N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.
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A porta do quarto oeste estava entreaberta, e Fitz cumprimentou os agentes secretos designados para tomar conta de Liv com um leve aceno de cabeça. Após um suspiro pesado de cansaço e confusão, empurrara a porta com calma.
Liv estava deitada na cama, seu pequeno corpo encolhido no enorme colchão da cama king size, estava com as costas viradas para o lado da porta, e o presidente desejou que ela estivesse dormindo, pois assim poderia deixar para dar a triste notícia na manhã seguinte.
Mas assim que se fechara a porta e se aproximara da cama, a mulher se virou alarmada, os olhos assustados de Olivia o encararam por alguns milésimos de segundos antes que ela se sentasse na cama e o puxasse pela mão para perto de si.
— Fitz — ela disse com um sussurro tenso. — Alguma novidade? Eu estou tão assustada com tudo isso. Eu sabia que deveria ter tomado alguma providência para a segurança de Edison antes.
— Não adianta, Liv — Fitz disse simplesmente e Olivia o olhara, confusa. — Eu coloquei dois dos meus melhores agentes tomando conta dele, porque confesso, tinha muitos interesses nele e…
— Espera — Liv o cortou. — Porque fala conjugando o verbo no passado? Fitz, o que aconteceu?
— Um dos meus agentes estava infiltrado, Liv. Foi ele quem atacou no hospital, matou o parceiro de serviço antes de efetuar alguns disparos contra Edison — Fitz contou tentando parecer tranquilo, acreditava que daquela forma conseguiria passar o mesmo sentimento para Olivia. — Logo depois, ele se matou.
— Você quer dizer que Edison… — Liv parou no meio da frase, deixando-a incompleta, porém ambos sabiam como ela terminaria. Fitz assentiu com a cabeça e a mulher mordera o lábio contendo um choro que lhe atingiu.
Fitz não pensara duas vezes antes de envolver o corpo da mulher com o seu de forma acalentadora, ele sabia que ela precisaria daquele apoio. O silêncio que se seguiu por longos minutos, foram no mínimo constrangedores para Fitz, pois ele não sabia como reagir ou o que falar. Por fim, ele optara por continuar na quietude.
Ele passara por um momento de perda terrível, sabia que nem sempre era bom ouvir os sentimentos dos outros durante a própria consternação. Enquanto estava no enterro de Mellie, sofrera muito, mas pior ainda era ter que aguentar pessoas que nunca vira ou pessoas que nem ao menos gostavam dele lhe dizendo que tudo ficaria melhor depois de um tempo, ou que entendiam a sua dor.
Ninguém nunca entenderia a sua dor naquele dia. Ele não perdera apenas a esposa, ele perdera seu primogênito.
Isso se o feto que Mellie carregava no ventre fosse realmente seu, a dúvida estava latente em sua mente após a conversa com Edison.
— Eu sabia que isso aconteceria, eu senti que ele morreria se não o protegesse — Liv falara em meio as lágrimas, tirando Fitz dos pensamentos que tumultuavam sua mente.
— Não se culpe, querida. Você sabe que não poderia prever essa tragédia — Fitz dissera e ela se afastou dele, enxugando as lágrimas que escorriam pela fina pele de seu rosto, antes de voltar a encarar o homem que carrega os olhos azuis enevoados pelo afligimento dos últimos acontecimentos.
— Precisamos dar um jeito de descobrir quem anda fazendo isso, Fitz — Olivia falou, segurando a enorme e maciça mão do presidente. — Ed, não estava mentindo, e eles não demorarão muito pra nos alcançar.
— Eu te falei que quero você longe disso tudo, Liv — A voz severa de Fitz ecoou, porém o que estava por trás daquele tom, era a mais pura e genuína preocupação.
— Mas você sabe que eu não sou mulher de ficar assistindo da plateia, Fitz. Eu não vou ficar sentada dentro da Casa Branca, esperando que eles apareçam aqui e me deem um tiro no meio da testa — Liv falava com intensidade, enquanto Fitz a observava. — Até porque seria muita hipocrisia da minha parte, desejar lutar pelo país, ter um cargo político e me esconder quando o perigo iminente ameça nos atingir.
— Eu coloquei pessoas para fazerem o serviço, Liv! — Fitz deixou sua voz se alterar um pouco. — Não quero você envolvida nisso.
— Pessoas? Ótimo! Me sinto bem mais segura — Liv disse de maneira irônica. — Ainda mais depois que um dos homens do seu serviço secreto matou quem você havia designado para proteger, tenho plena certeza de que estou longe de qualquer perigo — Olivia disse, revirando os olhos e sacudindo a cabeça em sinal de desacordo.
Fitz se calou, não poderia discordar de Liv, mas não queria dar o braço a torcer também, pois sabia que Olivia entraria no meio daquela briga e as chances dela sair machucada eram grandes, e ele não queria nem mesmo pensar nas chances dela acabar morta.
Ele não aguentaria outra morte, essa era a maior certeza que ele poderia ter.
— Eu me preocupo com você — Fitz disse, o tom de sua voz era cansado, como se entregasse os pontos, ou talvez isso era porque uma parte de seu coração saíra com as palavras proferidas.
