Personagens de Stephenie Meyer. História de Sarah McLean.
CAPÍTULO NOVE
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"A senhorita se esconde atrás de babados e pregas, como tantas outras inglesas; já os franceses celebram a forma das mulheres."
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Vários dias depois, Bella chegou à Casa Cullen pontualmente ao meio-dia, preparada para um dia de compra de vestidos.
Se havia algo que ela abominava, era comprar vestidos. Sendo assim, levou reforços na forma de Alice, que, além do amor anormal que sentia pela Bond Street, estava consumida de curiosidade a respeito da misteriosa irmã mais nova do marquês de Cullen.
– Nunca estive na Casa Cullen! – sussurrou Alice, animada, conforme se aproximavam da porta.
– E nem deveria – observou Bella, cerimoniosamente. – Até a chegada da irmã do marquês, este certamente não era o lugar de jovens solteiras.
Nem de velhas solteiras, mas isso não a impedira de visitá-lo.
Bella ignorou a vozinha em sua cabeça e começou a subir os degraus até a porta da frente. Antes de chegar ao topo da escada, a porta se abriu de supetão, revelando uma Rosalie ansiosa.
– Olá! – disse, sem fôlego de tanto entusiasmo.
Atrás da porta, Wingate estava de olhos arregalados, parecendo totalmente escandalizado pelo fato de a moça não ter esperado que um lacaio abrisse a porta e anunciasse a chegada das visitas. Sua boca abriu uma fração e logo se fechou, como se não soubesse bem como lidar com uma violação tão flagrante de conduta. Bella engoliu um sorriso, certa de que o estoico mordomo não veria o humor da situação.
Alice, no entanto, absorveu a cena antes da irmã e caiu na gargalhada. Batendo palmas de alegria, passou pelo vão da porta, pegou carinhosamente as mãos de Rosalie e disse:
– A senhorita só pode ser Rosalie. Sou a irmã de Bella, Alice.
Rosalie fez uma pequena reverência – a maior reverência que podia fazer sem usar as mãos – e cumprimentou:
– Lady Alice, é uma honra conhecê-la.
Alice balançou a cabeça com um grande sorriso.
– Podemos esquecer o "lady". Pode me chamar de Allie. Não vê que seremos excelentes amigas?
Rosalie retribuiu o sorriso animado.
– Então a senhorita também deve me chamar de Rose, não?
Bella sorriu diante da imagem que formavam, as cabeças já curvadas como se trocassem confidências. Atrás delas, Wingate olhava para o teto. Bella não tinha dúvidas de que o mordomo estava com saudades dos dias em que não havia residentes femininas na Casa Cullen.
Com pena dele, virou-se para as moças e sugeriu:
– Que tal partirmos?
Em instantes, haviam se enfiado na carruagem Swan e estavam a caminho da Bond Street, onde passariam grande parte da tarde. Mas, em meio à aglomeração de carruagens e consumidores, chegar ao seu destino não era tarefa das mais fáceis. Enquanto a carruagem se arrastava, Rosalie ficou em silêncio, espremendo o nariz contra a janela para ver o burburinho do lado de fora: multidões de aristocratas entrando e saindo de lojas, lacaios enchendo carruagens de caixas e pacotes, cavalheiros cumprimentando com o chapéu ao passarem por grupos de damas tagarelando. Não havia nada como aquela rua no início da temporada. Bella podia imaginar que Rosalie fosse achar toda a experiência de fazer compras em meio à alta sociedade um tanto assustadora.
Sinceramente, não podia culpá-la por isso.
Alice pareceu sentir o nervosismo da outra jovem e tagarelou alegremente:
– Vamos começar, é claro, com madame Hebert. – E pousou a mão na de Rosalie, inclinando-se para o outro lado da carruagem para sussurrar, entusiasmada: – Ela é francesa, claro, e a melhor costureira de Londres. Todo mundo a quer... mas é muito criteriosa a respeito de sua clientela. Se usar as roupas dela, vai ser o assunto da temporada!
