Por Leona-EBM

Blecaute

Parte III

OoO

"Imagino que para lidar com as diferenças entre nós e as outras pessoas, temos que aprender compaixão, autocontrole, piedade, perdão, simpatia e amor – virtudes sem as quais nem nós, nem o mundo, podemos sobreviver". (Wendell Berry)

OoO

E não foi naquela noite que Iori conseguiu tocar no seu namorado como sonhava. Aos poucos os dias foram passando, todavia o casal se via quase sempre e as memórias de Kyo pareciam estar aparecendo com maior freqüência.

Para Yagami parecia um início de namoro. Ele encontrava-se às vezes com Kusanagi, eles conversavam e saíam juntos, não era sempre que se tocavam, mas o ruivo fazia questão de tirar a timidez do mais novo, sempre lhe abraçando e dizendo coisas doces. Para Kyo, aquele Yagami não existia.

O ruivo era paciente, jamais forçava alguma reação de Kusanagi e procurava deixá-lo à vontade, pois conhecia bem a personalidade daquele que entregou seu coração. No mais, acreditava fielmente que as memórias voltariam cedo ou tarde, tudo era uma questão de tempo.

O inverno estava intenso, a neve caía branca e gélida pelas ruas. Poucas pessoas trafegavam com medo de ficarem presas para fora de seus lares quentes e aconchegantes.

No apartamento, Kyo olhava para grande janela de vidro no apartamento de Yagami, no final ele estava novamente naquele lugar. Não conseguia evitar ser seduzido e arrastado pelo ruivo, seu antigo e doce rival.

Yagami apareceu na sala com duas canecas de vidro, o cheiro forte de chocolate trouxe Kyo a realidade. Ele aceitou aquela delicadeza e se sentou no sofá, sorvendo o líquido quente que era recebido de bom grado por seu corpo.

- Muito bom. – elogiou, sorrindo para o seu anfitrião.

- Do jeito que você gosta.

- Você sabe de tudo que eu gosto, isso é injusto.

O ruivo arqueou uma sobrancelha, procurando alguma explicação.

- Eu não sei nada do que você gosta.

- É só descobrir. – sorriu – eu falo tudo o que quiser.

- Sem segredos? – indagou maliciosamente.

- Sem segredos.

Kyo estava mais descontraído, às vezes soltava alguma piada, ele ia se soltando aos poucos. O ruivo conhecia bem o lado malicioso e pervertido de seu namorado, ele sabia como Kyo podia ser quente na cama e ria consigo mesmo por saber disso em segredo.

O moreno continuou a tomar seu chocolate quente, contendo-se para não fazer piadas com o outro, pois sabia que podia levar a pior. Sempre que dizia alguma coisa, Iori rebatia, falando algo pessoal de Kyo.

Eles ficaram conversando durante um longo período, Kyo foi convidado a passar a noite, pois estava tendo uma tempestade de neve. O moreno acabou por concordar, apesar de temer dormir naquele apartamento sozinho com o ruivo.

Iori arrumava as coisas para Kyo dormir no quarto. O moreno estava bebendo água na cozinha quando sentiu uma forte pontada na cabeça, o copo caiu no chão, espatifando-se em dezenas de pedacinhos que resvalaram pelo piso liso. Kusanagi se ajoelhou e apertou suas têmporas com as duas mãos.

- Kyo!

O ruivo apareceu na cozinha velozmente, ele desviou dos cacos de vidro e foi até seu namorado, tocando no seu ombro que tremia levemente. Ele o ajudou a se levantar e o guiou até o quarto, deitando-o na cama.

- O que está sentindo?

- Aquela dor... – gemeu baixo, contorcendo-se.

O jeito era ficar observando Kyo se contorcer e gemer baixinho. Iori se deitou na cama e o abraçou pela frente, acomodando a cabeça de Kyo no seu peito, desejando que aquela dor passasse o quanto antes. O ruivo sofria em silêncio, não podia fazer nada, sentia-se indefeso.

O tempo foi passando e Kyo parou de se remexer, ficando em paz nos braços cálidos de Yagami. Ele suava e respirava com um pouco de dificuldade, mas ia se recuperando aos poucos.

- Está melhor?

- Sim, amor, obrigado.

A palavra "amor" fez Iori tremer levemente, ele beijou a testa de Kyo e acarinhou seu rosto.

- Do que me chamou?

- Ah?

- Kyo, você me chamou de "amor".

- Hum... – resmungou, abaixando o olhar – não implica comigo, ruivo.

- Ruivo? – tornou a indagar – Kyo, que... que dia é hoje?

- Hein? Sei lá... amanhã é nosso aniversário de namoro. Não pense que vou esquecer. Aliás, eu preciso ir para casa, eu tenho que resolver algumas coisas e...

