Personagens de Stephenie Meyer. História de Sarah McLean.
CAPÍTULO SETE
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"É um jogo perigoso o que você joga, sua atrevida. E eu sou um oponente formidável."
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– Sue, você tem que me ajudar.
O tom de Bella era suplicante, enquanto observava a criada ultrajada desenrolar as longas mechas de cabelo que havia arrumado cuidadosamente antes do baile de noivado.
– Não tenho que fazer nada – escarneceu a mulher mais velha. – A senhorita percebe que, se isso for descoberto, eu posso perder minha posição!
– Você sabe que nunca permitiria que isso acontecesse – argumentou Bella. – Mas não posso fazer isso sem você!
Sue fitou Bella nos olhos pelo espelho.
– Bem, então vai ser difícil, minha Bella. Se a senhorita for pega... Pense na sua reputação!
– Não vou ser pega! – Bella virou-se para encarar Sue, o penteado semidesfeito fazendo fios de cabelo voarem atrás dela. – Primeiro, estão todos tão distraídos com o baile que ninguém nem vai perceber que saí. Com a sua ajuda para me disfarçar, as chances de eu ser pega serão praticamente nulas! Só uma noite, Sue. Volto em dois tempos, sem que ninguém desconfie. – Bella fez uma pausa, unindo as mãos, enquanto acrescentava: – Por favor. Será que eu também não mereço uma noite de emoções?
A criada parou para pensar nas palavras sussurradas de Bella, em seguida soltou um suspiro resignado.
– Essa lista vai ser a morte para nós duas.
Bella abriu um sorriso largo. Havia ganhado.
– Excelente! Ah, Sue, obrigada!
– Vai ter que fazer mais do que me agradecer quando o conde vier atrás da minha cabeça.
– Combinado!
Bella não conseguia parar de sorrir enquanto se virava para dar à criada melhor acesso à fileira de botões nas costas do vestido. Assim que começou a soltar os cordões, Sue balançou a cabeça de novo, resmungando para si mesma:
– Uma taberna. No meio da noite. Devo estar maluca para ajudá-la.
– Bobagem – engatilhou Bella com veemência. – Você só é uma ótima amiga. Uma ótima amiga que deveria ter o domingo, a segunda e a terça-feira de folga.
A criada soltou um grunhido prudente diante do óbvio suborno.
– Já viu uma taberna por dentro?
– É claro que não – respondeu Bella. – Nunca tive a oportunidade.
– Pode-se argumentar que há um motivo para isso – rebateu Sue, secamente.
– Você já viu uma taberna por dentro?
A criada assentiu bruscamente.
– Tive minhas razões para ir a um bar uma ou duas vezes. Só espero que o marquês de Cullen tenha recomendado um com clientela respeitável. Não gostei da disposição dele para ajudar a macular sua reputação, Bella.
– Não culpe o marquês, Sue. Tenho certeza de que não teria feito a recomendação se achasse que era para mim.
Sue fungou, incrédula.
– Ele deve ser meio burro, então, Bella, porque qualquer um com um cérebro pode ver através das suas mentiras.
Bella ignorou-a resolutamente.
– De qualquer maneira, vou ter uma aventura, não vou? Acha que vai ter um bartender de bochechas coradas com um ou dois dentes faltando? Ou uma garçonete cansada e insinuante trabalhando para sustentar os filhos? Ou um grupo de jovens trabalhadores ansiosos por uma caneca de cerveja para afastar a tensão de um dia cansativo?
Sue respondeu secamente:
– A única coisa que imagino que vai haver nessa taberna é uma dama extremamente romântica fadada a se decepcionar com a realidade.
– Ah, Sue. Onde está o seu senso de aventura?
– Acho que a senhorita tem mais do que o suficiente para nós duas. – Quando Bella a ignorou, ela pressionou: – Prometa-me uma coisa: Se se sentir desconfortável de alguma maneira, irá embora na mesma hora. Talvez eu deva mandar Seth com a senhorita – ponderou, referindo-se ao filho, um dos cocheiros dos Swan. – Ele a manteria a salvo.
A ideia deixou Bella nervosa. Ela virou-se para a criada, segurando o vestido frouxo junto ao peito, com uma expressão de urgência.
– Sue, ninguém além de você jamais deve saber que fiz isso. Nem mesmo Seth. Não posso me arriscar a ser descoberta. Certamente você entende isso.
Sue fez uma pausa, considerando seu próximo passo. Assentindo com firmeza, afirmou, pragmática:
– Uma lã marrom simples deve servir. E vai precisar de um capuz para esconder o rosto.
Bella sorriu.
– Confio no seu melhor julgamento em relação ao disfarce.
– Bem, não sei quanto a disfarces, mas acho que sou uma especialista em roupas de plebeia. – Sue apontou para o biombo próximo antes de continuar: – Vou pegar um vestido e uma capa para você. Tire essa roupa enquanto isso.
– E vou precisar de uma touca.
Sue suspirou.
– Achei que tínhamos nos livrado das toucas de renda.
– E nos livramos. Mas esta noite preciso do máximo de disfarce possível.
Sue saiu bufando e resmungando para si mesma, provavelmente sobre os desafios que criadas sofredoras tinham que aturar. Depois que ela se foi, Bella despiu o vestido que usara no baile, mais cedo naquela noite. Enquanto deslizava para fora do cetim, balançou de leve ao ritmo da música abafada que vinha do andar inferior, onde os convivas continuavam a dançar e a celebrar Alice e Jasper.
