Adaptação da obra literária de Sarah McLean. Personagens de Stephenie Meyer.
A votação continua! :) O Anjo Caído está na frente.
CAPÍTULO VINTE E DOIS
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"O amor não é unilateral e egoísta. O amor não destrói. O amor cria."
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Edward foi embora do baile na mesma hora. Deixando a carruagem para os irmãos, partiu a pé, andando na direção da Casa Cullen, a não mais de 400 metros de distância.
A vida inteira, tinha evitado precisamente aquele momento. Esquivara-se de relacionamentos com mulheres com quem tinha coisas de mais em comum; evitara mães casamenteiras a todo custo, por medo de que pudesse acabar gostando das moças que elas tentavam impingir para cima dele. Crescera em uma casa destruída por uma mulher, arruinada pelo amor não correspondido que consumira seu pai – que acabou morrendo de sofrimento –, arrasado por tempo de mais para lutar contra a febre à qual acabara sucumbindo.
E, agora, estava diante de Bella, a inexperiente, sincera, encantadora e inteligente Isabella, que parecia ser tudo o que a mãe dele não fora e, ainda assim, era tão perigosa quanto a antiga marquesa. Pois, quando olhara para ele com aqueles deslumbrantes olhos castanhos e professara seu amor, ele perdera a capacidade de pensar. E quando implorara que fosse embora, Edward soubera exatamente o que seu pai havia sentido quando sua mãe partira – a sensação de completa e absoluta impotência, como se visse uma parte sua ser roubada, mas não pudesse fazer nada para impedir.
Era uma sensação apavorante. E, se era amor, ele não queria nem chegar perto disso.
Estava chovendo, uma bruma londrina fina que parecia vir de todas as direções, lançando um brilho molhado por sobre a cidade escura e tornando seu guarda-chuva inútil. Edward estava cego para a chuva, os pensamentos turvados por uma visão de Bella, as lágrimas escorrendo por seu rosto, arrasada – e tudo por causa dele.
Para ser sincero consigo mesmo, teria de admitir que estava fadado a fazer uma bagunça com a situação desde o instante em que ela chegara ao vão da porta do seu quarto – com aqueles grandes olhos castanhos e os lábios carnudos tentadores –, pedindo que a beijasse. Se tivesse prestado mais atenção, teria percebido que ela iria provocar um belo de um caos em sua vida perfeitamente satisfatória.
Esta noite, ela lhe dera a oportunidade de se afastar – de voltar para aquela vida. De passar os dias em seu clube para cavalheiros, no clube esportivo, nas tabernas e esquecer que um dia se vira entrelaçado a uma solteira e aventureira que parecia não ter a menor consciência dos limites da sociedade.
Deveria ter acolhido de braços abertos a oportunidade de se livrar da mulher irritante.
Mas, agora, havia lembranças dela em todos aqueles lugares. E quando Edward avaliava sua vida antes da noite em que Bella invadira seu quarto, ela não parecia nem um pouco satisfatória. Parecia extremamente carente de riso, conversas e visitas inteiramente inapropriadas a tabernas e clubes com mulheres aventureiras. Faltavam-lhe os sorrisos largos, as curvas exuberantes e as listas malucas. Faltava Bella.
E a perspectiva de voltar para uma vida sem ela era no mínimo sombria.
Andou por várias horas, passando pela Casa Cullen inúmeras vezes enquanto vagava pela cidade escura, a mente a mil. Seu sobretudo estava totalmente encharcado quando finalmente ergueu os olhos, só para se ver diante da Casa Swan. O lugar estava escuro, a não ser por uma luz em um aposento em um andar inferior de frente para o jardim lateral, e Edward ficou parado por um longo instante avaliando o brilho dourado.
A decisão estava tomada.
Bateu à porta e, quando o velho mordomo, a quem ele aterrorizara anteriormente, a abriu, os olhos arregalados ao reconhecê-lo, Edward só tinha uma coisa a dizer:
– Estou aqui para ver seu patrão.
O mordomo pareceu intuir a importância do assunto, porque não discutiu sobre o tardar da hora ou especulou que talvez o conde de Swan não estivesse em casa. Em vez disso, indicou que esperasse e saiu arrastando os pés para anunciar a visita.
Em menos de um minuto, estava de volta, pegando o casaco e o chapéu ensopados de Edward e orientando-o a se dirigir para o gabinete do conde. O marquês entrou no aposento grande e bem iluminado e fechou a porta atrás de si, para encontrar Emmett recostado contra uma grande mesa de carvalho, os óculos na ponta do nariz, lendo um maço de papéis. Ele ergueu os olhos ao ouvir o barulho da fechadura.
– Cullen – cumprimentou.
Edward abaixou a cabeça.
– Obrigado por me receber.
