Personagens de Stephenie Meyer. História de Sarah McLean.
CAPÍTULO ONZE
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"Ela vai querer amor, Cullen. Moças como ela sempre querem."
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– Sabia que viria.
As palavras, ditas com leve sensualidade, cheiravam a uma arrogância feminina que irritou Edward na mesma hora. Ele permaneceu casualmente relaxado em uma poltrona estofada de chita no camarim de Tanya Denali, recusando-se a permitir que ela visse sua irritação. Já passara tempo suficiente perto da mulher para saber que se sentiria particularmente satisfeita com sua habilidade para provocá-lo.
Ele lançou um olhar de pálpebras pesadas para ela, enquanto a meio-soprano se dirigia para a penteadeira e começava a soltar os cabelos em um ritual que ele assistira dúzias de vezes antes. Observou-a: os seios subindo e descendo pelo esforço de cantar por quase três horas sem parar; o rubor nas bochechas do júbilo com a performance; o brilho nos olhos sinalizando a expectativa pelo desenrolar da noite, que claramente acreditava fosse ser passada nos braços dele. Já vira esta exata combinação de emoções nesta linda cantora – e isso nunca deixava de elevar sua própria excitação a um nível febril.
Esta noite, no entanto, estava impassível.
Havia pensado em deixar o bilhete sem resposta; considerou permanecer no camarote até o fim da apresentação e sair com a família, como planejado. No final, entretanto, o bilhete servira para ressaltar o fato de que a cantora de ópera era incapaz de ser discreta. Ele teria que explicar o novo relacionamento entre os dois de forma mais explícita.
Deveria ter imaginado que Tanya não seria posta de lado tão facilmente, que seu orgulho não permitiria. Isso estava claro agora.
– Vim para lhe dizer que o bilhete desta noite será o último.
– Acho que não... – ronronou ela, enquanto a última de suas tranças de ouro caía em volta dos ombros em uma nuvem de seda. – Veja, funcionou.
– Não vai funcionar da próxima vez.
O frio olhar verde enfatizou a verdade de suas palavras.
Tanya considerou o reflexo dele no espelho, enquanto uma aia silenciosa se ocupava em remover o figurino elaborado que a cantora estivera usando.
– Se não veio por mim esta noite, Cullen, por que está aqui? Você detesta ópera, meu querido. E, ainda assim, seus olhos não saíram do palco.
Por mais que se declarasse uma artista, Tanya estava sempre profundamente consciente de sua plateia. Edward com frequência se admirava com sua habilidade para se lembrar da localização exata de certos membros da sociedade no teatro. Tinha um olho de lince para quem estava olhando quem com seus binóculos de ópera, para quem saía do teatro no meio da apresentação com quem e para qual emoção ou drama estava acontecendo em qual camarote e quando. O fato de que ela o tivesse notado e mandado o bilhete não era uma surpresa.
A beleza grega vestiu um robe escarlate e dispensou a criada secamente. Depois que estavam sozinhos, virou-se para Edward, os olhos azuis brilhando sob os cílios encorpados pela maquiagem, os lábios curvados em um biquinho cor de carmim.
Sua amante maquiada...
As palavras de Bella lhe vieram involuntariamente, enquanto observava Tanya se aproximar, tão segura do poder de suas artimanhas femininas, tão calculista em sua abordagem. Estreitou os olhos ao vê-la mudando os ombros de posição, arqueando o pescoço para exibir o alto da clavícula, um ponto que tão frequentemente era a fraqueza dele. Porém não sentiu nada além de aversão, profundamente consciente de que Tanya era como uma cópia em gesso de uma das estátuas de Anthony – linda, mas sem a substância que transformava mera graciosidade em beleza verdadeira.
Quando a cantora parou na sua frente, inclinando-se para revelar os seios fartos em um movimento calculado para deixá-lo fora de si, Edward encarou seu olhar frio e confiante e disse, as palavras secas como areia:
– Apesar de apreciar o esforço, Tanya, não estou mais interessado em vê-la.
Um sorriso condescendente cruzou o rosto da meio-soprano. Ela esticou a mão para acariciar o maxilar do marquês com dedos hábeis. Ele resistiu ao ímpeto de se esquivar.
– Fico feliz em jogar esse jogo de gato e rato, meu querido, mas você tem que admitir que não me ofereceu um grande desafio. Afinal de contas, você está no meu camarim.
– Encontre outra pessoa, Tanya.
– Não quero outra pessoa – murmurou ela, abrindo o cinto do robe e inclinando-se para a frente para lhe dar total acesso aos seus seios, quase incontidos pelo espartilho apertado demais. E num sussurro provocante, completou: – Quero você.
Ele sustentou o olhar desavergonhado, sem se impressionar.
– Então parece que temos um impasse. Sinto muito, mas eu não a quero.
Ele viu a ira cintilar nos olhos dela, mas foi tão rápida que ele percebeu que a cantora estava preparada para a recusa. Tanya disparou para além da poltrona, andando depressa até a penteadeira, a seda escarlate rodopiando em seu rastro numa fúria dramática. Edward revirou os olhos e ela se virou, fitando-o com um olhar lancinante. Quando falou, sua voz estava tomada de desdém:
– É por causa dela, não é? A menina no camarote de Rivington.
O tom dele gelou.
– Aquela menina é minha irmã, Tanya, e não vou deixar que você arruine seu début.
