N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

N/A²: Quem será Dália? hahaha obg por lerem! e não esqueçam de comentar ^^

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Capítulo 25

Dois anos antes

Washington D.C., Casa Branca

Mellie ajeitou-se na cadeira, sentia-se desconfortavel, e não era por conta de seu assento ou algo em seu vestido feito sob medida. Era a culpa que carregava, era o medo e o desespero que lhe assolava. Fitz estava naquele momento, sentado ao lado dela, a mulher admirou o homem com atenção. Analisou os traços, as linhas de seu rosto, e então pediu perdão aos céus. Perdao pelo que tentara fazer com a vida daquele homem, e perdão também pelo que estava prestes a cometer.

— Está tão séria hoje, minha queria — Fitz falou, segurando a mão de Mellie com carinho. — Fiz algo que tenha lhe magoado?

— Não. Só estou cansada, Fitz — Ela respondeu, com toda sinceridade de seu coração. Ela estava cansada de tudo, inclusive de seus próprios erros.

— Escute — Ele se virou e aproximou os lábios do ouvido da esposa. — Me perdoe pelos últimos meses, tenho sido um marido um tanto relapso, mas você sabe que com esse conflito entre nós e o Paquistão, não tenho nem mesmo conseguido dormir.

— Eu entendo — Ela disse, sentindo muito por todas as reclamações que fizera. Ela sabia que o universo estava rindo de sua feição naquele momento. Ela não chorou, pelo menos não ali naquela mesa cheia de pessoas influentes, não em frente às câmeras.

Thomas deu a volta na mesa, trocando de posição com outro agente secreto e ficou exatamente de frente para Mellie que sentiu a angústia atravessando-lhe o peito, invadindo sua alma e tomando conta de tudo. Ele fez um aceno lento com a cabeça e ela sabia que era o recado para que ela prosseguisse com o plano.

Tudo havia sido milimetricamente arquitetado. Um dos carros que faziam a escolta presidencial tinha sido sabotado, algo que seria impossivel se o agente do secreto mais próximo do presidente não estivesse comandando tudo.

O dispositivo instalado daria problema depois de quinze minutos após a ignição ter sido dada, exatamente quando sobre uma ponte. O motorista por mais treinado que fosse pelo serviço secreto, ficaria sem o controle da direção e resultaria em um grave acidente.

Tudo o que Mellie precisava fazer era convencer Fitz a usar o outro carro, algo quase impossivel, já que os protocolos de segurança obrigavam que o presidente usasse apenas o carro presidencial. Mas Mellie sempre conseguia o que queria com Fitz

— Meu querido, você acha que se eu for embora um pouco mais cedo, as pessoas comentarão? — Ela perguntou e o presidente a olhou com a testa vincada.

— Não se sente bem? — O presidente indagou e a mulher respondeu com um aceno negativo. — Acho que não ligarei para que os outros pensarão, minha querida. Me preocupo com você e sua saúde — Ele depositou um beijo rápido em seus lábios.

Mellie sorriu, quando na verdade, chorava por dentro.

Ela abraçou o marido e despositou um beijo em seu pescoço, antes de se levantar. Ela pediu licença para os outros que estavam à mesa e olhou de relance para Thomas que falou em seu rádio antes de segui-la.

Ela andou rapidamente, tentando escapar do homem que conseguiu alcançá-la sem dificuldade. Ele segurou seu braço e a puxou para dentro de uma das salas do local em que ocorria a festa, e fechou a porta logo em seguida.

— Você se lembra de tudo do plano, certo? — Ele perguntou e ela assentiu.

— Claro, Russian. Será do jeito que planejamos — Mellie falou em um tom fortemente irônico.

— Me chamando de Russian, agora? — Thomas riu e sacudiu a cabeça.

— Sim, nesse momento somos meras peças de xadrez em um jogo de Dália, não é mesmo? Nada mais justo do que te chamar pelo codinome que ela te deu.

— Cheia de gracinhas hoje — Thomas falou, segurou a mulher pelo queixo e depositou um beijo nos lábios dela. Ela se entregou ao beijo, ao último beijo. — Se não estivéssemos tão atrasados com o plano, eu te comeria agora — Thomas disse assim que separou os lábios dos de Mellie.

A mulher acariciou os cabelos do homem, e lançou-lhe um sorriso fraco. Ela sabia que aquele homem não a amava, e que ele não tinha pretensão de fazer nada daquilo. A única coisa que Mellie tinha certeza sobre Thomas Nielsen, era de quele era fiel à pessoa que o liderava e ninguém mais.

