Personagens de Stephenie Meyer. História de Sarah McLean.
CAPÍTULO QUATORZE
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"Mas e se não houver lugar para mim aqui? E, ainda assim, e se não pertencer a nenhum outro lugar?"
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– Não! Não! Non! Srta. Rosalie, durante a dança, damas devem ser só delicadeza! Está olhando nos meus olhos muito mais vezes do que deveria!
Enquanto o professor de dança falava, sua afronta clara como o dia, Bella escondeu o sorriso, virando-se na direção das gigantescas janelas que iam do chão ao teto, fornecendo uma bela vista dos impressionantes jardins da Casa Cullen. Apesar de ser um dos melhores mestres de dança da Inglaterra, o francês baixinho e afetado era o professor de que Rosalie menos gostava; os dois tinham opiniões muito diferentes sobre a importância da dança na vida de uma moça, e Bella suspeitava secretamente que a jovem Srta. Fiori gostava de irritá-lo.
– Desculpe, monsieur Latuffe – disse Rosalie, seu tom não indicando absolutamente nenhum remorso. – Só estava tentando me assegurar de que sabia onde o senhor estava e de que não pisaria no seu pé.
Os olhos do professor de dança se arregalaram.
– Srta. Rosalie! Moças também não se preocupam com pisar nos pés. Se uma coisa tão horrível assim acontecer, garanto que seu parceiro não vai perceber. Pois damas, quando estão dançando, devem ser leves como o ar.
A risada de Rosalie foi cheia de descrença, provocando um ataque histérico no professor. Bella cobriu a boca para conter a própria gargalhada – destruindo assim sua imagem como espectadora imparcial.
Fazia quase uma hora que Bella vinha supervisionando a aula de um sofá do outro lado do salão de baile, mas, conforme Rosalie e monsieur Latuffe executavam os passos de várias contradanças, uma quadrilha e agora um minueto, a paciência dos dois foi se esgotando e Bella se viu incapaz de esconder o próprio divertimento com o bate-boca. Estampando no rosto o que esperava ser uma expressão neutra, voltou-se de novo para Rose e Latuffe.
Agitando os braços, o francês atravessava o salão a passos largos na direção do piano, onde o músico que fora contratado para a lição da tarde demonstrava mais do que um pouco de insegurança. Com uma das mãos no coração e a outra na beirada do piano, Latuffe fez uma cena, respirando fundo várias vezes até se acalmar, entre resmungos irritados em francês. Bella contorceu o canto da boca, certa de que o tinha ouvido maldizer a Inglaterra, as mulheres italianas e até mesmo a quadrilha. Teve que admitir que ficou um pouquinho surpresa com o último – Rosalie devia ser um desafio e tanto, se ele estava pronto para abrir mão de sua fé na dança.
Aproximando-se da pupila, Bella a fitou nos olhos verdes, que na mesma hora se reviraram de exasperação. Com um sorriso largo, a tutora sussurrou:
– Só mais vinte minutos. Tente suportar.
– Estou fazendo isso pela senhorita, sabia? – disse Rose, por entre dentes cerrados.
Bella apertou o braço dela e acrescentou:
– Um fato pelo qual serei eternamente grata.
Rosalie riu em silêncio e o professor de dança se virou abruptamente.
– Tudo bem – falou, com firmeza. – Vamos passar para a valsa. Até uma jovem como a senhorita deve respeitar a valsa.
Rosalie arregalou os olhos. Voltando-se para Bella, sussurrou:
– Uma jovem como eu?
Foi a vez de Bella rir baixinho, enquanto o francês tomava uma Rosalie surpresa nos braços e, em um gesto incongruente com seu tamanho diminuto, a rodopiava pelo salão ao som de uma melodia animada. Bella lançou um sorriso jovial para o pianista obviamente aliviado e ficou assistindo ao par balançar e girar com a música. Enquanto dançavam, Latuffe continuou com sua ladainha de o que fazer e o que não fazer: Rosalie foi repreendida em rápida sucessão por ter a mão firme demais, o corpo rígido demais e, por fim, o olhar selvagem demais.
Bella suspeitava que o olhar selvagem seria um problema menor quando a moça estivesse fora dos braços de seu professor de dança.