— Você se preocupa com nosso acordo, eu sei — Liv disse casualmente, sem perceber a intensidade das palavras do homem. — Mas fique tranquilo, Fitz — Liv se aproximou do presidente e colocou a mão sobre a gravata dele, ajeitando-a de maneira quase sutil e delicada. — Eu sei ser discreta.
— Não — Fitz disse com firmeza, e segurou Liv firmando as mãos nos braços da mulher, fazendo com que ela o olhasse confusa. Os olhos de Olivia eram um misto de surpresa e incompreensão pela atitude repentina de Fitz. — Eu me preocupo com você, Liv. Não o maldito contrato ou o maldito acordo. Apenas com você.
Liv engolira a seco. Era como se o cérebro dela tentasse processar o que tinha acabado de ouvir. E por mais que seu coração desejasse interpretar aquelas palavras de um jeito único, preferiu ignorar o sentimento que decidiu enfiar no meio das palavras do presidente.
— Fitz…
— Por favor, Liv — a súplica deslizou para fora dos lábios avermelhados do presidente, que tinha a testa vincada e os olhos carregando profundo clamor.
— Não me peça isso, Fitz. Eu quero proteger minha família, meus amigos. Não quero que mais sangue seja derramado.
— Certo — Fitz soltou um suspiro pesado, percorreu o rosto da mulher com os dedos da mão. — A última coisa que faria em minha vida seria tentar de alguma maneira impedir uma mulher de fazer seja lá o que ela quer. A vida é sua, e por mais que eu tema por você e sua integridade física e emocional, não posso interferir em suas decisões.
— Coloque isto na lista de motivos pelo qual eu escolhi você como meu candidato, senhor presidente — Olivia disse, um sorriso de canto brotando em seus lábios. Fitz passou o dedo polegar sobre os lábios, em uma carícia tentadora.
Olivia aproximou-se do rosto do presidente, embrenhou seus dedos pelos cabelos dele, ainda olhando dentro dos olhos dele com intensidade antes de grudar seus lábios nos do homem, que correspondeu à carícia de imediato.
— Acrescente isto, além de sua garra e determinação, à lista de motivos pelo qual escolhi a mulher certa para o cargo de primeira-dama — Fitz disse, arrancando um sorriso de Olivia. — Fique tranquila, Liv. Não vou descansar enquanto não descobri quem está por trás desses ataques. A morte de Edison não ficará impune.
— Eu sei que não, Fitz. Seremos dois em busca da verdade.
Horas mais tarde, Fitz estava sentado de costas para sua mesa, e de frente para uma das enormes janelas que decoravam o salão oval. Suas pernas cruzadas da típica forma masculina, enquanto unia as pontas dos dedos da mão, dando um ar pensativo a ele.
Sua mente estava nas palavras ditas por Liv, nas verdades que ele relutava em aceitar, mas que infelizmente eram tão reais que lhe doía a cabeça. Seu maxilar estava apertado, completamente tensionado enquanto ele tentava achar uma alternativa para fazer com que Liv mudasse de ideia.
Leves batidas na porta o fizera girar sua cadeira, encarando a porta do salão oval que se abrira logo após ele autorizar a entrada de quem quer que fosse do outro lado. E assim que o visitante se revelou ser uma visitante, ele relaxou o corpo.
— Senhor presidente, recebi o recado de queria conversar comigo — era Ruby, seus cabelos loiros ondulavam abaixo dos ombros, e os olhos verdes da mesma o encaravam como um felino feroz, prestes a atacar e Fitz não duvidava que ela poderia fazer isto.
— Sim — Fitz se levantou e foi até o sofá, indicando o mesmo para a mulher. — Sente-se. — Ruby obedeceu sem hesitar, e Fitz se sentou logo após a mulher. — Eu te chamei aqui para avisar que não tomará mais conta do meu casamento com Olivia.
— Eu imaginava isso — Ruby respondera. — Foi sua noiva que pediu isso, não foi?
— Isso não importa, Ruby. Eu preciso de você em outros assuntos de maior importância, como minha campanha política, por exemplo. As pesquisas indicam que estou cada vez melhor, quase passando a oponente, então mais do que nunca, eu preciso do seu trabalho.
Fitz preferira falar aquilo, do que dizer que fora por culpa de Liv, pois de alguma forma desconfiava que Ruby pudesse soltar na imprensa sobre o contrato de casamento.
— Claro, senhor — Ruby respondeu, visivelmente animada, o que tranquilizou o presidente. — Foi para isso que fui contratada.
— Ótimo! Sabia que poderia contar com sua ajuda. Nunca me deixou na mão — Fitz disse, abrindo seu sorriso de canto.
— Nunca deixarei, e você sabe bem disso — a loira disse e Fitz pigarreou, sabendo que ela estava levando a conversa para outro lado. — Aliás, eu fiquei muito preocupada com o que aconteceu.
— É, mas fique tranquila. Estamos todos bem.
— Meu Deus, Fitz. Eu fiquei a ponto de entrar em colapso, já que ninguém me dava nenhuma informação, nem mesmo Cyrus. Eu não sabia se estava ou não ferido, foi uma agonia tão grande dentro do meu peito.