Havia pouca dúvida de que aquele fora o melhor baile de sua vida. Não apenas pela valsa com o marquês – apesar de isso certamente ser um fator determinante – ou pela interação luxuriosa e um tanto escandalosa com ele em meio às festividades, onde qualquer um poderia tê-los encontrado. Mas também porque, pela primeira vez na vida, sentira-se cheia de uma força inegável – como se pudesse fazer qualquer coisa.
Como se a aventura pela qual ansiava fosse dela por direito. A sensação fora quase poderosa demais para aguentar, e Bella escapara para o andar de cima logo depois de Edward ir embora do baile. O encontro secreto, combinado à emoção de receber do marquês a informação sobre a taberna, a tornara incapaz de prosseguir em suas interações ponderadas com a alta-roda.
Como podia discutir sobre a temporada quando havia uísque a ser provado? Uma taberna a visitar? Uma nova Bella para encorajar?
Não podia, claro. Não era o primeiro baile do qual saía cedo; duvidava que alguém fosse perceber ou se importar com seu desaparecimento – uma verdade que facilitava a fuga para a aventura. Enfim, há algo de bom em ser sem graça. Sorriu diante do pensamento, enquanto uma batida na porta anunciava o retorno de Sue. A criada entrou apressada no quarto, os braços carregados de lã marrom.
Tomada de entusiasmo, Bella não parava de bater palmas, provocando uma carranca em sua acompanhante.
– Acho que é uma das primeiras pessoas a aplaudir lã marrom.
– Talvez seja a primeira pessoa a reconhecer a lã marrom pelo que realmente é.
– E o que seria?
– Liberdade.
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O Dog & Dove era, evidentemente, um lugar popular.
Bella espiou pela janela da carruagem que havia alugado, a curiosidade levando-a à beira do assento, o nariz quase espremido contra a janela de vidro. Havia passado pela Rua Jermyn inúmeras vezes durante o dia, sem jamais perceber que era um local inteiramente diferente à noite. A transformação era de fato fascinante.
Havia dezenas de pessoas na rua na frente da taberna, banhadas pela luz amarela que saía por suas janelas. Bella ficou surpresa em ver aristocratas com suas gravatas engomadas se misturando a cavalheiros e membros da classe mercantil, os "cidadãos" tão publicamente criticados em salões de baile londrinos por trabalharem. Em meio aos homens havia um punhado de mulheres, algumas claramente acompanhando aqueles em quem se penduravam, outras sozinhas. As últimas enchiam Bella de apreensão; uma pequena parte dela torcera para que, ao chegar à taberna, não encontrasse mulheres desacompanhadas e fosse obrigada a pedir que a carruagem a levasse imediatamente de volta para casa.
Para ser sincera, não tinha certeza se estava decepcionada ou exultante por não ter uma desculpa viável para voltar atrás.
Bella suspirou e seu hálito embaçou a janela, transformando a luz além dela em uma bruma amarela enevoada. Podia simplesmente ir para casa e beber uísque no escritório de Emmett. Com Emmett. Na Casa Swan, onde não arriscaria sua reputação. Afinal de contas, ele oferecera antes.
Na Casa Swan não haveria aventura. Bella estremeceu diante do pensamento, agarrando a lista de itens em sua mão enluvada, sentindo o papel grosso de qualidade amassar na mão conforme a dúvida a tomava. Devia ter deixado Sue ir com ela. A aventura solitária estava rapidamente se tornando supervalorizada. Mas não podia ir para casa agora. Não depois de ter tido o trabalho de perguntar ao marquês o nome de uma taberna e conseguido um disfarce adequado. Ficou se remexendo debaixo da lã áspera do vestido, que irritava a pele apesar da camisola de linho que usava. Com o capuz cobrindo a cabeça, ninguém olharia duas vezes para a moça sem graça que entrava, pedia um copo de uísque e se sentava silenciosamente a uma mesa nos fundos. Implorara a Sue por informações a respeito do interior das tabernas também. Estava totalmente preparada. Só o que precisava fazer era sair da carruagem.
Infelizmente, suas pernas não pareciam dispostas a cooperar.
Lista? Ou nada de lista?
A porta se abriu. Não tinha mais opção. O condutor perguntou, tomado pela exasperação:
– Senhorita? Disse Dog & Dove, não foi?
Bella amassou a lista na mão.
– Disse.
– Bem, aqui estamos.
Ela assentiu.
– Sim.
E, pisando no bloco que ele pusera no chão para que ela saltasse, agradeceu. Era capaz de fazer isso. Reunindo coragem, deu o último passo para a rua e plantou a bota de pelica bem no meio de uma poça de água suja. Com um gritinho involuntário de angústia, pulou para terra seca e olhou para trás, para o condutor, que agora estava se divertindo. Ele lhe ofereceu um sorriso arrogante.
– Devia olhar onde pisa, senhorita.
Bella fechou a cara.
– Obrigada pelo conselho, senhor.
Ele inclinou a cabeça para ela e acrescentou:
– Tem certeza de que quer estar aqui?
Ela aprumou os ombros.
– Estou bem certa, senhor.
– Muito bem, então.
Cumprimentando-a com o chapéu, pulou de volta para seu assento e, com um estalar de língua para os cavalos, partiu para encontrar sua próxima corrida.
Arrumando o capuz, Bella parou diante da taberna. Lista, ao que parece. Verificando cuidadosamente os paralelepípedos à sua frente para evitar ciladas adicionais, abriu caminho por entre a multidão de pessoas desinteressadas do lado de fora, na direção da porta.