- Hei, hei, você não vai sair dessa cama. – Iori falou de repente, não acreditando no que estava ouvindo. Será que Kyo havia se esquecido de tudo que aconteceu? Aquilo só podia ser algum feitiço.

A cabeça de Kyo foi depositada no travesseiro, os dois ficaram se olhando em silêncio. O moreno abriu um sorriso sereno indagando o motivo daquele olhar tão penetrante e como resposta os lábios famintos de Yagami lhe atacaram.

- Iori... – gemeu entre o beijo – vamos com calma.

- Ah?

- Eu ainda não estou preparado para isso.

- Kyo... eu pensei que... ah! Deixa pra lá!

O moreno voltou a ter aquele olhar tímido e inocente. O ruivo se sentou na cama e afagou seus cabelos.

- Que dia é hoje?

- Hoje? Hum... dia quinze, certo?

- Certo. – respondeu sem animação.

- Quer fazer algo especial?

- Se você deixar, eu adoraria fazer algo com você.

- Ah... eu... – sorriu amarelo, ficando com as maçãs do rosto avermelhadas – Iori... eu até quero. – confessou para a surpresa do ruivo – mas eu tenho... medo. Pode parecer idiota, mas eu estou realmente com receio.

- Você quer?

- Sim... às vezes eu sinto vontade. Eu sonho com isso.

- Por que não me disse antes?

- Eu estava com vergonha.

- Kyo, isso é o que eu mais quero. – falou, tocando nos lábios rosados – te beijar, te amar... Sentir meu corpo dentro do seu...

À medida que Iori ia falando o calor ia subindo para as faces de Kusanagi. Ele tinha vergonha de Iori e não sabia o motivo, talvez não conseguisse se comportar diante daquele olhar penetrante, ficava completamente sem ação.

- Você está se lembrando. E como o doutor disse, em poucas semanas estará com boa parte de suas lembranças. – comentou – você sabe que não precisa ter medo, pois eu sei que aí no fundo, algo diz que você confia em mim e que nos amamos.

Kyo virou a cabeça para o outro lado, fechando suas pálpebras com força, ele respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos. Acabou por sentir um toque doce no seu pescoço, o ruivo estava debruçado em cima de seu corpo, beijando-lhe a região, passando a língua, umedecendo sua pele.

Um arrepio subiu pelo corpo de Kusanagi, arrepiando todos os pêlos. Ele se remexeu e foi fortemente abraçado, sendo puxado para se sentar em cima do colo de Iori. Não tinha como negar aquele homem, não naquela posição que estava, com os joelhos afundados no colchão, estando lado-a-lado com as coxas fortes do seu ex-rival.

O som da respiração afobada de Iori lhe deixava excitado. Às vezes o ruivo gemia baixinho como se o provocasse. Kyo se esquecia que o outro sabia exatamente do que gostava e usava isso contra ele.

Um toque deixou Kusanagi tenso, ele sentiu a mão de Yagami se fechar nas suas nádegas, apertando-as, enquanto os dedos maiores começaram a fazer uma leve pressão no jeans, desejando atravessá-lo para lhe invadir.

- Kyo... tire essa roupa para mim... – pediu mordendo o lóbulo da orelha.

- Iori... eu acho...

- Pare de pensar tanto. Eu sei que quer isso também.

O ruivo começou a despir o menor, retirando suas roupas lentamente. Para retirar a calça, Kyo foi empurrado para trás, caindo de costas na cama para logo sentir o jeans raspar por suas pernas torneadas, juntamente com sua roupa debaixo. Estava completamente desnudo e Iori começava a se despir.

Dessa vez Kusanagi não ia conseguir fugir.

Já desnudo Iori caiu em cima do moreno, começando a espalmar sua mão por suas coxas, abrindo-as para ficar no meio delas, enquanto impulsionava seu quadril, apertando seu membro duro contra o de Kusanagi que gemeu baixinho. Iori era lindo, estava começando a vê-lo com outros olhos.

Kyo sentia suas nádegas sendo apertadas a todo instante, temendo que Iori empurrasse seus dedos para dentro de seu corpo, pois às vezes o sentia tocando sua entrada. Os lábios do ruivo começaram um trabalho minucioso no corpo de Kusanagi.

- Relaxa... – pediu num sussurro, antes de lamber os mamilos para depois chupar um de cada vez, mordendo-os levemente para depois chupá-los com intensidade até que ficassem vermelhos. E sua língua continuou o trabalho, dando um belo "banho de gato" no menor.

A cabeça de Kusanagi afundou-se no travesseiro, ele tinha uma respiração descompassada. Movia sua cabeça de um lado para o outro, enquanto sentia seu corpo reagir a todas aquelas carícias. Ele passou a mão timidamente pela cabeça ruiva, acarinhando seus fios cor de fogo até que não agüentou e empurrou a cabeça de Iori para baixo.

