N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.
N/A²: Por que gosto dos momentos fofos... é sempre bom antes de uma bomba.
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Capítulo 21 – Parte II
— Fitz, eu… — Liv, abriu a boca, porém não sabia nem por onde começar. Sentia falta de ar, provinda da incredulidade das palavras que saíram da boca de Fitz. A mão do presidente que segurava o papel, tremia violentamente, e sua outra mão estava em seu queixo. Dentro do homem acontecia uma reviravolta intensa e dolorosa. Um castelo de cartas caía, ruindo todas as coisas nas quais ele acreditara até então.
Olivia deu um passo à frente, Fitz ainda mantinhas os olhos marejados fixados no papel em sua mão. Liv não sabia o que fazer, mas seu coração doía junto com o do homem que estava diante de si e quando um som sôfrego escapou de seus lábios, ela se deu conta do sofrimento profundo que atingia a alma daquele homem.
Sem pensar muito ela segurou o papel que Fitz prendia com força entre os dedos, arrancando-o da mão forte dele, o homem comprimiu os lábios um no outro com tal intensidade que pareci querer fundi-los. Liv queria acreditar que o presidente não estava prendendo o choro diante dela.
Mas ele estava.
— Como ela pôde? — Disse, e então uma única lágrima escapou de seu olho.
Toda a dor da morte da mulher e do filho que outrora fora seu, vinham ao pensamento com um dominó que caía, peça por peça. O desespero, a culpa, a intensidade de seu luto, e o resultado de todo aquele desgastante sofrimento que o transformara em um homem frio, fechado e descrente da vida. Mellie o destruíra de forma avassaladora, a adorável e plácida mulher havia mentido, persuadido e traído o homem que a amara de forma verdadeira. Traições pesadas, tais quais, nada no mundo poderiam mensurar.
— Eu não sei — Olivia respondera com a clareza da dor que partilhava com o ilusório noivo. — Mas sei que a dor que sente agora está acabando com tudo dentro de você. Acredite, você tem o direito de sentir tudo isso e de colocar tudo para fora também.
Fitz a olhou por alguns poucos segundos, com os olhos avermelhados, irritados pelas lágrimas salgadas que os banhavam. Quando o cenho do homem franziu, Liv temera que o pior poderia ter acontecido, mas ela relutava em acreditar que aquilo aconteceria. Olivia sabia que diante da grande revelação que acabara de ser feita, Fitz poderia ter duas opções. Uma delas, era de se abrir e deixar que os sentimentos enraizados falassem mais alto, mas havia também a segunda opção, e esta era a que Fitz se tornaria mais fechado do que antes.
— Eu preciso ficar sozinho — Falou, em um tom pesado.
Livrando-se de Liv com facilidade, se dirigiu até a porta da biblioteca sob o olhar atento da mulher que sentia como se todo avanço que fizera até então no comportamento de Fitz tivesse ido por água abaixo.
Ela se perguntava se daquela vez ele se reergueria da escuridão que parecia tomar conta de seu corpo e de sua mente. Na verdade ela fazia preces aos céus e esperava que fosse ouvida. Liv estudou o resultado do exame em suas mãos, atentando-se a cada palavra lida e sabia que não conseguiria encontrar outra resposta ali.
Edison nunca mentira sobre aquilo, e fosse lá quem estivesse por trás das mortes e ameaças, sabia de tudo, ou melhor dizendo, controlava tudo. Aquilo fizera Liv se arrepiar por dentro e por fora.
O celular descartável de Olivia chamou e ela se dividiu na dúvida de ir em busca de Fitz e tentar ajudá-lo, ou atender e deixá-lo um pouco sozinho. Ela olhou na tela de seu celular e o número de Abby estava nela, ela ignorou a chamada e foi atrás do homem, suas pernas pareciam ter tomado a atitude por si.
Em passou rápidos, ela se desembalou até a porta do quarto do presidente, o coração palpitando e o sangue correndo em suas veias enquanto seu olhar corria para o desespero, e o medo do que encontraria quando visse Fitz. Ela temia que não fosse conseguir ser forte para o homem, e ela sabia que precisava ser durona naquela situação, precisava apoiá-lo de maneira incondicional.
Ela entrou no elevador e apertou para o andar acima e enquanto a caixa de metal subia, ela roía as unhas, impaciente. Os agentes do serviço secreto lançaram-lhe um olhar rápido quando ela passou por eles, e não titubearam ao sair do caminho dela quando ela fez menção de abrir a porta do quarto.
