Capítulo 16 – O anúncio oficial
"House, você falou?".
"O quê?".
Cuddy o puxou pela camisa até o outro escritório. O time todo ficou surpreso e eufórico com aquela situação. Kutner tentou ouvir, mas Cuddy falava muito baixo.
"Você falou sobre a minha gravidez?".
"Não!".
Ela a olhou desconfiado.
"Eu juro! Quem falou foi você pra sua mãe, irmã, para o rabino e pra tia Nora".
"Dora!".
Cuddy sentou-se desanimada sem dizer uma palavra.
"O que houve?". House queria saber.
"As enfermeiras estão me olhando de forma esquisita".
"Será porque sua barriga está em evidencia?".
"Você acha?". Cuddy colocou a mão protetoramente sobre a barriga.
"Eu descobriria, mas eu tenho QI acima da média e sempre reparei em todos os detalhes sobre você. Já teria notado há pelo menos dois meses que sua menstruação está atrasada".
"Você não teria como notar isso se não estivéssemos juntos".
"Oh, não duvide de mim".
"Você sabia quando eu estava menstruada?".
"Sempre! E quando ovulava também".
"Eu ficava emocionada olhando os recém-nascidos?". Ela perguntou se lembrando de uma conversa antiga. "Era essa a sua dica?".
"E me olhava com desejo, como uma predadora".
"Bobagem!". Ela disse corando, pois sabia que era verdade.
"Totalmente real".
"House, sério... Minha barriga está marcando a blusa?".
"Sim Cuddy".
"Por que você não me disse antes?".
"Eu tentei e você ficou brava".
"Você me chamou de gorda!".
"NÃO! Eu te chamei de grávida. É diferente".
"Tem razão". Ela disse baixo e refletindo sobre isso. "Eu vou anunciar a gestação hoje".
"Hoje?".
"Antes que a fofoca tome todo o hospital".
"Você vai simplesmente convocar todos para o anuncio no auditório?".
"Mais ou menos isso". Ela disse com rosto de quem teve uma epifania e saiu.
"Cuddy...".
Ela se virou. "Sigilo até lá, por favor. Só mais algumas horas e então você poderá se gabar do quão garanhão você é".
"Ok". Ele tentou manter-se sério. Mas sorriu assim que ela se virou.
"O que Cuddy queria?". Taub se aproximou.
"Saber se o tamanho do seu pênis nos permite amarrar você de ponta cabeça ou se precisamos colocar um extensor. Claro que precisamos do extensor".
Kutner riu.
"Você também não pense que é muito diferente". House disse.
"Ok, podemos voltar ao caso e parar com as bobagens machistas?". Treze interferiu.
"Oh, eu sei que você gosta 50% disso". House respondeu e Foreman se incomodou.
"Homens pretos tendem a ter vantagem nisso perto de... Taub. Então relaxa Foreman".
Treze respirou fundo e abriu o prontuário médico do paciente. "Ainda bem que eu não nasci homem".
"Uh... 50%?".
"Cala a boca House".
Duas horas depois.
"Dra. Cuddy convocou a todos para a reunião sobre o plano de saúde. Essa reunião não aconteceria semana que vem?". Chase abriu a porta perguntando.
"Novamente aquele que ama estar perto de mim invade a sala". House disse sarcástico.
"Aconteceu alguma coisa com o plano de saúde?". Chase perguntou.
"Por que o interesse?".
"Porque nós temos algumas cirurgias agendadas e isso é importante".
"Como se você se importasse". Foreman respondeu com desdém.
"Eu estou com o cara preto nessa". House disse.
"Você é o namorado dela, não deveria saber dessas coisas?". Chase questionou.
"Me interesso por coisas melhores e mais excitantes, se é que me entende. Por exemplo, pergunte-me qual a cor de calcinha dela hoje".
Chase ia realmente perguntar, mas Treze interrompeu com novidades sobre o paciente.
"NÃO!". Kutner se irritou.
"Ok, temos alguém querendo saber a cor da calcinha da minha namorada. Quão bizarro é isso?".
Kutner corou. Chase riu.
"House, tem cinco minutos?". Era Cuddy.
