N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.
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Capitulo 36
Existem dois significados para a palavra temor, em um deles se declara o de profundo respeito e obediência, seu outro significado é de sensação de ameaça, falta de tranquilidade e susto. O temor que sentiam por Dália se encaixava mais na segunda opção. Quando convocados, os membros da sociedade de Dália eram atraídos pelo poder e pela chance de crescer na vida de forma fácil. As cláusulas estranhas, sobre morrer por traição pareciam piadas, ninguém levava a sério as palavras de algo daquele tipo nos tempos modernos.
Mas elas eram verdadeiras, e quando os convocados percebiam isso, já estavam envolvidos na trama de Dália. A mulher que todos veneravam e obedeciam sem questionar, mas não porque a reverenciavam, mas sim por medo. Medo de perder a fortuna que começavam a produzir, medo de causar algum tipo de perigo aos que estavam ao seu redor, medo de que matassem um de seus entes queridos, medo de morrer de alguma maneira dolorosa.
As reuniões da sociedade não tinham dias específicos, mas quando eram marcadas, não faltava nenhum dos membros que estivessem na cidade. E se o nome do convocado fosse a pauta, ele podia começar a rezar.
Thomas sabia que era sério, por isso quando aceitou trabalhar para a mulher, sentiu como se vendesse sua alma, mas acreditava que teria a glória da sociedade para si quando Dália partisse. Por isso obedecia a mulher sem protestos ou reclamações. Ele era um dos poucos que sentiam admiração por ela e não medo. Quando a bomba explodira e seu nome se tornou um dos mais procurados do país, Dália o protegera, colocando-o dentro da mansão de um influente político que também participava da sociedade e cedera a casa para que os segredos de Dália ficassem bem protegidos. Thomas não reclamava, não protestava, apenas assentia sem questionar os desejos de Dália. Mas isso mudou naquela tranquila noite em Washington.
— Thomas, convoque uma reunião extraordinária. Precisamos reunir o máximo de convocados para o maior evento dessa sociedade — Dália disse, entrando na sala de jantar. Thomas estava sentado à mesa, enquanto lia algumas notícias em seu tablet.
— Posso saber que evento é esse, senhora? — O homem indagou.
— Minha escolhida está de volta aos Estados Unidos. Ela estava na França, em Annecy para ser mais exata — Dália disse e Thomas olhou para a mulher assentindo.
— Acha que ela pode ter descoberto algo? — Thomas indagou.
— Não sei se Joshua teria coragem de aparecer para a filha depois de tantos anos. Eu sinto muito por ele ter se afastado do nosso grupo, pois teríamos a certeza de que ele não abriria a boca. Se ele tiver contado apenas sobre Eli, seria excelente, ele merece seu castigo.
— Aliás, tivemos informações de um dos nossos membros que ele está escondido em uma ilha próxima ao Brasil. — Thomas contou para Dália e a mulher sorriu.
— Acho engraçado quando as pessoas tentam se esconder de nós. Eu possuo olhos em todos os cantos desse mundo, não há um país que eu não tenha tomado aliados — Dália dera um riso debochado.
— Mas voltando a Joshua. Teremos que matá-lo caso ele tenha contado algo para Olivia.
— Não. Joshua não pode ser morto. Ele é um dos meus, Thomas.
— Então você quer uma reunião para falar sobre isso? Podemos conversar com Briggs, nosso último agente secreto infiltrado na Casa Branca. Ele com certeza nos dará a informação.
— Briggs não foi a essa viagem. Todos os agentes secretos estão sob investigação e enquanto não tiverem a vida vasculhada, não podem exercer suas funções de trabalho. Os que estão trabalhando com o presidente e na Casa Branca já foram devidamente investigados.
— Preparou tudo para que Briggs continue lá? Ainda precisamos dele.
— Teremos uma nova leva de agentes secretos na Casa Branca, Thomas. Não se preocupe com isso. E é por isso que preciso dessa reunião.
— Eu ainda estou curioso para saber a natureza dessa reunião, senhora Elizabeth. Posso saber do que se trata?
— Não me chame pelo meu nome. Eu sou Dália, desde o dia em que morri para o mundo, tomei meu nome de sociedade para a vida. O que nos leva a Eli, o motivo de eu ter forjado a minha morte. Precisamos achar aquele filho da puta e acabar com a vida dele antes que ele pense em piscar — Dália dissera com ódio e desprezo nos olhos. — E quanto a natureza da reunião, apesar de ser muito curioso querer saber, lhe contarei — Dália disse e Thomas assentiu, ansioso. — Não sabemos se Joshua contou algo para Fleur, e acho que é chegada a hora de trazermos a minha herdeira. E claro que eu terei uma conversa privada com ela antes de levá-la para a grande reunião, que será a iniciação da minha neta na sociedade.
— Como assim? — Thomas parecia ultrajado. — Acreditava que eu tomaria esse posto, e conduziria Fleur quando notasse que a hora dela entrar fosse correta.
— Eu esperava exatamente por esse momento e acredito que ele chegou, Thomas. Olivia pode ter se casado com aquele homem por contrato ou algo assim, e quando ela ver tudo o que eu criei para que ela comandasse, não hesitará em fazer parte da sociedade e ser uma de nós. Então, teremos o presidente Grant nas mãos, mesmo que ele se reeleja continuaremos comandando tudo, como sempre fizemos durante tantos anos. E nem mesmo será preciso acabar com a vida do presidente para tal.
— Então é isso? Toda a preparação que me deu, foi para nada? — Thomas indagou, se sentido insultado pela decisão de Dália.
— Claro que não. Sua preparação foi para que continue sua função, depois que Olivia me substituir, você será o braço direito dela e a acompanhará como tem feito comigo por tantos anos. O homem que mais me ajudou, que permaneceu por mais tempo ao meu lado, aceitando todas as minhas ordens sem surtar. Você é o homem certo para o trabalho. Não foi a toa que te escolhi.
O silêncio se manteve em seguida. Dália passou a mão em alguns documentos, colocando sobre a mesa, e enquanto analisava os mesmos, se serviu de café e começou a comer calmamente.
Na mesma mesa, Thomas, não conseguiu colocar mais nenhum pedaço de seu frango grelhado na boca. Seu apetite desaparecera após a conversa, seu estomago se revirava com a cólera que permeava seu corpo. Ele estava decepcionado até as suas entranhas, se sentia enojado daquela mesa, se sentia lesionado por ter perdido tanto tempo servindo aquela mulher para que ela resolvesse virar as costas para ele enquanto passava o poder todo para a neta. Uma neta despreparada, que não sabia da existência da sociedade e que provavelmente surtaria quando descobrisse. Thomas Nilsen aprendera a ler as pessoas, mesmo quando convivia com as mesmas por poucos dias e ele convivera durante muitos anos com a presença de Olivia Pope.
Quando adolescente e jovem, ele presenciara os erros da garota. Ele aprendera que Olivia não aceitaria as regras da sociedade, como matar pessoas manter o segredo. A mulher teria um ataque de pânico e iria preferir morrer do que fazer tal coisa. E era aquelo que mais doía em Thomas, a idéia de que aquela mulher, se tornaria a comandante daquela sociedade. Quando na verdade, deveria ser ele, para que ele arrumasse um jeito de Dália morrer e então tomaria todo poder para ele.