Bella não pôde evitar o sorriso largo que se instalara em seu rosto, principalmente quando Rosalie olhou bem nos olhos do instrutor e pisou bastante deliberadamente em seu pé. Espero que isso tenha desmentido a teoria de que moças são leves como o ar quando estão dançando.
– É impressão minha ou minha irmã está fazendo seu instrutor de dança exorbitantemente caro valer cada xelim?
As palavras, ditas a pouca distância, surpreenderam Bella, e ela virou-se na direção do som para descobrir Anthony Masen de pé, ali perto, sua atenção divertida concentrada em Rosalie. Bella ignorou a erupção de emoção em seu peito, sem querer definir se era decepção ou alívio de que fosse este o irmão a aparecer esta tarde. Em vez disso, ofereceu a Thony um sorriso animado e falou:
– Acho que, se tivesse a oportunidade, sua irmã gostaria imensamente de trucidar monsieur Latuffe.
Thony assistiu à aula em silêncio por um longo momento, durante o qual Rosalie e seu professor trocaram palavras inflamadas sobre a adequação de moças sorrirem para outros cavalheiros, mesmo que fossem seus irmãos, enquanto valsavam. Virando-se de novo para Bella, Thony comentou:
– É, bem, não estou inteiramente certo de que a repreenderia por isso.
Isabella riu.
– Cá entre nós, fico bastante tentada a soltar as rédeas dela.
– Retribuição por antigos professores de dança?
– Isso... e a imensa diversão com o circo que quase seguramente se seguiria.
Anthony ergueu uma sobrancelha.
– Ora, lady Isabella. Confesso que não pensava que tivesse um senso de humor tão malicioso.
– Não! Não! Non! – A explosão de "nãos" do outro lado da sala interrompeu os gracejos entre Thony e Bella, fazendo-os trocar um olhar divertido, enquanto o professor de dança vociferava: – É o cavalheiro que guia a moça. Eu sou o cavalheiro. A senhorita acompanha! A senhorita é só uma folha ao vento!
A analogia incitou uma explosão de italiano enfurecido. Apesar de Bella não entender inteiramente as palavras, o sentido era inconfundível.
Thony lançou um sorriso largo para Bella.
– Não imagino que mulheres aceitem bem serem comparadas a folhagem.
– Aparentemente, pelo menos não as italianas.
As palavras dela provocaram uma gargalhada em Thony, a qual, por sua vez, extraiu um par de olhares zangados da outra dupla. Limpando a garganta, Anthony virou-se para Bella e, estendendo uma das mãos, perguntou:
– Devemos mostrar a eles como se faz?
Bella baixou os olhos para a mão estendida, estupefata.
– Milorde?
– Vamos lá, lady Isabella – sussurrou ele, provocante –, não me diga que tem medo de que Latuffe critique sua forma.
Bella endireitou os ombros, fingindo estar ofendida.
– Claro que não.
– Então?
Ela pousou a mão na dele.
– Excelente.
E, com um gesto de mão para o pianista, que iniciou outra valsa, Anthony a tomou nos braços e eles começaram a atravessar o salão. Enquanto se moviam e giravam pelo ambiente banhado de sol, Bella esticou o pescoço para observar a briga de Rosalie e Latuffe.
– Lady Isabella – comentou Thony, por fim –, ficaria ofendido com sua falta de atenção se não fosse tão seguro de mim.
Ao ouvir as palavras, Bella voltou-se para ele, só para rir com o brilho em seus olhos.
– Perdão, milorde. Só estou me preparando para entrar no combate caso eles cheguem às vias de fato.
– Não tema. Serei o primeiro a pular em defesa de Latuffe caso minha irmã resolva agir sob as emoções contra as quais tão claramente luta.
Ele apontou na direção de Rosalie com a cabeça e Bella virou o rosto, para ver a irmã dele completamente irritada.
– Seria uma pena se a Itália e a França entrassem em guerra logo depois de Napoleão ter sido derrotado – comentou Bella, irônica.
Thony abriu um sorriso largo.
– Farei o melhor que puder para manter a paz universal.
– Excelente – respondeu Bella, fingindo seriedade. – Mas o senhor entende que isso pode exigir que banque o mestre de dança?
Thony fingiu levar a proposta em consideração.
– Acha que o pianista voltaria?
Gostando do jogo, Bella inclinou a cabeça e fez uma cena, como quem avalia o rapaz rijo ao piano.
