Personagens de Stephenie Meyer. História de Sarah McLean.
CAPÍTULO TREZE
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"Se descobrir que completou outro item dessa lista sem mim, vou contar tudo para o seu irmão."
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Bella respirou fundo, reunindo coragem conforme a carruagem diminuía de velocidade até parar na frente do clube esportivo de Emmett.
Esperou por um bom tempo que o condutor abrisse a porta do veículo e a ajudasse a sair, até perceber que ele não faria uma coisa dessas para um homem. Assim, saltou, atrapalhada, aterrissando sem cerimônia na rua de cascalho. Mantendo a cabeça baixa por medo de ser descoberta, deu uma espiada nos cavalheiros na rua. Reconheceu o conde de Sunderland vindo direto na sua direção e virou a cabeça para o outro lado, os olhos fechados, certa de que iria descobri-la. Quando ele passou por ela sem prestar atenção, Bella soltou longamente a respiração que nem percebera que estava prendendo.
Aproximou-se da porta do clube, lembrando-se de brandir a bengala como se fosse uma extensão de seu braço, em vez de uma coisa incômoda de carregar. A porta se abriu, revelando um lacaio de pé ao lado da entrada, o retrato do desinteresse. O disfarce estava funcionando!
Entrando no saguão, fez uma pequena oração de agradecimento por ele estar vazio, a não ser pelo camareiro do clube, que se aproximou imediatamente.
– Senhor? Posso ajudá-lo?
Agora vem a parte mais difícil.
Limpou a garganta, fazendo força mental para que a voz grave que havia praticado em casa viesse.
– Pode. – Nada de voltar atrás agora. – Sou sir Marcus Breton, de Borrowdale. Hoje em dia, de Cambridge. Sou novo na cidade e procuro um clube esportivo.
– Sem dúvida, senhor.
O camareiro parecia esperar que ela continuasse.
– Gosto muito de esgrima – soltou ela, sem saber bem o que mais devia dizer.
– Nós possuímos as melhores instalações de esgrima da cidade, senhor.
– Soube disso por amigos. – O olhar do camareiro ficou educadamente curioso, e Bella percebeu que tinha que continuar. – Como Swan.
Invocar o nome de Emmett abriu as portas. O camareiro baixou a cabeça graciosamente e anunciou:
– Nós, é claro, damos as boas-vindas a qualquer amigo do conde. Gostaria de visitar a sala de treinos e testar nossas instalações?
Graças a Deus.
Bella se agarrou à oferta.
– Gostaria muito.
O camareiro fez uma pequena reverência e, com um gesto de mão, a guiou por uma porta de mogno de um lado do saguão. Atrás da porta, havia um corredor longo e estreito com aposentos dos dois lados, todos eles numerados.
– Essas são as salas de treino – entoou antes de virar uma esquina e apontar para uma porta grande. – Ali é a sala social. Depois que tiver vestido sua roupa de esgrima, pode esperar lá por outros membros com quem treinar.
Os olhos de Bella se arregalaram diante da ideia de entrar em uma sala cheia de homens, vários dos quais poderiam reconhecê-la. Sufocando o alarme, tentou uma resposta calma:
– E se eu não quiser um parceiro? Vocês têm alguma sala que inclua um saco de areia para treinar?
O camareiro lançou um olhar curioso na direção dela antes de dizer:
– Sem dúvida, senhor. Pode usar a sala número 16. Quando tiver terminado seu treino solo, se decidir esgrimir com um parceiro, simplesmente use o cordão da campainha perto da porta e ficaremos felizes em encontrar outro atleta para se juntar ao senhor.
Ele parou diante de outra fileira de portas, abrindo uma delas para revelar uma salinha privada.
– Vou deixá-lo aqui para trocar de roupa. – E indicou a bolsinha que ela segurava na mão. – Vejo que não trouxe o próprio florete. Há floretes de treino em todas as salas.
Sabia que havia esquecido algo.
– Obrigado.
Ele assentiu.
– Bom treino.
Bella deu um passo para o lado, esperando que ele passasse antes de entrar no vestiário e fechar a porta com firmeza. Soltou um longo suspiro. O caminho até ali parecera uma luta de esgrima em si. Fortalecendo sua confiança, Bella começou a se preparar, abrindo a bolsa de lona que Sue havia arrumado e pegando as peças do uniforme de esgrima.
Depois que tirou o uniforme, passou pelo processo desafiador de trocar um traje completamente estranho por outro, igualmente esdrúxulo.
Depois que vestiu as meias e as calças especiais de esgrima, contorceu-se para dentro de seu plastrão, feito para dar proteção extra na lateral do braço que empunhava a espada. Bella se esforçou para atar sozinha os laços da camisa de um braço só, mas descobriu que, entre o desconforto dos seios atados e a própria falta de experiência, não conseguia fechar a roupa. Recostou-se na parede do vestiário, respirando fundo por um momento antes de perceber: só iria esgrimir em uma sala de treino, não enfrentaria um oponente. Por que usar a roupa pesada?
Deixou o plastrão de lado, esticando a mão para a jaqueta justa de lona que cobriria toda a parte superior de seu corpo. Olhou de soslaio para a jaqueta e a faixa peculiar que unia a parte da frente com a de trás – pelo meio das pernas.
Respirando fundo e ignorando a onda de vergonha que sentia com a ideia de usar uma peça de roupa tão reveladora, enfiou a perna pela faixa e vestiu a jaqueta, abotoando-a cuidadosamente até o colarinho. Em seguida, botou a máscara. Puxando o capuz de tela por cima da cabeça, assegurou-se de que cada pedacinho de seu cabelo estivesse enfiado dentro da touca do capacete. Sorriu dentro de seu casulo escuro de arame. Não havia posto esgrima na lista por ser um esporte que se prestava ao disfarce, mas estava feliz por poder andar no meio dos membros masculinos do clube completamente coberta, sem medo de que a descobrissem.
