Personagens de Stephenie Meyer. História de Sarah MacLean.


CAPÍTULO VINTE

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"Foi o único homem que amei, mas ele não podia me amar de volta."

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Edward foi direto para o Brook's, o que foi um erro. Como se não bastasse recusar seu pedido e, no processo, tê-lo feito se sentir um tremendo imbecil, Bella também arruinara seu clube. Completamente.

No período de doze horas, aquele lugar que fora planejado especificamente para que os homens encontrassem conforto e alívio longe das dificuldades do mundo exterior se tornara um lembrete em mogno e mármore de Isabella Swan. Parado no grande vestíbulo, mergulhado no zumbido de conversas masculinas, Edward só conseguia pensar nela: Bella, vestida com roupas de homem, escondendo-se pelos corredores escuros do clube; Bella espiando por portas entreabertas para absorver a ambiência de seu primeiro – e, esperava-se, único – clube masculino; Bella, sorrindo para ele em sua mesa particular de carteado; Bella, nua, o calor de sua paixão lançando um brilho rosado em sua adorável pele macia.

Pensando no longo caminho escuro que ele e Bella haviam percorrido na noite anterior, Edward foi tomado por um desejo perverso de voltar à sala de carteado onde haviam passado a noite. Por um momento fugaz, pensou em pedir que um bule de café fosse levado à sala, onde poderia se torturar com lembranças da noite e as muitas maneiras como dissera e fizera a coisa errada.

No entanto, imediatamente mudou de ideia, no interesse de preservar a própria sanidade.

Na verdade, estava chocado com a recusa ao seu pedido. Afinal de contas, não era todo dia que um marquês atraente, jovem e rico fazia uma proposta de casamento. Imaginava que fossem mais raros ainda os dias em que esses marqueses eram rejeitados. Por quanto tempo evitara as mães alcoviteiras e as debutantes desesperadas, todas tentando assegurar a posição de marquesa de Cullen? E agora, quando finalmente disponibilizara a posição, a mulher a quem a havia oferecido a recusara.

Se Bella achava que podia simplesmente rejeitá-lo e ir embora depois da noite passada, estava completamente enganada.

Frustrado, tirou o sobretudo e o jogou para um lacaio por perto, mas não sem reconhecer o cheiro dela no tecido – uma combinação de amêndoas, lavanda e... Bella. O pensamento fez com que fechasse a cara e ele não pôde evitar sentir um pouquinho de prazer com a forma como o lacaio se afastou para evitar ser o alvo de seu mau humor.

A emoção foi fugaz, substituída por um novo arroubo de indignação. O que diabo há de errado com ela?

Não podia crer que o dispensara. Não era possível que acreditasse de verdade que não fossem compatíveis. Podia ter sido virgem até bem pouco tempo, mas mesmo ela deveria ter percebido que a interação deles na noite anterior – e em todas as outras, diga-se de passagem – estava longe de ser típica. Certamente o casamento deles não sofreria no quarto. E se a paixão não fosse suficiente, havia também sua inteligência, o humor e a maturidade equivalentes. Além de tudo isso, era bem adorável. Macia em todos os lugares certos. Edward deixou seus pensamentos vagarem... um homem poderia passar anos perdido em suas curvas.

Sim, lady Isabella Swan daria uma bela marquesa... Se pelo menos percebesse isso por si mesma.

Ele passou a mão pelo cabelo. Quando se casassem, ela teria título, riqueza, terras e um dos solteiros mais cobiçados de toda a Inglaterra. Que mais a mulher queria?

Um caso de amor.

O pensamento o fez refletir. Bella havia confessado sua crença em casamentos por amor há séculos, e ele escarnecera dela, mostrando-lhe que a atração era tão poderosa quanto o amor no qual botava tanta fé. Ela não podia tê-lo rejeitado porque estava se guardando para o amor. Ele balançou a cabeça, frustrado com a ideia de que ela arriscaria sua reputação e seu futuro rejeitando o pedido dele por uma fantasia infantil de que se recusava a abrir mão.

A ideia em si era absurda. Já estava cheio de pensar naquilo.