— Cobrarei depois — Mellie disse, mordendo o lábio inferior do homem em seguida.

Mellie afastou-se dele em seguida, saindo da sala com sua decisão em mente. Não mudaria naquela altura da situação, por mais que estivesse aterrorizada, saboa que era a decisão correta. Ela temia que o agente do serviço secreto a chamasse e dissesse que a amava, mas sabia que seria mentira dele. Sabia que aquilo não aconteceria. Mas ela esperou, até o último milésimo de segundo. Ele não a chamou. E Mellie teve a certeza de ele nunca a amara. Ela continuou com os passos firmes em seu caminhou até alcançar a entrada do local, o motorista estava à espera perto do carro presidencial. Ela não podia quebrar o protocolo, mas sim, os planos. Ela apontou para o outro carro, o que estava marcado com um pequeno símbolo em vermelho escarlatye. A marca de Dália. Era discreto, bem perto da maçaneta do veículo e quase ninguém o notara, mas ela sim, aquela marca estava impregnada em sua mente.

— Senhora — Um agente acenou com a cabeça antes de abrir a porta do carro. Ela olhou para trás, sentindo o peso incontestável do medo. Uma lágrima rolou pelo seu rosto antes que ela entrasse no carro e se ajeitasse. Assim que o carro dera partida e saía do local, ela pôde ouvir os gritos ultrajados que cortavam o ar. Ela não precisou olhar para trás em busca de quem vociferava com tamanha fúria, ela sabia que era Tom. As lágrimas caíram livres por seu rosto de porcelana, ela poucou sua mão sobre o ventre, pensando no futuro que ela e a criança não teriam juntas e lembrou-se de sua infância.

Sua mãe colocava "Ain't no sunshine" no pequeno rádio e sempre cantava para a garota antes de dormir. Ela olhou no painel do carro, o relógio indicava que ainda tinham 13 minutos. Os últimos minutos de vida, ela pensou. E talvez, aquela música acalmasse seu coração, talvez preparasse para o que viria em seguida. Ela olhou para o agente que estava sentado no banco da frente para ela.

— Coloque "Ain't no sunshine", Phill — Mellie pedira ao agente que a atendeu prontamente.

Assim que música atingira seus ouvidos, ela fechou os olhos, deixando que as notas musicais entrassem em seu sistema e a relaxasse por completo. Mellie entregou-se, esperando o que acabaria com os planos de Dália, o que desestabilizaria todo aquele grupo.

Ela abriu os olhos, e olhou pela janela, uma neve fina caía. Tudo lhe parecia agradável como quando estava em casa, sendo cuidada por seus pais, em uma época que nada daquilo existia. Era como se aquele dia, fosse o dia certo para ser uma espécie falsa e deturpada de mártir, mesmo que ninguém soubesse da luta pela qual se entregava.

Dias atuais

Hospital Base do Governo dos EUA

Um dedo solitário deslizou de forma lenta e preguiçosa pela curvatura da espinha de Olivia enquanto ela dormia. Aliás, ela não sabia se estava dormindo ou sonhando, mas a sensação era de que borboletas dançavam dentro de seu corpo em um dia bonito de primavera. O dedo atingiu o meio de suas costas e mesmo por cima da blusa, causou arrepios por todo o corpo da mulher. A carícia fora interrompida por alguns segundos, assim como a respiração de Olivia, seu coração estava disparado quando notou que não estava sonhando e que aquilo era real. O corpo dela se aqueceu por completo, como se voltasse à vida, junto com aqueles toques. Junto com ele.

A mulher desejou abrir os olhos, mas temeu que caso os abrisse, tudo se esvairia como fumaça. Ela já tivera sonhos tão reais, que quem poderia lhe garantir que não estava apenas sonhando que era Fitz acariciando-a? As pontas dos outros dedos se uniram ao dedo antes solitário, e os seguiram até o pescoço, uma carícia preguiçosa no couro cabeludo de Olivia fez com que ela se derretesse. Olivia começara a contar os segundos da carícia, cinco segundos, seis, dez, quinze, vinte e cinto segundos e então ela apenas desistiu. Ela abriu os olhos, ainda temerosa de acordar de um sonho.

Os aparelhos ainda estava ligados ao redor dela, a televisão conversava sozinha, a respiração de Fitz fez com que seus pulmões se expandissem e movimentassem seu abdômen, seu coração batia debaixo do ouvido da mulher. A carícia continuou. Lenta e deliciosa.

