Personagens de Stephenie Meyer. Estória de Sarah MacLean.
CAPÍTULO VINTE E QUATRO
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"Achei que podia amá-lo o suficiente por nós dois... Mas não posso."
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Enroscada no banco sob a janela de seu quarto, Bella enxugou as lágrimas, considerando os acontecimentos da noite.
Como poderia seguir em frente sem ele? E, ao mesmo tempo, como poderia seguir em frente sabendo que todos os momentos de seu tempo juntos haviam significado tão pouco para ele – planejados apenas para ganhar uma aposta e introduzir sua irmã à sociedade?
Não é possível. Cada pedacinho dela rejeitava a ideia de que ele a tivesse usado tão insensivelmente.
E, ainda assim, Edward não havia negado.
E por que ela não deveria acreditar? O marquês de Cullen – libertino inveterado – não teria pensado duas vezes em usá-la para seu ganho pessoal. Não era exatamente o que tinha feito? Desde o comecinho? Trocara seus beijos pelo apoio dela à sua irmã. Por que acreditara que ele poderia ter mudado? Acreditara tanto nisso... que as décadas marcadas pelo desprezo às emoções não passavam de uma débil lembrança no passado maculado do marquês. Que ela poderia amá-lo o suficiente para provar-lhe que o mundo merecia sua preocupação, sua confiança. Que o transformaria no homem com quem havia sonhado por tanto tempo.
Esta talvez tenha sido a verdade mais dura de todas – que Edward, o homem por quem fora apaixonada por mais de uma década, nunca fora real. Nunca fora o forte e calado Ulisses, o indiferente Darcy, nem Marco Antônio, poderoso e apaixonado. Sempre fora só Edward, arrogante, falho e completamente de carne e osso.
E nunca fingira ser nada além disso. Jamais a havia enchido de falsas declarações de amor, nem a enganara para acreditar que fosse mais do que era. Ele mesmo havia admitido que só precisava dela pelo bem de Rosalie.
Pelo bem de Rosalie e duas mil libras, ao que parecia. Não que precisasse do dinheiro. O que quase piorava tudo.
Abaixou a cabeça conforme outra onda de tristeza a inundava de lágrimas.
Ah, Bella. Como pôde ser tão burra?
Mesmo quando conhecera o verdadeiro Edward – aquele que não era feito de tecido heroico –, Bella fracassara em enxergar a verdade. E, em vez de perceber que acabaria com o coração partido, apaixonara-se, não por sua fantasia, mas por este novo Edward, falho. E, ainda que estivesse tão apegada à ideia de que ele poderia mudar, esta noite, ficara claro que a poderosa metamorfose que havia testemunhado não era a dele.
Mas a sua própria. E era devida quase inteiramente a ele.
Ficou olhando cegamente a lista amassada e manchada em sua mão – a lista que começara como dela, mas que havia de alguma forma se tornado deles. Seu coração ficou apertado ao perceber que Edward fora parte integral dessa nova Bella, audaciosa, aventureira, que ele havia guiado por cada item no papel. Ela mudara para sempre por causa dele.
Como sobreviveria a tamanha dor? Como poderia esquecer que estava tão apaixonada por ele?
Não fazia ideia. Sabia, no entanto, que não podia ficar nem mais um instante naquele quarto.
Pulou do banco e atravessou o cômodo resoluta, abrindo a porta e esgueirando-se pela casa silenciosa até o gabinete de Emmett. Ia tentar ficar embriagada de novo. Os homens pareciam obter conforto na experiência quando estavam no fundo do poço. O que a impedia de fazer o mesmo?
Entrando no aposento, parou na porta, surpresa em ver o irmão atrás de sua mesa enorme, olhando para o nada. Ao ouvir o som de seus pés no piso de madeira, Emmett virou-se na direção da irmã e ela observou uma sombra tomar seu rosto.
