N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

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Capítulo 35

Quando o avião pousou em Washington, Fitz já estava acordado. Joshua estava sentado perto deles, e lia um jornal que o presidente deixara em cima da mesa da sala. Existia um protocolo que exigia que o presidente se mantivesse dentro do Air Force One até que tivessem certeza de que estava tudo certo e que não havia qualquer resquício de perigo contra ele e seus passageiros.

— Joshua? — Olivia chamou o homem que o a olhou,atento. — Eu quero que saiba que não estou magoada com você, de verdade. Mais do que nunca eu sei que precisava ouvir suas palavras, por mais que elas me cause uma dor quase insuportável.

— Obrigado, minha filha. Eu estava me sentindo péssimo por ter lhe causado tanta dor.

— Você causou isso por uma reação em cadeia. Os atos de outras pessoas desencadearam uma consequência, que foram seus atos. Você não é o maior culpado disso tudo — Olivia desabafou. — Mas eu preciso saber se você está realmente pronto para tudo o que lhe aguarda. Preciso conversar com minha mãe e seria muito bom se eu pudesse colocar vocês frente a frente.

— Eu não poderia desejar outra coisa nessa vida a não ser rever os lindos olhos de sua mãe diante dos meus. Desejei tanto ter esse momento com ela que sinto meu coração bater freneticamente.

— Então acho que seu desejo se tornará real — Liv dissera, sentindo os olhos alargando-se das lágrimas que aquele amor tão antigo lhe causava. — Mas já adianto que talvez ela não te perdoe.

— Eu sei. Estou preparado para isso, Liv. Se eu puder ao menos contar para ela tudo o que aconteceu, me sentirei livre. Eu vou me livrar da cadeia que me prende há 28 anos.

— Senhor presidente? — A voz de um dos agente chamou Fitz e o homem que prestava atenção na conversa, mesmo que de longe, atendeu o homem com um aceno de cabeça. — Está tudo pronto. Vocês podem descer.

Fitz estendeu a mão para a esposa que enroscou sua mão na dele sem dificuldade, e ambos olharam para Joshua que sabia qual era o plano, que era sair do avião disfarçado como um agente do serviço secreto para que não fosse reconhecido.

— Um dos meus agentes lhe acompanhará até o carro. Você irá em um veículo logo atrás de mim — Fitz dissera, relembrando sobre o plano e Joshua assentira. — Nos veremos na Casa Branca.

— Sim, senhor presidente.

Olivia lançou um sorriso para o pai antes de seguir Fitz até a porta e descer as escadas ao lado do marido, que segurava a mão dela com firmeza e acenava para o fotográfo oficial da Casa Branca e alguns outros repórteres que haviam sido autorizados para ir até o local. Fitz não deixara transparecer, mas dentro do carro se sentia amendrontado de que Joshua estívesse no carro logo atrás da limusine presidencial. Joshua era uma peça preciosa em toda aquela conspiração estranha contra Fitz. Não podia perdê-lo.

Olivia estava mais assustada com a ideia de que logo teria que conversar longamente com sua mãe. Não sabia nem por onde começar. Ela enfiou a mão no bolso do casaco e pegou o celular, respirou fundo e digitou uma mensagem para a mãe.

"Eu cheguei mãe. Precisamos conversar urgentemente. Poderia ir até a Casa Branca? Estou enviando um carro para lhe buscar."

Não demorou nem mesmo cinco minutos para que a resposta de Maya chegasse em seu celular, onde ela confirmava que estaria na Casa Branca. Fitz olhou para Olivia que estava visivelmente aflita.

— Vai dar tudo certo, Liv. Eu estou aqui para o que for preciso, você sabe disso, não sabe? — Fitz disse,beijando os lábios dela carinhosamente. Olivia assentira com a cabeça, mas ela não tinha tanta certeza se tudo realmente ficaria bem. No entanto, era oque ela mais queria no mundo.

Algumas horas depois, Olivia terminara de tomar seu banho e se preparava para vestir uma roupa confortável em seu quarto. Fitz já havia chegado e voltado ao escritório para trabalhar. Cyrus os parabenizara pelo casamento, mas ao mesmo tempo já jogara todos os problemas que Fitz teria que lidar de maneira urgente. O que restou para a mulher foi ir para seu quarto, tomar um banho e se preparar para a conversa que teria com a mãe. Ela ouviu algumas batidas na porta enquanto terminava de ajeitar o casaco.

— Quem é? — Olivia indagou.

— Sou eu, Abby. Abre logo essa porta porque precisamos conversar! — Abby parecia extremamente animada do outro lado da porta. Olivia não prolongou o sofrimento da amiga e foi até a porta, abrindo-a e revelando o maior sorriso que já vira.

— Você se casou! Como assim? — Abby disparou antes de abraçar Olivia fortemente de maneira repentina.

— Sim! — Olivia respondeu com felicidade. — Fitz me surpreendeu e foi de tirar o fôlego.

