Personagens de Stephenie Meyer. História de Sarah McLean.


CAPÍTULO DEZESSETE

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"Não, obrigada. Prefiro não ser tratada com luvas de pelica e pedidos de perdão."

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Às nove horas daquela noite, Bella estava andando de um lado para outro em seu quarto e contando as horas até poder se esgueirar pela escada dos fundos e começar a próxima aventura. Estava com os nervos em frangalhos desde que fugira de Edward naquela tarde. Entre Oxford falando sem parar de si mesmo e fazendo investidas estranhas para cima dela, e a adoração de Alice e Jasper um pelo outro, o restante da exposição fora interminável, nem mesmo ver Jerusalém a tornara prazerosa.

É claro que estar em casa era ainda menos divertido do que estar na Academia Real. Assim que chegara, Bella havia se enclausurado em seu quarto, alegando dor de cabeça, para garantir que sua mãe permitisse que abandonasse os planos de comparecer ao baile dos Cavendish. Agora, andava de um lado para outro do pequeno cômodo, enlouquecendo em silêncio no cativeiro. Virou-se para o relógio no canto do aposento, conferindo as horas mais uma vez. Nove e dez. Suspirou, jogando-se no banco sob a janela de sacada com vista para os jardins nos fundos da Casa Swan.

Se ao menos Edward não tivesse deixado tão claro que os interlúdios que haviam partilhado – os momentos que a haviam feito se sentir tão viva e exultante – tinham sido um erro.

Quando ele interrompera o beijo e pedira desculpas tão prontamente, sua vontade fora de que o chão se abrisse e a engolisse inteira. Apesar de ser a coisa educada a fazer, certamente não era do feitio dele pedir desculpas, a não ser que realmente se arrependesse de seu comportamento. Bella só podia presumir que se arrependia de ter se envolvido com ela – afinal de contas, uma solteirona ingênua não era exatamente a companhia ideal para um libertino de primeira classe.

Mas ele a chamara de linda. Suspirou mais uma vez, puxando as pernas para cima do banco e repassando o momento de novo e de novo na cabeça. Fora exatamente tão maravilhoso quanto havia imaginado que seria – o lindo e maravilhoso marquês de Cullen, o homem por quem havia sido apaixonada por mais de uma década, finalmente havia prestado atenção nela. Mais que isso, tinha dito que era linda.

E então recuara e pedira desculpas. Por tudo. Bella preferia que ele nunca tivesse lhe dado a menor atenção a se arrepender de seu tempo juntos.

Levantou-se e foi até o espelho no canto do quarto. De frente para o reflexo, avaliou-se: cabelo castanho demais, olhos castanhos demais, estatura baixa demais, boca carnuda demais, seios grandes demais – totalmente fora de moda – e quadris largos demais.

Não era de admirar ele tivesse pedido desculpas.

Suspirou, desejando poder banir a lembrança das palavras sinceras de Edward, tão francas e educadas que lhe dava vontade de cuspir. Ou chorar. Respirou fundo, reprimindo as lágrimas ardidas que enchiam seus olhos. Não iria chorar naquela que seria, esperava, a noite mais excitante de sua vida. Excitante não por causa de Edward... mas por causa dela.

E um pouco por causa de Edward.

Está bem. E um pouquinho por causa de Edward. Mas sobretudo por causa dela.

Pensou por um instante, tentando adivinhar se os jogos no Brook's eram mais de azar. Era impossível saber. Simplesmente teria que esperar até ter a experiência em primeira mão. O que aconteceria em... ela olhou para o relógio de novo. Nove e doze. Será que estava quebrado? Não era possível que tivessem passado apenas dois minutos desde a última vez que checara. Ficou olhando os ponteiros, esperando que o dos minutos se movesse para o treze. A espera foi interminável. Sim. Definitivamente estava quebrado.

Bella deu meia-volta e se dirigiu para a porta do quarto, pretendendo se esgueirar até o corredor do outro lado e verificar a hora de verdade. Já deveria estar perto das onze. Ela teria que se vestir depressa para não perder a hora de encontrar Edward. Tinha que chamar Sue.

Mal tinha dado um passo na direção da porta quando ela se abriu de supetão e Alice entrou como um furacão, fechando-a imediatamente atrás de si. Ficou parada, as mãos nos quadris, ofegante – como se tivesse corrido quilômetros para estar ali.

Com uma olhada rápida para a cama impecável e intocada, Allie cravou um olhar triunfante na irmã e falou:

– Eu sabia!

As palavras foram ditas como se tivesse acabado de inventar a roda. Ou algo igualmente revolucionário.

Bella arregalou os olhos.

– Sabia o quê?

Alice apontou para a irmã, os olhos brilhando com uma acusação inflamada.

– Sabia que não estava doente! – E baixou a voz para um sussurro: – Você vai completar outro item da lista!

Bella ficou petrificada por vários minutos antes de dar as costas para a irmã e levar as mãos à cabeça. Ela se dirigiu para a cama.

– Por que você pensaria isso? Só estava me levantando para pedir um dos remédios da cozinheira.

E olhou de relance para Alice, que não estava acreditando em uma palavra daquilo.

– Remédio da cozinheira? – perguntou, deixando a descrença permear seu tom. – Você poderia estar em seu leito de morte e não tomaria um dos remédios da cozinheira. – Allie correu e pulou na cama como se estivesse de camisola, e não em um deslumbrante vestido de baile de seda. – O que vai ser esta noite? Corrida de cavalos? Luta de boxe? Rapé?