– Bella – disse, e algo no modo como pronunciou seu nome fez as lágrimas inundarem seus olhos mais uma vez. – São quatro horas da manhã.
– Desculpe – respondeu, começando a sair da sala.
– Não. – Ele acenou com a mão, chamando-a para entrar. – Fique.
Ela ficou, fechando a porta suavemente atrás de si, antes de andar até a mesa e sentar-se em uma cadeira confortável na frente dele. Acomodou os pés descalços debaixo do corpo.
– Sabe – disse, a voz trêmula pelas lágrimas contidas –, quando era uma garotinha, costumava me sentar nesta cadeira, de camisola, e ficar olhando papai remexer nos papéis nesta mesa. Durante muito tempo não entendi por que ele tinha tanto trabalho a fazer. Quero dizer, o título, a casa, as terras, os bens, já não era tudo dele?
Emmett assentiu.
– Eu pensava a mesma coisa. Imagine minha surpresa quando descobri que todas essas coisas na verdade dão trabalho, e que papai não estava fingindo.
Ela deu um sorriso lacrimoso.
– É incrível. Aqui estou, de camisola, nesta cadeira, olhando você. Tão pouco mudou...
Emmett a fitou nos olhos.
– Bella?
As lágrimas vieram então, correndo por suas faces. Ela balançou a cabeça, olhando para o colo, brincando com o tecido da camisola.
– Achei que poderia mudá-lo, Emm.
Emmett suspirou.
– Agora vejo que não posso. Eu só... achei que podia convencê-lo a me amar.
Ele ficou sentado por um longo tempo, pesando as palavras dela cuidadosamente.
– Bells... o amor cresce. Nem todo mundo tem um caso de amor instantâneo como mamãe e papai. Como Alice e Jasper. Cullen está sozinho há muito tempo.
As lágrimas encheram os olhos dela.
– Eu o amo – sussurrou.
– Não é possível que ele a ame também?
– Ele apostou duas mil libras no meu futuro, Emm.
O fantasma de um sorriso brincou nos lábios dele.
– Não vou negar que foi uma coisa estúpida de se fazer... mas não posso imaginar que a aposta tenha sido nada além de uma questão de orgulho.
– Orgulho?
Ele assentiu.
– Orgulho masculino.
Bella balançou a cabeça.
– Homens são tão estranhos... – Ela deu de ombros. – Mas isso não significa que ele me ame. Não tenho certeza de que goste nem um pouco de mim.
– Deixe de ser boba. – Emmett esperou que ela olhasse para ele. – Gostaria muito que você e Cullen nunca mais se vissem de novo, Bella, com o tamanho do escândalo que criaram esta noite... Isso sem levar em conta os inúmeros outros escândalos que sem dúvida orquestraram sem meu conhecimento, não que algum dia eu queira saber sobre eles... – Ele fez uma pausa. – No entanto, você se esquece de que eu o vi ontem à noite. Ele veio até mim antes de ir procurá-la na biblioteca. Ele gosta de você. Sei disso ou não teria lhe dado minha bênção.
– Você está enganado – sussurrou Bella. – Achei que podia amá-lo o suficiente por nós dois. Mas não posso.
O silêncio caiu entre os dois e Emmett ficou observando as lágrimas marcarem o rosto da irmã. Por fim, falou:
– Bella... Cullen desafiou Black esta noite.
Bella jogou a cabeça para trás. Tinha certeza de que havia entendido mal o irmão.
– Como... como disse?
– Ele desafiou Oxford para um duelo.
Bella balançou a cabeça, tentando livrá-la da névoa que acabara de se abater sobre ela.
– Não. Não pode ser verdade. Tem certeza de que era ele? E não Masen? Eles são gêmeos, sabe. Pode ter confundido.
– Sim, Bella. Sei que são gêmeos. Também tenho certeza de que o duelo é entre Cullen e Oxford, já que testemunhei a situação toda. E, considerando-se que o duelo é por sua causa...