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Ele a viu no momento em que entrou na taberna.
Não tivera dúvidas de que mentira mais cedo naquela noite sobre seu irmão estar procurando uma taberna na cidade. Havia poucas chances de o conde de Swan precisar da interferência da irmã para encontrar o caminho até um bar.
O que levantava a pergunta: por que diabo lady Isabella Swan estava à procura de uma taberna?
E o que diabo estava fazendo dentro de uma taberna no meio da noite? Não se preocupava com seu nome? A fama de sua família? A reputação da irmã dele, pelo amor de Deus? Ele pusera a reputação de Rosalie aos cuidados de Bella, e ali estava ela, saltitando para dentro de um bar, imprudentemente. No mínimo ia arrumar encrenca.
Edward recostou-se em sua cadeira, uísque na mão, a atenção inteiramente focada em Bella, petrificada a um passo da porta da taberna, parecendo fascinada e aterrorizada em igual medida. O lugar estava cheio de gente, a maioria em vários estágios de embriaguez. Havia selecionado um dos estabelecimentos mais respeitáveis de St. James. Apesar de poder tê-la mandado para Haymarket ou Cheapside para lhe ensinar uma lição, previra – corretamente – que aquele lugar seria o suficiente para assustá-la.
Bella apertou a capa em volta de si, correndo os olhos ao redor, sem saber bem onde concentrá-los para manter a calma que sua personagem exigia. Uma erupção de gargalhadas masculinas a sobressaltou, fazendo-a virar-se na direção de um grande grupo de homens sentados a uma mesa comprida à sua esquerda. Estavam olhando para uma garçonete, que servia canecas de cerveja no tampo de carvalho, revelando os seios fartos para os clientes apreciadores. Bella arregalou os olhos quando um homem especialmente ousado agarrou a atendente roliça e a puxou, guinchando, para seu colo, para uma carícia rude. Desviou a atenção, antes que a cena ficasse mais escandalosa.
Mas, virou-se na direção de outro casal mais mutuamente acolhedor. Bem à sua direita, uma moça em trajes sumários passava um dedo longo pelo maxilar de um cavalheiro claramente procurando companhia. Os dois sussurravam um para o outro, os lábios a escassos centímetros de distância, os olhos fixos em uma expressão apaixonada que só podia resultar em uma coisa... algo que até a inocente lady Isabella Swan era capaz de entender. O casal não percebeu a moça que respirava depressa antes de se inserir mais na taberna, dirigindo-se para os fundos, direto para uma mesa vazia em um canto mal iluminado – e para Edward.
Se não estivesse tão irritado com aquela mulher absurda, teria achado divertido.
Bella abria caminho pelo lugar lotado, tentando a todo custo evitar tocar ou até roçar acidentalmente os outros clientes – uma tarefa impossível na aglomeração que se punha entre ela e a segurança da mesa vazia que estava dentro de seu campo de visão. Sentou-se sem olhar para as pessoas ao redor, em uma tentativa desesperada de recuperar alguma aparência de calma. Estava de costas para ele, mas o capuz de sua capa simples de lã caíra para trás, e Edward a observou enquanto se recompunha e esperava que uma garçonete se aproximasse. O cabelo estava preso para cima, enfiado em uma touca de renda horrorosa, mas alguns cachos castanho-avermelhados haviam escapado e roçavam sua nuca, atraindo a atenção dele para a adorável pele corada de entusiasmo.
Por um breve momento, pensou como seria beijar a pele dela ali. A cena no baile dos Swan mais cedo naquela noite havia confirmado suas suspeitas de que lady Isabella Swan era uma mulher ávida e apaixonada. Suas reações eram tão irresistivelmente desinibidas – tão diferentes das que tinham as mulheres com as quais normalmente se relacionava – que ele não podia deixar de imaginar como reagiria ao toque dele em outros lugares mais escandalosos.
O que ela está fazendo aqui?
Podia ser descoberta a qualquer momento por tanta gente com ligações com a sociedade de Londres – estava em St. James, pelo amor de Deus! E como se não bastasse isso, entrara na taberna sozinha, sem proteção; se fosse descoberta pelo tipo errado de homem, podia se ver em uma situação muito séria e desagradável. Percebeu que segurava um papel firmemente com ambas as mãos, como se fosse um talismã. Uma carta de amor? Será que ia encontrar um homem?
De todas as coisas irresponsáveis que poderia ter feito, esta podia muito bem ser a mais imprudente. Bella enfiou a folha no bolso da capa conforme uma garçonete se aproximava.
– Vou querer uma dose de uísque, por favor. Um uísque escocês.
Ele a havia escutado direito? Lady Isabella acabara de pedir uma dose de uísque, sozinha, em uma mesa escura de uma taberna de Londres, em um horário inconcebível, como se fosse a coisa mais normal do mundo?
A mulher havia perdido a cabeça?
Uma coisa era certa: ele enganara-se completamente em seu julgamento da pequena Bella Swan. Sem nenhuma dúvida, não era a patrona certa para Rosalie. Queria uma mulher de caráter irrepreensível e, em vez disso, encontrara Bella, que pedia, com toda a calma, doses de uísque em tabernas londrinas.
Exceto...
