Personagens de Stephenie Meyer. História de Sarah McLean.
CAPÍTULO CINCO
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"Mulheres tendem a acreditar que o amor é um direito."
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Para um observador casual, o marquês de Cullen, recostado em uma poltrona grande demais em uma elegante sala do clube para cavalheiros Brook's, parecia, em todos os aspectos, o mais perfeito exemplo de aristocrata mimado – pernas esticadas despreocupadamente na direção da grande lareira de mármore do aposento, botas brilhando, gravata frouxa, mas não desatada, cabelo habilidosamente despenteado, olhos semicerrados, observando as chamas tremeluzirem e dançarem. Em uma das mãos, girava um copo de cristal, mas os dois dedos de líquido âmbar permaneciam negligenciados, revolvendo até quase serem derramados no grosso carpete azul.
Ali estava o retrato do dândi indolente, afirmaria o espectador inexperiente. Tal observação, no entanto, seria uma inverdade grosseira, já que a postura aparentemente casual e relaxada disfarçava seu verdadeiro estado – a mente em disparada, a frustração represada que lhe exigia um grande esforço para manter-se imóvel.
– Tive a sensação de que iria encontrá-lo aqui.
Edward desviou a atenção do fogo para fitar o irmão.
– Se está aqui para anunciar a existência de mais um irmão Masen, agora não é o melhor dos momentos.
– Ai de mim, continuamos um mísero trio. Por mais difícil que seja acreditar. – Thony sentou-se na poltrona ao lado da de Edward com um suspiro. – Falou com Tanya?
Edward deu um gole longo.
– Falei.
– Ah. Isso explica o seu humor. Tentar corrigir anos de devassidão em poucas horas não é tarefa fácil.
– Não concordei em mudar minha conduta, só em ter mais discrição.
– Muito justo. – Thony inclinou a cabeça, divertindo-se. – Já é um começo, acho, com o seu histórico.
A carranca de Edward se aprofundou. Durante anos após a morte do pai, atraíra a atenção de toda a Londres de forma ampla, indecorosa e um tanto lendária, construindo uma reputação de devasso e libertino que, naquele momento, era significativamente mais escandalosa do que de fato merecida.
– Ela é tão parecida com nossa mãe...
Edward virou a cabeça ao ouvir as palavras.
– Pelo bem de todos nós, espero que esta seja a única similaridade entre as duas. Senão seria melhor mandá-la de volta para a Itália agora. Do jeito que as coisas estão, acho que a reputação de nossa mãe já vai ser difícil o bastante de superar.
– Por sorte você é rico e tem um título. Não vão faltar a Rosalie convites para os eventos mais esperados da temporada. É claro que você vai ter de ir a todos com ela.
Edward deu um gole no uísque, recusando-se a morder a isca do irmão.
– E como pretende escapar de destino similar, irmão?
Thony abriu um sorriso rápido.
– Ninguém vai perceber a ausência do segundo e menos importante filho de Masen.
– Eles não vão ter a oportunidade de perceber, Anthony, já que você vai estar em cada um desses eventos.
– Na verdade, fui convidado para fazer uma viagem para o norte, até Yorkshire. Leighton acredita que meus conhecimentos são fundamentais para encontrar e recuperar uma estátua que perdeu. Estou pensando em aceitar o pedido.
– Não. Você não vai sair correndo para brincar com seus mármores e me deixar tomando conta de tudo.
Thony ergueu uma sobrancelha.
– Vou tentar não ficar ofendido com sua avaliação do meu trabalho. Quanto tempo até me dar a minha liberdade?
Edward deu um gole de uísque.
– Em quanto tempo acha que conseguimos casá-la?
– Vai depender de quanto tempo vamos levar para dissuadi-la da ideia de que não deve se casar. Rosalie tem pavor da influência de nossa mãe, Edward. E que culpa a menina tem? Aquela mulher deixou sua marca em cada um de nós. E essa é a cruz que Rosalie tem que carregar.
– Ela é totalmente diferente de nossa mãe. Seu medo mostra isso.
– Mesmo assim. Não somos nós que precisamos ser convencidos. É ela. E o resto de Londres. – Os irmãos ficaram em silêncio por um longo instante, antes de Thony acrescentar: – Acha que Rosalie é do tipo que espera um romance?
