N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

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Dois anos antes,

Washington D.C,

Em algum apartamento de classe média

Havia uma enorme chance de Mellie estar ferrada. E ela sabia. Ela deu um suspiro longo enquanto esvaziava o ar que entrara em seus pulmões, fitara a parede azul do quarto de seu amante. Ela arriscar sua vida ao ir encontrá-lo daquela vez, mas não pensara duas vezes quando o homem ligou, pedindo para que se encontrassem para um rápido encontro.

Mellie achava que iriam se ver, iriam ter um sexo divino e então rir das piadas bobas do homem envaidecido que ela descobrira amar tanto. Mas, após ter uma rápida relação sexual com seu amante. Sim, rápida. Ela sentia que o amor que ele sempre lhe falava ou demonstrava de poucas maneiras, estava esfriando, se esvaindo. Ou pior ainda, ela chegava a se perguntar se tal sentimento realmente existira.

Não apenas pela falta de sexo, mas pela mudança brusca no comportamento que se dera nas semanas anteriores, o que causara nela uma vertigem de horrores. Ela sentia que perder aquele homem, era pior do que perder seu marido Fitz.

O homem de porte forte se aproximou de Mellie, a abraçando por trás de maneira quase carinhosa. Mellie queria tanto acreditar que ele a amava, ela queria de verdade acreditar que ele não estava mentindo ou usando-a para alcançar o prêmio final daquela corrida ensandecida pelo poder.

— Está tudo pronto, Mel. Agora é com você. Acha que dá conta? — Ele perguntou com um tom de voz que beirava o desespero latente.

— Sim. Eu já te disse isso antes — Mellie revirou os olhos e disse fragilmente.

— É que eu temo muito por vocês e para que meu plano dê certo, preciso que dê cem por cento de você — o homem dissera, depositando um beijo no ombro recém-coberto pelo vestido de Mellie.

Batidas na porta fez com que a mulher se sobressaltasse. Estava no apartamento do homem, e apesar de que dificilmente alguém que ela conhecesse aparecesse por ali, ela sempre se sentia muito assustada com qualquer movimentação.

— Russian, você poderia dispensar sua mulherzinha e vir falar comigo? Trouxe uma visita interessante — a voz jocosa de Graham atravessou a porta do quarto, fazendo com que Mellie estremecesse um pouco. O ódio que sentia por aquele homem era inevitável.

— Filho da puta. Se eu pudesse arrancava os olhos desse desgraçado — Mellie falou em um tom de exagerada raiva.

— Calma. Falta pouco para nos livrarmos desse idiota — Russian falou com sua voz penetrante.

O amante de Mellie recebera o apelido de "Russian" por ser descendente de russos, mas quando conhecera as pessoas com as quais se aliou naqueles planos maquiavélicos, recebera outro apelido. Todos recebiam um apelido quando entravam naquele grupo.

— Pode abrir a porta — Mellie disse e segurou a mão de Russian com vigor. — Eu vou embora pelos fundos. Sabe que estrago o dia quando encontro esse homem.

— Eu sei, minha querida — O amante disse, depositando um beijo rápido em sua testa, antes de escorregar os lábios até os de Mellie, depositando um beijo ali também.

Mellie saiu do quarto e enquanto Russian seguia em direção à sala, ela tomou o caminho para a cozinha, onde havia outra porta. Ela saiu do apartamento carregando sua bolsa, ajeitando seu vestido que lhe parecia amarrotado demais para alguém que tinha saído para um chá com uma amiga. Ela colocou rapidamente um lenço de seda preto sobre os cabelos e enfiou os óculos escuros no rosto com a mesma rapidez.

Quando a mulher abriu a bolsa, em busca do celular para chamar o motorista com um dos carros não oficiais da Casa Branca, foi que se deu conta de que ele não estava ali. Com tanta pressa em sair do apartamento do homem e fugir de Graham, ela acabara por esquecer o celular em cima da mesinha de cabeceira do quarto de Russian.

Ela voltou com passos apressados, sabendo que não poderia demorar mais tempo sem levantar as suspeitas de Fitz. E assim que se lembrou do seu marido, sentiu uma pequena pontada de remorso, que logo passou ao se lembrar que Fitz não era tão bom marido assim.