"Raio de sol. Estávamos falando sobre você. Acredita que Kutner quer saber...".
"NADA!". Kutner interrompeu.
Todos olharam pra ele, pois Kutner praticamente gritou. "Ok...". Cuddy respondeu confusa. "Cinco minutos?". Ela se voltou para House que saiu com ela.
"Eu vou divulgar sobre a gestação". Ela o alertou.
"Em uma reunião sobre plano de saúde?".
"Depois da reunião".
"Posso divulgar imagens sobre como eu fertilizei seu óvulo?".
"Não".
"Você dirá que foi no método tradicional?".
"Não".
"Que anúncio chato então".
"Não interessa pra ninguém nossa intimidade, não darei detalhes e espero que você também não". Ela olhou pra ele desconfiada.
"Claro que sim. Quando é algo nesse nível temos que ser detalhistas...".
"Eu te mato e esse bebê será órfão de pai antes de nascer".
"Uau!".
"House, precisamos falar para Wilson antes".
"Oh não, me deixe ver a cara dele quando ele descobrir durante o seu pronunciamento".
"Ele é nosso amigo e merece saber antes de todo mundo".
"Minha mãe ainda não sabe...".
"Você não contou pra ela?". Cuddy perguntou indignada.
"Não falei mais com ela desde... a ilha".
Ela arregalou os olhos em choque. "Ok, uma coisa por vez. Vamos falar pra Wilson agora".
E ela saiu o arrastando pelo corredor até a sala do amigo.
Quando chegaram, Cuddy bateu a porta e Wilson pediu para entrarem.
"Oi Wilson".
"Aconteceu alguma coisa?". Ele estranhou.
"Nós só queremos dar uma noticia". Cuddy falou.
"Eu estou aqui como refém". House disse.
"Noticia? Vocês irão se casar?".
House tossiu.
"Não". Cuddy respondeu. "Eu...". Ela respirou fundo. "Eu estou grávida".
Wilson arregalou os olhos e não disse uma palavra.
"Acho que o matamos". House falou.
"Wilson?". Cuddy o chamou.
"Espere... Você está grávida de Gregory House?".
"Não, o espermatozoide era de Taub, mas foi Chase quem introduziu".
"Sim!". Cuddy respondeu o ignorando.
"Oh meu Deus!".
"Que rufe os tambores. Que as sete trombetas com os sete selos caiam do céu". House falou com voz dramática.
"Quando isso aconteceu?".
"Exatamente? Não sei por que tivemos muito sexo...".
"Na ilha". Cuddy respondeu.
Wilson arregalou os olhos. "Vocês estavam juntos na ilha?".
"Wilson, estávamos os dois lá? Você não se lembra? Perda de memória?".
"Eu quero dizer... Os dois juntos... juntos?".
"Sim". Cuddy respondeu.
"Oh meu Deus! Então você já deve estar com quatro meses...".
"Quatro meses e meio". Cuddy esclareceu.
"E você esperou até agora pra me dizer?".
"Eu não queria dar a noticia muito cedo...".
"Mas eu serei o tio".
"Tecnicamente não". House disse.
"Oh Lisa, meus parabéns!". Wilson a abraçou.
"E eu? Fui eu quem desbravou o útero seco e hostil de Lisa Cuddy e povoei o óvulo solitário". House fingiu-se de ferido.
"Você é um bastardo sortudo". Wilson disse sorrindo e o abraçando.
"Ei... Eu estava brincando sobre o abraço...". House tentou se desvencilhar.
"Foi uma surpresa. Tenho Rachel bebê e não pensava que eu podia engravidar". Cuddy disse colocando a mão na cintura de House. Ele estranhou, mas gostou dessa intimidade.
"E vocês resolveram bancar o Tarzan e a Jane da selva?".
"Oh, não chame minha ninhada de chita (Cheetah)". House respondeu bem humorado.
"Eu estou chocado".
"Nós queríamos te contar antes de eu anunciar para todos e tornar isso oficial". Cuddy esclareceu.
"Obrigado por isso?".
"Oh não reclame. Eu que fiz todo o serviço pesado só descobri depois de algum tempo".
