N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.
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Capitulo 26
Thomas e Patrick entraram na imponente mansão, seguiram com passos apertados até uma sala de reuniões, poderia ser chamado de covil dos lobos. Assim que os entraram, cumprimentaram as outras pessoas que ali estavam e se sentaram confortavelmente nas enormes poltronas de couro verde-musgo que adornavam a sala.
Dália estava sentada em um poltrona vermelha, que contrastava com as outras do local. As pernas cruzadas, os olhos focados em um ponto qualquer enquanto deixava a sua mente trabalhar.
— Acredito que todos saibam que Fitzgerald está vivo e se recuperando neste exato momento — Dália começou e todos se calaram e vidraram os olhos na mulher. — Ele fará um discurso mais tarde sobre a sua volta para a Casa Branca em alguns dias.
O burburinho começou, se tornando quase insuportável e Dália apenas ergueu a mão, fazendo com que todos se calassem. Um gesto da mulher e todos já obedeciam.
— Eu confesso ter falhado desta vez, mas na próxima teremos sucesso — Tom falou e Dália sacudiu a cabeça, dando um longo suspiro.
— Eu temo que mate alguém que não quero morto, Russian — Ela falou, e olhou para o segurança que estava ao seu lado. — Mas o treinamento que lhe foi dado, não pode ter sido em vão. Tudo o que lhe foi ensinado, tudo o que fora compartilhado com você terá de servir para alguma coisa. Por isso, não irei me desfazer de você… Por enquanto.
Os olhos de Thomas seguiram até o segurança ao lado da mulher, que segurou uma arma e a alisou com o tom de ameaça pesado. Thomas nunca temera um arma, ele nem mesmo sabia se temia Dália, o que ela dissera para o governador rechonchudo não era uma mentira ou blefe, era real.
Quando fizera 17 anos descobrira que seus atributos físicos não lhe foram dados por acaso, muito menos sua inteligência e perspicácia, quando fora recrutado para a primeira tarefa dentro do grupo, soube que tinha nascido para o trabalho. Sua primeira grande missão era matar o presidente. Mas isso não queria dizer que não tiveram outras antes, mas nada se comparava a matar o homem mais poderoso do mundo.
— Você fala de Olivia — Um dos homens de terno alinhado comentou e a mulher assentiu.
— Sim. Há muitos anos, nomes foram escolhidos para assumir a linhagem dos presidentes. Todos os presidente, sem exceção, seguiam os mesmos ideais. Os ideais do nosso grupo — A mulher apontou para a parede e todos não demoraram nem meio milésimo de segundo para virarem suas cabeças como se fossem robôs comandados por controle remoto. — Vocês vêem as fotos pregadas ali? Foram colocadas em homenagem a todos que assumiram o cargo um dia. Faz um bom tempo que não era preciso que alguém comandasse de verdade, com pulso forte, porque todos os homens fizeram parte disso aqui e assumiram o poder agindo conforme os preceitos de nossa sociedade, se é assim que posso chamá-la.
— Todos nós sabemos dessa história, Dália — Graham falou após um pigarro que chamou a atenção.
— Não lhe perguntei nada, senhor Graham. Se acha tão entediante, ponha-se daqui para fora e espere as consequências — Dália falou, sem alterar o tom de voz, mas fez com que todos engolissem seco assim como Patrick. — Como ia dizendo, Fitzgerald nunca se interessou quando fora convidado a fazer parte de uma sociedade como a nossa, aliás, ele nem mesmo deu muita atenção para a existência da mesma, como se não fôssemos importantes. A última coisa que precisamos é de um presidente que não possa ser comandado por nós, temos negócios, temos conexões, coisas realmente grandes que dependem do presidente, por isso precisamos dele do nosso lado ou a sociedade acabará e tudo o que vocês conquistaram e tudo o que desejaram que seus filhos pudessem conquistar irão ser jogados pelo bueiro. É por isso que precisamos colocar Fitzgerald fora dali o mais rápido possível.
— E sobre Tempest? Porque tanto interesse na mulher?
— Eu sei que ela é a pessoa certa para que consigamos o poder de volta. Pode parecer difícil inicialmente que ela conquiste o país por completo, mas nós faremos o possível e o impossível. Vocês sabem que não gosto de entrar em uma briga para perder — Dália olhou para Thomas. — Já perdi demais por culpa de terceiro. Desta vez, eu mesma colocarei minhas mãos e as sujarei de sangue se for preciso.
— Correrá o risco de ser descoberta por todos? — Uma mulher perguntou e Dália negou com a cabeça.