Caminhou até a grande antessala ao lado do vestíbulo, onde sempre se era possível encontrar uma distração. Entrou, em busca de um debate político que o mantivesse ocupado, apenas para descobrir a sala praticamente vazia, à exceção de um joguinho de cartas. Sentado à mesa estava Jacob Black, de Oxford, junto com outros dois homens. Estavam desgrenhados o suficiente para que Edward soubesse que o trio provavelmente estivera à mesa a noite inteira.

Enojado com a visão dos hábitos irresponsáveis de Oxford em relação ao jogo e sem nenhum interesse em ser incluído em uma conversa com o grupo, Edward virou-se para sair tão rápida e silenciosamente quanto havia entrado. Antes que pudesse, no entanto, foi descoberto.

– Cullen, meu velho. Venha e jogue uma partida conosco – chamou Oxford, jovialmente.

Edward ficou em silêncio, imaginando uma forma de ignorar o convite, quando o barão acrescentou:

– Agora é a hora de me vencer, Cullen, pois em breve seus bolsos vão estar consideravelmente mais vazios.

As palavras, carregadas de significado e seguidas de uma rodada de risos, fizeram Edward se virar para encarar Jacob.

O marquês se aproximou da mesa, uma expressão grave no rosto. Pelas faces coradas e os olhos fundos, ficou claro que Oxford estava extremamente bêbado. Edward falou inexpressivamente, apontando para as pilhas de ganhos que descansavam na frente dos companheiros do barão:

– Parece que os meus bolsos não correm o risco de ficarem vazios hoje, Oxford.

O barão fechou a cara, antes de se lembrar por que chamara o marquês, para começo de conversa.

– É, bem, terei dinheiro suficiente para perder em breve... – E fez uma pausa, engolindo um momento de indigestão. – Sabe, pretendo ficar noivo antes do fim da semana.

Ignorando a premonição avassaladora que o percorreu, Edward tentou parecer casual quando perguntou:

– De quem?

Oxford apontou um dedo longo e pálido para Edward e cantarolou, triunfante:

– De Isabella Swan, claro! É melhor contar aquelas... – disse, ajeitando o corpo na cadeira – ...mil libras.

As palavras provocaram uma onda de calor no marquês, que foi logo seguida de um sério desejo de enfiar o punho no rosto presunçoso de Oxford. Foi apenas por pura força de caráter que Edward permaneceu calmo e desafiou:

– Acha que a conquistou, é?

Oxford abriu um sorriso cheio de dentes que o fez parecer um estúpido.

– Ah, eu a conquistei. Ela era argila nas minhas mãos, ontem, na Academia Real.

E piscou descontraidamente para os amigos.

Edward enrijeceu ao ouvir as palavras – uma mentira tão descarada. Seus punhos se cerraram ao lado do corpo e uma onda de energia pulsou através dele, desesperada para ser liberada, preferivelmente trucidando Black. O barão, que não sentiu a tensão nos músculos retesados do marquês, simplesmente continuou:

– Vou visitá-la amanhã e tirar essa questão do pedido da frente. Depois, é só desvirtuar a garota até o final da semana, para garantir que Swan não tenha opção a não ser me receber na família... Apesar de que ele provavelmente vai me agradecer por ficar com a velha irmã encalhada com um acordo substancial de casamento.

A ideia de Jacob encostando um dedo em Bella fez Edward perder a cabeça. Em apenas alguns segundos, havia erguido o barão da cadeira como se não pesasse mais do que uma criança. O movimento sobressaltou os amigos de Oxford, que voaram para trás, atropelando-se para se distanciar de uma briga com Edward.

Enquanto Oxford balançava das mãos dele, o marquês podia sentir o cheiro do medo no homem, e a covardia alimentou seu nojo. Quando falou, as palavras foram um rosnado:

– Lady Isabella Swan é mil vezes melhor do que você. Você não merece respirar o mesmo ar que ela.

Soltando Oxford, Edward sentiu um profundo senso de satisfação masculina com a queda imediata e deselegante do outro homem na cadeira. Com um olhar arrogante que rivalizava com o de qualquer rei, acrescentou:

– Apostei mil libras que ela não irá aceitá-lo e me mantenho firme. Na verdade, estou tão certo disso que... dobro a aposta aqui e agora.