Edward deu um pequeno grunhido de irritação.
– Espero realmente que tenha mais bom senso do que isso.
– Mulheres tendem a acreditar que o amor é um direito. Especialmente as mais jovens.
– Não consigo imaginar que Rosalie fosse dar crédito a esses contos de fadas. Lembre-se, fomos criados pela mesma mulher. Simplesmente não é possível que Rosalie anseie por amor. Não depois de ver o estrago que ele pode causar.
Os gêmeos ficaram quietos por um longo momento, até que Anthony concluiu:
– Pelo bem de nós todos, tomara que esteja certo. – Sem obter uma resposta acrescentou: – Lady Isabella foi uma excelente escolha como guia.
Edward emitiu um grunhido prudente.
– Como conseguiu sua participação, irmão?
– É relevante?
Thony ergueu uma das sobrancelhas.
– Depois dessa resposta, eu diria que é extremamente relevante. – Diante do silêncio do irmão, Thony levantou-se da poltrona, ajeitando a gravata. – Marbury está oferecendo um jogo de cartas na sala ao lado. Quer se juntar a mim?
Edward fez que não com a cabeça e deu um longo gole no uísque. Thony assentiu e saiu. O marquês ficou observando seu gêmeo por entre pálpebras semicerradas, amaldiçoando sua inquietante habilidade de ir direto ao cerne de qualquer situação delicada.
Lady Isabella.
Tomara-a por uma bênção – uma mulher com uma reputação incomparável que simplesmente havia aparecido. Era a solução perfeita para o problema de preparar Rosalie para sua primeira temporada – ou assim ele pensara. Mas aí ele a havia beijado.
E o beijo fora bastante extraordinário.
Riu diante do pensamento. Estava frustrado e desconcertado com a chegada da irmã. Qualquer beijo seria uma distração bem-vinda. Sobretudo um oferecido tão abertamente por uma parceira tão entusiasmada e agradável.
Edward enrijeceu de forma quase instantânea, lembrando-se da sensação de Bella em seus braços, de seus suspiros baixos, da forma como se entregara de bom grado ao beijo. Ficou imaginando se seu entusiasmo por beijar se traduziria em ânsia por outros atos mais apaixonados. Por um momento, permitiu-se imaginá-la em sua cama, os enormes olhos castanhos e os lábios cheios e acolhedores, vestindo nada além de um sorriso disposto.
Uma gargalhada irrompeu do outro lado da sala, arrancando-o de seu devaneio. Mudou de posição na poltrona para diminuir a desconfortável pressão nas calças, balançando a cabeça para livrar-se da visão que havia conjurado e fazendo uma anotação mental para encontrar para si uma mulher disposta. Rápido.
Deu mais um gole no uísque, observando o líquido quente girar no copo enquanto pensava nos estranhos acontecimentos da noite anterior. Não podia negar o fato de que lady Isabella Swan, uma mocinha sem graça com um nome estranho – sobre quem ele podia honestamente dizer nunca ter pensado muito –, era bastante intrigante. Com certeza não era o tipo de mulher que em geral o interessava. Na verdade, era exatamente o contrário de sua preferência – idealmente requintada, confiante e experiente.
Então por que o intrigava tanto?
Foi salvo de ter de se aprofundar na questão por outro ruído estridente vindo do outro lado da sala. Ansioso por uma distração de seus pensamentos desconcertantes, voltou a atenção para um grupo de homens apostando avidamente. Finney, o agente de aposta, estava anotando os palpites no livro do Brook's o mais rápido que podia.
Inclinando-se para a frente em sua poltrona para enxergar melhor, Edward logo deduziu o foco de interesse dos homens, o barão de Oxford. Com Oxford no centro das apostas, havia poucas dúvidas sobre qual seria o tema – a aparentemente interminável procura do barão por uma esposa. Profundamente endividado em grande parte por seu gosto pelo jogo, havia vários meses que Oxford tinha anunciado aos membros do Brook's que estava querendo se casar – quanto mais rica a noiva, melhor.
Normalmente, Edward achava o arruaceiro Oxford – quase sempre bêbado – insuportável, mas, considerando a necessidade de distração do marquês, fez uma exceção. Levantou-se e aproximou-se do grupo.
– Dez guinéus em Lauren Mallory.