Bella deitou-se na cama e puxou um travesseiro por cima do rosto.

– Já sei! Um bordel!

Chocada, Bella afastou o travesseiro.

– Allie! Você está deixando sua imaginação correr solta. É claro que não vou a um bordel.

O rosto de Allie ficou triste.

– Ah. Que pena.

– Sim. Tenho certeza de que é. – Bella fitou a irmã com uma expressão irônica. – Mesmo assim, não vou visitar nenhuma casa de má reputação esta noite.

– Mas talvez outra noite?

Bella negou com a cabeça.

– É extraordinário que esteja apenas a três meses de se tornar uma duquesa.

Alice abriu um sorriso largo e deu de ombros de uma maneira extremamente indelicada.

– Exatamente! Vou ser uma duquesa! Quem vai me criticar? Além da mamãe, quero dizer.

Bella devolveu o sorriso da irmã.

– Não vai se atrasar para o baile?

– Não quero ir. Quero ir com você.

– Não vou a lugar nenhum.

– Você sabe que é pecado mentir – retrucou Alice, muito séria.

– Está bem. Vou a um lugar, mas você não pode vir. Se nós duas dissermos que estamos doentes, mamãe vai saber que há algo errado.

Alice bateu palmas entusiasmadamente.

– Aonde vai?

– Que horas são?

Os olhos de Allie se franziram.

– Bella. Não mude de assunto.

– Não estou mudando de assunto! Só não quero me atrasar.

– São nove e vinte.

Bella suspirou e se jogou de volta na cama.

– Esta noite não termina nunca!

– Bella! – insistiu Mariana. – Aonde você vai?

A mais velha mirou os olhos ansiosos da irmã.

– Se meia-noite e meia algum dia chegar, vou jogar.

Allie arfou.

– Mentira!

Bella abriu um sorriso largo.

– Verdade!

– Você vai a um antro?

– Não... Achei que seria fácil demais ser pega. Vou ao Brook's.

Alice gelou.

– Ao Brook's... o clube para cavalheiros? Acha que vai ser mais difícil ser pega no Brook's do que em um antro de jogo? – Mariana balançou a cabeça, assombrada. – Está louca.

– Não estou, não!

– Como vai... Meu Deus! Bella! A entrada de mulheres no Brook's não é permitida! Se você for pega...

– Não vou ser.

– Como sabe?

Bella fez uma pausa, sem saber o que dizer. Alice forçou:

– Bella.

– Lorde Cullen vai me levar.

Alice piscou duas vezes. Bella esperou que a irmã absorvesse o anúncio.

– O marquês de Cullen?

– O próprio.

– Você vai com lorde Cullen? – Se as palavras não fossem tão enervantes, Bella teria rido da voz guinchada de Alice. Em vez disso, alisou o cobertor e assentiu. – Eu sabia! – cantarolou Alice, triunfante. – Desde a primeira vez que vocês valsaram! No meu baile de noivado!

– Allie! Silêncio! A casa inteira vai ouvir! – sussurrou Bella, freneticamente.

– Você vai estar arruinada se for pega – anunciou Alice, como se a ideia nunca tivesse passado pela cabeça da irmã.

Isabella assentiu novamente no silêncio que se seguiu.

– Bem, então nós teremos que tomar muito cuidado para garantir que você não seja pega. – Bella se comoveu com a palavra "nós", enquanto Alice continuava: – Parece que está muito bem preparada para sair escondida de casa... mas como está planejando entrar de volta?

– Tinha pensado em voltar do mesmo jeito... pela porta dos fundos e subir pela escada de serviço.

Alice balançou a cabeça.

– Não vai dar certo. A porta no alto dessa escada range demais, e mamãe vai ouvir.

Bella avaliou suas opções.

– Vou ter que botar óleo nas dobradiças.

Allie assentiu.

– E tomar cuidado com o terceiro degrau de cima para baixo. Ele faz barulho.

Bella franziu os olhos para a irmã.

– Como sabe disso?

– Digamos apenas que Jasper e eu já precisamos daquela escada uma ou duas vezes.

Bella lançou um olhar arregalado para a irmã.

– Mary Alice!

– É um pouco tarde para você ficar ultrajada. Pelo menos eu estou noiva de Jasper! – provocou Alice. – Você vai se encontrar com lorde Cullen para um rendez-vous tarde da noite! Meu Deus! Prometa que vai me contar tudo!

– Não é um rendez-vous – protestou Bella. – Ele só está me ajudando. Nós somos... amigos.

– Amigos não arriscam a reputação das amigas, Isabella – Alice baixou a voz. – Você e ele já... – e fez um gesto com a mão, enquanto a pergunta morria.

– Nós já...? – Bella fingiu não entender.

Alice franziu os olhos para a irmã mais velha.

– Bella. Você sabe muito bem o que estou perguntando.

A mais velha desviou o olhar.

– Eu lhe garanto que não.

Alice guinchou de prazer.

– Sim! Você sabe! E você já! – Ela bateu palmas. – Que delícia!

– Não é uma delícia.

O rosto de Alice ficou triste.

– Ah. Que pena. Ele parece ser...

– Allie! – interrompeu Bella. – Não foi isso que eu quis dizer.

– Então é uma delícia!

Bella suspirou.

– É, sim.

O sorriso de Allie era largo e malicioso.

– Gostaria de ouvir tudo sobre isso.

– Bem, não vai. E esta conversa é totalmente inapropriada.

Alice dispensou a declaração cerimoniosa de Isabella com um gesto.