Rosalie virou os olhos arregalados para Alice e perguntou:
– Se ela é, como diz, criteriosa, por que me aceitaria como cliente? Não tenho título.
– Ah, ela vai aceitá-la, sem dúvida! Primeiro, está fazendo todo o meu enxoval, então não vai poder recusar uma amiga minha. E, se isso não fosse o bastante – acrescentou, pragmática –, Cullen, além de marquês, é tão rico quanto Creso. Ela não vai rejeitá-lo.
– Alice! – exclamou Bella, chocada.
Alice lançou à irmã um olhar sincero.
– Bem, é verdade!
– Mesmo assim! É vulgar discutir as finanças do marquês.
– Ah, bobagem, Bella. Todo mundo faz isso entre amigos. – Alice dispensou o assunto com um gesto e lançou um sorriso para Rosalie. – É verdade. Imagino que tenha vestido várias amantes lá.
– Mary Alice! – A voz de Bella ficou estridente. Rosalie riu, obtendo um olhar de advertência de Bella. – Não a encoraje!
A carruagem parou e Alice ajustou o laço do chapéu, amarrando-o em um ângulo elegante debaixo do queixo. Lançou uma piscadela travessa para Rosalie e saltou da carruagem, gritando de volta:
– É verdade!
E, com outra risada, Rosalie juntou-se a ela e a dupla correu à frente, para dentro da loja da modista.
Bella as seguiu, divertida. Allie fora uma ótima ideia, o acréscimo perfeito para a saída – sua exuberância natural combinava com a de Rosalie –, e Bella estava bastante orgulhosa de si mesma por criar uma dupla tão maravilhosa.
Edward ficaria feliz em saber que sua irmã rapidamente se tornara amiga da futura duquesa de Rivington; não havia dúvidas de que uma aliança como essa facilitaria a entrada de Rosalie na sociedade. Presumindo, é claro, que ele nunca descobrisse que Alice estava mais do que disposta a discutir os assuntos particulares dele – todos eles, evidentemente –, sem se importar com a discrição. Bella só podia esperar que a própria irmã do marquês fosse ligeiramente mais cuidadosa com as palavras.
Allie estava, é claro, certa. A maioria dos homens da sociedade londrina mantinha suas amantes bem alojadas e bem-vestidas. O marquês não seria diferente. Ao pensar nisso, uma lembrança veio à mente de Bella – Edward em seu quarto escuro naquela primeira noite, quando tudo havia começado, listando as coisas que dera à sua amante no final de seu relacionamento. Você fica com a casa, as joias, as roupas. A visão a deixou fria. Não devia ser uma surpresa, claro, mas... a pontada de ciúme que sentiu ao pensar nele comprando roupas para outra mulher foi feroz.
Quantas tinha havido?
– Lady Isabella!
As palavras a sobressaltaram de seu devaneio mórbido, e ela virou-se para encontrar o barão de Oxford se aproximando, do outro lado da rua. A calça justa de camurça e o sobretudo azul-escuro eram contrabalançadas por um colete carmim, que combinava perfeitamente com o castão de sua bengala e os saltos de suas botas – cujo brilho só rivalizava com o de seu sorriso largo e branco.
Oxford era o auge da moda.
Tirando o fato, claro, de ter acabado de gritar por mim do outro lado da cidade.
– Lady Isabella! – repetiu, enquanto saltitava pela rua para se juntar a ela nos degraus de madame Hebert. – Que sorte tremenda! Ora, estava exatamente pensando em fazer uma visita à Casa Swan... e aqui está a senhorita!
– Sem dúvida – comentou Bella, resistindo ao impulso de perguntar ao barão por que estaria interessado em visitar a Casa Swan –, aqui estou! – Como Oxford continuou a sorrir e não respondeu, ela acrescentou: – Está um dia adorável para fazer compras.