Ela nunca conversara com ele sobre o quanto se sentia sozinha, e sempre demonstrava estar bem, carregando um sorriso largo e aberto. No fundo, a culpa era sua, mas vitimar-se é quase um mal de um terço da humanidade.

Mellie caminhou silenciosamente pelo corredor que levava até o quarto de Russian, ela dava graças a Deus por não precisar passar pela sala e encontrar aquele homem asqueroso que a fazia tremer só de ver. Ela não queria temê-lo de maneira tão forte, mas Mellie sabia que Graham destruía quem passava por seu caminho, ouvira histórias de mortes que ele causara e sabia que a sua poderia estar no plano. Ela só não tinha tanta certeza, até aquele momento.

— Acha que sua puta consegue fazer isso sem alardes? — Patrick Graham falou com a voz apertada pela irritação evidente.

— Ela prometeu que o faria entrar no carro — Russian falara e Mellie sentira-se estranha ao perceber que o homem nem tentara defendê-la da forma que Graham tinha falado dela a seu amante.

— E depois, me torno presidente. Graças a emenda XXV da Constituição Americana, me tornarei líder do país — Aquela voz não era de Russian, e muito menos de Graham. Mellie sentira um frio na espinha após ouvir a frase do homem e sabia muito bem de quem se tratava: Chad Henson, o vice-presidente de seu marido.

— Você fala como se Dália fosse te deixar comandar o país sozinho — Patrick falara, soltando um riso nasalado. — Aquilo dali é a pior parte do plano.

Mellie sempre tentara descobrir quem era Dália, mas nunca conseguira nem mesmo descobrir se era um homem ou uma mulher, e apesar de o nome ser de uma flor, ela acreditava piamente que era um homem por trás de todos aqueles planos. Mas algo que ela tinha certeza era que aquela pessoa era a mais influente que já tivera notícia, não havia informação que Dália não soubesse, não havia problema que Dália não resolvesse.

— Me livro de Dália depois — Chad falou com a voz tão confiante que irritara Mellie. As palavras "Idiota" e "Prepotente" estavam em sua mente naquele exato momento. — E quanto a você e Mellie? O que você fará com a mulher que carrega um filho seu? — O tom de Chad era debochado.

— Eu não sei ainda. Mas eu não posso continuar com ela — Russian respondera e Mellie sentira como se tivesse levado uma facada em seu peito. Ela estava certa, ele nunca a amara.

— Achei que estivesse apaixonado, mas vejo que estava enganado — Graham dissera, seu tom de deboche ainda persistia e fez com que o estômago de Mellie se revirasse.

— Minha vontade de ser algo maior, de me tornar o braço direito de Dália, por exemplo, é muito maior do que minha afeição por uma mulher ou filho.

Encostada na parede do corredor, ainda escondida, Mellie se entregou ao choro pesado e contido. Ela se perguntava se fizera a coisa certa ao entregar a cabeça do marido de bandeja para aquelas pessoas, e tudo isso porque sentira falta de qualquer afeto provindo de Fitz. Algo que lhe parecia patético naquele momento. Ela se entregara aquele homem, que dizia sentir algo que talvez nem mesmo soubesse o que era. Mellie entrou em passos largos dentro do quarto, pegou seu celular na pequena mesa e não quis ficar no local por nem um minuto sequer, pois ela acreditava ter ouvido o suficiente. Ela saiu do apartamento correndo, com medo de descobrirem sua presença. Ela não precisava de mais aquela ameaça para se preocupar, apesar de que a morte mesmo se dera no momento em que ela resolvera entregar seu amor e sua aliança para aquele homem que esfacelara não somente seu coração, mas toda a vida que construíra até então.

Tempos atuais

Washington D.C. , Casa Branca

Liv estava com os olhos vidrados na tela luminosa do notebook, seus dedos tamborilavam denotando impaciência enquanto os arquivos carregavam. Ela sabia que não seria tarefa fácil procurar entre centenas de e-mails recebidos por Ed, alguma mensagem que a levasse até uma pista quente. As mensagens carregaram na tela aos poucos, e seu coração parecia estar em um ritmo que talvez não fosse o mais saudável, ela sentia o fluxo estimulante da adrenalina percorrendo por suas veias e mexendo com todo seu sistema. Olivia correu os olhos de maneira ávida pelas palavras que preenchiam os assuntos das mensagens, sem deixar de ler também os remetentes delas. Liv apertava a tecla que dava comando de deslizar a barra de rolagem em seu notebook e sentia a ponta dos seus dedos escorregadias, resultado da camada fina de suor frio que se formava ali. Ela sabia que aquela reação de seu corpo não provinha do calor, pois o frio em seu estômago lhe dava a confirmação disso.

