhava rapidamente, até que encontrou uma porta que a levou até uma pequena área externa, a área de fumantes do hotel. Não havia ninguém ali, e a porta pela qual passara era a única. O frio cortante, atingiu-lhe e obrigando-a a abraçar o próprio corpo, as estrelas brilhavam no céu e ela se arrependera de ter ido ali, pois o que ela temia aconteceu em seguida. Jake passou pela porta no momento em que ela ia voltar, fazendo com que ela desse dois passos para trás.
— Sentiu minha falta, docinho? — Jake perguntou, seus dentes brancos e brilhantes se abriram em um sorriso, que de longe parecia ser cativante, mas para Liv eram como presas afiadas, prontas para ir em sua direção. Olivia respirou fundo, preenchendo seu coração e sua mente de coragem, pois ela sabia que precisava se mostrar forte diante de Jake. Aquela seria a primeira impressão que o homem teria após tanto tempo sem se verem e ela sentia a necessidade de denotar algum nível de segurança, demonstrando que a presença dele ou da história que manchava seu passado, não tinham mais nenhum efeito sobre si.
— Nem um pouco — Olivia respondera sem pestanejar, um sorriso enviesado nasceu a partir do canto de seus lábios. Por dentro, ela tremia um pouco. — Aliás, acho que você sabe disso, só finge o contrário, não é, Jake? Afinal, fica se arrastando atrás de mim e usando algo que aconteceu há tanto tempo como pretexto para entrar em contato comigo, e isso sabendo que não quero nem mesmo olhar na sua cara.
— Ah, querida. Assim você me magoa — Jake levou as mãos até o peito, e fez um beicinho irônico com a boca, Olivia o quis cortar fora com a primeira coisa afiada que surgisse na sua frente. A expressão do homem se tornou desafiadora, causando desconforto evidente em Liv. — Você sabe o quanto gosto de você. Aliás, pode não ter sentido a minha falta, mas eu senti muita saudade de você durante todos esses anos em que estive estudando. Sempre me perguntava se você estava conseguindo lidar com a culpa e ficava me perguntando se todos aqueles sorrisos que estampavam seu rosto nas revistas e jornais, eram falsos ou não — Jake jogou as palavras no ar com toda a naturalidade do mundo. — Mas no fundo, eu sei que você sempre teve um talento nato para a atuação. Só te peço que não se esqueça do detalhe de que eu te conheço bem demais para que consiga usar esse talento comigo, Liv.
— O que andou estudando, Jake? Como destruir garotinhas indefesas? Você sabe fazer isso sem nem mesmo estudar — Liv perguntou de maneira sarcástica. — O que você quer comigo, afinal? — ela perguntou logo de uma vez, perdendo a paciência com o homem que ainda mantinha a pose e o sorriso convencido.
— Ei, para quê tanta pressa? Eu acabei de voltar e esse é o nosso segundo encontro desde então — ele disse com calma e Liv cruzou os braços, como se com aquilo pudesse se defender. — Nos veremos muitas vezes ainda, docinho.
— Estou cansada dessa história na minha vida. Não sei se deu conta Jake, mas eu já tenho problemas demais no momento, esse não vai ser mais um. Você e tudo aquilo que aconteceu é página virada.
— Ah, Claro! Você quer dizer o seu noivado com o presidente dos Estados Unidos, certo? — Jake passou a língua sobre os lábios e seu olhar se tornou debochado. — Sabe que eu me pergunto como isso aconteceu? Deve ter sido uma história e tanto. Ou eu estou enganado? Porque até onde eu saiba, você sempre causa e acontece por onde quer que passe. Posso citar alguns momentos memoráveis, se me permitir, é claro.
— Por favor, não comece — Liv respirou fundo, passando a mão na testa e sentindo seus nervos ficando em migalhas.
— O quê? Vai negar tudo que já fez? Vai negar o que tivemos? Ou pior ainda, vai negar o que houve com Sarah? — Jake disse o nome como se saboreasse um doce e Liv sentira amargo na boca ao lembrar-se da pessoa ligada à aquele nome.
— Seu filho da puta! Se você disser alguma coisa… — Olivia disse, começando a perder todo o controle que possuía e lutava para manter em si.
— Vai fazer o quê? — Jake dera uma risada curta. — Minha linda, assim como você, eu tenho pessoas influentes ao meu redor, se quiser me prender por possuir fotos suas, vá em frente. Mas acho que minhas informações sobre Sarah seriam valiosas.
— Não coloque o nome de uma pessoa que não pode se defender no meio da conversa — Liv vociferou entredentes.
