N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.
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Capitulo 37
O carro parou em frente a igreja e Olivia fechou os olhos por alguns instantes, enchendo seu coração de bravura, a mesma bravura que sua avó lhe ensinara a ter. A ideia de que a avó lhe ensinara toda a força que possuía era a mesma pessoa que estava atentando contra a sua vida e de tantas outras pessoas ao seu redor, ainda não fazia sentido. E era por isso que Olivia decidira ir ao encontro de Dália, ou simplesmente Elizabeth, a sua tão querida avó, pois ouvir da boca da velha senhora seria a única maneira de Olivia deixar que a verdade lhe invadisse.
A porta do carro se abriu e Olivia abandonou seus devaneios e os desafios que sua mente fazia a todo custo. Saiu do carro e olhou para enorme construção de arquitetura antiga que se impunha diante de seus olhos curiosos. A igreja não estava em nada diferente em seu aspecto físico, na opinião de Olivia, mas ela não podia deixar de reparar que naquelas circunstâncias, o local parecia mais sombrio. Olivia estava diante da Catedral, olhava atentamente para a entrada que parecia fechada.
O agente secreto que a acompanhava parou ao seu lado, e ela deu um suspiro pesado ao pensar em como faria para distraí-lo, mas aquilo era algo para se preocupar depois. Naquele momento, a única coisa que invadia sua mente era a ideia de que precisava entrar ali e ir até o confessionário. Olivia caminhou um pouco e se aproximou da entrada, empurrando a porta de maneira sutil e a mesma se abriu, rangendo um pouco, criando um ar ainda mais misterioso e assustador. Um arrepio percorreu sua espinha quando colocou os pés dentro do local.
A igreja estava iluminada apenas por luzes de velas e candelabros, poderia parecer um local sagrado para muitos, mas Olivia estava enxergando apenas o lado sombrio. O barulho de seus sapatos ecoou pelo local enquanto ela caminhava com firmeza, ela olhou para os bancos vazios e sabia que aquele horário era bastante incomum para visitas. A porta não devia nem mesmo estar aberta, mas Dália tinha contatos e tinha motivos para que aquela porta permanecesse aberta aos visitantes, ou melhor, a única visitante da noite. Olivia olhou para trás, e viu o agente secreto parado do lado de dentro da igreja, o homem cruzou os braços e permaneceu atento a tudo.
Olivia voltou a olhar para frente e caminhou até o confessionário, e como ela já esperava, o mesmo estava vazio. Ela entrou no local em que o padre deveria ficar e se sentou no pequeno banco, dando um longo suspiro no instante seguinte. Ela nunca imaginaria que estaria naquele lugar e se alguém dissesse isso para ela, uma gargalhada alta sairia de sua boca. Quando Olivia poderia imaginar que a refinada e educada avó estivesse por trás de algo tão grandiosamente terrível? Quando ela poderia imaginar que estaria tentando descobrir o que a avó estava planejando naquele exato instante?
A pergunta que rondava a mente da mulher era o que sua avó queria com ela, o interesse maior era descobrir as razões daquele convite, e as razões por ter tentado contra a vida de Fitz. Olivia olhou para cima e viu a imagem da flor-de-lis, mas desta vez a tinta parecia fresca. Liv não hesitou e pegou um pano que estava jogado no chão do confessionário, o pano estava manchado de tinta e ela entendeu que aquele pano não estava ali de maneira aleatória.
Ela esfregou a tinta e logo leu a mensagem escrita em letras miúdas na cor preta "Olhe debaixo", Olivia olhou em volta e a única coisa que ela poderia olhar por baixo era o banquinho, por isso enfiou a mão debaixo do banco sem pestanejar. Seus dedos encontraram a madeira lisa, até que seus dedos passaram por um relevo que a fez resfolegar. Olivia puxou o que sentira nos dedos e então algo caíra no chão, ela logo se abaixou e recolheu o pequeno envelope com o brasão de flor-de-lis.
As mãos trêmulas de Olivia abriram o envelope, revelando um bilhete e uma chave.
"Confessio est regina probationum. Abra o chão. Diamond 382"
Olivia sabia que Diamonde era o nome do antigo cofre comunitário que ficava na parte de trás do quarteirão. A mulher olhou para baixo e tentou entender o que significava "Abrir o chão". Ela olhou atentamente em todos os cantos e então abaixou novamente, batendo na madeira para ouvir se estava oco, mas nada aconteceu. Seus olhos foram até o outro lado do confessionário, e a frase em latim, muito usada no vocábulo jurídico, fez todo o sentido para ela: " A confissão é a rainha das provas". Olivia saiu do confessionário, e deu a volta, entrando do lado em que as pessoas se confessavam, ela não precisou de muito para descobrir o que estava sob um fundo falso, pois a pequena ala no canto deixou muito óbvio. Olivia retirou o banco de madeira, adornado com um assento em veludo esverdeado, e puxou a alça. Ela sentiu medo de entrar ali, mas era necessário. Ela sabia que aquela era melhor maneira de sair daquela igreja sem que os agentes a vissem.
A parte de confessionário era como um cômodo separado, por isso os seus agente não podiam ver toda sua movimentação que seria considerada no mínimo estranha. De súbito, Olivia se lembrou de Fitz, da maneira que ele dormia tranquilamente e de como gostaria de vê-lo novamente, e foi por isso que ela respirou fundo, tomando coragem antes de entrar no pequeno espaço. Ela escorregou para dentro do escuro, e logo pegou o celular em seu bolso para iluminar. Nas paredes ao seu redor continham várias setas que brilhavam mesmo que estivesse tudo escuro, indicando o caminho que ela deveria seguir. Ela parou, olhou para a tela de seu celular que brilhava fortemente em contraste com o breu que estava ao seu redor.
Ela se perguntava se o que estava prestes a fazer era algo correto, mas mandou sua razão para o inferno, decidindo obedecer o pedido que seu coração fazia. Olivia abriu o editor de mensagens e enviou uma mensagem para Fitz, algo que sua intuição pedia naquele momento, já que ela não tinha se despedido dele e nem mesmo deixado uma carta ou algo assim.
"Não fique bravo comigo. Eu precisei vir sem você. Eu vou encontrar Dália e confrontá-la, e acredite, não existe ninguém no mundo que precise e queira fazer isso mais do que eu, meu amor. Espero que entenda. Eu te amo, muito."
Olivia apertou o botão e enviou sentindo toda sua aflição naquelas palavras que digitara no celular, e logo depois tomou-se da coragem que parecia oscilar em seu coração e voltou para seu caminho. Ela caminhou até que alcançou uma escada de ferro, grudada na parede, ela subiu ofegante por conta da caminhada que fizera no terreno subterrâneo e emburrou a tampa arredondada quando chegou ao topo da escada. Quando Liv conseguiu subir, viu que estava em uma área do cofre em que apenas funcionários podiam entrar, onde ficavam os cofres mais importantes. Ela estava agitada por conta da adrenalina que percorria seu corpo e logo foi olhando a numeração dos cofres que estavam dispostos em armários. Ela se aproximou do cofre 382 e enfiou a chave que estava dentro do envelope, e em resposta a porta do mesmo se destravou. Dentro dele continha um papel, e Olivia sentia a tensão percorrer seu corpo, mas a irritação também estava se mostrando presente. Estava cansada daquele jogo esquisito de gato e rato.
Mas parecia que o jogo estava prestes a acabar, pelo menos foi isso que ela pensou quando leu o que estava no papel.
"Eles morreram para que seu país pudesse viver."