As luvas eram o toque final, cobrindo as pequenas últimas áreas de pele visíveis – uma longa, com manopla e tudo, para evitar que lâminas entrassem em sua manga, a outra menor, mas ainda evitando que suas mãos pálidas e delicadas ficassem expostas.
– Excelente – murmurou, as palavras ecoando na câmara do capuz de esgrima.
Respirando fundo e com o coração martelando, saiu do vestiário e refez seu caminho pelo corredor vazio até a sala de treino número 16.
Empurrou a porta e entrou apressada, antes de perceber que o saco de areia na lateral da sala estava em uso. Balançando para a frente e para trás, o saco encobria o esgrimista que obviamente havia acabado de desferir um golpe de força considerável nele. Recuperando o fôlego, virou-se para sair do aposento o mais rápido possível, para não ser descoberta pelo ocupante da sala.
– Estava imaginando quando iam me arrumar um parceiro – disse ele, secamente.
Bella ficou imóvel diante das palavras. O esgrimista continuou:
– Vejo que já está com a máscara e preparado. Perfeito.
Bella virou-se lentamente na direção do som, os olhos fechados com força, desejando que seus instintos estivessem errados. Desejando que ele não fosse quem achava que seria. Forçando os olhos a se abrir, amaldiçoou sua sorte.
De pé diante dela, usando um uniforme idêntico ao seu, lindo como sempre, estava Edward. Bella tentou reacender a raiva que havia sentido em seu último encontro, mas se viu distraída pela roupa branca que ele usava – justa e reveladora, exibindo seu corpo notável. Parecia um antigo atleta olímpico, com músculos estriados e esguios, e físico perfeito. Sentiu o calor consumi-la, enquanto conferia as linhas retas de suas pernas e a curva do traseiro.
Engoliu em seco, pressionando a mão enluvada no peito. O que estava pensando? Nunca em sua vida havia admirado as nádegas de um homem!
Tinha que sair daquela sala.
Bella observou, paralisada, enquanto ele andava até o canto da sala para vestir sua própria máscara e ajustar a manopla da luva do braço que empunharia a espada. De frente para ela, Edward fez um gesto na direção do tapete que marcava os limites de uma luta-padrão de esgrima.
– Devemos começar?
Ela ficou olhando inexpressivamente para o tapete, a mente gritando: Fuja! Infelizmente, seus pés se recusavam a obedecer.
– Senhor – chamou Edward, como se falasse com uma criança –, algum problema?
Ao ouvir as palavras, voltou o olhar para ele, incapaz de ver seu rosto ou seus olhos através da máscara de tela. Esta verdade a fez lembrar que o mesmo valia para ele – Edward não seria capaz de identificá-la. Esta é a sua chance! De esgrimir de verdade!
Balançou a cabeça para afastar a ideia insana. Edward interpretou mal o movimento.
– Excelente. Vamos começar, então.
Ele marchou para o canto mais distante do tapete e esperou, enquanto ela andava até o suporte de floretes no canto da sala e testava o peso de vários deles, fazendo uma cena para selecionar um. Bella aproveitou o tempo para fortalecer seus nervos. Ele não pode me ver. Sou só outro homem para ele agora. Edward, claro, definitivamente não era só outro homem para ela... mas Bella extraiu coragem de sua invisibilidade, a mente disparando para se lembrar de cada pedacinho da pouca experiência que tivera com esgrima: olhar Emmett se exibir quando jovem, basicamente.
Isso fora um erro terrível.
Aproximou-se da área de treino, ficando de frente para Edward, enquanto ele assumia a clássica posição de esgrima: braço esquerdo levantado, braço direito esticado, o florete perfeitamente estável, imóvel em sua pegada firme. As pernas estavam dobradas, os músculos tensos com força represada, a perna esquerda lindamente esticada atrás de si, a direita dobrada em um ângulo reto preciso. Ele assentiu e falou:
– En garde.
Respirando fundo, Bella imitou a posição, o sangue pulsando em seus ouvidos. Homens bêbados duelavam com espadas. Quão difícil poderia ser isso?
Na maioria das vezes, um desses homens morre.
Afastou o pensamento, esperando que ele desse o primeiro passo. Ele deu, investindo em sua direção, estocando o florete na altura do torso dela. Engolindo um grito de alarme, Bella permitiu que seu terror a tomasse, golpeando o ar com o florete para bloquear o golpe dele. O som de aço com aço soou alto entre os dois. Edward imediatamente recuou diante da óbvia falta de habilidade do adversário. Quando falou, suas palavras soaram secas pelo humor atrás da máscara escura:
– Vejo que não é espadachim.
Bella limpou a garganta, engrossando a voz e falando baixinho:
– Sou principiante, milorde.
– Um eufemismo, ouso dizer.
Ao ouvir as palavras, Bella assumiu a primeira posição de esgrima mais uma vez. Edward a imitou, dizendo:
– Quando seu oponente estocar, tente não atacar com toda a sua força. Não mostre até onde pode ir. Em vez disso, deixe a luta se desenvolver.
Bella assentiu, enquanto Edward a atacava, mais suavemente desta vez. Ele permitiu que ela se esquivasse várias vezes antes de empurrá-la para fora do tapete. Depois que os dois pés dela estavam no piso de madeira da sala de treino, ele liberou-a de seu ataque, virando-se para tomar seu lugar mais uma vez no tapete e esperar que ela se juntasse a ele. Repetiram o exercício várias vezes, Edward ensinando os pontos básicos do combate, fortalecendo a confiança dela o suficiente para que repelisse as estocadas dele com mais firmeza e convicção.
– Muito melhor – exultou, depois da quarta rodada, e Bella sentiu uma onda de calor com o elogio. – Desta vez, o senhor me ataca.
Atacá-lo? Bella balançou a cabeça diante da ideia.
