Dedicada a meu próprio ser.
Desfecho
Para: 'Panthera tigris' enquanto pequeno. (in Memory)
συναισθήματα (Sentimentos)
O que sinto, não entendo. Desacredito, desanuvio.
Ás vezes, não sou quem quero ser; sentimentos a mim estranhos se instalam, despudoradamente me desnorteiam...
Ás vezes, sinto vontade de gritar, mas em outras... tudo o que quero é em paz ficar.
Noite ingrata, quente, faz meu corpo nos lençóis revirar. A brisa gélida que entra pelas frestas, arranha as paredes e minha pele fervente. Faz-me lembrar dos teus dedos na minha cintura a se arrastarem; da tua língua na minha nuca escorrendo pelas minhas costas. Beijos pequenos e molhados a me excitar.
São olhos teus, verdes escuros de desejo, recobertos de luxuria que me fazem incendiar.
Eu que nunca tive conforto, tão pouco com ele me importei, sinto falta agora. Essa cama sem teu corpo parece de pedra, palha espinhenta, impossível meu corpo nela se aconchegar.
Se me achei fria, distante, anti-social... desmentiste. Assim que puseste os olhos em mim soubeste o que eu demorei a saber. Que ia ser tua. Toda tua. Desacreditaste talvez, mas o sabia. E eu não. Sempre confusa, ilusa, por demais envolvida em todas as coisas da vida; não soube, não percebi.
Já era tarde quando dei-me conta, quando por ti, meu joelhos tremiam, o fogo me consumia, crepitando em teu desejoso olhar.
Entendo que não posso te ter. Eu soube disso muito antes de tudo. Em verdade, não achei que fosse te querer.
Foi curiosidade? Talvez.
Desejo? Com certeza.
E o que mais? Houve afinidade, conversa de verdade...
Quando percebi... era tarde, já estava envolvida.
Tentei... oh sim, eu tentei o que eu podia tentar, quis até acreditar estar apenas confusa. Ilusão, foi meu coração que te aceitou. Que te amou. Mesmo sabendo que não podia, mesmo sabendo que não te teria.
Não há nada que eu possa fazer, nada a dizer.
Só posso ficar no meio do meu sentimento, profundamente guardado em silêncio, perdido nas profundezas do meu olhar.
Talvez você o tenha visto, talvez saibas... porém se nada dizes, não sei o que pensar. Devo crer que não me quer, que não mais me quis, mas não é isso que teu corpo, que teu olhar me diz. Sabes também que não podes...
Talvez haja um tempo em que possamos juntos estar, nada me custa sonhar...
Felizmente aos sonhos, a esperança não há preço, não há reservas, não há recriminações. E, claro que sim, mantenho-os escusos dentro de mim.
Não posso nem sequer te falar.
Jamais. Não antes que saiba o que sentes. Mas por essa vida complicada, sem futuros próximos, largada, corrida, por demais agitada, cheia de regras, de pudores, de expectativas alheias, nada posso dizer-te.
Ademais, tenho medo do que poderia ouvir... se me quiseres, o que faremos quando juntos não poderemos ficar... e se não... se sou a ti apenas brinquedo, passatempo... tenho medo.
Ao mesmo tempo me dói tudo isso guardar...
Felizmente minha máscara é sólida, firme, quase indestrutiva.
É atrás dela que escondo-me de ti, mas principalmente de mim.
Diana Lua
Diana C. Figueiredo
Escrito em: 31/10/2008 e 05/11/2008 - Publicado: 17/12/2008
Última alteração: 12/11/2016.
Contém 490 palavras, 2376 caracteres, 2850 toques, 24 parágrafos, 55 linhas