— Em todos os sentidos, eu presumo — Abby disse e se afastou, então levantou as sobrancelhas e Olivias revirou os olhos.

— Sempre precisa pensar nessa parte, não é?

— Ah, amiga querida. Minha vida anda meio monótona.

— Mas e David? Achei que estivessem se resolvendo.

— Eu percebi que mereço mais do que um cara que não consegue nem mesmo me assumir diante das outras pessoas. Além do mais, sei que depois que essa eleição acabar me verei menos atarefada.

— Duvido muito! Já que agora sou a primeira-dama. Vai ficar quase sem tempo algum. Terá que se relacionar com alguém da Casa Branca.

— Não acharei ruim de me envolver com um agente secreto. Ou dois. Ou vários — Abby riu da amiga e se sentiu mais leve, os problemas pareciam ter sido diminuídos. Ela pensou em contar para a amiga tudo o que tinha acontecido, mas estava gostando tanto daquele momento em que o mais o importante da conversa era sobre como havia sido seu casamento.

Não tiinha nada de Dália, nada de Joshua ou Eli.

Mas não durou muito tempo. Logo um dos agentes do serviço secreto apareceu e avisou sobre a presenhça de Maya na Casa Branca.

— Sua mãe está bem? É um milagre ela vindo até a Casa Branca — Abby disse visilmente surpresa pela visita da mãe de Olivia.

— Sim. Ela só sentiu minha falta. Ela anda muito chateada com Eli.

— Que novidade é essa de chamar seu pai pelo nome? — Abby indagou enquanto ria da situação inusitada.

— Ah, é que meu pai tem se tornado cada vez menos como um pai para mim. Se me der licença, Abby, eu preciso ir ver minha mãe.

— Claro. Depois continuamos nossa conversa. Quero saber tudo sobre o casamento.

Olivia assentiu antes de sair do quarto com a amiga, seguindo até a sala em que sua mãe a esperava. Fitz insistira que fosse uma das salas privadas, uma como a que ele levara Olivia para contar sobre a proposta de casamento. Olivia teria dito que aquilo não era necessário, mas devido a tudo que vinha acontecendo, aquela era uma medida muito importante. Assim que Olivia entrou na sala, Maya se levantou e ambas se abraçaram antes de se sentaram novamente. Olivia fechou a porta e o agente secreto que a acompanhava ficou do lado de fora também.

— Então, o que te fez me pedir para que viesse tão rapidamente até a Casa Branca? Resolveu me contar que se casou com Fitz? É só disso que a mídia vem falando nos últimos dias. Nem parece que o presidente estava sofrendo um atentado na semana passada.

— Então, isso é verdade. Eu me casei mesmo — Olivia dissera com um brilho nos olhos e um sorriso que ela não conseguia refrear de felicidade. — E eu sei que você não acredita muito que Fitz possa me amar, acha que meu casamento é por conveniência, mas não é.

— Eu espero que não tenha ficado impressionada pelo que te falei naquele dia, Liv — Maya segurou a mão da filha. — Eu não queria te ofender ou magoar. De maneira alguma eu queria algo do tipo, eu só estava muito irritada com o que tinha acontecido com seu pai me deixando naquela situação, depois de tantos anos que estou com ele.

— Eu sei porque você se sente assim — Olivia disse, ela havia prometido que não choraria, mas percebeu que não podia confiar em si mesma enquanto o choro crescia em seu peito.

— Sabe? — Maya questionou, e sua expressão de desconforto era visível.

— Sim. É porque acredita que Joshua te abandonou quando você mais precisava dele, não é? — Olivia soltara as palavras como se tivesse aberto uma torneira, jorrando as verdades sem medi-las. Maya pareceu surpresa com o que a filha dissera, mas se recompusera e fingiu não entender.

— Eu não sei do que está falando — Maya rebateu a filha e seus olhos se tornaram enevoados.

— Eu acredito que a dor que você tem carregado por achar que o pai da filha que você carregava te abandonou, ainda te acompanha até hoje, mesmo depois dele ter morrido, eu presumo.

— Que merda é essa que você está falando, Olivia? — Maya deixou que seu desconforto com o assunto se tornasse raiva e aquilo doeu ainda mais em Olivia, porque percebia ali o quanto sua mãe havia mascarado a dor a vida inteira.

— Eu sei que Joshua é o meu pai de verdade, mãe. Eu sei que você traiu Eli com ele, e eu não te julgo, porque eu sei do que o homem que chamei de pai a vida inteira foi capaz de fazer com você.

— Você… você sabe? — Maya perguntou, sua voz havia se tornado um fiapo cheio de dor e o choro já era evidente quando a lágrima caiu de um de seus olhos. Olivia assentiu e Maya cobriu o rosto com as mãos. — Me desculpe por ter mentido, minha filha.

Olivia não refreou as lágrimas quando elas vieram, apenas se preocupou em abraçar a mãe e tentar consolar a mulher antes de contar tudo o que acontecera na verdade. Seu coração retumbava em seu peito com força, enquanto as palavras se formavam para sair de seus lábios.