– Ah, eu... – desconversou.
Ele riu.
– Eu lhe asseguro, senhor, eu aguento.
Esse exercício todo era mais do que ela havia pedido. Mas Bella não podia desistir agora, podia? Soltou o ar longamente antes de assumir a posição já familiar e investir para cima dele com um forte:
– Rá!
Edward desviou habilmente a lâmina dela com uma força leve que a desestabilizou, fazendo-a cair de joelhos. Ele riu, divertido com a falta de graciosidade do adversário, fazendo com que uma onda de irritação a tomasse. Em seguida, esticou a mão para ajudá-la a se levantar. Fitando a mão enluvada, Bella balançou a cabeça, recusando a ajuda, ansiosa para atacá-lo mais uma vez.
Tentou de novo, conseguindo dar várias estocadas fortes antes que ele atacasse e ela se encontrasse fora do tapete novamente. Frustrada com as manobras hábeis de Edward – será que o homem tinha que fazer tudo tão bem? –, Bella investiu contra ele, golpeando a lâmina do adversário para o lado com seu florete, fazendo-a deslizar fora de curso. O movimento fez com que a ponta afiada da arma dele escorregasse pelo braço da jaqueta de esgrima dela, rasgando o algodão rígido e ferindo a parte superior de seu braço.
Ela largou o florete e agarrou o braço, a dor fazendo-a cambalear para trás, um pouco desequilibrada, só para cair sentada, num tombo violento.
– Ai! – gritou, esquecendo-se de seu disfarce e voltando a atenção para o rasgão no uniforme, concentrada em seu ferimento.
– Que diabo...?
Bella registrou a confusão na voz de Edward e olhou para cima, alarmada, para vê-lo seguir na direção dela, uma das mãos puxando a máscara e jogando-a no canto da sala, o baque duro de metal na madeira soando como um agouro.
Arrastou-se para trás no tapete, desajeitada, usando apenas uma das mãos, enquanto ele removia as luvas e a encarava do alto, estreitando os olhos. Em uma tentativa desesperada de se desviar dele, engrossou a voz e disse:
– É só um arranhão, milorde. Eu... vou ficar bem.
Diante das palavras, ele franziu o cenho e praguejou alto. Bella pôde notar o reconhecimento na voz dele, pôde vê-lo no olhar ameaçador que o marquês lhe lançou. Edward estava junto dela agora, assomando-se sobre dela. Curvando-se, esticou a mão forte para o capuz da máscara de Bella, que, apavorada em ser descoberta, tentou se esquivar. Foi inútil. Com um gesto fluido, ele retirou a máscara, fazendo seu cabelo cair em volta dos ombros.
Diante da confirmação, ele largou a máscara no chão, arregalando os olhos verdes, que se tingiram de um brilho sombrio, quase escuros de raiva.
– Eu... – começou ela, insegura.
– Não. Fale.
As palavras soaram entrecortadas, exigindo obediência, enquanto ele se ajoelhava ao lado dela e pegava seu braço nas mãos.
Edward inspecionou o corte com delicadeza, respirando ofegante. Ela podia sentir as mãos dele testando cuidadosamente a pele de seu braço, tremendo com uma fúria quase incontida. Ele rasgou a manga da jaqueta dela, o som do tecido esgarçando fazendo com que ela se encolhesse. Então enfiou a mão no bolso e retirou um lenço de linho perfeitamente dobrado que usou para limpar e estancar o sangramento. Bella observou enquanto ele trabalhava, hipnotizada por seus movimentos ágeis. Ela inspirou fundo quando ele amarrou a atadura apertada e Edward ergueu o olhar para ela, arqueando uma sobrancelha como quem a desafia a reclamar de seus cuidados.
O ar entre eles ficou mais pesado. Bella não podia suportar.
– Eu...
– Por que não está usando um plastrão?
Sua voz era mortalmente baixa.
De todas as coisas que havia imaginado que ele diria, esta não era uma delas. Fitou-o no rosto, tão perto do dela, e balbuciou:
– Milorde?
– Um plastrão. A peça que segura a espada e protege o braço exatamente desse tipo de acidente – falou, como se estivesse recitando um livro de regras de esgrima.
– Sei o que é um plastrão – resmungou ela.
– Ah, é? Então por que não está usando um?
A pergunta era tomada por uma emoção que Bella não conseguia determinar, mas da qual não gostava.
– Eu... não achei que precisaria.
– Que idiotice! – explodiu ele. – A senhorita podia ter morrido!
– É só um ferimento superficial! – exclamou ela.
– O que diabo sabe de ferimentos superficiais? E se eu tivesse usado de toda a minha força?
– Não era para o senhor estar aqui!
As palavras escaparam antes que ela pudesse detê-las. Seus olhos ficaram fixos nos dele, castanho contra verde, e Edward balançou a cabeça, como se não conseguisse acreditar no que estava vendo.
– Eu? Não era para eu estar aqui? – A voz dele falhou. – Da última vez que verifiquei, este era o meu clube esportivo! Um clube esportivo para homens! Onde homens esgrimem! Da última vez em que verifiquei, a senhorita era uma mulher! E mulheres não esgrimem!
– Esses são todos argumentos válidos – desconversou ela.
– O que diabo está fazendo aqui? O que aconteceu com o seu juízo?
Bella fungou afetadamente, como se não estivesse caída sentada, vestida de homem, em uma situação que, com toda a certeza, seria sua ruína.
– Preferiria que não usasse essa linguagem comigo.
– Preferiria, é? Bem, eu preferiria que a senhorita ficasse fora do meu clube de esgrima! Aliás, fora das minhas tabernas e do meu quarto! Mas parece que nenhum de nós dois vai ter o que quer! – Ele fez uma pausa, atônito. – Pelo amor de Deus, mulher, está tentando se arruinar?
