N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.
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Capitulo 27
O sangue gotejava da faca que reluzia contra a luz do candelabro do quarto de Maya e Eli Pope, enquanto Olivia tentava colocar as palavras que sua mãe lhe dissera em ordem. Na mente da filha, não existia a menor possibilidade que a mulher pudesse ter matado alguém, mas os fatos estava ali, bem diante de seus olhos.
— Ele entrou aqui… — Maya voltou a falar, a sua voz ainda trêmula e assustada. — Começou a ameaçar seu pai, disse que o mataria e eu não tive outra alternativa.
— Quem é? Você o conhece? — Olivia perguntou, ainda tentando entender o que tinha acontecido ali.
— Nunca o vi antes.
Olivia ponderou por alguns segundo e então olhou ao seu redor, tudo parecia estar em ordem. Não havia sinal de brigas ali.
— Onde meu pai está? — Perguntou.
— Ele disse que ia atrás de alguma solução para que eu não fosse acusada — Maya deixou a faca cair no chão e levou as mãos ensaguentadas até o rosto, deixando que o pranto ficasse mais inteso. — Ah, meu Deus! Eu vou ser presa, não vou?
— Não, mãe. Você não vai ser presa.
Olivia não quis admitir, mas acreditava que tinha um dedo da misteriosa pessoa que estava por trás de Dália naquela emboscada toda. Afinal, aquilo atingiria Olivia e consequentemente poderia respingar em Fitz. Ao mesmo tempo, ela se perguntava se não era paranóia sua. Mas quem poderia estar ameaçando seu pai?
— O que você vai fazer?
— Espere um minuto — Olivia não queria recorrer a mais ninguém de fora, mas Huck sempre se mostrara um homem de confiança. Nada sobre a morte de Sara vazara, nem mesmo em uma época tão complicada como aquela.
Ela digitou rapidamente um número em seu celular e levou o mesmo ao ouvido, esperando pela resposta, e seu maior medo era de que Huck continuasse desaparecido, ela não tinha uma equipe para tirar a enorme mancha de sangue no tapete e então ela estaria perdida para limpar aquela bagunça. Ela precisava de Huck como nunca naquele momento.
— Fleur? — A voz grossa lhe atendeu e ela respirou aliviada.
— Huck, eu preciso de um serviço urgente. Minha mãe parece ter matado um homem, eu preciso descobrir quem ele é, e eu preciso encobrir isso daqui. Eu não sei o que fazer.
— Antes de mais nada, tire sua mãe e qualquer outra pessoa da casa. Eu preciso dela vazia para fazer meu trabalho, Fleur.
— Precisa do endereço? — Perguntou e uma risada veio do outro lado da linha.
— Eu sei de tudo, pequena Fleur. Deixe comigo. Você está em boas mãos.
Olivia desligou e logo se virou para sua mãe, encarando a mulher desolada sobre o tapete creme que naquele momento estava brilhando em uma enorme poça no meio dele.
— Mãe? — Liv chamou a atenção da mulher e se aproximou dela. — Levante-se, preciso que troque de roupas, use algumas toalhas úmidas para enxugar o sangue que esteja em alguma parte de seu corpo e venha comigo. Vou te levar para a casa que era da vovó e tudo isso aqui estará limpo até o fim do dia.
— Isso não importa. Não posso revelar nada sobre essa pessoa.
Maya se levantou e seguiu até o banheiro em estado quase catatônico, enquanto Liv tratou de dar férias surpresas para todos os empregados da casa. Quando voltou ao quarto, sua mãe estava limpa, os cabelos presos, e uma pilha de toalhas em suas mãos. Olivia se aproximou com uma enorme sacola preta em suas mãos e a abriu.
— Jogue as toalhas aqui. Elas serão incineradas e ninguém saberá que você teve algum envolvimento com esse assassinato — Maya obedeceu a ordem da filha. — Agora vá para o carro. Eu preciso fazer algumas ligações e então irei junto.
— E seu pai, Liv?
