Personagens de Stephenie Meyer. História de Sarah McLean.


CAPÍTULO DEZESSEIS

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"Me dê uma chance de provar que não sou um mulherengo e um imbecil completo."

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Bella saltou da carruagem dos Rivingtons diante da Casa Somerset e virou-se para ver o sorriso de Alice, conforme a irmã a seguia para fora da carruagem. As duas foram imediatamente cercadas por uma multidão de pessoas, todas se atropelando para entrar na exibição privada da mostra da Academia Real de Artes, um dos convites mais cobiçados da temporada.

Observou Alice tomar o braço de Jasper com um olhar amoroso, permitindo que o duque a guiasse pelos largos degraus de mármore até a entrada da galeria, onde a exposição já estava em andamento. E sufocou um pequeno suspiro diante da adoração óbvia entre os dois.

– Milady?

Bella se sobressaltou com as palavras, virando-se para seu próprio acompanhante, o barão de Oxford, Jacob Black.

– Vamos?

Estampando um sorriso alegre no rosto, tomou o braço que ele oferecia.

– Sem dúvida, milorde.

Seguiram Alice e Rivington pela entrada larga, Bella recusando-se a permitir que o estranho comportamento de Oxford estragasse os eventos da tarde. A mostra da Academia Real sempre fora uma de suas atividades favoritas na temporada, já que dava aos londrinos uma rara visão do trabalho dos artistas contemporâneos mais reverenciados do país. Adorava arte e fazia questão de nunca perder uma exposição.

– Ouvi dizer que talvez vejamos as gravuras mais recentes de Blake hoje, milorde – comentou, enquanto subia os degraus.

Oxford lhe lançou um olhar estranho, antes de perguntar, incrédulo:

– Não está aqui para ver arte, está?

A confusão de Bella ficou evidente.

– Claro que estou. Gosto muito de artes plásticas. O senhor não?

– Gosto de um quadro bonito tanto quanto qualquer um – respondeu Jacob. – Mas ninguém realmente vem a uma exibição particular para ver as obras, lady Isabella. Tem a ver com provar que é capaz de conseguir uma entrada.

Bella baixou a cabeça para impedir que o barão a visse revirar os olhos.

– Ah, sim. Bem, isso também é um feito impressionante.

– Já esteve aqui antes? – perguntou Oxford, uma ostentação na voz.

Bella desconversou, insegura sobre dever ou não responder com sinceridade.

Não foi preciso.

Alice, que estivera esperando com Rivington para que Bella e Black os alcançassem, se intrometeu e respondeu pela irmã:

– Nosso pai era curador da Academia Real, lorde Oxford. Este é um dos dias do ano preferidos de Bella.

– Sério? Não achei que seria tão... acadêmica.

A palavra soou estranha nos lábios dele.

– Ah, Bella é brilhante no que diz respeito a arte. Devia ouvi-la falar sobre a Renascença. – Alice abriu um sorriso alegre para o barão antes de continuar: – Não se incomoda se eu roubar minha querida irmã, não é? Estou vendo um Pearce que estávamos ansiosas para admirar.

Com isso, Alice agarrou o braço de Bella e a puxou pela multidão, para longe de seus acompanhantes.

– Eca. Ele é insuportável! O que diabo deu em você para aceitar o convite?

– Ele fez um convite, Allie. Caso não tenha percebido, não estou em posição de recusá-los. – Após uma pausa, acrescentou: – Além do mais, o barão não é tão ruim assim.

– É um imbecil. E um bêbado – exclamou Alice francamente, antes de sorrir em cumprimento à viscondessa de Longwell, que inclinou a cabeça em resposta, enquanto passavam por ela. – Pelo amor de Deus, você está disposta a se vestir como homem e entrar escondida no clube de esgrima de Emmett, mas não é capaz de recusar Oxford?

– Shh! – Bella olhou em volta para se assegurar de que Alice não fora ouvida. – Perdeu o juízo, falando isso aqui? O fato é que aceitei o convite dele. E agora estamos sendo um tanto rudes.

– Bobagem. Jasper vai entretê-lo. – Alice estava distraída, na ponta dos pés, esticando o pescoço para ver acima da multidão. – Não está vendo Rosalie, está?

Bella gelou.

– Rosalie Fiori?

Alice lançou um olhar estranho para Bella.

– Sim, Isabella. Rosalie Fiori. Que outra Rosalie eu podia estar procurando?

