N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

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Capítulo 22

Um dia de melancolia intensa foi o que se seguiu para Fitz. De alguma forma, o dia seguinte lhe pareceu muito pior do que a noite anterior, a noite em que descobrira a verdade sobre o filho que Mellie carregava. Olivia se ocupou com o casamento e os dois quase não se viram durante todo o dia. Fitz trabalhou arduamente em sua campanha, visitando um hospital e uma escola.

Mas a dor pungente o perseguia sem misericórdia alguma. Quando se deu conta, um novo dia amanhecera e lá estava ele diante de mais uma decisão importante que tomara. Talvez não fosse tão considerável no começo, mas naquele ponto da história, se tornara uma das coisas mais importantes de sua vida no momento.

A inconfundível voz forte da cantora Ella Fitzgerald ecoava pelo quarto do presidente, enquanto a melodia doce da música "My Funny Valentine" preenchia os ouvidos de Fitz. A tradição familiar de ouvir jazz, beber whisky e fumar um charuto pegara Fitz de jeito, mesmo que ele tentasse escapar. Ele acabara por deixar o charuto de lado, mas o gênero musical acompanhado de um copo de um bom whisky permanecera.

Ali estava ele, sentado em sua cama, lendo o jornal e bebendo whisky. Sim, às 7 horas, mas aquele dia era especial, ele precisava de uma garrafa da bebida para garantir que aguentaria até o fim sem pestanejar ou cometer algum erro. Um contrato o levara até aquele dia. Uma mulher adoravelmente tentadora e teimosa o deixara naquela situação.

E além do fato de o dia de seu casamento com Olivia ter chegado, ele ainda amargava em seu âmago a notícia que tivera dois dias antes sobre a sua até então querida Mellie, que agora se tornara mais uma que lhe apunhalou pelas costas.

Alias, ele tentava não absorver a ideia de que todas as pessoas que o rodeavam pudessem querer destruí-lo, mas não conseguia. Não podia confiar em quase ninguém mais. Sentia-se sozinho. E talvez, a única pessoa que o confortava, era Liv.

Algumas batidas ressoaram através da madeira grossa da porta do quarto, e Fitz se virou e encarou os olhos desesperados do amigo de sempre, Cyrus.

— Bebendo essa hora da manhã, senhor? Já não bastou o tanto de álcool ingerido na noite anterior? — Cyrus falou em um tom reprovador e Fitz riu, colocando o copo em cima da mesinha de cabeceira.

— É pouco depois de ler essa porcaria de jornal — Disse, em tom de deboche.

— Senhor, sabemos que as eleições se aproximam, e agora é a época que as intrigas pioram. Sally acredita que seu casamento será amanha, e por isso soltou essa pérola.

— E essas fotos, Cy? Um dos meus inúmeros inimigos, enviou para ela e depois disso, meu índice diminuirá novamente.

— Não que isso pareça importa muito, senhor.

— O que quer dizer com isso?

— Ultimamente não tem se mostrado muito interessado nas pesquisas. Parece que tanto faz se você ganhará ou não.

— Tudo que tenho feito da minha vida é para isso, Cy. Não sei se percebeu, mas estou prestes a vestir um black tie para meu casamento forjado, que aliás, foi ideia sua. Não sei se lembra, mas isso é em prol da minha eleição.

— Não me parece tão forjado assim — Cyrus disse, enquanto um sorriso de canto surgiu nos lábios do homem. — De qualquer forma, não se deixe abater pelas fotos.

— Olivia viu isso? — Fitz perguntou com demasiada ansiedade.

— A senhorita Pope está muito ocupada se preparando para o casamento, Fitz. Duvido que ela vá ter tempo de pensar em passar os olhos pelo jornal hoje, mas fique tranquilo farei questão de afastá-la de qualquer meio de comunicação. O que alias, foi proibido pelo serviço secreto. As únicas mídias serão as oficiais da Casa Branca.

— E os convidados? Olivia estava em tempo de surtar sobre isso.

— Houve um ajuste, mas como a mudança foi completamente em cima da hora, não deu pra fazer muito para resolver a situação. A saída é pedirmos desculpas aos convidados que chegarão amanha, e explicamos que o casamento fora antecipado por questões de segurança.

— Espero que Liv esteja tranquila.

— Acho meio difícil, senhor. Estamos falando sobre o casamento dela, ela provavelmente deve estar bastante apreensiva.

— Será que posso trocar uma palavra com ela? — Fitz perguntou, e na verdade, a indagação não era como uma autorização a ser pedida, mas sim, se Olivia o receberia para tal conversa.

— Não sei. Até onde eu saiba, ela será prepara aqui dentro mesmo, por ordens do serviço secreto, acharam por bem ela não se arrumar em outro local que possa chamar atenção.

— Um casamento que era pra ser publico e está sendo as escondidas. Um tanto quanto cômico, não acha?

— A repercussão será enorme quando as fotos forem enviadas aos jornais do mundo todo. Saberão que mesmo depois do pequeno incidente que permeia as primeiras páginas de alguns jornais ao redor do planeta, o sentimento entre vocês continua o mesmo. — Cyrus disse, convencido do que dizia. — Nem estou muito preocupado com essa notícia e com essa foto, se quer mesmo saber minha opinião.

O "pequeno incidente" que Cyrus citara, poderia ser considerada uma das notícias mais polêmicas do ano. Uma foto de Fitz saindo de um evento publico de mãos dadas com Ruby, e outra dele quase beijando a mulher. As fotos haviam sido capturadas bem antes de Fitz conhecer Liv, mas os leitores dos jornais não sabiam disso e enquanto ele não fosse ao publico e explicasse tais fotos, sua imagem ficaria manchada e provavelmente depois daquilo, seu índice nas pesquisas despencariam alguns pontos.

Logo naquele momento em que sua pontuação estava equiparada à pontuação de Sally, mais um pouco e ele passaria sem problemas.

Mas Cyrus estava certo, pois no momento em que os eleitores soubesse que o casamento se realizara antes do previsto e mesmo sob circunstancias adversas, demonstraria que Olivia sabia que as fotos não eram recentes e que nada significavam para ela.