Emmett deu um sorriso com covinhas, dando uma aparência infantil ao enorme homem, e largou os papéis em cima da mesa.
– Para falar a verdade, estava tendo uma noite um tanto entediante. É uma distração bem-vinda.
– Não tenho certeza se vai pensar isso depois de ouvir o que vim dizer.
Uma das sobrancelhas do conde se levantou.
– Bem, então acho melhor falar logo, não?
– Desvirtuei sua irmã.
De início, não houve indicação de que Emmett tivesse escutado a confissão de Edward. Ele não se mexeu ou desviou o olhar de seu visitante. Então ficou de pé, tirou os óculos lentamente e pousou-os sobre os papéis que descartara, para em seguida andar na direção do marquês.
Diante dele, Emmett falou:
– Presumo que estejamos falando de Isabella.
O olhar de Edward não vacilou.
– Sim.
– E suponho que não esteja exagerando a situação.
– Não. Eu a desvirtuei. Completamente.
Emmett assentiu, pensativo, e lhe deu um soco com toda sua força.
Edward não anteviu o golpe. Cambaleou para trás, a dor explodindo em seu rosto. Quando se aprumou, Emmett estava sacudindo calmamente a mão para afastar a dor. E disse, desculpando-se:
– Eu tinha que fazer isso.
Edward assentiu calmamente, testando a pele tenra em volta do olho.
– Não teria esperado outra reação.
Emmett andou até uma mesa baixa e serviu dois copos de uísque. Oferecendo um para o outro, falou:
– Suponho que seja melhor se explicar.
Aceitando o copo, Edward respondeu:
– Na verdade, é bem simples. Desvirtuei sua irmã e gostaria de me casar com ela.
Emmett sentou-se em uma grande poltrona de couro e observou o marquês cuidadosamente por um instante.
– Se é tão simples, por que veio à minha casa, no meio da noite, encharcado?
Tomando a poltrona à sua frente, Edward prosseguiu:
– Bem, suponho que seja simples para mim.
– Ah... – A compreensão se fez. – Bella o rejeitou.
– Sua irmã é irritante.
– Ela tende a ser, na maioria das vezes.
– Não quer se casar comigo. Então estou aqui para pedir ajuda.
– Claro que ela vai se casar – respondeu Emmett, e uma onda de alívio atravessou Edward, muito mais poderosa do que teria gostado de admitir. – Mas não vou forçá-la. Você vai ter que convencê-la.
O alívio durou pouco.
– Já tentei. Bella não quer dar ouvidos à razão.
Emmett riu da surpresa e da frustração na voz do marquês.
– Falou como alguém que não cresceu com irmãs. Elas nunca dão ouvidos à razão.
Edward deu um sorrisinho.
– É, estou começando a ver isso.
– Ela lhe disse por que não quer se casar?
Edward deu um longo gole no uísque e pensou na resposta.
– Ela disse que me ama...
Os olhos de Emmett se arregalaram e ele acrescentou:
– Isso parece um motivo para se casar com alguém.
– Foi exatamente o que pensei! – O marquês inclinou-se para a frente em seu assento. – Como a convenço disso?
Emmett recostou-se na poltrona, observou a cara fechada do outro e teve pena dele.
– Bella é uma romântica incurável. É assim desde que era uma garotinha. É o resultado natural de termos sido fruto de um completo caso de amor, de ela ter lido todos os romances em que conseguiu pôr as mãos durante os últimos vinte anos e de meu próprio encorajamento para que resistisse à instituição do casamento sem amor. Não estou surpreso por não querer se casar sem a promessa de amor. Portanto, isso traz a pergunta: o senhor a ama?
– Eu...
Edward parou, a mente a mil. Ele a amava?
Um dos cantos da boca de Emmett se curvou num meio sorriso, enquanto ele via os pensamentos cruzarem o rosto do outro.
– Vai ter que fazer melhor do que isso quando ela lhe perguntar, meu caro.
– Serei um bom marido, Emmett.
– Não duvido.
– Tenho o dinheiro, as terras, o título.
– Se conheço Bella, não se importa com nada disso.
– Ela não se importa. O que é mais um motivo para ser infinitamente melhor do que o que mereço. Mas o senhor deveria se importar. Então estou lhe dizendo.
O profundo olhar castanho de Emmett se fixou na expressão firme de Edward e uma compreensão se fez entre os dois.
– Eu lhe agradeço.
– Então tenho a sua bênção?
– Para se casar com ela? Sim, mas não é a minha permissão que tem que conseguir.
– Não vou forçá-la. Mas, para convencê-la, preciso de um tempo com ela. A sós. Gostaria que fosse o mais breve possível.
Emmett deu um gole no uísque e observou o marquês cuidadosamente. Percebendo a frustração em seus olhos, a tensão em sua silhueta, o conde teve pena do homem que sua irmã estava fazendo em pedaços.