O som do chuveiro podia ser ouvido com clareza pelos ouvidos apurados de Olivia, e ela se lembrou da última vez que uma cena parecida com aquela acontecera, porém as circunstancias daquele dia eram tão diferentes das do atual. A nostalgia esmagou-lhe por dentro, e foi impossível reprimir as saudades de quando tudo lhe parecia mais fácil. Cada semana era uma novidade diferente, e cada vez as coisas pareciam complicar mais do que parecia ser possível.
Olivia tirou os sapatos com creme de salto, e deixou os pés sentirem o vento gélido que entrava pela porta da sacada. Seus pés caminharam pelo tapete fofo que cobria parte do chao do enorme quarto e quando alcançou a maçaneta da porta do banheiro, tomou folego como se junto com o ar entrasse uma dose de coragem em seus pulmões, invadindo-lhe todo o corpo.
A mulher girou a maçaneta com cautela, desejando não assustar Fitz, e abriu a porta de maneira lenta. Uma vez do banheiro branco, Liv olhou para o box de vidro, e a fumaça formada pelo vapor saido do chuveiro quente embaçava um pouco sua visão. Ela se aproximou, e conforme se aproximava, enxergava melhor. Quando conseguiu ver através da cortina de vapor, arrependeu-se, pois a visão que tivera a fez se sentir pequena e uma tristeza avassaladora abalou profundamente cada canto de seu ser.
Fitz ainda estava com sua camisa e calça social, os sapatos estavam jogados de qualquer jeito no chão frio de mármore branco, assim como o terno que também estava abandonado sob as mesmas circunstancias. O presidente tinha a testa encostada na parede do banheiro, enquanto o jato de água quente escorria pelas suas costas, fazendo com que a camisa grudasse no local. Liv levara uma das suas mãos até a boca, em parte pelo choque por ver que um homem tao poderoso parecia tao vulnerável, e por outro lado por sentir a mesma dor. Era como se fosse com ela, a mulher sentia como se tivesse acabado de descobrir que havia sido traída por alguém que amava muito.
A mão esquerda de Fitz segurava um copo de whisky, e Liv resolveu se aproximar, seus passos eram lentos e plácidos, não queria chamar a atenção do homem ou assustá-lo, pois a reação dele ao vê-la por ali talvez não fosse muito boa.
O orgulho dele havia sido ferido, e um homem de orgulho ferido sente vergonha até da própria sombra. O box estava entreaberto, e Olivia entrou nele, tocou no braço do homem que de início não tivera nenhuma reação, a mulher sentia a água respingando em várias partes de seu corpo, e logo estava começando a encharcar com a água do chuveiro. Fitz levantou a cabeça devagar, com uma calma que afligia Liv ao extremo.
Quando os olhos azuis transtornados de Fitz encontraram os seus, ela sentiu-se temerosa e ao mesmo tempo piedosa, mesmo que muitos considerassem aquele um péssimo sentimento para se ter naquele momento.
— Eu disse que precisava ficar sozinho — Fitz disse, sua voz era amarga.
— Não me interessa o que disse, Fitz. Acho que já devia ter percebido que não está mais sozinho, estamos juntos para tudo. Para o que der e vier — Liv disse de maneira dura, porém graciosa.
Fitz pareceu ponderar alguns segundos, seus olhos vacilaram um pouco, não havia rastro de lágrimas, mas havia ali o peso do ressentimento. O quer que fosse que Fitz sentira pela primeira esposa, havia se transformado em desgosto. Ele colocou o copo sobre o pequeno suporte de shampoo. Liv aproximou-se, enfiando seu corpo debaixo do jato quente, seu corpo colou-se ao de Fitz, que a olhava pensativo. Olivia o abraçou de forma singela, colocando os braços em volta do corpo forte dele, seu queixo descansava sobre o peito encharcado dele.
Fitz sentia uma vontade infinita de se afastar, temia que ela pudesse fazer algo como o que Mellie fizera. E se ele confiasse e ela não correspondesse com o mesmo nível de fidelidade? E não era apenas no relacionamento forjado dos dois, ele pensavam em sua carreira politica também.
— Você sabe que se guardar essa mágoa, será pior, não sabe? — Olivia perguntou, de maneira suave. — Tudo bem chorar pelas dores que sentimos, Fitz. Eu não vou te julgar e somos só nos dois aqui.
Fitz sabia que não importava, já estava atolado naquele sentimento que lhe tomava por completo. Se esconder, correr e viver no mundo negro que o abrangera durante tanto tempo, estava fora de cogitação. As mãos de Fitz pesaram sobre a cintura de Liv sobre o tecido fino da blusa branca que ela usava, sua cabeça pesou nos ombros da mulher que o abraçava fortemente. A barba que começava a crescer, arranhando fracamente o pescoço de Liv.