Mas Fitz queria ter certeza daquilo. Não confiava que Olivia aceitaria tal novidade tão bem, e tinha plena certeza de necessitava conversar com a mulher e por isso não hesitou ao pensar sobre a ideia.

— Senhor, sei que não gosta que eu me intrometa nos seus assuntos, mas o fato de estar com a senhorita Ruby na foto, obriga que tome atitudes quanto a sua presença na Casa Branca.

— Claro. Infelizmente, teremos de demiti-la, apesar de seus serviços prestados com tanta responsabilidade e dedicação.

— O senhor entende desse assunto melhor do que eu — Cyrus disse e um sorriso debochado surgiu no canto de seus lábios. — Mas me parece que ela se empenhou muito mesmo.

Cyrus soltara um riso zombeteiro e levantara uma de suas sobrancelhas indicando as segundas intenções de sua afirmação, Fitz deixou que um riso expandisse em seu rosto.

— Sempre tão engraçadinho. Mesmo em momentos como esses — Fitz sacudiu a cabeça e então prosseguiu: — Achei que de todos, eu fosse estar mais ansioso do que nunca.

— Basta olhar na história da politica para descobrir que há registro de escândalos piores do que esse desde o primeiro ano da vida democrática desse país.

— Exijo falar com ele… — Uma voz feminina atingiu os ouvidos dos homens que estavam dentro do quarto, fazendo com que eles se virassem na direção da porta.

Fitz coçou a cabeça para que Cyrus averiguasse. A voz não era de Olivia, ele já sabia de quem se tratava.

— Sabe que é a senhorita Jonhsson, certo? — Cyrus indagou com uma expressão cansada e Fitz assentiu. — Devo deixá-la entrar?

— Sem dúvidas. Ela está envolvida nessa situação, preciso resolver as coisas com ela e adiantar sobre as medidas que serei obrigado a tomar.

— Está certo. Mas tome cuidado, senhor. Sabe como temperamento de mulher tende a ser pernicioso em alguns momentos.

— Fique tranquilo. E, por favor, veja com a Senhorita Wheelan a possibilidade de trocar uma palavra com Olivia antes do casamento.

— Sim, senhor. Com licença. — Cyrus fez um aceno leve com a cabeça antes de se retirar do quarto,

Fitz ajeitou a gravata borboleta em frente ao espelho, enquanto isso a porta fora aberta e fechada em seguida atrás de si pela mulher de longas pernas e com os lábios avermelhados de sempre. Ela o analisou, e ele reparou pelo reflexo do espelho que a mulher andara chorando.

— Senhor presidente… eu nem mesmo sei por onde começar — a voz de Ruby demonstrava o desespero que continha dentro do peito da mulher.

— Não precisa começar, Ruby. Sabemos o fim dessa conversa, não precisamos de rodeios, pois você sabe muito bem o que preciso para fazer esse escândalo não tomar uma força descomunal.

— Eu sei. Serei demitida, eu te apresentaria essa opção se não fosse comigo, e mesmo sendo, acho o mais correto a ser feito.

— Fico feliz que entenda, Senhorita Johnsson. Todo e qualquer envolvimento que acontecera entre nós, ficará para trás e não deve ser mencionado. Nunca.

— Eu entendo muito bem sobre as cláusulas do contrato de confidencialidade, senhor presidente. Eu o usei para calar de centenas de vagabundas que passaram as mão sobre seu corpo — Ruby falara com amargura na voz.

— Por favor, não as trate dessa maneira. Ela sabiam o que estavam fazendo, cada um escolhe o que quer fazer ou não e por mais babaca que eu fosse, nunca obriguei ninguém a assinar ou fazer nada comigo. E acredite quando digo que eu sinto muito por tudo isso que está acontecendo, Ruby.

Fitz não estava mentindo. Ele sabia o quanto a mulher precisava do emprego e do dinheiro, era ela quem a ajudava a avó, pagando um caro tratamento para que se recuperasse no hospital. Mas ele não tinha forças para lutar contra o preconceito que Ruby sofreria caso permanecesse ali, debaixo dos holofotes.

— Eu sinto mais do que você imagina. Eu sonhei que um dia te veria vestido assim, mas era eu quem estaria ao seu lado na hora dos votos de casamento — Ruby disse, sincera. — Nunca escondi meus sentimentos por você.

— Não torne essa situação mais complicada.

— Eu vou ser demitida, entendo sua posição, mas acredito que tenho o direito de falar. Até porque a informação que tenho é relevante.

— Pois então, fale — Fitz passou a língua pelos lábios e se sentou na cadeira localizada perto de sim. — sou todo ouvido.

— Não foi um inimigo seu que divulgou a foto, senhor — Ruby falou e Fitz apenas assentiu

— E você diz isso baseada em que?

— Eu recebi uma ameça há alguns dias. Um homem começou a me ligar com frequência e sempre me dizia para tomar cuidado com a minha família, falava coisas aterrorizantes que poderia acontecer e desligava em seguida — Fitz cruzou os braços, atento às palavras da mulher.

— E você não denunciou ou relatou isso?

— Não, estamos acostumados com esse tipo de pressão, então nem levei a sério. Mas uma das vezes em que ele me pediu informações sobre o relacionamento entre você e a senhorita Pope e eu neguei, ele disse que arrumaria um jeito de provar que o casamento era uma farsa. Eu me senti de mãos atadas, não poderia comentar com ninguém além do senhor ou de Cyrus. Preferi me manter calada, achei que poderia ser um daqueles loucos conspiratórios e que se eu denunciasse, soaria como patética.

— Te entendo. Mas ainda assim, estamos em tempos diferentes dentro da Casa Branca.

— Sim, senhor. Eu errei ao não relatar — Ruby disse. — De qualquer forma, eu tentei rastrear o número a partir dos programas de decodificação que usamos aqui e cheguei a um nome.

— Um nome? Então, você descobriu? — Fitz franziu o cenho.

— Sim. Conhece o senhor Jake Ballard? — Fitz sacudiu a cabeça e riu.

— Claro que conheço o maldito — Olhou para o teto e respirou profundamente enquanto seu corpo tremia de raiva — O filho da puta demorou para aprontar e eu ainda acabei deixando isso de lado com tanto problemas que surgiram.