– Você sabe que, se forem pegos juntos, vão ter que se casar. Imagine o escândalo!

Bella fechou os olhos com força – era fácil demais imaginar o escândalo.

– Não vou ser pega.

– MARY ALICE!

Bella foi salva da conversa constrangedora pelo chamado estridente da condessa-viúva de Swan, no andar de baixo. Alice revirou os olhos e falou:

– Minha nossa, essa mulher sabe gritar. Você devia ver o que ela está vestindo, Bella. Veludo. Veludo amarelo-canário. Com um turbante para combinar. Parece uma banana peluda.

Bella se retraiu diante da imagem vívida.

– Faz parte do charme dela.

– É um milagre Jasper ter pedido a minha mão.

Isabella sorriu com o comentário seco.

– Divirta-se.

Alice deu um abraço rápido na irmã.

– É você quem vai se divertir! Vou pensar em você a noite toda! Amanhã quero saber de tudo! Prometa!

– Prometo.

Alice se levantou, alisou as saias amassadas e deu um pulinho de entusiasmo na direção de Bella antes de se retirar. A irmã a seguiu até a porta, pressionando a orelha na madeira para ouvir o som da família saindo da casa antes de correr para a janela para escutar os cascos e as rodas indicando sua partida oficial para o baile. Quando não podia mais escutar a carruagem, afastou-se da janela e chamou Sue.

Tinha muito o que fazer antes de Edward chegar.

Dez minutos antes da hora marcada, Bella atravessou escondida os jardins da Casa Swan até o portão no muro do outro lado. Abrindo o trinco, puxou o portão, percebendo que as dobradiças rangiam.

– Maldição – disse, irritada.

Será que todas as dobradiças na propriedade estavam precisando de óleo?

Graças a Alice, no entanto, Bella imaginara que iria precisar da lata de óleo que Seth havia trazido mais cedo naquela noite – sem uma única pergunta quanto aos seus motivos, graças a Deus – e viera preparada. Levantando a lata, encharcou a dobradiça com o líquido escuro, mexendo o portão para espalhar o lubrificante e silenciar o barulho estridente. Depois, agachou-se para trabalhar na de baixo.

Estava tão concentrada que não ouviu Edward se aproximar.

– Eis aqui um cavalheiro de muitos talentos – falou ele, secamente, e Bella pulou de surpresa ao ouvir as palavras.

Erguendo os olhos para o marquês de sua posição, ela sorriu antes de acrescentar cuidadosamente gotas de óleo à dobradiça e abrir e fechar o portão. Ele retirou as luvas e se agachou ao lado dela, pegando a lata de óleo enquanto continuava:

– De todos os encontros clandestinos que tive na vida, tenho que dizer que este é o primeiro que inclui botar óleo em dobradiças que rangem.

Bella sorriu diante do tom casual.

– Não podia me arriscar a ser pega pela minha família caso volte depois deles.

Ele assentiu, o movimento quase imperceptível na escuridão.

– Uma precaução inteligente.

Terminada a tarefa, Edward botou a lata de óleo de lado, retirou um lenço do bolso para enxugar as mãos, em seguida entregou-o a ela. Levantando-se, esticou a mão para ajudá-la a ficar de pé e deu um passo para trás para avaliar o disfarce. Não era fácil enxergar, mas desta vez ela estava com uma roupa formal preta e branca, totalmente apropriada para o Brook's. Suas botas brilhavam ao luar, as calças e o sobretudo pretos realçando a camisa e o colete brancos impecáveis e uma gravata perfeitamente engomada. Sue estava ficando bastante hábil em vestir sua patroa com roupas de homem. Para completar o visual, o cabelo de Bella estava enfiado dentro de uma cartola preta.

Erguendo a bengala com um floreio, ela perguntou em um tom grave:

– Bem, milorde? O que acha?

– Acho que, apesar de pequena, deve entrar sem problemas. Presumindo que as luzes no Brook's sejam parecidas com estas aqui. No seu jardim. No meio da noite... – Os lábios dele formaram uma linha fina enquanto a avaliava, então balançou a cabeça. – Só um imbecil não perceberia que a senhorita é uma mulher. Isso vai ser um desastre.

Calçando as luvas novamente, Edward começou a andar a distância curta até a carruagem. Ela o seguiu, comentando:

– O senhor não percebeu que eu era uma mulher no clube de esgrima.

Ele soltou um grunhido reservado.

– Acho que as pessoas veem o que esperam ver, milorde, e não o que está diante delas.

Edward abriu a porta da carruagem e a ajudou a subir. Enquanto se sentava do outro lado do banco para abrir espaço para ele, podia jurar que o ouvira dizer "Isso foi uma péssima ideia", antes de se juntar a ela, puxando a porta atrás de si para fechá-la e batendo no teto para botar a carruagem em movimento. Seguiram em silêncio, Bella tentando ignorar a óbvia reconsideração de Edward quanto a contrabandeá-la para dentro de seu clube. Ela chegara até ali... certamente não voltaria atrás. O caminho não era longo e, quando a carruagem chegou, Bella aprumou-se em seu assento para ver melhor pela janela.

Enquanto pressionava o rosto no vidro, Edward pegou um sobretudo grande e o entregou a ela.

– Tome. Vista isso.

– Mas eu...

– Isso não é negociável – interrompeu-a ele, rispidamente. – É meu título de sócio que está em jogo se for pega.

– Sem falar na minha reputação – disse ela, baixinho.

Ele a encarou com firmeza.

