Personagens de Stephenie Meyer. História de Sarah McLean.
CAPÍTULO DEZENOVE
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"Tenho certeza de que daria um ótimo marido, só não estou procurando um."
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– De todos os homens arrogantes... afetados... repugnantes! – Bella puxava livros das estantes da biblioteca da Casa Swan e os jogava na pilha cada vez maior aos seus pés enquanto resmungava em voz alta para si mesma: – "É claro, vamos nos casar"? Eu não... me casaria com ele... nem que fosse o último... homem... em... Londres!
Soprou uma mecha solta de cabelo para longe dos olhos e limpou as mãos empoeiradas no vestido cinza de lã que estava usando antes de avaliar com atenção o estrago que havia causado durante a última hora. A biblioteca tinha sido dilacerada. Havia livros em todos os cantos – em cima das mesas e cadeiras e em pilhas dispersas no chão.
Depois de voltar para casa, poucas horas antes, com Edward no mais completo silêncio, Bella havia entrado escondida em casa e fora para sua cama, dividida entre o anseio de rastejar para debaixo das cobertas e nunca mais sair e o desejo igualmente forte de marchar direto para a Casa Cullen, acordar seu dono e lhe dizer exatamente o que achava que ele deveria fazer com sua oferta generosa e cavalheiresca.
Durante muitas horas, tentara a primeira alternativa... repassando incessantemente os acontecimentos da noite na cabeça – alternando-se entre as lágrimas e a raiva pela forma como ele arruinara uma noite tão maravilhosa. Ele havia lhe mostrado com clareza o quanto a paixão podia ser incrível, Bella tivera seu primeiro vislumbre do êxtase, e então ele destruíra tudo. E isso fez com que ela fosse lembrada, apenas alguns instantes depois de sua descoberta, que não estava destinada a nenhum tipo de paixão.
Não. Entre todas as coisas maravilhosas que poderiam ter sido apropriadas para se dizer na exata situação em que se viam – desde "Você é a mulher mais inigualável que já conheci" e "Como vou viver sem você agora que encontrei o paraíso nos seus braços" a "Eu te amo, Bella, mais do que já imaginei amar" ou até mesmo um "Vamos fazer de novo?" –, ele fora e emporcalhara tudo pedindo desculpas.
E, pior, falando em casamento. Casamento!
Não que casamento tivesse sido uma coisa completamente errada de se mencionar. Sem dúvida, teria gostado de uma proposta, mas em algum ponto entre "Você é a mulher mais inigualável que já conheci" e "Como vou viver sem você agora que encontrei o paraíso nos seus braços". Teria sido maravilhoso se ele a tivesse olhado nos olhos com absoluta devoção e dito: "Torne-me o homem mais feliz, mais sortudo, mais satisfeito do mundo, Bella. Case-se comigo."
Sem dúvida, se tivesse dito isso – ou qualquer variação do tema, como, muito magnanimamente, estaria disposta a aceitar –, Bella teria desabado de êxtase em seus braços e permitido que ele a beijasse avidamente durante todo o caminho para casa. E ainda estaria deitada, sonhando com uma vida longa e feliz como a marquesa de Cullen.
Em vez disso, eram nove e meia, na manhã seguinte do que deveria ter sido a noite mais maravilhosa de toda a sua vida – incluindo as ainda por vir –, e ela estava reorganizando a biblioteca. Mãos nos quadris, fez um pequeno aceno de cabeça para a cena diante de si.
– Parece um momento tão bom quanto qualquer outro.
Bem, pelo menos não havia chorado.
Ela espirrou. Primeiro, teria que espanar.
Marchou até a porta e a abriu com um puxão, para mandar um lacaio lhe trazer um espanador, só para descobrir Alice e Sue, as cabeças baixas, concentradas em uma conversa sussurrada com uma criada do outro lado do corredor.
Todas as três cabeças se ergueram de um estalo ao ouvirem a porta da biblioteca se abrir. Bella percebeu o queixo da criada cair ao vê-la e pediu, calmamente:
– Preciso de um espanador.