— Ele é mesmo um inimigo seu? — Ruby perguntou curiosa, cruzando os braços. Sua feição estava denotando toda a confusão que se instalara em sua cabeça.

— Não é um inimigo diretamente meu, mas inimigo de uma pessoa próxima e que o torna um inimigo para mim também — Fitz falou de maneira seria. — Tem certeza de que é ele?

— Sim, senhor. Ele foi tão idiota que usou o próprio celular para a chantagem.

— Acredite ou não, ele não foi idiota. Ele queria que eu soubesse disso.

— Então, isso o torna um idiota definitivo — Ruby disse e Fitz não pode deixar de soltar um sorriso.

— Eu aprecio muito por ter feito questão de me contar isso, Ruby. Mostra que mesmo diante de uma situação em que te coloco em má posição, continua sendo fiel ao trabalho e ao meu governo.

— Serei sempre fiel a você, senhor presidente. Sempre.

— Eu agradeço, senhorita.

Assim que Ruby se retirou do quarto, Fitz pegou seu celular descartável e discou alguns números. Logo fora atendido, e não titubeou em ir direto ao assunto.

— Conseguiu informações sobre Jake Ballard?

— Sim, senhor. Estou esperando apenas algumas provas dos crimes.

— Quais crimes? Eu preciso sumir com esse cara, ele está se tornando mais perigoso do que eu poderia imaginar.

— Se eu disser que ele está envolvido em tráfico humano, acreditaria?

— Vindo de Jake, espero qualquer coisa.

— Com as provas que estou conseguindo, ele será preso e talvez nem saia da prisão, senhor. Devo conseguir tudo até o fim da semana que vem.

— Uma semana? Eu preciso dessas provas antes disso.

— Senhor, eu só as conseguiria antes desse tempo, se envolvesse o seu nome.

— Faça isso, então. A essa altura, não me importo nem mesmo com isso.

Fitz pensou em Olivia, e teve certeza de que não importaria mesmo com seu próprio nome se fosse preciso para defendê-la. E com uma suspeita de tráfico humano, entraria de cabeça na história, e a partir dali envolveria a polícia e tudo mais que precisasse.

— Certo. Amanha mesmo devo ter tudo, senhor.

— Vou envolver o FBI. Esse desgraçado vai pagar caro por ter mexido comigo.

Assim que desligou, Cyrus voltou e explicou que Liv o esperava em seu quarto. Fitz ajeitou a camisa, colocou seu smoking e se olhou no espelho uma última vez. Os cabelos estavam alinhados assim como a roupa, estava mais para um modelo famoso do que para um presidente, e para provar isso, bastava olhar a lista dos presidentes que estiveram em lugar antes de assumir o posto.

— Ande logo, senhor. A senhorita Pope já te viu em situações definitivamente piores.

Fitz sacudiu a cabeça e riu da expressão de deboche de Cyrus antes de sair do quarto e ir em direção ao quarto oeste.

Ele esperava que Liv o ouvisse com calma, e que ela aceitasse toda aquela situação. Ele sabia que o nome dela estava envolvido, que estava manchado, pois da maneira que haviam colocado no jornal, Olivia era uma noiva traída. O presidente não cogitara nem mesmo procurar o jornal, talvez os processasse pela matéria – não pelas fotos, pois elas não tinham nem mesmo como contestar, mas ele não tinha o direito de calar ninguém, já que sempre prezou pela liberdade de expressão.

Agora ele tinha que lidar com aquele problema. Mais um para sua lista, que parecia aumentar cada dia mais.

Os cabelos de Olivia estavam presos em um lindo coque cheio de ornamentos, sua maquiagem estava impecável, parecia como mágica que a transformara em uma pessoa completamente diferente. Mais linda do nunca. Mais viva do que jamais se sentira.

Ela se questionava se aquilo era a maquiagem ou o que explodia em seu peito. Ela acordara feliz naquele dia, mas ao mesmo tempo sentia-se um pouco traída por si mesma, se apaixonar pelo homem que estava casando com ela por contrato a última coisa que poderia fazer.

Mas a cada dia ela se sentia mais e mais presa pelo jeito maduro, cheio de vontades, determinado, atencioso e prestativo do presidente. Cada vez mais ela se via sendo levada pelo nevoeiro de sentimentos que a puxava e a deixava perdidamente em estado catatônico, era como se o mundo não existisse, ou os problemas sumissem.

Ela acreditava que precisava esconder aquilo a todo custo, mesmo que fosse difícil, pois colocaria Fitz em uma situação embaraçosa ao perceber que se casara por contrato com uma mulher que no fundo nutria sentimentos por ele.

— Você está tao linda e ainda nem colocou o vestido — A voz de Abby ressoou pelo quarto. — Acho que já quero chorar.

— Não me fale em chorar.

— Ah, por favor, você não pode chorar agora! Vai estragar a maquiagem toda — disse — Posso saber o motivo desse choro? Vontade de desistir? Acho que é meio tarde, querida.

— Se eu te disser que estou adorando me casar com ele, mas pelos motivos errados, você me entenderia? — Liv disse unindo os lábios.

— Oh! Meu d'us não me diga que… — Abby deixou o resto da frase no ar e Olivia nada disse. — Você está se apaixonando pelo presidente?

— Eu não sei explicar. É só que… cada vez que ele faz algo em sua campanha, ou consegue cumprir algo que prometera para os cidadãos, é como se me deixasse feliz também, entende? Como antes de ontem à noite, quando ele descobrira sobre Mellie, foi como se me machucassem também. Eu sinto como se fosse a extensão dele, é complicado explicar.

— Que esposa vadia ele teve! Coitado — Abby esbravejou. — Foi aí que você percebeu?

— Eu sinto como se quisesse ajudá-lo, sabe? Da mesma maneira que sinto que ele me apoia, eu quero estar ao lado dele. Eu me encho de alegria quando ele está por perto e é um sacrifício quando não tenho a chance de estar perto dele.

— Claro, com tanta safadeza de vocês — Abby disse e Liv sorriu.

— Que amiga babaca fui arrumar! Eu aqui sendo fofa pelo menos uma vez na vida e você estraga o momento.