– É. Bem, esta noite estou muito mais preocupado com o meu clube. Vista o sobretudo, puxe o colarinho para cima, mantenha a cabeça baixa. Não olhe nos olhos de ninguém. Fique perto de mim. Não olhe para ninguém. E pelo amor de Deus, não use aquela voz ridícula que acha que soa masculina.

– Mas eu...

– Não, Bella. Eu lhe prometi que a levaria para jogar no Brook's. Mas não prometi fazer isso do seu jeito.

Ela suspirou.

– Está bem.

Ele abriu a porta e saltou da carruagem, andando a passos largos para a entrada do clube sem olhar para trás. Bella observou-o por um momento, surpresa por ter ignorado com tanta facilidade seus instintos de cavalheiro – deixando-a para saltar sozinha. Foi o que ela fez, batendo a porta atrás de si.

A porta se fechou com um baque alto demais, chamando a atenção de Edward e de vários outros na rua. Conforme várias cabeças se viravam na direção dela, os passos hesitantes de Bella vacilaram. Fitou os olhos verdes brilhantes do marquês com os seus olhos castanhos apavorados e observou enquanto ele erguia uma sobrancelha só o suficiente para que ela lesse seus pensamentos.

Já terminou?

Abaixou a cabeça, escondendo o rosto no colarinho amplo do sobretudo, e se dirigiu até ele. Quando estava a alguns passos de distância, Edward entrou no clube, abrindo a porta o suficiente para que ela a segurasse e o seguisse. O primeiro pensamento de Bella quando atravessou o vão da porta foi que o Brook's era deslumbrante. Não sabia o que esperar, mas não era aquilo. A entrada larga de mármore ostentava a riqueza e a importância dos membros – toda com superfícies lindas e bordas douradas.

Ela prendeu a respiração diante do espaço, decorado como os melhores lares de Londres em cores masculinas escuras e madeiras nobres. E havia homens em todos os cantos. Estavam em grupinhos de conversa no saguão, cumprimentando Edward com acenos de cabeça rápidos conforme ele passava pela grande entrada e guiava Bella por um longo corredor na direção dos fundos do prédio. Tentando ser discreta, ela espiou dentro dos aposentos que estavam abertos, alguns grandes e iluminados de forma aconchegante, onde grupos de homens estavam envolvidos com bilhar, cartas e discussões, e outros, pequenos e íntimos, abrigando apenas um punhado de ocupantes que bebiam vinho do Porto e fumavam.

Bella diminuía a velocidade ao passar por cada porta, catalogando as atividades e os presentes lá dentro, ansiosa para absorver cada pedacinho daquele lugar misterioso e fascinante. Conforme Edward a guiava pelo labirinto de corredores, o número de portas abertas diminuiu e o ambiente ficou mais escuro e silencioso. Enquanto passavam por uma sala, Bella percebeu que a porta estava entreaberta e que o aposento atrás dela parecia caloroso e dourado pela luz de velas. Ouviu uma risada distintamente feminina e ficou petrificada no meio do caminho, incapaz de se conter e não dar uma olhada mais atenta.

Espiando pelo vão da porta, arregalou os olhos ao ver a cena do outro lado.

Havia três homens sentados em poltronas grandes de couro arrumadas em um círculo fechado, todos eles usando máscaras nos olhos. Os cavalheiros, apesar de relaxados em suas poltronas, estavam hipnotizados pela mulher no meio do grupo, alta e roliça, o cabelo caindo em cascata pelas costas em uma juba voluptuosa de cachos cor de fogo. Era deslumbrante: malares altos, a pele linda, os olhos perfeitamente delineados, beicinho de lábios vermelhos curvados em um sorriso cúmplice malicioso. Bella ficou hipnotizada por ela – exatamente como os homens do lado de dentro pareciam estar –, pois era óbvio que era uma cortesã.

Estava com um vestido que não era para ser visto em público – uma seda ousada, cor de safira, o corpete bem justo que parecia mais um espartilho. Os seios quase se derramaram quando ela se curvou em cima de um dos homens. Bella prendeu a respiração quando ele esticou a mão e roçou a lateral de um dos seios, os olhos fixos no butim feminino da mulher. A cortesã deu uma risada baixa quando ele a tocou, botando ousadamente a mão em cima da dele e guiando-o para tocar seu seio com mais firmeza. Ele obedeceu e um dos outros homens esticou a mão para a barra do vestido e começou a levantá-la, desnudando pernas compridas e, finalmente, suas nádegas redondas. Bella arfou baixinho, quando ele acariciou o traseiro da mulher.

A arfada virou um gritinho quando Edward a agarrou pelo braço e a puxou.

Ele rosnou perto de seu ouvido:

– É exatamente por isso que clubes não são lugar para mulheres.

– Parece que aquela sala em particular é definitivamente para mulheres – replicou ela, em tom cáustico.

Ele não respondeu, apenas guiou-a até a próxima porta aberta antes de fechar e trancá-la atrás deles. Quando ouviu a fechadura clicar no silêncio como um agouro, Bella virou-se para ficar de frente para Edward, que a olhava ameaçadoramente de sua posição – recostado contra a porta fechada.

– Não fui claro? Falei para ficar perto de mim e não olhar para ninguém.

– Eu não olhei!

– Então não estava espiando dentro de uma sala cheia de gente?

– Não diria que estava cheia – desconversou Bella. Os olhos dele se franziram diante das palavras. – Ninguém me viu!

– Podiam ter visto!

– Estavam bastante ocupados – observou ela. – Talvez possa me explicar uma coisa.

O olhar dele ficou desconfiado.