– Não sabia que ela estaria aqui.

– Hum – disse Alice, olhando em volta. – Parece que lorde Cullen se ofereceu para trazê-la. Prometi a ela que não veríamos Jerusalém de Blake sem ela.

Bella abriu a boca para falar, sem saber o que dizer, certa apenas de que não teria escolha a não ser ir embora da mostra antes de dar de cara com Edward. Não podia encará-lo. Não podia estar no mesmo lugar que ele. Não importava que metade de Londres também estivesse ali. Bella começou a entrar em pânico.

– Ah... aqui estão as damas que estávamos procurando. – Bella e Alice viraram-se para ficar de frente para Oxford e Rivington. Oxford fitou Bella nos olhos e abriu um sorriso brilhante. – A senhoritas nos deixaram, mas somos excelentes em rastrear nossas presas.

– Parece que sim, milorde. – A tarde estava ficando cada vez mais esquisita.

Ela deveria ter ficado em casa. Isso estava claro.

– Lady Isabella, posso acompanhá-la para ver alguns dos quadros na galeria norte?

– Eu... – Por um breve instante, Bella cogitou recusar antes de perceber que uma tarde com Oxford seria infinitamente menos constrangedora do que ficar tentando evitar lorde Cullen. – Gostaria muito, milorde.

– Excelente. – Ele ofereceu o braço para Bella. Ela o aceitou e eles saíram pela galeria principal na direção da galeria norte. Enquanto caminhavam, ele falou: – Vamos ter que procurar os artistas renascentistas aqui hoje, não é?

A jovem mordeu a língua, controlando-se para não explicar que, como uma mostra contemporânea, não havia artistas renascentistas representados no evento. Em vez disso, sorriu para si mesma e permitiu que o barão a guiasse. Quando chegaram à ligeiramente menos lotada galeria norte, Oxford lhe ofereceu um sorriso alegre e, com um gesto largo, perguntou:

– O que acha?

Bella sorriu para o barão e respondeu, educada:

– A exposição este ano está excelente, milorde. Muito obrigada por me acompanhar.

Ele se aproximou.

– Vamos, lady Isabella. Certamente tem mais a dizer do que isso. – Apontando para um grande retrato, perguntou: – Que tal este?

Bella avaliou o quadro, um retrato um tanto indulgente do rei, antes de responder:

– Acho que o rei George deve ter ficado muito feliz com ele.

Jacob riu.

– Que diplomático da sua parte.

Bella também riu, avaliando o barão. Com certeza era um janota, além de um tanto enfadonho, mas parecia ter bom humor e um semblante não desagradável. Ficou surpresa em descobrir que estava se divertindo bastante.

Oxford se inclinou para falar perto do ouvido dela:

– Estava esperando que tivéssemos a oportunidade de nos separarmos de sua irmã e Rivington.

Bella franziu o cenho diante das palavras.

– Milorde?

– Eu sei – continuou ele, interpretando errado a reticência dela. – É difícil acreditar que isso está acontecendo. – O barão passou um único dedo discretamente pela extensão do braço dela e seu sorriso aumentou, conforme ele se aproximava novamente. – Mas, sem dúvida, está acontecendo com a senhorita, lady Isabella.

– Lorde Oxford – falou ela depressa, procurando uma distração para livrar os dois do constrangimento. – Achei que íamos procurar os quadros renascentistas. Não os vejo aqui.

– Talvez devamos procurá-los em um local mais tranquilo e reservado – sugeriu ele, a voz baixa. Era uísque que sentia em seu hálito?

Bella desconversou:

– Será que estão na galeria principal?

Ele fez uma pausa, considerando as palavras.

– Ah, entendi. Está preocupada que possamos ser observados.

Bella se agarrou à sugestão:

– Sem dúvida, esta é exatamente a minha preocupação.

O barão mostrou seus dentes brancos, compreendendo.

– É claro. Vamos voltar à galeria principal e procurar melhor.

Quem pensaria que Oxford seria tão compreensivo?

Bella ficou tão surpresa com a mudança de rumo dele que não pôde conter o próprio sorriso animado. Caminharam de volta para a galeria principal e passaram pela multidão de pessoas lá dentro. Ali, foi impossível não serem comprimidos pelos demais e, enquanto seguiam, Bella sentiu uma das mãos dele correndo pelas costas de seu vestido, perigosamente íntima. Afastando-se de seu toque, Bella virou-se para ele, a mão no pescoço, e disse:

– Estou com muita sede. Será que poderia pegar um pouco de limonada para mim enquanto procuro minha irmã?