— Sou realista. Esse é meu trabalho — Abby riu de volta para Olivia. — Eu ia te fazer pergunta, mas acho que já sei a resposta para ela.

— Perguntar sobre o quê? — Liv indagou

— Fitz quer conversar com você.

— Porque será que eu sinto que essa conversa significa que virá alguma coisa muito grande? — Liv sentiu o coração apertar um pouco.

— Porque tudo aqui dentro dessa maldita casa parece ser algo incrivelmente complicado e já posso adiantar que ele estava com uma expressão bem seria.

— Quando ele vem? — Liv perguntou.

— Acredito que ele deve estar apenas esperando pela minha resposta.

— Então vai logo avisar que estou aqui esperando. Eu ainda preciso colocar o vestido, e só quero colocar depois que ele sair daqui.

— Acreditando em superstições?

— Esse casamento está rodeado por mortes, conspirações e tudo de ruim. Não custa nada prevenir, não é? — Olivia disse e um sorriso esperto surgiu em seus lábios. — Agora vá logo. Abby assentiu e deixou o quarto em passos rápidos, enquanto Olivia se sentara novamente no sofá que havia em seu quarto.

Estava de costas para a porta, observando com falsa curiosidade os formatos que adornavam o tapete, e logo depois, o papel de parede do quarto.

A porta se abriu de forma repentina e ela se levantou em um sobressalto assustada. Seus olhos encontraram com os de Ruby, a mulher vestia um conjuntinho tão apertado que Liv não entendia como era possível respirar com ele no corpo. A cor do mesmo, era negra. Olivia desejou rir da obviedade, porém, sua curiosidade era pelo motivo da loira ter invadido seu quarto daquela maneira sem nem mesmo ter batido ante.

— Me desculpe ter entrado assim, senhorita Pope — Ruby dissera rapidamente

— Tudo bem. Posso saber o motivo dessa visita? Me parece assutada. — Olivia disse, se levantando em seguida.

— E você, pelo visto, não sabe da grande notícia que estampa a capa dos jornais.

— Acredito que não… — Olivia franziu a testa.

— Eu trouxe a novidade para você, já que seu futuro marido não o fez. — Ruby sorriu, e parecia se sentir vitoriosa. Enquanto Olivia a encarava sem entender.

Ruby entregou o jornal dobrado ao meio, as mãos trêmulas seguraram com firmeza o jornal em que o noticiário fora impresso. Olivia estendeu a mão e pegou, receosa pelo encontraria pela frente.

"EXCLUSIVO!

PRESIDENTE FITZGERALD THOMAS GRANT ENVOLVIDO EM ESCÂNDALO SEXUAL COM UMA DAS FUNCIONARIAS DA CASA BRANCA."

"Fotos do Presidente (em Anexo) comprovam que o relacionamento entre Fitzgerald Grant e da responsável pelas relações-públicas do próprio Ruby Johnsson, era bem mais profunda do que aparentava ser. Fontes confiáveis ainda relataram que ambos possuiriam o affair desde a chegada da mesma na Casa Branca, ou seja, dois meses após o falecimento de Mellie Grant, a primeira esposa do presidente.

Ainda em relato, a fonte – que prefere se manter no anonimato por medo perseguição politica – afirma que o número de mulheres que o presidente teria se relacionado desde a morte de Mellie é incontável e que todas elas teriam sido obrigadas a assinar um acordo de sigilo sobre as aventuras sexuais que teriam ocorrido dentro da Casa Branca.

Ate o fechamento dessa edição verificamos que Ruby Johnsson ainda trabalha diretamente para o presidente. Será que Olivia Pope, a sua atual noiva, a mulher que se tornará sua esposa amanhã em um casamento cheio de mistérios dentro da Casa Branca, sabe sobre isso?

A pergunta que fica é: Será que podemos confiar no atual presidente e candidato à reeleição, Fitzgerald Thomas Grant?"

Olivia leu todas as palavras com uma atenção absurda, sentia os pelos de sua nuca eriçados, o sangue esquentava seu colo e seu rosto. Logo abaixo da notícia escrita, estavam duas fotos. Em uma delas, Fitz segurava a mão de Ruby ao sair da parte de trás de uma escola, em um evento politico aparentemente. Estava escuro porém era obvio que se tratava dele. A outra foto, ainda estavam no mesmo lugar, a imagem mostrava Fitz sorrindo para Ruby que estava encostada do lado de fora do carro, os rostos próximos demais, tão próximos que os lábios de ambos se encostavam um pouco.

A segunda foto fora um pouco mais dolorosa, mas ela tentou não demonstrar o quanto aquilo a abalava. Olivia levantou os olhos do jornal e Ruby a encarava com apreensão, esperando pela reação ou resultado daquele veneno que ela acabara de destilar.

— As fotos me parecem antigas — Olivia disse, tentando não transparecer o que aquela noticia tinha lhe causado. — Seu cabelo está mais curto do que está agora, e posso assegurar que tá mais curto inclusive de que quando cheguei aqui.

— Você chegou há alguns meses, mas para o mundo inteiro, está com o presidente há mais de um ano. Ou se esqueceu da mentira que soltou nas entrevistas?

— Foi você quem fez isso, Ruby? — Liv Indagou ao perceber que a mulher parecia satisfeita demais com a situação.

— Seu noivo fez, Olivia. Agora que eu fui demitida, terão que arrumar outra pessoa para limpar a bagunça dele.

— E você precisava vir aqui, horas antes do casamento, despejar tudo isso. — Olivia riu. — Porque claramente acreditava que me deixaria sem estruturas para o meu casamento, casamento falso, devo lembrá-la.

— O casamento pode ser falso, mas o olhar que você lança para ele é verdadeiro. Eu sei, porque eu o olho da mesma maneira. Você está apaixonada por ele, o que é algo ridículo, porque bem sabemos que o presidente não sente nada por você.

Olivia sentiu a verdade lhe atravessando a garganta como uma faca afiada, mas ela não imaginava que Ruby sabia o que o presidente estava se sentindo da mesma maneira. A secretaria se sentia traída, tantos anos sendo fiel ao homem que a abandonara pela filhinha de papai, nascida em berço de ouro. Era assim que Ruby se sentia naquele momento.