– Por minha causa? – guinchou Bella. – Cullen nunca duelaria por minha causa. Não arriscaria a vida por mim. Quero dizer, ele não me ama, Emmett – desdenhou ela, vendo o olhar preocupado do irmão. Emmett permaneceu calado, enquanto ela pesava as palavras. – Ah, meu Deus.
– Ele pode não a amar, Bells, mas aposto que sente algo muito impressionante por você, ou ele e Oxford não estariam escolhendo os padrinhos neste instante.
Ele está arriscando tudo por mim.
Se isso não era mudança, o que seria? Os olhos de Bella se arregalaram.
– Ah, meu Deus. – Ela se inclinou na direção dele, esticando-se por cima da mesa para agarrar seu braço. – Emmett, você tem que me levar até lá.
– Bella... – Emmett balançou a cabeça. – Não posso levá-la até lá. Você sabe disso.
Ela se levantou de um pulo da cadeira, anunciando:
– Emmett! Ele pode morrer! – E saiu correndo do aposento, subindo a larga escadaria central e voltando para seu quarto, com Emmett logo atrás. Abriu a porta com um baque e correu, desesperada, para seu guarda-roupa, para retirar lá de dentro um vestido qualquer. – Ele pode ser morto! – exclamou, quase à histeria.
Emmett fechou a porta atrás de si, tentando manter Bella calma com um tom baixo e firme:
– Ele não vai morrer, Isabella. Duelos raramente tomam esse rumo hoje em dia.
Ela se virou, os braços carregados de musselina.
– Estou enganada sobre como funcionam, Emmett? Vinte passos, viram e atiram? Uma pistola? Uma pistola carregada?
– Bem, sim – concedeu Emmett, acrescentando: – Mas a morte normalmente não é o resultado esperado. Quero dizer, pode-se ir para a prisão por matar alguém em um duelo, pelo amor de Deus.
– Ah, então há uma espécie de acordo de cavalheiros?
– Exatamente.
– Mais como uma demonstração do que por um propósito?
– Na prática, sim – respondeu ele, satisfeito por ela ter entendido.
Os olhos dela se franziram para ele.
– E se um dos cavalheiros em questão não for bom atirador?
A boca de Emmett se abriu e então se fechou. Bella balançou a cabeça e foi para trás de seu biombo.
– Você vai me levar.
Sua camisola foi quase imediatamente arremessada por cima do biombo.
Emmett jogou as mãos para o alto diante da indignidade do momento e virou de costas para a área como um todo.
– Não vou levá-la, Bella. Você vai esperar aqui, como as mulheres fazem.
– De jeito nenhum! Não sou mais dócil e submissa!
– Está partindo do equívoco de que algum dia foi dócil e submissa!
Emmett virou-se para encontrar Bella vestida e calçando um par de botas de caminhada. Os olhos dela faiscaram.
– Você tem duas opções, Emmett Swan. Pode me acompanhar como um bom irmão ou pode sair da frente enquanto deixo esta casa e atravesso Londres no meio da noite sozinha.
– Você nunca vai encontrar.
– Bobagem. Você se esquece de que conheço bem uma ou duas tabernas nesta cidade. Tenho certeza de que notícias sobre um duelo envolvendo um dos aristocratas mais conhecidos de Londres correm depressa.
Os olhos dele se arregalaram.
– Vou trancá-la em casa!
– Vou descer pela treliça!
– Maldição, Isabella!
– Emmett, eu o amo! Eu o amo há uma década. E o tive por um dia antes de bagunçar completamente as coisas. Ou ele bagunçar. Ainda não estou certa quanto a isso. Mas você não pode realmente acreditar que não vou lutar para salvá-lo!
As palavras pairaram entre dois, enquanto irmão e irmã se encaravam.
– Por favor, Emm – suplicou baixinho. – Eu o amo.
O conde de Swan soltou um longo suspiro.