— Porque mesmo ela não pode se defender? Refresque a minha memória, por favor — um sorriso divertido brincava no rosto de Jake. — Me lembrei! Você ferrou com a vida dela.
— Você estragou tudo, foi você quem fez a merda, Jake! Pare de jogar a culpa em cima de mim.
— Jura? Primeiro, se perguntarmos para o Harold quem comprou as drogas, ele vai dizer que foi você, não eu. E em segundo, eu não acho que você fez muita coisa para ajudar Sarah enquanto ela pedia por ajuda. Aliás, se bem me lembro, estava bem ocupada, sentada no meu colo e me beijando, ignorando a existência da sua amiga.
— Você me disse que ela estava bem, me disse que era só um mal estar.
— E você estava bêbada — Jake disse, assentindo. — Já me disse isso tantas vezes que perdi as contas, Liv.
— O que você quer afinal? Dinheiro não é, porque isso você tem pra dar e vender — Liv disse, completamente impaciente.
— Quero de volta o que me pertence.
— Posso saber o que é? — Liv perguntou, sentindo-se aflita e temerosa pela resposta.
— Você — Jake disse com toda a naturalidade do mundo, sorria como se nada tivesse acontecido. — Vim disposto a ter você de volta, Liv. Não pode deixar que isso interfira no que tínhamos e sinceramente, concordo com os jornais sobre esse seu relacionamento com o presidente ser falso.
— Eu nunca te pertenci, Jake. Você precisa se tratar dessa doença, porque isso é doença, sabia? —Liv disse, desviando do homem e passando pela porta, em uma tentativa frustrada de voltar para a festa. O homem saiu logo atrás, e a segurou pelo braço.
— Sabe que não vou desistir fácil, Olivia Pope — Jake falou, chamando a atenção de duas pessoas que passavam pelo corredor e então voltou a olhar para ela, encarando-a com veemência. — Eu vou voltar a te procurar. Agora que estou no país, será bem mais fácil mantermos contato, e eu espero que não me ignore quando te ligar.
Jake não disse nenhuma outra palavra, apenas piscou para Liv e então saíra dali, caminhando tranquilamente. Olivia sentiu uma lágrima, que prendera com todas as forças até aquele momento, escorrer pelo seu rosto e ao longe podia ver a silhueta do homem, as mãos dele enfiadas no bolso de maneira casual como se nada tivesse acontecido.
Por dentro, Liv sentia a sua segurança esmagada, pois sabia que Jake era meio louco, mas ali naquele momento, percebera que ele estava indo além da sua loucura habitual. Ele a queria, sua psicose tinha atingido um nível extremo, a ponto dele achar que tinha algum tipo de poder ou domínio sobre a mulher e Olivia sabia que ele era capaz de coisas absurdas para conseguir alcançar seus objetivos.
Liv levou ambas as mãos ao rosto, tentando conter o choro que lhe sacudia o corpo, mas sabia que a fúria incontrolável do medo em suas entranhas não seriam acalmadas facilmente. Enquanto se debatia para controlar o choro, sentiu duas mãos segurando seus braços de maneira firme e se virou assustada, para então encontrar os olhos azuis preocupados de Fitz.
Ele não lhe perguntara nada, isso porque já imaginava o que tinha ocorrido. Sem falar nada sobre o assunto, apenas a puxou para si, apertando-a em um abraço quente e confortável, permaneceu com a mulher envolvida em seus braços até que percebera que havia um certo fluxo de pessoas ali.
— Melhor irmos para algum cômodo vazio daqui, Liv — Fitzgerald disse e Liv assentiu. — Fique tranquila, tudo vai ficar bem.
Liv quis com todas as forças acreditar nas palavras que o presidente lhe dizia, mas seu coração lhe dizia que as coisas só piorariam dali para frente.
Sete anos antes
Saint-Tropez, França
— Vem, Liv — Jake chamou a garota pelo nome que logo o atendeu, correndo até o homem musculoso. — Você está cada vez mais deliciosa, sabia? — Jake disse no ouvido da garota que sorrira sem jeito antes de puxá-lo para um beijo demorado. Estavam na ilha privada da família de Jake, o local estava aglomerado de pessoas, Liv não conhecia mais do que quinze pessoas das prováveis duzentas que se encontravam no local.
Ela usava um maiô azul-marinho, com um enorme decote na frente. Estavam todos na área da praia em que havia uma enorme barraca, com um lounge extenso. Liv não sabia exatamente o quanto havia consumido em bebidas, mas sabia que passara da conta há algum tempo.