— Acha que está lidando com quem, querida? Não me colocaram nesse posto tão alto da sociedade para ser um enfeite. Não sou como você, que veio parar aqui apenas pela linhagem de sangue — Dália deu uma risada sarcástica e olhou para os demais que também riam da cena, mais por medo do que realmente por acharem graça. — Apesar do fracasso do seu plano, Russian. Fiquei abismada por ter conseguido colocar uma pessoa dentro da Casa Branca sem levantar suspeitas, aquele lugar é um forte, quase impossível de ser invadido.
— Exatamente por isso, eu usei Jake que apesar de ser um babaca, é filho de alguém conhecido e que ajudava na campanha do presidente.
— Logo Jake Ballard… — Dália falou e Thomas assentiu.
— Ele precisava morrer, e eu sabia que entrar na Casa Branca seria mole para ele, o difícil seria sair dali sem estar morto. Menos um imprestável no mundo — Thomas respondeu.
— Imprestável é um ótimo adjetivo pejorativo para ele. O homem é tão ruim que não consegue nem mesmo acertar a adaga no lugar certo. Meu Deus! Depois sou obrigada a ouvir os machismos típicos sobre homem ser mais esperto, mais ágil e etc, mas se fosse eu dentro daquela sala da Casa Branca, o coração de Fitzgerald estaria escorrendo sangue no chão frio dessa sala de reuniões.
O silêncio permaneceu, enquanto a maioria queria simplesmente falar tudo o que estava engasgado sobre a tirania da mulher que vos falava. Mas permaneceram calados, pois o medo era maior que a coragem. Se é que possuíam algum tipo de coragem correndo em suas veias.
Dias Atuais
Hospital Base do Governo
Olivia não cansava de assistir Fitz que mesmo enquanto dormia lhe deixava feliz, simplesmente por que ela sabia que o homem estava bem. O risco de morte fora embora como uma nuvem negra, e agora o sol estava encoberto por poucas nuvens. Apesar de não estar muito interessada em deixar o homem ali sozinho, decidiu que precisava sair um pouco do hospital. Haviam se passado três longos dias e ela fazia de tudo dentro do hospital, tomava banho, comia e milhares ligações em seu celular era ignoradas com uma frequência absurda, até mesmo as ligações de sua mãe estavam na lista. Abby desaparecera por completo, e Olivia acreditava que a amiga estivesse dando espaço para que ela pudesse ficar mais tempo com Fitz.
O homem se recuperava bem, aliás, bem até demais se Olivia levasse em conta as carícias que ele lhe fazia sempre que podia. Mesmo dentro do hospital, em processo de recuperação, ele não deixava de ser tão insaciável. O céu de Washington brilhava quando Olivia saíra do hospital naquele dia. Após Fitz ter feito um vídeo para fosse publicado na página da Casa Branca e na sua própria do facebook e do twitter, todos acreditaram que ele estava realmente vivo e ninguém quis votar para que Chad Henson se tornasse o presidente interino. Olivia pôde suspirar aliviada quando vira que o homem já tinha saído da Casa Branca, e por isso sabia que podia ir até lá sem ter de esbarrar no vice-presidente novamente. Dentro do carro blindado, ela se sentia protegida, mas ainda assim ela temia que um atentado pudesse acontecer a cada esquina que o carro virava, ela se sentia como uma paranóica. Seu celular vibrou em seu bolso novamente e quando ela leu o nome da mãe no visor, resolveu que era hora de atendê-la.
— Mãe? — Olivia dissem atendendo a ligação.
— Até que fim, filha. Eu tenho tentado falar com você! Desde o dia do atentado ao presidente, fiquei tão preocupada, mas sabia que precisava de espaço e por isso evitei te ligar para não pertubá-la.
— Me desculpe não ter te atendido antes, mãe. Eu acabei dando todos os minutos do dia para Fitz, fazendo companhia para ele e tentando colocá-lo a par de tudo o que tem acontecido.
— Te entendo, minha querida. Ele precisa de você, mas eu preciso te falar sobre um assunto muito sério. Podemos conversar pessoalmente quando tiver um tempinho? — Maya perguntou e a filha respondeu prontamente.
— Claro! Posso saber o tópico da conversa?
— Preciso falar pessoalmente, minha filha. É sobre ameaças que venho recebendo.
— Está me deixando apreensiva — Olivia disse, temendo o que viria pela frente. — Passo em sua casa assim que sair da Casa Branca. Vou lá apenas buscar alguns dos meus pertences. Voltarei para o hospital, Fitz deve sair até o fim de semana.