— Se retire do meu quarto, por favor — Olivia ordenou e Ruby sorriu.

— A verdade doeu? Me desculpe pela franqueza. Com licença e antes que me esqueça, lhe desejo votos de felicidade — Ruby dissera em tom irônico e então se retirou do quarto.

Olivia sentia o estômago revirando, e tudo que comera no café da manha estava prestes a voltar, ela se sentou novamente. Ela mal podia acreditar que aquilo estava acontecendo de verdade, encarava novamente a parede em completa dispersão, em seguida balançou a cabeça novamente. A porta que estava entreaberta, se abriu um pouco mais, chamando a atenção dela. Fitz apareceu, estava pronto para o casamento. Estava perfeito, pensou Olivia. Ela o encarou, tentando não focar na beleza do homem e sim, na história que tinha em mãos. O jornal ainda estava esmagado entre seus dedos magros e olhos de Fitz logo o viu.

— Merda — Fitz soltou e fechou os olhos. — A notícia chegou em suas mãos, antes que eu chegasse.

— Pois é — Liv sorrira fracamente e se levantou.

— Precisamos conversar sobre isso, Liv.

— Acho que não senhor Presidente. Você não me deve explicações. — A voz de Olivia saiu fria. — Agora se puder me dar licença, preciso terminar de me arrumar. Temos um casamento pela frente.

— Não.

— Como é? — Perguntou Olivia, uma de suas sobrancelhas erguidas.

O homem fechou a porta, girando a chave dourada na mesma duas vezes, garantindo que estava mesmo trancada. Ele se aproximou de Olivia, arrancou o jornal de sua mão e jogou no chão com violência. Seus olhos sempre tempestuosos, pareciam focados e determinados.

— Hoje você vai me ouvir, Olivia Pope. Sua teimosia não vai me dobrar desta vez.

Olivia retraiu um pouco diante da potência e firmeza da voz de Fitz, e então cedeu para ouvi-lo, pois sabia que o homem não a deixaria sair dali sem que o escutasse. Ela duvidava que as suas palavras pudessem melhor toda a situação.

— Então fale. Se insiste tanto, deve ter um motivo.

Olivia mantinha os braços cruzados com firmeza sobre o roupão enquanto esperava pelas palavras do homem, que a olhava com uma intensidade absurda, era como se ele lhe atravessasse e pudesse ver sua alma.

Ela se sentia desnuda apenas com o olhar dele.

— Eu sei que dizer que aquelas fotos foram tiradas há um bom tempo não ajudara muito. Então eu só quero pedir desculpas por ter sido tão descuidado — Fitz coçou o queixo. — Eu estava em um momento horrível, e você sabe disso, não me importava muito com minha imagem ou qualquer coisa do tipo.

— Sei disso. Quando nos aproximamos, eu te achava insuportável.

— E eu sabia que algum dia se tornaria insuportável ficar perto de mim, e foi por isso que eu quis tanto ser diferente, Liv. Para que esse nosso acordo, não fosse um martírio e que pudéssemos viver em paz e tranquilidade.

— E você conseguiu, Fitz. Você mudou bastante.

— Graças a você — Fitz aproximou-se de Olivia, fazendo com que a mulher apertasse os braços cruzados com mais força ainda, como se aquilo fosse segurá-la de fazer qualquer coisa.

— E eu só tenho motivos para te agradecer, e depois de hoje, eu te entenderia se quisesse desistir de tudo, Liv.

— Como assim? O casamento é daqui a poucas horas, Fitz.

— Exatamente, porque o que mais tenho feito é tentado melhor a nossa situação para que quando nos casássemos, você não se sentisse presa ou qualquer coisa do tipo.

Olivia sentiu seu estômago pesar ao se dar conta de que seria um martírio, viver em um casamento falso com alguém que gostava tanto. A proposta de liberdade dele pareceu agradável por um instante, e ela ponderou, pensando sobre desistir.

— Você quer que eu desista? — Ela perguntou

— Não é sobre mim, Liv. Estamos falando sobre sua vontade, sobre você. Esqueça o contrato, e pense em você.

— Não sei porque tudo isso agora, Fitz. Nosso relacionamento é puramente em prol da sua reeleição, não há nada de verdadeiro aqui, então me pergunto porque tamanha preocupação com o que penso de maneira tão repentina.

— Porque eu me dei conta de que o que temos é a coisa mais verdadeira que já tive em minha vida — Fitz falou e Olivia foi tomada pelo choque ao ouvir as palavras sinceras do homem. Fitz acariciou o rosto — Justamente o que era pra ser a maior farsa de todas, se tornou a única coisa que posso chamar de real.

— O que… quer dizer com isso? É algum tipo de brincadeira pré-nupcial?

— Eu adoraria que fosse — Fitz disse e um sorriso fraco surgiu em seus lábios.

— Não acredito que Abby te contou alguma coisa — Liv disse, imaginando que a amiga tivesse revelado ao homem algo sobre o que ela tinha contado um pouco antes. — E se ela realmente falou algo, espero de verdade que não esteja fazendo gracinha comigo! Exijo que me respeite.

— O que Abby teria para me contar? — Fitz, perguntou tombando a cabeça em sinal de curiosidade, enquanto Olivia olhava para o chão, arrependendo-se de ter falado demais.

— Não é nada — Liv deu a entender que se afastaria, mas Fitz a segurou pelo braço com carinho.

— Fale, Liv — A mulher o olhou, firmando suas íris nas do homem a sua frente, que a olhava com muita curiosidade.

— Nada disso será real, Fitz. Eu nunca me imaginei casando assim, de vestido e tudo mais, mas agora que eu estou prestes a fazer, eu percebo que será tudo uma farsa e isso é triste, entende? De qualquer maneira, eu sou uma mulher que mantém a palavra e eu prometi, selei um acordo de que casara com você. Nunca deixaria você na mão.

— Para mim não será mentira, Liv. você não entendeu o que eu disse? — Fitz segurou o rosto da mulher com as duas mãos de maneira delicada, e Olivia sentiu seu coração disparar. — Eu estou tão apaixonado por você, Olivia Pope. Só sendo tão durona mesmo para não se dar conta disso sozinha.