— Compreendo. Eu estava preocupado também — Fitz disse e sacudiu a cabeça ao se lembrar dos momentos no hospital. — Já sofri muitos atentados, mas dessa vez tinha uma vida a mais comigo que corria o mesmo perigo que eu, na mesma intensidade. Foi impossível não me preocupar.
— Se refere à senhorita Pope? — Ruby indagou, levantando a cabeça e esticando o pescoço enquanto uma onda crescente de inveja e ciúme atravessava seu sistema.
— Claro! Ela tem corrido tanto risco quanto eu nos últimos tempos — Fitz dissera em tom de preocupação aparente.
— Não acredito! — Ruby ergueu uma sobrancelha dando ao seu rosto um ar de provocação, uma risada curta e nasalada escapou da mulher. — Quer dizer, porque logo agora e porque ela?
— Creio que não compreendo, senhorita Johnsson — Fitz vincou a testa em evidente indagação do que a mulher queria dizer, enquanto a própria lhe apresentava um sorriso massacrado pelas suposições que eram cada vez mais claras e verdadeiras em sua mente.
— Está se apaixonando por aquela mulher, senhor presidente? — Ruby perguntou com os olhos marejados, seu corpo parecia petrificado no meio do carpete, e diante da resposta que nunca saía da boca de Fitz, tivera certeza do que estava acontecendo.
Fitz não sabia exatamente o que pensar. Sua mente estava um amontoado de acontecimentos, e não tivera sequer pensado naquilo até aquele momento. Sua mente trabalhava em perguntas que ele não conseguia formar respostas concretas ou coerentes.
Seria possível se apaixonar por alguém daquela forma? Algo falso que nascera de uma necessidade, de um contrato poderia se modificar para um sentimento intenso e verdadeiro?
Era óbvio e claro que ele nutria um sentimento de admiração inveterado pela mulher de pulso e palavras fortes que conhecera de maneira profunda nos últimos tempos. Mas daí ter se interessado por ela de maneira tão acentuada que o fizesse deixá-la adentrar em seu coração, era outra coisa.
Algo complicado.
Complicado como fazê-lo mudar, como transformá-lo em uma pessoa mais maleável, como trazê-lo de volta à vida, como fazê-lo desejar ser melhor ou alcançar e vencer outro desafio em sua vida.
Ela fizera isso.
A verdade o atingira de forma violenta.
O presidente ergueu o olhar que mantivera fixado no material felpudo debaixo de seus pés, lançou um sorriso para Ruby que o encarava com os olhos marejados, o presidente não sabia distinguir se aquelas lágrimas em formação eram de ódio ou tristeza.
— Se eu estivesse apaixonado, seria da minha conta. Já te disse várias vezes que o que faço da minha vida, diz respeito a mim, senhorita — dissera Fitz, fechando o semblante.
— Sei disso, senhor. Só me espanta que seu coração que estava machucado há tanto tempo, tenha se recuperado de maneira tão ágil — Ruby disse com ar irônico. — Você parecia sofrer pela perda de sua esposa até um tempo atrás, agora não me parece tão afetado por isso.
— Talvez porque não esteja. Nem todos são o que pensamos, Ruby — Fitz falou de maneira tranquila. — E as chances de mudança estão aí todos os dias para que possamos recomeçar, ou mudar algo que não gostamos. Talvez seja a hora de você agarrar uma dessas chances de renovação, não acha?
A loira o olhara com indignação, uma crescente onda de irritação permeava o olhar dela que parecia ultrajada diante da conversa que estava tendo com o presidente. Ela abriu a boca duas vezes, como se buscasse palavras para falar, porém antes que tivesse a chance fora interrompida pelo barulho da maçaneta.
— Senhor, me desculpe interrompê-lo — Cyrus dissera, ao abrir a porta do escritório oval. — Porém, me disse para alertá-lo assim quando a senhorita Jones chegasse.
Fitz assentira e Cyrus saíra do escritório logo após um aceno com a cabeça. Fitz sentiu seu coração disparar diante do que estava prestes a fazer. Senhorita Linda Jones, era a diretora da CIA, a mulher para qual ele pediria algo que ainda tinha dúvidas se realmente deveria ser solicitado, mas que de alguma forma, entendia que era necessário.
— Como pode perceber, terei uma reunião importante agora. Acho que já estamos resolvidos, certo? — O presidente disse com sua altivez.
— Claro — Ruby respondeu, sua feição era densa. Ela sorriu fracamente antes de se retirar, deixando Fitz pensativo.
Logo em seguida, Linda entrou no escritório e Fitz fora até a mulher cumprimentá-la. Ela tinha estatura baixa, e isso fazia com que as demais pessoas a taxassem como fraca, de maneira errônea, pois a diminuta mulher era uma verdadeira gigante quando se tratava de personalidade.
— Senhor presidente — a mulher disse assim que se cumprimentaram com um apesto de mão. — No que posso servi-lo?
— Senhorita Jones, é sempre um prazer vê-la. Por favor, sente-se — Fitz disse, indicando a cadeira. Assim que ambos estavam sentados, Fitz tomara fôlego para falar o que tanto desejava. — Eu não vou enrolar, porque sabe que não é do meu feitio.