Após combinarem, Olivia logo chegou ao seu destino e entrou na Casa Branca com certa apreensão. A idéia de que ainda poderia ter gente infiltrada lá lhe dava calafrios, lhe causava uma fadiga quase insuportável. Ela caminhou entre os corredores, ouvindo os barulhos de seus saltos ecoando pelo local e seguiu logo para o quarto de Fitzgerald, pegou algumas roupas que o homem precisaria e depois foi até seu quarto. Pegou alguns pertences que deixara lá, e quando ia saindo, percebeu um papel sobre sua cama que não estava lá ante. Sua curiosidade fez com que ela se aproximasse da cama e segurasse o papel com firmeza. Seu coração parecia lhe avisar sobre algo perigoso que estaria ali dentro.
Ela abriu o papel com cautela e se assustou com o conteúdo. O papel tinha uma letra adornada impressa e um endereço estava escrito no mesmo, um endereço que ela reconheceu de imediato, o da Catedral que ela tinha ido com Abby. E junto com endereço havia uma pequena frase:
"Sua vez de ser o padre, Pope. Aguarde o aviso."
A porta se abriu em um rompante, fazendo com que Olivia se assustasse e virasse lívida. Seu coração acelerado no peito não acalmou depois que sua amiga adentrou no local, ela encarou Abby por alguns segundos e foi encarada da mesma maneira. Abby pareceu perceber o clima tenso pelo olhar de Olivia.
— O que houve? — Abby perguntou e Olivia dobrou o papel antes de entregá-lo para a mulher à sua frente.
— Eu não sei, Abby. Eu não sei de mais nada — Disse, enquanto Abby lia o que estava no papel.
— Meu deus! Eles sabem que nós fomos lá, Liv — Abby disse com o tom de voz aterrorizado.
— Sabem e agora querem que eu vá até lá. Querem que eu faça o papel de membro do grupo que vem tentando matar Fitz.
— Não tem uma data? — Abby perguntou e Liv negou com a cabeça.
— Parece que irão me avisar quando for o dia.
— E você… vai? Liv isso é muito arriscado.
— Mas eu encontrei uma pista, Abby. Eu achei uma brecha para tentar descobrir quem anda atacando Fitz e a Casa Branca. Ele quase morreu e eu não quero que nada aconteça com ele.
— Ainda mais que ele está prestes a vencer a eleição novamente, certo?
— Como? — Olivia perguntou, curiosa com aquela novidade.
— Acredito que não tenha visto, mas novas pesquisas saíram e Fitz está disparado na frente. Sally parece ser carta fora do baralho. Parece que o atentado, que tinha tudo para ser um forte motivo para que duvidassem do poder do presidente, acabou se tornando a fonte de força para que subisse nas pesquisas.
— Conseguimos o que queríamos então. Eu só preciso trazer Fitz de volta em segurança e acabar com esse grupo que quer a morte dele.
— Vai arriscar a sua vida pelo presidente, Liv? Mal posso acreditar no que estou ouvindo.
— Sim, Abby. Eu descobri o quanto amo aquele homem.
— Deveria pensar no quanto ele te ama, e no quanto ele já sofreu com a perda de Melli. Já imaginou se acontece a mesma coisa com você? Ele se afundaria na depressão.
— No fundo, não seria apenas por Fitz. Imagine só se ele morresse? Chad assumiria o cardo, e eu não confio em Chad Henson depois do que ele aprontou na ausência do presidente. Eu vi ganância e ambição nos olhos daquele homem, algo que produz ânsia de vômito em mim só de lembrar.
— Morreria pela pátria, então? — Abby perguntou.
— Não — Olivia lançou um olhar firme e decidido. — Eu mataria pela pátria e é isso que farei.
A resposta de Olivia pegou Abby de surpresa, mas a mulher sorriu em seguida demonstrando que apoiaria a amiga de qualquer forma. Ela devolveu o papel para Olivia, que o guardou em sua bolsa.
— Consegue imaginar quem possa ter colocado esse papel aí?
— Não, mas isso significa que ainda existe alguém aqui dentro que está trabalhando para Dália.
— Dália? — Abby perguntou.
— O nome que Jake disse quando atacou a mim e a Fitz. Não sei se comentei isso com você.
— Acho que sim, eu acho que acabei esquecendo.
— Como ia dizendo, alguém aqui dentro está sob às ordens dessa pessoa e eu tenho minhas suspeitas.
— Tem?