— Você o vê em algum lugar, mãe? — Olivia questionou a mãe de maneira carinhosa, mas bastante realista. — Ele que se vire, você se enfiou nessa confusão por culpa dele, alguma coisa que ele fez deu errado e vieram atrás dele. Se ele não foi capaz de te proteger quando você matou alguém para salvar a vida dele, não acredito que ele volte hoje.
Olivia não quis admitir, mas acreditava que o pai não voltaria tão cedo. Apenas quando desse conta de que a história não virou caso de polícia. Eli Pope tinha uma séria tendência a ser egóista e pensar apenas em si mesmo quando a situação indicava que ele estaria em maus lençóis. Quando estavam ambas no carro, indo para a casa antiga de sua vó, Olivia segurou firme a mão de sua mãe que parecia incrédula a tudo o que tinha acontecido nas últimas horas.
— Mãe, eu sei que talvez seja cedo demais para perguntar. Mas você se lembra de alguma coisa que aquele homem disse? — Olivia perguntou, com uma voz terna, tentando passar calma para sua mãe.
— Ele… ele falou algo como "Ela virá atrás de você." Para o seu pai. — Maya respondeu, e uma lágrima solitária rolou pelo seu rosto. — Acha que é uma amante de seu pai?
— Acho meio difícil.
— Eu sei que ele teve várias amantes ao longo da vida, mas nunca tive coragem para simplesmente deixá-lo.
Olivia assentiu, acreditava que sua mãe amava tanto seu pai a ponto de perdoá-lo por qualquer coisa, mas na verdade, Maya nunca abandonara Eli por medo.
— Acho que deveria aprender a amar a si mesmo, mãe.
Ela queria acrescentar que talvez fosse a hora de largá-lo, tamanha era sua revolta por ele tê-la deixado sozinha naquela cena do crime. Se dependesse dele, Maya estaria na poça de sangue e levaria toda a culpa do que acontecera e ninguém levaria em conta a legítima defesa ou o que fosse alegado, no fim das contas, ela pagaria por algo que nem mesmo sabia o que era.
O celular de Olivia vibrou e ela olhou para o visor do mesmo. Havia ali, duas mensagens, uma era de Huck.
"Começarei o serviço agora mesmo e termino de madrugada, no mais tardar até amanhã de manhã, fleur. Manterei contato."
Olivia deu um suspiro, e seguiu para outra mensagem. Poucas palavras que a fizeram sorrir de imediato, algo que ela considerava incrível em meio ao caos que sua vida estava.
"Será muito clichê ou piegas dizer que sinto sua falta? Me deixou mal-acostumado ao passar todos os minutos do dia ao meu lado. Isso me faz pensar que posso esperar pelo resto das nossas vidas juntos."
— Esse sorriso me diz que está lendo algo de Fitz — Maya comentou, com a cabeça encostada no vidro do carro, fazendo com que Olivia a olhasse.
— Sim, você acertou — Respondera, olhando a mãe rapidamente antes de voltar a encarar a tela com os olhos brilhantes.
— Você o ama?
— Mais do que eu poderia imaginar.
— Espero que você seja feliz, minha querida — Maya disse, puxando a filha para um abraço. — Não importa com quem esteja ou quem seja.
— Porque diz isso?
— Como?
— Parece estar dizendo isso por algum motivo a mais — Olivia disse e se afastou um pouco do abraço de sua mãe.
— Quando eu me casei com seu pai, eram apenas negócios para ele e esse foi o principal motivo pelo qual sua avó não gostava de Eli. Ela não queria o mesmo destino que tivera para sua filha, e é engraçado como essa parece ser a sina das mulheres da nossa família.
— Acho que não entendi, mãe. Acha que estou repetindo sua estória? — Indagou e sua mãe lhe lançou um sorriso compreensivo.
— Eu sei que você está se casando com o Fitz em um arranjo político, Liv.
— Você não está de todo errada. Mas eu realmente me apaixonei por ele, e acredito que ele também me ame. — Defendeu seu relacionamento que começara de maneira torta.
— Por isso, eu disse que espero que seja feliz, independente do que escolher para sua vida. Mesmo que não seja real — Maya dissera de maneira sutíl, porém incisiva.
— Ele não mente para mim. — Olivia respondeu com vigor.