Exceto pelo fato de que não havia nada de calmo nela. Edward franziu os olhos, observando-a com atenção. Estava rígida como uma tábua. A respiração, que ele mediu pelo subir e descer dos ombros, era irregular e superficial. Estava nervosa. Desconfortável. E, ainda assim, ali estava ela, em um lugar que ele sabia que a faria se sentir de ambas as maneiras. Por quê? Teria que perguntar a ela. Confrontá-la. E sabia que a moça não iria gostar.
A garçonete voltou com a bebida e Bella pagou por ela. Edward percebeu que incluiu uma bela gorjeta pelos serviços da mulher. Quando a atendente foi embora, ele inclinou-se para a frente para observar enquanto Bella erguia o copo e dava uma longa cheirada no líquido. Não podia ver seu rosto, mas a viu se retrair fisicamente com uma única tosse violenta, balançando a cabeça como se para limpá-la antes de repetir o ato. Dessa vez, conteve-se para não ter uma reação óbvia, mas, pela forma como abaixou a cabeça para se aproximar do copo, Gabriel podia ver que estava cética em relação à bebida. Era óbvio que nunca tomara uma gota de uísque na vida. Após vários instantes de investigação, durante os quais pareceu estar se debatendo se devia ou não beber, ele não pôde mais conter a curiosidade.
– É isso que eles servem quando se pede uísque.
Bella quase deixou o copo cair. Edward não pôde conter uma leve sensação de vingança. Bem feito.
Ela se virou de súbito na direção dele, a bebida balançando no copo, e o marquês se levantou para se juntar a ela na mesa. Ao menos a moça merecia o crédito por se recuperar do susto rápido o suficiente para responder:
– Acho que eu deveria ter imaginado que o senhor estaria aqui.
– A senhorita tem de admitir que uma dama bem educada pedindo uma recomendação de uma taberna não é exatamente a mais comum das ocorrências.
– Acho que não. – Bella olhou de volta para o copo. – Suponho que não posso convencê-lo a voltar para a sua mesa e fingir que nunca me viu por aqui.
– Temo que isso seja impossível. Não poderia deixá-la sozinha neste lugar. A senhorita pode facilmente se ver em uma situação comprometedora.
Ela deu uma meia risada.
– Acho difícil de acreditar, milorde.
Ele se inclinou para a frente, abaixando a voz.
– É realmente incapaz de ver o dano que ser encontrada aqui sozinha causaria à sua reputação?
– Imagino que seria um dano significativamente menor do que ser descoberta aqui com o senhor. – Ela fez um pequeno gesto com a mão, indicando o restante da taberna. – Há várias damas desacompanhadas aqui.
Os olhos de Edward se obscureceram.
– Duvido muitíssimo que essas "damas" em especial esperem permanecer desacompanhadas.
Bella não entendeu de imediato o que ele queria dizer, franzindo o cenho, confusa. Quando, após alguns segundos, a compreensão lhe veio, virou-se para as mulheres desacompanhadas pelo bar e então de volta para ele, os olhos arregalados. Edward assentiu, confirmando a suspeita dela.
Bella se sobressaltou.
– Mas... não sou...
– Eu sei.
– Jamais...
Ele inclinou a cabeça, demonstrando que acreditava na resposta.
– O que me leva a perguntar... Por que está aqui?
Bella ficou em silêncio por tempo suficiente para que ele achasse que não responderia. Por fim, ela disparou:
– Se quer saber, estou aqui para beber uísque.
Uma sobrancelha escura se ergueu.
– Perdoe-me se não acredito.
– É verdade!
– Não é preciso ser um grande detetive para ver que a senhorita não gosta de uísque, lady Isabella.
– É verdade – repetiu ela.
Com um sorriso irritado, ele recostou-se em sua cadeira.
– Sério? – perguntou, descrente.
– Sério! – Ela ficou indignada. – Por que é tão difícil de acreditar?
– Bem, em primeiro lugar, posso lhe garantir que o uísque na Casa Swan provavelmente é muito melhor do que qualquer lavagem que lhe deram aqui. Então por que não beber lá e pronto?
– Quero beber aqui. Acho a atmosfera... atraente.
– Ao que me consta, até duas horas atrás, a senhorita nem sabia que aqui existia – observou ele.
Bella ficou em silêncio. Percebendo que ela não responderia, Edward continuou:
– E, segundo, a senhorita não parece nem um pouco inclinada a realmente beber esse uísque.
O brilho nos olhos dela tornou-se desafiador.
– É mesmo?
Com isso, ergueu o copo, saudando-o, antes de dar um longo gole no líquido âmbar.
Na mesma hora, começou a tossir e a cuspir, levando a mão ao peito e pousando o copo às cegas na mesa. Precisou de algum tempo para se recuperar. Quando o fez, foi para descobrir que Edward não havia se movido a não ser para assumir um ar de superioridade presunçosa.
Quando falou, sua voz soou seca como areia:
– É um gosto adquirido.
– Evidentemente – respondeu ela, com impertinência. E acrescentou: – Acho que minha garganta está pegando fogo.
– Essa sensação em particular vai diminuir. – Ele fez uma pausa, então acrescentou: – Provavelmente seria melhor bebericar, e não dar longos goles.
– Obrigada, milorde, não havia pensado nisso – retrucou ela, seca.
– O que está fazendo aqui?
As palavras eram baixas e persuasivas, e foram pronunciadas com uma viva curiosidade estampada nos olhos azuis.
– Já lhe disse.
Bella deu um golinho no líquido em seu copo, fazendo uma careta. Ele suspirou novamente, o olhar fixo nela.