– Provavelmente não, milorde. O senhor não tem sorte por seu irmão ser um virtuoso?
As palavras saíram antes que ela pudesse pesar a implicação. A favor de Anthony, precisa ser dito que ele não deu um passo em falso em sua valsa. Apenas fixando-a com um olhar intrigado, perguntou baixinho:
– E como a senhorita sabe que meu irmão toca, milady?
Bella desconversou, desesperada para fugir da conversa:
– É algo... bastante... notório, não? – Tentou uma expressão curiosa e inocente.
Um canto da boca de Thony subiu, divertido.
– Não. Não é. A sua tentativa teria sido convincente, no entanto, se não fôssemos gêmeos. – Ele fez uma pausa, observando a derrota se abater sobre o rosto dela. – Quando a senhorita o ouviu tocar?
A boca de Bella se abriu e então se fechou.
– Ou devo perguntar onde a senhorita o ouviu tocar?
Ele está me provocando? Fora pega, mas não iria sucumbir sem lutar. Fitando-o nos olhos novamente, disse:
– Em lugar nenhum.
Ele se aproximou e sussurrou:
– Mentirosa.
– Milorde – protestou Bella –, garanto que lorde Cullen não...
– Não precisa defendê-lo – interrompeu Thony, casualmente. – A senhorita esquece que conheço bem o meu irmão.
– Mas nós não...
Bella parou, sentindo uma propagação reveladora de rubor por suas bochechas.
Anthony ergueu uma sobrancelha.
– Claro que não.
Bella voltou o olhar para a gravata de Thony, tentando se distrair com o nó de cambraia. Ele permitiu que ela permanecesse calada por vários instantes antes de soltar uma gargalhada profunda.
– Não tema, milady, seu segredo está seguro comigo, apesar de confessar que estou com uma ponta de ciúme. Afinal de contas, é notório que sou, de longe, o Masen-Cullen mais bonito.
Bella não pôde deter a própria risada quando ele a girou depressa, quase a erguendo do chão e desanuviando o momento. Sorrindo para os olhos reluzentes com uma diversão juvenil, ela pousou o olhar brevemente na cicatriz de Thony, antes de se conter e desviá-lo.
– É uma coisa horrenda, não é?
Bella voltou os olhos para ele, fazendo uma avaliação franca de sua bochecha.
– Nem um pouco. Sem dúvida é uma surpresa, mas já ouvi muitas mulheres dizerem que acham o senhor ainda mais bonito por causa dela.
Ele fez uma careta diante das palavras.
– Elas romantizam. Não sou nenhum pirata para ser recuperado.
– Não? Uma pena. Ouvi dizer que passou meia década velejando pelo Mediterrâneo, saqueando navios e raptando inocentes.
– A verdade é muito menos emocionante, lady Isabella.
Bella fingiu uma expressão de horror.
– Não me conte. Prefiro minha versão.
Eles riram juntos e Bella ficou pensando no fato de que podia ficar tão à vontade com Anthony quando sua imagem espelhada tinha tanto poder sobre suas emoções.
Fazia apenas pouco mais de uma semana desde que vira Edward pela última vez – desde que ele a havia surrupiado para fora de seu clube de esgrima e a colocado em sua carruagem para devolvê-la à Casa Swan. Estivera na Casa Cullen várias vezes nesses oito dias, tanto para supervisionar as aulas de Rosalie quanto com Alice, para tomar chá com a jovem, e, em todas as vezes, tivera a esperança de ter uma desculpa para vê-lo, a esperança de que ele pudesse procurá-la. Pois certamente, com uma casa cheia de criados e uma irmã tão abertamente social, ele devia saber quando Bella estava na moradia.
Duas vezes havia pensado em pedir licença para procurá-lo e falar com ele; havia imaginado dezenas de maneiras para forçar uma interação entre os dois, desde uma entrada acidental no gabinete dele a razões inventadas pelas quais precisava discutir sobre sua irmã. Infelizmente, a estreia de Rosalie na alta sociedade parecia estar correndo bem tranquilamente – ela estaria pronta para seu primeiro baile dentro de uma semana –, e Bella não conseguira criar coragem para visitar o gabinete dele.
Irônico, já que, na primeira vez em que pisara na Casa Cullen, entrara desavergonhadamente no quarto do marquês. Mas aquilo fora diferente. Aquilo tinha a ver com a lista.