— Quem pode garantir? Depois de eu estar tantos anos nessemeio, concordo um pouco com seu pai, não dá pra confiar em todos, Liv. Todos são capazes de enfiar o punhal em seu peito antes que possa tentar se defender.
— Onde quer chegar com esse papo? Acha que meu casamento é uma perda de tempo? Um erro?
— Seu maior erro seria deixar de viver o que sente por medo. No fim das contas, você poderá estar no meu lugar, com marido como o seu pai é para mim.
— Eu não estou te reconhecendo — Olivia sacudiu a cabeça, indignada pelas palavras da mãe. — Eu batalhei a minha vida inteira para ser quem eu sou, se eu percebesse que Fitzgeral é um terço do machista que o meu pai é, eu teria simplesmente virados as costas. Por favor, não compare o egóista que Eli Pope é com Fitzgerald — Olivia estava claramente revoltada com tudo que sua mãe dissera. — Além do mais, nesse meio em que todos estão prestes a me atacar, é no presidente que coloco minha fé. Se ele anda sendo tão atacado, é porque ele ido contra a maré de maldade dos outros.
— Me desculpe se te ofendi, querida. Talvez eu só esteja atordoada com tudo que aconteceu.
— Eu entendo. Eu peço desculpas se fui rude, mas sua maneira de pensar sobre Fitz precisa ser revisada, pois se tem alguém perigoso nessa história, está longe de ser o presidente.
O silêncio pairou sobre o carro, Maya olhava pela janela, enquanto Olivia pensava no que sua mãe lhe dissera, ainda se sentia indignada pelas coisas ditas pela mulher, e principalmente por ela ter comparado seu pai com Fitz. Fitz smpre tivera muitos defeitos como qualquer outro ser humano, mas nunca chegou a ser tão baixo quanto Eli era para conseguir o que queria. Olivia se sentia mal por pensar tais coisas do próprio pai, mas saba que tentar esconder a verdade era algo completamente inútil naquela situação.
Seu pai era o que era e ponto.
O carro parou em frente a mansão que fora de Elizabeth, Maya já ia saindo quando Liv segurou sua mão de maneira firma, fazendo com que a mulher parasse e a olhasse.
— Se alguém perguntar, diga que veio pegar algumas roupas para mim e que resolveu passar a noite aqui.
— Você será meu álibi?
— Você não precisará disso. Amanhã quando voltar para casa, será como se nada tivesse acontecido . — Olivia disse, sabendo que aquilo não era verdade, pois sua mãe jamais esqueceria a cena que vivera.
— Certo. Obrigada mais uma vez, minha filha — Maya se aproximou de Olivia e a abraçou de maneira carinhosa.
— Qualquer coisa, me ligue.
Maya saiu do carro em seguida e adentrou na imponente mansão, assim que o portão foi fechado, Olivia pediu para que seguissem para o hospital. Depois daquela cena estranha que presenciara, precisava ver Fitz. A única pessoa capaz de lhe trazer um pouco de paz no momento. O cansaço tomou conta de seu corpo e ela se deixou levar em um cochilo delicioso, relaxando o corpo por completo, ficando alheia a tudo que aconteca ao seu redor, mergulhando em um mundo de sonhos em que nada atingiria ela ou qualquer pessoa que ela amava.
Vinte e Oito anos Antes
Residência dos Pope, Nova Iorque
Maya estava grávida, uma gravidez desejada, uma gravidez aguardada por toda a família. Todos já planejavam que o filho que viria, seria um homem, e tomaria posse de um grande cargo, como o pai, Eli Pope. Mal sabiam que a criança seria uma menina, Olivia Pope. Elizabeth MacMillan, mãe de Maya, era a única que parecia ultrajada com aquilo. Ela seria avó, por qual motivo estaria ela então tão desgostosa? Maya lançou um olhar para a mãe, que segurava a taça de champanhe com toda a classe requisitada. Os cabelos brancos estavam presos em um coque sofisticado, e sua roupa era sóbria, porém elegante. A mais velha olhara em direção da biblioteca da mansão e fizera um gesto com a mão, indicando o número cinco. A quantidade de minutos para que Maya deveria esperar para que então fosse a biblioteca, e ela sabia que acabaria ouvindo as palavras rudes de sua mãe que nunca fora a favor de seu casamento com Eli.