– Se isso é verdade, é mais descuidada do que pensei. Está arriscando sua reputação seriamente esta noite.
– Usei um disfarce.
– Um disfarce não muito bom.
Ela levou uma das mãos à touca de renda, nervosa.
– Ninguém me reconheceu.
– Eu a reconheci.
– O senhor é diferente.
Edward hesitou, observando-a.
– Tem razão. Sou diferente. Ao contrário da maioria dos homens que uma mulher desacompanhada encontraria em um estabelecimento como este, tenho um profundo interesse em preservar a sua honra.
– Obrigada, lorde Cullen, mas não preciso da sua proteção – menosprezou ela.
– Parece que precisa exatamente disso. Ou devo lembrá-la de que a senhorita e sua família estão prestes a se ligar à minha irmã? Ela já tem o bastante contra si. Não precisa de mais ninguém destruindo sua reputação e as chances de sucesso dela de uma tacada só.
O uísque a deixou ousada:
– Se está tão preocupado com a minha reputação, milorde, posso sugerir que encontre outra para guiar sua irmã para o seio da sociedade?
Os olhos dele se franziram, fixos nos dela.
– Não, lady Isabella. Temos um acordo. Quero a senhorita.
– Por quê?
– Porque Rosalie confia na senhorita e gosta da sua companhia. E porque não tenho tempo para começar tudo de novo e encontrar outra pessoa – respondeu ele, com o tom mais áspero.
Nesse momento, a garçonete voltou, inclinando-se perto o bastante para dar a Edward uma visão privilegiada de seus encantos mais do que fartos.
– Precisando de mais alguma coisa esta noite, milorde?
– Não esta noite – respondeu ele com um sorriso desatento, registrando o ultraje de Bella diante do convite explícito da mulher.
– Tenho outras formas de deixá-lo confortável, meu bem.
Os olhos de Bella não poderiam estar mais arregalados.
– Tenho certeza que sim – rebateu Edward maliciosamente, pegando uma coroa e escorregando lentamente a moeda para a palma da mão da moça. – Obrigado.
Bella inspirou profundamente. Seu tom tornou-se duro feito aço:
– Estou ficando cansada de receber ordens sobre como me comportar, como se fosse incapaz de pensar por mim mesma, especialmente de alguém como o senhor.
– Como assim? – perguntou ele, com inocência fingida.
– Não está sugerindo que não percebeu o que ela... ela...
Um sorriso brincou nos lábios dele.
– Ela...?
Bella fez um sonzinho de frustração.
– O senhor é incorrigível.
– Sem dúvida. Como podemos concordar que a minha fama está além de reparos, posso sugerir que voltemos a nossa atenção para a sua? – Não esperou pela resposta. – A senhorita vai parar de arriscar sua reputação, Srta. Isabella, pelo menos até Rosalie ter sido apresentada. Isso significa: nada de visitas desacompanhada a bares londrinos. Ou melhor, nada de visita de nenhum tipo a bares londrinos. E, se puder evitar sair de casa no meio da noite, isso seria excelente.
– Com certeza, milorde. – Bella ficou voluntariosa, a coragem aumentada pela bebida. – E como sugere que impeça que homens me abordem inapropriadamente na casa da minha família?
A impertinência o surpreendeu, fazendo-o sentir-se imediatamente humilhado, relembrando o ato de mais cedo.
– Tem toda a razão. Por favor, aceite minhas...
– Não ouse pedir desculpas. – A voz de Bella tremeu ao interrompê-lo. – Não sou criança nem vou deixar que me façam sentir como se não tivesse controle sobre minhas ações. Nem pelo senhor nem por ninguém. E eu não poderia...
Parou no meio da frase. E eu não poderia suportar ouvi-lo dizer que se arrepende do nosso beijo. É claro que, no fundo, sabia que era verdade, que o marquês a encurralara na alcova para provar sua superioridade, para passar o tempo ou por algum outro motivo definitivamente não romântico. Mas, pela primeira vez na vida, sentira-se desejada. E não permitiria que ele estragasse isso com suas desculpas.
No silêncio que se abateu sobre os dois, com a mente enevoada, Bella terminou o uísque. Ele tinha razão, claro. O líquido parecia descer muito mais facilmente com a prática. Ela pousou o copo na mesa, observando uma gotinha percorrer seu caminho lento e sinuoso por dentro dele até se acomodar no fundo. Traçou com o dedo seu percurso pelo lado de fora, esperando que Edward falasse.
Quando ele não falou, foi inundada por um desejo de fugir do espaço agora pequeno demais.
– Sinto muito por ter estragado a sua noite, milorde. Como já completei a tarefa pela qual vim aqui, creio que devo deixá-lo em paz.
Ela se levantou, recolocando o capuz e apertando a capa em volta de si. Edward levantou-se com ela, imediatamente passando a própria capa em volta dos ombros e pegando o chapéu e a bengala. Bella lhe lançou um olhar direto e anunciou:
– Não preciso de um acompanhante.
– Não seria muito cavalheiresco de minha parte se não a acompanhasse até a sua casa, milady.
Ela notou uma ligeira ênfase na última palavra, como se ele a estivesse lembrando de sua posição.