– Senhor, livrai-me de irmãs, amém. Vou chamar o cabriolé.
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– Tem certeza de que quer fazer isso? – Thony se encostou em uma árvore solitária, encurvando os ombros contra a bruma fria da manhã e observando enquanto Edward checava sua pistola. – Você pode morrer.
– Não vou morrer – respondeu ele, distraído, olhando pela grande extensão de campo que Oxford havia escolhido como local para o duelo.
– Homens melhores do que você já disseram isso, Edward. E não quero ter que enterrá-lo.
– Seria bom para você, irmão – retrucou Edward, um tom mórbido na voz, enquanto enchia meticulosamente a arma de pólvora. – Você seria marquês.
– Estou ao seu lado por tempo suficiente para saber que na verdade não quero ser marquês, obrigado.
– Bem, então vou me esforçar para manter meu título.
– Excelente.
O silêncio caiu, enquanto os irmãos esperavam a chegada de Jacob e seu padrinho. O duelo estava marcado para o amanhecer e o campo estava banhado em uma luz cinza pálida que roubava a cor da exuberante paisagem primaveril, tornando o local desolador.
Após vários minutos, Edward falou:
– Não posso deixá-lo se safar com as coisas que disse sobre ela, Thony.
– Entendo.
– Ela merece muito mais.
– Ela merece você. Vivo.
Edward virou-se para o irmão, olhando firmemente em seus olhos.
– Você tem que me prometer uma coisa.
Anthony soube imediatamente o que Edward ia dizer.
– Não.
– Sim. Você precisa. É meu irmão e meu padrinho. Não tem escolha a não ser ouvir e realizar meu último pedido.
– Se este é o seu último pedido, vou segui-lo até o inferno para me assegurar de que você pague.
– Mesmo assim. - Edward olhou para o céu, apertando o sobretudo em torno de si para se aquecer. – Prometa-me que vai cuidar dela.
– Você mesmo vai cuidar dela, irmão.
Olhos verdes brilhantes se encontraram.
– Prometo diante de você e de Deus que eu vou. Mas se algo acontecer e esta manhã der errado, prometa-me que vai cuidar dela. Prometa-me que vai lhe dizer... – Edward fez uma pausa.
– Dizer o quê?
Ele respirou fundo, as palavras trazendo um aperto ao seu peito.
– Prometa-me que vai lhe dizer que fui um idiota. Que o dinheiro e aposta não tinham importância. Que, ontem à noite, diante da aterradora possibilidade de que eu a tivesse perdido... percebi que ela era a coisa mais importante que já tive... por causa da minha arrogância e da minha falta de disposição para aceitar o que está em meu coração há tanto tempo... – Ele deixou a frase morrer. – O que foi que fiz?
– Parece que você se apaixonou. Foi isso o que fez.
Edward pensou na declaração. O velho Cullen poderia ter escarnecido das palavras – tão prosaicas e assustadoras –, mas, em vez disso, sentiu um calor se espalhar por ele diante da ideia de que podia amar Bella. E que ela podia amá-lo de volta. Talvez ele tivesse realmente se apaixonado.
Anthony continuou, incapaz de afastar o sorriso afetado dos lábios:
– Posso dizer o que faria se descobrisse que fui um completo imbecil e perdi a única mulher que já quis de verdade?
Os olhos de Edward se franziram para o irmão.
– Não imagino que possa impedi-lo.
– Claro que não – falou Thony. – Com certeza não estaria de pé neste campo miserável, neste frio miserável, esperando aquele idiota do Oxford atirar em mim. Esqueceria essa prática ridícula e antiquada, e iria encontrar a tal mulher e dizer que fui um completo imbecil. E então faria o que fosse preciso para convencê-la de que deveria se arriscar comigo, apesar de eu ser um completo imbecil. E, feito isso, a levaria na mesma hora até o vigário mais próximo e casaria com ela. E depois a engravidaria.