As pessoas a cumprimentavam com extrema falsidade, ela sabia que a maioria estava ali por conta do cargo político de seu marido e de seu sogro. Ninguém se importava de verdade com a criança que ela carregava no ventre além dela e de Joshua. Joshua Pope, irmão mais novo de Eli, sempre fora um grande amigo e ouvinte nos dias em que todas as frustações do casamento arranjado por seu pai e seu sogro chegavam ao limite. Ele estava na festa, lançando-lhe olhares profundamente tristes, fazendo com que o choro viesse até sua garganta e ficasse entalado ali enquanto o sorriso forçado lhe pendia sobre os lábios. Maya pediu licença e seguiu até a biblioteca.
Ela não notou, mas Joshua veio logo atrás. Havia um segredo entre eles, aliás, não apenas um segredo, mas sim, vários deles.
Em certa noite de verão, os dois conversavam diante da piscina da mansão que fora passada para Joshua, já que ele decidira ser músico e não se meter na política. Tal decisão fora vista como um ultraje pelo patriarca da família que nunca se importara em demonstrar que Eli era o filho favorito. Estava quente, tão quente que gostas de suor escorriam de forma deliberada em ambos os corpos enquanto uma conversa animada fazia com que Maya se esquecesse das palavras grosseiras, o cheiro de perfume barato e as marcas de batom que encontrara na camisa de Eli horas antes. Aliás, ele havia saído após a briga, Maya sabia que ele não voltaria naquela noite, talvez nem mesmo no dia seguinte. Ela estava acostumada com aquilo desde os primeiros dias de casamento, quando descobrira que o homem com quem se casara estava apenas fingindo ser doce e gentil antes do matrimônio. Estavam apenas Maya e o cunhado, apreciado aquela noite e quando Joshua se jogou na piscina de roupa e tudo, Maya não teve muito tempo para pensar, pois logo fora puxada para a água que estava alguns graus mais fria do que sua pele quente, pelo clima da cidade, mas também pela reação de seu corpo por estar perto do cunhado. Quando a mulher sentira os lábios de Joshua sobre os seus, percebeu que era tarde demais, estava completamente apaixonada pela última pessoa que poderia ter tal sentimento no mundo inteiro. Se alguém descobrisse ambas as cabeças estariam a prêmio.
Exatamente por isso que ela evitara Joshua durante toda aquela noite de comemoração, ela temia acabar deixando transparecer alguma coisa que não devia, mas Joshua era insistente e por isso a seguira até a biblioteca. Maya entrou na biblioteca e passou a chave na mesma, ao se virar, Elizabeth estava sentada na enorme poltrona que adornava o local, sua feição era triste.
— Não bastava ter se casado com o maldito do Eli por culpa das idéias estapafúrdias de seu pai e agora engravida desse traste? Seu pai está morto, Maya. Não precisava engravidar desse homem e proliferar o lixo genético dele — Elizabeth disse com a voz severa, uma das sobrancelhas erguidas.
— Eu não queria engravidar — Maya respondeu. Os cabelos negros, caíam como cascata sobre os ombros, os cachos eram o charme dela aos seus olhos, e o pavor do marido que achava o corte desleixado e exatamente por isso ela o usava sempre que podia. — Foi um acidente.
— E que acidente feio, hein? — Elizabeth dissera. — Você sabe que só estou aqui por você, não sabe? Meu ódio por seu marido e toda a família dele, me dá repulsa. Nunca pensei que ficaria triste por me tornar avó.
— Terá repulsa do neto ou neta que virá?
— Sei que será uma mulher, ele não terá o desejo de ter um filho homem concedio. Isso porque ele é um grande filho da puta machista, a filha que ele terá será mais inteligente do que ele, exatamente para mostrar que não é preciso ser omem para ter um grande cargo e comandar algo grandioso.
— Ele não terá nem menino, nem menina — Maya falou, um tom de desafio estava impregnado na sua voz.
— Como assim? Pretende abortar? — Elizabeth perguntou e Maya negou com a cabeça.
