N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.
-x-
Capitulo 38
Olivia apertara os braços em volta de si mesmo, tentando fazer com que o casaco que vestia cumprisse a função de protegê-la do frio cortante. Os lábios da mulher estavam entreabertos e trêmulos, a cada respiração, o ar que saía de sua boca se tornava vapor. Ela olhou ao redor, o dia começava a amanhecer e ela mal podia enxergar direito devido a espessa neblina que afetava seus olhos de maneira que ela precisava forçar a visão para conseguir visualizar algo.
Diante do Peace Monument ela esperava por tudo, menos pela visão que teve. Ela vira com seu marido. Ou ela estava ficando louca e cega, como pensou inicialmente. Ela vincou a testa confusa, tentando discernir a imponente figura que caminhava com enormes homens de preto ao longe. Um barulho de passos lhe chamou a atenção e ela olhou para o lado em um solavanco, e sua expressão se tornou desesperadora.
Thomas Nielsen estava ali, caminhando com passos largos e rápidos, a expressão dele estava fechada e decidida. Olivia soube que aquele homem não hesitaria em matá-la se fosse preciso. Liv olhou para Fitz e os homens do serviço secreto que corriam em sua direção, mas Thomas a puxou com firmeza e cobrira sua cabeça com um pano preto. Olivia não tivera alternativa senão obedecer, e soube logo que estava entrando em um carro.
Fitz gritava a plenos pulmões, esbravejando enquanto o carro cantava pneus pelas ruas da cidade.
— Eu a tenho, Dália. — Thomas disse. — O plano está indo como combinado. Outro carro, idêntico a esse, estará pelas redondezas com a mesma placa e isso os confundirá para que consigamos levá-la até você sem contratempos.
A ligação se findou e Olivia fechara os olhos, tentando respirar fundo e manter a calma que esvaíra de todo seu corpo. Seu coração batia tão forte contra seu peito que estava incomodando. A todo momento ela tentava ameniza o medo que afogava seu corpo, lembrava-se que era sua avó e que ela não poderia lhe fazer mal. Mas seu medo não era com ela mesma, pois ela sabia que Fitz também corria perigo. Ele havia ido atrás dela, mesmo contra todos os protocolos de segurança existentes em que a segurança presidencial vinha em primeiro lugar. Olivia tentava entender como o presidente conseguira a façanha de conseguir driblar tudo aquilo, imaginava os gritos que ele havia dado para que pudesse ir.
Mas o que mais batia forte, era a certeza de que o homem a amava. O presidente, o homem mais poderoso do mundo, que não podia nem ao menos dirigir o próprio carro por questões de segurança, abandonara tudo o que lhe pertencia na Casa Branca, inclusive tal cargo mais importante, para ir atrás dela.
Para salvar a sua vida.
Com as mãos unidas e apertadas uma contra a outra, ela chorou em silêncio. Não indagou, ou esbravejou contra Thomas, o mandante do atentado ao presidente, ela o ignorou diante da impotência que sentia por ter colocado a vida do homem que amava em risco. Ela se arrependeu de imediato por ter ido sem se despedir de maneira digna e desejou que o plano de enganar os agentes desse certo para que Fitz não conseguisse saber onde ela estaria. O carro parou, as portas foram abertas e fechadas em seguida, e ela se viu sozinha dentro do carro. Mas logo a porta se abriu novamente e ela sentiu novamente uma mão forte envolvendo um de seus braços, uma risada debochada foi ouvida do homem que a segurava.
— Estranho estar assim tão vulnerável, Olivia Pope — O homem dissera e Olivia nada respondera. — Não que não tenha te visto em situações complicadas. Certo? Te salvei tantas vezes de enrascadas a mando de sua vó. A última vez que te salvei foi quando mandamos Jake para um serviço de Dália e na verdade, o intuito de mandá-lo foi exatamente para nos livrar dele. Ele estava prestes a contar o segredinho sujo que você escondeu a vida toda.
Olivia arregalou os olhos, tomada de aflição debaixo daquele saco de pano preto que envolvia sua cabeça, pôde sentir a presença dos dois homens guiando-a descendo em uma escada, e ela tentou se desvencilhar do homem que falava, até naquele momento Thomas não dissera nada.
— Você é Huck! — Ela dissera com a voz abafada.
— Eu achei que você nunca descobriria a identidade do homem que sempre te ajudou.
Olivia se sentia mais suja naquele momento, ao descobrir que o homem que a ajudava era um dos homens de Dália. O homem que ajudava sua avó. Ainda era contraditório envolver sua avó em algo tão nojento como aquilo tudo e aquela era a parte que provavelmente mais doía em sua alma.
— Impossível.
— Eu sei que parece algo de outro mundo, mas hoje você vai ver que nada do que você acreditou a vida toda foi verdade — Thomas finalmente falou e dera uma risada irônica. — Sua vida foi em definitivo uma grande mentira. Todos esconderam algo de você, todos tinham sujeiras e varreram para debaixo do tapete, Olivia.
— Inclusive minha avó. — Olivia disse sentindo raiva e descarregando-a nas palavras que proferia.
— Exatamente — Thomas dissera. — Sua avó preparou o maior segredo de todos, mas pelo visto não está tão espantada como imaginei que estivesse.
— Não. Eu descobri que Dália e minha avó são as mesmas pessoas. Demorei para fazer a descoberta, fui tola de confiar tanto em todos, mas a verdade apareceu.
— Quem lhe contou? — Thomas indagou, parecendo irritado.
— Não disse que me contaram. Eu descobri sozinha — Olivia disse, lembrando de Joshua e do quanto queria protegê-lo.
— Acha que su idiota? — Thomas dera uma risada. — Sei que Joshua deve ter lhe contado tudo. A sua avó confia no homem cegamente, mas eu não.
Thomas agora segurava o braço de Olivia, ela não sentia mais o outro homem, e este que a segurava com força demais, começava a ferir a mulher que resmungava, mas ela não proferiu nem mesmo uma palavra de reclamação. O odor forte de mofo tomava conta do ambiente e Olivia se perguntava onde ela poderia estar.
— Dália já chegou? — Thomas perguntou e uma outra voz respondeu de forma baixa.
— Sim.
— Certo — Thomas se dirigiu a Olivia em seguida. — Está chegando a hora de ver sua queria avó. Sentiu muita saudade? — Olivia não respondeu a provocação do homem. — Sabe que acho engraçado? Eu ter passado tanto tempo dando o sangue por essa sociedade e agora ser preterido e substituído por uma mulher tão… frágil e despreparada como você.
— Parece estar com inveja de mim, Thomas — Olivia disse, sua voz era desafio puro.
— Para uma refém você fala demais. Por mim já estava morta.
— Mas você não pode me matar, não é? Pelo visto sou importante, pelo visto tenho um papel tão grandioso nessa história toda que chega a ferir seu ego.
— Cale a porra dessa sua boca imunda! — Thomas disse com a voz grossa e sacudiu o corpo de Olivia, jogando-a no chão no final do processo. Olivia sentiu o medo tomando conta de seu corpo novamente. — Escute bem, eu não sou obrigado a tolerar essa sua voz irritante e essa sua petulância, entende? Eu estou por um fio com você, Olivia. Falta pouco para que eu te mate sem piedade, assim como fiz tantas vezes a mando de Dália.
Thomas segurou o braço de Olivia e a levantou com força, e a mulher endireitou seu corpo que tremia diante do monstro que o homem se tornara. Thomas começou a caminhar em passos largos e rápidos, forçando para que Liv fizesse o mesmo e ela o acompanhou aos tropeços.