– Se Bella estiver sentindo metade da sua angústia agora, estará na biblioteca.
Lorde Cullen franziu o cenho imediatamente.
– Por que me diria isso?
Um dos cantos da boca de Emmett subiu.
– Basta dizer que não gosto da ideia de minha irmã com metade da sua angústia agora. Tente a biblioteca. Não vou incomodá-los. Mas, pelo amor de Deus, não sejam pegos pela minha mãe, ou vai ser um inferno.
Edward sorriu desanimado diante da brincadeira de Emmett.
– Vou fazer o máximo para ser discreto, mas, para ser sincero, a sua mãe exigir que eu corrija a situação pode ser a melhor maneira de eu garantir o que quero.
Ele se levantou, aprumando os ombros como se estivesse prestes a entrar na batalha. Baixando os olhos para Emmett, acrescentou:
– Obrigado. Prometo que vou considerar minha função na vida fazê-la feliz.
Emmett ergueu o copo para o marquês, em reconhecimento à promessa.
– Desde que considere a função de seu dia amanhã conseguir uma certidão de licença oficial para esse casamento.
Edward assentiu com a cabeça em uma confirmação solene de que se casaria com Bella assim que possível e saiu da sala, atravessando o saguão escuro e silencioso até a porta da biblioteca. Pousou a mão cautelosamente na maçaneta e respirou fundo para acalmar a pulsação acelerada. Nunca estivera tão nervoso, tão preocupado com o resultado de uma conversa, tão disposto a fazer o que fosse preciso para conseguir o que queria. E ainda assim, ali estava ele, certo de que os próximos minutos seriam os mais importantes de sua vida.
Empurrou a porta para abri-la e a viu imediatamente na luz baixa. Estava enroscada em uma das grandes poltronas de couro perto da lareira, as costas para a porta, um cotovelo apoiado no braço da poltrona, segurando o queixo enquanto olhava as chamas. Ele percebeu a faixa de cetim azul que se derramava pela beira da poltrona até quase roçar o chão; ainda estava com o adorável vestido que usara no baile mais cedo aquela noite. Bella suspirou, enquanto ele fechava a porta silenciosamente e se aproximava, notando a linha de seu pescoço, a pele macia que descia pela clavícula até encontrar o tecido.
Tirou um momento para ficar atrás dela, admirando seu corpo relaxado, enquanto ela dizia:
– Realmente não quero companhia, Emm.
Ele não respondeu, apenas moveu-se furtivamente ao redor da poltrona e sentou-se no banquinho que ela empurrara para o lado ao se sentar. Bella virou a cabeça e prendeu a respiração, sentando-se ereta e pousando os pés no chão.
– O quê... o que você está fazendo aqui?
Ele se inclinou para a frente, os cotovelos nos joelhos, e falou:
– Tentei ficar longe. Mas há algumas coisas que preciso dizer.
Ela balançou a cabeça, os olhos arregalados.
– Se formos pegos... Emmett está na outra sala! Como entrou?
– Seu irmão me deixou entrar. Ele sabe que estou aqui. E, temo, Imperatriz, que esteja do meu lado.
– Você contou a ele!?
Ela estava horrorizada.
– Contei. Você não me deu muitas opções. Agora, fique quieta e escute, pois tenho muito a dizer.
Bella balançou a cabeça, sem confiar em si mesma para permanecer firme em sua decisão se ele a cobrisse de palavras bonitas.
– Edward, por favor, não...
– Não. Você está brincando com a vida de nós dois agora, Bella. Não vou deixar que tome decisões sem todas as informações. – Ela enfiou os pés debaixo do corpo e sua imagem, enroscada em uma bolinha triste, partiu o coração de Edward. – Você me ama. Não acha que deve a si mesma ouvir o que tenho a dizer sobre o assunto?
Ela fechou os olhos bem apertados e gemeu de vergonha.
– Ah, Deus. Por favor, não fale nisso. Não acredito que lhe contei.
Ele esticou a mão e passou um dedo pelo rosto dela. Seu tom foi grave, áspero:
– Não vou deixar que retire o que disse.
Ela abriu os olhos e a expressão neles era franca, clara e de tirar o fôlego.
– Não vou retirar o que disse.
– Ótimo – concluiu ele. – Agora me escute. – Não sabia por onde começar, então disse as palavras conforme elas vieram: – Minha mãe era muito bonita, cabelos escuros, olhos verdes brilhantes, traços delicados, como Rosalie. Era um pouco mais velha do que minha irmã é agora quando nos deixou, fugiu para o continente para escapar da família e da vida aqui. Minhas memórias dela são vagas, mas lembro-me de uma coisa com certeza absoluta. Meu pai era louco por ela. Posso me ver ainda criança, me esgueirando para fora do quarto para ouvir escondido as conversas deles tarde da noite. Em uma noite em particular, ouvi o som mais estranho vindo do gabinete do meu pai e rastejei para debaixo das escadas, curioso. O corredor estava escuro... devia ser muito tarde... e a porta do gabinete estava entreaberta.