Edward observou, percebendo o ligeiro tremor nas mãos do barão, enquanto Oxford ajeitava as mangas de seu sobretudo e dizia:

– Depois do seu comportamento grosseiro, Cullen, vou gostar ainda mais de esvaziar seus cofres.

O marquês deu meia-volta e saiu da sala sem mais uma palavra, dizendo para si mesmo que seu comportamento fora em defesa de uma dama com quem tinha uma grande dívida. Era mais fácil se convencer desse raciocínio do que considerar os sentimentos que ainda se turvavam diante da ideia de Bella se tornar uma baronesa.

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Bella empurrou a porta da loja de madame Hebert, na Bond Street, naquela tarde, ansiosa para acabar o que certamente seria outra parte excruciante de seu dia. Depois que Edward saíra como um furacão da casa, havia chorado por vários minutos antes de ser informada de que a costureira tinha terminado o vestido que ela encomendara, assim como várias peças do novo guarda-roupa de Rosalie.

Tomando o recado como um sinal de que não podia passar o dia se lamentando, Bella havia se preparado para uma tarde na costureira, uma saída que era só um pouco mais atraente do que um funeral. Mesmo assim, estava precisando com urgência de uma distração, e a modista francesa sem dúvida forneceria exatamente isso.

Havia convencido Alice a acompanhá-la durante a tarde, e a irmã saíra da Casa Swan antes de Bella para buscar Rosalie, que passaria a maior parte da tarde em provas para seus próprios vestidos. Bella normalmente teria se juntado às duas, mas simplesmente não conseguia suportar a ideia de encontrar Edward de novo hoje – por mais improvável que fosse esse acontecimento – e, portanto, aqui estava ela, de pé no salão da costureira, esperando que alguém percebesse sua presença.

A loja fervilhava. Madame Hebert não estava em nenhum lugar à vista, mas suas assistentes corriam de um lado para outro da cortina que cobria a entrada para a sala de provas, os braços carregados de peças de tecido, botões, rendas e viés. Havia mais três mulheres na parte da frente da loja, avaliando os vestidos em exibição, admirando a maestria das mãos da costureira.

– Ah! Lady Isabella! – As palavras, baixas e ansiosas, foram ditas com o sotaque francês pesado de Valerie, a aprendiz de confiança de madame Hebert, que veio dos fundos da loja e fez uma reverência rápida na direção de Bella. – Madame Hebert pede desculpas pela espera. Está terminando de atender outra senhorita, mas liberamos os compromissos dela para a tarde, e ela irá recebê-la... – acenou com a mão pelo ar, procurando a expressão correta – tout de suite... imediatamente. Sim?

– Sim, é claro. Não me incomodo em esperar.

– Valerie! – A voz de madame Hebert ressoou atrás da cortina, segundos antes de a francesa enfiar a cabeça no salão principal. – Traga lady Isabella para cá. Vou começar com ela imediatamente. – A costureira chamou Bella com um sorriso. Quando ela e Valerie estavam mais perto da cortina, madame Hebert acrescentou em voz baixa para a assistente: – Você pode terminar com a Srta. Denali.

Bella ficou paralisada no meio do caminho, logo antes de entrar na sala de provas. Tinha escutado direito? Seria possível que a ex-amante de Edward estivesse na sala ao lado? É claro que estava. Era o acréscimo perfeito para o dia desastroso. Endireitou os ombros, preparando-se para entrar no aposento.

Tanya Denali não tinha motivos para conhecer Bella, portanto iria simplesmente fingir não reconhecer a cantora de ópera.