Cuddy balançou a cabeça. "Depois conversamos melhor Wilson, temos que ir!".
"Depois eu mostro os gráficos do coito...".
"Isso nunca". Cuddy disse e o puxou de lá.
"Por que não? Ele é amigo?".
Wilson sorriu. Esses dois foram feitos um para o outro e agora haveria um pequeno pedaço desse amor. Era surreal.
Quando saíram House reclamou. "Você só me castra".
"O quê?".
"Não House. Nem pense nisso House. Nunca House".
"Por que será? Você só sugere coisas absurdas".
"Então, se eu sou tão alienado, por que você está comigo?".
Ela o olhou. Cuddy estava com pressa, mas aquilo não podia esperar. Havia coisas entre um casal que precisam ser ditas o quanto antes. Então ela o empurrou para uma sala de almoxarifado.
"O que é isso?".
"Sala de almoxarifado".
"Eu sei o que é mais o que fazemos aqui?".
"House, eu te amo!".
Ele arregalou os olhos surpreso.
"Você é insano, precisa ser controlado, pois parece uma bola de Pinball. Eu amo controlá-lo, amo como você me desafia, como é inteligente, o seu senso de humor e sua atitude imprevisível. Mas eu vou controlá-lo aqui no hospital e isso não significa que te amo menos. Ok?".
"Pinball?".
"O que tem isso?".
"Gostei da comparação. Eu jogava Pinball".
"De tudo o que eu disse você só se ateve a isso?".
"Não. Mas não posso negar que houve um destaque nessa palavra, tipo um negrito vermelho".
Ela sorriu.
"Você também ama sexo comigo?".
"O crescimento anormal no meu abdômen deve atestar isso". Ela respondeu sorrindo.
"Uh... Você dizendo isso me deixa com tesão".
"Não aqui e não agora, tigrão. Em casa".
"Mas eu estou com tesão aqui e agora".
"Tenho um pronunciamento a fazer em pouco tempo".
"Imagina você fazendo o pronunciamento recém fodida por mim? Vai te deixar mais calma".
Ela riu. "Sonhe!".
Ele se aproximou.
"Sério House. Eu já estou recém fodida por você, não se lembra dessa manhã...".
"Como eu poderia esquecer?".
Cuddy abriu a porta e saiu de lá o mais rápido que podia, pois ela sabia que não iria resistir a proximidade dele. Sobretudo agora... Desde a semana anterior ela sentiu que os hormônios em ebulição a deixavam com a libido a flor da pele.
House sorriu. Ele estava feliz.
Duas horas depois a maior parte dos funcionários em plantão naquele momento estavam no auditório aguardando o pronunciamento da reitora. Estavam fora aqueles que não podiam deixar suas atividades, já que a vida e saúde de pacientes dependiam deles. Mas o pronunciamento da reitora era sempre gravado e ficava disponível na intranet do hospital para que, aqueles que não tiveram a possibilidade de estarem presencialmente, pudessem acompanhar posteriormente.
"Boa tarde!". Cuddy falou quando subiu no pequeno auditório.
"Agradeço a todos pela disponibilidade em estarem aqui. Sei que o tempo de vocês é curto e valioso, e não é meu interesse mantê-los por muito tempo longe de suas atividades". Ela disse com elegância e carisma. "Mas é importante que saibam o rumo que as negociações com o plano de saúde Prevent está tomando já que afeta diretamente nosso hospital e as atividades de vocês".
Todos estavam preocupados e ansiosos.
"Cuddy vai anunciar sobre a...? você sabe...". Wilson perguntou discretamente para House.
"Oh sim, eu já estou pronto para gravar esse momento".
"Não faça isso!".
"Por que não?".
"Porque eles já gravam normalmente e disponibilizam na intranet".
"Eu quero algo pessoal".
"Não House... Na intranet estará em resolução HD".
"Mas eles não dão close nos peitos dela".
Wilson corou.
"Após três meses de extenuantes negociações com a Prevent finalmente fechamentos um acordo na noite de ontem". Cuddy continuou seu pronunciamento.
"Por isso ela estava tão estressada ontem a noite". House comentou com o amigo.
"Não faz mal uma mulher grávida estressada?".