— Minha maior tristeza é saber que mantive o luto por alguém que mentiu e me traiu. Quantos mais estão fazendo isso, Liv? Eu nem sei em que devo confiar mais — a voz grossa, porém trêmula que saíra da boca do presidente fez com que Liv sentisse seu estômago despencando. — E claro, a criança não seria minha. Tentei por anos entender a dor de ter perdido um filho que nem ao menos nascera, mas saber que ele não era meu, me dói ainda mais. E agora… agora é tarde, provavelmente não serei um pai mais.
— Não posso entender sua dor, mas acredite quando digo que a sinto com cada pedacinho meu, pois é a mais pura verdade — Liv dissera, acariciando os cabelos da nuca do homem, que respondia acariciando a cintura dela.
— Obrigada por aguentar tantas coisas comigo, Liv. Quando te ofereci o acordo, não esperava que isso tudo fosse acontecer e tornei sua vida em um inferno.
— Não dá para esperar que coisas desse tipo aconteçam, Fitz. Toda essa conspiração maluca, e essa descoberta que mais parece mentira, e essa descoberta que mais parece mentira, acontecerem no decorrer do percurso. Não podemos mexer com o destino.
O silêncio se fez presente daquele momento em diante, ambos debaixo do chuveiro que jorrava a água quente, fazendo com que ambos se molhassem mais e mais. O abraço não se desfizera, enquanto o único barulho audível era o da água caindo e escorrendo, a mente de ambos estavam falando sem parar. Na cabeça de Fitz, passavam flashes de quando Mellie ainda estava viva, ele procurava algum indício da infidelidade da esposa que morrera de maneira suspeita e dolorosa. Mas a imagem dela sempre sorridente e passível de suas palavras eram as únicas que vinham, o que levava Fitz a concluir que a mulher era uma ótima atriz.
Ele agradecia por ter a graciosa e determinada mulher que o envolvia com os braços cálidos, de alguma maneira, Olivia o havia melhorado e Fitz sabia que sofreria muito mais, se não fosse por Liv. No fundo, ele estava muito decepcionado com Mellie, mas o maior pesar em seu coração era o fato de nunca ter sido o pai do filho que a falecida mulher carregava no ventre.
Enquanto isso, Liv tentava entender o sentimento esmagador que lhe apertava o peito por ter visto o homem que estava em seus braços tão perto de sua assistente. Era ciúmes, ela sabia disso, mas negaria enquanto pudesse, pois sabia que teria que admitir o sentimento maior caso assumisse.
Ao mesmo tempo, ela se perguntava se conseguiria lidar com um casamento arranjado caso estivesse realmente se apaixonando pelo presidente, a ideia lhe fez revirar o estômago, passar anos ao lado de alguém que não sentia o mesmo por ela. Seria no mínimo muito doloroso acordar casada com alguém que não nutria o mesmo sentimento de volta.
O que a mulher tinha certeza era que estaria ao lado do homem para tudo que ele precisasse, o sentimento de fidelidade crescera de forma impassível dentro dela, diferente de como acontecera com Mellie.
Algum tempo se passara e ambos saíram dali, se enxugaram e Liv nem mesmo cogitara a possibilidade de ir até seu quarto. Vestira uma das camisas do homem, umas das cuecas dele e se embrenhara debaixo do edredom da cama. Fitz saíra do banheiro e aparecera pouco tempo depois no quarto, vestia apenas uma calça de flanela cinza, seu abdômen definido à mostra chamava atenção, enquanto ele secava os cabelos de maneira espontânea e casual.
Um sorriso fraco surgira em seu rosto quando se deparou com Liv deitada em sua cama, ele largou a toalha sobre o sofá que fazia parte da mobília do quarto presidencial. Aproximou-se da cama, e curvou-se sobre a mulher, deixando seu rosto bem próximo do dela.
— Jura que resolveu dormir na mesma cama que eu? — Fitz perguntou, seu tom era malicioso e fez Olivia sacudir a cabeça de maneira negativa, enquanto um sorriso brotava de canto.
—Estou me arrependendo, porque pelo seu tom vejo que não precisa de mim aqui esta noite. Aliás, você arruma companhias de maneira fácil, não é? — Liv comentou, irônica.
— Epa, esse tom não é bom. Estou certo? — Fitz perguntou, com uma das sobrancelhas erguida.
— Foi apenas um comentário, Senhor Presidente.