Empurrando a cortina, Bella descobriu que tal tarefa era muito mais fácil de planejar do que realizar. Tanya estava de pé em uma plataforma elevada no centro da sala de provas, as costas voltadas para o vão da porta, imponente. Bella admirou a silhueta de violão da prima-dona, os quadris alargando-se em combinação perfeita com seios que mulheres no mundo inteiro cobiçariam. Tanya virou-se de um lado para outro, lançando um olhar crítico para sua imagem em um espelho enorme, absorvendo os detalhes do deslumbrante vestido de seda escarlate que estava usando. A roupa ajustava-se lindamente ao corpo longo e voluptuoso, o corpete fechado atrás com uma fileira de fitinhas elegantes, cada uma amarrada em um laço perfeito e minúsculo.

Bella engoliu em seco, sentindo-se imediatamente pálida e sem graça, desejando ter escolhido outro dia para buscar seu vestido. Percebendo que estava boquiaberta ante a visão da outra, tentou se controlar e virou-se para seguir madame Hebert. Passando por trás de Tanya, não pôde deixar de dar uma espiada no reflexo da cantora e se admirar com a beleza da mulher. Ela e Edward deviam ter formado um casal deslumbrante. Tanya era esplêndida – ostentava o tipo de beleza que mulheres como Bella só podiam sonhar em ter, principalmente porque sua pele de porcelana, as tranças negras brilhantes e a boca adorável em forma de arco eram apenas parte de seus atrativos. Mais do que qualquer característica física, a óbvia segurança e o autocontrole da meio-soprano faziam toda a diferença. Ela dominava o aposento como dominava o palco – inteira e completamente.

Era magnífica.

E, observando seu reflexo, Bella invejou cada pedacinho da mulher – da postura perfeita aos fascinantes olhos violeta, que pousaram nos de Bella pelo espelho.

Pega no flagra, Bella corou e desviou o olhar na hora, correndo para alcançar madame Hebert. Seguiu a francesa para trás de um biombo alto em um lado da sala e parou abruptamente quando viu o manequim da costureira no canto, trajando o que era, muito possivelmente, o vestido mais singelo que já vira.

Madame Hebert lançou-lhe um sorrisinho cúmplice.

– Gostou?

– Ah, sim...

Os dedos de Bella coçaram para tocar o tecido, para acariciar a cascata de seda que era mais linda do que se lembrava.

– Excelente. Acho que está na hora de ver como fica... na senhorita. Concorda?

A costureira virou Bella e começou a trabalhar nos botões de seu vestido diurno. Apontando para a pilha de roupas de baixo que fora colocada ao lado do vestido, falou:

– Vamos começar com a lingerie.

Bella imediatamente balançou a cabeça.

– Ah, não posso... Tenho bastante roupa de baixo... Não preciso de novas.

O vestido afrouxou em suas mãos, enquanto madame Hebert falava:

– Eu lhe garanto, precisa sim. – Ela ajudou Bella a tirar o espartilho e a combinação, dizendo: – As mulheres mais confiantes são as que acreditam em cada pedaço de pano que vestem. São as que ficam tão felizes com suas roupas de baixo quanto com seus vestidos. Dá para notar a diferença entre uma mulher que se cobre de lindas sedas e cetins e a que usa... – a modista fez uma pausa enquanto deixava a combinação gasta da cliente cair no chão –... outras coisas.

Bella entrou nas lindas roupas de baixo novas, adornadas com pequenos detalhes – fitas de cetim, florezinhas feitas à mão em cores adoráveis, tiras de renda que acrescentavam um toque de feminilidade que nunca considerara necessário em roupas íntimas. Conforme as camadas eram postas sobre ela, sentiu-se bastante tola por gostar da sensação das sedas e dos cetins lindos contra a pele, mas madame Hebert estava certa. Havia algo um tanto voluptuoso em usar roupas de baixo tão frivolamente lindas – sobretudo quando Sue era a única pessoa que as veria.

Como se pudesse ler seus pensamentos, a costureira se aproximou e sussurrou:

– E não vamos esquecer: nunca se sabe quem um dia poderá desembrulhar um presente como este, oui?

Ao ouvir as palavras, seguidas pela risada experiente da francesa, Bella corou violentamente. E então estava em seu vestido, que parecia servir-lhe à perfeição. Madame Hebert parecia muito feliz enquanto andava devagar em círculo em volta de Bella, notando cada mínimo detalhe do vestido. Satisfeita, fitou os olhos arregalados da moça e ordenou:

– Agora vá para a sala de provas, para olharmos melhor.