Pensara em usar a lista para conseguir chegar até Edward – afinal de contas, prometera não experimentar outro item sem a companhia dele e andava matutando sobre a ideia de tentar outra coisa. Mas, francamente, sentia-se um tanto ridícula sempre que pensava em usá-la para vê-lo. Como um cãozinho, correndo ansiosamente atrás de seu dono. Não. A verdade era que ela não queria ter que procurá-lo. Queria que seu interlúdio no clube de esgrima – que havia mudado tudo para ela –, bem... queria que tivesse mudado algo para ele também.
Queria que ele viesse até ela. Era pedir demais?
– Ora, vejam só... essa não é uma imagem aconchegante?
Assim que as palavras secas cortaram o salão de baile, a música parou, e Bella prendeu a respiração à medida que o objeto de seu devaneio lançava um olhar entediado para ela.
Meu Deus. Eu o conjurei.
Balançou a cabeça diante da ideia idiota e imediatamente tentou se separar de Thony, apenas para descobrir que ele não a soltaria de seu abraço. Quando o fitou confusa, ele piscou e aproximou-se para sussurrar:
– Não caia na dele. Estávamos só dançando.
Os olhos dela se arregalaram, enquanto Thony a soltava devagar, curvando-se em uma reverência profunda e um tanto exagerada e fazendo uma cena para beijar sua mão. Os olhos de Bella voaram para Edward, recostado casualmente no vão da porta do salão de baile, observando-os com um olhar completamente indecifrável. Sentiu-se imediatamente desconfortável – e indignada. Thony tinha razão, claro. Estavam só dançando. Então por que se sentia como uma criança pega no flagra?
– Milorde Cullen! – exclamou Latuffe, atravessando rapidamente a sala na direção do marquês. – É uma honra o senhor nos agraciar com sua presença na aula da Srta. Rosalie!
– Sem dúvida.
A frase saiu preguiçosamente de Edward, o olhar fixo em Anthony e Isabella.
– Sem dúvida! Sem dúvida! Oui! – O professor de dança repetiu ansiosamente, seguindo o olhar do marquês. – Lorde Anthony e lady Isabella foram de grande ajuda, dando leveza a essas lições desafiadoras.
– Era isso que estavam fazendo? Dando... leveza?
O tom seco de Edward soou verdadeiro. Bella prendeu a respiração, sentindo Thony enrijecer ao seu lado.
– Ah, sim! – respondeu o professor de dança. – Sabe, sua irmã não é a aluna mais maleável, e eles...
– Isso é uma crítica? – interrompeu Rosalie, petulante, de seu lugar do outro lado da sala, fazendo Bella se virar, surpresa, diante da impertinência da pupila. Neste instante, Rose acrescentou: – Bem, o senhor gostaria de ser chamado de maleável?
– É o que estou tentando dizer! Précisément! – As mãos de Latuffe se agitavam desesperadamente. – Que tipo de moça fala com seus professores com tanto desrespeito?
Rosalie fechou a cara na mesma hora. Virando-se na direção do francês, disse, as mãos gesticulando no ar:
– Talvez, se o senhor fosse mais um professor e menos un stupido, merecesse meu respeito adicional!
A sala inteira ficou petrificada diante da explosão. Antes que qualquer um pudesse falar, monsieur Latuffe deu meia-volta, virando-se para Edward. Aumentando a voz a cada palavra, exasperou-se:
– É por isso que nunca aceito alunas plebeias! A falta de berço dela é alarmantemente óbvia!
Puxou um lenço do bolso e enxugou a testa com dramaticidade. O silêncio no aposento era palpável. Antes de Edward falar, um músculo se contorceu em sua bochecha, a raiva transformando sua voz em aço.
– Saia da minha casa.
O francês voltou os olhos surpresos para ele.
– Certamente não pode estar zangado comigo, milorde.
– É revigorante ouvir que continua consciente de sua posição em relação a mim, Latuffe – disse Edward, friamente. – Não vou admitir que fale de minha irmã de forma tão desrespeitosa. Está liberado dos seus deveres.
Latuffe caiu em um ataque de balbucios inarticulados, antes de sair esperneando da sala com o pianista humildemente atrás de si. Os quatro ficaram observando calados conforme Latuffe saía, antes de Rosalie bater palmas de júbilo.