Edward teve uma visão de Bella cheia e redonda com o filho dele e fechou os olhos para se defender do prazer que o percorreu.
– Achei que me permitir amá-la me transformaria no papai. Achei que ela me tornaria um fraco. Como ele.
– Você está longe de ser igual ao papai, Edward.
– Vejo isso agora. Ela me mostrou. – Ele fez uma pausa, perdido na lembrança dos grandes olhos castanhos de Bella, a boca larga e sorridente. – Meu Deus, ela me fez tão maior do que eu era.
A declaração, cheia de surpresa e admiração, foi pontuada por um grito vindo do outro lado do campo, conforme Oxford, lorde Uley, seu padrinho e um médico entravam no campo de visão.
Thony praguejou baixinho.
– Confesso que estava torcendo para que Oxford estivesse bêbado o bastante ontem à noite para não se lembrar.
Ele tomou a pistola de Edward e andou até Sam Uley, para estabelecer as regras do duelo. Como era costumeiro, Oxford se aproximou de Edward, o medo nos olhos, e estendeu a mão.
– Só para constar, Cullen, peço desculpas pelo que falei sobre lady Isabella. E achei que gostaria de saber que, apesar de não ter os dois mil agora, vou encontrar uma forma de saldar a dívida.
Edward se enrijeceu diante da menção à aposta idiota que havia lhe causado tanta dor e infelicidade. Ele ignorou a mão estendida de Oxford e se limitou a fitar os olhos preocupados do barão, falando:
– Fique com o dinheiro. Eu a tenho e ela é tudo o que quero.
A verdade da declaração foi um tanto avassaladora para Edward, e ele se viu exausto com a ideia de um duelo agora que havia descoberto exatamente o quanto queria estar com Bella. Por que estava de pé em um campo frio e molhado quando podia estar entrando escondido na Casa Swan, subindo na cama quente e convidativa dela e enchendo-a de pedidos de desculpas até ela o perdoar e se casar com ele o mais rápido possível?
Thony e Sam voltaram depressa, ansiosos para terminar logo com os acontecimentos da manhã. Enquanto Uley informava a Oxford as regras do duelo, Thony guiou o irmão para longe dos outros para dizer, baixinho:
– Vinte passos, vire-se e atire. E sei de fonte segura que Oxford pretende mirar longe.
Edward assentiu, reconhecendo que mirar longe deixaria ambos os lados com sua honra e a vida intacta.
– Vou fazer o mesmo – afirmou, despindo o sobretudo e trocando-o pela pistola que Thony oferecia.
– Ótimo. – Thony dobrou o casaco por cima do braço. – Vamos acabar logo com isso? Está um gelo aqui.
– Um... dois... – Edward e Oxford ficaram de costas um para o outro, enquanto Sam começava a contar seus passos. À medida que andava lentamente ao ritmo dos números – cinco... seis... –, pensou em Bella, os olhos brilhantes e os sorrisos calorosos. – Doze... treze... – Bella, que devia estava profundamente adormecida em sua cama naquele exato instante. – Dezesseis... dezessete...
Ele mal podia esperar para acabar com Oxford e ir até ela. Pediria desculpas, explicaria tudo e imploraria para que se casasse com ele e...
– Parem! Não!
O grito veio do outro lado do campo, e ele se virou na sua direção, sabendo, antes de olhar, que Bella estava ali – que estava correndo até ele. E só o que conseguia pensar era que Oxford ia mirar longe e que, se escolhesse atirar na direção dela...
Edward não esperou. Apenas correu.
– Vinte!
O som do disparo de uma única pistola ecoou pelo campo.
E de repente Edward estava caindo de joelhos, vendo os grandes olhos castanhos de Bella – olhos nos quais pensara a manhã inteira – se arregalarem apavorados, e sua boca se abriu, e seu grito rasgou o silêncio do início da manhã, seguido pelo palavrão de Thony e o grito de Emmett:
– Doutor!