Recusava-se a discutir com ele, recusava-se a deixar que o marquês estragasse ainda mais uma noite que deveria ter sido cheia de possibilidades – afinal de contas, conseguira riscar mais um item da lista. Em vez disso, virou-se e começou o longo caminho pelo bar lotado até a porta, ansiosa para sair da taberna antes dele, certa de que, se conseguisse chegar primeiro à rua, poderia fazer sinal para uma carruagem e deixar o marquês – e aquele interlúdio horroroso – para trás. Dessa vez, no entanto, era como se fosse menos capaz de evitar ser empurrada pela multidão; seu equilíbrio parecia de certa forma descompensado, os pensamentos ligeiramente turvos. Seria possível que aquela pequena quantidade de uísque tivesse lhe subido à cabeça?
Saiu do bar para a noite fria de primavera e marchou até a rua, a cabeça erguida, para procurar uma carruagem de aluguel. Tinha consciência de que Edward estava atrás dela, chamando o condutor de sua carruagem, que esperava por ele do lado de fora. Excelente, pensou consigo mesma, talvez tenha decidido me deixar em paz, afinal de contas. Ignorando a pontada de decepção que veio com o pensamento, Bella desceu o degrau da calçada para espiar por trás de outra carruagem estacionada. No último minuto, lembrou-se da poça que encontrara mais cedo naquela noite e aumentou a largura do passo, evitando a lama. Aterrissou desequilibrada e sentiu-se caindo para a frente nos paralelepípedos. Projetando as mãos para se proteger, preparou-se para o impacto.
Um impacto que nunca veio.
Antes que pudesse entender o que havia acontecido, sentiu a terra mudar de direção e aterrissou contra uma parede rígida de calor. Ouviu Edward resmungar "que mulher irritante", enquanto passava os braços duros feito pedra ao redor dela, e soltou um pequeno ganido quando ele a ergueu no ar, junto do peito. Um peito muito largo e muito firme. O capuz de sua capa caiu para trás e ela se viu olhando bem nos furiosos olhos verdes dele. Seus lábios estavam a escassos centímetros dos dela. Que lábios maravilhosos. Agitou a cabeça para livrá-la de pensamentos tão tolos.
– A senhorita podia ter se matado – repreendeu ele, a voz grossa com uma emoção que ela não conseguia definir direito.
Provavelmente fúria, pensou.
– Acho que "matado" é um tanto improvável – retrucou ela, sabendo, enquanto falava, que as palavras não iriam angariar a boa vontade dele.
– A senhorita podia ter caído e sido atropelada por uma carruagem que estivesse passando. Acho que "matado" é uma declaração justa.
Bella abriu a boca para argumentar, mas ele a deslocou, distraindo-a da discussão. Pousando-a na calçada em frente à porta aberta de sua carruagem, apontou um dedo na direção do interior mal iluminado do veículo. A única palavra que ofereceu não admitia recusa:
– Entre.
Aceitando a mão que ele lhe estendia, Bella entrou na carruagem, acomodando-se no assento. Então percebeu que vários cachos haviam se soltado e estavam roçando sua bochecha, e ergueu uma das mãos para verificar o posicionamento da touca, só para descobrir que havia sumido.
– Espere! – gritou para Edward quando ele estava prestes a subir na carruagem. Ele parou, lançando-lhe um olhar inquisitivo. – Perdi minha touca.
Ao ouvir isso, o marquês subiu no veículo, tomando lugar ao lado dela e fazendo sinal com a cabeça para que o lacaio fechasse a porta. Bella ficou olhando, espantada, enquanto ele tirava as luvas e o chapéu e os colocava no assento diante deles antes de bater no teto da carruagem, sinalizando para o cocheiro partir.
– O senhor não me ouviu?
– Ouvi.
– Minha touca...
– Eu ouvi. – repetiu ele.
– Mas o senhor não...
– Não.
– Por quê?
– Porque aquela touca não vai lhe fazer a menor falta. A senhorita deveria estar grata por ela ter sumido. É jovem demais para usar algo tão detestável.
– Eu gosto dela! – retorquiu Bella, indignada.
– Não gosta, não.
Bella virou o rosto para o outro lado, olhando pela janela para a rua. Ele tinha razão, é claro. Odiava a touca de renda e tudo o que ela representava. Afinal de contas, já não havia incinerado uma daquelas coisas horríveis? Não conseguiu conter o sorrisinho que cruzou seu rosto. Tudo bem. Estava feliz em se livrar dela.
Não que fosse permitir que Edward soubesse disso.
– Obrigada – falou baixinho, as palavras ecoando no silêncio da carruagem. Sem obter resposta, acrescentou: – Por me salvar.
Edward emitiu um grunhido reservado. Obviamente, estava irritado com as ações dela. Era justo. Após vários minutos de silêncio, Bella tentou de novo:
– Estou ansiosa pela estreia de Rosalie, milorde. Tenho grandes esperanças de que encontre um par por amor.
– Espero que não encontre amor nenhum.
Os olhos dela voaram para ele, surpresos.
– Como disse?
– O amor não pressagia nada de bom na família Cullen. Não o desejo para nenhum de nós.
– Não pode acreditar nisso.
Ele respondeu pragmaticamente:
– Por que não? Minha mãe deixou um rastro de corações partidos pela Europa, dois maridos traídos e três filhos abandonados, todos os quais ela dizia amar. E a senhorita sugere um par por amor deveria ser o padrão segundo o qual medir o sucesso da minha irmã na sociedade? Não. Vou medir o sucesso de Rosalie por seu casamento com um homem de personalidade e gentil, duas qualidades muito mais valiosas do que amor.
Se estivessem em qualquer outro lugar, em qualquer outro momento, Bella provavelmente teria deixado a conversa terminar ali. Mas, fosse por causa do uísque ou da aventura como um todo, virou-se no assento da carruagem para ficar de frente para ele.