– Acha que eu não reconheceria sua irmã, Cullen? Percebi na hora, com os cabelos louros e os olhos lindos... uma beldade, como você. Não, eu estou falando da sem graça. A mulher sentada ao seu lado. A do cabelo comum e os olhos comuns e o rosto comum. Deve ser muito rica, porque não é possível que você a queira por outro motivo – concluiu, com um sorriso presunçoso.
Ele se recusou a morder a isca, perguntando, simplesmente:
– Com ciúme, Tanya?
– Claro que não – desdenhou. – Ela não é páreo para mim.
Uma visão de Bella veio espontaneamente, as palavras raivosas, os olhares irados e as emoções inflamadas. Bella, que não podia calcular friamente nem que tivesse uma década de aulas. Bella, que o havia perseguido em um teatro público, pelo amor de Deus, sem se importar em como isso poderia ser entendido, só para lhe passar um enorme sermão. Bella, que era tão viva e inconstante e imprevisível – e tão diferente da fria e intocável Tanya.
Um lado de sua boca se curvou em um sorriso enviesado.
– Nisso você tem razão. Não há como comparar vocês.
Os olhos dela se arregalaram ao entender o real significado.
– Você não pode estar falando sério – duvidou, com uma meia risada. – Você, correndo atrás... daquela... carola*?
*Carola: Resumindo, seria uma falsa beata, que não pratica o que diz, se finge de santa.
– Aquela carola é uma dama, Tanya – desconversou ele –, irmã de um conde. Você vai se referir a ela com respeito.
Os lábios de Tanya se contorceram em um sorriso torto.
– Claro, milorde. O que quis dizer foi, você quer aquela dama esquentando a sua cama? Quando pode ter a mim? Quando pode ter isto? – E indicou o corpo voluptuoso com um gesto atrevido.
O tom dele foi desinteressado:
– Parece que você precisa de esclarecimentos sobre a questão do nosso acordo. Então deixe-me fornecê-los. Acabou. Você vai parar de tentar fazer contato comigo.
Ela fez um biquinho.
– Você me deixaria de coração partido?
Edward ergueu uma sobrancelha.
– Tenho certeza de que o seu coração não ficará partido por muito tempo.
Tanya sustentou o olhar indecifrável dele por um bom tempo – seu longo passado como amante de aristocratas lhe dizia que Edward estava perdido para ela. Ele viu o momento em que essa compreensão se fez; viu, também, que ela estava calculando seus próximos passos. Poderia guerrear com ele, mas sabia que, quando a questão envolvia uma artista estrangeira, a opinião da sociedade sempre penderia a favor do marquês rico.
Ela sorriu.
– Meu coração é muito resiliente, Cullen.
O marquês inclinou a cabeça, em resposta à derrota dela.
– Mas você entende, claro, que uma menina daquelas não sabe nada do mundo em que você e eu vivemos.
Ele não conseguiu resistir:
– O que quer dizer?
– Só que ela vai querer amor, Cullen. Moças como ela sempre querem.
– Tenho pouco interesse em qualquer conto de fadas no qual ela acredite, Tanya. Ela não é nada para mim além de uma acompanhante para minha irmã.
– Talvez – ponderou Tanya, pensativamente. – Mas o que você é para ela? – Diante da ausência de resposta, um dos cantos da boca de Tanya se curvou em um sorriso enviesado. – Você se esquece que o melhor assento no teatro é o meu.
Edward levantou-se da poltrona, fazendo uma cena para endireitar a gravata e alisar as mangas antes de pegar o chapéu, as luvas e o sobretudo do divã onde os havia jogado quando entrara no aposento. Tirou o bilhete de Tanya do bolso e o pousou na penteadeira antes de se virar para a cantora. Curvando-se profundamente, saiu.
E fez tudo isso sem dizer uma palavra. Tudo por que a pergunta dela girava em sua mente: O que ele significava para Isabella?
Duda Makalister: Geralmente a descoberta de um segredo é da forma mais dolorosa possível, então... Dá dó da Bella, sim, muita até rsrs. Ciúme descarado, né? Só eles se enganam achando que é pela reputação da Rose hahaha. Sobre a esgrima, não posso revelar, pois já é um dos próximos (e eu adooooooro!).
kjessica: Pra ser honesta, eu também não gosto muito de compras, mas adoro coisas novas. Ou seja, a solução seria se aparecessem magicamente no meu armário, mas... hahahaha Não tem como não ver o ciúmes dela, e nem o dele, acusando ela de flertar com o Jacob kkkk Ah, esses beijos... Ai ai ai!
Ktia S.: A curiosidade matou a gata kk. Ainda não sei se terão, não terminei de ler a série. Sim, puta ciúmes descarado. Acho que agora você está xingando muito o Edward de filho de uma égua, mas lembre que ele só foi até ali constatar algo que no fundo já sabia.
Nanny: Claro que acredito. É a sua cara fazer isso!
BbCullen: AAAAAAA QUE MÁXIMO! APOSTO QUE DEVE SER A COISA MAIS LINDA DO MUNDO! É MEU SONHO DE CONSUMOOOOO! Ok, parei. Eu amo mesmo e um dia eu irei!
Mila: Não são? Adoro!
Se tiver mais de 8 reviews (olha só, só 8 hein? kkk), eu posto mais um capítulo.
Beijos e até sexta que vem!