– Talvez.

– Como uma mulher é... suficiente... para três homens?

Edward ergueu os olhos para o teto e fez um som como se estivesse engasgando. Após um momento, voltou-os de novo para ela.

– Não sei.

Ela o observou com um ar de descrença.

– Deve ser uma cortesã muito talentosa.

Edward passou a mão pelos cabelos antes de dizer em um tom sufocado:

– Bella.

Ela continuou, inocentemente:

– Bem, uma cortesã é o que ela é. Não é?

– É.

– Fascinante! – Bella sorriu, alegremente. – Nunca conheci uma cortesã.

– Imagino que não.

– Ela parece exatamente como eu pensava! Bem, muito mais bonita.

Os olhos de Edward dispararam pela sala como se ele estivesse procurando a rota de fuga mais rápida.

– Bella. Não prefere jogar do que falar sobre cortesãs?

Ela inclinou a cabeça, avaliando a pergunta.

– Não sei bem... as duas coisas parecem interessantes, não acha?

– Não – respondeu ele, com uma risada surpresa. – Não acho.

Ignorando-o, Bella observou o aposento em que estavam. Era decorado com frisos gregos retratando deuses e deusas em uma variedade de cenas e mobiliado com uma grande mesa de carteado e uma coleção de cadeiras esculpidas em madeira. De um lado da sala, na frente de uma lareira chamejante, havia uma área de estar completa com duas poltronas estofadas e um divã. As paredes que não ostentavam as enormes obras de arte em mármore eram cobertas de estantes. Era uma sala confortável, ainda que masculina.

Bella voltou-se para o marquês.

– Os outros não vão ficar irritados por termos tomado esta sala?

Ele tirou as luvas e o chapéu e os colocou em uma mesinha ao lado da porta.

– Duvido. A esta hora os homens normalmente estão metidos em qualquer... atividade que estejam planejando.

Atividade – repetiu ela secamente, imitando as ações dele com o próprio chapéu e as luvas antes de despir o sobretudo e pendurá-lo em um cabideiro. Virando-se para ele, percebeu seu olhar duro. – Não continua zangado comigo, continua? Chegamos sem dificuldades. Ninguém lá fora sabe que estou aqui.

Um longo momento se passou, enquanto ele avaliava cuidadosamente a roupa dela. Balançou a cabeça.

– Só acho impossível acreditar que nem um único homem neste clube inteiro tenha percebido que a senhorita é um homem tanto quanto é uma girafa.

Um canto da boca de Bella subiu.

– Acho que eles teriam percebido se eu fosse uma girafa. E por que diz isso? Não acha o disfarce bom? – Olhou para si mesma, subitamente insegura. – Sei que tenho uma certa... silhueta, mas acho que a escondi... bem, o máximo que podia.

Quando ele falou, sua voz estava grave e sombria:

– Bella, só um cego para não perceber a sua silhueta nessas roupas. Nenhum homem que eu tenha conhecido até hoje tinha uma tão linda...

– É o bastante, milorde – interrompeu ela, cerimoniosamente, como se não estivesse de pé no meio do Brook's com um dos libertinos mais notórios de Londres, vestindo roupas de homem. – Está ficando tarde. Gostaria de aprender a jogar agora, se não se incomodar.

Ele deu um sorrisinho e puxou uma cadeira, indicando que ela devia se sentar à mesa de carteado. Bella seguiu para tomar o assento oferecido, profundamente consciente da proximidade dele. Ao se acomodar do outro lado da mesa, Edward ergueu um baralho que havia sido posto ali e falou:

– Acho que devemos começar pelo vinte e um.

Pelos momentos seguintes, ele explicou as regras do jogo – ajudando Bella a entender a estratégia necessária para garantir que suas cartas tivessem o valor mais próximo possível de 21, sem exceder o número. Jogaram várias partidas, Edward deixando que ela ganhasse as duas primeiras; na terceira e quarta partidas, derrotou-a esmagadoramente. Na quinta, ela ficou felicíssima por ter chegado a 20, quando ele virou suas cartas e mostrou seu 21.

Frustrada por outra derrota, Bella soltou:

– Trapaça!

Ele a encarou, os olhos arregalados de ultraje fingido.

– Como disse? Se a senhorita fosse um homem, eu exigiria retratação pela acusação.

– E eu lhe asseguro, milorde, que eu cavalgaria vitoriosamente pela verdade, pela misericórdia e pela justiça.

Ele deu uma risadinha, embaralhando as cartas.

– Está citando a Bíblia para mim?

– Sem dúvida – retrucou ela, com cerimônia, o retrato da devoção.

– Enquanto joga.

– Que lugar melhor para tentar regenerar alguém como o senhor? – argumentou, o humor brilhando nos olhos. Eles sorriram um para o outro antes de Edward dar as cartas, e Bella continuou: – Seria bastante fortuito, no entanto, se pedisse retratação. Gostaria de assistir a um duelo.

Ele gelou por um breve instante, antes de balançar a cabeça.

– É claro que gostaria. Há alguma coisa nessa lista que não vá me chocar?

Bella olhou suas cartas casualmente antes de dizer:

– Ah, com certeza não.

– Bem, considerando-se que parece ter virado meu papel em particular ajudá-la a completar os itens, tenho que perguntar... o que está achando deste?

Ela franziu o nariz enquanto pensava na pergunta.

– O clube é notável. Tenho certeza de que nunca teria tido uma experiência como esta se não fosse pelo senhor, milorde.

– Edward – disse ele.