A jovem pareceu inteiramente estupefata, como se não conseguisse entender a declaração. Bella tentou de novo:
– Para espanar. Os livros. Na biblioteca.
A criada parecia enraizada no chão do corredor. Bella suspirou.
– Gostaria de espanar a biblioteca hoje... acha que será possível?
A pergunta colocou a outra em ação e ela debandou depressa pelo corredor para cumprir a ordem da patroa. Bella encarou Alice e Sue com um olhar firme e severo. Pelo menos elas tiveram o bom senso de não comentar.
– Mãe do céu – exclamou Alice –, parece que foi pior do que pensamos.
Bella franziu os olhos para a irmã, revelando muita coisa, antes de dar meia-volta e retornar à biblioteca para começar o longo processo de catalogar os livros agora totalmente fora de ordem. De seu lugar, Bella percebeu que Alice e Sue a haviam seguido para dentro do aposento. A criada ficou resolutamente perto da porta fechada, enquanto Alice se empoleirava com cautela no braço de uma cadeira.
Elas a observaram com cuidado, permanecendo caladas por um bom tempo, enquanto Bella pegava títulos de pilhas próximas. Alice por fim quebrou o silêncio, perguntando:
– Em que letra você está?
Bella ergueu os olhos para a irmã em meio às pilhas altas e respondeu:
– A.
Allie inclinou-se para a frente a fim de avaliar uma pilha aos seus pés. Retirando habilmente um exemplar, deu um sorriso satisfeito e falou:
– Alighieri, Inferno.
Bella voltou para suas pilhas.
– Isso é Dante. Devia estar guardado no D.
– É mesmo? – Alice franziu o nariz para o livro em sua mão. – Estranho. O sobrenome dele começa com A.
– O sobrenome de Michelangelo começa com B e ainda o arquivamos no M.
– Hum – ponderou Alice, fingindo interesse na conversa. – Devem ser os italianos. – Ela fez uma breve pausa, enquanto a criada batia na porta e entrava com um espanador para Bella. Depois que ela saiu, Allie continuou, distraída: – Será que Rosalie seria arquivada no R ou no F?
As costas de Bella enrijeceram brevemente à menção da irmã de Edward, antes de ela voltar a espanar.
– Não faço ideia. Provavelmente R.
Sue se intrometeu:
– É uma pena que não seja oficialmente Masen. Sempre gostei do M.
Alice assentiu.
– Concordo plenamente.
Bella virou a cabeça abruptamente para fitar a irmã.
– Aonde está querendo chegar?
– O que aconteceu ontem à noite?
Bella voltou a atenção para a prateleira que estava arrumando.
– Nada.
– De verdade?
– De verdade.
– Então por que está reorganizando a biblioteca? – indagou Alice.
Bella deu de ombros de leve.
– Por que não? Não tenho mais nada para fazer hoje.
– Nada melhor a fazer do que reorganizar a biblioteca?
Bella imaginou se seria muito difícil estrangular a irmã.
– Uma coisa que só faz quando está em busca de distração? – acrescentou Sue.
E sua aia?
Alice se levantou e apoiou-se na estante em que Bella estava trabalhando.
– Você prometeu que ia me contar tudo.
Bella deu de ombros novamente.
– Não há nada para contar.
As palavras foram pontuadas por uma batida à porta. Todas as três mulheres voltaram a atenção para o mordomo, que fazia uma tentativa valente de ignorar a bagunça que havia tomado a biblioteca, em geral impecavelmente organizada. Ele entrou, fechando a porta com firmeza atrás de si, como se tentasse protegê-las do corredor.
– Milady, lorde Cullen está aqui. Está pedindo para vê-la.
Alice e Sue trocaram um olhar espantado, antes de Alice se virar e olhar presunçosamente para Bella.
– Está?
Bella revirou os olhos para a irmã e se dirigiu ao mordomo.
– Obrigada, Davis. Pode dizer ao marquês que não estou. Se ele quiser, pode voltar mais tarde, para ver se vou poder recebê-lo.