Diante das palavras, lágrimas inundaram os olhos de Bella, transformando-os em poças cor de mogno.
– Não – murmurou, a voz falha.
Então desviou o olhar, subitamente desesperada para estar em qualquer outro lugar que não ali, perto dele, prestes a chorar.
Ao ver as lágrimas dela, Edward praguejou enfaticamente em voz baixa. Não pretendia aborrecê-la. Bem, pensara em assustá-la para parar com a maldita tolice, mas não queria fazê-la chorar. Abrandou o tom.
– Qual é sua intenção, então? – Como não obteve resposta, insistiu, persuasivo: – Bella.
Ela olhou para ele de novo, balançando a cabeça. Respirando fundo, falou:
– O senhor não entende.
Os verdes azuis sustentaram seu olhar, enquanto sentava ao seu lado de frente para ela, o joelho apoiando o braço ferido.
– Explique para mim. – As palavras eram firmes.
– Na verdade, não tem problema, sabe? – começou Bella, seu tom minimizando a importância das palavras. – É só que... mesmo neste momento, quando estou encarando a ruína certa e a sua raiva e o meu próprio medo e uma quantidade nada pequena de dor por causa desse corte... não que o senhor não tenha feito um ótimo trabalho com o curativo, milorde. – Ele assentiu em reconhecimento ao elogio. – Mesmo com tudo isso, estou tendo um dos melhores dias da minha vida.
Ela podia ver a confusão nos olhos dele enquanto tentava explicar:
– Veja, hoje estou vivendo.
– Vivendo?
– É. Passei 28 anos fazendo o que todos à minha volta esperavam que eu fizesse... sendo o que todos esperavam que eu fosse. E é horrível ser a visão de outra pessoa a seu respeito. – Ela fez uma pausa antes de continuar: – O senhor estava certo. Sou uma covarde.
Os olhos dele ficaram mais suaves diante da declaração apaixonada.
– Fui um imbecil. Não devia ter dito isso.
– O senhor não foi um... – Ela parou, incapaz de repetir aquela palavra em voz alta.
– Não tenho certeza se concordo. Continue.
– Não sou uma esposa, ou uma mãe, ou um pilar da alta sociedade. – Ela fez um gesto com o braço ileso como se a vida que estava descrevendo estivesse fora da sala. – Sou invisível. Então por que não parar de ser uma bobona tão covarde e começar a experimentar todas as coisas que sempre sonhei em fazer? Por que não ir a tabernas e beber uísque e esgrimir? Essas coisas foram muito mais interessantes do que os detestáveis chás e bailes e bordados com os quais tradicionalmente ocupei o tempo. – Ela o fitou nos olhos de novo. – Isso faz sentido?
Ele assentiu, sério.
– Faz. A senhorita está tentando encontrar Bella.
Os olhos dela se arregalaram.
– É! Em algum ponto pelo caminho, perdi Bella. Talvez ela nunca tenha estado comigo. Mas hoje, aqui, eu a encontrei.
Ele sorriu.
– Bella é espadachim?
Ela lhe devolveu um sorriso.
– Bella é muitas coisas, milorde. Também a encontrei na taberna.
– Ah – disse ele, deliberadamente. – Então Bella é uma libertina.
Ela corou.
– Acho que não.
Um silêncio caiu entre eles, enquanto Edward observava a onda de rubor em suas faces. Ele levantou o braço ferido, plantando um beijo suave nas costas de sua mão. Bella respirou fundo ao sentir os lábios dele em sua pele, tão quentes e macios, e seus olhos voaram para os dele, fixos nos dela. Ele sustentou o olhar e ela sentiu uma onda de calor à medida que a língua dele circulava um dos nós de seus dedos.
Edward registrou a surpresa dela e sorriu contra sua pele. Virando sua mão de palma para cima, brincou com a língua e os lábios no ponto macio e sensível bem no centro. A respiração dela ficou acelerada e Bella fechou os olhos para apreciar a sensação, incapaz de observar o movimento erótico da boca dele em sua pele. Edward afastou os lábios, e, quando ela abriu os olhos de novo, encontrou-o observando-a com um sorriso malicioso. Esticando a mão, ele traçou com um dedo a linha de seu maxilar, causando-lhe um arrepio. Quando falou, sua voz estava grossa e envolvente, provocando uma torrente de calor pela espinha dela.
– Ainda não desistiria dessa parte dela, Imperatriz.
Bella prendeu a respiração diante do apelido, que trazia consigo uma lembrança difusa de muito tempo atrás. Segurando o queixo dela e trazendo seu rosto mais para perto, o marquês afastou a visão do passado com um presente muito vívido.
– A senhorita se esquece de que encontrei a mulher várias vezes... Em carruagens...
Os lábios dele pairavam logo acima dos dela, causando um tremor de ansiedade.
– Em teatros...
Ela tentou diminuir a distância, mas ele se afastou apenas o bastante para deixá-la ligeiramente sedenta.
– E em quartos.
Então acrescentou, as palavras como uma carícia na pele sensível dos lábios de Bella:
– Na verdade, até gosto do lado libertino dela.
Ele pousou a boca na dela e Bella se perdeu, entregando-se à maciez e à suavidade da carícia – tão diferente dos beijos que haviam trocado antes. Este a consumiu, a fez esquecer-se de si mesma, de onde estava, de tudo o que não fosse a magnífica pressão dos lábios dele nos dela. Com o polegar, ele acariciava o maxilar de Bella, enquanto sua boca se deliciava na dela, enviando ondas de prazer latejante por seu corpo.
Bella arfou com a sensação e Edward se aproveitou de seus lábios entreabertos para atacar sua boca com beijos profundos e entorpecentes, que a deixaram tonta. Ela esticou a mão para ele, sua âncora em um mar de sensualidade, passando os braços em volta de seu pescoço e mergulhando os dedos no cabelo macio e bagunçado. Ele fez um som profundo e satisfeito com o abraço e traçou um caminho por sua bochecha e pelo pescoço com beijos suaves e molhados, que mandaram explosões de prazer através dela.