Nada disse o ruivo, apesar de desejar comentar o modo apressado que foi empurrado. No momento não queria ser provocativo, ia contra sua essência, pois queria Kyo de qualquer jeito. Ele pegou o pênis duro do seu amado namorado e lambeu sua extensão, olhando para os olhos castanhos de seu namorado para depois colocar tudo na sua boca. A sucção começou lenta, a língua resvalava em movimento contrário, aos poucos a pressão foi aumentando juntamente com os gemidos desejosos de Kyo.

- Ah... Isso, Iori.

Kyo ficou com as pernas flexionadas, abrindo-as para que Iori tivesse melhor acesso. E novamente sentiu a mão pesada do ruivo nas suas pernas, até que chegou novamente nas suas nádegas, apertando-as, cutucando-o com o dedo, abrindo espaço lentamente até que a pontinha de seu dedo indicador começou a ser inserida.

- Iori! – deu um grito.

- O que foi? – indagou o ruivo, parando a felação.

- Assim não, eu não quero.

O ruivo sorriu e nada disse, voltando a chupar aquele pedaço de carne que pulsava na sua boca. Ele não tocou mais no moreno, não ia fazê-lo se ele não quisesse, apenas o chupava até que parou quando sentiu vontade.

- Ah... Iori...

- Quer mais?

- Sim. – respondeu o óbvio.

Iori o puxou pelos ombros para depois virá-lo de bruços na cama, ouvindo algumas reclamações de Kusanagi que insistia em voltar a sua posição inicial. O ruivo cobriu seu corpo com beijos, abraçando-o, para depois dar uma atenção especial a sua nuca.

O cheiro de Kyo o estava deixando louco, ele precisava entrar naquele corpo o quanto antes, mas tudo tinha seu tempo. O ruivo parecia um animal enlouquecido em cima de Kyo, ele se movia para frente e para trás, raspando seu pênis pelas nádegas e coxas de Kusanagi, desejando atravessar as barreiras.

- Kyo... – sussurrou próximo ao seu ouvido – deixe-me fazer o que eu quero.

- Ah... Iori...

- Eu vou te dar muito prazer.

- Eu... eu não sei.

- Você vai gostar, nós já fizemos isso várias vezes.

- Iori, vá com cuidado, então. – falou com uma voz baixa.

O ruivo sorriu, adorando aquela permissão. Ele beijou a bochecha de Kyo e puxou a cintura do mesmo para cima, voltando a lamber seu corpo, mas agora tinha acesso à região que desejava. Ele passou a língua pelo meio das nádegas, vendo como Kyo se remexe, ele as abriu com as mãos e ficou olhando para seu alvo.

Um dedo voltou ao trabalho, começando a ser inserido com dificuldade. Kyo não era tão apertado daquele jeito, pensava Iori. Talvez o tempo sem sexo tivesse deixado a musculatura daquela região mais tensa.

Num pulo o anfitrião correu de sua cama e foi até a suíte do quarto, procurando nas gavetas algum gel. Quando achou, voltando para cama, vendo que Kyo estava sentado. O ruivo lhe beijou a boca e o fez voltar na posição anterior.

- Ah... que gelado. – reclamou, sentindo o gel escorrer por suas nádegas.

- Isso vai ser bom.

- Se você diz...

- E vai ser! Apenas relaxe e deixa que eu faça tudo.

- Como quiser, Iori.

O gel ajudou na penetração com os dois dedos maiores de Yagami, ele começou a movê-los no interior de Kusanagi, notando que seu namorado estava incomodado. E pensar que há alguns meses Kyo estaria rebolando e pedindo por mais.

O ruivo deu um beijo na coluna de Kyo e começou a mover seu próprio membro, masturbando-se silenciosamente e quando sentiu a umidade na sua glande, ele retirou os dedos do interior do moreno e começou a pressionar seu pênis, exigindo espaço, empurrando seu quadril, enquanto segurava Kyo.

- Ahhh!! Iori... – gemeu alto, agarrando-se aos lençóis. Ele abriu mais as pernas, abaixando sua cabeça para conseguir respirar melhor. Seus cabelos estavam grudados no seu rosto suado.

Yagami não parou, ele foi inserindo lentamente, às vezes dava uma pausa, mas continuou até que bateu seu saco contra as nádegas de Kyo. Um minuto de descanso, e a mão de Yagami começou a tatear o corpo do namorado, indo até seu membro caído no meio das pernas, começando a acariciá-lo.

As sensações que invadiam Kyo eram maravilhosas. Ele sentia dor, mas não era muita, surpreendendo-se com isso. O membro de Iori era enorme, contudo parecia que seu corpo havia sido feito para o encaixe perfeito.