– Claro, milady.
O mordomo fez uma pequena reverência e saiu da sala.
Bella fechou os olhos e respirou profunda e tremulamente, tentando se acalmar. Quando os abriu de novo, Alice e Sue estavam de pé lado a lado, observando-a com atenção. Sue falou:
– Nada para contar, é?
– Nada. – Bella forçou sua voz a permanecer firme.
– Você é uma péssima mentirosa – comentou Alice, casualmente. – Só podemos esperar que Davis seja ligeiramente melhor do que você.
Enquanto as palavras pairavam no ar entre elas, a porta se abriu mais uma vez, revelando o velho mordomo.
– Miladies. – Ele fez uma reverência.
– Ele já foi? – perguntou Bella.
– Hum. Não, milady. Disse que vai esperá-la voltar.
O queixo de Alice caiu ligeiramente diante das palavras.
– É mesmo?
Davis assentiu.
– Sem dúvida, milady.
Allie sorriu alegremente para Bella.
– Bem, isso parece estar se transformando em uma espécie de aventura.
– Ah, cale a boca. – Bella virou-se para o mordomo. – Davis, você deve deixar claro que não vou receber visitas. É cedo demais para visitas.
– Já fiz essa observação, milady. Infelizmente, o marquês parece ser um tanto... persistente.
Bella praguejou baixinho, frustrada.
– É. Ele tem essa inclinação. Você vai ter que insistir.
– Milady... – disse o mordomo.
Bella perdeu a paciência:
– Davis. Você é considerado um dos melhores mordomos de Londres.
Davis envaideceu-se. Bem, tanto quanto um mordomo podia fazê-lo e manter um nível adequado de circunspecção.
– Da Inglaterra, milady.
– É. Bem. Acha que poderia... agir como tal... esta manhã?
Sue prendeu o riso diante do desânimo no rosto do colega.
Alice voltou os olhos gentis para o mordomo e acrescentou:
– Ela não quis insultá-lo, Davis.
Impassível, o homem respondeu com uma fungada:
– Sem dúvida que não.
Ele fez uma reverência, mais profunda do que qualquer uma que já tivesse feito para elas antes, e saiu mais uma vez.
Bella suspirou, voltando-se para sua tarefa, concentrando-se em uma das prateleiras.
– Vou ser punida por isso, não é?
– Sem dúvida. Vai ficar um mês comendo carne bem-passada demais – respondeu Sue, seu divertimento quase descontrolado.
Allie inspecionou uma pilha de livros antes de perguntar casualmente:
– Acha que lorde Cullen vai ser dissuadido?
– Eu não apostaria nisso.
O coração de Bella pulou dentro do peito diante das palavras secas, ditas de dentro do aposento. De um estalo, virou a cabeça na direção do som, mas as prateleiras em volta bloqueavam sua visão. No final do corredor onde estava, Bella podia ver sua aia paralisada no lugar, os olhos estatelados, voltando-se na direção da porta. No silêncio que se seguiu, Alice voltou-se para Bella. Ignorando o olhar suplicante da irmã, a mais jovem ofereceu um sorriso digno da Beldade Swan e comentou, docemente:
– Bella, parece que você tem uma visita.
Os olhos de Bella se estreitaram. Realmente não havia nada pior no mundo inteiro do que uma irmã. Ela observou enquanto Allie pulava de seu lugar e alisava as saias, virando-se de frente para a porta – e para o marquês de Cullen.
– Está um dia lindo – observou.
– Sem dúvida está, lady Alice – concordou Edward, sem transparecer nenhuma emoção. Bella bateu o pé de irritação. Ele tinha que ser tão calmo assim?
– Acho que vou passear no jardim – comentou Alice, descontraída.
– Parece uma ideia excelente.
– É. Também achei. Se me dá licença... Sue?