O colarinho alto da jaqueta de esgrima que ela estava usando impediu o progresso dele, e Edward o desabotoou habilmente enquanto beijava a pele sensível do pescoço dela, seguindo em sua trilha conforme o colarinho que se abria a revelava. Quando acabou de desabotoar a jaqueta, afastou-se do enlace para abrir o casaco. Seu olhar de pálpebras pesadas recaiu sobre os seios atados, arfando contra o linho apertado que os prendera durante a tarde.
Ele balançou a cabeça diante das ataduras antes de voltar-se para os olhos dela mais uma vez.
– Isso – falou, passando as mãos pela beirada do linho – é uma barbaridade.
Captando o desejo nos olhos de Bella, os lábios entreabertos de paixão, as bochechas coradas, Edward tomou seus lábios em outro beijo voraz antes de levar as mãos às ataduras, procurando a ponta do linho. Ao encontrá-la, puxou-a e começou a desenrolar o tecido.
Bella observou enquanto os olhos dele seguiam o movimento de suas mãos, nervosos. Notou a aspereza de sua respiração, o verde escurecido de seus olhos, e percebeu que estava ali, nos braços de Edward. Nos braços do único homem que já quisera. O único homem com o qual já sonhara. E agora, ao ser desnudada por ele, soube com uma certeza inquestionável que sua alma também era dele.
Nunca iria deixar de querê-lo.
Enquanto as palavras flutuavam por sua mente, arfou com a sensação gloriosa da última das ataduras caindo, soltando seus seios de sua prisão apertada. Os olhos dele se escureceram ainda mais e ela olhou para si mesma, vendo os traços vermelhos rigorosos na pele normalmente pálida. Tentou se cobrir, envergonhada pela nudez. Mas Edward tomou as mãos dela nas suas.
– Não – disse, a voz grossa e sedutora. – A senhorita tratou essas belezas muito rudemente. Como seu salvador, elas agora pertencem a mim.
Diante das palavras, Bella sentiu um calor arder fundo dentro de si, enquanto ele soltava suas mãos e passava a acariciá-la. As mãos quentes e fortes de Edward seguraram e moldaram a carne machucada, arrancando suspiros de prazer à medida que ele acalmava e suavizava a pele irritada. Ele pousou os lábios nas marcas vermelhas, passando a língua pela região supersensível, dando beijos macios e suaves em seus seios. Lambeu a pele por longos minutos, evitando deliberadamente os mamilos tensos, deixando que ficassem mais duros e sensíveis a cada passada de seus dedos e língua. Bella começou a se contorcer sob seus cuidados, ansiando por seu toque nas áreas onde estava mais desesperada por ele.
Edward percebeu o movimento e ergueu a cabeça para fitá-la.
– O que foi, Imperatriz? – perguntou, as palavras uma carícia em si, sua respiração cortando a pele dolorida. – A senhorita me quer aqui? – Ele correu um dedo pelo mamilo hirto, e ela deixou escapar um gritinho diante da explosão de sensação que o toque leve como uma pluma despertou. Edward passou para o outro mamilo, repetindo a carícia. – Ou aqui?
– Sim... – A palavra veio em um arquejo.
Ele sorriu maliciosamente diante do som.
– Basta pedir.
E então pousou os lábios em um mamilo intumescido e ela achou que poderia se afogar naquele prazer. Ele acalmou a pele sensível com a língua habilidosa, a cabeça presa nas mãos dela, enquanto chupava de leve, mandando uma explosão de calor até o âmago de Bella. A sensação, tão estranha e maravilhosa, a consumiu quando ele voltou sua atenção para o outro seio, repetindo a ação, desta vez com mais firmeza. Edward roçou os dentes no bico, em seguida o acalmou com a língua e os lábios e ela gritou, ansiosa por algo que não podia nomear.
Ele parecia sentir a necessidade dela, uma das mãos roçando a parte de dentro de sua coxa, traçando suavemente um caminho até o seu âmago. Edward a segurou com a mão em concha, enviando uma pontada de prazer pelo corpo de Bella, deixando-a extremamente consciente do tecido que bloqueava o acesso dele ao ponto onde queria tão desesperadamente seu toque. Ela se contorceu, tentando chegar mais perto dele, e ele ergueu a cabeça novamente, fitando-a nos olhos.
Beijou-a intensamente, roubando seu fôlego, antes de dizer:
– Diga-me o que quer, minha linda.
– Eu...
Ela parou, uma enxurrada de palavras vindo-lhe de uma vez.
Quero que me toque. Quero que me ame. Quero que me mostre a vida que venho perdendo.
Balançou a cabeça, insegura.
Ele sorriu, pressionando a mão firmemente contra ela, observando a onda de prazer que lhe percorria.
– Incrível – sussurrou contra a lateral de seu pescoço. – Tão receptiva. Diga...
– Quero... – Ela suspirou quando ele levou os lábios ao bico enrijecido de um seio de novo. – Quero... quero você. – respondeu, e naquele momento as palavras, tão simples diante das emoções turbulentas que passavam por ela, pareceram suficientes.
Ele moveu os hábeis dedos com firmeza contra ela, e Bella arfou.
– Você me quer aqui, Imperatriz?
Ela fechou os olhos de vergonha, mordendo o lábio inferior.
– Está ansiando por mim aqui?
Ela assentiu.
– Estou.
– Pobre, doce amor.
As palavras eram como fogo contra o ouvido de Bella. Ele tirou um dos braços da jaqueta dela e empurrou a faixa para o lado, ganhando acesso aos botões de suas calças. Deslizando a mão quente dentro do tecido, extraiu outro suspiro de Bella quando tocou o acolchoado de seu sexo. Abrindo as dobras escorregadias, um dedo se embrenhou em seu calor.