— Claro. Gosta de ir direto ao assunto e resolver tudo de forma mais clara e sucinta possível.
— Exatamente — Fitz umedeceu os lábios enquanto procurava as palavras certas para falar com Linda. — Lembra-se de quando minha esposa faleceu, e você me contou que fizeram um exame de DNA com o feto?
— Claro que me lembro, senhor. Como esqueceria a feição de desagrado e os brados que dera quando soube que o teste fora feito?
— Esse teste é preciso? Cem por cento confiável? — Fitz perguntou em tom de curiosidade.
— Sim, senhor. Se quiser posso trazer um de nossos cientistas mais renomados para explicar como funciona.
— Eu gostaria que isso fosse feito — o presidente disse. — Quanto ao exame que foi realizado, o resultado fica registrado nos arquivos secretos da CIA, certo?
— Sim, senhor presidente. E como foi pedido para que a existência da criança fosse sigilo absoluto, é um arquivo confidencial. Apenas eu e pessoas designadas de sua confiança tem acesso ao documento.
— Então, ninguém leu esse exame — Fitz afirmou e a mulher sacudiu a cabeça em negação.
— Não, senhor. O resultado nunca fora aberto — Linda respondeu com firmeza na voz e Fitz assentiu.
— Quero que me entregue esse documento, senhorita Jones. Quando pode me trazer? Aliás, sem que ninguém saiba desse nosso combinado, nem mesmo Cyrus.
— Daqui alguns dias, senhor — Linda respondeu. — Eu tenho acesso ao documento, mas não quero levantar suspeitas de nenhum funcionário curioso. Não confio em ninguém nesses últimos tempos.
— Temos algo em comum — Fitz respondeu com um sorriso fraco. — Deixe-me te perguntar outra coisa.
— Claro, senhor presidente.
— Edison Davis, esse nome significa alguma coisa?
— É o rapaz morto hoje mais cedo, estou certa?
— Exatamente. Da última vez em que falei com Edison, ele pareceu deixar subtendido que a CIA possuía provas de algo que ele me dissera e eu fiquei me perguntando se ele por acaso teve a chance de ler algum tipo de documento.
— Nunca, senhor. Suas ordens foram bem claras e eu as acatei sem questionar, além do mais temos segurança do mais alto escalão. Mas o senhor já se perguntou se alguém possa ter passado essa informação para ele?
Fitz apertara os lábios, pensativo, tentando entender os fios e as pontas soltas da história toda. Com tantos inimigos, com alguém infiltrado dentro de sua fortaleza, era bem óbvio que alguém poderia ter escutado e comentado com Edison.
Fitz xingava Edison de todos os piores palavrões em sua mente. Se o rapaz tivesse contado quem estava por trás de toda a conspiração, não teria que colocar tantas pessoas envolvidas naquela trama que parecia aumentar cada vez mais.
— Certo. Obrigada pelas informações.
— Entrarei em contato nos próximos dias, senhor — Linda se levantou e Fitz também, ele prendeu um botão de seu terno antes de estender a mão para a mulher que segurou de maneira firme cumprimentando-o.
Logo em seguida, Linda o deixara sozinho com suas divagações rotineiras.
Ele tentava encontrar alguma coisa que Edison dissera e que pudesse ajudá-lo, mas nada se encaixava em sua mente. Fitz relutava em contar para Liv sobre sua conversa com Edison, mas a mulher se mostrara tão interessada em ajudá-lo que ele sentia-se tentado em dividir tudo o que sabia com ela, pois talvez ela pudesse cooperar de alguma maneira.
Mas isso significaria que ela entraria em definitivo naquela história e ele poderia até concordar com ela tentando descobrir alguma coisa, mas não conseguia se imaginar empurrando-a para o abate, pois era isso que faria se desse todas as informações que possuía.
Fitz tinha conhecimento de que aquela decisão era pra ser tomada com calma, e por isso esperaria mais alguns dias. Inclusive porque o presidente da França estava visitando o país, e daquele dia em diante não teria muito tempo para pensar em outra coisa que não fosse isso.
A única coisa que ele clamava em pensamento era para que ninguém mais morresse nos dias que se seguissem.
Os dias se passavam de forma lenta e arrastada, Liv sentia-se ansiosa pela aproximação do casamento, e não era porque se casaria, mas sim porque sentia um certo temor pelo dia, o medo de um ataque a fazia sentir até calafrios. Ela estava sentada ao lado de Abby, enquanto repassava todos os detalhes do casamento que aconteceria dali alguns dias. Em menos de uma semana, ela seria a mais nova primeira-dama dos Estados Unidos, e ela ainda não tinha acostumado com a ideia.
Ela estava em seu quarto na Casa Branca, não tinha visto Fitz mais do que duas vezes na semana que se passara, pois com a visita do presidente francês Jean Pierre, o presidente americano trabalhara dobrado e Liv só o vira em jantares e eventos. E era sempre tão rápido que mal tinha tempo de conversar, ela sabia que não teria muita chance de falarem sobre aquele assunto em momentos como aquele.