— Vou calar essa boca antes que comece a falar besteiras, senhorita. Vejo que está cheia de ideias estapafúrdias na cabeça — Fitz disse, aproximando seus lábios dos de Liv. Ele mordera o lábio inferior dela que logo correspondeu, puxando-o para um beijo caloroso. Fitz subiu na cama, continuando com o beijo quente, e quando separaram os lábios, ele se enfiou embaixo do edredom antes de puxar o corpo da mulher para junto do seu.
— Você me traz pensamentos insanos sabia? Eu só consigo pensar em como quero essa cama contigo todas as noites. — Ele falou,
— Ao que tudo indica seremos obrigados a fazer isso em breve, já que serei sua esposa. Seria muito estranho se os empregados da Casa Branca notassem que não dividimos o quarto — Liv disse, esperando que ele dissesse que queria mais do que dividir a cama com ela com.
— Aliás, tenho uma notícia para você — Ele começou a falar, e envolveu a cintura da mulher. — Eu tivesse acesso a um e-mail de Edison hoje. Antes de receber a visita da Linda, e encontrei uma mensagem intrigante e assustadora.
— Que mensagem era essa? — Liv perguntou com curiosidade.
— Falava sobre nosso casamento não acontecer, sobre tudo ser jogado pelos ares.
— Ameaça velada de atentado terrorista em um e-mail? Era isso que David comentou com Abby — Olivia disse encaixando as peças.
— Como? O que David disse?
— Ele disse que haviam investigado o e-mail de Edison e que encontraram algo que o espantou — disse, pensativa. — Provavelmente, era esse e-mail.
— Os homens do serviço secreto decidem a minha vida, Olivia. Mesmo que essa ideia não me agrade ultimamente, eles organizam e criam táticas de segurança, e ao que tudo indica nosso casamento que aconteceria dentro de quatro ou cinco dias, acontecerá antes disso.
— Antes? Mas já estamos em cima do dia, Fitz.
— Dois dias, ou seja, depois de amanha.
— Você só pode estar maluco!
— Não estou, Olivia. Estaria se deixasse o mesmo dia, ou se adiasse, pois ai daria tempo para que eles planejassem e tentassem outro ataque. Depois de amanha, eles serão pegos de surpresa. De qualquer forma, já está tudo preparado, certo?
— Sim, tudo será feito pelas pessoas que trabalham aqui, e acho que eles conseguem trabalhar sob pressão, por terão que mudar todos os planos para serem resolvidos amanha, ou não ficara pronto em tempo hábil — Olivia falara em tom de desespero, se levantando da cama em seguida. — Preciso conversar com…
— Com ninguém — Fitz disse, segurando a mulher pela mão e puxando-a para sim. — Amanha você resolve isso, Liv. essa noite eu preciso de você, mais do que imagina.
— Você quer fazer sexo para curar sua tristeza? — Perguntou sem rodeios.
— Não. Eu quero sentir seu cheiro enquanto durmo, ouvir o som da sua respiração regulada e ritmada enquanto dorme em meus braços. Posso ter isso? — Fitz perguntou e Liv se odiou por deixar que seu coração falasse mais alto.
A resposta ficou presa na garganta, mas o olhos responderam por ela. Liv voltou a mergulhar o corpo por baixo das cobertas, o homem logo a puxou para ficar de volta em seus braços, depositou um beijo no pescoço de Liv, antes de morder o queixo dela.
— Não estou me sentindo bem por motivos óbvios, mas amanha falaremos sobre o que ocorreu hoje. Quero entender o motivo de ter fugido dos homens do serviço secreto, tenho certeza de que se meteu em alguma confusão hoje.
— Eu não quero falar sobre isso agora e estragar mais ainda seu dia. — Disse, fechando os olhos e o abraçando com força. — Mas estamos lidando com algo grande, Fitz. Grande demais.
Ele não tinha dúvidas daquilo.
A sua campanha eleitoral. A conspiração. Seus sentimentos por Olivia. A dor que a mentira e traição de Mellie estavam lhe causando.
Definitivamente, ele estava lidando com coisas grandes demais. A pergunta era se ele suportaria tudo aquilo até o fim. A resposta ele só saberia no final de tudo, e ele mal podia esperar para que chegasse logo, pois o único desejo era claro e evidente em seu peito, era que pudesse voltar a viver em paz. Se seu eleitorado soubesse tudo que estava acontecendo, ele seria expulso da Casa Branca a pontapés.
Naquela noite, ele custara a dormir, acreditando ser a maior vergonha de todos os presidentes já eleitos pelo país.