E, por fim, a exclamação alta e nasal de Jacob Black:
– Mas eu mirei longe!
E enquanto a bala cortava sua carne, Edward foi consumido por um único pensamento: Nunca disse a ela que a amava.
Viu Bella cair de joelhos na frente dele e puxar seu casaco para trás, passando as mãos pelo peito dele, procurando o ferimento.
O alívio o tomou, quente e desnorteante, e só o que conseguia fazer era olhar para ela, repetindo para si mesmo que ela estava viva e ilesa, de novo e de novo, até a verdade daquilo ressoar. A onda de emoções que sentira nos poucos momentos antes de ser atingido – o medo de perdê-la, de que pudesse se ferir – roubou-lhe o fôlego.
Sibilou de dor quando ela empurrou seu braço e Bella ficou paralisada, olhando para ele com lágrimas nos olhos, perguntando:
– Onde você está ferido?
Ele engoliu o nó que se formou em sua garganta com o quadro que ela formava, tão preocupada, sofrendo tanto, tão apaixonada por ele. E só o que queria fazer era tomá-la nos braços.
Mas antes, queria sacudi-la. Muito.
– O QUE DIABOS ESTÁ FAZENDO AQUI? – explodiu, sem se importar que os olhos dela se arregalassem de surpresa.
– Edward – interrompeu Thony, baixinho, usando uma faca para cortar fora a manga do casaco do irmão –, cuidado.
– Cuidado coisa nenhuma! – Edward virou-se para Bella. – Você não pode simplesmente atravessar Londres quando bem entende, Bella!
– Vim salvá-lo... – começou ela, e então parou.
Ele soltou uma gargalhada áspera.
– Bem, parece que, em vez disso, fez um excelente trabalho em me fazer levar um tiro.
Ele mal percebeu a chegada de Oxford e a declaração defensiva:
– Eu mirei longe!
– Edward! – As palavras de Anthony assumiram um tom de advertência, enquanto ele arrancava a manga do casaco do irmão. Edward se retraiu, certo de que Thony estava tendo prazer com sua dor. – Já chega.
– E você! – Cullen virou-se para Emmett. – No que estava pensando? Trazê-la aqui!
– Cullen, você sabe tão bem quanto eu que ela não pode ser detida.
– Você precisa controlar suas mulheres, Swan – exclamou Edward, virando-se de novo para Bella. – Quando for minha esposa, vou trancafiá-la, juro por Deus!
– Edward! – Anthony estava zangado.
Ele não se importava. Voltou-se contra o irmão, enquanto o cirurgião se ajoelhava ao seu lado para inspecionar o ferimento.
– Ela podia ter morrido!
– E quanto a você? – Desta vez, foi Bella quem falou, sua própria energia represada saindo sob a forma de raiva, e os homens se viraram ao mesmo tempo para olhar para ela, surpresos por ter encontrado a voz. – E quanto a você e o seu plano idiota para de alguma forma restaurar a minha honra brincando com armas no meio do nada, com Oxford? – cuspiu o nome do barão com desdém. – Como crianças? De todas as coisas ridículas, desnecessárias, imprudentes e masculinas que podia fazer... Quem é que ainda duela?!
– Eu mirei longe! – interrompeu Oxford.
– Ah, Jacob, ninguém está interessado! – falou Bella, antes de se virar de novo para Edward e acrescentar: – Estava preocupado comigo? Como acha que me senti sabendo que eu podia chegar e encontrar você morto? Como acha que me senti quando ouvi o tiro? Quando vi o homem que amo cair no chão? De todas as coisas egoístas que fez na vida, Edward, seu tolo... e tenho certeza de que fez muitas... esta é de longe a mais arrogante e nefasta de todas. – Ela estava chorando agora, sem querer deter as lágrimas, ou incapaz de fazer isso. – O que vai ser de mim se você morrer?