– Viram a cara dele? Aposto que ninguém jamais disse uma coisa dessas para ele! Muito bem, Edward!
– Rose... – começou Bella, parando quando Edward levantou a mão para deter suas palavras.
– Rosalie. Saia desta sala.
Os olhos da moça se arregalaram.
– Você não pode querer que... minha intenção não foi...
– Você não quis expulsar o melhor professor de dança de toda a Londres?
– Ele não pode ser isso – escarneceu Rosalie.
– Pois lhe garanto que é.
– É uma triste verdade para Londres.
Os lábios de Thony se contorceram, enquanto os de Edward se achataram em uma linha fina.
– Você vai ter que aprender a guardar seus pensamentos para si mesma, irmã, ou nunca vai estar pronta para a alta sociedade.
Os olhos de Rosalie escureceram, sinalizando que a vontade dela era equivalente à do irmão.
– Posso sugerir que permita que eu volte para a Itália, então, irmão? Asseguro que vou causar muito menos problemas lá.
– Apesar de não duvidar disso, nós concordamos com oito semanas. Ainda faltam cinco.
– Quatro semanas e cinco dias – corrigiu ela, acidamente.
– Eu preferiria que fosse menos. Saia desta sala. Não volte até ter decidido se comportar mais como a dama que me garantiram que era.
Rosalie fitou o irmão mais velho por um longo momento, os olhos pegando fogo, antes de virar-se e sair como um furacão.
Bella a observou sair antes de voltar um olhar acusatório para Edward, que o devolveu com uma expressão fria, desafiando-a a protestar por seus atos. Balançando a cabeça de modo quase imperceptível para indicar sua decepção, Bella seguiu sua pupila para as profundezas da Casa Cullen.
Ele a observou sair antes de olhar para Anthony.
– Preciso de um drinque.
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Bella encontrou Rosalie em seu quarto, arrancando vestidos do guarda-roupa.
Olhando a pilha crescente de sedas e cetins aos pés da moça e a criada insegura e de olhos arregalados no canto do cômodo, Bella alisou as saias de seu vestido e se empoleirou na beirada da cama, esperando até Rosalie perceber sua chegada.
Após longos minutos pontuados apenas pela respiração ofegante de Rose e uma ou outra frase resmungada em um italiano indignado, ela virou-se, mãos nos quadris, para ficar de frente para Bella. Seus olhos estavam bravos de frustração, o rosto corado de esforço e raiva. Ela respirou fundo e anunciou:
– Estou indo embora.
As sobrancelhas de Bella se ergueram em surpresa.
– Como disse?
– Estou indo. Sou incapaz de permanecer aqui por mais um minuto! – Virou-se de costas, abrindo um grande baú de madeira com uma ladainha em italiano da qual Bella distinguiu as palavras irmão, touro e alcachofra.
– Rosalie... – começou Bella, cautelosa. – Não acha que isso é um pouco... virulento da sua parte?
A cabeça de Rosalie apareceu por cima da tampa do baú.
– Virulento? Não tenho vírus!
Reprimindo um sorriso diante do engano, Bella observou:
– Não virótico. Está sendo virulenta. Impulsiva. Imprudente.
Rosalie inclinou a cabeça, avaliando a nova palavra antes de balançar a cabeça.
– De forma nenhuma! Na verdade, só esperava que ele tivesse percebido antes que me odeia.
Começou a enfiar os vestidos no baú, a criada olhando horrorizada para Bella diante do tratamento abominável que as roupas estavam recebendo. Bella teria rido se a situação não fosse tão acalorada.
– Ele não a odeia.
Rosalie levantou a cabeça, sua descrença evidente.
– Não? Viu o jeito como olhou para mim? Ouviu quando ele desejou que eu fosse embora?
Bella não pôde evitar o sorrisinho que veio diante do ultraje da jovem – ultraje que só se intensificou quando percebeu o divertimento da amiga.
– Acha isso engraçado? – perguntou, o tom envolto em acusação.
– De jeito nenhum. Bem... um pouco – admitiu Bella, retificando-se quando viu Rosalie ficar vermelha. – Sabe... a senhorita nunca teve um irmão mais velho.
– Não... e parece que tenho um que se importa muito pouco com o papel!
– Bobagem. Ele a adora. Os dois a adoram.