Os olhos de Oxford se estreitaram na direção dela de uma forma que ela só podia presumir que fosse para transmitir preocupação, e ele respondeu:

– Claro.

– Ah, obrigada, milorde – falou, tentando parecer descontraída.

Bella ficou olhando o barão desaparecer na multidão, as centenas de pessoas engolindo-o, enquanto ela respirava fundo e soltava o ar lentamente. A tarde inteira fora um erro.

– Vejo que Oxford está comendo na palma de sua mão.

As palavras secas a sobressaltaram, tão próximas de seu ouvido, e Bella enrijeceu com o reconhecimento imediato. Forçando-se a ficar calma, virou-se de frente para o interlocutor.

– Lorde Cullen. Que surpresa – falou, seu tom soando o oposto de suas palavras.

Estava, de repente, muito cansada. Cansada de duelar com Edward, cansada de ser mais esperta do que Jacob, cansada de estar ali no meio das pessoas mais bonitas de Londres. Queria ir para casa.

– Lady Isabella. – Edward fez uma reverência curta. – Tinha esperanças de que estivesse aqui.

As palavras e a sugestão de que estava à procura dela a teriam deixado exultante meses atrás. Hoje, no entanto, tudo o que queria era se virar e fugir. Olhar em seus olhos verdes só servia para lembrá-la da vergonha e da mágoa que ele havia lhe causado em seu último encontro. Seu coração se contraiu diante da ideia de ter outra conversa com o marquês, sabendo que ela era pouco mais do que um peão em algum jogo que não entendia.

Não conseguiu fingir graciosidade.

– Apesar de estar certa de que isso não é inteiramente verdade, o senhor sabia que eu estaria aqui. Estava presente quando Oxford fez o convite.

– Estava mesmo. – Ele inclinou a cabeça como se para dar a ela um ponto em seu jogo verbal. – Mesmo assim, tinha esperanças em vê-la esta tarde. Apesar de confessar que fiquei bastante desanimado ao avistá-la sorrindo para Oxford como se ele fosse o único homem presente.

Bella se recusou a dar a ele o prazer de saber a verdade.

– O barão tem sido muito prestativo.

– Prestativo. – Edward testou a palavra. – Faz com que ele pareça um utensílio de cozinha, não é?

Ela não escondeu a exasperação.

– Queria alguma coisa, milorde?

– Uma pergunta curiosa – disse ele, enigmático, antes de acrescentar: – Queria conversar com a senhorita.

De repente, Oxford pareceu o menor de dois males.

– Agora não é o momento ideal. Talvez outro dia? Estou acompanhada.

Ela se virou propositadamente, ansiosa para fazer uma saída rápida.

– Tenho a impressão de que seu acompanhante a deixou para se defender sozinha – observou Edward, com ironia. – Eu não poderia permitir que a senhorita transitasse desacompanhada por essa multidão. Não seria nada cavalheiresco de minha parte.

A frustração irrompeu. Ele não pode simplesmente me deixar em paz? Bella franziu os olhos.

– Sim, bem, certamente não iria querer parecer menos do que cavalheiresco. – A ligeira ênfase na palavra dizia muito. – Não precisa se preocupar, milorde. Estou certa de que o barão vai retornar em breve.

– Nesta multidão? Não apostaria dinheiro nisso – retrucou ele, o tom seco.

O homem era totalmente exasperante. Bella tentou fugir, mas era impossível escapar das centenas de pessoas ao redor deles. Ela bateu o pé, irritada, e se virou de volta para Edward.

– O senhor fez de propósito! – exclamou, irritada.

– Acha que orquestrei essa multidão para encurralá-la?

– Não duvidaria.

– Engana-se completamente a respeito do meu poder sobre a alta-roda, Imperatriz.

Ela corou diante do apelido, tão íntimo, antes de sussurrar:

– Não me chame assim.

Ele segurou seu cotovelo e a levou para a galeria oeste. Bella protestou brevemente, antes de perceber que soltar o braço das garras dele poderia despertar a atenção das más línguas para os dois.

Quando estavam na galeria lateral, Edward soltou seu cotovelo, mas a guiou para o lado oposto da sala, por entre os grupos de pessoas admirando os quadros pendurados na parede até um grande painel que separava um pedaço do gigantesco aposento.