A maioria das mensagens que Edison havia recebido em seu e-mail eram: relacionadas ao Partido Republicano, algumas parabenizações pelos resultados de sua recém-criada campanha, convites para eventos e festas, mensagens das mulheres com quem ele estivera, propagandas inúteis, alertas de vídeos novos em sites pornográficos. Olivia já estava desistindo.

"Talvez ele fosse realmente bem esperto e apagou tudo", ela pensou de maneira derrotada, sentindo o peso da falha em seus ombros. Ela estava confiante de que conseguiria encontrar algo importante ali. Afinal, David deixou implícito que, o que encontraram no e-mail de Edison, era algo grandioso. Algo que talvez fizesse Liv entrar em pânico, mas ela já começava a achar que todo nervosismo que sentira, havia sido para nada. Foi exatamente nesse momento de quase renuncia, que a resposta para suas perguntas surgiu na sua frente, bem diante de sua visão. Um e-mail que parecia inocente, mas que talvez traria respostas. Ou quem sabe, mais perguntas.

"Assunto: A chave foi entregue"

Ela correu os olhos para o remetente: Áster.

Ela nunca ouvira falar daquele nome. Ela clicou na mensagem com uma apreensão latente, seu estômago ficou embolado pelo nervosismo novamente, algo formado pela antecipação do que aconteceria logo em seguida.

"Isabel of France Cathedral, 662. 4 da tarde. Seja o Padre."

Olivia não entendeu nada de começo, uma confusão se formou em sua mente, como uma verdadeira coma de gato, ela estava sentido-se até meio sufocada, quando Abby entrou no quarto carregando seu tablet e falando ao celular. Abby parou e fitou Liv por alguns segundo, o suficiente para perceber que ela precisava de ajuda. Ela se despediu da pessoa com quem conversava e se aproximou de Olivia que mordia o labio inferior, em uma expressão congelada em um misto de aflição e concentração.

— Algum problema? — Abby perguntou, alarmada.

— Digamos que enigma seria a melhor definição para o que tenho em mãos — Olivia falou, seu tom era desgastado.

— Como assim? — Abby perguntou e Liv apenas apontou para a tela do notebook. Abby encarou a tela e depois olhou para Liv — Que merda é essa? — Disse, sua expressão era de desespero. — Não entendo nada do que está escrito aqui.

— Preciso fazer uma pesquisa. — Olivia disse e digitou rapidamente em um site de buscas por "Isabel of France Cathedral", e o endereço de uma catedral com o mesmo nome em Washington D.C. surgiu na tela. Era aquilo, uma pista quente que ela precisava. Quanto ao resto, ela ainda precisaria raciocinar um pouco mais.

Mas ela não suportaria a ideia de trabalhar naquele enigma para só então ir até o local. Olivia salvou o endereço no bloco de anotações de seu celular rapidamente sob o olhar inquisidor de Abby.

— Você não está pensando em ir até essa catedral sozinha, esta? — Perguntou, já lendo a mente de Liv.

— Como sabe?

— É bem sua cara querer dispensar os agentes do serviço secreto para ir em algo desse tipo.

— Nós temos inimigos no meio de nós. Quem garante que algum agente secreto se revele, e me mate no meio da minha investigação? — Dissera em tom firme.

— Não vai falar nem mesmo com o seu "noivo"? — Abby perguntou e Olivia sorriu de forma marota. — Ele vai querer te matar quando descobrir.

— Se ele descobrir, eu dou um jeito. Sei como lidar com ele irritado. — Falou de maneira maliciosa e Abby revirou os olhos.