"Diga isso pra ela. Eu nem me arrisco senão ela fica ainda mais estressada".
"Conseguimos aumentar a alíquota de contribuição ao hospital em aproximadamente 20% para procedimentos cirúrgicos e exames de imagem, 18% para demais exames e 15% para consultas". Cuddy anunciou.
Comentários gerais, alguns pensavam que era pouco, mas a maioria aplaudiu.
"Isso nos permitirá aumentar o quadro de funcionários em alguns setores fundamentais para que mantenhamos a qualidade do serviço e para que esses profissionais atualmente sobrecarregados possam, enfim, descansar merecidamente".
Mais aplausos.
"Por favor diga que a neurocirurgia é um desses setores". Dr. Richards gritou.
"Com certeza é". Cuddy respondeu divertida.
Risadas invadiram o ambiente.
"Não vamos nomear todos os departamentos agora, mas faremos isso com calma nos próximos dias. Conto com a ajuda de vocês quando forem solicitados". Cuddy pediu exalando carisma.
"Acho que nessa sala há pelo menos uns cinquenta homens apaixonados pela sua namorada". Wilson comentou olhando as feições dos colegas.
"Só homens?".
"Ok, talvez mulheres também".
"Eu tenho certeza disso e no entanto... Sou eu que...".
"Ok, ok... Você é foda".
"Obrigado". Ele respondeu orgulhoso enquanto continuava gravando.
"Talvez se algum outro homem tivesse ido parar na ilha deserta com ela...". Wilson argumentou.
"Nada teria acontecido".
"Como você tem tanta certeza?".
"Porque eu conheço minha mulher".
Wilson balançou a cabeça enquanto o amigo falava com soberba e com tom apaixonado.
"Peço apenas mais dois minutos do seu tempo para que eu compartilhe com vocês algo pessoal, se me permitem".
Imediatamente um burburinho começou tão logo Lisa Cuddy pronunciou essas palavras.
House sorriu satisfeito consigo mesmo e aproximou ainda mais as lentes de sua câmera.
"House, desliga isso".
Mas ele ignorou Wilson.
"No intuito de evitar especulações e fofocas, eu pretendo deixar claro para todos que estou grávida".
O falatório na sala foi enorme, muitos se viraram para procurar House e outros começaram a escrever alguma mensagem em seus celulares.
"Antes que me perguntei, sim, esse bebê é de Gregory House, meu namorado".
House filmava enquanto os comentários e o tom de surpresa continuava.
"Vou continuar trabalhando até que tenha condições para isso, já agendei uma reunião com a alta administração para tratar de minha licença maternidade, portanto, fiquem tranquilos e continuem seu dia a dia".
"Como irão continuar o dia a dia agora?". Wilson cochichou com o amigo. "A fofoca vai dominar esse hospital. Gregory House e Lisa Cuddy tendo um bebê juntos?".
"É como se o céu enviasse o emissário da luz". House disse enquanto filmava.
"Ou das trevas". Wilson o corrigiu.
"Jimmy, eu estou filmando e isso ficará para a posteridade, meu filho ou filha verá o que você diz".
"Não...". Wilson corou. "Eu quero dizer... É uma brincadeira por conta de todo o histórico...".
"Ok Jimmy... Eu não quero perder nada". House o cortou.
"Dr. House continuará sendo o seu funcionário?". Dr. Hilton perguntou com um ar acusador.
"Isso cabe a mim e ao head do RH decidir. Como disse, fiquem tranquilos e continuem suas atividades. Não que imagino que farão isso sem fofocas, mas...".
Muitas risadas.
"Os detalhes só cabem a mim e ao pai dessa criança e questões profissionais tratarei com quem é cabível". Cuddy cortou qualquer discussão.
"Wow, até pra dar um fora Cuddy é educada".
"Ela é educada até pra me dar...".
"Ok, ok. Eu não quero ouvir isso".
"Sério?". House estranhou.
"Depois com que cara vou olhar pra ela?".
"Eu tenho algumas opções...".
"Oh, cale-se!". Wilson se levantou.
House continuava a filmagem enquanto Cuddy olhava pra ele a distância.