– Só ficou mais adorável ainda com a sua presença.
Bella franziu o cenho na mesma hora.
– Ah. Bem. Obrigada, milorde.
– Talvez eu possa tentá-la a deixar de lado as compras para tomar um sorvete de frutas.
Ele estava flertando com ela?
– Ah, não posso... Sabe, minha irmã está lá dentro. – E fez um gesto para indicar a loja da modista. – E está me esperando.
– Tenho certeza de que ela entenderia.
Ele lhe ofereceu o braço e, com um sorriso largo, piscou para ela.
Bella ficou petrificada diante do gesto. Não havia dúvida de que estava flertando com ela.
Por quê?
– Bella! – Sobressaltada, Bella virou-se na direção de Alice, que havia enfiado a cabeça para fora da porta da loja para procurá-la. Olhando a cena diante de si com um ar de absoluta incompreensão, Allie acrescentou: – Ah, olá, lorde Oxford.
Oxford mergulhou em uma reverência extravagantemente exagerada, apontando uma bota com salto vermelho na direção de Alice.
– Lady Alice, é um prazer, como sempre.
Bella ergueu a mão enluvada até os lábios para esconder o sorriso que lhe escapou diante da estranha interação. Com os lábios se retorcendo, Allie acrescentou:
– Sim, bem. Não se incomoda se eu roubar minha irmã, não é?
Oxford se aprumou e sorriu largamente.
– De forma nenhuma. Sem dúvida, este rumo dos acontecimentos servirá para tornar mais imperativo que eu vá procurar lady Isabella na Casa Swan.
– Seria adorável, milorde – acrescentou Bella, em um tom que qualquer um, menos o barão, teria percebido ser alegre demais. Vendo a oportunidade de escapar, subiu apressadamente os degraus até Alice, virando-se para acenar brevemente para Oxford antes de seguir a irmã para dentro da loja.
– Não acredito que ele a fez esperar na rua! Acha que tem alguma coisa na cabeça daquele homem? – perguntou Allie, baixinho.
Bella abriu um largo sorriso.
– Além de dentes?
As irmãs riram alto enquanto se aproximavam de Rosalie, que já havia atacado madame Hebert de surpresa. A modista havia claramente decidido, como Alice previra, que fazer um guarda-roupa inteiro para Rosalie seria bom para os negócios.
Logo estavam cercadas por um grupo de costureiras, várias das quais já haviam começado a medir a jovem, enquanto outras se atropelavam para pegar peças de tecidos de todas as cores e materiais imagináveis. Uma moça pequena de óculos estava empoleirada em um banquinho próximo, fazendo anotações conforme Alice se juntava à conversa.
– Ela vai precisar, para começar, de pelo menos seis vestidos de jantar... seis para o dia, três roupas de montaria, uma dúzia de vestidos matinais, cinco para caminhar... – Ela fez uma pausa, permitindo que a assistente da modista anotasse tudo. – Ah! E três vestidos de baile. Não, quatro. Eles têm que ser deslumbrantes, claro – ressaltou Alice, lançando um olhar expressivo para madame Hebert. – Ela tem que arrebatar Londres.
Bella sorriu enquanto observava a cena. Alice fora, sem dúvida, a escolha perfeita para acompanhá-las. Rosalie parecia inteiramente estupefata.
Pobrezinha.
Alice olhou para Bella.
– O que eu esqueci?
Virando-se para a modista, Bella disse:
– Boleros, pelerines, capas e xales para combinar com tudo, conforme necessário... e ela vai precisar de roupas de baixo para tudo isso, é claro. E camisolas.
Rosalie falou pela primeira vez:
– Não vejo por que preciso de camisolas novas. As minhas são perfeitamente aceitáveis.
– A senhorita precisa delas porque seu irmão está disposto a comprá-las – observou Alice, pragmática. – Por que não as ter?
