N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.
N/A²: Gentem... Vou dividir esse capitulo em duas partes, então o próximo será o 21 parte 2 ok? e obrigado pelos comentários!
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Capítulo 21 – Parte I
Havia muitos papeis nas mãos de Fitz enquanto ele estava encostado na beira da sua mesa, a sua feição carregada pela concentração e também pela preocupação. Desde que conversara com Liv e contara sobre a suspeita de que Mellie o traíra, não voltou a falar daquilo, apesar de o pensamento sobre aquilo ser insistente em sua mente. Ali, naquele momento, ele estava pensando no assunto novamente. Primeiro porque o cientista enviado pela diretora da CIA, Linda Jones, Iria até a Casa Branca acompanhado pela mulher, para explicar como funcionava o teste de DNA e pior ainda, Linda Jones estaria com o resultado do exame em suas mãos.
O coração de Fitz estava acelerado desde a hora em que ele acordara, ou talvez, seja melhor dizer "levantara", afinal, ele nem mesmo conseguiu dormir na noite anterior. E como se sentia muito ansioso, resolveu ler os e-mail que foram recolhidos para análise investigativa. Talvez se não o fizesse, se sentiria melhor. Isso por que o e-mail que se encontrava em sua mão lhe parecia boa coisa.
"Ciumes da sua protegida, Grant? Vou colocar tudo para voar pelos ares, não haverá casamento. Rosa Negra deixou um discípulo antes de ser preso pelos federais. Mas fique tranquilo, Tempest estará segura."
O desespero latente cresceu dentro de si, ocupando todo o espaço que podia e tornando o presidente um ser não tão seguro. As palavras "Rosa Negra" e "Tempest" no mesmo e-mail não lhe parecia algo bom. Rosa Negra era uma terrorista da pior espécie, dentre os crimes cometidos por ele, estava o genocídio, que é o assassinato de pessoas, motivado por diferenças étnicas, raciais e religiosas.
Rosa Negra, era conhecido por esse nome internacionalmente, mas seu nome verdadeiro era Faruk Hassan, um muçulmano legítimo que poderia ter crueldade como nome do meio. Um discípulo de Rosa Negra era a última coisa que Fitz precisava no meio daquele redemoinho. E Saber que esse discípulo jogaria tudo pelos ares, prometendo que o casamento não aconteceria, era assustador. A "Protegida" de Edison era Liv, a confirmação veio quando o codinome Tempest apareceu no corpo da mensagem.
Fitz precisava falar com Olivia naquele momento, precisava alertá-la. Alcançou seu celular no bolso, o aparelho era antigo, quando se é presidente, um smartphone se tornava algo proibido por questões de segurança. Não que Fitz se importasse, já que nunca fora realmente ligado em tecnologia. Sua única aproximação com redes sociais, por exemplo, se dava por obrigação. Sua conta mais ativa era o twitter, e ele nem mesmo digitava as postagens, ele ditava a um rapaz responsável por suas redes, e pela da Casa Branca no Facebook, fazia as atualizações e postagens.
Ele procurou o número do celular de Olivia na discagem rápida e não hesitou antes de apertar para chamá-la, e chamou até cair a ligação. Fitz esbravejou vários palavrões, sabia que Olivia tinha saído com Abby para fazer compras, mas sempre pedia que Liv se mantivesse alerta para receber suas ligações em algum caso de emergência.
Seu celular estava chamando em sua mão, o sobrenome Warren brilhava na tela luminosa do aparelho. Fitz atendeu e do outro lado da linha ouviu a voz cansada de um de seus homens de confiança, um dos poucos que ele tinha naqueles tempos complicados.
— Senhor Presidente, lamento lhe incomodar, mas pediu para que eu reportasse qualquer coisa relacionada à senhorita Pope.
— Sim. Alias, estava prestes a te ligar, já que ela não atende.
— Senhor, temo não ter boas noticias. Ela escapou da minha visão e dos homens que designei para a tarefa de protegê-la esta tarde.