Bella observou enquanto a irmã fazia uma rápida reverência e deixava o aposento, seguida de perto pela traidora Sue. Bella, por sua vez, permaneceu exatamente onde estava, torcendo simplesmente para que Edward saísse. Um cavalheiro não a encurralaria em um espaço estreito entre estantes. E ele certamente havia se esforçado bastante na noite anterior para provar que era um cavalheiro.
O silêncio caiu no aposento e Bella continuou arrumando os livros, forçando-se a ignorar a presença de Edward. Adams, Ambrósio.
Ela percebeu os passos dele se aproximando, viu-o pelo canto do olho de pé no final da estante, observando-a. Aristóteles, Arnold.
Sim, ia simplesmente fingir que ele não estava ali. Como podia permanecer tão calado? Era o suficiente para testar a paciência de um santo. Agostinho.
Não aguentava mais. Sem desviar os olhos da prateleira em que alinhava as lombadas dos livros em uma fileira perfeita, disse, indelicada:
– Não é hora de receber visitas.
– Interessante – falou ele, lentamente. – Porque parece que me recebeu.
– Não. O senhor invadiu a minha biblioteca sem ser convidado.
– Ah, isto é uma biblioteca? – perguntou ele, com ironia. – Não tinha certeza, com todas as prateleiras sem livros.
Bella lhe lançou um olhar exasperado.
– Estou reorganizando.
– Sim, percebi.
– Motivo pelo qual não estou recebendo visitas.
Enfatizou as palavras, na esperança de que ele percebesse sua falta de educação e fosse embora.
– Acho que já passamos desse ponto, não?
Aparentemente, não se importava em ser mal-educado. Muito bem, então. Ela também não ia se importar.
– Quer alguma coisa, lorde Cullen? – perguntou, friamente.
Então virou-se para encará-lo. Um erro. O marquês estava perfeitamente arrumado, como sempre – o cabelo macio, a pele clara levemente dourada, a gravata impecável e as sobrancelhas arqueadas com apenas o suficiente de graça para fazê-la sentir como se tivesse nascido e se criado em um estábulo. Na mesma hora, tornou-se profundamente consciente de que estava usando seu vestido mais cinza, mais sem graça, e agora, sem dúvida, o mais sujo, e que no mínimo parecia estar necessitando com urgência tanto de um cochilo quanto de um banho.
Era um homem irritante. De verdade.
– Gostaria de continuar nossa conversa de ontem à noite.
Ela não respondeu, limitando-se a pegar vários livros do chão.
Ele a observou, imóvel, como se estivesse considerando com cuidado as próximas palavras. Bella esperou, colocando os livros lentamente na prateleira, desejando que ele não falasse nada. Torcendo para que apenas desistisse e fosse embora.
Edward se aproximou, encurralando-a no espaço parcamente iluminado.
– Bella, não posso pedir desculpas o suficiente.
As palavras saíram baixas e sinceras.
Ela fechou os olhos ao ouvi-las, deixando os dedos percorrerem a lombada de um exemplar. Viu as letras na capa, em folhas de ouro brilhantes, mas não conseguiu ler. Respirando fundo, fortaleceu-se contra a emoção que martelava seu corpo. Balançou a cabeça com força, recusando-se a encará-lo.
– Por favor, não peça desculpas – murmurou. – Não há necessidade.
– Claro que há. Meu comportamento foi repreensível. – Ele cortou o ar com a mão. – Mais importante, no entanto, é que eu corrija a situação imediatamente.
O objetivo dele era claro. Bella balançou a cabeça de novo.
– Não – disse, baixinho.
– Como disse?
A surpresa de Edward era óbvia.
Ela limpou a garganta, forçando a voz a sair mais forte desta vez.
– Não. Não há situação nenhuma e, portanto, nenhuma necessidade de que a corrija.
Ele deu uma risadinha incrédula.
– Não pode estar falando sério.
Bella aprumou os ombros e passou por ele, caminhando até a área iluminada e central da biblioteca. Limpando as mãos no vestido, fez uma cena para arrumar os livros de uma mesa próxima. Não viu os títulos, nem registrou os autores.