Seguindo a modista de volta para a sala principal, Bella percebeu que Tanya ainda estava em sua plataforma, enquanto Valerie trabalhava na bainha do vestido vermelho. Afastando a imediata sensação de insegurança que a consumia, Bella tomou seu lugar na segunda plataforma vazia no aposento. Madame Hebert a virou gentilmente na direção de um grande espelho e os olhos de Bella se arregalaram de surpresa quando percebeu que era a mulher no reflexo. Balançou a cabeça. Nunca se vira desta forma – completamente transformada de recatada e sem graça em... bem, bastante notável.

Seus seios eram perfeitamente destacados pelo decote baixo do vestido, voluptuosos e cheios, sem ficarem vulgares; o caimento da seda em sua cintura curvilínea, nos quadris e na barriga a fazia parecer proporcional, e não rechonchuda; e a cor, o azul mais lindo e cintilante que já vira, dava à sua pele, em geral avermelhada demais, a aparência de morangos com creme.

Um sorriso se abriu em seu rosto. Madame Hebert tinha razão. Aquele era um vestido feito para valsar. Bella não se conteve e virou-se entusiasmada na direção da costureira.

– Ah, é lindo, madame.

O sorriso da modista se igualava ao de Bella.

– Sem dúvida. É mesmo. – Ela inclinou a cabeça, olhando criticamente para o reflexo de Bella e falou: – Precisa ser levantado um pouquinho na saia. Com licença, vou chamar uma assistente para me ajudar a marcar.

A francesa desapareceu por uma porta próxima e Bella olhou de volta para seu reflexo, prestando atenção no caimento do tecido, no corte adorável – tão diferente de qualquer coisa que houvesse nos salões de baile de Londres atualmente, tão adequado para sua silhueta fora de moda.

– Hebert é um gênio, não é?

A atenção de Bella voou para os espelhos, onde encontrou um par de olhos violeta penetrantes, refletido em dobro. Com um sorrisinho educado, concordou, em voz baixa:

– Com certeza, é.

Os olhos da cantora se dirigiram para o reflexo de Valerie, e ela ficou observando, enquanto a assistente marcava sua bainha, antes de acrescentar casualmente:

– Lorde Cullen sempre gostou do trabalho dela.

Ao ouvir as palavras, Bella desviou o olhar, insegura. Nunca conversara com a amante de alguém antes. Certamente não com a amante do homem que amava.

Tanya continuou, soando entediada:

– Não precisa se esquivar de mim, lady Isabella. Não somos meninas que acabaram de sair da escola. Somos mulheres, não? Sei que ele está com a senhorita agora. É assim que o mundo funciona, minha querida.

Bella balançou a cabeça, o queixo caindo em choque.

– Ele... não está comigo.

A meio-soprano ergueu uma sobrancelha perfeitamente esculpida.

– Vai realmente me dizer que lorde Cullen não a seduziu?

Bella corou, desviando o olhar de novo, e Tanya riu. O som não era cruel, como Bella teria esperado, mas divertido.

– Não esperava que ele o fizesse, não é? Mas aposto que gostou de cada minuto. Lorde Cullen é uma espécie rara de homem... um que se preocupa mais com as amantes do que consigo mesmo. – As bochechas de Bella pegaram fogo, enquanto a grega continuava, franca: – Já tive muitos amantes... e só um outro que era tão generoso quanto ele. Tem sorte por ele ter sido o seu primeiro.

Bella pensou que poderia morrer de vergonha naquele exato momento. Bem ali.

– Posso lhe dar um conselho?

A cabeça de Bella se levantou de um estalo e ela observou a beleza de cabelos negros no espelho. Tanya não estava mais olhando para ela. Em vez disso, mirava por uma grande janela através da qual o sol da tarde se derramava na sala de provas. Após um longo instante de silêncio, a curiosidade de Bella venceu.

– Por favor.