Rosalie virou-se para Bella.
– Elas são bem mais do que preciso. Só vou ficar aqui por sete semanas.
Bella balançou a cabeça em solidariedade, entendendo de imediato o desconforto da jovem. Mal havia conhecido Edward e agora estava encomendando uma fortuna em roupas por conta dele. Bella se aproximou de Rosalie, colocando uma mão tranquilizadora em seu braço. Baixinho, para que ninguém além de Rose pudesse ouvir, ela falou:
– Ele quer fazer isso por você. Foi ideia dele. Sei que parece extravagante... – Ela mirou os olhos claros e preocupados da jovem. – Deixe-o brincar de irmão mais velho hoje.
Após um instante, Rosalie assentiu ligeiramente.
– Bene. No entanto, gostaria que os vestidos fossem em um estilo... mais italiano.
Madame Hebert ouviu de onde estava e escarneceu:
– A senhorita acha que eu pegaria um lírio selvagem e o podaria até virar uma rosa inglesa? A senhorita irá conhecer a alta-roda como uma brilhante estrela italiana.
Bella não pôde deixar de dar uma risadinha.
– Excelente. Devemos escolher alguns tecidos?
As palavras fizeram o bando de mulheres as rodearem em um turbilhão, desenrolando metros de musselinas e cetins, linhos e crepes, veludos e tafetás, em todas as cores e estampas imagináveis.
– De quais a senhorita gosta? – perguntou Bella.
Rosalie voltou a atenção para a pilha de tecidos, um sorriso aturdido no rosto. Alice se aproximou e entrelaçou seus braços.
– Adoro esse crepe cor de amora. Ficaria lindo com o seu cabelo. – Então, voltando-se para Bella, perguntou: – E você, irmã?
Bella inclinou a cabeça na direção de um cetim verde-salgueiro e comentou:
– Se a senhorita não sair daqui com um vestido de noite nesse cetim, vou ficar muito decepcionada.
Rosalie riu.
– Bem, então precisarei ter um! E gosto daquela musselina rosa.
Madame Hebert ergueu a peça e a passou para uma costureira.
– Excelente escolha, signorina. Posso sugerir o cetim dourado também? Para a noite, é claro.
Alice apertou o braço de Rosalie e vibrou.
– É divertido, não é?
A outra assentiu, caindo na gargalhada.
Ela rapidamente se encantou com o processo e, em uma hora, tinha selecionado cores e tecidos para todos os seus vestidos. Ela e Alice estavam tomando chá e discutindo bainhas e cinturas, enquanto Bella se via tateando um cetim de um azul-etéreo que havia chamado sua atenção várias vezes desde que entrara na loja. Pela primeira vez em muito tempo, estava atraída pela ideia de mandar fazer um vestido. Para si mesma.
– O tecido, ele a está chamando, non? – O sotaque marcado da modista despertou Bella de seus pensamentos. – Daria um vestido lindo. Para o seu próximo baile. Este cetim serve para valsar.
– É lindo!
Alice havia se materializado ao lado dela, conforme a costureira falava.
– Sem dúvida! A senhorita precisa dele! – acrescentou Rosalie.
Ela sorriu, balançando a cabeça.
– Obrigada, mas não tenho necessidade de um vestido assim.
As sobrancelhas de madame Hebert subiram de surpresa.
– A senhorita não vai aos bailes?
– Ah, vou... – Bella lutou para achar as palavras. – Mas não danço.
– Talvez não tenha o vestido certo, milady. Posso dizer... se eu fizesse para a senhorita um vestido com esse tecido, com certeza iria dançar.
Jogando um retalho do tecido em cima da mesa, a francesa o manipulou por vários momentos, fazendo pregas e dobras. Dando um passo para trás, permitiu que Bella desse uma olhada em seu trabalho, que mal dava pistas de ser um vestido. Era lindo.
