N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

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Capítulo 34

Fitz olhava atentamente para as feições da esposa que se encontrava deitada sobre a enorme cama do quarto em que o casal estava hospedado. Olivia dormia profundamente após uma crise de choro do qual o presidente adoraria se esquecer. Doía em si mesmo ver a mulher daquele jeito, a mágoa transparecendo n dor que parecia apunhalar sua alma e se transformar em choro irrefreável.

Fitz acariciou o rosto da mulher que parecia calma enquanto dormia. Ele tivera que fazer com que ela tomasse um remédio que a acalmasse, pois suas palavras ou de Joshua nada adiantaram. Seus olhos marejaram, mesmo que ele não admitisse. Seu coração afundou no peito ao se lembrar da mulher caindo no chão da biblioteca, perdendo as forças que tinha no corpo para lutar. Se entregando ao sofrimento arrasador que lhe consumiu como fogo consumindo a pólvora.

Descobrir que a avó era a mesma pessoa cruel por trás de todas as atrocidades que vinham acontecendo era em definitivo a pior dor que ela pôde suportar. O fato de que o homem que ela acreditou ser seu pai, era mentira, não importava tanto quanto a integridade moral da sua avó. Elizabeth McMillan era Dália. A chefe da intitulada como "Sociedade de Dália" que visava a proteção de Olivia no começo, mas que, no fim das contas, se tornara um pretexto para a busca infindável pelo poder e dinheiro.

Fitz ajeitou uma mecha do cabelo de Olivia que desprendia do outros fios, caindo em seu rosto. Ele ajeitou atrás da orelha e acariciou os cabelos dela com suavidade.

O presidente sabia que precisava conversar com Joshua e explicar que ele devia ir para os Estados Unidos, pois era a testemunha viva de toda a história. Mas aquele quarto com Olivia lhe parecia muito mais atraente, a idéia de ficar olhando a esposa enquanto ela dormia e cuidar para que ela se sentisse bem quando acordasse, parecia muito mais interessante. Ele lutou contra os desejos que alavancavam contra sua razão, e cobriu os ombros de Olivia ao ajeitar o edredom da mulher que deu um suspiro profundo com o movimento. Fitz se afastou com cautela e sorriu fracamente ao vê-la se ajeitando, ainda dormindo como uma pedra.

— Eu te amo tanto, Liv — Ele fechou os olhos, respirando fundo, antes de ir em direção à porta. Antes de sair a olhou pela última vez, e mesmo tendo perdido a fé quando perdera Mellie, pediu a Deus que protegesse Olivia e confortasse o coração da mulher.

Logo ele desceu as escadas, encontrou Joshua visivelmente abalado na sala. O homem que começava a ficar bastante grisalho, estava sentado no sofá e se levantou assim que viu Fitz descendo os degraus.

— Ela dormiu, senhor? — Joshua indagou, visivelmente aflito e preocupado.

— Sim. Ela tomou um remédio, é claro — Fitz sentou-se e indicou para que Joshua sentasse novamente. Fitz não conseguia esconder sua expressão abalada e preocupada.

— Eu me sinto muito aflito, senhor. Creio que fiz muito mal em contar sobre tudo que aconteceu. Ela não estava preparada.

— Eu acho o contrário, Joshua. Já era a hora dela descobrir tudo isso, e já era a hora de eu descobrir também — Fitz dissera de maneira pensativa.

— Eu causei uma dor irreparável na minha menina. Não acredito que esse machucado cicatrizará tão breve.

— Eu tenho certeza de que não será em breve. Mas um dia, eventualmente, ela aprenderá a conviver com a dor, ela se tornará branda. Eu já senti dores irreparáveis, e hoje elas não existem mais.

Fitz lembrou-se da dor que ele sentira por ter perdido Mellie e o filho que nem mesmo era dele, ela sumira por completo e a dor que restava em seu coração era de não ter tido um filho. A idéia de não ter nem mesmo engravidado alguém lhe fazeia se sentir um inútil.

— Joshua — Fitz curvou-se sobre as suas coxas e colocou os braços ali como apoio. — Eu preciso que você venha conosco até a Casa Branca.

— Eu sei — Joshua respondeu com um tom brando.

— Está tudo bem para você? Sei que teme muito pela vida de Olivia, Maya e claro, pela sua vida.

— Mas é necessário, senhor presidente. Eu já deiva ter feito isso há muito tempo, e eu agradeço pela generosidade em não me entregar para a polícia, porque o que eu fiz foi um crime muito grave, além de ter sido covarde.

— Não precisa agradecer, Joshua. Agora parece que você fez algo muito ruim, mas Olivia o agradecerá em breve, tenha a certeza disso. E quanto a ser um crime, tenho certeza que será perdoado caso nos ajude.

— Eu espero realmente que Olivia realmente se sinta agradecida pelo que fiz. Não vou conseguir conviver com mais essa tristeza na vida — Joshua sorrira de forma amarga. — Tantas dores e mais o fato de minha filha me odiar.

— Ela não o odiará. E quanto a sua segurança, fique tranquilo. Sei que isso pode passar pela sua cabeça, mas eu tomarei conta para que você fique protegido em um dos abrigos da Casa Branca, eles servirão para alguma coisa útil.

— Eu concordo com suas decisões, senhor. E claro, que vou ajudar em tudo que for possível para que consiga capturar Elizabeth e seu bando.

— Sim. Nós precisamos de mais provas, mas com a lista dos nomes que Dália te enviou, fica mais fácil descobrir os podres deles — Fitz se encostou no sofá novamente. — Eu quero te pedir que não fale sobre o que conversamos para ninguém, nem mesmo meus agentes secretos. Ultimamente não sei em quem confiar, mas acredito que capturando Dália e toda sua corja, acabaremos descobrindo todos os infiltrados.

— Eu sei que a lista será importante, mas ela é meio antiga, senhor. Tenho certeza que há novos aliados na Sociedade de Dália. Mais fortes dos que já existiam, mais desejosos pelo poder do que nunca.

— Nós encontraremos todos, Joshua. Não restará nem mesmo pó dessa maldita sociedade.

Fitz disse com uma firmeza talvez exacerbada, porém a ideia de que poderia enfim viver em paz com a esposa era o que mais lhe colocava contra a parede para que resolvesse logo tudo aquilo.

O dia se fizera firme, e apesar do tempo fechado, o voo não havia sido cancelado. Logo pela manhã, já havia vários fotógrafos na porta da casa, prontos para capturar as melhores fotos para os jornais e revistas do mundo todo. A notícia que Fitz e Olivia haviam se casado não havia sido confirmada, mas eles acreditavam que havia algo mais sério naquela viagem para a França do que um simples descanso do presidente após o atentado.

— Eles estão desesperados para saber se estamos casados — Olivia disse quando chegaram na base área na qual estava o Air Force One.

Fitz levara a esposa até uma sala de espera, e se sentou ao lado dela em um sofá preto, envolvendo o corpo miúdo da mulher com seus braços fortes. Olivia sentia-se protegida daquele jeito.

Fitz não havia tocado no assunto que tanto machucara a mulher na noite anterior. E Olivia também não mencionara nada sobre o ocorrido. Parecia estar digerindo a situação, e talez falar sobre aquilo não ajudasse muito.