— A criança não é dele, mãe. — Maya disse sem anestesia, de maneira firme e decidida. — O bebê que estou esperando é de Joshua.
Elizabeth abrira a boca, incrédula do que acabara de ouvir. Logo depois uma gargalhada se desprendera do fundo de seu ser, e reverberava por todo o espaço da biblioteca.
— Você está me dizendo que Eli Pope, além de ter sido traído, irá criar uma criança que não é dele? — Elizabeth indagou com um sorriso malicioso nos lábios. — De maneira repentina me sinto bem melhor. Acho que preciso de uma nova taça de champanhe para comemorar.
— O sangue da criança ainda será o mesmo, mãe. — Maya falou e Elizabeth sacudiu a cabeça.
— Será o sangue mais limpo da família, já que nem o próprio Joshua se considera filho do próprio pai — Disse, se aproximando da filha e depositando um beijo em sua testa. — Estou orgulhosa porque seguiu seu coração pelo menos uma vez, minha querida. Essa criança que você espera terá um futuro brilhante, farei de tudo para que isso aconteça.
Elizabeth destrancou a porta e saiu da biblioteca, deixando Maya com os olhos cheios de lágrimas, pois fazia muito tempo que sua mãe não a tratava de forma tão carinhosa. A porta se reabrira e quando Maya se virou para ver quem era, os lábios de Joshua grudaram nos seus de maneira voraz e apaixonada. Ela se entregou ao beijo, mesmo sabendo que seu marido estava a poucos metros de distância, comemorando a vinda de um filhos que não era seu.
— A criança é minha! — Joshua dissera assim que separou os lábios dos de Maya, colando sua testa na dela e fechando os olhos, enquanto grossas lágrimas escorriam pelos seus olhos. — Eu ouvi tudo, Maya! Eu estava sofrendo tanto, achando que aquele desgraçado teria além de você, um fruto desse relacionamento mentiroso. Mas o bebê é meu!
— Sim, Joshua — Ela assentira.
— Agora você precisa criar coragem para que possamos fugir. Você sabe que recebi uma grande chance na Europa, certo? Estou prestes a assinar um contrato bom e podemos viver bem longe disso tudo, meu amor.
— Eu tenho medo queEli faça algo com você — Maya disse e o medo estava presente em seu olhar.
— Ele não fará — Joshua segurou o queixo da mulher e levantou a cabeça dela. — Você confia em mim?
— Confio minha vida à você, Josh.
— Nós sairemos bem dessa e seremos felizes junto — Joshua dissera com os olhos brilhando antes de beijar a barriga da mulher de maneira apaixonada.
Maya não sentira nada além de amor, que invadira todo seu corpo, preenchendo as lacunas que sempre ficaram vazias durante sua vida. Talvez fugir fosse uma escolha, talvez eles ficassem bem. Ela desejava, ela ansiava. Mas as coisas não saíram como planejado.
Tempos Atuais
Hospital Base do Governo
Olivia caminhou pelos corredore pelos quais estava acostumada após ter passado alguns dias ali dentro. Ela sentiu um alívio grande percorrer seu corpo ao se dar conta de qua no dia seguinte, ela e Fitz estariam de volta à Casa Branca. Quando ela passou pelos rituais de segurança, abriu a porta do quarto em que seu noivo estava e mal pôde acreditar no via. Fitz estava de pé, dando passos curtos e lentos, mas estava com toda sua energia apesar da dor que parecia e assolar em alguns momentos. Ele usava uma bengala para se apoiar, mas Olivia nem reparou muito no acessório.
Ele vestia um suéter azul-marinho e calça de moletom, ambos da marinha, ele lhe parecia uma pessoa simples, como qualquer cidadão do país. Por um minuto, todos os problemas sumiram de sua mente e eram apenas os dois em um quarto de hospital.
— Não mereço um abraço? — Fitz indagou e Olivia sorriu de canto antes de ir até ele.
— Merece mais do que isso — A mulher respondeu e ficou na ponta dos pés para alcançar os lábios do homem que recebeu o beijo de forma ardorosa, embrenhando os dedos da mão livre nos cabelos dela.