– Aqui?
Ela arfou, agarrando o braço dele. Edward grunhiu baixo, observando a tentativa dela de entender as sensações que estava experimentando. Quando falou, sua voz soou áspera com a própria reação:
– Acho que você quer mais do que isso.
Seus dedos começaram a se mexer contra ela e ele voltou a boca ao bico rígido de um de seus seios, privando Bella da habilidade de pensar. Ele acariciou a carne latejante, abrindo mais suas pernas, obtendo acesso ao calor escorregadio. Um dedo circundava o âmago dela, e Bella se contorcia contra ele, incerta sobre as emoções que a invadiam. O movimento das mãos firmes e hábeis – em perfeito compasso com a sucção luxuriante de sua boca – a empurrou cada vez mais na direção de um precipício que não conseguia identificar. Quando ele encontrou o lugar macio e molhado onde o mundo parecia terminar, o prazer atingiu o ápice e ela gritou com as carícias que a levavam cada vez mais longe.
Seu corpo se tensionou com as ondas de prazer que passavam por ela no ritmo dos movimentos dele, e Edward sentiu a mudança. Soltou seu seio e atacou a boca, acariciando com língua e dentes, entorpecendo-a com um beijo antes de erguer o rosto e capturar seu olhar, percebendo a confusão e a paixão se misturando ali. Introduziu um dedo fundo nela, e Bella arfou, a tensão represada dentro de si ameaçando transbordar.
Ele colou os lábios no ouvido dela, sussurrando:
– Entregue-se, minha linda...
Bella se voltou para ele ao ouvir as palavras, vendo a compreensão experiente em seus olhos, enquanto um segundo dedo se juntava ao primeiro, estocando ritmicamente, à medida que ele circundava seu âmago mais depressa e com mais firmeza, como se soubesse exatamente onde doía, exatamente onde ela precisava de seu toque. Bella gritou diante da onda de sensações – como nada que já tivesse sentido antes.
– Vou segurá-la quando cair, amor.
As palavras, envoltas em paixão, foram sua ruína.
Edward sustentou seu olhar, enquanto ela mergulhava, agarrando-se a ele.
Bella latejava com seu toque, contorcendo-se contra ele e implorando por mais mesmo enquanto ele o oferecia a ela. Os dedos se moviam dentro dela, sabendo exatamente como tocar, onde acariciar, quando se dobrar. E quando Edward havia extraído o último movimento pulsante de Bella e capturado o último de seus gritos com os lábios firmes, ele realmente a pegou, as mãos experientes guiando-a a salvo de volta aos seus braços, de volta à Terra.
Ele a abraçou enquanto ela recuperava os sentidos, os lábios roçando a têmpora dela, as mãos acariciando suas costas, braços e pernas suavemente. Quando sua respiração voltou ao normal, Bella tirou as mãos do pescoço dele, permitindo que seu braço ferido descansasse em cima dele novamente. Edward sibilou quando a mão se acomodou em seu colo e a segurou depressa, afastando- a de si.
Achando que ele só queria se desviar de seu toque, Bella ficou imediatamente insegura. Edward entendeu a incerteza dela na hora e deu um beijo quente na mão agora fechada. Diante de seu olhar magoado, ele falou:
– É um tanto difícil ver uma demonstração tão completamente arrebatadora de paixão e não ficar tocado, menina linda.
A preocupação de Bella se transformou em confusão, e ele apertou a mão dela em suas calças, dando-lhe acesso à sua cordilheira rígida. Ela entendeu e, apesar de ter corado, não tirou a mão do calor dele. Em vez disso, pressionou-a, hesitante, contra ele, deleitando-se com o gemido baixo de resposta e a forma como ele segurou a mão dela junto ao seu corpo.
– Posso... – Ela engoliu em seco, em seguida tentou de novo: – Posso... fazer alguma coisa?
Com um sorriso pesaroso, Edward a puxou para si e a beijou de novo até ela estar agarrada a ele novamente, ofegante de excitação.
– Embora tudo o que queira seja que você faça alguma coisa, Imperatriz, acho que já nos excedemos, considerando-se que alguém pode entrar a qualquer momento.
As palavras a despertaram de seu devaneio como um jato de água fria.
Voltou a atenção para a porta – destrancada –, só à espera de que outro espadachim cometesse o mesmo erro que ela havia cometido e os encontrasse.
– Ah!
Ficou de pé, encolhendo-se com a dor que percorreu seu braço com o movimento. Enfiando o braço livre na manga da jaqueta rasgada, deu as costas para ele e correu para o canto mais distante da sala, fechando a longa fileira de botões. Onde estava com a cabeça?
Nele, é claro.
– Você parece ter se esquecido de uma peça crítica do seu disfarce.
Ela se virou na direção das palavras indolentes e o viu caminhando calmamente na sua direção, segurando o linho com que havia amarrado os seios. Ao se aproximar dela, Edward sussurrou:
– Ninguém vai acreditar que é um homem com esses seios lindos soltos por aí. Francamente, ninguém deveria acreditar, nem com seus magníficos...
– Obrigada – interrompeu ela com firmeza, ignorando a onda de calor em suas bochechas e pegando o linho das mãos dele.
– Você vai precisar da minha ajuda, linda.
Não. Não podia permitir a ele uma tarefa tão íntima. Teria simplesmente que se arriscar a ser descoberta – o casaco de Emmett dava um pouquinho de cobertura. Involuntariamente, olhou para si mesma, como se estivesse avaliando a obviedade de seu decote.
Edward pareceu ler seus pensamentos e tomou o linho de volta.
– Você vai ser descoberta em segundos, Imperatriz. É melhor deixar que eu ajude. – O olhar dele assumiu um brilho malicioso. – Prometo que vou ser um perfeito cavalheiro.