– Milorde... está dizendo que não acredita no amor?
– O amor é só uma desculpa para se agir sem considerar as consequências. – sacramentou Edward, com desinteresse. – Nunca vi nenhuma prova de que fosse algo além de um precursor de dor e angústia. E, como conceito, causa mais mal do que bem.
– Tenho que discordar.
– Não esperaria outra coisa – disse ele, francamente. – Deixe-me arriscar um palpite. A senhorita acha que o amor existe em toda a glória poética de Shakespeare e Marlowe e do miserável lorde Byron e sei lá mais quem.
– Não precisa falar com tanto desdém.
– Perdoe-me. – Edward fez um gesto com a mão no ar, encarando-a nos olhos, à luz fraca. – Por favor, continue. Eduque-me sobre a verdade do amor.
Bella ficou imediatamente nervosa. Por mais que ele parecesse ser capaz de discutir o tema academicamente, as opiniões de alguém a respeito de tal sentimento eram bastante... bem... pessoais. Tentou usar um tom instruído:
– Não chegaria ao ponto de achar que o amor é tão perfeito quanto esses poetas gostariam de nos fazer crer, mas acredito em casamentos por amor. Tenho que acreditar. Sou o produto de um. E, se isso não for prova suficiente, acho que esta noite teria sido pelo menos moderadamente convincente. Minha irmã e Rivington só têm olhos um para o outro.
– Atração não é amor.
– Não acho que o que existe entre eles seja simples atração.
As palavras se transformaram em silêncio, e Edward a observou intensamente por um longo instante antes de se aproximar, parando a apenas alguns centímetros dela.
– Não há nada de simples na atração.
– Mesmo assim...
Ela parou, incapaz de se lembrar o que estava tentando dizer. Ele estava tão perto.
– Devo lhe mostrar o quanto a atração pode ser complicada?
As palavras eram graves e aveludadas, o som da tentação. Seus lábios estavam quase nos dela; Bella podia sentir seu movimento enquanto ele falava, quase roçando nela.
Edward esperou sua resposta, pairando a centímetros dela. Bella foi consumida por uma necessidade insuportável de tocá-lo. Tentou falar, mas nenhuma palavra veio. Não conseguia formar pensamentos. O marquês havia invadido os seus sentidos, deixando-a sem opção a não ser diminuir a escassa distância entre eles.
No momento em que seus lábios se tocaram, Edward assumiu o comando, passando os braços em volta dela e arrastando-a para o colo dele. Este beijo foi muito diferente do primeiro – mais pesado, mais intenso, menos cuidadoso. Foi uma força da natureza. Bella gemeu conforme a mão dele subia pela lateral de seu pescoço, segurando seu maxilar, inclinando a cabeça dela para alinhar melhor suas bocas. Os lábios dele brincaram nos dela, a língua correndo por eles antes de Edward se afastar só um pouco e procurar seus olhos semicerrados. Uma sombra de sorriso passou por seu rosto.
– Tão ardente... – sussurrou contra os lábios dela enquanto passava os dedos em seu cabelo, espalhando grampos e fazendo os cachos caírem. – Tão ávida. Tão disponível para mim.
E então tomou sua boca em outro beijo abrasador, e Bella se entregou a ele, correspondendo afago por afago, carícia por carícia. Ficou presa em uma teia de beijos longos e lentos, entorpecentes, e só o que conseguia pensar era que tinha que ficar mais perto dele. Passou os braços em volta do pescoço do marquês, enquanto ele abria a capa dela e levava as mãos aos seus seios, envolvendo e levantando a carne pesada. Bella afastou a boca em uma arfada, enquanto ele esfregava os polegares nos mamilos, duros sob a lã áspera do vestido emprestado, possibilitando que Edward levasse os lábios aos músculos tensos de seu pescoço, a língua traçando uma linha curva até seu ombro. Correu os dentes na pele sensível, enviando uma onda de prazer através dela, então lambeu aquele ponto específico. Bella suspirou com a sensação e sentiu a curva dos lábios dele contra seu ombro, no momento em que a lã de seu corpete se soltou e seus seios se derramaram nas mãos dele.
Abriu os olhos diante da súbita liberdade, do ar frio envolvendo sua pele quente, e encontrou, por um instante, o olhar ardente de Edward antes de ele se afastar para admirar seus seios nus. A pele dela cintilava na luz bruxuleante das ruas e, quando ele a tocou, Bella viu-se incapaz de desviar os olhos dos dedos dele, nítidos contra sua pele clara. A imagem mais erótica do que poderia ter imaginado. Bella observou enquanto ele acalmava a pele abrasada e esfregava o polegar no mamilo nu, circulando-o de leve, fazendo-o se enrijecer ainda mais.
A sensação a fez ajeitar-se em seu colo, e ele soltou um sibilo grave quando o quadril dela pressionou seu membro firme. Bella foi consumida por um sentimento de poder feminino e repetiu o movimento, desta vez roçando-se deliberadamente contra ele. Edward respirou fundo e a imobilizou com mãos de ferro, fitando-a nos olhos. Quando falou, sua voz estava rouca:
– É um jogo perigoso o que você joga, sua atrevida. E sou um oponente formidável.
Os olhos dela se arregalaram de surpresa diante das palavras. Quando ele levou a boca ao seu seio, foi a vez de Bella arfar. A língua dele circulou um mamilo eriçado e seus lábios se fecharam em torno dele, chupando de leve, esfregando a boca e os dentes até ela gritar e colocar as mãos na cabeça dele, agarrando seu cabelo.