— COMO?! — Fitz esbravejou, sua voz escorrendo desespero e irritação.
— Ela escapou por uma passagem secreta na cabine de troca em uma das lojas que ela entrou.
— VOCÊS SÃO TREINADOS PELA MELHOR AGÊNCIA DE POLICIA DO MUNDO, E SIMPLESMENTE NÃO DÃO CONTA DE DUAS MULHERES? EU REALMENTE ESTOU COM MINHA SEGURANÇA FODIDA SE SOBREVIVER ATÉ O FIM DO MEU PRIMEIRO MANDATO SERÁ MUITA COISA!.
— Peço perdão, senhor.
— Seu perdão não me interessa, agente Warren. Se algo acontecer com Olivia, você prestará contas ao governo — Fitz disse, desligando e tornando a discagem rápida, em busca do numero de Olivia.
Chamou algumas vezes antes que ela lhe atendesse, sua voz era rastejante e sussurrada. O que fez Fitz alarmar-se, porém não diminuíra sua irritação pela atitude infantil de Liv.
— OLIVA, ONDE VOCÊ SE METEU? — Fitz esbravejou com sua voz grossa.
— Fitz…
— VOCÊ ENGANOU OS AGENTES E SAIU POR AÍ SOZINHA. VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUÃO PERIGOSO ISSO É? — Fitz continuava a gritar, em razão de sua evidente preocupação.
— Eu sei, você poderia ao menos parar de gritar? — Liv respondeu com um resmungo.
— Me fale onde você está agora! E Tom irá buscá-la. — Fitz dissera, antes que a ligação ficasse completamente muda. — Porra!
Fitz caminhou até a porta do Salão Oval, abrindo a porta e chamando seus dois agentes que ficavam sempre de vigilância na porta. Os dois entraram, e Fitz cruzou os braços, antes de começar a falar.
— Preciso que descubram onde Olivia está. Odeio ter que fazer isso, mas ela passou dos limites ao querer fugir, sabendo dos riscos que está correndo — Fitz falara.
— Certo, Senhor Presidente — Tom assentiu com a cabeça.
— Senhor? — A voz de Cyrus lhe chamou a atenção, ele olhava pela fresta da porta.
— Sim? — Ele respondeu, solicito, porém era possível perceber a aflição de Fitz através de suas palavras.
— Espero não atrapalhar, mas Linda Jones acaba de chegar.
— Não está — Fitz disse para Cyrus e se dirigiu para seus dois agentes. — Qualquer resultado ou resposta, me procurem.
Os agentes se retiraram do Salão Oval, Cyrus entrou no recinto, e logo atrás veio Linda Jones, acompanhada de um homem alto, ele usava óculos e aparentava ser o cientista que a diretora da CIA prometera.
— Senhor Presidente — Linda dissera. — É um prazer revê-lo. Esse é Edward Nolan, meu melhor perito e cientista, eu o trouxe para explicar melhor sobre o procedimento do exame.
— Sempre é um prazer vê-la, senhora Jones — Fitz a cumprimentou e em seguida estendeu a mão para o homem. — Um prazer conhecê-lo, senhor Nolan. Fico agradecido que tenha se permitido tirar uma parte do seu tempo para tirar algumas dúvidas minhas.
— Eu fico honrado de poder ajudá-lo de alguma forma, senhor. — Edward parecia realmente empolgado por estar ali. Uma chance de conversar diretamente com o presidente, e mostrar que não era só mais um cientista por aí.
— Cyrus, poderia nos deixar um pouco a sós? — Fitz pediu ao amigo que estava parado perto da porta. Ele assentiu com a cabeça antes de se retirar do local.
— Bom, pode ficar à vontade, senhor Nolan. Quero saber como se dá esse exame. Ele é confiável mesmo? Dá pra ser feito mesmo com pouco tempo de gravidez?