– Edward... Mas devo dizer que não sei bem o que há no jogo que é tão atraente. Certamente é um ótimo passatempo, mas não consigo ver nada no processo que leve tantos à cadeia dos devedores.

Ele se recostou na cadeira e a observou cuidadosamente.

– Diz isso, linda, porque não está arriscando nada.

– Arriscando?

– Sem dúvida – continuou ele –, o atrativo das mesas é aumentado tanto pela emoção de ganhar quanto pelo medo de perder.

Bella pensou nas palavras, antes de assentir pensativamente.

– Devemos jogar a dinheiro, então?

Ele inclinou a cabeça na direção dela.

– Se quiser.

Ela ficou pensativa e então disse:

– O senhor não se incomoda em perder dinheiro.

– Não especialmente.

– Então não é um risco.

– Não importa se não há risco para mim. Esta é a sua noite. Só a senhorita tem que sentir a emoção do risco. Sou apenas seu hábil assistente.

Ela não pôde conter o sorriso que surgiu diante da descrição trivial.

– Ah, não, Edward – argumentou, e ele enrijeceu ao ouvi-la usar seu nome de batismo. – Se fôssemos jogar uma partida legítima de cartas, gostaria de fazê-lo sentir que pode perder.

Seus olhos verdes cintilaram do outro lado da mesa.

– Diga os seus termos.

O entusiasmo tomou conta do rosto dela.

– Está bem, para cada partida que eu ganhar... o senhor tem que responder a uma pergunta. Honestamente.

As sobrancelhas dele se juntaram.

– Que tipo de perguntas?

– Por quê? – provocou ela. – Está com medo de perder para mim?

Ele se inclinou para a frente.

– Está bem, Imperatriz, mas para cada partida que eu ganhar, a senhorita tem que me conceder um favor... da minha escolha.

Um arrepio a percorreu ao ouvir as palavras, seguido imediatamente de uma sensação aguda de terror.

– Que tipo de favor?

– Por quê? – repetiu ele. – Está com medo de perder para mim?

Estou. Ela sustentou seu olhar com firmeza.

– É claro que não.

– Excelente – concluiu ele, dando as cartas rapidamente. – Então vamos tornar isso interessante, que tal?

De repente, jogar pareceu a Bella um passatempo maravilhosamente viciante. Cada virada de cartas a fazia prender a respiração enquanto procurava formas de derrotar Edward. E, na primeira partida, ela derrotou... apesar de não poder deixar de imaginar se não era possível que ele tivesse deixado que ela ganhasse.

Não que Bella se importasse. Apenas queria sua resposta. Recostou-se na cadeira e ficou observando por vários momentos enquanto os dedos longos e graciosos dele reuniam as cartas da mesa, empilhando-as com cuidado e embaralhando-as indolentemente, à espera da pergunta. Fitou seus olhos.

– Conte-me sobre as cortesãs.

Ele deu uma risadinha, balançando a cabeça.

– Concordei em responder perguntas. Isso não foi uma pergunta.

Bella revirou os olhos.

– Muito bem, então. Há outras cortesãs aqui?

– Sim.

Quando ele não falou mais do que isso, ela pressionou:

– E elas com frequência entretêm grupos de homens?

– Bella – disse ele, pragmaticamente –, aonde realmente quer chegar?

Ela franziu o nariz.

– Só estou tendo dificuldades para entender como ela... quero dizer... o que eles iam... quero dizer...

Edward deu um sorriso enviesado e esperou que ela terminasse.

– Ah... o senhor sabe o que quero dizer.

– Eu lhe asseguro que não.

– Havia três homens e só uma mulher!

– É mesmo?

– O senhor é insuportável! Disse que responderia minhas perguntas!

– Se fizesse uma pergunta, meu bem, garanto que responderia.

– Realmente podem esperar que ela... – fez uma pausa, procurando a palavra.

– Satisfaça? – ofereceu ele, amavelmente.

Entretenha. Todos os três?

Ele começou a dar as cartas novamente.

– Sim.

– Como?

Ele olhou para ela e deu um sorriso lascivo.

– Quer mesmo que eu responda isso?

Os olhos dela se arregalaram.

– Hum... não.

Edward riu então, uma gargalhada profunda e grave diferente de qualquer coisa que ela já tivesse ouvido dele, e Bella ficou surpresa com a forma como aquilo o transformou. O rosto dele ficou imediatamente desanuviado, seus olhos mais brilhantes, a silhueta mais relaxada. Ela não pôde deixar de sorrir também, mesmo enquanto o repreendia:

– Está se divertindo com meu desconforto.

– E como, Imperatriz.

Ela corou.

– Não devia me chamar assim.

– Por que não? Foi batizada em homenagem a uma imperatriz, não foi?

Ela fechou os olhos e fingiu estremecer.

– Prefiro não ser lembrada desse nome horroroso.

– Devia assumi-lo – aconselhou ele, francamente. – É uma das poucas mulheres que conheço que está à altura de um nome desses.

– O senhor já disse isso antes – comentou ela.

Ele lhe lançou um olhar curioso.

– Já?

Bella o fitou nos olhos e na mesma hora se arrependeu de ter mencionado a lembrança de uma década atrás, tão insignificante para ele – tão significativa para ela. Acrescentou depressa, tentando encerrar o momento:

– Já. Não me lembro quando. Vamos jogar?

Ele franziu os olhos ligeiramente para ela antes de assentir. Estava tão perturbada durante a partida seguinte que Edward ganhou com facilidade, 20 contra 28.

– Devia ter parado com 19 – ofereceu ele, casualmente.