– Vamos aumentar o decote para exibi-la, e baixar a cintura. A senhorita se esconde no meio desses babados e pregas, como tantas outras inglesas. – Madame Hebert cuspiu as últimas palavras como se tivessem um gosto ruim. – A senhorita precisa do design francês. Os franceses celebram a forma das mulheres.
Bella corou diante do discurso ousado da costureira, mas, ainda assim, ficou bastante tentada pela ideia. Fitando os olhos da francesa baixinha, aceitou:
– Certo. Tudo bem.
Alice e Rosalie soltaram pequenas exclamações de prazer. Madame Hebert assentiu, e começou a cuidar dos negócios:
– Valerie – chamou rispidamente, sua assistente –, tire as medidas de lady Isabella. Ela vai querer o cetim azul-etéreo. Também vai precisar de uma capa.
– Ah, acho que não...
A modista nem olhou para Bella. Simplesmente continuou, como se ela não tivesse falado:
– A capa vai ser em cetim azul-escuro. Vamos forrá-lo com pele de chinchila. E o etéreo sai da prateleira. O tecido pertence apenas a esta dama.
Ao ouvirem isso, as moças na loja riram baixinho. Bella virou-se confusa para Alice. Sua irmã sussurrou:
– Madame Hebert só tira um tecido de venda quando costura um vestido sem a ajuda da equipe! Bella! Que emocionante!
Bella engoliu em seco audivelmente. No que havia se metido?
Madame Hebert voltou-se para ela.
– Três semanas.
Ela assentiu.
– E os de Rosalie?
– A mesma coisa. Enviaremos para ela conforme forem sendo terminados.
– Ela vai precisar do vestido de noite dourado na quarta-feira – observou Alice –, para a ópera.
Rosalie, que estivera acariciando indolentemente uma musselina lilás que iria se transformar em um de seus vestidos para caminhar, ergueu os olhos, surpresa.
– Ela tem que estar na ópera na quarta-feira, Bella – repetiu Alice. E então, para Rosalie: – A senhorita vai comigo, claro.
Era óbvio que Alice tinha razão. Quarta-feira era a noite de estreia no Teatro Real e o evento perfeito no qual lançar Rosalie na sociedade. Ela seria apresentada o mais discretamente possível, só tendo que interagir com a alta-roda antes e depois da ópera, e durante o intervalo.
Bella assentiu.
– Claro, quarta-feira é o dia perfeito.
A modista, que permanecera calada durante a conversa, falou, por fim:
– Hoje é segunda-feira, miladies. Posso terminar o vestido para quarta, mas não sem que as minhas meninas trabalhem a noite inteira.
O significado era claro.
Bella sorriu. Edward a havia posto no comando. E havia dito que dinheiro não era problema.
– O irmão dela é o marquês de Cullen. Tenho certeza de que vai aprovar o custo.
Madame Hebert não forçou o assunto e ordenou rispidamente que duas de suas assistentes começassem o vestido de imediato.
Assim que saíram, o trio partiu como um furacão pelas lojas da Bond Street e dos arredores. Após visitarem o chapeleiro, abriram caminho por uma ruazinha estreita e Rosalie parou diante da vitrine de uma livraria. Virando-se para as amigas, perguntou:
– Incomodam-se se entrarmos? Gostaria de comprar algo para meus irmãos. Para lhes agradecer a gentileza.
– Que ideia excelente!
Sem nunca ter sido alguém que dispensa uma livraria, Bella abriu a porta com um sorriso largo, fazendo um gesto para Rosalie entrar na sua frente. O tilintar de um sininho recebeu as moças à loja e alertou o proprietário da presença delas. Com um aceno delicado de cabeça, ele voltou depressa ao trabalho, e Bella e Alice foram dar uma olhada nos últimos romances, deixando Rosalie para pensar em um presente adequado para os irmãos.