Diante das lágrimas, a beligerância o deixou. Não podia suportar a ideia de Bella se preocupando com ele. Afastou o médico e segurou o rosto dela em concha com as palmas das mãos, ignorando a dor em seu braço, enquanto a puxava para si e dizia firmemente:
– Não vou morrer, Bella. Foi só um ferimento superficial.
As palavras dele, uma repetição das que ela dissera para ele semanas atrás, no clube de esgrima, produziram um sorriso lacrimoso.
– O que você sabe sobre ferimentos superficiais? – perguntou ela.
Ele sorriu.
– Esta é a minha Imperatriz. – Ele a beijou suavemente, ignorando sua plateia, antes de acrescentar: – Vamos simplesmente ter cicatrizes gêmeas. – Os olhos de Bella ficaram marejados de novo, fitando ceticamente a ferida, antes de ele repetir: – Não vou morrer. Não tão cedo.
Bella ergueu uma sobrancelha em um gesto que aprendera com ele.
– Não tenho certeza de que acredito nisso, Edward. Parece que não sabe atirar muito bem.
Ele voltou os olhos franzidos para o irmão, que ria baixinho das palavras irônicas de Bella, antes de se virar de novo para ela.
– Só para constar, Isabella, quando não estou preocupado de que você possa se pôr no caminho de uma bala, sou um excelente atirador.
– Por que estava preocupado comigo? Era você quem estava em um duelo!
O cirurgião examinou o ferimento, provocando um raio de dor por seu braço.
– Milorde – anunciou, enquanto Edward sibilava com a pontada –, sinto, mas vou ter que remover a bala. Não vai ser confortável.
Ele assentiu para o médico, que estava retirando uma coleção de instrumentos de aparência um tanto perversa de sua maleta, em preparação para o procedimento.
Bella deu uma olhada nervosa para as ferramentas e perguntou:
– Tem certeza de que quer fazer isso aqui, doutor? Talvez devamos ir a algum lugar menos... rústico?
– Aqui é um lugar tão bom quanto qualquer outro, milady – respondeu o médico, afavelmente. – Não é a primeira bala que removo neste campo em particular e tenho certeza de que não será a última.
– Entendo – disse ela, o tom deixando claro que, na verdade, não entendia.
Com a mão livre, Edward pegou uma das mãos dela. Quando falou, foi com uma urgência que ela nunca ouvira dele:
– Bella... a aposta.
Ela balançou a cabeça.
– Não me importo com a aposta idiota, Edward.
– Mesmo assim. – Ele se retraiu conforme o médico cutucava o ferimento. – Fui um idiota.
Ela acompanhou ceticamente os movimentos do médico, antes de concordar:
– Você foi, sem dúvida. Mas também fui um tanto idiota... por acreditar no pior. E então Emmett me disse que você estava aqui... e fiquei tão preocupada que pudesse levar um tiro... E então vim e fiz você realmente levar um tiro.
– Melhor do que fazer você levar um tiro... o que teria partido muito o meu coração. Sabe, Imperatriz, parece que me apaixonei perdidamente por você.
Ela piscou duas vezes, os olhos arregalados, como se não tivesse entendido inteiramente as palavras dele.
– Como disse? – sussurrou.
– Eu te amo. Amo seu nome e seu rosto lindo, e sua mente brilhante, e sua lista ridícula, e seu gosto pela aventura, que imagino que muito provavelmente será mesmo a causa da minha morte. E queria muito poder lhe dizer tudo antes que levasse um tiro em um campo.
Os homens em volta viraram de costas ao mesmo tempo, envergonhados e ansiosos para fugir do momento extremamente particular que estava acontecendo apesar tanto da presença deles quanto do horrível ferimento no braço de Edward.
Bella não se importava que eles o tivessem testemunhado. Só se importava de ter escutado corretamente. Recusando-se a tirar os olhos de Edward, ela balbuciou:
– Eu... Você... Tem certeza?