Quando os dois separaram os lábios, a mulher encostou a cabeça no peito forte dele e os dedos dele lhe fizeram um carinho gostoso no topo da cabeça.
— Você tem autorização para ficar andando no quarto desse jeito? — Perguntou.
— Bom… o médico disse que seria melhor aguardar até amanhã para ter certeza de está tudo bem, mas eu não sei que diferença pode fazer de hoje para amanhã. Estava cansado de ficar deitado nessa maldita cama.
— Se você piorar, eu largo aqui dentro desse hospital para morrer sozino — Olivia dissera e Fitz sorrira ao reparar a feição irritada dela.
— Eu preparei uma surpresa para você — Ele disse e ela levantou a cabeça para olhos nos olhos do homem.
— Eu normalmente odeio surpresas, mas confesso que desta vez estou animada para descobrir o que é — Olivia largou a pequena irritação de ladoe cedeu a chantagem.
— Eu causo esse efeito nas pessoas — Fitz disse e levantou uma das sobrancelhas.
— Por favor, não me diga que estamos regredindo no seu comportamento, senhor presidente. — Olivia perguntou sorridente.
— Tenha pena de mim e não me chame de "senhor presidente", porque mesmo estando rasgado e machucado, te jogo naquela cama e e rasgo você também, mas de outra maneira — Fitz disse, puxando-a para beijá-la novamente.
Olivia sentira o calor já conhecido entre as pernas e se entregou ao beijo. Fitz cortou o beijo, seguindo com os lábios até a mandíbula delineada da mulher, depositando beijos por todo o caminho. Olivia correspondeu ao carinho cravando as unhas na nuca e nos ombros de Fitz que não reclamou daquela dor que lhe parecia agradável.
— Será que aguento até o fim de semana sem sexo? — Fitz indagou, mas parecia perguntar para si mesmo. — o médico disse que era melhor esperar, mas nós sabemos que não sou muito bom em obedecer a ordens médicas.
— Acho que nunca fiquei tão feliz por essa desobediência — Olivia disse e arrancou um sorriso do homem.
— Você é tão safada quanto eu, Olivia. E isso me excita até os meus limites — Fitz falou, travando as mandíbulas. — Eu queria você nessa cama, agora mesmo.
— Sabe que não podemos — Olivia disse, seu sorriso maroto brincando nos lábios.
— Quem disse isso? Eu sou o presidente, se eu não puder fazer sexo com você aqui, não posso mais nada nesse país.
Olivia mordiscou o lábio inferior do homem e esfregou sua intimidade mesmo que ainda vestida sobre o membro que estava visivelmente ereto do presidente.
— Posso saber qual é a surpresa? — Olivia indagou curiosa e Fitz negou com a cabeça.
— Não sabia que tinha a tendência a ser tão curiosa, senhorita. E se esfregar em mim não fará com que eu te dê a resposta — Fitz disse e um riso acompanhou sua fala. — Mas se isso te alivia um pouco, faremos uma viagem.
— Você ficou maluco? O país está um caos por conta desse ataque que você sofreu, todos esperam pela sua volta.
— Eles irão esperar um pouco mais por isso. Tenho ordens médicas de que deveria me ausentar do trabalho, evitar estresse e descansar porque posso ter um ataque cardíaco facilmente por conta dos efeitos colaterais do veneno.
— Então, essa ordem você resolveu seguir — Liv assentiu e sorria para o homem que também ria de maneira quase travessa.
— Claro. Não quero morre.
— Você pode ter uma complicação e morrem enquanto fazemos sexo também.
— E existe maneira melhor de morrer do que enfiado dentro de você?
— Você consegue ser romântico e estragar tudo ao mesmo tempo — Olivia sacudiu a cabeça.
— Mas e então, posso fazer a surpresa? — Fitz indagou.
— Depende de qual lugar vai me levar.
— Se eu te contar vai perder a graça e deixar de ser surpresa — Fitz revirou os olhos.
— Acho que posso confiar em você — Olivia disse, sendo sincera.
— Que bom. Porque eu confio a minha existência à você se for preciso.