Os olhos de Olivia dançaram observando o rosto do presidente, a linha da mandíbula desenhada dele estava travada, parecia apreensivo pelo que a mulher diria em seguida, mas Liv mal pôde encontrar palavras para formular uma resposta decente.

As mãos dela envolveram o pescoço dele e sem dizer nada, aproximou-se, encostando seu rosto no de Fitz, os lábios de ambos encontraram-se e as respirações entrecortadas se misturaram antes que as bocas se unissem em um encontro que parecera a junção mais certa de toda uma vida.

Olivia embrenhou os dedos pelos cabelos macios e bem penteados do homem, que respondeu à carícia, sua mão forte apertou-lhe a cintura fortemente a ponto que Liv sentisse uma dor estimulante, a outra mão de Fitz puxou logo o laço do roupão, tratando de abrir o mesmo com rapidez.

Ambos desgrudaram os lábios, Fitz percebeu que a mulher vestia apenas uma calcinha de renda branca por baixo do roupão, de forma lenta Fitz empurrou o tecido e abriu a vestimenta, fazendo com que caísse no chão. Liv desfez das roupas de Fitz com facilidade, e quando ele estava apenas com a sua boxer, voltou a juntar seu corpo ao dele.

— Eu nunca pensei que a ideia de me casar com alguém fosse ser tão atrativa, e principalmente se tratando de você, Fitz.

— Isso significa que o sentimento é mútuo, certo? — Fitz perguntou, depositando beijos no rosto e seguindo para o pescoço, dando mordidas e beijos no local. — Você também está apaixonada por mim.

— Molhar minha calcinha não fará me admitir, senhor presidente.

— E se eu te fizer gozar várias vezes? — Fitz perguntou, deslizando sua mão pelos seios de Liv, passando pela barriga que se contraíra com o toque, até chegar a beira da calcinha da mulher. — Eu tenho meios de conseguir isso, você sabe.

— Posso pensar no assunto — Disse, deslizando sua mão com desenvoltura sobre a cueca que já apresentava um relevo que a mulher conhecia bem. Fitz usou sua mão livre para embrenhar os dedos pelos fios de cabelos bem presos de Liv, desfazendo o penteado da mulher e puxando os cabelos dela com força, desprendendo um gemido delicioso de sua garganta.

— Então pensa depois, porque agora você vai apenas sentir — Fitz disse com a voz rouca e baixa no ouvido de Liv, causando arrepios pelo corpo da mulher.

O homem adentrou com sua mão na calcinha dela com facilidade, e logo encontrou o clitóris da mulher, Olivia acariciava o membro ereto do presidente com perícia no assunto. Mas Fitz afastou a mão da mulher e a empurrou até a cama, Liv engatinhou sobre a cama ficando de quatro e deixando sua bunda empinada na direção de Fitz

Um tapa estalado fez com que Liv sibilasse e o olhasse com desejo, Fitz mordia o lábio inferior enquanto aproximava os lábios do local onde o tapa fora dado, ele depositou um beijo no local, dando chupões em seguida.

As mãos do presidente puxaram a calcinha de Liv, passando pelas coxas, pelos joelhos, até que caísse completamente do corpo da mulher. Liv ainda estava na mesma posição, Fitz separou mais as pernas dela então acariciou toda a extensão da intimidade da mulher por completo com um de seus dedos. Liv empinou ainda mais sua bunda, deixando que Fitz pudesse ver a intimidade da mulher por completo, e não pensou duas vezes em deslizar a língua pela mesma, arrancando um suspiro pesado de Liv. Ele repetiu o movimento diversas vezes, antes de começar uma carícia intensa.

Fitz segurou a cintura da mulher e a virou, fazendo com que ela ficasse de frente para ele, completamente exposta, e lançou um sorriso alegre.

— Eu te disse tantas vezes que você seria minha, Liv. Você negava e relutava contra o que era óbvio, e agora sabe que assim como me conquistou, consegui conquistar você também.

Fitz colocou seu corpo sobre o da mulher e depositou um beijo sobre os lábios dela, dando uma mordida no lábio inferior. Fitz se preparava para voltar a acariciar Liv, porém a voz de Abby foi ouvida.

— Liv? Precisa colocar seu vestido ou atrasará demais. Sei que não deveria incomodá-los, mas ainda teremos um casamento e quando se é noiva do presidente, atraso não é visto como algo bom — Abby falou.

Fitz riu, enquanto Liv se remexeu para sair da cama, e quando a mulher fez menção de se mexer na cama para sair, Fitz colocou dois dedos diante dos lábios dela em pedido de silêncio, antes de descer com a cabeça até entre as pernas de Liv e recomeçar as carícias. Usou sua língua para acariciar e levar Liv ao desespero. Liv tentava não gemer alto enquanto sentia o homem enfiando dois dedos dentro de si, ao mesmo tempo que sua boca molhada fazia um trabalho maravilhoso. Ele só se dera por satisfeito quando viu a mulher se contraindo por completo sob sua língua. O presidente se jogou do lado de Liv, beijando o pescoço dela com carinho, e acariciando os cabelos desgrenhados da mulher.

— Me promete uma coisa, Liv? — Fitz pediu e Liv virou a cabeça em busca de poder olhar para o rosto dele. Liv se perguntava o que um homem tão poderia pedir para ela, e então apenas assentiu. Seu coração estava estranho, como se tudo estivesse encaixando ali. As pessoas ao seu redor a chamariam de louca por amar aquele homem, ela não se importaria nem mesmo um pouco com título.

Liv sempre acreditara que o amor é a entrega de sim mesmo, se a outra parte ama da mesma maneira ou não, é outra história. E ela não acreditava em meio amor, meio sentimento, ela gostava de tudo por inteiro. Era por isso que se entregara sem nem mesmo se dar conta

— O quê? — Liv fechou os olhos, dando um suspiro profundo ao sentir o carinho que Fitz fazia.

— Não me magoe também.

— Nem precisa pedir por isso, Fitz.

A porta do quarto fora fortemente esmurrada, o que denotava que a pessoa do outro lado parecia estar extremamente irritada, e Liv soube que não era Abby. A sua amiga jamais tomaria tal atitude.