A moça nunca havia imaginado como podia ser difícil escolher a lembrança perfeita para Edward e Anthony – algo que falasse aos seus interesses únicos e tivesse um significado adicional como o primeiro presente que recebiam de sua nova e inesperada irmã.
Após quinze minutos procurando, Rosalie finalmente escolheu um grande livro de ilustrações de Pompeia para Thony, esperando que o amor dele pelo mundo antigo o tornasse o presente perfeito. Edward, no entanto, provou-se um desafio. Sabia tão pouco sobre ele, tirando as longas horas que passava ao piano tarde da noite. Caminhando pela loja, Rosalie passou os dedos pela lombada de grandes tomos encadernados em couro, imaginando qual poderia ser a escolha certa para o irmão mais velho.
Por fim, parou, demorando-se perto de um volume alemão de Mozart, mordiscando o lábio inferior enquanto avaliava o livro.
– Se estiver procurando uma biografia de Mozart, não há nenhuma melhor do que esta. Niemetschek conheceu o maestro pessoalmente.
Rosalie se sobressaltou, virando-se na direção da voz.
A poucos centímetros de distância, estava o homem mais lindo que já vira. Alto e de ombros largos, com olhos da cor de mel aquecido ao sol. A luz do final da tarde que entrava pela livraria brincava em seus cachos dourados e ressaltava as linhas perfeitas do nariz reto e do maxilar forte.
– Eu... – Ela parou, a mente em disparada enquanto tentava se lembrar das regras de etiqueta para uma situação como aquela. Bella e ela nunca haviam discutido a conduta adequada quando abordada por um anjo em relação a biografias musicais. Certamente não seria inapropriado agradecer. Seria? – Obrigada.
– O prazer é meu. Espero que goste.
– Ah, não é para mim. É um presente. Para o meu irmão.
– Ah, bem, então espero que ele goste.
Ele se calou, e os dois ficaram se olhando por um longo momento. Rosalie ficou nervosa com o silêncio, acabando por dizer:
– Sinto muito, senhor. Estou quase certa de que não temos permissão para conversar.
Ele deu um sorrisinho torto, enviando uma onda de calor por ela.
– Só quase certa?
– Tenho praticamente certeza. Sou nova em Londres e ainda não aprendi todas as suas regras, mas acho que me lembra de algo a respeito da necessidade de sermos apresentados. – Os olhos verdes dela brilharam.
– É uma pena. O que acha que aconteceria se fôssemos descobertos? Discutindo livros em um local público à luz do dia?
O escândalo na voz dele estimulou uma risadinha da parte dela.
– Nunca se sabe. A terra pode nos engolir inteiros por uma atividade tão perigosa.
– Bem, eu odiaria colocar uma dama em um perigo tão iminente. Portanto, vou embora, mas espero que em breve tenhamos motivo para uma apresentação adequada.
Por um curto momento, ela pensou em chamar Bella ou Alice para fazer as apresentações, mas teve certeza de que não se fazia essas coisas. Em vez disso, piscou para o homem dourado.
– Vou esperar o mesmo.
Ele fez uma reverência profunda e partiu. O único sinal de que estivera ali era o tilintar baixo do sino acima da porta da livraria anunciando sua saída. Incapaz de se conter, Rosalie andou até a vitrine, observando-o enquanto caminhava a passos largos pela rua.
– Rose? – chamou Bella de um lugar próximo. – Escolheu seus livros?
Virando-se com um sorriso, Rosalie assentiu.
– Escolhi. Acha que Edward vai gostar de uma biografia de Mozart?
Bella avaliou o título.
– Acho que é uma bela escolha.
Rosalie respirou fundo, satisfeita.
– Diga-me, conhece aquele homem?
Allie seguiu a direção do olhar de Rosalie, observando o homem alto e dourado afastando-se rapidamente da loja. Franzindo o nariz, virou-se para Rosalie e perguntou:
– Por quê?