"Parabéns, papai!". Wilson disse antes de sair.
O fato é que metade dos presentes foram cumprimentar Cuddy e House. Ele odiou.
O casal não conseguiu se ver pelo resto do dia, pois ela tinha uma série de compromissos, mas se encontrariam perto das sete horas da noite na casa dela.
"Você está feliz e satisfeito porque será pai ou porque conseguiu engravidar Cuddy?". Wilson perguntou confuso horas depois.
"Claro que a segunda opção".
"Você é um adolescente mesmo".
"Vai me ofender agora?".
"Você será pai, sabe o que isso significa?".
"Que serei um dos inúmeros adultos irresponsáveis que colocam outro ser humano nesse mundo cruel".
"Eu ia dizer que você será responsável pela vida de outro ser humano".
"Mesma coisa".
"Não, não é. A paternidade pode ser algo lindo".
House não moveu uma pálpebra, ficou paralisado olhando para Wilson.
"O que foi?".
"Continue. Dê seu discurso inspirador e motivacional".
"O que você e Cuddy conversaram sobre o bebê?".
"Muito pouco. Quase nada".
"Vocês não conversaram?".
"Quanto menos conversa, melhor".
"Ok eu esperava isso de você, mas não dela".
"Sei que haverá um ultrassom na semana que vem".
"Pelo menos é alguma coisa".
"Sei que o abdômen dela já está em expansão e que os enjoos diminuíram. A dor de cabeça e cansaço também. Agora ela está na fase de querer fazer xixi a cada quinze minutos e da libido alta".
"E você deve apreciar essa última parte...".
"De acordo".
Wilson balançou a cabeça.
"Também sei sobre os exames de sangue dela, todos normais".
"Ela te disse?".
"Não, eu investiguei".
"E por que você não pergunta pra ela ao invés de investigar?".
"Investigar é mais fácil. E mais interessante".
"Sério, vocês precisam conversar".
"E você precisa transar. Tem saído com... Como é mesmo o nome dela?".
"Não mude de assunto".
"Aliás... Agora tenho provas concretas que Johnson me odeia e tem um crush em Cuddy".
"Como assim?".
"Eu tenho o rosto dele gravado quando ouviu a notícia".
"Sério?".
"Quer ver?".
"Claro!".
E os homens se divertiram olhando e tentando decifrar a cara dos presentes.
Mas antes de sair Wilson falou novamente. "Converse com Cuddy sobre o bebê".
"Vai cuidar da sua vida!".
"Converse com ela!".
...
Naquela noite House se viu novamente na casa da namorada. Por vezes ele imaginou que Cuddy queria ficar a sós com Rachel em dados momentos, mas ela sempre pareceu tão feliz em tê-lo ali que isso o confundia.
"Você viu o que Rachel fez?".
"Cuspiu a banana que você deu pra ela?".
"Não! Ela sorriu depois de encontrar Lila".
"Ok, pra mim foi mais 'cuspir a banana', meio nojento inclusive".
"Você gosta de pegar no pé dela". Cuddy disse bem humorada enquanto se encantava com as pequenas coisas que a filha fazia.
"Eu? Não! Como vou implicar com uma garotinha de sete meses de idade?".
"Oito". Cuddy o corrigiu.
Rachel já reconhecia House e sempre se agitava com a presença dele. A menina estava mais brincalhona do que nunca e adorava arremessar os blocos de montar pela casa.
"Ela joga longe todos os brinquedos, logo ela vai destruir esse gato". House falou sobre o brinquedo novo, ou Lila, como Cuddy o nomeou.
"Ela é uma bebê".
"Ninguém negou esse fato".
House ficou pensativo, veio a sua mente a conversa com Wilson e ele não sabia o que dizer. Ele tinha que falar algo, mas como ele falaria isso? O que exatamente ele diria?
"Você tem outro bebê na sua barriga".
Cuddy olhou surpresa para o namorado.
'Você tem outro bebê na sua barriga? Que merda foi essa?', House perguntava para si mesmo.
"O que você quer dizer?". Cuddy perguntou confusa.
"Você tem... Alguém dentro de você".
"É o que acontece quando se está grávida".