Ele estava acordado. Ela simplesmente sabia disso.

Os arrepios a consumiam em um milésimo de segundo, antes que ela erguesse sua cabeça para que pudesse encará-lo, e ver com seus próprios olhos que ele estava bem. Ele a encarou com suas íris azuis penetrantes, e Olivia soltou um soluço esganiçado antes de abraçá-lo de maneira forte demais.

— Ai! — Ele resmungou, antes de tentar abraçá-la.

— Não se esforce tanto — Olivia pedira e então se levantou da cama indo, até o botão que alertava o médico para ir até ali.

Olivia encarou Fitz, que a olhava admirado, mesmo fraco e abatido parecia forte como uma rocha. Eles trocaram um olhar cúmplice, seguido de um sorriso de canto.

A porta se abriu, revelando Thompson que parecia alarmado e preocupado, porém sua expressão pesada se desfizera assim que ele encarara Fitz com os olhos abertos. Ele aproximou a boca do relógio de pulso que usava e apertou um pequeno botão metálico.

— Código 342, alerta amarelo. Tiger está acordado.

Não se poderia esperar menos de um médico do serviço secreto.

Em seguida, enfermeiros e todo tipo de profissionais da medicina surgira no local. Olivia sentou-se no canto do quarto. Ela não queria incomodar, só queria ficar dali de perto, vendo Fitz reagindo aos exames aos quais era submetido.

— Senhorita Pope? — Uma enfermeira chamou Olivia e ela olhou. — Você está bem?

— Não poderia estar melhor — Respondeu, olhando para Fitz.

Horas depois Fitz tivera que tomar um remédio que o deixaria sonolento. Mas eles teriam a chance de ficar a sós por alguns minutos, e ela enfim poderia conversar com ele. Por fim, ficaram apenas Olivia e Thompson junto com Fitz. Ele estendeu a mão de maneira lenta para Olivia, e ela logo enroscou sua mão com a dele, ela sorriu para o homem que mal conseguia falar.

— Eu dei um remédio para ajudá-lo na recuperação, senhorita Pope e ele provavelmente dormirá em breve para que possamos estudar se haverá alguma alteração no estado de saúde dele.

— Tudo bem, Senhor Thompson. Acha que ele terá uma recuperação rápida? — Olivia perguntou, acariciando a mão de Fitz.

— Ele precisará de uma semana para melhorar por completo. Eu aconselharia que o levasse para algum local que não fosse incomodado por ninguém, mas ao mesmo tempo acho que ele não deve sair da Casa Branca.

— Me parece que começaram uma investigação com a maioria dos agentes do serviço secreto. Qualquer lugar seria perigoso para Fitz. — Olivia disse e ouviu uma risada vinda do homem, fazendo com que a mulher e o médico o olhassem.

— Eu estou aqui — Ele falou com a voz baixa e fraca. — Não estou morto e em breve poderei quebrar a cara de vários desses idiotas. — Olivia riu sacudindo a cabeça.

— Já acordou todo valentão, é isso mesmo? — Indagou e o médico riu da situação.

— Ele vai falar algumas dessas coisas desconexas, devo adiantar — Thompson disse. — Eu vou deixá-los a sós. Depois preciso conversar com vocês dois sobre aquele assunto — Disse, deixando o tópico da conversa no ar e Olivia assentiu antes que o médico os deixasse sozinhos.

Olivia se virou para Fitz e acariciou os cabelos dele cheia de carinho.

— Eu sei que não ficou em coma por tanto tempo assim, mas eu senti sua falta. — O abraçou cuidadosamente, sentindo o braço dele ao redor de seu corpo. — Me promete que não vai me deixar sozinha?

— Eu prometo — Ele respondeu, depositando um beijo no pescoço da mulher.

Três Dias Atrás

Em alguma mansão de Chicago

O barulho dos passos de Thomas sobre o cascalho e o som do pio de uma coruja, eram os únicos sons que podiam ser ouvidos nos arredores do enorme jardim da maior mansão que aquele homem colocara os olhos.

Ele ajeitou a mochila preta que carregava nas costas, e olhou adiante, seus olhos alcançaram os seguranças da mansão, e a enorme silhueta de Patrick Graham que fumava um charuto com calma e tranquilidade. Sabia que diante das notícias, seria repreendido. Dália não perdoaria por aquele novo erro.

— Você está completamente fodido! — O governador falou, soltando uma risada pesada irritante, fazendo com que Tom quisesse arrancar-lhe os olhos.