Os tópicos de conversa que envolviam ataques terroristas e Edison estavam fora da pauta por aqueles dias e ela tentara de sua maneira resolver, e claro, procurara por Huck. Mas para o espanto de Olivia, não conseguira encontrá-lo.
Por fim, ela decidira que o melhor a se fazer naquele momento era terminar de decidir tudo que queria em seu casamento e tentar sobreviver.
— Achei que você mudaria o local do casamento depois que nos livramos de Ruby — Abigail dissera enquanto olhava uma planilha em seu tablet.
— Eu achei interessante a ideia do casamento no jardim da Casa Branca — Liv disse enquanto um sorriso estampava seu rosto. — Aliás, preciso ter certeza de que o serviço secreto se programou, eu sei que esse não é nem de longe um trabalho meu, mas perguntarei a Fitz porque você sabe que desde a morte de Edison tenho tomado cuidado dobrado. Mas como dizem, a Casa Branca é o lugar mais seguro do mundo, não é?
— Claro — Abby assentiu e levantara a cabeça, encarando Olivia. — Liv, eu preciso conversar com você sobre isso — ela dissera com certo receio no olhar, colocando sua agenda de lado e encarando Liv. — Sobre a morte de Edison.
— Fale — Liv disse, tentando não parecer muito abalada.
— Você descobriu alguma coisa sobre Edison? — Abby perguntou e Liv parou de olhar para o celular onde lia algumas notícias e encarou a amiga.
— Nada ainda. Ninguém no hospital tem alguma noção sobre o que aconteceu, afinal Fitz mandou fechar toda aquela ala do hospital para que Ed ficasse protegido. O que achei válido, teria dado certo se o inimigo não fosse um dos nossos — Liv tombou um pouco a cabeça denotando evidente curiosidade. — Mas posso saber o motivo do interesse?
— David me ligou ontem — Abby disse e mordera o lábio com força, visivelmente receosa. — Ele me disse que descobriram algumas coisas nos e-mails de Edison e que ele mal pôde acreditar.
— Ele te falou o que era? — Olivia perguntou com interesse brilhando em seus olhos.
— Não, David disse que estão sob sigilo da investigação e por isso não poderia me contar, mas como sei que você consegue arrumar alguém que possa hackear o e-mail de Edison, resolvi comentar com você.
Liv olhara pela ampla janela de seu quarto e do lado de fora via o movimento de agentes do serviço secreto, todos atentos a qualquer movimentação suspeita. Dentro de seu peito, seu coração retumbava enquanto ela se perguntava se Fitz ficaria muito irritado com ela se enfiando naquilo e ao se lembrar da conversa que tiveram, sentiu o peso da dúvida crescer ainda mais.
Por mais que o presidente tivesse dito que não a impediria de fazer o que ela quisesse, sabia que ele fizera isso porque fazia parte de sua índole. Mas, no fundo, Fitz não queria que ela se metesse naquilo, ele temia por ela e essa era a parte que a deixava mais receosa em tudo.
Olivia respirou fundo, tentando buscar na mente alguém que lhe ajudaria a acessar um pedaço da vida de Edison. Ela só queria encontrar algo que reconfortasse a tristeza que ainda atingia seu coração pela perda do amigo.
Foi quando a imagem de Quinn Perkins surgiu em sua mente, a garota franzina da época da faculdade, que agora se tornara uma mulher de provocar acidentes, sabia como invadir qualquer sistema na internet. Nada era segredo para a nerd que Liv conhecera quando ainda nem imagina o caos que sua vida se tornaria.
Mesmo depois de formadas, Olivia mantivera contato com a mulher que aos poucos foi tomando um rumo de vida quase incerto. Quinn aparecia de tempo em tempo, contava as viagens que fazia pelo mundo e como sua paixão por computadores nunca mudara e exatamente por isso Olivia pedira ao pai que conseguisse um trabalho dentro do FBI para a amiga.
Depois do treinamento, e de se tornar uma agente federal, Quinn prometera a Olivia que sempre que ela precisasse, estaria à sua disposição. Liv nunca pensara que teria que pedir um favor à Quinn, até aquele momento.
— Espere um minuto —Olivia pediu e a amiga assentiu. Liv voltou a olhar em seu celular com atenção, antes de levar o aparelho ao ouvido.
— Para quem você está ligando? — Abby perguntou.
— Alguém que eu sei que vai resolver isso para mim — Olivia respondeu e em alguns segundos uma voz feminina lhe atendeu do outro lado da linha. — Quin?
— A própria. Quem fala? — a voz da mulher era a mesma que Liv recordava.
— Olivia Pope.
— Não acredito! Veja quem resolveu falar com os plebeus — Quinn falou e Liv sentia a surpresa vibrando pela sua voz. — Caramba. Faz bastante tempo que não nos vemos.
— Verdade. Acho que a última vez foi o casamento da Giovana — Olivia disse, lembrando-se da data.
— E você falava que não casaria tão cedo e olha só, está prestes a se casar.
— Acredite que estou tão surpresa com isso quanto você, mas quando me dei conta estava perdidamente domada por aquele homem — Liv disse, temendo que pudesse soar falsa demais, ou falar algo que comprometesse a farsa entre ela e Fitz. Se é que aquilo ainda podia ser chamado de farsa.