Ele deu um meio sorriso.
– Absoluta. Eu te amo. E estou pronto para começar uma vida inteira amando você.
– É mesmo?
Ela estava sorrindo como uma garotinha a quem tinham dito que podia comer mais sobremesa depois do jantar.
– Sem dúvida. Mas há uma coisa.
– Qualquer coisa.
Ela não se importava com o que ele queria, desde que estivesse apaixonado por ela.
– Thony! – chamou ele, acrescentando, quando seu irmão se virou: – Incomoda-se de procurar a minha pistola? Bella precisa dela.
Bella riu alto, entendendo os motivos dele na mesma hora, e o barulho atravessou o campo e chamou a atenção dos outros homens.
– Edward, não!
– Ah, sim, minha tentação – disse ele, humor e amor permeando seu tom. – Quero esta lista encerrada. Está claro que é um perigo para a sua reputação e para a minha pessoa. E, já que acabou de riscar assistir a um duelo esta manhã, estou certo de que o melhor é matar dois coelhos com uma proverbial cajadada e lhe dar a oportunidade de disparar uma pistola, você não acha?
Bella sustentou o olhar dele por um longo momento, lendo seus pensamentos, antes de abrir um sorriso largo e dizer:
– Está bem. Vou fazer. Mas só para agradá-lo.
A gargalhada dele atravessou o campo, enquanto ele fazia uma careta com a dor em seu braço.
– Que magnânimo da sua parte.
– É claro que você percebe o que vai acontecer quando esse item for cortado.
Os olhos de Edward se franziram.
– O que vai acontecer?
– Vou ter que começar outra lista.
Ele gemeu.
– Não, Bella. O seu tempo de listas acabou. É um milagre eu ter sobrevivido a esta.
– Minha nova só terá um item.
– Parece uma lista muito perigosa.
– Ah, ela é – concordou Isabella, alegre. – É muito perigosa. Particularmente para a sua reputação.
Agora ele estava curioso.
– Que item é esse?
– Regenerar um libertino.
Ele a fitou, absorvendo o significado das palavras, antes de puxá-la para si e beijá-la profundamente. Quando se afastou, encostou a testa na sua e sussurrou:
– Feito, minha Imperatriz.
E... Fim! Tem o epílogo, mas vocês sabem, né? A despedida é esta... A dor do parto é grande, mas...
A próxima fanfic será "Entre o Amor e a Vingança, O Anjo Caído - O Clube dos Canalhas" e ela virá na semana seguinte ao prólogo, Ok? Posso contar com vocês me acompanhando em mais uma rodada?
Mila: Pois é, mas o sofrimento foi rapidinho, apesar de ter sido de cortar o coração da Bellinha, ela já está inteira e feliz de novo :) Beijo!
Bianca Cullen Riddle: Super feliz aqui que você tenha gostado. Adooooro quando ficam ansiosas, quer dizer que escolhi bem a estória hahaha
Lcavalcante: Pena que já está no fim, né... Quando li a primeira vez, não conseguia parar. Levava o celular até no banheiro! kkkkkkk
BbCullen: Sim, crueldade é apelido. Ele soube pegar na ferida e expor pra uma plateia, não é de se admirar que o Emmett tenha ameaçado o Edward, né?
Jana Masen: Então, eu fiquei com o coração na mão quando li, não é fácil descobrir algo assim, dessa forma. Dói muito mesmo. Mas finais felizes no horizonte, amém?
kjessica: Sim, e ele tinha que vir que trucidar a ferida aberta. Besteira do Edward não ter aberto o jogo também, mas fazer o quê, rs. Conto com sua companhia na próxima também :D Beijos!
O prólogo virá dia 05/08 (não posso prometer antes porque esse mês é o aniversário de 01 aninho da pequena Isa, então vou estar louca correndo atrás de decoração kkkk), e então começaremos com O Anjo Caído.
Beijinhos e até lá, flores do campo :)