— Nunca pensei que fosse ficar tão por dentro da vida sexual do presidente. Confesso que antes era quase um sonho saber sobre isso, afinal ele estava longe de nós e imaginá-lo sendo sexy, era bacana. Mas agora, ficou ouvindo tudo a respeito do assunto e não sei se tenho mais estômago — Abby disse, em um tom irônico enquanto Olivia lançava-lhe um olhar quase assassino.

— Pare de reclamar e me ajude com um plano para sair daqui sem levantar suspeitas.

— É impossível.

— Você vive comigo há bastante tempo para saber que não aceito essa palavra.

— Eu não quero pensar em você driblando agentes do serviço secreto, isso me dá embrulho no estômago e um pânico que cresce do mais profundo da minha alma.

— Não exagera, nada vai acontecer.

— Só acho que deveria sair da Casa Branca com seus homens de guarda, e depois entrar em algum lugar que possa lhe dar a chance de escapar.

— Exatamente isso! Fiquei tão focada na ideia de sair daqui sem eles, sendo que do lado de fora, é bem mais fácil me livrar deles.

— Você está esquecendo que estamos falando de homens altamente treinados para proteger e salvar o presidente? Eles vão saber que está com planos de fuga, Olivia.

— Claro que não. — Pensou um pouco e então prosseguiu.— Nós vamos às compras.

— Sinto cheiro de plano louco.

— Nós vamos até aquela loja onde há uma passagem atrás do espelho. Lembra dela?

— A que você descobriu sem querer? — Abby perguntou e Liv assentiu.

Na verdade, Olivia não descobrira sem querer. A passagem que ficava atrás do espelho do trocador numero 001 fora indicada por sua avó, para que ela pudesse se livrar dos seguranças que a rodeavam durante a adolescência. Liv nunca contara que sua avó a ajudara, por algum motivo desconhecido até por ela mesma.

— Sim.

— Só nos resta saber se essa passagem não foi fechada.

— Eu sei que não — Disse e Abby a olhava com indagação pela certeza contida na entonação de voz da mulher.

— Eu sempre dou um jeito de confirmar que a passagem existe e ela continua lá.

— Você já se perguntou o motivo dessa passagem? Quem a criou e tudo mais?

— Eu não me importo com isso, Abby. Eu acabaria me envolvendo em mais confusão do que as que já tenho mãos.

— E isso é a última coisa que precisamos no momento. Obrigada. — Abby falou.

Olivia se levantou indo até o closet para buscar um casaco e o vestiu rapidamente. Deu uma ultima olhada rápida no espelho, retocou a maquiagem e então saíram da fortaleza, acompanhadas de homens de preto. Assim que chegaram na loja, Olivia pedira que os agentes secretos permanecessem do lado de fora, porém eles não aceitaram muito bem, disseram que as ordens dadas era expressas para que ficassem o mais perto possível da mulher.

Não se importou muito, afinal, ela entraria sozinha no provador da loja e uma vez ali dentro, conseguiria escapar sem muita dificuldade. A passagem dava acesso a um galpão, e quando saia por uma pequena porta, encontrava-se do outro lado do quarteirão. Abby fizera o que Liv pediu, e ligou para um motorista de aluguel.

Olivia colocou os óculos escuros e soltou os cabelos antes presos em um coque. E então empurrou o espelho para o lado de maneira lenta, até ser o suficiente para que ela conseguisse passar o seu corpo. Do outro lado da parede, ficou esperando Abby, que logo o fez, passando pelo buraco aberto na parede. Puxando o espelho de volta para o lugar após a sua passagem. Elas não falaram nada, grande parte era porque ambas sabiam que havia algo de muito insano acontecendo, e aquela estoria de fuga em meio ao caos que a Casa Branca vivia era arriscar demais.

Olivia não poderia deixar aquela pista escapar ou esfriar. O e-mail estava datado como recebido dois dias antes do atentado de Edison e por isso a mulher acreditava que aquilo poderia lhe ajudar. Assim que entraram no carro, pediram para o motorista para que seguisse até o endereço que Liv anotara em seu celular. A mulher respirava com dificuldade perante a ansiedade que lhe tomava conta do corpo inteiro, ela não sabia o que encontraria ou se encontraria algo, mas podia sentir que o que estava fazendo era mais perigoso do que deveria.

— Você tem certeza de que seguir em frente com isso? — Abby perguntou e Liv assentiu.