— Você sabe o que Eli fez? — Maya erguera sua cabeça e Olivia assentira.

— Eu sei. Ele chantegeou Joshua e depois você não teve outra alternativa a não ser aceitar a situação.

— Joshua me abandonara, ele aceitou o dinheiro. Inicialmente, eu não acreditei. Eu relutei contra aquilo, mas no fim recebi o cartão postal de Joshua dizendo que estava feliz na Alemanha.

— Eu tenho outra coisa para te contar — Maya parou de falar e olhou para Olivia. — Existe uma parte da história que você não conhece, mãe.

— Existe? — Maya perguntou vincando a testa em confusão aparente e Liv assentiu.

— Sim — Olivia respirou fundo. — Joshua foi atacado, mãe. Ele quase morreu quando Eli o capturou, porque na verdade ele não aceitou a chantagem, mas sim foi pego e sequestrado.

— De onde você tirou isso, Olivia?

— Joshua quase morreu, porque era esse o intuito real de Eli — Olivia sentiu que doía mais falar aquilo em voz alta do que apenas imaginar. — E depois de tanto torturar fisicamente, Eli torturou Joshua mentalmente também,dizendo que acabaria com as nossas vidas caso ele voltasse a aparecer.

— Meu Deus! — Maya cobriu os lábios com as mãos e chorou copiosamente, enquanto Olivia tentava consolar a mulher que sofria como nunca. — E como você descobriu isso?

— Joshua te ama, mãe. Mesmo depois de tantos anos, ele ainda nutre um sentimento lindo por você. Como se vinte e oito anos não tivessem passado.

— Ele está morto, Olivia. Ele morreu.

— Não. Ele não está morto. Ele se escondeu todos esses anos em uma tentativa de nos proteger — Maya se surpreendeu mais do que antes. — Eu te admiro muito por tudo que fez, por tudo que suportou todos esses anos apenas para que eu pudesse crescer em segurança e agradeço muito por você enfim estar livre de Eli. Saiba que quando ele reaparecer será preso por tudo o que causou a Joshua, a você e tantas outras coisas que ele deve ter feito. O FBI está investigando tudo o que ele possa ter feito de errado.

Olivia se levantou e Maya repetiu o movimento.

— Como isso tudo aconteceu, Liv? Meu Deus, estou tão confusa. Onde está Joshua se não está morto? Precisamos terminar de conversar.

— Eu gostaria de explicar melhor e conversar com você. Mas sinto que podemos conversar mais tarde, pois existe outra pessoa que espera ansiosamente para te ver há quase vinte e nove anos. Acho que depois dessa conversa, não restará nenhuma dúvida ou confusão em sua mente.

Olivia refreou a vonade de permanecer ali e abraçar a mãe, pedindo colo e carinho como fazia quando era criança, mas sabia que Joshua ansiava para ver a mulher mais ainda do que ela.

Ela abriu a porta, e Joshua estava parado do outro lado do corredor com a cabeça baixa, os olhos irritados deixando claro que ele havia chorado, o que tocava profundamente o coração de Olivia, por saber que o homem ainda mantinha aquele sentimento da juventude tão vivo, mesmo que tivesse vivido algum de tipo de romance ou relacionamento, nada e ninguém conseguira apagar a marca do verdadeiro amor da vida dele.

— Joshua? — O homem ergueu a cabeça e sorriu. — Pode entrar.

Olivia virou-se para sua mãe e correu até ela dando-lhe um abraço apertado antes de voltar até a porta e terminar de abrir a mesma para que Joshua entrasse, Olivia teve tempo de ver os olhos de Maya se arregalarem em um misto de surpresa e confusão. Joshua carregava o baú que Fitz relutou em aceitar que fosse utilizado para aquele reencontro, mas Olivia argumentara que Joshua precisaria de provas e que o baú estaria dentro da Casa Branca da mesma forma. Fitz aceitara, mas não antes de fazer cópias de todos os papéis que ali estavam, e ali estava Joshua e o singelo baú que não era muito grande em tamanho, mas que sua grandeza se mostrava por dentro.

A porta se fechara atrás de Olivia, e ela pediu que os agentes tomassem conta antes de se afastar dali, completamente abalada pela cena que presenciara. Mas algo maior estava prestes a abalar ainda mais a mulher. Seu celular vibrou no bolso do casaco, e ela retirou enquanto enxugava uma lágrima que escapava. O alerta de havia uma nova mensagem de texto brilhava, e o número era desconhecido, ela apertou o botão de visualizar a mensagem que recebera.

Quando seus olhos dançaram sobre as palavras ali digitadas, ela parou de andar e colocou a mão sobre o seu peito completamente assustada. Era um aviso de Dália.

" É chegada a hora, Fleur.

Isabel Of France Cathedral, 662, Depois de amanhã, às 4 da manhã.

Seja o padre."