Controlo minha vontade de entrar no meu carro e parar em outro lugar ou até voltar pra casa e esperar o horário do fim do Baile porque acho melhor fingir que nada aconteceu.
"O rei não vai entrar então?" Escuto ele perguntar, enquanto senta no capô do carro e acende um cigarro.
Não faço esforço algum para responder ou para me importar com sua presença mas o meu interior grita para conversar logo com ele. "Não vai falar comigo?"
Continuo no meu tratamento silencioso e brinco com o zíper da minha jaqueta.
"Desculpa," ele sussurra. É quando olho para ele e vejo que os roxos em seu rosto não melhoraram. Aliás, até parecem estar mais escuros. "Foi uma semana complicada," ele explica apontando para a própria cara. "Max chegou tarde aquele dia e eu mais tarde ainda e bom... qualquer coisa é pretexto pra isso aqui."
"Sinto muito em ouvir isso mas você não pode descontar nas pessoas, ainda mais quando recusa a ajuda delas." Respiro fundo antes de continuar. Nunca fui bom em ficar calado mesmo e ele precisava ouvir algumas coisas. "Você sabe que eu te ajudaria e também que..."
"Eu sei. Por isso que quis me manter distante. Eu te disse aquele dia e vou repetir, não quero você envolvido nisso... não para não estar próximo de mim mas para não acabar se machucando também."
"Foi por isso que agiu como agiu?"
Ele desce do próprio carro e vem se sentar no meu. Sinto a ponta de seus dedos encostarem-se aos meus. "Eu não sei muito bem como agir, na maioria das vezes."
Ficamos em silêncio por alguns minutos e ele segura minha mão com força. Ele precisa de ajuda mas é difícil se continuar sendo um babaca e me humilhando (a si próprio também) em público.
"Harrington?" Estou distraído pensando em sua situação e apenas olho para ele em resposta. "Me beija, Harrington."
É aí que sei que estou perdido porque como eu quero beijá-lo! Desde aquela primeira briga no carro, eu quero beijar e morder e abraçar e socar esse garoto. Ele se levanta e se encaixa entre minhas pernas e quando nos aproximamos, ouvimos vozes vindas da escola. Ele pula para trás e eu para o lado, aumentando nossa distância.
Nós dois concordamos em silêncio e ficamos mais uns minutos afastados. Com o tempo acabamos nos aproximando e segurando a mão um do outro novamente. Isso não teriam como ver.
"Quer ir para algum lugar? Eu estou com muita vontade mesmo de te beijar."
"Eu tenho que ficar, Hargrove. Sou a carona do Dustin." Nunca quis tanto que Dustin fosse dormir na casa de um dos amigos.
"E eu da Max. A gente volta antes deles perceberem."
Eu não concordo totalmente então entro na escola para avisar Dustin (que parecia bastante mal-humorado) que iria sair mas estaria de volta para levá-lo para casa no fim da festa. Billy disse que não precisava dizer nada a Max, ele não poderia voltar sem ela.
Entramos no meu carro e ele procura uma música que goste no rádio, enquanto dirijo para fora da escola. "Onde estamos indo?"
"Não sei. Onde quiser." Ele se inclina no banco para beijar meu pescoço.
Meu raciocínio fica muito prejudicado quando o sangue sai do meu cérebro e vai para o meu pau. Penso no último lugar que estivemos e acelero até lá.
Paro na rua da nossa briga e ele ri. "Reconciliação?"
"Cala essa boca, Hargrove."
Eu sento em seu colo e nós dois sorrimos. "Eu senti falta disso."
Então nós nos beijamos e todo o estresse da última semana é levado para longe. A brutalidade de nossas brigas é substituída pelo calor dos nossos corpos.
Nos beijamos e conversamos até eu deslizar minhas mãos para o cós de sua calça. "Steve," ele sussurra, "o horário."
Olho assustado para meu relógio mas ainda temos tempo. Sento-me de volta no banco do motorista e volto a dirigir, minhas calças e cueca me incomodando.