– Aonde está me levando? – sussurrou ela, disparando olhares para a multidão de pessoas que os cercava, que pareciam não perceber seu sequestro.

Ele a empurrou para trás do painel, seguindo-a para dentro da alcova silenciosa, e eles estavam a sós novamente. Bella foi mais uma vez consumida pelas emoções, partes iguais de entusiasmo e medo. O enorme painel de mogno fora colocado a vários metros das janelas voltadas para o oeste, a fim de impedir que o sol obstruísse a visão dos quadros. Era bem mais alto que suas cabeças, criando uma poça de luz do sol brilhante e abafando o som da mostra do outro lado.

O lugar perfeito para um encontro de amantes.

Bella afastou o pensamento e conjurou a raiva e a mágoa que vinha sentindo nos dias desde sua última interação com Edward. Não podia deixá-lo ganhar. Não aqui.

– Está louco? – sussurrou, irritada.

– Ninguém viu.

– Como pode saber disso?

– Sabendo.

Ele esticou a mão para tocar o rosto dela.

Bella se afastou.

– Não me toque.

O movimento despertou uma emoção breve nos olhos dele, que sumiu antes que Bella pudesse defini-la.

– Nunca faria nada para manchar sua reputação, Bella.

As palavras eram sinceras.

– Perdoe-me, milorde, mas parece que tudo o que faz perto de mim é um risco para a minha reputação – atacou ela, desesperada para machucá-lo, ansiosa para que sentisse a dor que tinha sentido nos dias desde a última vez em que o vira.

Um dos cantos da boca de Edward se ergueu.

– Mereci isso.

– E muito mais. – Ela fitou os olhos dele com ousadia. – Eu lhe disse naquela tarde na sua casa, milorde, estou farta desses interlúdios. E do senhor. O senhor interpretou extraordinariamente errado o meu interesse. Agora, se me dá licença, o barão de Oxford deve estar me procurando.

– Não pode estar mesmo falando sério a respeito de Oxford.

Ela o ignorou, movendo-se para passar por ele e escapar pela beirada do painel para o aposento do outro lado. Edward agarrou sua mão enquanto ela o empurrava, e o toque a deteve. Não era tão firme que não pudesse se soltar, mas o calor da mão enluvada contra a dela a fez olhar de volta para ele.

Naquele momento, a única coisa que Edward queria era que ela ficasse com ele. Que o perdoasse. Havia chegado com Rosalie, pronto para encontrar Bella e pedir desculpas por seu comportamento grosseiro – pronto para fazer o que fosse preciso para reparar a mágoa óbvia que havia causado. E a localizara quase imediatamente, sorrindo para Oxford, claramente se divertindo muito, à medida que o par voltava para a galeria principal. A visão o enfurecera – Bella tão adorável e feliz, Oxford tão afetado e simplório.

Ela nunca havia sorrido tão abertamente para Edward. E, se o fizesse, ele certamente não reagiria como Jacob, o tolo, afastando-se dela. Não. Se algum dia Bella olhasse para ele daquele jeito, ele a tomaria nos braços e a beijaria até ela perder os sentidos. Que se danasse a Mostra Real de Arte.

Diabo! Queria beijá-la até ela perder os sentidos naquele exato momento, e Bella estava longe de sorrir para ele.

Encontraria um modo de reparar os danos que havia causado. Mas antes tinha que eliminar Oxford da equação. A aposta idiota que havia feito com o ridículo barão era só isso – idiota. Edward agora entendia que não fizera nada além de provocar o sujeito a provar sua habilidade em conquistar Bella; ele não desistiria dela. Especialmente não com mil libras dependendo do resultado.

– Não se envolva com Oxford – pediu Edward.

– Por que não?

As palavras dela o provocaram.

– Ele é um interesseiro com a inteligência de um asno.

– Claro que é – retrucou ela, simplesmente, como se ele tivesse acabado de declarar que o céu era azul.

Cullen franziu o cenho.

– Então por que vir aqui com ele?

– Porque ele me convidou.

A resposta, tão óbvia, o frustrou. Edward passou a mão pelo cabelo antes de observar:

– Isso não deveria ser suficiente, Bella. Pelo amor de Deus!

Ela sorriu então, um sorrisinho triste que o irritou.

– Tem razão. Não deveria ser suficiente.