Tanya continuou, as palavras vindo de longe:

– Conheci o primeiro desses homens aos 18 anos. Dimitri era generoso e gentil, um amante notável... tudo com que eu havia sonhado... tudo pelo que não sabia que ansiava. Era inevitável que me apaixonasse por ele. E foi um amor que ultrapassou qualquer coisa que já tivesse conhecido... qualquer coisa que já tivesse ouvido, mítico em suas proporções. Foi o único homem que amei. – Ela fez uma pausa, a tristeza passando por seu rosto tão depressa que Bella não tinha certeza de que estivera mesmo lá. – Mas ele não podia me amar de volta. A capacidade para esse tipo de sentimento... não existia nele. E então, em vez disso, partiu meu coração.

Diante da tristeza da história, lágrimas espontâneas brotaram nos olhos de Bella. Não conseguiu conter sua curiosidade:

– O que aconteceu?

Tanya deu de ombros de leve, com elegância.

– Fui embora da Grécia. E minha voz prevaleceu.

Valerie se levantou, tendo terminado a tarefa, e Tanya pareceu voltar de muito longe. Seus olhos se desanuviaram ao inspecionar o trabalho da moça no espelho.

– Lorde Cullen é o seu Dimitri. Cuide bem do seu coração.

Houve uma pausa enquanto cada uma das duas mulheres avaliava o próprio reflexo.

– Se pudesse voltar no tempo... o teria aceitado sem amor?

Bella se arrependeu assim que as palavras foram ditas.

Tanya pensou por um longo momento, seu rosto o retrato da tristeza. Quando seus olhos encontraram os de Bella no espelho, estavam marejados de emoção.

– Não – murmurou. – Eu o amava demais para ser unilateral.

Bella enxugou uma lágrima errante quando madame Hebert voltou, trazendo a aprendiz a reboque, alheia à conversa que havia acontecido. Tanya virou a cabeça para a costureira.

– O vestido de lady Isabella é lindo – disse. – Gostaria de um do mesmo tecido.

Madame Hebert respondeu secamente:

– Sinto muito, Srta. Denaly. Esse tecido não está mais disponível.

Tanya avaliou Bella abertamente, dos pés à cabeça.

– Bem, parece que está se habituando a possuir as coisas que desejo, lady Isabella. – E ofereceu um pequeno sorriso. – Que tenha mais sorte do que eu. Esse vestido certamente vai ajudar.

Bella abaixou a cabeça em reconhecimento às palavras de Tanya.

– Obrigada, Srta. Denali. E permita-me dizer que a considero um talento nato.

Tanya desceu da plataforma e se curvou em uma reverência profunda e graciosa, finalmente reconhecendo a posição social de Bella.

– É gentil demais, milady.

Dito isso, ela e Valerie saíram para um quarto de vestir anexo, onde Bella só podia imaginar que houvesse outras vestimentas para Tanya avaliar. Observou a outra mulher sair, surpresa e triste com os rumos da conversa. Voltando a atenção para a costureira curiosa, Bella lhe ofereceu um sorrisinho insípido. Sabia o que madame Hebert estava pensando. O que uma cantora de ópera e a irmã de um conde poderiam ter a dizer uma para a outra?

A modista, no entanto, comandava seu ateliê havia tempo de mais para se arriscar a insultar as clientes com perguntas sobre suas vidas pessoais, e seu tino para os negócios a forçou a voltar a atenção para a bainha de Bella. Madame Hebert ajustou o comprimento da saia, deu instruções para a jovem aprendiz e saiu da sala. A moça começou a marcar a bainha em silêncio e Bella repassou a conversa com Tanya na cabeça.

As palavras da cantora tinham sido poderosas; Bella as sentira como um soco. Sabia a verdade, claro, que Edward nunca seria capaz de amá-la do jeito que ela desejava, mas ouvir a história de Tanya – intuindo sua verdade – intensificara a tristeza que sentira mais cedo naquele dia.

Observou seu reflexo, turvo pelas lágrimas. Podia ser bonita como a mulher no espelho todos os dias, mas isso não faria Edward amá-la. E, talvez, se ele fosse qualquer outra pessoa – alguém que ela amasse menos ou não amasse nem um pouco –, tivesse aceitado o pedido de casamento. Mas havia sonhado em ser dele por tempo de mais. O marquês a tinha arruinado para um casamento de conveniência. Queria tudo dele: sua mente, seu corpo, seu nome e, acima de tudo, seu coração.