— Sim, é altamente confiável. O exame pode ser feito a partir da décima semana de gestação — o homem começou a explicar. — o DNA é o mesmo em qualquer tecido do corpo. Assim o teste em DNA pode ser feito em qualquer célula e tecido do corpo. Assim o teste em DNA pode ser feito em qualquer célula e tecido, inclusive antes do nascimento do bebê. Para o teste pré-natal o tecido do feto é obtido durante a gestação com uma coleta de vilo corial, também conhecido como tecido placentário ou do líquido amniótico que envolve o feto. A coleta de vilo corial é uma aspiração de células da placenta que são geneticamente iguais ao feto e pode ser feita a partir da decima semana de gestação. A amniocentese é a coleta do líquido amniótico que contem células fetais, e pode ser realizada a partir da décima quarta semana de gestação.
— Esse teste que a senhora Jones trouxe, foi feito através dessa da coleta de vilo corial?
— Sim, nesse caso, a paciente estava em sua décima segunda semana de gestação e o procedimento feito foi através do tecido da placenta. Alias, fazemos o mesmo teste, várias vezes. Isso para que não reste duvidas quanto ao resultado do mesmo. — Nolan disse e Fitz assentia, sua expressão precavida e ilegível.
— Certo. Acho que só me resta é ler esse resultado. — Fitz disse, seu tom era seco.
Linda Jones se aproximou do presidente, entregando-lhe o envelope pardo com letras garrafais escarlates formando a palavra "CONFIDENCIAL" estampada no papel grosso. Fitz sentiu a textura do envelope em seus dedos trêmulos e percebeu que ultimamente as notícias ruins vinham sempre enfiadas em envelopes. Esperava que daquela vez, fosse diferente.
— Boa sorte com o resultado, senhor. — Linda dissera e Fitz assentiu,
— Obrigado — Fitz lhe dissera, antes que a mulher deixasse o local acompanhada do perito. O presidente estava sozinho, olhando para o envelope em suas mãos, seu coração ricocheteando nas costelas, o sangue correndo fortemente pelas veias de seu corpo. Dentro daquele envelope estaria sua paz, ou o começo de um novo furacão.
As mãos grande e macilentas de Patrick Graham, envolveram os braços de Liv que parecia prestes a derramar lágrimas pela amiga que desaparecera de sua vista. Olivia já se sentia culpada pelo ocorrido, mas tudo pareceu ganhar cor novamente em questão de segundos.
— Liv? — A voz de Abby chamara a mulher, fazendo com que ela se virasse, livrando-se das mãos gordas e maciças do governador.
— Abby! — Olivia se aproximou da amiga que veio caminhando até ela. — Onde você se enfiou?
— Eu vou te explicar. Acabei me enrolando um pouco — Abby falou, seus olhos fixados em Patrick, Liv notara, porém acabou por achar que fosse coisa de sua cabeça.
— Certo — Disse e se virou para Patrick. — Obrigada Senhor Graham. Mas acho que já resolvi meu problema, achei que tivesse perdido Abby.
— Ah, claro. Achou que algo tivesse acontecido com ela? — Patrick perguntou e Liv assentiu — Está mais do que certa em se preocupar, essa cidade anda muito perigosa.
Olivia se despediu do homem, rapidamente, e seguiu para o motorista que havia alugado, ela tentava entender o motivo de Abby ter sumido, mas assim que entraram no carro, Olivia foi logo perguntando o que tinha acontecido.
— O que você estava fazendo? Eu fiquei muito preocupada.
— Então, você vai achar que é viagem da minha cabeça, mas eu tinha certeza que havia um carro próximo ao nosso, parecia nos vigiar, sabe? — Abby falava, gesticulando com as mão, volta e meia roía uma unha.
— Não é viagem, estamos cercados. — Liv falou
— E o mais estranho é que eu vi o Governador Graham chegar perto da porta da igreja, e recuar após olhar na direção do nosso carro. Eu sei que ele poderia estar indo até a igreja, mas achei suspeito.
— Ele nunca foi religioso — Liv disse, pensativa, — será que ele pode estar envolvido? Ele não parece avesso à candidatura de Fitz, mas nunca demonstrou estar cem por cento com ele.
— E sem contar que tem aquela história louca com Alicia, lembra?