Edward sentiu uma estranha pressão no peito diante das palavras e, naquele momento, a decisão foi tomada. Oxford não poderia tê-la. Edward não permitiria. Seus olhares se fixaram um no outro por vários momentos, antes de Bella puxar a mão, e Edward descobriu que não podia deixá-la ir. Seus dedos se apertaram em volta dos dela, inflexíveis. Ela o fitou, surpresa.

– Deixe-me levá-la a algum lugar – pediu.

– Milorde?

– Aonde gostaria de ir? Certamente vai me dar a mesma oportunidade que deu a Oxford.

– Não é uma competição.

As palavras saíram baixinho e ele captou um significado oculto que não entendeu inteiramente. Ignorando isso por um momento, repetiu:

– Deixe-me levá-la a algum lugar. Pode escolher. Ao teatro de novo. A um piquenique com Alice e Jasper. Um maldito passeio de carruagem.

Ela pensou por um instante.

– Não quero que me acompanhe a nenhum desses lugares.

– Por que não?

– Estou virando uma nova página. Nenhum lugar sem graça. Nenhum lugar sentimental.

O marquês sentiu as palavras como um soco, reconhecendo imediatamente suas ofensivas. Maldição. O que poderia dizer para consertar? Passou a outra mão por seu cabelo acobreado, soltando várias mechas e bagunçando-as mais que o normal. De repente, a conversa parecia uma das mais importantes que já tivera.

– Por Deus, Bella, me desculpe. Me dê uma chance de provar que não sou um mulherengo e um imbecil completo.

– Não acho que seja um imbecil.

– Percebo que não refutou a outra alegação – comentou ele, com um sorriso torto. – Pode pedir o que quiser.

Ela soltou um suspiro frustrado, concentrando-se em qualquer lugar que não ele. Seu olhar repousou nas mãos dos dois entrelaçadas, antes de ela se voltar para os olhos dele de novo.

– Qualquer coisa?

Edward estreitou os olhos ao entender.

– Está pensando na sua maldita lista, não está?

– Bem, o senhor pediu que eu me abstivesse de completar qualquer outro item sem a sua companhia.

– Sem dúvida, pedi.

– Sempre posso pedir a Jacob...

Ela deixou a frase morrer deliberadamente, incitando uma gargalhada dele.

– Está aprendendo a me manipular muito bem, sua atrevida. Está bem. Vamos completar mais um item da sua lista. Qual vai ser?

Ela refletiu por um momento, mordendo o lábio inferior. O ato afastou a atenção de Edward da conversa por um breve instante, enquanto ele pensava em beijá-la para interromper o tique nervoso. Por um momento, perdeu-se na lembrança da doçura de sua boca, da maciez de seus lábios, do total abandono com que o acompanhava a cada movimento. Sentiu-se enrijecer com o pensamento, e estava a apenas alguns segundos de tomar sua boca novamente quando os lábios dela formaram uma única palavra:

– Jogar.

Franziu o cenho de imediato e balançou a cabeça como se para clarear as ideias. Certamente não havia acabado de dizer...

– Jogar?

Ela assentiu, entusiasmadamente.

– É. Jogar. Em um clube para cavalheiros.

Ele riu.

– Não pode estar falando sério.

– Claro que estou, milorde.

– Acabou de me pedir para levá-la escondida ao Brook's, Bella. Acho que passamos do ponto no qual precisa fazer cerimônia.

Ela deu um sorrisinho.

– Muito bem, Edward. Gostaria que me levasse para jogar. No seu clube.

– Nenhuma mulher jamais violou as defesas do Brook's, Bella...

Ela o interrompeu secamente:

– Acho muito difícil de acreditar.

– Está bem, nenhuma dama jamais violou as defesas do clube. Eu seria exilado da lista de membros se fosse descoberto. – Ele balançou a cabeça firmemente antes de continuar: – Posso convencê-la a uma partida de vinte e um na Casa Cullen? Nós jogaremos por dinheiro. Posso lhe assegurar que a experiência vai ser a mesma.

– Acho que vai ser completamente diferente, na verdade – especulou Bella. – Parte do atrativo deste item é a experiência do clube em si.

– Para quê?

Edward estava genuinamente perplexo.

Ela fez uma pausa, mudando de rumo:

– Já imaginou o que as mulheres fazem por trás de portas fechadas em chás e depois dos jantares? Sobre o que falamos, como vivemos sem os homens?

– Não.