Ele parou e Bella sentou-se mais para a frente em sua poltrona, uma sensação de pavor passando por ela com a história, essa lembrança crítica. Esperou que ele continuasse. Teria esperado a noite inteira.
– Olhei para dentro e pude ver a linha graciosa das costas de minha mãe, tão reta e insensível, do jeito que sempre fora comigo e com o Thony. Estava de pé no meio da sala, em um vestido perfeitamente passado, sem nenhum vinco, do tom de lavanda mais claro... – Após um instante de silêncio, comentou, surpreso: – É incrível como os detalhes vêm tão nítidos depois de tanto tempo...
Depois de uma pausa, retomou a história:
– Estava de frente para meu pai, que estava ajoelhado aos seus pés, ajoelhado, as duas mãos passadas em volta de uma das mãos dela, chorando. – As palavras estavam vindo com mais facilidade agora, e Bella observou quando os olhos dele ficaram vidrados, recontando as lembranças. – Os sons que havia escutado do andar de cima eram os soluços do meu pai. Estava aos prantos, suplicando para ela ficar. Apertou a mão fria e impassível dela contra seu rosto e professou seu amor infinito, dizendo-lhe que a amava mais do que a vida, mais do que os filhos, mais do que o mundo. Implorou para que ficasse, repetindo as palavras sem parar, dizendo a ela de novo e de novo que a amava, como se as súplicas fossem deter os olhares impassíveis dela, suas reações frias em relação a ele, aos filhos.
Ele parou por um instante, a mente presa no momento de 25 anos atrás.
– Na manhã seguinte, ela tinha ido embora. E ele também, de certa forma. Jurei duas coisas naquela noite. Primeiro, nunca mais iria ouvir escondido. E, segundo, nunca me tornaria vítima do amor. Comecei a tocar piano naquele dia... era a única coisa que podia bloquear a tristeza dele.
Quando olhou para Bella de novo, viu as lágrimas dela escorrendo silenciosamente pela faces e, na mesma hora, seu olhar clareou. Esticou o braço e pegou o rosto dela nas mãos, enxugando as lágrimas errantes com os polegares.
– Ah, Bella, não chore. – Ele se inclinou para perto e a beijou suavemente, os lábios quentes e bem-vindos contra os dela. Encostando a testa na dela, sorriu. – Não chore por mim, Imperatriz. Não valho a pena.
– Não estou chorando por você – disse, levando a mão ao rosto dele. – Estou chorando por aquele menininho que nunca teve a chance de acreditar no amor. E por seu pai, que obviamente também nunca o experimentou. Porque aquilo era paixão, não amor. O amor não é unilateral e egoísta. É pleno e generoso, e modifica a vida da melhor maneira possível. O amor não destrói, Edward. Ele cria.
Ele avaliou as palavras dela e a emoção que continham, a crença veemente no sentimento que ele vinha evitando durante toda a vida adulta. E disse a verdade:
– Não posso lhe prometer amor, Bella. A parte de mim que poderia... que talvez tivesse sido capaz... está fechada há tanto tempo que... Mas o que posso lhe dizer é o seguinte... Vou fazer o melhor para ser um marido bom, gentil e generoso. Vou me esforçar para lhe dar a vida que você merece. E, se conseguir o que quero, você nunca vai duvidar do quanto gosto de você.
Ele saiu do banquinho, ficou de joelhos, e Bella não pôde deixar de ver o paralelo entre aquele momento e a história que ele havia contado sobre seus pais.
– Por favor, Bella. Por favor, conceda-me a grande honra de se tornar minha esposa.
As palavras saíram em um sussurro fervoroso e comovente, e Bella se perdeu. Como poderia rejeitá-lo depois de tudo o que havia confessado? Como poderia negar a si mesma?
– Sim – disse ela, baixinho, quase baixo demais para que ele a escutasse.
Edward deu seu meio sorriso.
– Diga de novo.
– Sim – falou ela, desta vez mais firme, mais segura. – Sim, vou me casar com você.
E então as mãos dele estavam no cabelo dela, espalhando seus grampos, e os lábios dele estavam nos dela, roubando seu fôlego, e ela o estava tocando – este homem notável que amara por tanto tempo e que finalmente, finalmente era dela.