— Senhor? — A voz de Cyrus ressoou do outro lado, e o casal se encarou brevemente.

— Acho que vamos nos casar, não é? — Fitz sorriu, aparentando alegria pela ideia.

— Sim, acho que temos esse pequeno evento para comparecer — Liv dissera, e arrancou uma risada deliciosa do homem.

Os dois se levantaram rapidamente, Liv colocou sua calcinha de volta e Fitz tentou vestir sua roupa rapidamente, mas os gritos incessantes fora do quarto fizeram com que Fitz se irritasse abrisse a porta enquanto fechava os botões de sua camisa.

Liv já estava devidamente enrolada em seu roupão, quando Cyrus entrou no quarto pedindo licença. Era óbvia a expressão de desconforto e irritação do homem, Fitz sorria como uma criança que havia aprontado, o fez com que Liv sorrisse junto.

— Me desculpe incomodá-los, mas a senhorita Wheelan me avisou que vocês não respondiam e bem, acho que se esqueceram que poderão fazer sexo por todos os cantos por muitos anos, mas hoje precisamos realizar esse casamento.

Abby entrou no quarto e quando viu o estado de Liv soltou um suspiro pesado.

— Pelo visto teremos uma noiva atrasada — Abby falou, olhando para a amiga com total desaprovação.

Fitz terminou de fechar os botões e pegou a gravata que estava no chão, antes de olhar para Liv pela última vez.

— Nos veremos daqui a pouco — Ele piscou de um jeito malandro e Liv assentiu.

— Por favor, não me diga que será o homem me esperando de smoking, ou eu te arrebento a cara. — Liv disse e revirou os olhos, fazendo Fitz rir antes de sair do quarto, sendo empurrado por Cyrus

Demorou exatas duas horas para ajeitar tudo que Liv desfizera enquanto tinha seu momento com Fitz. O vestido que ela usava era branco, cheio de pequenas pedrinhas brilhantes, adornado com rendas, e também com o enorme decote nas costas que fora exigência da própria noiva. Tudo aquilo somado, fazia o vestido que parecia de uma princesa, parecer um pouco mais sensual. Porém, não havia nada de exagero ali. Ela soubera escolher com sabedoria.

A ideia de um casamento no jardim fora vetado, principalmente senho à noite quando a visibilidade ficaria mais prejudicada para os atiradores que ficam sobre a Casa Branca. A cerimônia seria no enorme salão que havia dentro da casa e poderia abranger muitos mais do que o número de convidados para a cerimônia.

Liv esperava em uma antessala por ser chamada para entrar no salão, sentia o coração retumbando no peito, mas dessa vez se sentia mais segura ou tentava se sentir assim. Afinal, Fitz teria mesmo se apaixonado por ela ou teria dito aquilo para escapar da situação embaraçosa na qual se envolvera?

A porta do cômodo se abriu e Maya entrou no local, Liv sentiu-se instataneamente segura com sua mãe por perto.

— Ah, Mãe! Que bom que você veio.

— Claro que vim! Acha mesmo que uma mãe perderia a chance de ver a única fiha casando?

— Se formos pensar no quanto meu pai odeia a ideia desse casamento, você perderia — Liv disse e Maya sorriu.

— Ele é um velho, Liv. Precisa entender que é daquele jeito para pior, ele só sabe reclamar da vida, mas hoje, apesar de todas as reclamações, ele fez questão de vir.

— Mal posso acreditar no que estou ouvindo.

— E eu mal posso acreditar no que estou vendo — Maya disse, dando uma boa olhada na filha. — Você está tão linda, minha filha.

— Nem eu acreditei quando me olhei no espelho — Liv dissera.

— Eu não vou enrolar. Vim aqui com uma missão importante, Liv — Maya disse, e estendeu a mão para a filha.

— Missão? — Olivia questionou, curiosa.

— Vem comigo.

Liv sorriu, sem entender o que estava acontecendo e segurou a mão da mãe, que a levou para fora da antessala, mas não para o salão em que o casamento se realizaria, mas sim para o corredor que a noiva usara para chegar na antessala. Ela se perguntava o motivo de sua mãe estar carregando-a de volta, e então sua mãe abriu uma porta, e indico para eu Olivia entrasse no local. Ela entrou, ressabiada, e para a sua surpresa, ali estavam Fitz e o padre que realizaria o casamento.

A porta se fechou atrás de si, e ela virou rapidamente para a porta, antes de voltar a encar o sorriso reluzente do homem que vestia o smoking preto. Olivia puxou a cauda do vestido que se arrastava um pouco pelo chão. Os pés dela vacilaram um pouco dentro dos sapatos de salto altos, mas diante da confusão, aquele se tornou o menor de seus problemas.

— O que significa isso? — Ela questionou.

— Eu imaginei que você não fosse acreditar em minhas palavras, Liv. Acharia que os votos que farei diante dos nossos convidados, seria apenas pelo contrato que assinamos, sei bem o quanto é desconfiada — Fitz disse e Olivia não pode deixar de concordar consigo mesma. Fitz pediu para que o padre desse licença para os dois por alguns minutos e voltou a falar assim que o homem saiu do local. — E é por isso, que pedi que sua mãe que a trouxesse aqui, e então expliquei para ela que você andava meio duvidosa do que eu sinto por você, e claro, não mencionei sobre o contrato. Mas pedi para que ela te trouxesse aqui.

— Mas e para que você queria que eu viesse?

— Vamos nos casar, Liv.

— Eu não se notou, mas isso já está meio óbvio. Preparei todo um casamento, e as pessoas estão esperando por nós dois. Eu não vejo a novidade nessa sua explicação.

— Nós vamos nos casar longe dos holofotes, ou pelo menos, faremos a troca de votos aqui. Para que saiba que meu sentimento por você é real, Liv. Percebi que gosta das coisas claras e bem explicadas. E quem sou eu para ir contra seu jeito de ser?

— Então esse será como um pré-casamento? — Liv perguntou, franzindo a sobrancelha, achando graça daquela pequena surpresa do presidente.

— Pode se dizer que sim — Fitz foi até a porta e virou-se para Olivia. — Posso chamá-lo de volta?

— Não precisamos dele aqui, Fitz. Nós já o teremos no casamento oficial. — Disse e então finalizou. — Esse será um momento nosso.