Jake depositara um beijo demorado nos lábios de Liv e a olhou com malícia evidente. Ambos estavam sentados em um dos enormes sofás brancos espalhados, Jake colocou seu corpo sobre o de Liv e ela o afastou rapidamente.
— Acho melhor irmos para um outro lugar. A ilha é sua, mas ainda acho loucura querer fazer sexo em público — Liv dissera e arrancou uma gargalhada de Jake.
— Qualquer coisa que você queira, Liv. Faço tudo por você, meu amor — Jake disse, sua voz estava arrastada pela quantidade de álcool que ele havia ingerido. Ambos se levantaram, e entraram para dentro da água, Jake estava por trás de Olivia e beijava o pescoço da garota que se arrepiava com o contato dos lábios do rapaz sobre sua pele.
— Vamos para o meu iate. Eu só deixei dois convidados especiais entrarem lá, e o quarto é nosso — Jake disse, cheio de malícia nas palavras.
Liv logo estava dentro do iate com Jake, e percebeu logo que no local havia um homem forte, ele beijava uma garota com vontade e Liv sorrira, acompanhando Jake que a segurava pela mão. O calor que ela sentia foi substituído por um vento frio quando Jake ligou os motores do iate, e o vento bateu sobre sua pele exposta.
Liv ouviu um resmungo, quase como um choro e foi até a parte externa do iate, e quando olhou bem para a garota que estava ali, sentiu um choque percorrer pelo seu corpo. A garota franzina estava mole, sentada no chão e não aparentava estar nas melhores condições.
— Sarah — o nome saíra de sua boca como um soluço, algo completamente involuntário. Ela levou os dedos da mão até a boca, em um estado nada sóbrio, aquilo não lhe parecia tão aterrorizante quanto seria se ela estivesse sem ingerir todo o álcool que tinha consumido.
— Gostou da convidada ilustre? — Jake perguntou elevando o tom de sua voz para que Liv o ouvisse, e ela o olhou através das janelas de vidro que separavam a cabine de controle da área externa.
— Eu te pedi — Liv reclamou, olhando para Jake que deu de ombros.
— Sabe que teimosia é meu nome do meio, docinho.
— Ela não parece bem, Jake — Liv disse, indo em direção à Sarah que vomitava. O suor no rosto da garota brilhava intensamente, e Liv sabia que estava tudo errado ali.
— É só o efeito do docinho que ela pediu — Jake disse e Liv o olhou, completamente possessa por sua raiva. — Liv! Não me olhe assim, foi ela quem quis. Ralph apenas atendeu o pedido dela, ela quis se divertir como nunca tinha feito antes — Jake falava, enquanto Liv afastava o homem e tentava ajudar Sarah que no momento começou a rir, pelo provável efeito provindo do que tinha ingerido.
O iate parou, e em alguns segundos Jake envolveu a cintura de Liv com os braços, puxando-a dali.
— Ela precisa de ajuda, Jake! — Liv falou em voz alta, quase gritando. — Ela é só uma adolescente! Menor de idade!
— Ela está bem, Liv. É só o efeito, vai passar. Além do mais, estamos no mar e ela pode sentir náuseas por isso — Jake beijou-lhe o pescoço. — Vem comigo, vamos relaxar. Ela está sorrindo, você não percebe? Ela está se divertindo.
— Harold vai te matar e depois fazer picadinho de mim
— Não, ele não vai — Jake respondeu e virou Liv de frente para ele. — Fique tranquila. Ele nem sabe que ela veio para cá, pois assim que ele chegou na festa, pedi para que Ralph trouxesse a garota para cá.
Jake pegou Liv no colo, e a carregou até a parte interna, onde ficavam os dois quartos espaçosos e entrou em um deles. Ele se sentou em uma das camas, e puxou Liv para si, beijando-a com desejo. A garota correspondera rapidamente, se entregando ao desejo que a consumiu como um pavio sendo consumido pelo fogo.
Ao longe, Liv conseguia ouvir resmungos, como se fossem pedidos de ajuda. Mas quando resolvera reclamar novamente, Jake a jogou na cama, iniciando uma sessão de carícias eróticas que unidas ao álcool de seu sistema a fizeram perder a noção até de onde estava. Mas isso fora até um grito lhe agitar o sistema, como se aquilo a acordasse de maneira permanente.
Era claramente um pedido de socorro, ela não estava ficando louca, ou imaginando coisas. Ela empurrou Jake com força, e ele soltou um palavrão em resposta à atitude de Olivia. Ela se levantou perturbada e foi até a parte de fora, onde o homem tinha as duas mãos na cabeça, sua expressão de desespero, fez Liv ativar o botão de pânico da sua mente.