– Claro que não. Porque as nossas vidas são às claras. Podemos estar sozinhas em um aposento, isoladas dos homens, mas eles são donos das casas nas quais nos reunimos, já estiveram nos aposentos em que nos enclausuramos. Sempre há a possibilidade de que possam entrar, então nos dedicamos a bordar ou a fofocar e nunca nos permitimos dizer ou fazer muita coisa que ultrapasse os limites do decoro, por medo de que possam ver. – Exaltando-se à medida que falava, Bella continuou: – É diferente para os homens. Eles têm esses locais secretos... tabernas, clubes esportivos e clubes para cavalheiros onde podem fazer, sentir e experimentar qualquer coisa que quiserem. Longe dos olhares bisbilhoteiros das mulheres.

– Exatamente – argumentou ele –, motivo pelo qual não posso levá-la ao Brook's.

– Por que devem ser os únicos com esse tipo de liberdade? Por que acha que fiz a lista? Quero experimentar essa sensação. Quero ver esse lugar secreto, esse santuário onde os homens realmente podem ser homens.

Edward não respondeu, sem estar inteiramente seguro sobre como lidar com essa estranha determinação.

– Bella – falou, baixinho, mas com firmeza, em uma tentativa de trazer bom senso à discussão –, se for pega seria o seu fim. Jogar é uma coisa. Mas... no Brook's?

– O grande marquês de Cullen está com medo do que pode acontecer se ele se arriscar dessa forma? O mesmo homem que uma vez desvirtuou uma princesa prussiana no Hyde Park?

Ele piscou.

– Não fiz nada disso.

Bella não pôde evitar o sorrisinho.

– Ah, então finalmente descobrimos uma lenda que não tem fundamento na realidade.

Os olhos dele se estreitaram, enquanto ela se aprumava e, com todo o orgulho de uma rainha, dizia:

– Não preciso da sua ajuda, sabe? Posso entrar sozinha no White's... usando uma carta-convite de Emmett.

Edward lhe lançou um olhar de incredulidade.

– Ele nunca a escreveria.

– Ele não precisa – argumentou ela, pragmática. – Entrei em seu clube de esgrima sem problemas.

– E precisou de mim para sair! – retrucou ele, um pouco mais alto do que era ideal para sua localização clandestina.

– Está dizendo que não vai me levar?

– Estou.

– Uma pena. Estava ansiosa pela sua companhia.

Edward balançou a cabeça, estupefato.

– Não pode fazer isso.

– Por quê? Porque sou mulher?

– Não! Porque está louca! Vai ser pega!

– Ainda não fui pega.

Eu a peguei! Duas vezes!

– Como já falei antes – desdenhou ela –, você é diferente.

– Sou diferente como? – A exasperação dele era clara.

– Bem, parece que é meu cúmplice.

Ela sorriu então, um sorriso largo e brilhante, parecido com o que a vira oferecer a Oxford mais cedo.

Edward perdeu a fala, sentindo toda a força do prazer dela como um soco, e uma onda de orgulho absurda o tomou... orgulho de ser aquele para o qual ela se voltava com tanto entusiasmo, orgulho de ser aquele a quem ela pedia que a acompanhasse em tal aventura. E, naquele momento banhado de sol, com toda a Londres a apenas alguns centímetros de seu esconderijo, ficou impressionado com a beleza dela – os grandes olhos castanhos, o cabelo castanho-avermelhado reluzente sob a luz, a boca larga e convidativa, suficiente para deixar um homem de joelhos.

Era realmente extraordinária.

A revelação fez com que ficasse difícil respirar, tão intensa era a verdade nela.

– Meu Deus... Como é linda.

Os olhos de Bella se arregalaram de choque, enquanto processava as palavras, e por fim, se franziram, desconfiados.

– Não tente me distrair com seus elogios.

– Nem em sonhos.

– Porque vou fazer isso. Vou jogar. Não vou ser dissuadida do meu objetivo.

– É claro que não.

– Me dizer que sou... Bem, que sou...

– Linda.

– Sim. Isso. Não vai me deter.

– Eu não pretendia.

– Não sou boba.

Ele deu um passo na direção dela.

– Eu sei. Vou levá-la.

– Mesmo que não me leve... – Ela parou. – Como disse?

– Falei que vou levá-la.

– Ah. Bem. Então.

– Sim, achei que foi magnânimo da minha parte.

Ele ergueu um dedo e ajeitou uma mecha solta de cabelo atrás da orelha dela.

– Não sou linda – falou Bella.