Bella suspirou dentro da boca de Edward – percebendo o gosto de uísque e algo mais exótico, mais masculino –, e uma sensação completa e absoluta de júbilo percorreu seu corpo. Aquele era Edward, seu futuro marido, e ele a estava fazendo se sentir tão quente, e maravilhosa, e viva. E então estava beijando seu pescoço, sussurrando seu nome como uma prece enquanto erguia seus braços por cima dos próprios ombros e pousava os lábios na extensão de pele branca acima do decote do vestido. Bella arfou conforme as mãos fortes se espalhavam por seu torso, segurando seus seios em um gesto de absoluta posse.
– Este vestido – falou ele, as palavras soando encorpadas e envolventes – é um pecado.
Bella não pôde conter o sorriso, enquanto ele se afastava para admirar seus seios, empinados sob o cetim.
– Você acha?
– Sem dúvida. É feito para levar os homens à loucura... para revelar todas as suas curvas voluptuosas... – ele passou indolentemente um dedo sob o tecido, só o suficiente para roçar na beirada de um mamilo – ...sem mostrar nada. É uma experiência visual torturante. – Acrescentou, maliciosamente, enquanto puxava o decote, expondo o bico duro de um seio ao ar frio e à sua boca quente. Ele sugou brevemente, até Bella estar se contorcendo contra seus lábios, e então, soltando-a, acrescentou: – Quando estivermos casados, vou lhe comprar um de cada cor.
Diante das palavras, ela deixou escapar uma risadinha, que se transformou em um suspiro, e então em um gemido baixo, enquanto a boca dele fazia sua mágica na pele tenra e sensível. Edward prolongou o som pelo máximo que pôde, antes de se lembrar de onde estavam.
– Acabou de me ocorrer, linda – disse, afastando-se –, que este é um lugar altamente inapropriado para estarmos em uma posição tão delicada, com a sua família inteira a apenas alguns metros de distância.
Edward olhou para ela e o calor envolvente em seus olhos o consumiu por um instante, e, com um murmúrio, tomou sua boca novamente em um beijo quente, franco e absorvente que lhe roubou a razão e o pensamento por longos minutos. Quando por fim se afastou, deixando ambos sem fôlego, restaurou o vestido dela à sua posição original com um beijo suave, mordiscando a pele delicada de seu seio.
– Não posso ficar, Imperatriz. Você é tentadora demais, e não estou nem perto de ser forte ou bom o bastante para resistir – sussurrou, juntou ao ouvido dela, o nariz enterrado em seus cabelos, cabelos que não considerava castanhos, mas uma rica miríade de chocolate e mogno e preto que estava se tornando rapidamente sua cor preferida. – Amanhã eu volto. Talvez possamos passear de barco no lago Serpentine.
Bella não queria que ele fosse embora. Não queria que a noite terminasse. Não queria arriscar a possibilidade de este ser um sonho muito querido, maravilhoso e realista demais.
– Não vá – sussurrou, colocando a mão ousadamente na nuca dele e virando-se para capturar seus lábios em um beijo demorado. – Fique.
Ele sorriu, encostando a testa na dela.
– Você me faz muito mal. Estou tentando virar uma nova página... estou tentando ser mais cavalheiro.
– Mas e se eu quiser que continue um libertino? – provocou ela, os dedos descendo pelo pescoço e pelo peito dele, passando pelos botões de seu colete. – Um devasso, até?
Ela abriu um botão e Edward agarrou sua mão errante, levando-a aos lábios para um beijo rápido.
– Bella... – implorou, a voz grossa de advertência, enquanto ela punha a mão livre no segundo botão de seu colete.
– E se eu quiser o pervertido, Edward? – A pergunta era doce e baixa.
– O que está dizendo?
Ela foi deixando beijos ao longo da linha firme e quadrada do maxilar dele, e sussurrou, a timidez transparecendo em sua voz trêmula:
– Leve-me para a cama, Edward. Dê-me um gostinho do escândalo.
A respiração de Edward ficou mais rápida e ele percebeu que deixá-la seria a coisa mais nobre que já fizera. Sua resposta saiu rouca.
– Acho que já provou mais que um gostinho de escândalo nas últimas semanas, Imperatriz.
– Mas depois que estivermos casados, vamos voltar para a velha Bella sem graça. Esta pode ser minha última chance.
Uma sombra de dúvida passou pelo rosto dela e Edward segurou sua cabeça com as duas mãos.
– Não se engane, linda, não há nada de sem graça em você.
Ele a beijou de novo, acariciando-a, até ela se afastar, arfando.
Lançando-lhe seu olhar mais ardente, convidativo e irresistível, Bella tentou mais uma vez:
– Venha para o andar de cima comigo, Edward.
Houve uma longa pausa e Bella achou que poderia ter ido longe demais. Ele se levantou, esticando a mão para ela e erguendo-a para ficar diante dele.