— Sim. Alias, já quero deixar avisado que eu prefiro entrar na catedral sozinha. — Olivia falou e Abby abriu a boca para protestar, porém Liv fora mais rápida. — Não adianta resmungar, Abby.

O carro trafegou pelas ruas abarrotadas de carros e pessoas que viviam suas vidas alheias ao caos que pairava sobre a Casa Branca, e aquela ideia fez com Liv renovasse suas forças. Ela precisava estar do lado das pessoas que não imaginavam o risco que corriam de serem dominadas por pessoas que só queria poder e destruição.

— Você não descobriu mais nada no e-mail? — Abby voltou a falar.

— Não terminei de olhar tudo. Mas acho que não há mais nada, eu já estava praticamente desistindo de olhar aquilo. Precisava ver o quanto de pornografia que tinha naquele e-mail.

— Será que alguma agência, a CIA ou o FBI, escondeu alguma coisa do e-mail dele? Apagou antes que sua amiga conseguisse copiar tudo ou algo assim?

— Se isso aconteceu, serei obrigada a pedir ajuda. — Liv disse, pensando em como não queria fazer aquilo.

— Fitz, parece bem interessado em ajudar, Liv.

— Essa não é a questão, Abby — Olivia dissera. — Não sei se ele vai se sentir tranquilo ao saber que estou me metendo em coisas como essa que estamos fazendo agora.

O carro parou, chamando atenção das duas. Olivia pediu ao homem para que a esperasse ali e ele apenas assentiu, Abby segurou a mão da amiga antes que ela saísse do carro, fazendo com que a mesma olhasse de volta.

— Tome cuidado — Abby pediu e Liv lançou um sorriso.

— Não se preocupe. — Liv respondeu e Abby sacudiu a cabeça em reprovação.

A mulher saiu do carro e reparou em torno de si. A igreja estava à sua frente, e era de um capricho único e raro, havia uma cúpula acima da catedral dando um estilo arquitetônico completamente diferente dos prédios que a rodeavam. A cúpula era adornada com pequenas janelas de vidros coloridos, e quando Olivia adentrou no lugar pôde ver que os vidros recolhiam toda a luz vinda de fora, lançando-a para dentro, para o ponto mais alto da igreja como se elevava a D'us com sua própria luminescência. Os bancos de madeira eram enormes, dispostos um atrás do outro em cinco fileiras bem grandes. Liv caminhou por entre duas fileiras, seus dedos roçavam na madeira áspera dos bancos enquanto ela caminhava.

Não havia ninguém ali a não ser uma velha senhora que orava de maneira devota em um canto distante, a única coisa que se podia ouvir era um eco dos sapatos de salto de Olivia a cada passo que ela dava. Olivia parou quando alcançou os pés do altar, olhou em volta e tentou fazer as palavras do e-mail se encaixarem, mas a frase "Seja o padre" não lhe parecia nada coerente. Ela se forçou a pensar, pois sabia que quem quer tenha enviado aquele e-mail, não queria que descobrissem facilmente sobre o que realmente significava. Ela olhou seu relógio de pulso, os ponteiros marcavam quatro da tarde, era uma sorte ter chegado exatamente na mesma hora marcada no e-mail.

— Posso ajudá-la? — Uma voz suave atingiu os seus ouvidos, que se virou, assustada. — Eu sou o Padre Albert. — o homem estendeu a mão e Liv o cumprimentou.

— Prazer em conhecê-lo — Olivia não citou seu nome e ajeitou os óculos em seu rosto.

— O prazer é meu, senhorita. Você já tinha vindo aqui antes?

— Não, é a primeira vez.

— Ah, sim. Achei que tivesse vindo depois das quatro da tarde. Eu normalmente saio esse horário do confessionário e o Padre Francesco chega às cinco me substituindo.

— Ah sim — Liv disse, digerindo o que acabara de ouvir e ligou aquela informação ao que tinha lido no e-mail. Depois das quatro da tarde, o Padre Albert saia e era o momento perfeito para que fizessem o que bem entendessem da igreja. — Você poderia me informar se o número 662 lhe remete a alguma coisa? — Perguntou, apesar de achar que o padre não saberia nada sobre aquele assunto.

— Na verdade, não. Mas é uma pergunta diferente — o padre respondera, pensativo.