– Estou falando bastante sério, milorde. Qualquer infração que porventura acredite ter cometido, eu lhe asseguro, não fez nada disso.
Ele passou uma das mãos pelos cabelos, a irritação transparecendo em seu rosto.
– Bella, eu a desvirtuei. Completamente. E agora gostaria de consertar isso. Nós vamos nos casar.
Ela engoliu em seco, recusando-se a olhar para ele – sem confiar em si mesma para tal.
– Não, milorde. Não vamos. – Muito possivelmente, as palavras mais difíceis que já dissera em sua vida. – Não que não aprecie a oferta – acrescentou, educada.
Ele parecia perplexo.
– Por que não?
– Milorde?
– Por que não quer se casar comigo?
– Bem, para começar, o senhor não perguntou. Anunciou.
Ele olhou para o teto como se pedindo por paciência ou que um raio a partisse em dois.
– Está bem. Quer se casar comigo?
As palavras fizeram uma tristeza percorrer Bella. Forçado ou não, o marquês de Cullen pedindo sua mão definitivamente figurava entre os primeiros lugares de sua lista de momentos mais maravilhosos na vida. No topo da lista.
– Não. Mas muito obrigada por perguntar.
– De todas as idiotices... – Ele se controlou. – Quer que eu fique de joelhos, então?
– Não!
Bella achava que não suportaria vê-lo de joelhos, pedindo-a em casamento. Seria um truque cruel do universo.
– Qual é o maldito problema, Bella!?
O problema é que não me quer de verdade.
– Simplesmente não vejo nenhuma razão para nos casarmos.
– Nenhuma razão...! – repetiu ele, testando as palavras por si mesmo. – Aposto que posso citar uma ou duas razões muito boas.
Ela finalmente o encarou, abalada pela convicção em suas profundezas verdes.
– Certamente não tentou se casar com todas as mulheres que desvirtuou. Por que começar comigo?
Os olhos dele se arregalaram de choque diante das palavras ousadas. A emoção logo foi substituída pela irritação.
– Vamos resolver isso de uma vez por todas, Isabella Swan. A senhorita evidentemente acha que sou muito mais experiente do que sou. Ao contrário do que pode pensar, eu certamente pedi a mão de cada virgem solteira que deflorei. Todas as... uma, pelo amor de Deus!
Bella corou diante das palavras francas e desviou o olhar, mordendo o lábio inferior. O marquês estava obviamente chateado com a situação, e ela sentia muito por isso. Mas, na verdade, não tinha o direito de estar mais chateado do que ela. Bella havia passado uma noite gloriosa nos braços do único homem que já desejara e ele pedira sua mão prontamente – por causa de um recém-descoberto senso de dever –, com todo o romantismo de um bife. E ela devia desmaiar de gratidão para com o extremamente generoso marquês de Cullen? Não, obrigada. Viveria o restante de seus dias com a lembrança maravilhosa da noite anterior e ficaria feliz com isso.
Ela esperava.
– Seus atos honrosos estão devidamente anotados, milorde...
– Pelo amor de Deus, Bella, pare de me chamar de milorde. – A irritação permeava o tom dele, fazendo-a parar. – Percebe que já pode estar grávida?
Ao ouvir as palavras, uma das mãos de Bella foi imediatamente para a barriga. Ela reprimiu o anseio intenso que a atravessou diante da ideia de carregar o filho de Edward. Não havia pensado na possibilidade, mas o quão provável podia realmente ser?
– Duvido muito que seja o caso.
– Mesmo assim, há uma possibilidade. Não vou admitir que um filho meu nasça bastardo.
Os olhos de Bella faiscaram.
– Nem eu, Cullen. Mas esta conversa é um tanto prematura, não acha? Afinal de contas, o risco de algo assim é mínimo.
– Qualquer risco é mais do que devemos correr. Quero que se case comigo. Vou lhe dar tudo o que quiser.