– Percebe que, se formos pegos, teremos que nos casar imediatamente?
Um arrepio de emoção a percorreu.
– Percebo.
– E que você não terá o casamento suntuoso com o qual sua mãe sem dúvida sonhou por séculos.
Bella balançou a cabeça.
– Nunca quis esse casamento, de qualquer forma. Alice pode tê-lo por nós duas.
Suas mãos deslizaram pelos braços dele na direção de seus ombros largos.
– E que sua mãe nunca irá me perdoar por arruinar sua filha mais velha.
– Ah, ela vai perdoá-lo. Marqueses raramente recebem toda a força da ira de uma mãe. E já se esqueceu, meu bom senhor, de que já fui arruinada?
Um sorriso sombrio e malicioso surgiu.
– Excelente argumento.
– Há uma escada para os criados que leva direto ao meu quarto – sussurrou ela. – As dobradiças nas portas são lindamente silenciosas. Eu mesma botei óleo.
Ele riu.
– Seria uma pena desperdiçar tamanha diligência. Por favor, milady, mostre-me o caminho.
Eles se esgueiraram escada acima – evitando o terceiro degrau de cima para baixo – e entraram no quarto de Bella. A porta se fechou atrás dos dois com um clique suave e na mesma hora o ar ficou mais denso. Bella ficou nervosa de imediato. A sereia de antes havia sumido e ela foi consumida pela consciência. Ali estava, no quarto em que havia dormido a vida inteira, com Edward, que dominava o espaço com sua força e masculinidade tão incongruentes no ambiente delicado. Olhou para as próprias mãos, apertadas uma na outra, e imaginou se um dia se acostumaria com ele tão perto em um lugar tão íntimo.
Certamente não.
E então ele a estava tocando – levantando seu queixo e tomando sua boca e puxando-a contra si na mais completa da mais maneiras –, e os pensamentos se perderam.
As mãos dele trabalharam rapidamente na longa fileira de botões de seu vestido. Bella sentiu o tecido afrouxar e o ar frio roçar sua pele corada, e soube que ele ia ficar e que esta noite seria a mais importante de sua vida – a noite em que aceitara o pedido dele, a noite em que professara seu amor, a primeira noite do resto de suas vidas juntos. E não podia negar a notável correção da presença dele ali, suas mãos e lábios nela, enquanto removia o vestido para revelar...
– Minha nossa... Imperatriz.
As palavras a acordaram de seus pensamentos. Estava com o olhar fixo nela, observando a linda lingerie de seda, o tecido delicado que se agarrava às suas curvas, insinuando tentadoramente o que escondia. Edward parecia um lobo – faminto e ávido para laçar sua presa –, e Bella prendeu a respiração quando seus olhos encontraram os dele transbordando de desejo.
Ela corou.
– Madame Hebert me disse que eu precisava delas.
Os olhos dele escureceram, assumindo um tom profundo de verde-escuro.
– Madame Hebert estava certa. – Ele brincou com uma fitinha de cetim na combinação. – O que achou?
Os olhos dela tremularam fechados, enquanto era envolvida por uma onda de vergonha. Edward a virou, colocando as mãos nos cordões do espartilho, suas palavras quentes e macias contra a orelha dela.
– Qual é a sensação de estar envolta em seda quente?
Bella disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça:
– Me sinto feminina.
As mãos dele envolveram seus quadris.
– O que mais?
Ela estava com a respiração mais pesada do que o normal, a ansiedade deixando sua voz ofegante de excitação.
– Eu me sinto... linda.
Ele recompensou as palavras com um beijo suave em seu pescoço.
– Ótimo. Porque você é primorosa. E...?
A palavra pairou entre os dois, conforme o corpete dela se soltava, caindo no chão. Bella abriu os olhos diante da liberdade e percebeu que ele a havia virado para ficar de frente para o espelho no quarto. Foi incapaz de parar de olhar para as mãos masculinas que envolviam seu torso e a puxavam para trás, contra ele, com firmeza. Elas subiram para segurar seus seios, testando seu peso, e Bella arfou, tanto pela combinação inebriante da pele queimando-a por sobre a seda quanto pelo contraste das mãos contra o azul-claro de sua combinação. Ficou fascinada pelo reflexo deles, sentindo-se ao mesmo tempo tímida e sensual, e imaginando se devia se virar.
E então percebeu que ele a estava observando – lendo o jogo de emoções que se passava em seu rosto no reflexo turvo. E a voz dele soou sombria e maliciosa em seu ouvido:
– Elas a fazem se sentir lasciva?
– Sim – confessou ela. – Me fazem sentir... – ela fez uma pausa, procurando a palavra. – Me fazem me sentir viva.
Edward soltou um sonzinho de aprovação.
– Elas também me fazem me sentir vivo.