— Puta que pariu! Ele deve estar envolvido! Será que ele matou Alicia? — Liv sentiu seu coração retumbando em seu peito, um gelo estranho no estômago. — Motivos para isso ele tinha de sobra.
— Eu acho que você deveria ligar para o Fitz agora mesmo e contar sobre isso, Olivia.
— Mas meu celular descarregou, Abby
— Eu penso por você — Abby disse, abrindo sua bolsa e vasculhando a mesma antes de retirar o aparelho e entregar para Liv. — Por isso trouxe o celular descartável, que aliás é bem melhor, já que não deixará registros de conversas. Ligue para ele.
Olivia segurou o celular e dicou o número do celular, também descartável, de Fitz. O homem atendeu nos primeiros toques, parecia aflito, sua voz era temerosa.
— Olivia? — Fitz perguntou.
— Sim, sou eu. Me desculpe não ter ligados antes, me desculpe por ter fugido. Não fique irritado, e me escute.
— Sim — Fitz falou, sem nem mesmo uma faísca de ânimo em sua voz, mesmo que fosse para brigar com a mulher.
— Está tudo bem? Sua voz me parece péssima.
— O resultado do exame de DNA está em minhas mãos, Olivia. Eu não tenho coragem de abrir. — Liv se assustou com a força que Fitz usou para falar. Seria possível que ele estivesse chorando? Não, mesmo. Era Fitzgerald Thomas Grant do outro lado da linha, aquele homem era de ferro.
— Estou indo para a Casa Branca agora mesmo, Fitz. — Liv disse, antes de chamar o motorista que aguardava, do lado de fora do carro, pelas próximas ordens dadas pela mulher.
— Sim, Senhorita? — O motorista atendeu Olivia quando ela baixou o vidro do carro e o chamou.
— Me leve de volta para o local em que combinamos para que nos pegasse mais cedo.
— Claro! Agora mesmo — ele respondeu com um aceno de cabeça, antes de entrar no carro e dar partida no mesmo.
Durante o trajeto ela permaneceu em silencio, pois sabia que não poderia tratar de assuntos sérios ou contar o que vira e ouvira dentro da igreja para Abby, teria que esperar estar em segurança. Isso se a Casa Branca estava mesmo segura, por mais louca que essa duvida pudesse ser, era a grande interrogação na cabeça de Olivia.
Assim que chegaram ao local, Olivia percebeu o número crescente de homens de preto, todos sérios, vestindo seus ternos caros e bem alinhados. O serviço secreto não economizava quando o assunto era vestimenta.
Um dos agentes se aproximou de Olivia e o motorista do carro alugado olhava para Liv e Abby, sem entender o que estava acontecendo. Olivia abriu sua bolsa e retirou uma quantia em dinheiro, entregando-a ao motorista para pagar pelo serviço.
— São meus seguranças — Olivia dissera e lançou um sorriso para o motorista que parecia atônito e assustado. Os agentes do serviço secreto se aproximaram e empurraram o motorista, encostando-o no carro, antes que Olivia pudesse protestar. — Eu o contratei. Ele está limpo! — Olivia protestou.
Olivia foi puxada por um dos agentes, que rodeara os braços em volta dela e a guiava até o carro que esperava por ela. Liv entrou no carro blindado, sendo seguida por Abby. Liv sabia que estava errada por ter mentido e por ter arquitetado tudo aqui. Algo realmente ruim poderia ter acontecido.
— Filhos da mãe! Acham que são meus donos! — Olivia esbravejou
— Liv, eles estão suspeitando até dos próprios colegas de serviço. Não acha que eles revistariam um homem que viram e que nem sabem de que se trata?
— É, eu sei que você está certa, mas ele não precisavam ter tratado o homem daquele jeito.
— Ai não seria o serviço secreto — Abby concluiu com precisão.
O agente Warren abriu a porta, entrando no carro em seguida, e Liv sentiu-se imediatamente mais segura, pois apesar de todas aquelas duvidas de quem poderia estar infiltrado dentro da Casa Branca, confiava no agente Warren.