– Por quê? Teria perdido do mesmo jeito – revidou ela, irritada.

– Ora, lady Isabella... – Ela tinha certeza de que ele estava usando o nome para provocá-la. – Acho que não sabe perder.

– Ninguém gosta de perder, milorde.

– Hum. E ainda assim parece que a senhorita gostou.

Ela suspirou.

– Vá em frente. O que quer?

Ele a observou, esperando que ela olhasse em seus olhos.

– Solte os cabelos.

Bella franziu as sobrancelhas.

– Por quê?

– Porque eu ganhei. E a senhorita concordou com os termos.

Ela avaliou as palavras brevemente antes de erguer as mãos e remover os grampos que seguravam seu cabelo no lugar. Enquanto ele caía em ondas macias e castanhas em volta de seus ombros, falou:

– Devo estar parecendo uma tola, vestida com roupas de homem com todo esse cabelo.

Edward não desviou os olhos enquanto ela soltava o restante dos cachos.

– Garanto que "tola" não é a palavra que eu usaria.

As palavras, ditas na voz sombria que ela estava começando a adorar, fizeram sua pulsação disparar. Bella limpou a garganta.

– Vamos continuar?

Ele deu as cartas novamente. Ela ganhou. Tentando parecer calma e controlada, perguntou:

– Tem uma amante?

Edward hesitou brevemente ao recolher as cartas, e Bella se arrependeu da pergunta na mesma hora. Não queria saber se ele tinha uma amante. Queria?

– Não.

– Ah.

Ela não sabia direito o que esperava que ele dissesse, mas não era isso.

– Não acredita em mim?

– Acredito. Quero dizer, não estaria aqui comigo se pudesse estar em outro lugar com uma pessoa como... – Ela parou, percebendo que suas palavras podiam ser mal interpretadas. – Não que eu ache que está aqui para... comigo...

Ele a observou, a expressão sem revelar nenhum de seus pensamentos.

– Ainda assim eu estaria aqui.

– Estaria? – guinchou ela.

– Estaria. A senhorita é diferente. Revigorante.

– Ah. Bem. Obrigada.

– Amantes podem ser bem difíceis.

– Não imagino que o senhor goste de dificuldades – comentou ela, baixinho.

– Não, não gosto – concordou ele. Edward pousou o baralho na mesa. – Por que está tão interessada em amantes e cortesãs?

Não em amantes. Nas suas amantes.

Bella deu de ombros.

– São muito fascinantes para mulheres que não são tão... livres.

– Não as chamaria de livres.

– Ah! Mas elas são! Podem se comportar como bem entendem, com quem bem entendem! São totalmente diferentes das mulheres da alta sociedade. Espera-se que nós nos sentemos em silêncio enquanto os homens saem e vão se divertir por aí. Acho que já está mais do que na hora de as mulheres terem a chance de se divertir também. E essas mulheres se divertem.

– Tem uma visão romantizada demais do que mulheres assim podem e não podem fazer. Elas estão presas aos homens a quem se ligam. Dependem deles para tudo. Dinheiro, comida, roupas.

– E no que isso é diferente de mim? Dependo de Emmett para todas essas coisas.

Ele estava claramente desconfortável com a comparação.

– É diferente. Ele é seu irmão.

Ela balançou a cabeça.

– Está errado. É basicamente a mesma coisa. Só mulheres como a do outro lado do corredor podem escolher os homens aos quais estão ligadas.

O tom dele ficou sério.

– Não sabe nada sobre a mulher do outro lado do corredor, Bella. Ela é o oposto de livre, eu lhe garanto. E sugiro que pare de romantizá-la antes que isso a ponha em apuros.

Fosse o resultado da aventura da noite ou o duelo verbal com Edward, a língua de Bella parecia ter ficado completamente desconectada de seu senso de autopreservação.

– Por quê? – perguntou. – Confesso, estou bastante intrigada com essa ideia. Não necessariamente dispensaria de cara uma oferta para me tornar amante de alguém.

As palavras o emudeceram de surpresa, e Bella não pôde conter o sorrisinho afetado de vitória que surgiu em seu rosto quando percebeu a surpresa dele.

Edward franziu o cenho à medida que ela esticava o braço para pegar as cartas e começar a distribuí-las. Agarrou sua mão, detendo seu movimento e atraindo os olhos dela para os dele, que cintilaram com uma emoção que a moça não conseguia distinguir direito, exceto que não era uma coisa boa.

– Você não quis dizer isso. – O tom dele não admitia negação.

– Eu... – Ela sentiu o perigo e falou a verdade: – Claro que não.

– Está na lista?

– O quê? Não! – O espanto foi real o suficiente para convencê-lo.

– Você é valiosa demais para bancar a amante de algum janota da sociedade, Bella. Não é um papel glamoroso. Nem romântico. Essas mulheres vivem em gaiolas douradas. A senhorita deveria ter um pedestal.

Ela desdenhou.

– Não, obrigada. Prefiro não ser tratada com luvas de pelica e pedidos de perdão.

Ela puxou a mão de debaixo da dele. O calor de seu toque era demais. Próximo demais do que ela realmente queria... do que ela quisera sua vida inteira.

– Pedidos de perdão?

Ela fechou os olhos por um breve instante, reunindo coragem.

– Sim. Pedidos de perdão. Como o que o senhor fez tão lindamente esta manhã. Se eu fosse qualquer outra pessoa... a sua cantora de ópera... a mulher do outro lado do corredor... teria pedido desculpas?

Ele parecia confuso.