— Mas me diga, o que manda? Duvido que essa ligação seja um convite para o evento do ano — Quinn disse, se referindo ao casamento. — A lista de convidados saiu e meu nome não está lá, só vi políticos chatos e membros da realeza. O único motivo que me levaria ao seu casamento seria a lista de famosos, na verdade, eu iria pelo Justin Timberlake. Você sabe do meu amor platônico por ele.
— Desde que dançou no palco com ele ficou assim, como me esqueceria?— Liv disse em meio ao riso. — Mas você está certa, eu liguei para pedir um favor.
— Pode falar. Lembra que eu disse que sempre estaria aqui para qualquer tarefa.
— Preciso que acesse o e-mail de uma pessoa.
— Isso é fácil.
— A CIA anda investigando esse e-mail, talvez isso dificulte.
— É, de certa forma, eles provavelmente criaram uma forma de bloquear qualquer tipo de invasores, mas eu aprendi com os melhores, e isso inclui agentes da própria organização federal. Eu sei segredos deles — Quinn disse, um riso vitorioso da mulher soou aos ouvidos de Olivia.
— Então, você acha que consegue?
— Tenho certeza. Se quiser faço um backup de tudo e te envio.
— Mas eu preciso que seja tudo muito sigiloso, acho arriscado que me envie por e-mail ou algo assim. Temo que isso possa ser rastreado e não quero que saibam que estou fazendo isso.
— Como sempre se metendo onde não deve, Liv? — Quinn soltara uma gargalhada gutural. — Me lembra a velha Liv da universidade.
— Sabe as histórias sobre hábitos que nunca mudam? Pois, então.
— Fique tranquila, Liv. Eu vou criar um e-mail descartável, ele fica ativo por apenas alguns minutos, é o tempo de você salvar tudo em um pen-drive e então ele se apaga sozinho, sem deixar nenhum rastro.
— É Tudo o que eu preciso. E como posso te pagar?
— Imagina se eu cobraria algo da minha amiga e agora a primeira-dama do meu país! É por conta da casa, Liv. Se você fosse cobrar por tudo que fez por mim, eu ficaria pobre.
Quinn explicou que assim que criasse o falso e-mail com os arquivos, enviaria os dados do mesmo para que Liv pudesse acessá-lo e então desligaram. Olivia segurava o aparelho em sua mão com força quase exagerada devido sua apreensão.
— E então? — Abby perguntou.
— Em meia hora ela me envia tudo — Olivia disse e mordeu o lábio inferior. — Acha que devo contar ao Fitz?
— Sim, talvez quando conseguir falar com seu noivo e isso anda sendo meio impossível na última semana.
— Totalmente impossível. Desde o dia em que Edison morrera, não consigo falar com ele.
— Você não conseguiu nem mesmo brigar com ele por não ir no enterro de Edison.
— Eu meio que entendi a posição de Fitz nessa situação, Abby. Eu acho que me sinto do mesmo jeito vendo ele se expor todos os dias, quando o assunto mais comentado é o atentado.
— E mesmo com toda a manobra de fingir que o assassinato de Edison fora causado por outra razão, todos os holofotes estão sobre o fato do presidente estar no hospital.
— Eles não vão parar de falar sobre isso tão cedo — Olivia disse com a voz desanimada.
— Você me disse há muitos suspeitos aqui dentro da Casa Branca — Abby comentou e Olivia assentira em concordância com a amiga. — Você tem algum?
— Não confio em alguns agentes do serviço secreto, não confio em Ruby e me atenho a eles, já que não conheço os outros funcionários — Liv colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha antes de prosseguir. — Mas a lista de Fitz é imensa, tenho certeza.
— Ele deve estar a ponto de entrar em colapso com tanta coisa acontecendo. Me pergunto como ele consegue ser presidente em meio ao caos que acontece ao redor dele além de todos os assuntos da Casa Branca.
— Eu me pergunto a mesma coisa, ultimamente tenho até me questionado, se é isso que quero mesmo para minha vida.
— Ah, por favor, Liv. Não compare você e Fitz — Abigail disse, revirando os olhos. — Ele claramente tem inimigos que querem derrubá-lo, vocês não são a mesma pessoa.
— Imagine eu me tornando a primeira presidente mulher do país? Quantas pessoas me odiariam e tentariam me derrubar, pois, infelizmente, o preconceito com mulheres no poder ainda existe.
— O que não te torna fraca, aliás, você é uma das mulheres mais fortes que já vi na vida.
— Posso dizer o mesmo de você, a sua história de vida vai muito além do que os olhos alheios podem ver.
— Não exagera, Liv — Abby disse com evidente timidez.
— Não estou exagerando, sabe que falo as coisas na sua cara e não me canso de te dizer o quão forte você é.
— Eu aceito o elogio e agradeço — Abby disse com um sorriso no rosto — Agora seria possível você levantar essa bunda da cadeira e ir comigo até o salão de jantar para aprovar todos os pedidos? Você precisa confirmar se gosta das comidas que serão servidas no jantar logo após o casamento.