– Rá! É aí que a senhorita se engana! Não passo de uma decepção para eles! – Rosalie voltou ao guarda-roupa e começou a tirar sapatos lá do fundo, a voz abafada enquanto falava, jogando os calçados para trás: – Sou... uma plebeia... uma italiana... uma católica...
– Eu lhe asseguro, lorde Cullen não se importa com nada disso.
– Rá! – Rose encarou Bella, respirando pesado. – Talvez não! Mas eu lhe garanto que se importa por eu ser filha da mãe dele... uma mulher que despreza!
Bella negou com a cabeça.
– Não posso acreditar que a culparia pela mãe...
– Falar é fácil, Isabella. Não é a sua mãe! – Bella permaneceu calada, enquanto Rosalie enfiava os sapatos no baú. – Nossa mãe, Elizabeth, era uma mulher horrível. Fria e completamente fascinada por si mesma. Eu me lembro muito pouco dela, a não ser que carregava uno specchio... um espelho... sempre consigo... para sempre poder se olhar. – Ela diminuiu a velocidade das palavras, perdendo-se na lembrança. – Ela odiava ser tocada. Estava sempre com medo de amarrotar ou manchar as saias – A voz de Rose ficou baixa ao acrescentar: – Eu não tinha permissão para tocá-la. "Crianças têm mãos sujas", ela dizia, "quando for mais velha você vai entender". – Ela balançou a cabeça. – Mas eu não entendo. Que tipo de mulher iria querer que sua filha não a tocasse? Não iria querer seus filhos? Por que ela nos abandonou?
Ela baixou os olhos para o baú, transbordando com uma confusão de sedas e cetins, sapatos e roupas de baixo.
– Sonhei em ter irmãos... que eu pudesse tocar. Que me permitissem ser bagunceira. Que brincassem comigo. E me protegessem. Una famiglia... – Um sorrisinho cruzou seu rosto. – E acabou que os tenho. Ela os deu para mim.
– Isso é algo muito bom que ela lhe deu.
Bella ajoelhou-se ao lado de Rosalie, passando um braço em volta da amiga.
– E agora estraguei tudo.
Bella negou com a cabeça.
– Discussões acontecem. Juro que ele não quer que a senhorita vá embora.
Rosalie ergueu os olhos verdes, tão parecidos com os de Edward, para Bella.
– Eu poderia amá-los, Bella.
Bella sorriu.
– Ótimo. Como deve ser.
– Mas e se não houver lugar para mim aqui? Não sou nem um pouco parecida com eles. E, ainda assim, e se não pertencer a nenhum outro lugar?
Bella a abraçou, enquanto Rosalie avaliava a pergunta – cujas respostas definiriam seu futuro. E, no longo momento em que ficaram sentadas em silêncio, percebeu que só Edward poderia fazer com que a irmã visse que tinha um lugar legítimo ali.
Ela tinha que encontrá-lo.
Duda Makalister: Então, é um pouco, mas ao mesmo tempo são essas trombadas constantes entre eles que faz o Edward cair na real e perceber que não pode deixar uma mulher "revigorante" como a Bella escapar, rsrs.
Mila: Ela tenta a todo custo negar o que sente, mas espere o próximo para ver o que acontece com a coitada, rs. O Edward é um cabeça dura, daquele tipo que sente falta quando perde, sabe? hahaha.
Nanny: Quando se juntam, a coisa pega fogo. É descontrole total. Resta saber se vão conseguir gerenciar isso ao longo do tempo.
Thekelly-chan: SIM! Quando li a primeira vez, juro que não via o momento de os dois se juntarem para completar a lista. Você vai ver que amor esses dois durante o restante dos itens (não que não vá haver uns machucados e espinhos aqui e ali)... Que ótimo que está gostando, fico feliz!
Ktia S.: Ah, esses amores fajutos. Tá louco, viu.
kjessica: Não é, menina? Mas nem se compara com o vuco-vuco na sala de jogos do Brook`s hahahaha Amo de paixão, quase cai da cama enquanto lia, rs.
mari A: Menina, que linguajar é esse? Acho que nunca te vi falando assim. Sua mãe sabe? kkkkkkkk Brincadeira, minha reação foi a mesma da sua :)
Gente, o próximo é demais, só avisando... haha
Até as 8 reviews ou até sexta que vem. Beijinhos no coração!