— Ela…a culpa não foi minha! — Ralph falava rapidamente, e Liv se assustou quando enfim pôde vislumbrar o tamanho da merda que ocorrera.
Sarah estava caída na superfície branca e lisa do iate, sangue escorria do nariz da garota, mas aquela quantidade de sangue parecia nada perto da poça de sangue que crescia perto da garota. Liv soube de imediato que havia um ferimento grave na cabeça dela e se desesperou.
— Oh, meu Deus! Precisamos de um médico, precisamos de alguém para ajudá-la! — Liv falava em desespero crescente, Jake estava perto dela em questão de segundos.
— Porra! — ele vociferou.
— Eu te falei, seu filho da puta! Ela vai morrer! — Liv falava de maneira histérica, e ao mesmo tempo, batia no peitoral de Jake, e enquanto isso, Ralph estava encostado em um canto do iate, seus olhos vidrados na cena. Liv se levantou e foi até ele com raiva, ela sentia seu sangue borbulhando nas veias. — Seu idiota! Desgraçado! O que aconteceu aqui? — Liv gritava enquanto sentia lágrimas escorrendo pelos seus olhos, todo o desespero em seu corpo a fazia tremer com violência.
— Ela estava bem comigo, então vocês chegaram e alguns minutos depois que o iate começou a se mover, ela começou a ter umas alucinações, se debatia sozinha no chão e foi a hora que ela vomitou, ela forçou o próprio vômito! — Ralph tinha o rosto úmido pelas lágrimas que escorreram ali, e Liv notou que ele havia ingerido alguma quantidade de droga também. — Ela subiu no bico da proa, eu tentei puxá-la, mas ela não quis me obedecer e logo em seguida, foi tudo muito rápido, ela escorregou e caiu batendo a cabeça na ponta do ferro que fica ali — ele apontou para o ferro que era puramente para o design estético do iate. — Foi isso. Eu não tenho culpa. Eu juro.
Liv olhou para Jake que parecia desesperado dentro da cabine, passando as mãos nos cabelos, alguns minutos depois, ele estava de volta e se aproximou de Liv, que havia se aproximado do corpo de Sarah novamente.
— Liguei para um médico, é mais fácil eles virem para cá do que irmos até lá — Jake falou, seu tom estava mais calmo do que o de Liv ou de Ralph, que ainda se encolhia no canto oposto do iate.
Liv chorava compulsivamente no momento seguinte, ela colocara o dedo indicador e médio no pescoço da garota, e então pudera sentir a pulsação da garota diminuindo debaixo de seus dedos. Jake acariciou os cabelos de Liv, que dera um tapa forte na mão dele para afastá-lo.
— Ela teve uma overdose, tenho certeza disso — Liv disse, olhando para a garota. Sua voz embolada pelo choro, e seu coração apertado pela culpa que já surgia. — Pelo que o Ralph contou, e pelo sangramento do nariz. O que você fez com ela, Jake? Acabou com a vida de uma criança por puro capricho.
— Eu? Você também está aqui, Liv. Acha que tenho culpa nisso sozinho?
— Sim! Eu não queria que você convidasse Sarah, eu te pedi para não fazer isso e você fez pior ainda, além de convidá-la, a induziu a ingerir drogas.
— Ela me pareceu bastante empolgada quando enviei Ralph e ele a convidou para vir à festa aqui na ilha, ela nem sabia que era festa do seu aniversário. Veio empolgada, e sentiu-se atraída como qualquer outra adolescente — Liv não entendia como que Jake podia falar sobre aquilo como se não fosse nada demais, ele agia como se o fato que acabara de ocorrer não fosse algo para se dar importância.
— Sentiu-se vingado de Harold? — Liv perguntou, enxugando as lágrimas do rosto e antes que Jake falasse alguma coisa em resposta, ela se levantou e voltou a falar furiosa. — Vamos voltar logo para a ilha, Jake! O que está esperando? Ligue essa merda e dê a volta, nem estamos muito longe.
— Não acho que seja mais necessário — Ralph falou, se aproximando de Liv e Jake. O moreno parecia assustado, sabia que a culpa cairia sobre os ombros dele também. Até Liv levaria culpa por ter negligenciado o socorro, ter compactuado com o fato de Sarah ter ingerido bebidas e droga, e além disso, seu nome ficaria manchado para sempre quando isso vazasse.
— O quê? — Liv perguntou, seu coração batia descompassado, como se já soubesse o que viria pela frente.
— O que quer dizer com isso, Ralph? — Jake perguntou logo em seguida, olhando para Ralph perto do corpo estendido de Sarah.
— Sarah está morta.