E então a estava erguendo nos braços e carregando-a para a cama, e ela estava nua e a seda fora esquecida, substituída pelo calor, a boca, as mãos maravilhosas dele. Edward beijou sua clavícula e ela sorriu quando ele se demorou junto à leve cicatriz em seu braço, onde o florete dele a havia cortado durante sua aula de esgrima.
– Sinto muito tê-la machucado, linda – sussurrou, venerando a linha cor-de-rosa com os lábios e a língua.
A cabeça dela rolava de um lado para outro no travesseiro enquanto as mãos dele acariciavam seu corpo, roubando suas forças. Bella abriu os olhos e deixou seu desejo se mostrar.
– Nunca se desculpe por aquela tarde. Não mudaria um momento dela. – Ela pegou o rosto dele com a mão e o puxou para um beijo ardente.
Após vários minutos, ele começou a beijar o corpo dela inteiro, e as mãos de Bella caíram nos ombros dele para detê-lo. Ela murmurou:
– Espere.
Os olhos verdes dele capturaram os dela, quentes e cativantes, e Edward plantou um beijo em sua barriga macia.
– O que foi, linda?
– Quero tocá-lo desta vez.
Os dentes dele brilharam, brancos na luz baixa.
– Se me lembro direito, você me tocou da última vez, e quase não aguentei por muito tempo.
– Fico pensando se não estaria disposto a tentar de novo.
Uma sobrancelha escura subiu, enquanto ele considerava a pergunta. Após uma pausa, abriu um sorriso largo e se deitou de costas ao lado dela, as mãos embaixo da cabeça, nu e desavergonhado.
– Sou seu por direito, Imperatriz.
Sou seu. As palavras ecoaram na mente dela, fazendo um arrepio percorrê-la. Edward era dela. Esta era a primeira em uma longa sequência de noites em que poderia tocá-lo, sentir seu calor maravilhoso. Ele era dela. Um sorriso brincou em seus lábios diante do pensamento.
– Você parece muito satisfeita com isso.
– Estou muito satisfeita com isso – devolveu ela, admirando o corpo diante de si, a força dos músculos rígidos, o pelo escuro e macio que salpicava seu peito, estreitando para uma linha fina que levava ao... minha nossa.
Era a primeira vez que o via por inteiro. Era longo, duro e grande o suficiente para que ela se admirasse diante do fato de que realmente se encaixavam.
Intuindo seus pensamentos, ele falou:
– Toque-me, querida.
Não podia recusar as palavras carregadas e convidativas, e botou as mãos nele, passando-as por cima de seu peito e descendo para a parte dele que a deixava tão nervosa. Edward retraiu-se quando o tocou de leve, suave o suficiente para levá-lo ligeiramente à loucura. Bella retirou as mãos imediatamente.
– Eu o machuquei?
– Não – respondeu, a voz trêmula com uma paixão firmemente contida. – Faça de novo.
Ela obedeceu, envolvendo com os dedos a extensão dura e sedosa dele, acariciando-o com uma inocência que ameaçava matá-lo. Com um gemido, Edward pôs a mão em cima da dela e, com dedos fortes e experientes, guiou-a, mostrando-lhe exatamente como segurá-lo, exatamente onde acariciá-lo, exatamente como agradá-lo.
O que lhe faltava em habilidade, Bella mais do que compensava em entusiasmo, e Edward logo se viu mais duro e pesado do que já ficara. A mão quente se movia cada vez mais firme conforme ela ganhava confiança, e ele se deleitou com o toque, até que sua respiração estava entrecortada e áspera, e percebeu que, se os dedinhos quentes continuassem ali por muito mais tempo, não seria capaz de se segurar.
E então ela falou, e ele achou que poderia perder a cabeça.
– Posso... beijá-lo?
Edward soltou uma risada áspera e respondeu por entre dentes cerrados:
– Não.
– Mas você fez isso... comigo.
– Sim, Imperatriz, e um dia vou ficar mais do que feliz em permitir que você me devolva na mesma moeda. Mas esta noite não posso... pois já a quero demais.
– Ah – disse ela. – Entendo.
Os olhos dela revelavam que não estava inteiramente segura de que entendia.
Ele ergueu a mão de si e rolou para cobri-la com seu corpo, acomodando-se entre suas coxas sedosas, a extensão dele pressionando o âmago dela, onde estava molhada, disposta e doendo por ele.
– Quero-a demais para lhe dar tanta rédea solta. O seu toque já está ameaçando a minha sanidade. – Sua voz ficou mais baixa conforme ele começou a despejar beijos pelos seios dela, chupando primeiro um mamilo duro e expectante e depois o outro, arrancando um grito baixinho da noiva. – Prefiro passar o resto da noite dentro de você, até nenhum de nós conseguir pensar.