Um dos cantos da boca de Edward subiu.

– Ora, ora – disse, baixinho, varrendo o rosto dela com os olhos como se para memorizar essa nova Bella que acabara de descobrir. – Tenho que discordar disso.

Em seguida, pousou os lábios nos dela e Bella ficou entorpecida pela carícia e pelas palavras, ambas igualmente inebriantes. O beijo foi diferente de todos os que haviam trocado – mais suave, curioso, como se os dois estivessem descobrindo algo totalmente novo. Foi como um concerto de língua acariciante e lábios macios. Edward ergueu a cabeça e esperou que ela abrisse os olhos; quando o fez, ele ficou impressionado mais uma vez por sua beleza. Avaliou seu rosto, observando enquanto ela voltava do estado sensual para o qual o beijo a havia levado.

– O senhor falou que eu era sem graça.

Ele balançou a cabeça lentamente, admirando as profundezas marrons transparentes de emoção nos olhos dela.

– Não há nada de sem graça na senhorita.

E então a beijou de novo.

Sua boca era o banquete dele. Bebericou seus lábios, saboreando seu gosto, sua maciez. As mãos dela envolveram seu pescoço e subiram até seu cabelo – enfiando os dedos por entre as mechas escuras. A carícia causou um arrepio de prazer. Ele mordiscou seus lábios antes de lambê-los de leve. Quando se afastou e a olhou nos olhos novamente, ambos estavam ofegantes, e Edward desejava que estivessem em qualquer outro lugar que não ali, com centenas de londrinos a apenas alguns metros de distância.

Tinha que parar. Estava prestes a fazer exatamente o que havia resolvido não fazer. Não havia prometido a si mesmo que não a desvirtuaria de novo? Ele lhe devia mais.

Uma visão surgiu na mente dele: Isabella nua, esparramada diante dele sob a luz do sol, e ele a afastou. Não era hora de ceder a fantasias que o excitariam ainda mais – do jeito que estava, sua excitação era constrangedoramente óbvia em suas calças. Esticando as mãos, desenredou os braços de Bella de seu pescoço, beijando os nós dos dedos antes de olhar em seus olhos mais uma vez.

– Devo-lhe um pedido de desculpas.

As sobrancelhas dela se franziram.

– Como disse?

Ele plantou um beijo suave em sua testa, alisando as rugas ali, puxando-a para um abraço apertado antes de continuar:

– Um pedido de desculpas. Por tudo. Pela tarde na Casa Cullen, pelo clube de esgrima, Deus, Bella, por esta tarde até. Eu a tratei de forma bastante abominável, quase comprometendo-a a cada passo. E... devo desculpas.

Bella piscou os dois olhos para ele, a luz do sol envolvendo-a, fazendo sua pele corada tomar o tom perfeito de rosa. Como ela não falou, ele continuou:

– Gostaria de me redimir. Acho que levá-la ao Brook's seria um começo.

Uma sombra passou brevemente pelo rosto de Bella – como se estivesse decepcionada – e então sumiu. Edward continuou:

– Vou levá-la hoje à noite.

– Hoje?

– A não ser que tenha planos de passar a noite com Oxford também – sugeriu ele, friamente.

– Não... No entanto, ia ao baile dos Cavendish. Vou ter que dar uma desculpa.

Ela evitou os olhos dele.

– Isso seria ideal. Se formos enquanto o baile estiver no auge, todo o procedimento vai ser muito mais fácil.

– O que devo vestir? – perguntou ela, baixinho.

Teve uma lembrança de Bella vestida com roupas de homem, usando apenas a calça de esgrima justa, os seios desamarrados e apertados contra ele, a pele corada de prazer. Sentindo as próprias calças ficarem apertadas, remexeu-se, desconfortável, antes de dizer:

– Acho que vai ter que usar roupas de homem. Tem algo apropriado para um clube? Ou vai usar seu uniforme de esgrima?

Ela corou com a provocação antes de balançar a cabeça.

– Não, tenho algo mais adequado.

É claro que tinha. Ele achou melhor se abster de perguntar em que situação ela tivera motivos para usar algo mais adequado. Isso é uma péssima ideia. Mesmo assim, dera-lhe sua palavra. Era melhor que ele a acompanhasse do que outra pessoa. Melhor ele do que Oxford. A ideia de Bella andando por aí vestida de homem com Oxford era suficiente para fazê-lo querer dar um soco na cara do barão.