— Tempest está a caminho da fortaleza — a voz de Warren preencheu o carro, ele falou através do transmissor, poucos segundos antes de o agente que dirigiria o carro entrasse e se preparasse para dar a partida no carro.
— Você vai contar ao Fitz o que descobriu e sobre suas suspeitas sobre o governador? — Abby perguntou e Liv assentira.
— Eu só não sei se farei isso hoje. Ele já está carregando problemas demais para ter que lidar com isso no momento. — Pior ainda, a maneira e entonação da voz do presidente. Ele não estava bem, e ela sabia daquilo com suficiente clareza para que não tornasse aquele dia ainda mais desagradável para o homem.
A biblioteca da Casa Branca nunca parecera tão assustadora quanto Fitz sentia aquela noite. Ele estava deitado no sofá de couro marrom, não parecia em nada com um presidente naquele momento. Estava sem terno, vestindo a camisa social branca com as mangas dobradas até a altura dos cotovelos, a calça social preta não parecia tão alinhada quanto estava na manhã daquele dia. Fitz carregava um olhar cansado, cheio de receios e dúvidas que poderiam ser resolvidas e respondidas se ele abrisse o envelope que estava sobre seu abdômen, que subia e descia lentamente por conta do ritmo de sua respiração.
Ele passou uma de suas mãos pelos cabelos, desalinhando-os, ainda que continuassem com uma aparência quase organizada, um fio escapara do penteado e pendia em sua testa, dando-lhe o ar de abandono. O presidente ergueu um pouco de seu tronco, alcançou o copo de whisky que havia servido meia hora antes, e bebeu um gole, seus olhos captavam a fonte única de luz daquele lugar, a lareira rústica.
As batidas que vieram da porta da biblioteca fizeram Fitz resmungar, ele acreditava que pudesse ser algum empregado desobedecendo sua ordem expressa de não ser incomodado. Estava farto de bancar o bonzinho, mandaria todos à merda naquela noite, e toda a imagem melhorada de si mesmo que criara nos últimos tempos, iria por água abaixo.
A porta abriu e revelou sua assistente de relações-públicas, os cabelos loiros, sempre impecáveis, os lábios esticados desenhando um sorriso misterioso que ao mesmo tempo revelava muito.
— Posso entrar? — Ruby perguntou.
— Porque pede permissão de algo que já fez? — Fitz perguntou em um tom seco, mas a mulher não pareceu notar, ou fingiu não fazê-lo
— Me pareceu bem tenso quando saiu do Salão Oval e disse para que não o perturbasse.
— Exatamente por estar tenso, não queria pertubação — Fitz disse, bebendo o resto do whisky em seu copo. Ruby se aproximou e agachou-se diante do sofá de couro, estendeu sua mão e acariciou o queixo do homem.
— Você lembra do que fazíamos quando se sentia assim? Eu sempre dava o remédio que melhorava seu humor de forma rápida — Ruby falou e Fitz assentiu.
Era sexo, puro e selvagem. Ruby cuidava desse assunto com uma habilidade inquestionável. Mas os problemas daquela época era outros, sua decadência na politica não se comparava aos inimigos que tinha agora, nem às ameaças de morte que rondavam sobre sua cabeça ou sobre a cabeça de uma terceira pessoa. Alias, terceira pessoa que tinha um timing perfeito. A porta da biblioteca abriu, justamente enquanto Ruby acariciava os cabelos de Fitz e estava com seu rosto bem próximo do homem Olivia entrou no local. Os lábios de Liv se entreabriram, ela estava em busca de palavras mas elas pareciam entaladas, travada na sua garganta por culpa da surpresa da cena que estava presenciando.
— Me desculpem — Liv dissera e ia saindo do local, mas voz de Fitz a alcançou rapidamente.
— Liv, eu estava te esperando — Ele dissera, fazendo com que Olivia se virasse e o encarasse. Ruby estava de braços cruzados e mantinha sua expressão fria.