Fitz não esperou um milésimo de segundo antes de beijar Olivia novamente. Ambos estava descobrindo cada vez mais o sentimento que crescia em seus corações, um amor que nascera do impossível e se tornara a única possibilidade de redenção para ambos. Um pigarro interrompeu o beijo, fazendo com que ambos olhassem para a porta e o estava ali, segurava uma pasta branca e outra preta nas mãos.
— Com licença, me desculpem atrapalhar — Ele disse e entrou no quarto, fechando a porta e trancando-a. — Nós temos apenas hoje para conversarmos, já que amanhã você terá alta, senhor.
— Claro. — Fitz se sentou na cama e puxou Olivia para que ficasse em seus braços. — Estou preparado para mais descobertas.
— Primeiramente, preciso lhe informar que o senhor vem sendo atacado por uma sociedade secreta comandada por uma pessoa com codinome de Dália.
— Até aó nós sabemos. Você sabe algo sobre Dália? — Olivia perguntou.
— Eu tenho suspeitas de que seja uma mulher. Andei investigando a vida de muitas pessoas no meio político em busca de alguém que pudesse ser essa pessoa, já que o senhor possui muitos inimigos.
— E chegou até alguma conclusão? — Fitz vincou a testa.
— Seu vice-presidente Chad Henson, Senhor Patrick Graham Governador e a senhora Anelise Rodd possuem vínculo com essa sociedade.
— Anelise? Meu Deus! — Olivia falou e levou a mão aos lábios. — Ela sempre foi tão gentil comigo. — Fitz apertou a mão na cintura da mulher, como quem tentava reconfortá-la.
— Acha que ela pode ser quem comanda tal sociedade? — Fitz perguntou.
— Não acredito que seja ela, mas tenho certeza que é alguém com meios de conseguir escapar, pois nunca consigo pegar os rastros da pessoa. Mas acho que vou acabar vencendo Dália pelo cansaço.
— Meu pai te colocou para tomar conta da minha vida? — Fitz perguntou, erguendo as duas sobrancelhas. — Aquele velho não me larga nem depois de morto.
— Ele acreditava que seu jeito autêntico, faria com que outras pessoas te odiassem, mas acho que ele não esperava algo tão grandde como essa sociedade que vem tentando contra sua vida, senhor. — O homem que se apresentara como Thompson disse. — Além desses nomes que citei estou investigando Ruby Jonhssom, Cyrus Beene e sua falecida esposa Mellie Grant.
— Mellie estava envolvida? — Fitz se sobressaltou e sentiu uma dor no peito pelo esforço repentino. — Cyrus é meu braço direito, tem me ajudado em todos os momentos, duvido que tenha alguma coisa a ver com isso, já Ruby… posso esperar qualquer coisa.
— Como disse, preciso terminar minhas investigações, senhor. Tenho uma lista de prováveis agentes do serviço secreto que podem estar envolvidos no esquema, talvez fosse bom que os demitisse.
— Claro. — Disse, balançando com a cabeça em concordância.
— Aliás, você falou sobre Ruby e foi ela que vazou aquelas fotos para várias mídias, além de ter ajudado Thomas Nielsen a colocar Jake Ballard dentro da Casa Branca, já que seu nome não estava na lista. Nielsen possuía todo o conhecimento preciso para colocar alguém dentro da Casa Branca, ele conhecia passagens secretas, e, além disso, preparava suas operações de segurança, ou seja, era muito fácil entrar na Casa Branca com a ajuda dele. Thomas é conhecido como "Russian" dentro da sociedade, inclusive ele possui uma tatuagem nas costas com o apelido.
— O filho da puta era meu chefe de segurança. Não sei como ele não tinha me matado ainda.
— Ando investigando a vida dele também, senhor. E o que eu descobri, talvez não lhe agrade tanto.
— É tanta coisa que já estou ficando até confusa — Olivia passou a mão pelos cabelo e abraçou o próprio corpo em seguida.
— Thomas possuía um vínculo afetivo com sua esposa.
— Vínculo afetivo? — Fitz repetiu as palavras, já imaginando o que poderia vir como resposta. Talvez ele estivesse apenas querendo ganhar tempo antes da bomba que viria, e Olivia pressentindo isso, segurou a sua mão.
— Eles eram amantes, senhor.