Edward se afastou, soprando uma onda de ar frio no mamilo rígido, provocando-a com a leveza da carícia.
– Edward... – o nome dele em seus lábios era áspero, suplicante.
– O quê?
– Não pare – sussurrou, na escuridão. – Por favor.
Os dentes dele brilharam em um sorriso malicioso. Ele balançou a cabeça, observando-a, fascinado pelo pedido.
– Tão ousada. Sabe exatamente o que quer, apesar de nunca ter tido.
– Edward – implorou ela de novo, contorcendo-se no colo dele, a frustração permeando seu tom. – Por favor.
Ele a beijou, incapaz de negar a profunda satisfação que sentia com a reação honesta dela às suas carícias. Quanto tempo fazia desde que estivera com uma mulher que fosse tão aberta? Podia ficar viciado na avidez dela, em seu entusiasmo. Afastou-se do beijo ardente para recompensá-la.
– Com prazer, milady. – disse, e levou os lábios ao outro seio.
Bella gritou o nome dele, o som ecoando na escuridão enviando uma onda de prazer através de Edward, direto para o seu âmago.
Ele a queria. Dentro da carruagem. Queria se enterrar bem fundo nela e lhe mostrar o que a paixão podia ser.
O pensamento o chocou na mesma hora e ele se afastou, voltando a atenção para a rua lá fora. Praguejou em voz alta. Aquela não era uma mulher que se tomava dentro de uma carruagem. Era lady Isabella Swan, irmã do conde Swan. E estava semidespida, a poucos minutos da casa dela. Como ele perdera o controle assim?
Começou a arrumar Bella, endireitando o corpete de seu vestido enquanto ela permanecia ali, confusa, sentada no colo dele, observando-o com olhos penetrantes e arregalados.
– Estamos quase na Casa Swan.
As palavras estimularam Bella a agir. Ela pulou do colo dele para o assento à sua frente, puxando o corpete para cima. As luvas dificultaram a tarefa, e ela as arrancou, liberando as mão para amarrar as fitas. Atrapalhou-se para catar os grampos espalhados pela carruagem e restaurar o cabelo a seu estado anterior. Ele ficou observando-a, tentando não notar o inchaço de seus seios imprensados contra a lã áspera do vestido. Resistiu ao ímpeto de impedi-la de domar os cabelos, abaixando-se, em vez disso, para pegar outros vários grampos do chão e oferecê-los a ela.
Bella os aceitou, roçando os dedos nos dele e alimentando um pouco mais o calor escaldante que havia se formado entre os dois.
– Obrigada – falou baixinho, agitada.
Prendeu os últimos cachos soltos e pousou as mãos no colo.
A mulher apaixonada que ele havia descoberto tinha sumido; a formal e correta lady Isabella voltara. Edward se recostou no assento, observando-a, enquanto a carruagem parava no portão dos Swan.
– Não tinha certeza se o condutor devia levá-la até a porta – explicou ele. – Está planejando uma reentrada clandestina?
Ela lançou-lhe um sorrisinho.
– Claro que sim, milorde.
– Ah, então estamos de volta ao "milorde".
Bella não respondeu, limitando-se a abaixar a cabeça timidamente. Ele não podia ver na escuridão da carruagem, mas sabia que ela havia corado.
– Gostaria de acompanhá-la até a porta.
– Não há necessidade.
– Mesmo assim...
Ela o interrompeu:
– Acho que é melhor eu ir sozinha. Se fôssemos encontrados juntos...
A frase não precisava ser terminada. Com um aceno de cabeça, ele abriu a porta e desceu para ajudá-la a saltar.
Edward permaneceu imóvel, observando até que ela tivesse entrado em segurança em casa pela escura porta da frente. Então subiu de novo na carruagem e, com uma batida seca no teto, sinalizou ao condutor para partir.
Ui ui ui. Enfim...
Nanny: Então, eu "postei logo" e... cadê? Deixou uma mixuruquinha na correria hahaha Tá na minha lista negra, sua coisa feia. Te adoro!
Duda Makalister: Sim, é uma teoria válida. Quando li a primeira vez, também cogitei isso, mas ela ainda não sabe. O livro vai mostrando aos poucos conforme ela risca os itens, e "Jogar em um clube para cavalheiros" ainda não aconteceu. Mas quando acontecer... É uma das minhas partes favoritas, te garanto. Beijo!
kjessica: Esses estragos... Causam estragos em mim. Gostei tanto dessa escritora (Sarah McLean), que comecei outros livros dela sem medo, acho que vou adaptar mais, mesmo não sendo essa mesma série "Números do Amor". Sugestões?
Mila: Querida, acho que a combustão instantânea acabou de acontecer, como você previu hahahaha Tadinha nada, queria eu estar no mesmo lugar kkkkk
Ktia S.: Esqueceu que hoje eu trabalho? Depois serão duas folgas seguidas. ADORO! Venha passar um dia em casa, por favorzinho.
Criis: Pois é, todo mundo doido pra ver a Bellinha se embrenhando em tabernas e ambientes masculinos kkkk Ela causa e eu amo isso.
PennySLove: Que bom que está de volta, senti sua falta! Vamos lá, bora acompanhar. Beijinhos.
Até sexta que vem, já que sábado estarei enfim de folga! Beijos, coisas lindas!