— Não precisa pedir duas vezes — Liv dissera animada antes de se levantar e seguir com a amiga até um dos enormes salões da Casa Branca, lá estavam sendo servidos os pratos variados que foram escolhidos por ela e Abby.
Enquanto conversavam animadas e comiam pequenas porções das iguarias servidas pelos funcionários da cozinha da Casa Branca, não podiam imaginar o que aconteceria. Olivia estava muito bem avisada sobre todas as ameaças que a rondavam, mas nada tinha feito com que ela batesse de frente com o perigo. Até aquele momento, nada atingira propriamente a linda e cativante futura primeira-dama, tudo acontecia ao seu redor, mas não com ela.
— Senhorita Pope? — a voz de um homem chamara a atenção de Olivia, que virou o rosto encarando o agente do serviço secreto, mas esse estava uniformizado, diferentemente dos demais que andavam sempre de ternos bem alinhados.
— Sim? No que posso ajudá-lo? — Olivia perguntou, e como se um mecanismo de defesa fosse ativado, sua feição mudara.
— Poderia me acompanhar? — o homem perguntou e Liv assentiu, e lançou um olhar para Abby, como se explicasse que já voltaria.
Ela seguiu o agente seguiram até o escritório de Fitz e Liv continuava sem entender nada, apesar de que um péssimo pressentimento se alojara dentro de si. E quando a porta do escritório oval fora aberta, a mulher não poderia se espantar mais.
Dentro do recinto estavam seus pais, ambos sentados em um dos sofás aconchegantes do escritório presidencial, e em pé estava Fitz, andando de um lado para o outro.
Definitivamente não era algo bom.
Se o presidente havia largado todos os compromissos de seu dia apenas para estar ali e ainda por cima acompanhado de sua mãe e pior ainda, seu pai, que falara publicamente que havia se aliado a Sally e que não queria vê-la nem banhada a ouro.
— Mãe? Pai? O que estão fazendo aqui? — Olivia perguntou, os olhos da mulher dançaram do casal para o homem que estava como sempre impecável, Liv tentou ignorar as cambalhotas que seu coração fizera em seu peito e como o fato de ter sentido o perfume dele a deixara inebriada.
— Também sentimos sua falta — a voz de Eli soou pelo cômodo ovalado, seu tom sarcástico. Liv não deixara de notar como o olhar de sua mãe estava aflito, e a partir desse momento era tudo o que importava.
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo? — Liv se aproximara de sua mãe, que se levantara na mesma hora a abraçando fortemente. — Você está bem, mãe?
— Maya está bem, Liv. Nós estamos temendo por você — Eli falou, sua voz grossa denotava certa quantidade de raiva e Olivia teve certeza disso quando percebera o olhar que seu pai lançara para o presidente.
— Liv, minha querida — Fitz disse e então unira os lábios, como que em busca de palavras certas, ultimamente ele fazia muito aquela expressão. Como, por exemplo, quando contara sobre a morte de Edison.
Olivia sentira como se o chão se abrisse debaixo de seus pés, ela amava Ed de maneira pura e mesmo que o homem tivesse mentido, ela não deixara de sentir a mesma amizade e o fato de saber que ele partira sem nem ao menos ter a chance de consertar as coisas que fizera em vida, a deixara arrasada.
Mas fazia muito tempo que Liv não sofria por mortes, desde que Sarah morrera bem diante de seus olhos, e por uma parcela de culpa sua, não se abalava tanto. Por isso, na mesma hora que soubera da morte do amigo, sentira-se muito triste, mas logo recuperou-se ao se dar conta de que os problemas continuavam batendo à porta.
— Seus pais receberam uma caixa esta manhã — Fitz apontou para a caixa branca que estava envolta por um plástico em cima da mesinha de centro do escritório.
— O que tem dentro da caixa? — Liv perguntou, e ao olhar em volta notou a quantidade de homens uniformizados estavam ali.
— Um cartão e um porta-anel — Maya respondeu e Liv voltou a atenção para sua mãe que ainda a abraçava, os olhos da mulher estavam marejados.
— Onde está o cartão? — Olivia perguntou e Eli entregou para a filha, que estendeu a mão trêmula antes de segurar o pequeno pedaço de papel retangular que provavelmente fora minuciosamente analisado antes de estar em suas mãos. Ela abriu a dobradura e então leu:
"Decisões impensadas podem ser como uma lâmina bem afiada que abrem flagelos sem piedade na alma."
Olivia lera as palavras impressas por várias e várias vezes, um gelo subiu por sua espinha e o ar parecia lhe faltar, e ela nem mesmo entendia o que as palavras ali significavam. Era como uma espécie de código a ser decifrado, mas ela não demorou a descobrir.
— Estava endereçada a seu pai, mas dentro da caixa havia um papel que direcionava a encomenda para você, Liv — Fitz disse com desânimo na voz.
— Eu achei muito estranho e me desculpe, querida. Mas me senti na obrigação de pedir que policiais do FBI investigassem, e eu parecia estar certo quanto as suspeitas que tinha — Eli falara rapidamente com visível desalento.