Talvez recusá-lo tivesse sido um erro. Talvez devesse ter aproveitado sem pestanejar a oportunidade de ser sua marquesa. A mãe de seus filhos. O coração de Bella ficou apertado quando ela imaginou criancinhas de cabelos cor de cobre derretido e olhos verdes agarrados às suas saias. Mas parecia que Tanya estava certa. A pior infelicidade viria não do fato de não o ter, mas de não o ter por inteiro.

Bella soltou um pequeno suspiro, afastando os pensamentos mórbidos por ora, enquanto descobria essa nova versão mais bonita de si mesma. A erupção de uma risada familiar veio da frente da loja e ela se forçou a sorrir conforme Rosalie e Alice passavam rapidamente pela cortina, parando abruptamente ao vê-la.

– Ah, Bella... – suspirou Alice, uma voz baixa e reverente. – Você está linda.

Ela abaixou a cabeça diante do elogio, tão incomum.

– Não.

Rosalie assentiu, animada.

– É verdade. Linda!

As bochechas de Bella ficaram vermelhas.

– Obrigada.

Allie andou em um círculo lento em volta da irmã.

– O vestido é deslumbrante, Bella... mas tem mais... tem alguma coisa... – Ela fitou os grandes olhos castanhos. – Você se sente linda, não é?

As palavras trouxeram um sorriso aos olhos de Bella.

– Na verdade, acho que sim.

Rosalie riu.

– Brava! Está na hora de se sentir linda, Bella.

Alice assentiu, encorajando-a, então Rosalie continuou:

– Achei a senhorita linda desde que a conheci, claro. Mas agora, com esse vestido... tem que usá-lo no baile. Dovete!

Ela se referia ao baile dos Salisburys, marcado para dali a três noites, quando Rosalie faria sua estreia na alta-roda. A moça bateu palmas, entusiasmada.

– Nós duas vamos debutar juntas! E com vestidos novos! Estou muito feliz! Apesar de não conseguir imaginar que qualquer um dos meus vá ser tão lindo quanto este!

Alice assentiu e Bella olhou de uma para a outra, confusa.

– Ah, não imagino que este vestido vá estar pronto para o baile. Ainda falta fazer a bainha, e estou certa de que madame Hebert tem clientes mais importantes do que eu.

– Se precisa dele para o baile, milady, a senhorita o terá para o baile.

As palavras vieram da modista, que havia entrado de novo no aposento para verificar o progresso da assistente.

– Vou fazer a bainha pessoalmente e mandar entregar na primeira hora, com uma condição. – Ela se aproximou de Bella e falou: – Tem que prometer que vai dançar todas as valsas.

Bella sorriu, balançando a cabeça.

– Temo que essa decisão não seja minha, madame.

– Bobagem – escarneceu a costureira. – Com este vestido, a senhorita vai deixar corações no seu rastro. Os homens vão correr atrás da senhorita.

Bella riu diante da imagem improvável que as palavras pintavam, só para descobrir que nenhuma das outras mulheres achava a ideia minimamente divertida. Sua risada morreu e Alice disse:

– Ah, se vão!

Rosalie deu um sorriso pensativo, inclinando a cabeça enquanto analisava Bella.

– Concordo. Mal posso esperar para ver a reação de Edward! A senhorita está deslumbrante!

Alice olhou para a amiga e falou, pragmática:

– Ah, imagino que lorde Cullen vá ficar hipnotizado.

Bella engasgou com a conversa ousada e inadequada, um rubor inundando suas bochechas. Os sentimentos dela por Edward eram tão óbvios assim? Será que Rose disse alguma coisa para o irmão?

Seu constrangimento foi ignorado: as duas continuaram a rir às soltas, enquanto madame Hebert, diligentemente, guiava Bella de volta para detrás do biombo. Depois que estava lá, Bella arriscou uma espiada para a costureira, e percebeu o sorriso cúmplice da francesa antes que ela perguntasse, baixinho:

– O marquês de Cullen está interessado na senhorita, é?