Bella não pôde conter a risada que as palavras dele despertaram, de tão ridículas que eram. Ele abriu um sorriso largo e, depois de pensar por um instante, ela cedeu. Despindo a jaqueta mais uma vez, virou-se timidamente de costas para ele, segurando uma das pontas do tecido apertado contra os seios. Ela esperou que Edward começasse a embrulhá-la com o linho, mas ele não se mexeu. Após um longo minuto, olhou por cima do ombro para encontrá-lo a apenas alguns centímetros de distância, observando-a. Ela lhe lançou um olhar inquisitivo.
– Vire.
Levou um momento para entender. Ele queria que ela girasse por dentro da atadura, em vez de ficar imóvel e permitir que ele a embrulhasse. Obedeceu, lentamente, compreendendo quase de imediato a natureza sedutora da situação.
Algo no movimento, em seus olhos verde-escuros nela enquanto girava, a fazia se sentir uma sedutora – sua Salomé. Edward não a tocou enquanto ela rodava, dançando apenas para ele. Em vez disso, permitiu que ela escolhesse a velocidade e a força com que era atada. E, quando chegou ao fim do tecido, ela voltou-se direto para os seus braços.
Sustentando seu olhar, Edward enfiou a ponta do linho dentro das amarras antes de pegar o rosto dela com uma das mãos e erguê-lo para mais um beijo.
Este foi suave e doce, os lábios roçando suavemente os dela em uma carícia dolorosamente lenta que acelerava seu coração e deixava sua mente tonta. Com a outra mão, ele acariciou suavemente um seio achatado, provocando a pele protegida até ela querer arrancar as ataduras de novo.
Ele interrompeu o beijo e se abaixou, pousando os lábios na beirada do linho e lambendo de leve a pele sensível e apertada contra as ataduras.
– Pobres queridos lindos – murmurou, idolatrando-a com as mãos e a boca, fazendo a temperatura dela subir e provocando outra onda de paixão em seu âmago.
No instante em que achou que não aguentaria mais, ele parou, curvando-se para recuperar a jaqueta de esgrima dela. Passando-a com cuidado pelo braço enfaixado, vestiu-a, fechando os botões com destreza, enquanto ela observava, as emoções impossibilitando-a de fazer qualquer coisa útil. Quando terminou, Edward foi até a pilha de acessórios de esgrima que haviam abandonado mais cedo. Ela o viu parar logo antes do tapete para pegar um pedaço de papel que havia caído despercebido quando ele removera o linho de seu torço. Reconheceu-o imediatamente e reagiu, gritando:
– Espere, não.
Ele parou antes de abrir a folha dobrada e, com os olhos verdes brilhando de curiosidade, observou-a se aproximar. Bella botou uma das mãos sobre a dele, segurou o papel e tentou puxá-lo, mas Edward era mais forte.
– Por que não? – perguntou, as palavras suaves e provocantes.
– É meu.
– Parece que você perdeu.
– Não teria perdido se você não tivesse resolvido desamarrar meus...
Ela parou, sem querer terminar a frase.
Ele ergueu uma sobrancelha.
– É, bem, não vou pedir desculpas por isso.
Bella endireitou os ombros, tentando adotar uma pose mais altiva.
– Mesmo assim, é propriedade minha.
Com um movimento rápido do pulso, Edward assegurou-se de que ela soltasse o papel. Mais uma vez, ele tinha a posse total de sua lista. Começou a abri-la novamente, e o coração de Bella disparou.
– Por favor, Edward. Não.
Fosse pelo uso do nome de batismo ou pelo tom suplicante, ele nunca saberia, Edward interrompeu o movimento. Fitando-a nos olhos, perguntou, simplesmente:
– O que é, Bella?
Ela balançou a cabeça, desviando o olhar, e gaguejou:
– Não é nada... é bobagem... é pessoal.
– Diga-me o que é e não vou olhar.
Os olhos dela voaram para os dele.
– Isso meio que invalida o propósito de você não olhar, não é? – argumentou ela, impertinente.
Ele ficou em silêncio, virando o papel amassado na mão. Bella suspirou, irritada.
– Está bem. É uma lista.
E estendeu a mão, como se ele fosse devolvê-la, deixando o assunto por isso mesmo.
O olhar dele ficou zombeteiro.
– Que tipo de lista?
– Uma lista pessoal – respondeu ela, tentando infundir em sua voz um desdém refinado, na esperança de que o tom o fizesse se sentir deselegante e desistir desta batalha em particular.
– Uma lista pessoal de compras? Uma lista de livros inadequados que você gostaria de ler? Uma lista de homens? – Ela corou com o pensamento, e ele exclamou, arregalando os olhos. – Meu Deus, Bella, é uma lista de homens?
Ela bateu o pé de irritação.
– Mãe do céu, não! O que a lista contém não importa. O que importa é que é minha.
– Não é uma resposta boa o suficiente, Imperatriz – rebateu ele, e começou a desdobrar o papel.
– Espere! – Ela pousou a mão na dele mais uma vez. Não podia suportar a ideia de que visse seus desejos secretos. Recusando-se a encará-lo nos olhos, disse: – Se precisa mesmo saber, é uma lista de... atividades... que gostaria de experimentar.
– Como disse?
– Atividades. A maioria das quais os homens podem realizar, mas as mulheres são barradas por medo de nossas reputações delicadas. Decidi que, considerando-se que poucos se importam com a minha reputação, não tenho motivos para ficar sentada quieta ociosamente pelo resto dos meus dias, fazendo bordados com minhas companheiras de solteirice. Estou cansada de ser vista como passiva.
Ele ergueu uma sobrancelha.
– Você pode ser muitas coisas, Imperatriz, mas nunca a rotularia de passiva.
Que gentil da parte dele.
Bella engoliu em seco, fechando os dedos por cima da beirada do papel. Edward observou aqueles dedos, tão entrelaçados aos dele, enquanto avaliava suas palavras. Não podia deixar de ficar intrigado.