— E onde está o porta-anel? — Liv perguntara, tentando ignorar o olhar de culpa que o presidente carregava. — É esse? — ela perguntou apontando para a caixinha de veludo preto em cima da mesinha de centro, ela olhou para Fitz e depois para seu pai que assentiu. Ela se aproximou da mesa e olhou de relance para Fitz. — Posso?
— Sim. Mas tenha cuidado ao abrir — Fitz respondera simplesmente, o vinco na testa dele fez com o estômago de Liv desse cambalhotas.
Ela pegou a pequena caixa nas mãos e a abriu sem pensar muito, mas com cautela, como Fitz lhe instruíra e quando vislumbrou o que continha ali, teve certeza do perigo que corria.
Olivia mal podia acreditar no que tinha recebido. Dentro da caixa de veludo preto, havia uma lâmina pequena no lugar em que deveria estar o anel.
— O recado é óbvio, alguém desaprova o casamento de vocês! — Eli disse de maneira ríspida. — Pelo visto não sou o único.
— Mas porque não mandaram esse recado antes? Eu não entendo o motivo de só agora resolverem se manifestar — Liv dissera, tentando entender.
— Talvez não acreditassem que vocês fossem casar mesmo e agora estando há apenas poucos dias antes da cerimônia, perceberam que é real — Maya disse e Liv concordou com a mãe, assentindo com a cabeça. — Eu estou preocupada com você, minha filha.
— Mãe, fique tranquila. Nada acontecerá comigo — Olivia disse desejando acreditar em suas próprias palavras e então se virou para Fitz. — Podemos conversar a sós por um minuto?
— Claro — Fitz respondeu e pediu que todos se retirassem. Os últimos a saírem foram Maya e Eli Pope que disseram que a esperariam do lado de fora. Eli parecia ultrajado por ter que deixar o escritório do presidente, mas obedeceu sem ter outra saída. No momento em que a porta fora fechada, Fitz se aproximara da mulher, tirando a caixinha de veludo de suas mãos, colocando-a de volta sobre a mesinha de centro e então envolvera Liv em seus braços, tomada pela surpresa, ela deixou os braços pendendo ao lado de seu corpo.
— Me desculpa — o presidente disse no ouvido da mulher.
— Posso saber o motivo desse pedido? — Liv perguntou, segurando na cintura do presidente por dentro do terno, e por cima da camisa social branca.
— Depois que se envolveu comigo e aceitou esse contrato, tenho te colocado em perigo constante. Seu pai tem razão em querer mantê-la afastada de mim, Liv. O mundo político é sujo, mais do que se pode imaginar.
— Não seja ridículo, Fitz — Liv disse e o presidente se afastou, a testa vincada em confusão diante das palavras de Olivia.
— O que disse? — ele perguntou com uma de suas sobrancelhas erguidas e um sorriso surgindo nos lábios.
— Para não ser ridículo — Olivia repetiu e soltou um riso fraco antes de prosseguir. — Eu não me abalei com essa ameaça.
— Tem certeza? Eu jurei que fosse se sentir assustada pela sua família ou algo do tipo, afinal foi lá que entregaram a encomenda.
— Eles entregaram lá porque é o único lugar tiveram certeza que me entregariam antes do casamento. Se entregassem na casa que herdei da minha avó, não veria tão cedo — Olivia deslizou as unhas sobre o tecido da camisa e seguiu com as mãos para as costas de Fitz.
— Há uma parte que não contei e talvez esse seja o motivo pelo qual eu esteja mais preocupado.
— E o que é?
— Debaixo da parte em que encaixaram a lâmina, encontraram um pequeno desenho pintado na própria caixa.
— Desenho de quê?
— Uma flor-de-lis vermelha.
— Certo. E o que isso significa? Pode ser a marca de quem produz a caixa de porta-anel, não? — Olivia perguntara com curiosidade.
— Não acredito que seja isso.
— E o que te leva a acreditar nisso?
— O agente do serviço secreto que assassinou Edison, possuía uma tatuagem idêntica ao desenho, Liv.
— Então...essa ameaça está ligada a morte de Edison e de Alícia – Olivia perguntou, temerosa. Repentinamente a lâmina ganhara uma periculosidade maior do que inicialmente.
— Entende o meu medo, Liv? —A mulher assentiu diante da pergunta de Fitz. — Não é uma pessoa qualquer contra o nosso casamento. São eles novamente. Entende agora, Liv?
Olivia entendia, pois repentinamente começar a sentir uma onda de medo tomá-la por completo. Eram eles, estavam deixando bem claro que não concordavam com o casamento dela com o presidente, deixando bem claro também que os pais de Olivia não estavam seguros e que Liv poderia ser facilmente o próximo alvo.
— Com tanta coisa acontecendo, Liv — Fitz voltara a falar. — Sinto que é a hora de lhe contar algumas coisas que venho omitindo de você.
— Como assim? O que tem omitido de mim, Fitzgerald?
— Para começar, existe a suspeita de que Mellie possa ter me traído e cada vez mais temo que minhas suspeitas se concretizem em realidade — Olivia o encarava com incredulidade, enquanto ele indicava a cadeira. — É melhor se sentar, Liv. A situação será um pouco maior e mais complicada do que pode parecer.