— Cale a boca! — Tom o enfrentou, enquanto subia os três degraus quej o separavam da entrada da casa. — Ele morrerá em breve. Está em coma, tenho certeza de que não via durar.

— Explique para Dália.

— Não me diga que…

— Sim, está aí dentro em carne e osso. Veio especialmente para comemorar uma certa morte que não ocorreu — Graham lançou um sorriso de canto.

— Ainda.

— Eu estou torcendo para ver qual será a reação de Dália diante de você. Será que ainda será o queridinho? O braço direito? Acho que alguém perdeu o posto — Graham falou, em puro tom de deboche, provocando Sebastian, — Lembra-se daque dia fatídico em que nossa querida e deliciosa Mellie morrera?

— Porque estamos lembrando isso agora? — Tom falou entre os dentes. Era claro que aquele assunto o afetava um pouco.

— Porque foi seu primeiro fracasso — Graham respondeu. — Achou que a primeira-dama cairia pela eficiência do seu pau e eu sempre disse que uma mulher como Mellie, não estava interessada apenas em sexo. Você não soube nem mesmo como levar uma mulher e agora demonstrou que não consegue comandar nem mesmo um homem idiota como aquele Jake Ballard.

— Olha quem fala! Acho engraçado mencionar isso quando foi preciso da intervenção de Dália para calar Alícia Hayes — Tom riu, debochado. — E devo lembrá-lo quem deu conta do serviço?

— Aquele ninfeta já estava me dando trabalho demais. Eu não infectaria minhas mãos em sangue alheio, Russian. Esse tipo de coisa é serviço para gente suja que nem você.

Tomas se aproximou do homem corpulento e segurou a gravata do mesmo, apertando-a no pescoço do homem que começava a engasgar, os seguranças em volta nem mesmo se movimentaram para ajudar o governador.

— Seu filho da puta! Acha mesmo que não dou um tiro no meu desse seu rabo gordo? Continue falando merda e vai entender o que motivo Dália ter me escolhido como seu braço direito — Tom falou com raiva, seus olhos injetados demonstravam o quando se irritara. — Matei Alícia, ajudei a matar Edison Davis, e o presidente será questão de tempo.

— Não se esqueça de mencionar que matou Mellie e seu próprio flho — Graham falou com a voz esganiçada. — Além de ter colocado Tempest em perigo. Dália nuna te perdoaria.

— Olivia não correu risco algum. Jake era louco por aquela vadia de língua afiada.

— Solte-o, Tom — A voz feminina atingiu os ouvidos de Thomas como um trovão. Ele olhou para o lado e lá estava Dália em todo seu resplendor, todo seu poder parecia estar apenas no olhar de puma.

Tom soltou uma gravata do homem e olhou para Dália de frente, enquanto Graham tossia, tentando recuperar o ar. No fundo, o agente secreto temia pela reprimenda que se seguiria, se tinha uma coisa que Dália sabia fazer, era castigar quem não cumprisse suas ordens.

— Eu lhe peço desculpas pelo ocorrido, Dália — Thomas disse para a figura imponente.

— Entrem os dois. Precisamos pensar em um novo plano.

— Não acredito que seja necessário, Dália. Fitz foi atingido pelo veneno e foi induzido ao coma, não acho que ele aguente muito tempo — Tom falou esperançoso.

— Ah, Russian — Dália deu um suspiro e então riu debochada. — Você não está em um bom momento. Fitz acaba de acordar, ainda temos um presidente vivo e em um pouco tempo vão arrumar um jeito de expulsar Chad Henson do cargo que ele está prestes a ocupar. Me dá até pena.

— O que pretende, senhora? — Tom perguntou.

— Eu tenho um novo plano. Dessa vez não haverá falhas, Russian — Dália disse, séria.

— Eu estou preparado para o que precisar, Dália.

— Não precisa se preocupar com isso, Russian. Desta vez… eu mesma acabarei com o presidente para garantir que não haja erros e que Tempest não corra risco algum. Ela foi escolhida, lembra-se?

— Mas…

— Não questione, Russian. Apenas acene com a cabeça e finja que está de acordo — Patrick falou, irritando o homem novamente. Dália voltou para dentro da casa e Thomas falou em tom de confidência.

— Eu não tenho medo de Dália.

— Mas eu teria se soubesse o que ela planejou para você, Tom. Lembre-se que só a cara é doce e angelica, aquele olhos abrasadores, assim como o significado da Dália vermelha, é o que ela realmente é — Patrick jogou o charuto que segurava entre os dedos nas escadas e se virou para Tom novamente. — Um monstro.