Nunca vai me amar. Nunca poderia. Sou sem sal demais. Sem graça demais. Totalmente diferente do que merece. As palavras passaram pela mente dela, mas Bella permaneceu calada, apenas balançando a cabeça.
Ele suspirou, frustrado.
– Se não vai ouvir a razão, não tenho escolha a não ser ter esta conversa com Emmett.
Bella arfou.
– O senhor não faria isso!
– Evidentemente me tomou por outro homem. Vamos nos casar e não vou me furtar a fazer seu irmão forçá-la a entrar na igreja.
– Emmett nunca me forçaria a casar com o senhor – protestou Bella.
– Parece que vamos descobrir a verdade desta declaração. – Eles ficaram parados, de costas um para o outro, os olhos faiscando de frustração por vários minutos, antes de o tom dele se abrandar e Edward perguntar baixinho, como se tivesse medo da resposta: – Seria tão ruim assim, casar-se comigo?
Emoções cruas explodiram no peito de Bella e ela não conseguiu responder de imediato. Claro que se casar com Edward não seria ruim. Seria maravilhoso. Fora apaixonada por ele durante anos, observara-o desejosamente dos cantos dos salões de baile, varrera as colunas de fofocas atrás de notícias do marquês e de suas escapadas. Por uma década, quando as decanas da alta-roda especulavam a respeito da futura marquesa de Cullen, Bella havia secretamente se imaginado recebendo a corte ao lado do cobiçado nobre.
Mas em todos aqueles anos, imaginara um caso de amor. Havia sonhado que um dia ele a veria do outro lado de um salão de baile cheio ou dentro de uma loja na Bond Street ou em um jantar, e se apaixonaria perdidamente. Imaginara-os vivendo felizes para sempre.
Casamentos nascidos de arrependimentos e erros não davam finais felizes adequados.
Na idade e posição social dela, Bella sabia que sua melhor chance de se casar e ter uma família era aceitar um casamento sem amor, mas concordar em fazer isso com Edward era mais do que podia suportar. Desejara-o por tempo de mais para aceitar menos que amor. Recompondo-se, respondeu:
– Claro que não seria ruim. Tenho certeza de que daria um ótimo marido. Só não estou procurando um.
– Desculpe-me se não acredito nisso – escarneceu ele. – Todas as mulheres solteiras de Londres estão procurando um marido. – Ele fez uma pausa, avaliando a situação. – Sou eu?
– Não. – Na verdade, você é perfeito. Ele ia pressioná-la até que lhe desse um motivo. Deu de ombros de leve. – Só não acredito que combinaríamos.
Ele lhe lançou um olhar inexpressivo.
– Não acha que combinaríamos...
– Não. – Bella o fitou nos olhos. – Não acho.
– Por quê?
– Bem, não sou exatamente seu espécime preferido de feminilidade.
Edward ficou em silêncio diante da resposta, olhando para o teto como se pedisse paciência novamente.
– E qual é o meu espécime preferido de feminilidade, milady?
Bella deixou escapar um suspirozinho frustrado. Ele tinha mesmo que pressioná-la o tempo todo?
– Vai mesmo me obrigar a dizer?
– Vou, Bella. Porque, de verdade, não entendo.
Ela o odiou naquele momento. Odiou quase tanto quanto o adorava. Fez um gesto irritado.
– Linda. Sofisticada. Experiente. Não sou nenhuma dessas coisas. Sou o oposto do senhor e das mulheres de quem se cercou. Prefiro ler um livro do que ir a bailes, desprezo a sociedade e tenho tão pouca experiência no departamento do romance que tive que ir à sua casa no meio da noite para conseguir meu primeiro beijo. A última coisa que quero é um casamento com alguém que vai se arrepender do arranjo assim que fizermos nossos votos. – As palavras saíram rápidas e furiosas. Estava zangada por ele tê-la pressionado a revelar suas inseguranças e pontuou sua diatribe resmungando: – Muito obrigada por me forçar a dizer isso tudo.
Ele piscou diante dela, calado, absorvendo as palavras. Então falou, simplesmente:
– Eu não vou me arrepender.