– Por nada – desconversou Rose. – Ele é... familiar.
Alice balançou a cabeça.
– Duvido que o conheça. Não consigo imaginá-lo nem se dignando a visitar a Itália, que dirá falar com um italiano.
– Allie... – interrompeu Bella, em um tom de advertência.
– Mas quem é ele? – insistiu Rosalie.
Bella fez um gesto com a mão, dispensando o assunto, dirigindo-se para o balcão.
– O duque de Leighton.
– É um duque? – perguntou Rosalie, surpresa.
– É – assentiu Allie, guiando a amiga para a frente da loja. – E um duque terrível. Considera qualquer um com um título abaixo do dele como inteiramente inferior. O que faz com que não tenha muitos pares.
– Alice! Precisa insistir em fofocar em público?
– Ah, vamos, Bella. Admita que você não suporta o lorde Leighton.
– Bem, é claro que não – comentou Bella em uma voz baixa. – Ninguém suporta. Mas tento não anunciar minhas antipatias para livrarias inteiras.
Rosalie avaliou a conversa das irmãs. O duque não parecera nem um pouco desagradável. Mas também ele não sabia quem ela era. Certamente, se tivesse descoberto que era filha de um mercador...
– Há muitos como ele? Muitos que irão me descartar imediatamente só por causa de meu nascimento?
Alice e Isabella trocaram um rápido olhar, antes de Bella gesticular no ar e dizer:
– Se há, não valem o esforço. Há muitos que irão adorá-la. Não tenha medo.
– Sem dúvida – acrescentou Allie com um sorriso. – E não se esqueça de que em breve serei duquesa. E então... eles que se explodam!
– Não desejo a morte de ninguém – ponderou Rosalie, preocupada.
As outras pareceram confusas por um breve instante, antes de Bella rir, percebendo que Rosalie havia interpretado as palavras de Alice literalmente.
– É uma expressão, Rosalie. Ninguém vai explodir. Só significa que Alice não vai se importar com eles.
– Ah! Capisco. Entendi! Sì. Eles que se explodam!
As três riram juntas e Rose pagou pelos presentes dos irmãos. Depois de um lacaio ser designado para entregar os pacotes embrulhados na carruagem, ela lançou um sorriso brilhante para as demais.
– E agora?
Alice sorriu e anunciou:
– Luvas, claro. Uma mulher não pode estrear na alta sociedade sem luvas de ópera, pode?
Alice sendo Alice em todo e qualquer universo kkk.
Essa ópera vai dar o que falar, viu...
kjessica: Leia, super legal, ou aguarde a adaptação... Acredito que será o próximo assim que Nove Regras acabar. Ainda não descobri se farei o volume II deste aqui, então, por via das dúvidas, já comecei Entre o Amor e a Vingança (e estou louca para deixar como título Anjo Caído, por que olha...).
Duda Makalister: Ainda vai demorar uns capítulos para ela conseguir conceber como irá entrar no clube para cavalheiros, antes disso ainda terá a esgrima, que é uma parte que eu adoro também haha. Sim, corajosa demais para aquela época. Mesmo com o irmão super liberal e condescendente, ele ainda a "proibiu" de ter aventuras fora de casa, pois era um escândalo sem precedente se a mulher peidasse em público, imagine o resto kkkkk. Pior que tem mesmo, mas aos poucos vamos nos igualando :)
PennySLove: SIMMMMM! OMG, Sim, exatamente o que pensei quando li a primeira vez hahahaha'
mari A: Na maioria massiva das fics, o Emm tem um espacinho reservado no meu coração. Ele é tão fofo (e geralmente sem noção) que eu sempre acabo me apaixonando por ele.
Ktia S.: Katiasca, querida, proibida daquele jeito mesmo. Nada que um pouuquinho de adrenalina e disfarce não resolvam os problemas, rs.
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Só porque me sinto muito boazinha, já estou postando outro capítulo agora!