– Não... mas a senhorita não é nenhuma dessas mulheres. Merece coisa melhor.

Melhor – repetiu ela, frustrada. – É exatamente o que estou tentando dizer. O senhor e o resto da sociedade acreditam que é melhor para mim ser posta em um pedestal de formalidade e retidão... O que poderia ser bom, se uma década nesse pedestal não tivesse simplesmente feito com que eu permanecesse solteira. Talvez moças como nossas irmãs devessem estar lá. Mas e eu? – A voz dela sumiu enquanto baixava os olhos para as cartas em suas mãos. – Nunca vou ter a chance de experimentar a vida lá de cima. Só o que há lá em cima é poeira e pedidos desnecessários de perdão. A mesma gaiola que a dela – Bella indicou a mulher do lado de fora –, só que de um dourado diferente.

Ele a observou cuidadosamente, imóvel, enquanto as palavras saíam. Diante da ausência de resposta, Bella ergueu os olhos, só para encontrar sua expressão indecifrável. No que estava pensando?

– Dê as cartas.

Ela as deu, e eles jogaram a partida seguinte em silêncio, mas estava claro que não estavam mais jogando vinte e um. Ela sabia pelo rosto inflexível de seu adversário que Edward iria ganhar, e seu coração martelou no peito diante da ideia – o que faria diante do ataque dela?

Quando venceu, o marquês jogou as cartas no meio da mesa. Em silêncio, levantou-se, andou até o aparador e serviu dois copos de uísque. Retornando, ofereceu a ela um deles. Bella o aceitou e bebericou o líquido âmbar, surpresa quando não cuspiu e tossiu como havia feito na taberna. Na verdade, a bebida só serviu para aumentar o calor que havia se espalhado por seu corpo enquanto esperava que Edward dissesse o favor que queria.

De costas para ela, ele andou até uma das poltronas estofadas perto da lareira e relaxou nela. Bella observou enquanto ele olhava para o fogo, imaginando no que estaria pensando. Será que estava considerando levá-la para casa? Ela certamente dissera o bastante não só para envergonhar a si mesma, mas a ele também. Devia pedir desculpas?

– Venha cá. – As palavras cortaram o aposento, apesar de Edward não ter desviado a atenção das labaredas dançantes.

– Por quê?

– Porque eu mandei.

Uma hora antes, ela teria rido diante da atitude autoritária, mas, por alguma razão inexplicável, naquele momento, Bella foi atraída pelo comando. Levantou-se e foi até ele, parando a apenas alguns centímetros de seu braço direito. Esperou, a pulsação martelando no ouvido, o som de sua respiração parecendo encher a sala.

A espera foi torturante.

Por fim, ele se virou para ela com um brilho imperioso nos olhos verdes brilhantes e ordenou:

– Sente-se.

Não era o que ela esperava. Bella andou afetadamente para se sentar na outra poltrona, mas parou quando ele acrescentou:

– Não ali, Imperatriz. Aqui.

Ela se virou de volta para ele, surpresa e confusão em seus olhos.

– Onde?

Ele esticou a mão.

– Aqui.

A palavra ecoou pelo aposento. Ele estava dizendo para ela se sentar no colo dele? Ela balançou a cabeça.

– Não posso.

– Queria experimentar o papel para ver se lhe servia, linda? – desafiou ele, as palavras quentes e sedutoras. – Então, venha. Sente-se comigo.

Bella soube, sem ele ter que dizer mais nada, que aquela era sua chance de experimentar tudo. Com ele.

Andou para ficar diretamente na frente dele e o encarou. Não falou uma palavra; não precisava. Em segundos, ele a havia puxado para o colo e coberto seus lábios com os dele. Não havia como voltar atrás.

Ela se entregou à aventura. E a ele.


HEHEHE' Adoro!

kjessica: CHEGOU! \O/ Eu pareço criança empolgada com esses capítulos kkkkkk

Mila: Sua pergunta foi respondida. Vai dar coisa. Vai dar MUITA coisa. Vai dar AQUELA coisa hahahahahahahahaha Desculpe, não resisti o trocadilho. Beijos!

Thekelly-chan: Sim, uma calmaria antes da tempestade desse e do próximo capítulo kkk. Esse Jacob só tem dentes, como dizem, um paspalho, rs. E, sim, não vai ser agradável quando ela descobrir, tadinha... O corpinho dela nu é exatamente o que ele quer, melhor definição haha.

Duda: Sim! Esse Jacob não tem nada na cabeça além de dentes, como dizem kkkkk. Então, essa sugestão de cortejo entre Anthony e Bella foi só para o irmão do marquês-cabeça-dura conseguir tirar a verdade, de constatar que teria problema sim ele cortejar, porque o Edward a quer (mesmo que seja só o corpitcho dela rs).

BbCullen: Devagar!? Esses homens andam no passinho da tartaruga! Tem hora que até me estressa, rs.

CarlinhaMoura: NOOOOOOOSSA guria, você por aqui!? Achei que tinha me esquecido :,( Nossa, quem me dera esses gêmeos interessados por mim, eu ficava é com os dois, isso sim! hahaha Vê se não some, hein? Eles estão bem, a Isadora já fez 10 meses, acredita!? Enorme!

Ktia S: Também me derreti, sabe? Não foi nenhum elogio de caso pensado, foi uma coisa que bateu nele de surpresa e ele soltou... Essas são tão mais fofas! *-*

Nanny: Está aí, xuxu. Beijos.

Até as 08 reviews ou sábado agora, meninas. Beijos!