Bella negou a pergunta ousada com a cabeça, respondendo imediatamente:

– Não. Certamente não.

Com um murmúrio que deixou claro que ela compreendia, madame Hebert começou a desabotoar o vestido da cliente, permanecendo calada por tempo suficiente para que Bella achasse que a conversa havia acabado. Só depois que havia saído do mar de seda azul, a modista acrescentou, como se Bella não tivesse falado:

– Bem, se lorde Cullen é o seu alvo, assegure-se de usar a lingerie, milady. Ele vai gostar tanto quanto a senhorita.


kjessica: Também desisti, principalmente depois de todos os meus relacionamentos na real life kkkkk Depois as mulheres que são complicadas...

Mila: Sempre que eu puder fazer seu dia melhor, acredite, eu farei! :)

mari A: Obrigada kkkkk Então, essa semana foi tão corrida! Não foi nada fácil, de verdade. Mas, cá estou eu novamente! Ainda é quinta, mas vocês já tinham batido as 08 reviews ;)

ThammyCristina: Uia! Adoro essas leitoras novas que passam para deixar um Oi! Vocês me deixam super empolgada hahaha Continue aparecendo, flor!

DudaMakalister: Sim, ela vai dar um gelinho nele... Mas, sabe? Eu entendo um pouco que ela não queira que ele faça nada por impulso, ela ainda não acredita que ele possa sentir algo além de interesse em manter a honra dela. Vamos ver como vão se sair, rs.

Ktia S.: Pois é, mas tem que haver algum drama para que eles possam cair em si hahaha.

Thekelly-chan: Olha só você, então, querendo colocar lenha na fogueira para ver tudo em chamas kkkkk. Mas tudo bem, o Edward merece um gelo mesmo.

Nanny (Namny kkkkk): Sim, eu ri de você, me processe! Também queria, mas vai fazer bem para eles, no fim... Eu acho.

Jana Masen: Outra leitora nova à luz do dia! Eba! rsrs Na verdade, um bife é MAIS romântico que o Edward! hahahaha.

mari A: Te respondi ali em cima, hein? Apressadinha kkkkkkkk.

Desculpem a sumidinha dessa semana... O pequeno caiu, quebrou o dente (ah, mas eu chorei mais que ele kkkkk) e eu estou correndo atrás de médicos para outros exames (hora do check-up dos babys rs). Se atingirem as 08 reviews, juro que faço o impossível para aparecer no sábado!

Genteeeeeeee! RETA FINAL! São 24 capítulos + Prólogo pequenininho!

Estou em dúvida entre duas estórias (histórias? sempre me confundo!) para adaptar, então vamos fazer uma votação? Disquem 0800-76... Brincadeira rs Só digam o nome da que preferem ou o número correspondente, ok?

01.Entre o Amor e a Vingança (O Anjo Caído), de Sarah MacLean –Uma década atrás, o marquês de Cullen perdeu tudo o que possuía em uma mesa de jogo e foi expulso, sem nada além do título. Agora, sócio da mais exclusiva casa de jogos de Londres, o frio e cruel Cullen quer vingança e vai fazer o que for preciso para recuperar sua herança, mesmo que para isso tenha que se casar com a perfeita e respeitável, Lady Isabella Swan. Ela não o quer, mas... O que um canalha quer, um canalha consegue.

02. Salve-me (Lovett, Texas), de Rachel Gibson – A salvação de Isabella Swan e Edward Cullen depende de muitos fatores. Ambos estão perdidos, à procura das raízes e de uma identidade que a vida foi esfacelando, e são atormentados por uma atração sexual violenta que demora muito a se transformar em amor e compromisso. Bella não quer ir ao casamento da prima como a solteirona encalhada, então decide convidar Edward, pedindo que ele a salve dessa situação vergonhosa da mesma forma que ela o salvou de uma caminhonete emperrada. – E é claro que a união desses dois estranhos vai virar a sensação da pacata Lovett.

Então... Qual será a próxima, huh huh huh? Até breve!