"Você já pensou que esse bebê terá que sair daí eventualmente?".
"É tudo o que penso... Se o bebê sair com saúde e bem eu estarei feliz".
"E como será isso?".
"Eu queria parto natural, mas não sei se pela minha idade...".
"Não, eu digo... Como será nossa vida depois que esse bebê deixar o quentinho do seu útero?".
Ela respirou fundo, então era isso? Ele finalmente estava querendo falar sobre o elefante na sala?
"Eu terei dois bebês pra cuidar. Marina me ajudará também".
"E quanto a mim? O que eu serei?".
"O que você espera que eu responda?". Ela queria dizer tantas coisas, mas estava confusa.
"Eu não sou a figura de pai mais provável".
"Não. Nem de namorado".
"E no entanto...".
"E no entanto você é meu namorado e o pai de meu filho ou filha".
"O que faz de mim...".
"Uma figura improvável?".
Ele riu. Ela riu.
"O que faz de mim uma pessoa que não gosta do óbvio". Cuddy complementou.
"Bom ponto. Mas também faz de você uma pessoa que vive perigosamente, porque eu sou um viciado, a qualquer momento eu posso ter uma recaída. Eu tenho habito de fugir da dor, em qualquer momento posso desaparecer".
"É um risco".
"Sério Cuddy!".
"Eu sei disso tudo e ainda assim prefiro ficar com você a ficar com qualquer outro".
"Seria assim se não existisse esse ser crescendo em seu abdômen?".
"Provavelmente".
"Por que você pensa isso?".
"Porque tem sido assim há mais de vinte anos".
No dia seguinte Rachel adoeceu, e ficou assim pelos próximos dias. Ela teve febre e ficou manhosa e chorosa, Cuddy a colocou para dormir na cama com eles.
"Você precisa acostumá-la no berço dela".
"Ela está doente, House".
"Ela vai se tornar uma menina mimada".
"E se a mãe dela a largar quando ela mais precisa, ela vai se tornar uma menina insegura".
"Nós precisamos ficar sozinhos as vezes, você sabe...".
"Ela vai melhorar logo!".
Mas foi uma semana assim. Em uma noite em particular House abraçou a garotinha enquanto ele dormia, Cuddy acordou no meio da noite e viu a cena, ela se encantou. House não admitia, mas ele já havia se apegado a menina, e ela a ele.
No dia seguinte pela manhã House estava demorando no banho, eles iriam juntos para o hospital. Cuddy abriu a porta do banheiro para apressá-lo e o viu se masturbando embaixo do chuveiro.
"Feche a porta quando você estiver fazendo isso, alguém pode entrar...".
"Só você entra aqui e você está quebrando o clima".
Cuddy sentiu-se excitada com aquela cena, mas ela já estava vestida para ir trabalhar e Marina chegaria logo.
"Venha aqui!".
"Eu já estou vestida para ir...".
"Cuddy, só se vive uma vez...".
"Eu... Ok, sente-se no vaso sanitário". Ele desligou o chuveiro e sentou-se no vaso sanitário.
Cuddy cuidadosamente tirou a saia e calcinha, ergueu a blusa e montou nele.
"Oh Deus!". Os dois gemeram ao mesmo tempo. Não era habitual ficarem tanto tempo sem sexo.
Ao final Cuddy estava toda molhada e precisou de um banho rápido e de uma nova roupa. Se atrasaram, mas estavam felizes.
"Eu te amo!". Ela se despediu dele com um selinho quando chegaram juntos a recepção do hospital. Em seguida foi para a sua sala.
Wilson, que estava por lá, viu a cena.
"Parece que Rachel está melhor".
"Sim, só catarrenta agora". House respondeu.
"Vocês parecem bem".
"Tivemos sexo muito bom há menos de uma hora, se é isso o que quer saber".
Wilson corou. "Ótimo!".
"Sim. Foi muito bom pra nós dois, pois eu sei agradar minha dama".
"Ok, eu não preciso saber disso".
"Que minha mulher goza durante sexo comigo?".
"Tchau House!". E ele saiu apressado. House sorriu.
A vida era boa pra ele e isso era aterrorizante.
Continua...