– Então, é uma lista de atos que lady Isabella acredita que constituem viver.
Ela reconheceu as palavras da conversa anterior. Talvez, se ele as tivesse dito antes de seu interlúdio no chão da sala de treino, Bella tivesse concordado.
Aqueles poucos momentos preciosos nos braços de Edward, no entanto, mudaram tudo. Naquele enlace, Bella realmente havia vivido. Finalmente experimentara a vida com a qual havia sonhado desde o primeiro encontro fortuito com ele, uma década – um século – atrás. E, agora, beber uísque empalidecia um pouco em comparação – com ou sem taberna. Claro que não podia dizer isso a ele.
– A lista é minha. Agradeceria se a devolvesse sem abrir. Esta conversa é constrangedora o suficiente, acho.
Ele não respondeu nem soltou o papel, forçando-a erguer o olhar, e deve ter identificado nele o brilho da verdade, porque desistiu de seu prêmio. Bella redobrou o papel e o colocou no bolso da jaqueta com toda a pressa. Edward observou seus movimentos cuidadosamente antes de perguntar:
– Suponho que esgrimir esteja nessa lista.
Ela assentiu.
– E beber uísque?
Ela assentiu novamente.
– O que mais?
Beijar.
– Jogar.
– Meu Deus. E?
– Fumar charuto.
Ele soltou uma risada.
– Bem, essa vai ser difícil. Nem eu a deixaria fumar um charuto. E a minha moral é questionável, na melhor das hipóteses.
As palavras, tão arrogantes, a irritaram.
– Na verdade, já risquei esse item da lista.
– Como? Quem lhe deu um charuto?
– Emmett.
– De todas as coisas irresponsáveis... – Ele deixou a frase morrer, atônito. – Vou acabar com a raça dele.
– Foi o que ele disse sobre você e o uísque.
Ele deixou escapar uma gargalhada.
– Sim, imagino que tenha dito. Então ele sabe sobre essa lista absurda?
– Na verdade, não. Só a minha criada sabe. – Então acrescentou, após um instante de silêncio: – E, bem... você, agora.
– Imagino o que seu irmão vai dizer quando descobrir que a feri em seu clube de esgrima.
A dúvida, tão calma, fez os olhos dela voarem na direção dele.
– Você não faria isso! – exclamou, incrédula.
– Ah, não sei – ponderou ele, pegando as luvas de Bella do chão e passando-as para ela.
Segurando as luvas com dedos distraídos, ela exclamou:
– Você não pode!
– Por que não?
– Pense no que... – Ela fez uma pausa, pensando em suas palavras. – Pense no que isso diria ao seu respeito!
Ele sorriu, fazendo uma cena para calçar as próprias luvas.
– Que sou um devasso e um libertino. E acho que já estabelecemos a verdade disso.
As palavras foram ditas em um tom que apenas ressaltava sua verdade, e as orelhas de Bella arderam ao reconhecê-las como as que havia jogado nele com raiva no teatro, várias noites antes. Ele continuou:
– Sem falar no fato de que você tem que sair do clube sem ser descoberta por vários outros homens que ficariam mais do que felizes em regalar seu irmão, e legiões de outras pessoas, com histórias sobre a sua indiscrição. Você pode ter chegado em um momento tranquilo do dia, Imperatriz, mas são quase cinco da tarde. Os corredores vão estar cheios de homens, ansiosos por fazer seus exercícios antes de voltarem para casa, para o jantar e as festividades da noite.
Bella não havia pensado nisso. Estivera tão concentrada em entrar no clube de esgrima que não havia imaginado que sair seria um desafio igualmente grande – ou maior. Agora que Edward chamara sua atenção para a presença deles, podia ouvir as risadas masculinas e as conversas altas de outros membros do clube, conforme passavam pelo corredor, alheios à presença dela na sala. Sufocou o dilúvio de vergonha diante da ideia de que qualquer um deles poderia ter entrado minutos antes e os pego no meio de um ato altamente inapropriado.
– É claro que ficaria feliz em manter a boca fechada. – As palavras interromperam seus pensamentos. – E ajudá-la a escapar da dificuldade na qual parece se encontrar. Por um preço.
Bella franziu a testa, fitando-o, desconfiada.
– Que preço?
Ele pegou sua máscara e a entregou para ela.
– Vou proteger sua reputação hoje se permitir que o faça durante os outros itens da sua lista.
Bella ficou boquiaberta.
– Ah – comentou ele, jovialmente –, vejo que entendeu o que quis dizer. Isso mesmo. Se descobrir que completou outro item dessa lista sem mim, vou contar tudo para o seu irmão.
Bella ficou calada por um longo momento, as emoções se agitando.
– Isso é chantagem.
– Uma palavra detestável. Mas, se você precisa rotular como tal, que seja. Eu a asseguro que é melhor assim. Você obviamente precisa de um acompanhante e, para o bem de nossas duas famílias, estou oferecendo meus serviços.
– Você não pode...
– Parece que posso – rebateu ele, pragmático. – Agora, pode colocar sua máscara e deixar que eu a ajude a sair do clube ou pode botá-la e se arriscar sozinha. O que vai ser?
Ela o fitou nos olhos por um longo instante. Por mais que quisesse deixá-lo ali, com a expressão convencida no rosto, e sair sozinha dessa confusão, sabia que a estratégia de fuga dele provavelmente seria mais rápida e fácil. Bella vestiu a máscara, demorando-se enquanto escondia o cabelo debaixo do capuz. Ao terminar, respondeu, suas palavras abafadas pela tela de arame:
– Parece que não tenho muita escolha.
Ele sorriu maliciosamente, provocando nela uma onda de excitação.
– Excelente.
Hoje vou ficar devendo respostas às reviews, mas prometo responder todas depois :)