– Ela tem cara de cavalo!
A observação viera do próprio Oxford.
– Com aquele dote, vale a pena manter as luzes apagadas! – disse uma voz do fundo da multidão.
Edward foi o único homem na sala que não riu da piada.
– Vinte guinéus que só a filha de Volturi o aceitaria!
O conde de Chilton lançou seu palpite, provocando uma rodada de grunhidos em função da insensibilidade da aposta, entremeada por um arfar de surpresa diante do valor que propusera.
– Ela pode ser simples – comentou Oxford, com uma risada –, mas o pai é o homem mais rico da Inglaterra!
Sem interesse na conversa, Edward virou-se para sair da sala. Havia quase chegado à porta quando uma voz gritou, acima das outras:
– Já sei! A garota Swan!
O marquês ficou imóvel, em seguida voltou para ouvir a resposta. A mulher o estava assombrando.
– Não serve. Acabou de ficar noiva de Jasper Hale, duque de Rivington – respondeu alguém. – E só um louco para achar que a Beldade Swan aceitaria o Jacob aqui.
– Não a bonita... a outra.
– A sem graça?
– De nome ridículo?
Oxford entretinha os outros com um ar de superioridade que provavelmente era resultado de bebida excessiva, aproveitando cada minuto da atenção imatura.
– Dito isso, Rivington fez uma jogada inteligente se casando com a fortuna Swan... lady Ingrid não seria o pior final para a minha história.
– Isabella. – disse Edward, baixo demais para ser ouvido, ao mesmo tempo em que um dos outros homens corrigia Oxford.
O barão continuou, gesticulando o copo no ar.
– Bem, qualquer que seja o nome, eu seria rico de novo... Rico o suficiente para manter uma amante de alto nível e nunca me preocupar com a esposa. A não ser para lhe dar o herdeiro e um segundo filho de quebra. E imagino que, na idade dela – fez uma pausa para dar uma ênfase obscena –, vai ficar feliz com o que quer que eu lhe dê.
A declaração de Oxford provocou uma rodada de gargalhadas.
Uma repugnância visceral tomou conta de Edward. Isabella Swan jamais se casaria com Jacob Black, de Oxford. Nenhuma mulher com aquele tipo de paixão aceitaria um marido idiota. Edward nunca tivera tanta certeza de algo na vida.
– Quem está disposto a cobrir a aposta de que ela será minha até junho?
Vários dos amigos de Oxford entraram no bolo, com outros apostando que o conde de Swan se intrometeria e rejeitaria o acordo, e pelo menos um homem apostando que Oxford teria que fugir com lady Isabella a fim de atingir seu objetivo.
– Cubro todas as apostas.
As palavras de Edward, apesar de terem sido ditas em voz baixa do outro lado da sala, silenciaram os outros homens, que, sem exceção, se viraram para ele. Oxford ofereceu um largo sorriso ao marquês.
– Ah, Cullen. Não tinha notado sua presença. Quer apostar em quem vai ser minha futura esposa?
O marquês não podia imaginar uma única situação na qual a mulher que havia entrado em sua casa na noite anterior fosse considerar Oxford nada além de uma irritação. Nunca vira uma aposta tão fácil quanto essa. Como tirar doces de uma criança.
– Isso mesmo, Oxford. Cubro todas as apostas em lady Isabella. Não há a menor chance de ela se casar com você. – E voltou-se para o agente de apostas. – Finney, guarde minhas palavras. Se Oxford chegar a ter uma oportunidade de pedir a mão de lady Isabella, não tenho dúvidas de que ela vai recusar.
Um sussurro de surpresa correu a multidão, enquanto Finney perguntava:
– Quanto, milorde?
Cullen respondeu fitando Oxford nos olhos.
– Imagino que mil libras vão deixar as coisas interessantes. – afirmou, antes de virar-se e sair da sala, deixando o grupo de homens completamente estupefatos.
O desafio estava lançado.
Ah, essas apostas feitas no calor do momento... O povo não querendo apostar vinte guinéus (equivalente à, aproximadamente, 1 libra e 1 xelim) e o outro vai la e me joga MIL libras! Será que isso vai acabar bem?
Quanto mais reviews, mais cedo virão os capítulos, ok?
Beijinhos e até o próximo!