— Sim. Ruby Johnsson é a minha primeira aposta — Liv vincou a testa. — Sabe se ela retirou todos os pertences dela daqui de dentro?
— Acredito que sim, mas ela realmente andou transitando por aqui. Será que foi ela?
— Não duvido de nada ultimamente — A mulher deu um longo suspiro. — Mudando de assunto, posso saber por onde andou que sumiu nos últimos dias?
— Você não acreditaria se te contasse — Abby disse, corando um pouco em seu rosto.
— Me conte e eu te direi se acredito ou não.
— Eu e David finalmente nos acertamos.
— Certo. Mal posso acreditar que você e David estão juntos novamente, ele era um idiota com você. Me diga que ele mudou, por favor.
— Claro que sim! Acha mesmo que me envolveria com ele senão tivesse pedido desculpas por tudo que fez e demonstrasse ser outra pessoa?
— Ainda bem. Não quero vê-lo fazendo com que sofra novamente.
— Ele me levou para o chalé da família dele, foi quase um sequestro relâmpago. Eu ia para sua casa, a que era da sua avó, e no meio do caminho ele me ligou. Foi tão rápido que mal pude assimilar ou avisar alguma coisa. Me desculpe.
— Você estava certa, Abby. Precisava descansar a mente e eu não saí do hospital para nada, sendo bem sincera você não seria de muita ajuda.
— Me sinto menos mal, então — Abby disse com um sorriso confidente. — Vai para o hospital novamente?
— Sim, mas antes passarei na casa dos meus pais, parece que minha mãe precisa conversar comigo com urgência. Acho que ela ficou meio assustada demais com tudo o que aconteceu, e eu nem mesmo atendi as ligações dela e você sabe como ela é, tem pavor de ficar sem notícias minhas, e que venham de mim mesma.
— Sei bem — Abby dsse com um tom enfático.
— Enfim, se quiser pode tirar o dia de folga e aproveitar seu namorado — Olivia piscou. — Devo voltar para o hospital e ficar por lá. Mas amanhã começam os preparativos para a saída de Fitz do hospital e então precisarei de você, porque depois de amanhã ele estará de volta para a Casa Branca e receberá os cuidados médicos aqui.
— Certo. Te ligo pela manhâ? — Abby perguntou e Liv assentiu.
Em seguida, elas foram saindo do quarto e indo em direção à garagem, sendo seguidas pelo agente Warren, quando Liv estava prestes a entrar no carro, ela se virou para a amiga.
— Peço que não comente sobre o bilhete com ninguém — Olivia disse e Abby assentiu.
Logo em seguida, olivia entrou no carro e logo estava indo em direção à casa de seus pais. O caminho foi longo demais para sua compreensão, ela se sentia apreensiva e temerosa pelo que sua mãe lhe falaria. Sua mente trabalhava em tantas coisas que aconteceram nos últimos dias, mas ela não conseguia ligar os pontos. Estava tudo tão confuso em sua mente que achava que seu cérebro fosse entrar em curto-circuito a qualquer momento.
Assim que o carro parou em frente a enorme mansão na qual morara quase sua vida inteira, ela sentiu uma enxurrada de nostalgia. Uma saudade do que vivera ali dentro, mas logo lembrou-se dos momentos que passara com seu pai, das discussões pesadas. Logo entrou na casa, acompanhada dos homens de preto que ela sinceramente nem sabia se confiava mais, talvez no agente Warren. Talvez. A verdade era que cada vez mais, sentia acuada e era exatamente por isso que queria acabar com tudo aquilo, todas aquelas ameaças de uma vez por todas. Ela seguiu o caminho até a sala e não havia ninguém ali, mas o som do choro incontido no andar superior lhe fez sobressaltar. Ela subiu as escadas com o coração apertado, prevendo que algo ruim poderia ter acontecido e quando o odor forte de sangue encontrou suas narinas, sentiu o estômago revirando-se. Quando abriu a porta do quarto de seus pais, não pôde acreditar no que via.
Um homem estava estirado no chão, o líquido vermelho escorria e molhava as roupas do mesmo. Enquanto sua mãe estava ao lado e segurava uma faca, lágrimas grossas rolavam por seu rosto e o choro acompanhado de soluços profundos, os olhos da mulher alcançaram os de Olivia que estava aterrorizada.
— Mãe? O que… A faca… — Olivia começou a falar, fazendo com que a mulher olhasse a arma que segurava. — Está em sua mão
— Sim. Eu o matei — Maya falou, sua voz era trêmula, assim como suas mãos que tremiam violentamente.