Ansioso para se livrar da visão de Bella e do homem irritante, Edward andou até a beirada do painel, de onde deu uma rápida olhada na sala do outro lado para se assegurar de que não seriam vistos voltando de seu esconderijo. Quando estava seguro de que permaneceriam despercebidos, guiou-a habilmente pelo painel de volta para o salão, seu ritmo indicando que ela devia tentar parecer casual enquanto seguiam na direção da galeria principal.

– Devo encontrá-la na Casa Swan à meia-noite e meia? – perguntou ele, olhando para o outro lado, mas mantendo a voz baixa o bastante para que só ela pudesse escutar.

Bella assentiu.

– É um horário perfeito. Tarde o suficiente para que todos estejam no baile, cedo o bastante para não dar de cara com eles voltando para casa. – E ergueu os olhos, surpresa. – É muito bom nisso.

Ele abaixou a cabeça, como se estivesse aceitando um elogio.

– Não é a primeira vez que planejo uma saída clandestina.

Bella afastou o olhar enciumado.

– Não, imagino que não seja – comentou, baixinho, antes de parar na frente de um grande retrato do cocker spaniel do rei Carlos. Respirou fundo e continuou: – Na entrada dos fundos.

Ele assentiu de leve.

– Fiz as pazes com Rosalie.

Não sabia por que sentia que tinha que contar a ela, mas tinha.

Um ar de surpresa passou pelo rosto de Bella, desaparecendo tão depressa que Edward não estava inteiramente certo de que estivera ali.

– Fico feliz em ouvir isso. É uma boa moça. E acho que está começando a gostar muito do senhor.

As palavras o deixaram desconfortável, apesar de não entender por quê.

Bella pareceu perceber.

– Fico feliz em ouvir isso – repetiu.

Ele assentiu uma vez.

– O que acha disso? – perguntou, indicando o quadro mais próximo.

Ela lhe lançou um olhar estranho.

– Acho que é um quadro enorme de um cachorro.

Ele fez uma cena exagerada ao avaliar a obra e assentiu, com seriedade.

– Uma observação astuta.

Ela deu uma risadinha e Edward continuou:

– Artes plásticas nunca foram minha especialidade. Prefiro me considerar um connoisseur de música. Como sabe.

As últimas palavras foram ditas baixinho, perto do ouvido dela. Tinham a intenção de perturbá-la, de fazê-la lembrar da noite no quarto dele... de seu primeiro beijo. A estratégia funcionou, e Edward não pôde evitar o prazer que o percorreu ao ouvi-la prendendo a respiração.

– Acho que é melhor eu voltar até minha irmã – disse Bella, a voz tremendo de leve.

– Vou levá-la.

– Não! – recusou, um pouco mais alto do que havia planejado. Então, após uma pausa, continuou: – Acho que devo ir sozinha.

Por um momento, ele pensou em forçar o assunto – obrigá-la a aceitar sua companhia. Mas reconhecia uma vitória quando via uma.

– Sem dúvida – disse, fazendo uma reverência profunda por cima da mão dela, antes de acrescentar, baixinho: – Esta noite, então?

Ela o fitou nos olhos e sustentou o olhar por um longo instante antes de acenar ligeiramente com a cabeça.

– Esta noite.


Ah! Vocês são umas lindas!

kjessica: Pois é, sempre tem algo pra tornar as coisas dolorosas pra pobre coitada da Bella... Brook's chegando!

Mila: hahaha Deixá-las curiosas é parte do charme! Pois é, menina, dá vontade de ver ele sofrer também, mas isso demora um pouco para acontecer, rs.

mari A: Você é fofa, já te disse isso? Sim, você é.

Nanny: Menina curiosa, não coma essas unhas, elas já estão quase na carne! Que aflição, guria. Credo.

Thekelly-chan: Isso se chama conhecer seu irmão tão bem quanto você mesmo. O Edward nem precisa falar, o Anthony lê na testa dele kkkk Coitada, né? :(

BbCullen: Contenha essa raiva. Eu entendo, rsrs. Ele ainda não ama, só a quer para fins prazerosos kkkkkkk

Taise Nogueira: Bem vinda, flor! Eu também tenho essa vontade, mas os cérebros dos homens só voltam com tratamento de choque. Chachoalhão é pouco rs.

Ktia S.: Eu sei, eu sei. Ele é cego, só pode.

Continuamos com 8 reviews ou no próximo sábado, ok? Beijinhos!