Kusanagi relaxou, abrindo os lábios, deixando uma gota de saliva resvalar até seu queixo. Ele contraria seu corpo diante do prazer que sentia pela mão do ruivo, desejando que ele fosse mais rápido.

- Ah... Iori... assim.

- Está bom?

- Sim... não pare.

- Vou fazer algo bem melhor.

O ruivo afastou um pouco de seu quadril e o lançou para frente, dando a primeira estocada que foi lenta e forte, balançando o corpo de Kusanagi, ouvindo o gemido que ecoou pelo quarto. Como sentia saudade daqueles gemidos! Iori fechou os olhos por um minuto e começou a se mexer, entrando e saindo, adorando ouvir a voz rouca de seu namorado.

Yagami abraçou o peito de Kyo que sentiu maior pressão nas suas pernas, agora o ruivo estava praticamente deitando-se em suas costas, para chegar na altura de seus ouvidos para lhe sussurrar como estava amando possuir aquele homem outra vez.

Kusanagi arregalou seus olhos de repente ao sentir uma estocada funda no seu corpo, batendo num ponto que lhe deu muito prazer. Seu gemido foi prolongado, aos poucos começou a mover seu corpo para frente e para trás, contra o ritmo de Yagami, para assim sentir mais fundo aquele pênis bater contra sua próstata.

A cada batida contra seu corpo, o rei dos lutadores se contorcia, gemendo mais alto, falando o nome de seu namorado. Ele estava enlouquecendo naquela cama, não agüentaria muito tempo e o resultado foi óbvio, a mão de Yagami estava lambuzada pelo sêmen do mais novo que agora parecia estar mais relaxado.

- Hummm... Kyo!

O prazer de Kyo havia sido alcançado. O ruivo largou seu membro e segurou a cintura dele, mantendo-a firme no lugar para dar mais atenção aos seus quadris que começaram a bater com violência contra Kusanagi, entrando e saindo quase por inteiro. Seu saco batia com força contra Kyo, causando um som característico, misturando com os gemidos e as respirações de ambos.

O ruivo jogou sua cabeça para trás e gemeu alto, gozando finalmente, sentindo seu corpo se contrair repetidas vezes até que deixou toda sua semente escorrer. Ele retirou seu pênis lentamente, vendo o líquido branco cair pelas coxas grossas de seu namorado. Kyo desabou e Iori deitou-se ao seu lado, puxando-o para um beijo de língua. Eles não colaram a boca, pois queriam respirar, sendo assim suas línguas ficaram dançando pelo ar.

- Que loucura...

- Arrepende-se?

- Claro que não. – sorriu para a tranqüilidade do ruivo.

Os dois ficaram abraçados por um longo tempo. Uma coberta foi responsável por aquecer seus corpos, pois mesmo com o aquecedor ligado, eles sentiam um pouco de frio.

- Eu estava louco para fazer isso.

- Eu sei. – riu baixinho.

- Eu quero repetir, Kyo.

- Depois...

O ruivo beijou a testa suada de seu namorado e depois desceu até seus lábios.

- Isso me parece bem familiar.

- Aos poucos você vai se lembrando.

- Sabe, Iori... eu me apaixonei por você.

O ruivo abriu um formoso sorriso ao ouvir aquela confissão.

- E acho que me apaixonei duas vezes. – falou o moreno.

- Eu também.

- Como?

- Você é o mesmo Kyo, com as mesmas reações, mesmo que não se lembre. Eu voltei a me apaixonar de novo.

- Então não era apaixonado por mim?

- Claro que sou apaixonado por você. Mas foi muito bom sentir aquela vontade de te conquistar de novo.

- É só bater na minha cabeça para eu esquecer tudo de...

- Não repita isso. – pediu, colocando dois dedos na frente dos lábios do outro – é muito cansativo te conquistar. Você não é muito fácil!

Kyo riu baixinho com aquele comentário e se acomodou no peito de seu namorado. Aos poucos eles foram adormecendo na cama, mas antes de apagar completamente, Kyo sussurrou:

- Hei... ruivo... depois me faz um chocolate.

Iori olhou intrigado para seu namorado. Será que Kyo ia ficar misturando passado e presente até recuperar sua memória? Ele sorriu e respondeu:

- Depois que repetirmos a dose, moreno.

E Yagami sorriu, permitindo-se dormir junto ao homem que havia amava. Logo Kyo recuperaria sua memória e então poderia matar toda a saudade.

OoO

Nota: essa história foi rápida. Um pequeno conto de amor entre Iori e Kyo com um final feliz, pois é bom ler coisas alegres. Apesar de ter um início trágico.

Eu espero que tenham gostado do conto. Comentários são sempre bem-vindos. O que acharam?

22/3/2009

Por Leona-EBM