"De qualquer jeito, Harrington, não queria que fosse assim. No carro."
Chego no colégio e estaciono no mesmo lugar. Saímos do carro e crianças e adolescentes começam a deixar a escola. Quando vemos Max e Dustin vindo em nossa direção, ele vira-se rapidamente para mim:
"Não quer passar a noite comigo?"
Eu deveria responder não. Deveria ir embora e não bancar o salvador de um menino complicado. Deveria me afastar. Mas respondo a única coisa que consigo:
"Lá em casa. Meus pais não estão."
Dustin está muito calado na volta para casa.
"E o cabelo, bonitão? Te ajudou?" Ele força um sorriso para mim e responde que dançou com a menina mais linda da escola. Acho que alguma coisa foi diferente do planejado mas já que ele não quis me explicar não vou forçá-lo a falar.
Chegamos na sua porta e ele me agradece por hoje. "É sempre uma honra, senhor Henderson."
Embora quisesse ter conversado mais com Dustin e ter pensado melhor no porquê de sua tristeza depois de um Baile na escola, não existia muito espaço na minha cabeça a não ser para Billy.
Chego em casa e não vejo sinal dele. Estaciono e entro em casa um pouco nervoso, admito.
Vejo seu carro chegando depois e destranco a porta, espero ele chegar para abri-la. Seus olhos estão vermelhos e seu nariz sangrando. Puxo Billy para dentro fechando a porta atrás de nós e ele me abraça. Não sei o que dizer então só o levo até uma das cadeiras da cozinha e lhe entrego gelo. Ele coloca sobre o olho que está machucado e vou até o banheiro pegar algodão e curativos.
Faço o sangue parar e alguns curativos em seu rosto, evitando os olhos, muito quieto. Não sei o que falar então só olho com intensidade seu rosto. "Ele não queria que eu passasse a noite fora. E me bateu. Aí me mandou sair e só voltar amanhã, ou depois."
Coloco a mão em seu rosto e percebo sangue em alguns fios loiros de seu cabelo. "Vamos ver TV?"
Nos sentamos no sofá, bem juntos, percebo que estamos de mãos dadas e que só havia soltado para amenizar seus machucados. Coloco em qualquer canal, apenas para nos distrair. "Foi mal, Harrington. Não era assim que planejava essa noite."
"Olhe para mim. Não se desculpe pelo que não é sua culpa."
Ele me beija. Fico preocupado com seu rosto mas suas mãos estão em meu pescoço e cintura, me puxando para perto. Quando nos separamos, ele deita a cabeça em meu ombro e fecha os olhos. Dormimos os dois alguns minutos depois.
Acordo incomodado com a luz da TV. Tento me mexer até perceber minha posição no sofá. Não estou mais sentado, mas sim deitado de bruços por cima de Billy. Ele deve ter deitado e me puxado junto em algum momento da noite. Olho em meu relógio e são quase 4 da manhã.
"Billy, acorde. Hargrove!" Tenho que falar mais alto e sacudir seu corpo para ele acordar. "Vamos para o quarto," digo assim que vejo seus olhos abrirem.
Desligo a TV e ele abraça minha cintura por trás até chegarmos ao meu quarto. Tiro a camisa e a calça jeans para colocar uma roupa confortável mas ele não deixa. Quando percebo ele está completamente sem roupas e bem acordado, deitado em minha cama, mexendo no próprio pau.
"Vem logo, Harrington. Eu ainda to morrendo de vontade."
Tiro a cueca e me deito ao seu lado. "Eu também," eu assumo. "Mas você tá machucado..."
Ele me beija cheio de vontade e eu retribuo mas estou tenso. Quando sua mão já estava me acariciando, ele me pergunta o que está acontecendo. "É que eu... você sabe, nunca..."
"Começamos aos poucos. E comigo, é claro."
"Como assim?"
"Você vai me comer hoje, Steve Harrington."