— Se é assim que deseja — Fitz deu de ombros. — O que for melhor pra você.

Ele se aproximou de Olivia e então enfiou a mão no bolso, retirando o anel de ouro branco, havia uma enorme pedra de brilhante encrustada no mesmo. Ele segurou a mão de Olivia e a olhou nos olhos.

— Não podemos confiar em qualquer pessoa, eu aprendi isso da pior maneira e você sabe bem disso. Mas em meio a todas as coisas que têm acontecido comigo, em meio a tantas pessoas que desejam me derrubar e pensam em me trair na primeira oportunidade que tiverem, existe você. A única pessoa na qual eu confio, que me passa a segurança que preciso para resolver os problemas que enfrento — Fitz sorria, enquanto falava e Liv sentia-se completamente sem jeito diante da declaração que estava recebendo. — E mesmo estando juntos há pouco tempo, sei que quero te conhecer mais e mais, que quero você ao meu lado nos bons momentos e nos ruins para me apoiar. Eu sou louco por você, pelas manias irritantes, teimosia, rebeldia, tudo é fruto da sua personalidade determinada e por mais que me aborreça na maioria das vezes, eu adoro isso em você — Fitz deslizou a aliança pelo dedo da mulher. — Eu seria um louco se eu não me apaixonasse por todos os detalhes que existem em você, Olivia Pope.

Fortes batidas de palmas assustaram o casal, que se viraram para ver a última pessoa que esperavam ver naquele momento. Vestindo uma batina branca ensaguentada, um olhar ameaçador e com uma adaga na mão. Sangue fresco escorria da adaga que parecia ter sido confeccionada por um artesão.

— Que cena linda! — Jake falou com a voz respingando seu sarcasmo.

— Jake? O que você faz aqui? — Liv perguntara, enquanto o homem trancava a porta.

— Para alguns, eu sou o ajudante do padre, mas para alguns dos agentes, sou o homem que veio acabar com um serviço mal feito Jake respondeu.

— O que quer dizer com isso? — Olivia perguntou, extremamente confusa.

— Você está fora de si, Jake. Vamos conversar — Fitz disse em um tom incrivelmente calmo, ele sabia lidar com situações extremas. — O que disse sobre agentes do serviço secreto? Eles sabem que você veio me ameaçar?

— Eu vim te matar, seu filho da puta! Não percebeu ainda?

— Não tinha ninguém na porta quando você entrou, Jake? — Fitz indagou, enquanto se perguntava como o homem havia entrado ali.

— Você diz seus homens de preto do serviço secreto?— Jake soltou uma gargalhada debochada. — Em quem mais você pode confiar, senhor presidente? Acabou de dizer para sua noiva que confia somente nela, e bom, acho sensato. Já que seu melhor agente, é na verdade, um dos seus maiores inimigos.

— Como? — Fitz sentia o medo acabando com a calma dentro de si. Ele não podia deixar o medo ceder, mas ideia de Olivia machucada, ou da confusão que seria se os convidados dessem conta do que estava acontecendo ali dentro. Além de tudo, ele tinha um péssimo pressentimento pelo que ouviria da boca de Jake em seguida.

— Eu fui escolhido pelo seu melhor agente para finalizar um serviço que fora iniciado há alguns anos, senhor presidente — Jake falou, seu tom louco e desvairado. Ele não estava brincando. Liv sentia que Fitz a segurava com atrás de si, tentando protege-la . Ela queria falar alguma coisa, mas temia que Jake se irritasse ainda mais ao ouvir qualquer coisa que ela falasse.

— Você poderia me dizer o nome do agente? — Fitz disse, enquanto Liv segurava a parte de trás do smoking dele.

— Tom Petrov — Jake disse, para o espanto de Fitz.

Tom Petrov na verdade Thomas Larsen, mas fora apelidado de Tom Petrov por parecer russo e após tantos anos ao lado do presidente, era o último homem que poderia imaginar que o trairia. — Ele deve estar longe nesse momento. E mesmo que você sobrevivesse depois dessa nossa pequena conversa, não teria chance de achá-lo. Dália nunca deixaria que você capturasse o seu melhor homem.

— Dália? — Fitz perguntou, sem saber de quem se tratava.

No instante seguinte, a porta fora forçada e Fitz tentou alcançá-la, porém antes que o fizesse, Jake se aproximou e tentou acertá-lo com um golpe de adaga. Fitz desviou-se, e deu um soco no rosto de Jake, que deixou a arma cair. Uma luta corporal se iniciou entre os dois homens, e Liv que estava congelada até então, obrigou seus pés a se movimentarem, mesmo diante do pavor por imaginar que Fitz poderia sair machucado daquela briga. Quando ela alcançou a porta e pediu por ajuda, ouviu o grito de Fitz, que fez com que ela se virasse na mesma hora. Ela encarou a cena com os olhos arregalados, Jake havia acertado um golpe com a adaga no abdômen do homem. Ela se aproximou sem se preocupar se sairia machucada ou não. Jake parecia catatônico, encarando a cena como se não acreditasse no que tinha feito. Olivia lançou seu corpo sobre o de Fitz e aproximou seu ouvido do nariz do homem, sentindo que ele ainda respirava. O líquido escarlate escorria e formava uma enorme mancha na camisa, transpassando o smoking que empapava do sangue do presidente.

— Fitzgerald! Você não pode fazer isso! Acorde!

— Ele já era — Jake disse, encarando Olivia e o corpo estendido do homem.

Um estrondo fez com que Jake soltasse a adaga que segurava deixando que arama caísse sobre o tapete. A porta havia sido arrombada e logo três tiros foram disparados na direção de Jake que tombou antes de cair desfalecido perto de Olivia que se encolhera no chão, perto de Fitz. As mãos trêmulas da mulher pairavam sobre o abdômen, como se aquilo pudesse ajudar de alguma maneira. Mas a úncia coisa que ela conseguiu, foi manchar seu vestido que de alvo como uma nuvem branca, passou a ter manchas vermelho escarlate. De olhos fechados, ela pediu que aquilo tudo fosse apenas um pesadelo, antes que seu corpo fosse tomado por uma dormência completa.