— É, eu imaginei que fosse soar estranha. Me passaram um enigma e não sei exatamente por onde começar, e só tenho um número e o nome desta igreja.

— Brincadeira entre amigos? — padre Albert perguntara com um sorriso no rosto, Liv sorriu, pensando que o enigma não viera de pessoas que não eram tão amigas assim.

— Mas agora estou pensando bem, um lugar com bastante números por perto, e me veio o cofre comunitário que fica do outro lado do quarteirão, o lote do local faz divisa com a parte de trás da igreja. Talvez encontre sua resposta lá, senhorita — o padre olhou, — bom se não se importa, preciso ir. — o padre falou e Liv assentira. — Deixarei que faça sua prece. Ou procure pelas respostas que quer encontrar.

— Obrigada — Olivia disse de maneira branda.

Assim que o homem ia saindo pela porta lateral da igreja, Liv girou o corpo de forma lenta, analisando tudo a sua volta. As palavras do padre ainda ecoavam quando seus olhos se encontraram no confessionário, ela se lembrou da infância quando por muitas vezes era obrigada a se confessar com padres por culpa de seu pai e sua falsa religiosidade. Olivia sempre tentara entender o que se passava do outro lado do confessionário, o lado do padre talvez fosse mais interessante do que o lado que ela ficava, era o que ela achava pelo menos.

Ser padre e ouvir os segredos confessados das demais pessoas, descobrir as fraquezas. "Seja o Padre" Talvez aquela fosse a solução da frase no e-mail. Liv sentiu um formigamento em seu corpo diante da perspectiva de encontrar respostas para o que tanto ansiava, com passos acelerados fora até o pequeno confessionário. A porta do lado do padre estava entreaberta, e ela mordeu os lábios de leve, em avanço a ideia de entrar ali.

Seus dedos correram pela madeira escura da porta, antes que ela a puxasse para abrir o confessionário. Olhou em volta, e a única pessoa ali era a senhora no canto oposto de onde estava, a mulher franzina, orava da mesma maneira quando entrou ali. Os seus pés avançaram para dentro do cubículo de madeira, havia também um pequeno espaço onde ficava uma jarra de água e um copo. Sentou-se no banco de veludo, sentindo-se estranha por estar do outro lado. Estar ali não era nada do que ela esperava. Olhou em volta e depois de um tempo, reparou embaixo do banco. Não havia nada ali, quando seus olhos subiram para encarar o teto, a surpresa veio como um raio, atingindo-a com a força. Havia uma pintura em vermelho, uma flor-de-lis, e ela se lembrou do que Fitz lhe falhou sobre o desenho que havia no porta anel, e a tatuagem do homem que matara Edison. Ela simplesmente sabia que eles realmente estiveram ali, e que o e-mail tinha ligação com as pessoas que queria a cabeça de Fitz.

Saíra do confessionário com demasiada pressa, pois começara a sentir-se sufocada pela jorrada de informações que recebera de uma vez só. Sem hesitar, começou a caminhar em passou longos e largos até a saída, e reparou que a velha senhora estava na porta da igreja. Parecia esperar por ela, pois estava com os braços cruzados de forma tensa.

— Você está procurando por algo, minha querida? — a velha falou e Liv sentiu um arrepio de medo. — Todos os dias, eu venho aqui e sempre no mesmo horário. Talvez possa te ajudar.

— Eu… — Olivia procurava as palavras para desviar da mulher e sair dali o mais rápido possível, mas percebeu que estava neurótica demais. O que aquela velha senhora podeira oferecer de ruim? — Bom, já que você vem sempre aqui, nesse mesmo horário. Poderia me falar se viu alguma movimentação suspeita?

— Ah, docinho. Nada demais. Algumas pessoas entram e saem do confessionário sem ser padres, como você acabou de fazer e quase sempre saem com um pacote, não acontece todos os dias, mas sempre achei muito estranho.

— E você consegue descrever essas pessoas? Se eram homens ou mulheres?

— Ambos os sexos.

— Você chegou a ver se esse homem viera aqui? — Tirou seu celular da bolsa e procurou por uma foto de Edison, e mostrou para a senhora que assentiu com a cabeça.