As palavras foram a ruína dela. Estava farta. Farta da gentileza e da paixão dele. Farta da maneira como fazia sua mente, seu coração e seu corpo se sentirem. Farta de se castigar com momentos a sós com ele. Farta de se ser convencida pelos acontecimentos das últimas semanas de que podia, afinal de contas, ter uma chance com o marquês de Cullen.
– É mesmo? Do mesmo jeito que não se arrependeu de seus atos em seu gabinete? Do mesmo jeito que não se arrepende dos acontecimentos de ontem à noite? – Ela balançou a cabeça, triste. – O senhor foi tão rápido em pedir desculpas após cada um desses momentos, lorde Cullen, que é bastante óbvio que um casamento comigo seria a última coisa que escolheria livremente.
– Não é verdade.
Ela o encarou, os olhos cheios de emoção.
– Claro que é verdade. E, francamente, não vou fazê-lo passar a vida se arrependendo por estar amarrado a alguém tão... sem graça e sentimental... quanto eu. - Ela ignorou o ligeiro retraimento dele diante da descrição, as mesmas palavras que havia usado naquela tarde em seu gabinete. – Eu não poderia suportar. Então, muito obrigada, mas não vou me casar com o senhor.
Eu o amei por muito tempo. E demais.
– Bella, eu nunca deveria ter dito...
Ela ergueu as duas mãos para interromper seu discurso.
– Pare. Por favor.
Edward a fitou por um longo momento, e Bella podia ouvir a frustração em suas palavras. Por fim, ele declarou, a voz firme e inflexível:
– Isto não acabou.
Ela sustentou seu olhar verde resoluto e afirmou:
– Acabou, sim.
Ele deu meia-volta e saiu como um furacão da biblioteca.
Ela o observou partir, ouvindo a porta principal da Casa Swan bater, antes de permitir que as lágrimas viessem.
Dois cabeças duras. O resultado? Isso aí em cima :)
Mila: Pois é, querida, ela está tão acostumada a desacreditar em seu valor, que todo gesto do Edward ela interpreta como se fosse interesse/senso de dever/compromisso e tal, nunca porque ele realmente quer algo com ela. Coitada. Oba, estou perdoada!
Duda Makalister: Foi, como a Bella disse: "tão romântico quanto um bife"hahaha. São 24 capítulos + o Epílogo, então entraremos em reta final no próximo *chora*. Quanto a aceitar e ficar grávida, só o tempo dirá rsrsrs Beijos.
BbCullen: Sim, ele e eu sabemos que você aceitaria kkkk Só a Bella pra rejeitar, né? Ele não quer corrigir a situação, Deus sabe que ele repetiria isso infinitamente (hahaha), mas ele quer dar o que ele ACHA que ela merece (mesmo depois de todo o discurso dela sobre acharem errado as coisas que ela precisa/quer/merece).
kjessica: Tipo, mesmo depois do discurso dela, reclamando sobre acharem errado as coisas que ela precisa ou merece, ele vai e me solta isso. ACHANDO que é o que ela espera, o que merece... Vai entender esses homens kkkk.
Thekelly-chan: É de tirar o fôlego, né? kkkkk Me senti assim também. Quanto à penar, vem umas situações ai pela frente que dá até um pouquinho de dó, rsrsrs.
CarlinhaMoura: Por ele, ele repetia e repetia e repetia. Mas ele se importa com ela (mesmo não admitindo), e acha que está fazendo o certo. Dá um desconto kkkkk.
Nanny: Se ela corre, ele vai atrás *suspira*. Ele realmente não entende nada sobre sentimentos...
Ktia S.: Pois é, eu entendo que dê raiva do jeito como ele anunciou, mas por outro lado também entendo que ele tentou agradar ela de alguma forma e... Sim, ele fez a maior bagunça que poderia ter feito, rsrsrs.
mari A: Esses homens, não? Vou te contar, só dão "uma" dentro hahahahahaha.
Hasta la vista, muchachas :D