Ele pressionou o membro contra ela de novo, esfregando a protuberância dura e ávida do sexo dela e fazendo um arrepio de prazer percorrê-la.
– Concorda?
– Ah, sim – suspirou Bella, enquanto ele repetia o movimento.
Edward mordeu seu ombro, os lábios se curvando em um sorriso.
– Achei que poderia concordar.
Com uma única e deliciosa estocada, estava dentro dela, e Bella tardiamente percebeu que não houve nenhuma dor, nenhum desconforto como da primeira vez, só uma plenitude exuberante e bem-vinda que a fazia se sentir absolutamente completa.
Ele parou, aprumando-se ao máximo.
– Tudo bem, linda?
– Sim, maravilhosamente bem – respondeu, seu tom uma mistura de prazer e admiração.
Mexeu-se embaixo dele e Edward grunhiu, movendo-se contra ela várias vezes antes de se afastar, até nada além da ponta permanecer dentro dela, e Bella achou que a perda dele poderia deixá-la louca.
– Edward – suspirou. – Por favor.
Ele a recompensou, preenchendo-a novamente, enfiando mais fundo, mudando de posição e mexendo-se até que o ângulo de seus movimentos ficou perfeito, e ela gritou.
Edward parou, sussurrando em seu ouvido, provocante:
– Cuidado, imperatriz... vai fazer com que nos peguem. – Ela arregalou os olhos e ele sorriu. – Deixa ainda melhor, não é... a ameaça da descoberta?
Como se para testar a força de vontade dela, os dedos dele acariciaram logo acima de onde estavam unidos, brincando habilmente no ninho de cachos, encontrando o botão rígido de prazer e acariciando-o até Bella estar mordendo o lábio inferior para continuar calada. E então ele estava se mexendo de novo, aumentando a doce fricção entre os dois, levando-a ao abandono enquanto sussurrava lembretes ardentes para fazer silêncio. Ela não podia se conter, e Edward capturou sua boca em um beijo de roubar a alma para impedi-la de gritar, enquanto Bella se desmanchava sob ele, pulsando em volta dele, dando-lhe um gostinho do paraíso.
E quando Bella retirou os lábios dos dele para sussurrar "Eu te amo" sem parar, como uma prece, Edward também se perdeu, mal controlando os próprios gritos de prazer enquanto se derramava dentro dela.
Após vários longos momentos, levantou seu peso de cima dela e Bella soltou um pequeno suspiro de protesto pela perda dele. Acomodou-se ao lado da noiva, puxando-a imediatamente para seus braços. Quando Bella descansou o rosto em seu peito, sussurrou seu amor mais uma vez, tão baixo que ele mal ouviu as palavras.
Edward ficou deitado ali por um longo tempo, observando-a dormir, absorvendo sua beleza simples e poderosa, admirando-se com a intensidade do momento, da noite. Enquanto sentia o cheiro dela, foi tomado por uma emoção pesada – estranha e perturbadora –, e se perguntou por um instante o que havia feito com eles.
Oh, o que está havendo...? Estão tão sumidinhas =,(
Mila: Ah, querida... Doente por quê? Está melhor? Aí está mais um para este fim de semana... Parece que está pegando no tranco, sim hahaha Beijinhos!
Thekelly-chan: Babadão né? Eu também achei que quando ele se tornou agressivo, que pudesse fazer algo ruim além de apenas magoá-la com palavras. *Alívio* Acha que o Edward deu uma compensada no romantismo de um bife? kkkkk
Adri: Triste, né? Não vejo como um sentimento unilateral possa manter duas pessoas unidas (hoje em dia, pelo menos, quando nem quando é recíproco dá muito certo), apesar de que naquela época a maioria dos casamentos eram realizados por conveniência (ainda bem não vivi naquela época kkk).
Nanny: Já sinto sua falta de novo, rs. Escrotasso, eu sei. Mas é como te falei aquele dia, o pior é que existem esses restos de aborto por aí ...
ThammyCristina: Pois é, menina, até eu fico meio down com esses fins de fic, rs, mas isso faz parte... Significa que outra vem vindo por ai! :D
Duda Makalister: Será que o Jacob será colocado no devido lugar? Resta-nos esperar pra ver se isso vai acontecer kkkk. Eu entendo um pouco ela, ter quem você ama, mas não receber o mesmo em troca... Dói :(
Bianca Cullen Riddle: Ooooi, moça! Gostaria que demorasse, mas infelizmente estamos em reta final... Vamos ver como o Edward vai melhorar e deixar de ser tão romântico quanto um bife hahaha. O canalha está se transformando no moço apaixonado? Hm, vamos ver kkk.
Bom fim de semana, raios-de-sol. Até a próxima sexta ou a meta de 08 reviews :)