— Percebi — Liv disse de maneira irônica, lançando um sorriso para Ruby.
— Eu vou deixar vocês a sós — Ruby disse, antes de caminhar e sair da biblioteca.
Olivia nem se dera ao trabalho de olhar na cara da mulher. Liv sabia que o que ela e Fitz tinham era só sexo, e que ela não podia querer simplesmente com que Fitz gostasse dela, ela não podia se sentir dona dele. Mas porque se sentia tão mal pela cena que acabara de presenciar?
Era isso que ela se perguntava, sentindo um aperto no peito que não parecia passar, e aliás, parecia piorar quando ela olhava a feição de Fitz de naturalidade, era como se aquele pequeno momento com Ruby fosse algo normal.
"Será que ele andara se escondendo pelos cantos da Casa Branca com ela?", Liv indagava com relutância.
— Então, você abriu o envelope? — Olivia perguntou, desviando do homem e indo até o sofá de couro em que ele estava, ela arrancou as sandálias e jogou a bolsa no chão. Fitz fechou a porta e trancou a mesma, antes de voltar-se na direção do sofá e caminhar até que alcançasse e se sentasse ao lado de Olivia. Fitz notara que ela estava um pouco arredia e talvez irritada. Ele se perguntava o motivo de tal irritação, já que quem deveria estar irritado, era ele por ela ter sumido durante todo o dia, não que ela devesse satisfações para ele , mas diante das ameaças que se repetiam, a mulher deveria imaginar o quanto ele ficaria desesperado.
— Ainda não. — Fitz alcançou o envelope que estava entre os dois, em cima da mobília de couro. — Você parece irritada — Fitz afirmou, e Liv negou com a cabeça.
— Estou bem.
— Tem certeza? — Ele indagou.
— Tenho. Que tal você abrir logo o envelope? — Liv respondera com uma dose de raiva gotejando enquanto as palavras saíam de sua boca. — Acho que precisa saber da verdade, Fitz.
— Sabe o que eu acho? Que vou deixar esse maldito envelope de lado, Liv — Disse, largando o envelope em cima da mesinha ao lado do sofá, e se aproximando de Olivia em seguida.
— Passei boa parte do dia pensando nisso. Acho que quero esquecer um pouco desse assunto.
— Claro. Você estava prestes a fazer isso com Ruby quando abri a porta, certo? — Liv quis morder a língua por ter dito aquilo, mas já era tarde demais. — Estava prestes a esquecer esse assunto.
— Por favor, não me diga que está pensando que eu e Ruby acabaríamos…
— Trasando em cima desse sofá? — Liv finalizou a sentença e prosseguiu em um tom calmo e ameno. — Tenho certeza que sim, estavam próximos o suficiente para que isso ocorresse, mas me poupe de qualquer explicação, não temos nada sério, nosso relacionamento é forjado. Só acho injusto que eu não posso me envolver com ninguém, e você se envolve com qualquer uma, inclusive sob o teto da Casa Branca.
— E você tem interesse em alguém para achar isso tão injusto? — Fitz perguntou, tornando-se irritadiço.
— Até parece que tenho tempo para isso. Tenho vivido em função da sua candidatura, acreditando nos ideais que você propaga todos os dias. O que me irrita ainda mais, porque não posso nem mesmo cogitar a possibilidade de virar as costas para você — Liv deu um suspiro profundo. — Vamos abrir logo esse envelope, Fitz. Você lida com guerras, não pode deixar que o resultado desse exame te abale.
Liv levou e foi até a mesinha que Fitz colocara o envelope e o segurou entre os dedos, e estendeu para Fitz, que não respondera com palavras, apenas com o olhar receoso. Fitz agarrou o envelope, puxando-o da mão de Liv.
Com mão trêmula, Fitz rasgou o envelope, e o abriu, alcançando os papéis dentro dele. Seus olhos percorreram sobre as letras e números, palavras que ele nem mesmo entendia. Mas ao final dos exames, havia algo que ele sabia bem o que significava.
Resultado: O suposto pai está excluído de ser pai biológico do feto.