— Sim, ele veio aqui duas vezes, no primeiro dia saiu daqui carregando um pacote e no outro não tinha nada em suas mãos, mas pude notar que havia uma chave em seu pescoço que não estava com ele antes dele entrar no confessionário.

— E viu se alguém estava com ele?

— Dessa segunda vez e última vez, um homem apareceu aqui sim, mas não consegui ver o rosto dele — a senhora fez uma expressão como se lamentasse por aquilo. — Mas tenho quase a certeza que era bem forte e usava uma gravata vermelha, pois esse rapaz que você me mostrou a foto, o puxou com grosseria pela gravata, eu fiquei bem assustada por que ele parecia bem desesperado.

— Eu agradeço muito pelas informações — Liv agradeceu genuinamente. — Mas preciso ir embora.

— Tudo bem, docinho. Qualquer coisa, estou sempre por aqui.

Olivia assentira, e lançou um sorriso de agradecimento para a mulher antes de seguir para fora da igreja. Ela queria contar logo para Abby sobre ter realmente encontrado uma boa pista e queria ir logo para o cofre comunitário que havia sido citado pelo padre Albert.

Mas ela estranhou ao perceber o que o carro que alugara não estava lhe esperando. Se perguntou o motivo de Abby ter saído da frente da igreja, deixando-a para trás sem nenhum aviso prévio, mas logo em seguida sentiu o pânico ao imaginar que Abby podia ter sido pega por alguém ou algo tipo. Ela olhou em volta com desespero saindo de seu olhar, e logo em seguida começou a caminhar pela calçada, esbarrando nas pessoas enquanto sentia um tremor por todo seu corpo. Como se não bastasse o indício de que sua melhor amiga havia sido capturada, ela teve a sensação forte de ser seguida, em um impulso reflexivo, olhou para trás e não viu nada mais do que algumas pessoas que parecia seguir suas vidas normais. Ela dobrou a esquina e apertou o casaco preto que envolvia seu corpo, sem diminuir o ritmo, alcançou o celular que guardara no bolso do casaco e ligou para Abby, o celular chamou até cair a ligação.

Olivia sentia sua garganta se fechando enquanto se culpava pelo que poderia acontecer com Abby, ela sabia que poderia estar apenas sendo paranoica, mas diante de todas as coisas que andavam acontecendo em sua vida, aquele desaparecimento de Abby fosse talvez algo muito maior do que uma simples volta ou algo assim. A sua intuiçao de que estava sendo seguida persistia, e ela olhou para trás novamente, e dessa vez pôde vislumbrar um homem que vestia um enorme casaco preto, sua expressão era fechada e carregada de ódio. Seu celular começou a chamar estridentemente em sua mão, e ela o atendeu sem pensar duas vezes.

— Olivia, ONDE VOCÊ SE METEU? — A voz de Fitz esbravejava do outro lado da linha.

— Fitz… — Liv falou aliviada, ignorando o grito e o fato dele estar irritado.

— VOCÊ ENGANOU OS AGENTES E SAIU POR AÍ SOZINHA. VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUÃO PERIGOSO ISSO É? — Fitz continuava a gritar, em razão de sua evidente preocupação.

— Eu sei, você poderia ao menos parar de gritar? — Liv respondeu com um resmungo.

— Me fale onde você está agora! E Tom irá buscá-la. — Fitz pediu, um pouco mais calmo. E quando Liv se preparava para responder, ouviu um aviso sonoro que seu celular estava descarregando, e então ele desligara logo em seguida.

Olivia olhou para trás, e o homem que parecia lhe perseguir, havia sumido. Ela se deu conta que estava bem próxima ao cofre, mas sua preocupação com Abby era bem maior, ela abriu sua bolsa para pegar um celular descartável que costumava usar em casos de emergência, mas antes que pudesse encontrá-lo, ouviu uma voz conhecida a chamar.

— Olivia Pope? — Ela voltou seu corpo, se virando para encarar quem a chamava. — Precisando de ajuda? Me parece aflita. Liv se perguntou se deveria pedir ajuda aquele homem, mas no calor de todo desespero que sentia, resolveu deixar seus medos de lado.

— Governador Graham! — Cumprimentou com a voz ofegante. — Eu acho que preciso de sua ajuda!